00:00E o presidente chinês Xi Jinping se encontrou com líderes da Ásia Central em uma cúpula no Cazaquistão,
00:06sua segunda viagem à região em menos de um ano, enquanto Pequim compete com a Rússia por influência na localidade.
00:14A cúpula em Astana reúne Xi Jinping e os líderes do Cazaquistão, Kirguistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Turcomenistão.
00:22Sob a órbita da Rússia até a queda da União Soviética, em 1991, os cinco países da Ásia Central têm atraído o interesse de grandes potências,
00:32incluindo a China e os Estados Unidos, desde que se tornaram independentes.
00:37A região é rica em recursos naturais e está estrategicamente localizada na encruzilhada da Europa e da Ásia.
00:44Em uma reunião com o presidente Kirguis, Sadir Japarov, Xi pediu que os dois países aumentassem o comércio e o investimento
00:53e expandissem a cooperação entre setores emergentes.
00:57De acordo com o líder chinês, os dois lados devem impulsionar a construção de alta qualidade da ferrovia China-Kirguistão-Uzbequistão
01:06e promover novos motores de crescimento em energia limpa, minerais verdes e inteligência artificial.
01:12Embora os líderes da Ásia Central continuem a ver a Rússia como um parceiro estratégico,
01:18os laços com Moscou se estreitaram desde a guerra na Ucrânia.
01:22As cinco nações estão aproveitando o crescente interesse em sua região e coordenando suas políticas externas.
01:29Eles realizam regularmente cúpulas com a China e a Rússia para apresentar a região como um bloco unificado e atrair investimentos.
01:37O Mário Almeida, então, esse grupo de países, né, Kirguistão, Uzbequistão, é um bloco que era muito ligado, né,
01:47era fazer parte da União Soviética e desde que cai a cortina de ferro, eles ficam um pouquinho esquecidos ali,
01:54mas é uma região também estratégica e que atrai aí os olhares de China, né.
02:00Você tem essa disputa China e Rússia por uma, não intervenção, mas por uma polarização maior nessa região, né, Mari?
02:09Pois é, claro. E acho que tem uma questão que, assim, num ambiente internacional onde o ritmo de crescimento está baixo
02:15e está difícil conseguir alta rentabilidade, economias que ainda têm espaço para saltos de desenvolvimento
02:20são particularmente estratégicas. Nesse caso, tem tanto a questão do acesso aí a alguns minerais,
02:26alguns bens naturais importantes da região, mas como eu estava falando antes, assim, também tem esse espaço de desenvolvimento,
02:33dá para crescer, influenciar o aumento de consumo e de produção nesses países, ou seja, ampliar os lucros,
02:40o que você ganha com isso também, aproveitando aí a onda de desenvolvimento que pode acontecer.
02:46E aí a China entra e entra forte, ela foi aprendendo a fazer isso de uma maneira que não é só linear,
02:52ela não vai de uma maneira etapista fazer os seus investimentos, ela entra sempre com uma parte de infraestrutura importante,
02:58facilitando a construção aí de canais de comércio significativos, então entrar com estradas,
03:04entrar com a parte mais de logística, mas não só isso, já tentando dar saltos importantes,
03:09investindo em tecnologia e também com a entrada de ganho de produtividade a partir de IA.
03:14Então é um pacote cada vez mais amplo, ela fez muito isso na África e agora entrando também nessa área,
03:20não só, de novo, não de maneira etapista, repetindo tudo o que ela tem feito desde o início dos anos 2000,
03:25mas já chegando com saltos maiores significativos, tentando aí realmente ganhar da Rússia.
03:29Rússia que fez essa aproximação porque conforme fecham outros mercados para ela,
03:34precisa se abrir e aí investimento na região, em trocas com a região, são uma alternativa,
03:39mas quem tem mais fôlego para esse investimento significativo provavelmente é a China nesse momento,
03:45com menos contatos anteriores do ponto de vista cultural, com algumas dificuldades adicionais para a entrada,
03:51mas com, de novo, um fôlego, uma capacidade de investimento e um aprendizado sobre entrada e promoção de desenvolvimento
03:57muito diferenciado em relação à Rússia.
03:59Então, essa viagem provavelmente reforça o papel chinês e reforça a capacidade aí da China de ter alternativas
04:06para além do mercado americano, que afinal de contas foi o grande fechamento e a grande notícia mais recente
04:12e que impactaria a economia chinesa desde que ela não fosse capaz de se diversificar.