00:00A gente falava agora que estamos marcando aí um ano das enchentes que abalaram não só o Rio Grande do Sul,
00:06como o Brasil inteiro, fazendo a gente pensar em medidas para cuidar das mudanças climáticas,
00:11também medidas de autoridades, para alertas importantes, para escoamento da água,
00:15manutenção de muitos canais que não são feitos.
00:17Esse aí foi um dos maiores desastres naturais da história do Brasil.
00:21Foram 184 mortes, como prometido, a gente vai para lá ao vivo agora com a Maria Fernanda Lutzinger,
00:27que vai contar para a gente um pouquinho como é que estão essas famílias depois desse período de um ano,
00:32como é que estão as casas. Tem gente que está vivendo em abrigo ainda, né, Fernanda?
00:36Bom dia para você.
00:42Olá, bom dia. Pois é, um ano depois, mais de 300 pessoas ainda estão em abrigos aqui no Rio Grande do Sul, viu?
00:49Na verdade, esses abrigos, onde concentram mais pessoas, são os Centros Humanitários de Acolhimento.
00:54Foram estruturas montadas por um órgão da ONU aqui no Brasil, justamente quando os abrigos convencionais já não davam mais conta.
01:02São espaços que têm locais reservados para cada família, mas muitos ambientes ainda compartilhados.
01:08Quase um ano nesses locais ainda é muito difícil a situação da habitação aqui no Rio Grande do Sul.
01:13Falando sobre soluções um pouco, a gente tem uma solução, uma das maiores, inclusive, que é a compra assistida.
01:19O recurso do governo federal aqui no Rio Grande do Sul é um investimento de 200 mil reais por cada família que se enquadra, né,
01:26nos requisitos para conseguir comprar uma casa de até 200 mil reais e aí conseguir, então, se mudar e ter esse recurso definitivo.
01:35Só que até o momento, só 1.500 casas chegaram aqui para o Rio Grande do Sul.
01:38Na verdade, só 1.500 contratos foram assinados, já que os moradores precisam procurar uma casa que se enquadre também
01:46nesses requisitos do compra assistida. Então, a gente também ainda aguarda e novas listas saírem
01:51para que mais moradores que ainda estão aí desabrigados ou até mesmo desalojados, morando na casa de parentes ou de amigos,
01:58consigam também soluções permanentes.
02:00Esses centros humanitários de acolhimento vão ser desativados agora no mês de maio, justamente o mês que completa um ano da catástrofe.
02:06E aí a resposta que o governo do estado deu quando nós questionamos o que vai acontecer com essas pessoas,
02:11mais de 300 pessoas que não têm ainda para onde ir, uma casa definitiva, é que eles investiram, então, em casas provisórias.
02:19Essas casas provisórias serão montadas aqui em Porto Alegre, em Canoas, muitas já foram montadas, inclusive,
02:25para abrigar essas pessoas que não têm soluções definitivas até que se tenha alguma previsão do recurso do governo federal
02:32chegar integralmente por aqui. A gente sabe que é muito difícil, já que a catástrofe foi aí sem medidas, né?
02:39Ninguém esperava que tivesse tanta gente fora de casa, ainda mais um ano depois.
02:43Mas são algumas das soluções que chegaram ou que ainda não chegaram aqui no Rio Grande do Sul.
02:49Claro que em todos os âmbitos ainda há coisas para fazer, ainda há o que se resolver.
02:54A gente segue acompanhando toda essa situação aqui no Rio Grande do Sul, mas principalmente a urgência.
02:59Sempre foram as pessoas por aqui na catástrofe, entre mortos, desaparecidos, mas também desabrigados.
03:04Então, por isso, a gente se preocupa ainda mais com quem agora vai ter que sair do centro de acolhimento
03:09e vai ter que ficar mais uma vez em uma casa temporária sem uma solução definitiva.
03:14Maria Fernanda, e isso vai acontecendo de novo, né?
03:18Assim como aconteceu lá no ano passado, a gente lembra que veio a chuva e logo nessa sequência veio o frio,
03:24as pessoas ainda desabrigadas.
03:26Um ano depois, isso se repete.
03:27E há pouco a gente falava da previsão do frio agora extremo nesse início de semana, já para o feriadão.
03:35Só para a gente chamar a atenção aqui, tem cidade do Rio Grande do Sul que hoje cedo, vacaria, bateu zero grau.
03:42Cidades onde realmente a temperatura caiu muito.
03:44Fala um pouquinho para a gente sobre essa questão do frio agora, com pessoas ainda em deslocamento,
03:49sem uma moradia ali de proteção, né?
03:52Quer dizer, famílias que ainda estão meio que aí jogadas no tempo.
03:57Pois é, já está bem frio aqui no Rio Grande do Sul, viu?
04:04Hoje a mínima foi de 10 graus aqui em Porto Alegre, inclusive bem frio nesse momento também, apenas 13 graus.
04:09E é justamente o que aconteceu no ano passado, né?
04:11Como você dizia, começava a chover e o frio também acarretava muito nisso,
04:16já que as pessoas saíam de casa só com a roupa do corpo, muitas vezes molhadas,
04:20e contaram muito com doações.
04:21Nos últimos dias nós acompanhamos aí, né, várias partes do Rio Grande do Sul
04:26e como estão as pessoas depois de um ano da tragédia.
04:28E nós fomos em um desses centros humanitários de acolhimento.
04:31Eu conheci uma senhora que me mostrou que estava ali de malas prontas, na verdade, de caixas prontas, né?
04:36Se mudando para uma dessas casas temporárias.
04:39O que ela contou é que tudo que ela tem hoje são doações.
04:42Então, essas pessoas que saíram só com a roupa do corpo,
04:45hoje tem o que vestir, né?
04:47Tem roupas adequadas para o frio, diferente do que era no ano passado,
04:50na emergência aí da catástrofe.
04:52Mas muito pela solidariedade que foi dada naquela época e durante todo esse ano aí pós-catástrofe também.
04:58Nas casas temporárias, onde nós também estivemos para visitar famílias que já estão nesse tipo de habitação,
05:04o que eles relataram é que as casas são em formato de container, né?
05:08Elas são estruturas aí, como eu disse, provisórias, mas que dão um conforto um pouco a mais.
05:12No verão, o relato foi que foi muito quente.
05:15A gente tem estações bem demarcadas aqui no Rio Grande do Sul, né?
05:18O verão muito quente e o inverno muito frio.
05:20No verão, o que eles relataram foi que o calor foi extremo,
05:24mas que agora no inverno vai ser a primeira estação mais fria que eles vão passar nessas casas temporárias.
05:29Então não se sabe ainda como vai ser, né?
05:32Como essa habitação também consegue resistir ao frio aqui no Rio Grande do Sul.
05:35A gente sabe que aqui em Porto Alegre, por mais que não seja a região mais fria do estado,
05:39no inverno as temperaturas ficam próximas aí a zero.
05:43A gente tem temperaturas muito baixas no início da manhã também.
05:46Então realmente é uma situação que preocupa.
05:48Preocupa, mas muita gente está bem assistida com doações.
05:51A solidariedade também é um ponto que a gente sempre relembra por aqui.
05:56Tá, jóia.
05:56Maria Fernanda Lutzinger ao vivo com a gente de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul,
06:01trazendo essas respostas, né?
06:03Tentando responder o que foi feito até agora,
06:05depois dessa que foi uma das maiores tragédias,
06:08desastres naturais da história do Brasil.
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