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  • há 1 ano
"Comunique-se, esteja presente. Valide o sentimento do seu filho", alerta

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Transcrição
00:00Bom, vamos mudar de assunto agora. Vamos falar de adolescentes.
00:03Tem adolescente em casa? Vocês viram aí na chamada, durante a nossa programação,
00:08que a gente falaria sobre esse assunto, até porque é assunto que rende.
00:12Se você não é adolescente que está nos assistindo, porque eu sei que nossa audiência também é mais madura,
00:17se você é vovó de adolescente, saiba que depois esse programa fica disponível para você compartilhar
00:23com seus filhos, com os netos. Por quê?
00:26Porque às vezes a gente não dá muita atenção para o adolescente, será?
00:30Como fica negligenciado o comportamento, as mudanças, muitas emoções afloradas e como entender.
00:39Até porque a saúde mental para os adolescentes é muito importante.
00:43E a Índia está aqui, bem-vinda, como vai?
00:46Muito feliz.
00:47Vem de Guarani a Sul, uma horinha de cá?
00:50Uma horinha.
00:51Para dar entrevista aqui no nosso programa, terapeuta de mão cheia.
00:54Estou feliz que você está aqui.
00:56Eu também estou.
00:57E me fala. Primeiro, você tem adolescente em casa, né?
01:00Tenho, tenho.
01:00A Isa que está aqui, inclusive, né?
01:02Trouxe para me acompanhar.
01:04Você fez uma especialização já pensando no teu futuro, porque tem mais dois pequenos, né?
01:08Tem mais dois vindo aí.
01:10Tem um pré-adolescente.
01:11De?
01:12Onze anos.
01:14Onze anos.
01:15E o outro?
01:16Nove.
01:16Nove.
01:17Então, é uma turminha ali, você vai ter um bom laboratório.
01:20Quando a gente fala de saúde mental para adolescentes, a gente talvez, até comentei aqui na abertura,
01:28na chamada, a minha geração, eu tenho 32, então a minha geração de adolescente foi completamente
01:36diferente da que está sendo agora os adolescentes, né?
01:40O que tem mudado, o que tem chamado mais atenção sobre esse assunto para você, que está focado aí nesse assunto, Índia?
01:48Olha só, Murilo, muito interessante isso que você colocou, da diferença da nossa época de adolescência
01:55para esses adolescentes de agora.
01:57Primeiro que eu acredito, né?
01:59Que a nossa adolescência vai ser a última que não teve o contato tão cedo com a tecnologia, né?
02:06Verdade, né?
02:06Nós conseguimos aí nos conectar muito mais fácil, porque não tinha esse acesso fácil.
02:12Há tanta informação, esse excesso de informação, porque é diferente do conhecimento, né?
02:18As pessoas até falam, ah, na minha época, eu ouço bastante, os pais falam, na minha época
02:22que eu tinha que ir na escola, pegar Barça, ir de A a Z, procurar, agora ali, ó, num toque do dedo
02:29você tem a resposta para tudo e ainda não vai para frente a reclamação dos pais.
02:33Esse menino não funciona, não vai, tá com a chave na mão e não consegue abrir a porta.
02:39Porque talvez essas pessoas não tenham entendido que não é conhecimento, conhecimento é diferente de informação.
02:46Existe uma coisa que as pessoas cobram tanto dos adolescentes, né?
02:49O adolescente, na verdade, ele está sempre sendo cobrado.
02:54Você percebe a diferença de uma criança quando, por exemplo, uma criança fala alguma palavra errada?
03:00As pessoas olham e falam, ah, bonitinho, não é assim, amor, que fala.
03:04Corrige nessa doçura, né?
03:07Quando chega na fase da adolescência, olha o salto que a gente tem de cobrança em cima dos adolescentes.
03:14A cobrança de tudo.
03:15Ele acorda com cobrança e vai dormir com cobrança.
03:17Ele sai do quarto e cobra o quê?
03:19Olha esse cabelo, menino, vai prender esse cabelo.
03:21E essa música que você está escutando não faz sentido nenhum, menino.
03:24Você já arrumou teu quarto?
03:25Olha a bagunça do teu quarto.
03:27Então acontece o quê?
03:29Esse distanciamento que muitas pessoas reclamam dos adolescentes.
03:32Ah, eu não consigo entender o meu filho adolescente.
03:35Eu não consigo me comunicar com o meu filho adolescente.
03:38Talvez porque uma ponte que você poderia construir, né?
03:42Dessa relação de amizade, de cumplicidade com o seu filho adolescente, você acaba destruindo aos poucos.
03:49Porque quando nós somos excessivamente criticados, nós criamos um muro como uma proteção.
03:56Porque é como você falou, um adulto, um adulto já foi adolescente.
04:01Ele sabe, ele entende dos conflitos.
04:04Mas um adolescente, ele nunca foi um adulto.
04:07Então nós precisamos disso, essa ponte, né?
04:09E essa fase, talvez você saiba explicar melhor do que eu, mas vai gerando desenvolvimento, acho que neurológico, biológico, do crítico, né?
04:19Do senso crítico dos adolescentes.
04:22E daí às vezes a gente se incomoda como adulto, né?
04:24Olha, então o novo já está querendo opinar, já está querendo palpitar.
04:29E isso é dessa geração, essa geração é mais argumentativa, digamos assim, né?
04:35Muito.
04:36Nós temos alguns extremos, né, Murilo?
04:38Quando nós falamos da adolescência.
04:40Na minha época, o meu pai falava com o olhar.
04:43Eu sou dessa época.
