00:00Alguma coisa que os médicos falaram aqui no Brasil
00:02é que eles tiveram um preparo militar lá em Cuba.
00:07Além da questão ideológica, também tinha realmente...
00:12Você teve algum preparo militar lá?
00:16Quando a gente tem preparo militar, não só na universidade.
00:19A gente começa nos primeiros anos na escola.
00:23Tem matérias lá relacionadas ao militarismo.
00:26Tem um famoso domingo de defesa lá,
00:28que todas as pessoas em qualquer lugar onde elas trabalhem
00:31precisam nesse domingo de defesa
00:32fazer algumas atividades voluntárias
00:36em prol da defesa do país.
00:39Qualquer um jornalista tem que pegar domingo, opa, domingo de defesa.
00:43Domingo de defesa, todo mundo lá.
00:44É o mesmo dia para todo mundo?
00:46É, eventualmente sim.
00:47Eu não lembro mais porque é muito tempo,
00:49mas era um domingo, hoje é domingo de defesa.
00:51Acho que é o terceiro domingo de cada mês, não lembro bem.
00:54Tinha que estar lá em pé de luta.
00:56O que você fazia no domingo de defesa?
00:59Tinha preparo militar mesmo.
01:01Tinha um campo de tiro, por exemplo,
01:03e você era ensinado a tirar.
01:05Era ensinado a você ter alguns comportamentos em caso de guerra.
01:09Como é um país militarizado.
01:11O governo de lá é um governo militar
01:12e ele educa as crianças desde que elas entram nos primeiros anos da escola
01:17até a universidade.
01:19Então o médico da Universidade de Medicina
01:21também experimenta lá uma fatia daquela questão de militarização.
01:25tinha uma matéria que se chamava PMI, acho que era PMI, as siglas.
01:32Onde você aprendia ali algumas maniobras médicas,
01:36porém em questão de desastre, em questão de guerra.
01:39Então esse preparo sempre existia.
01:40Tinha que ir obrigatoriamente.
01:42Não podia faltar essa matéria porque você podia até reprovar um ano por essa matéria.
01:45E era visto duplamente com outra óptica.
01:50Você não vai porque você não gosta
01:52ou você não vai porque você não gosta de governo de Cuba.
01:55Então eram matérias muito bem pensadas nesse sentido.
01:59Tinha que fazer.
02:00Tinha que fazer.
02:01Não tinha ponto de correr.
02:01Tinha que fazer.
02:03E Francisco, você conseguiu reavalidar o seu diploma aqui,
02:06trabalha aqui como médico.
02:08Queria que você fizesse uma avaliação da formação médica que você teve lá em Cuba.
02:12É uma boa formação?
02:14A gente quando forma em um país,
02:16a gente não consegue comparar em termos de formação, matérias,
02:21até você não ter um contato com outra coisa.
02:24Não posso falar que esse telefone é bom,
02:25se não tem outro que é melhor.
02:27Você tem um comparativo.
02:29Então a gente se formou em Cuba.
02:30Eu achava que era uma formação boa.
02:33Cuba é mais focada na parte da medicina geral integral.
02:37É uma medicina um pouco mais para o povo,
02:41em termos de formação.
02:44É aquela medicina comunitária.
02:46Mas tanto é que Cuba,
02:47o que mais suporta são médicos que atuam na atenção básica da saúde,
02:50na atenção primária.
02:51Ali a gente consegue resolver 80% dos problemas de uma comunidade.
02:55Não um médico cubano.
02:56A medicina da atenção primária é feita para isso.
03:00Para resolver problemas de fato,
03:01o volume de problemas de fato,
03:03de qualquer sociedade.
03:04Então para Cuba é mais fácil formar um médico
03:07que ele consiga trabalhar em qualquer lugar que um especialista.
03:10Que o especialista atinge um nicho específico.
03:12O médico integral atinge tudo.
03:15Ele é criança, grávida, enfim.
03:18Então a formação é basada nisso.
03:20O que acontece?
03:21Quando você sai fora de Cuba
03:22e você consegue ver como funciona o sistema pedracil,
03:26que tem problemas,
03:27óbvio, intrínsecos também.
03:30Porém você consegue comparar
03:31que você tem aqui alguns acessos
03:33em termos de exame, por exemplo.
03:37Para em Cuba fazer uma radiografia de tórax,
03:38um hospital na minha época era muito difícil.
03:42Era um exame extremamente clínico,
03:44onde você tinha que fazer a medicina um pouco mais clínica,
03:48a auscultação, a anagnese, enfim.
03:50E o raio-x era o último caso.
03:53A tomografia, então,
03:54era discutir ali com vários profissionais
03:56para liberar uma com paciente X.
03:58Então, em termos de interpretação de exame, por exemplo,
04:03o médico cubano não tem uma formação
04:05porque não se faz lá.
04:07Muito básico.
04:08Se faz, porém, é bem restrito.
04:12Bem restrito.
04:15Inclusive, as nomenclaturas são até diferentes
04:17em termos de resultado.
04:20Mas, Cuba não é um país,
04:23não é aquele mito de que Cuba,
04:26a melhor medicina é a medicina cubana.
04:29Está longe, mas muito longe disso.
04:31Uma medicina, a meu ponto de ver,
04:33está bem atrasada
04:34em termos de formação e profissionais.
04:37Tem bons institutos lá?
04:39Tem.
04:40Tem institutos de investigação muito bons.
04:42Eles conseguem estar igual, igual.
