00:00 Você está realmente quente. Me conta, Guilherme, o que você tem sentido mais?
00:07 Eu sinto uma falta de ar, medo, raiva, dor, um calor que vem de dentro e de fora.
00:14 Eu preciso de um ar-condicionado graneano.
00:29 Eu não estou aqui pedindo esmão. É o meu trabalho.
00:31 A questão é que você não entregou o livro.
00:33 Isso aqui é dinheiro público, não pode ser assim.
00:35 Mas se vocês me derem mais um pouco de tempo, eu posso resolver tudo isso.
00:38 A previsão é que dentro das próximas 48 horas, Salvador será atingida por fortes ondas de calor.
00:47 São raios ultra-violentos.
00:50 A cidade vai ferver e a galera vai pirar.
00:54 Ah!
00:56 O que foi?
01:01 Eu preciso do meu ar-condicionado com urgência.
01:06 É que eu tenho que fazer um trabalho e sem ele não tem como.
01:09 Você já ouviu falar em autocompristão espontânea?
01:14 Fala nisso, velho. Cadê o teu livro?
01:20 Tá vendo? Depois do carnaval você vai ter o seu autografado e tudo.
01:24 No vazio.
01:30 No buraco. Na parede do meu quarto. Na parede da minha mente.
01:35 Não há salvação.
01:38 Nem Salvador.
01:41 E eu, calado.
01:43 De calor.
01:46 Não tenha ódio no verão.
01:50 Você vai acabar comendo brasa, nutrição, assando o rabo no fogão.
01:58 [Música]