00:00 [música triste]
00:02 Conheci através de Tipe Vaz, Ana, uma brasileira inteligente e muito conversadeira.
00:07 Ela faz um trabalho desconcertante na rua.
00:09 Eu adoro ler carta de gente morta.
00:11 [música triste]
00:13 Cara, essa mulher aparece em algumas cartas, ponto em comum, uma brasileira, Ana.
00:19 Junta-a.
00:20 É por isso que você vai viajar?
00:22 Eu vou fazer isso porque eu acho que essas mulheres estão sendo esquecidas, vão ser esquecidas.
00:27 Porque eu acho que é tempo da gente falar delas.
00:29 Em plena ditadura, Ana. É incrível ter feito isso em plena ditadura.
00:33 E se ela simplesmente não só desistiu?
00:36 Pode ser que ela tenha tido que desistir.
00:39 Também, se for isso, é essa história que a gente vai contar.
00:42 [música triste]
00:44 Ana era uma muchacha muito linda, muito aberta, com uma cabeça muito livre.
00:54 Uma chica negra, brasileira e muito talentosa.
00:58 E todo o tempo ela queria transgredir as regras, extrapolar os limites, quebrar as fronteiras.
01:03 Todos esses artistas, como Frida Kahlo, Lola Álvarez Bravo, Maria Izquierdo, etc.
01:09 Trazem como se fosse uma revolução na sangue.
01:11 Eu acho que o medo faz parte das nossas vidas.
01:14 Imagina uma mulher preta viajando por aí.
01:17 Imagina Ana nos anos 70.
01:18 Se pra mim já foi horrível, imagina pra ela.
01:21 Deve ter sido muito pior.
01:27 Ana tinha chegado ao México muito afetada por tudo o que tinha acontecido na Argentina.
01:31 Eu acho que ela sofreu muitos golpes duros na vida.
01:35 Essas são as pessoas que mais sofrem, não?
01:37 No meu trabalho, eu trago o meu corpo e tudo o que ele suporta.
01:45 A opressão do regime ditatorial é constante para o corpo negro,
01:50 o corpo de uma mulher negra, de uma mulher negra brasileira.
01:56 O que será que ela passou os últimos dias da vida dela?
01:58 Uma prisão?
01:59 A claridinidade?
02:00 Manicômio, manicômio.
02:02 Você acha que ela tá viva?
02:06 ♪ Te acenflorescer ♪
02:08 ♪ Te acenflorescer ♪
02:09 [Música]
02:12 [Som de fogo]