04:46Em termos de desenvolvimento de vacinas,
04:48de medicamentos contra o câncer, por exemplo,
04:51realmente tem...
04:52A gente vira sendo algum tipo de referência
04:55porque é incentivado
04:56ou incentiva com recursos
04:58a esses tipos de profissionais.
04:59O resto, a parte da formação,
05:01é a formação básica, do médico básico,
05:03que é o que eles vão poder vender para o mundo.
05:05Tá.
05:05Você não precisa investir em um profissional
05:08que vai ser um neurocirujão,
05:09porque você não vai mandar para ninguém
05:10para abrir a cabeça de ninguém.
05:12Não é o mercado.
05:13Não é o mercado que interessa.
05:15Mas você tomaria a vacina cubana Abdala
05:17que eles desenvolveram lá contra a Covid?
05:20Sinceramente, não.
05:21Sinceramente, não.
05:22Não, e em termos de vacina,
05:23eu tomei as vacinas aqui
05:24porque eu precisava...
05:26O pessoal da saúde
05:27foi praticamente obrigado a tomar,
05:29em termos.
05:31Mas quando você analisa uma vacina,
05:32ela precisa de um tempo
05:33para ser desenvolvida,
05:34atestada, avaliada, enfim.
05:36E tudo foi feito muito rápido, né?
05:38Sim.
05:38Foi feito muito rápido.
05:39Tanto as vacinas americanas,
05:40como as alemães,
05:41como as cubanas.
05:42Então, em termos de vacina,
05:43era muito arriscado.
05:45Vindo de Cuba,
05:46não colocaria, talvez,
05:50um X,
05:52porque lá as vacinas
05:53são muito bem desenvolvidas.
05:55Tá.
05:55Como se fosse um país
05:55que tem vacinas,
05:57porém,
05:58com certeza,
06:00não era
06:00eficácia.
06:02E essas vacinas deles,
06:03eles não fizeram, né,
06:04os testes
06:06que deveriam fazer?
06:07Não teve aprovação da OMS?
06:09Não, não, não.
06:09Não teve nada.
06:10Na verdade,
06:10fizeram o teste com todo mundo
06:12e o resultado,
06:12a gente nunca vai saber, né?
06:14Nunca, nunca.
06:15Os dados médicos lá
06:16são bem fechados, assim.
06:18Eles não compartilham
06:19para o mundo.
06:20Quando as pessoas morreram
06:21por Covid,
06:21em Cuba,
06:22é muito difícil.
06:22Não tem transparência.
06:24É muito difícil.
06:24E não tem acesso
06:26aos últimos estudos
06:27que estão na internet, né?
06:29Um site tipo
06:30um PubMed,
06:31uma coisa assim?
06:32O profissional cubano
06:32não tem acesso a...
06:33Agora tem um pouco mais
06:35internet na minha época.
06:3715 anos atrás
06:38não tinha acesso à internet.
06:39Se você procurar...
06:40Quero me atualizar
06:41sobre infarto,
06:42agudo de meu cargo.
06:43Vou procurar lá
06:44qual é o último medicamento
06:45que você está usando
06:46para melhorar
06:47a irrigação sanguínea do coração.
06:48O médico cubano
06:49não tem acesso a isso.
06:50Até hoje, não tem.
06:52Na prática, você não tem.
06:53Não tem um telefone
06:53ou outro.
06:54Vou entrar num site
06:55e vou me atualizar
06:55com respeito a isso.
06:56Não tem.
06:57Então, você não pode ter
06:58uma medicina
06:58que é uma ciência
06:59que evolui constantemente.
07:02A técnica
07:03está sendo aprimorada
07:04constantemente.
07:06É como você jogar
07:07futebol na época de Pelé.
07:09Não jogar como você
07:09joga hoje.
07:11Totalmente diferente.
07:12Pode resolver até
07:12um problema,
07:13mas você não vai estar
07:14ali direcionado
07:15com respeito a isso.
07:15Então, é um mito.
07:16Medicina cubana
07:17não é a melhor do mundo,
07:18está longe disso,
07:19está focada
07:19na atenção primária
07:20da saúde, sim.
07:21O médico cubano
07:22é um médico acolhedor,
07:23médico cabraço,
07:24médico que toca o paciente,
07:25até porque não tinha
07:26muita coisa para investigar,
07:29era mais o teste a teste.
07:31E é muito bem visto
07:33no mundo por isso,
07:34pela humanidade.
07:35É estranho porque
07:37é um médico cubano,
07:39ele é muito acolhedor
07:40com paciente,
07:41muito humano,
07:41mas ele não pode falar
07:43o que pensa
07:43para o vizinho do quarto.
07:45Ele é quase bizarro isso.
07:47Bizarro, né?
07:47É muito antagônico.
07:50Eu te ajudo,
07:51porém, às vezes,
07:54eu consigo te ajudar
07:54como médico,
07:55mas eu não consigo te ajudar
07:56como amigo
07:57em termos de política.
07:58Não dá para entender isso.
08:00É uma lavagem cerebral
08:02que a gente,
08:06durante a beica,
08:06a gente é treinado para isso.
08:09Então, é muito fácil
08:10para o médico
08:11te abraçar como médico,
08:13porém,
08:14não te falar também,
08:15eu não consigo falar de política
08:16porque eu não posso.
08:17e eu não consigo te ajudar
08:20para o médico.
08:20E eu não consigo te ajudar
08:22para o médico.
08:22E eu não consigo te ajudar
08:23para o médico.