04:44Eu olhava pro meu pai, eu sabia o que ele queria falar, só com a olhada dele.
04:49A professora sempre tinha 100%, ela sempre estaria certa.
04:53Eu era sempre, não, você está errada.
04:55De qualquer forma, você está errada.
04:56Nós pulamos deste extremo pra um outro extremo.
05:00Onde agora esse adolescente tem tudo isso que você falou, ele se coloca, ele se posiciona, talvez, até demais.
05:08E essa ponte que a gente estava falando é sobre isso, sobre conseguir falar pra ele,
05:11filho, calma, calma, a sua verdade não é absoluta, como a minha também não é absoluta.
05:16Que tal se nós nos permitíssemos aprender mais com os nossos adolescentes?
05:20Porque você e eu, nós estamos agora caminhando, engatinhando na questão de tecnologia perante a minha filha de 15 anos.
05:29Ela tem metade da minha idade, metade.
05:32Mas ela tem aí a metade da minha idade e consegue desenvolver muito melhor com aplicativos, com o que tem que atualizar, onde tem que baixar.
05:40Então, eu permito que ela me ensine.
05:43Por que que os pais não permitem também que talvez esse adolescente tenha essa voz pra falar assim, não pai, faz assim, aprendermos juntos.
05:50É uma humildade que precisa se ter, né?
05:52Os adultos, os pais também, né?
05:55Não só essa soberania, seria mais ou menos isso?
05:58Exatamente.
05:59A conversa, a comunicação.
06:01A comunicação é a chave que abre qualquer porta.
06:04Qualquer porta, Murilo.
06:05Eu tenho, então, tanto o convívio com a minha filha adolescente, quanto também eu sou professora, já trabalhei na rede estadual de ensino.
06:14Então, eu tenho uma vasta experiência aí com adolescentes e é esse público que me encanta, porque eles têm essa jovialidade, essa sede de vida.
06:22E falta que a gente dê essa segurança pra que eles consigam entender que a vida é muito mais do que só o ter.
06:29Foi feita uma experiência em Harvard, eu não lembro se com 36 ou 42 ratos, mas enfim, um número parecido com isso.
06:35Eles colocaram eles numa caixinha e todas as necessidades básicas desses ratinhos, eles supriam.
06:42Eles colocaram ar-condicionado pra durante o dia ficar numa temperatura fresca, legal, comida de hora em hora, atividade física.
06:51Ou seja, eles proporcionaram tudo aquilo que os ratinhos teriam que ir em busca.
06:56Eles facilitaram a vida desses ratinhos.
06:59Resultado, com alguns dias de experiência, esses ratinhos começaram a desenvolver algumas atividades estranhas.
07:06Eles começaram o canibalismo, eles corriam contra o vidro, eles batiam a cabeça, porque eles não tinham mais esse senso do que, por que eu vou viver?
07:15Por que eu vou buscar?
07:16Então, isso existe nos nossos adolescentes.
07:19Talvez os pais hoje, eles suprem a falta, por conta do trabalho em excesso, né?
07:23Da rotina cansativa, eles suprem a falta, a presença que eu não tenho, eu vou suprir com outras coisas.
07:30Com presentes, vou encher de curso, eu vou encher a cabeça do meu filho.
07:34Mas esquece dessa comunicação.
07:36Olha como é gostoso a gente estar aqui conversando hoje sobre esse fato.
07:39Quantas coisas o seu filho adolescente, ele chega e quer conversar com você?
07:44Talvez ele chega com alguma dúvida e você olha e fala, ah, que bobeira.
07:48Você não valida o sentimento do seu filho.
07:51A primeira coisa que os pais precisam entender é avalidar o sentimento dos seus filhos.
07:56Porque aquilo que pra você parece ser algo tão pequeno, aquilo que pra você, você olha e fala assim, isso é problema?
08:03Isso nem é problema!
08:04Se esse fosse o maior dos problemas, né?
08:08Mas, Índia, vamos lá.
08:09Quem tá nos assistindo deve tá te ouvindo e falar assim, ah, até que faz sentido e tudo mais, mas aqui em casa é mais complicado.
08:19O meu filho, o meu neto, adolescente, não quer saber de estudar, não quer saber de trabalhar, né?
08:25Se chegar numa idade ali que já pode trabalhar, não quer ajudar em casa, não quer...
08:29É o... Aquele nem-nem, né?
08:31Nem trabalha, nem estuda e tal.
08:32Como a gente acolher nesse sentido, porque eles devem ter muito a falar e talvez não são ouvidos de alguma forma, como você falou, né?
08:42Que isso é importante dos adultos se perceberem, mas como alcançar?
08:47Porque como a comunicação é completamente diferente, né?
08:50As gírias, os jeitos, os gostos, às vezes não tem o mesmo sabor que a gente tinha ali, né?
08:56De sentar todo mundo na sala e assistir uma novela.
08:58Não, eles não querem isso, né? Não tem nada a ver mais essa ideia, né?
09:04Essa configuração, parece-me, né?
09:07Como a gente se conectar com um adolescente de casa que a gente sente que não tem conexão?
09:13Por onde começar?
09:14Primeiro de tudo, Murilo, existe uma frase que eu cresci ouvindo, alguns pais falam assim,
09:19porque eu sou o melhor amigo, eu sou a melhor amiga da minha filha.
09:24Quero falar, não seja o melhor amigo e nem a melhor amiga do seu filho, porque amigo é amigo.
09:31Você percebe que nós temos amigo, um amigo para ir correr, nós temos um amigo para assistir filme,
09:36a gente tem um amigo para desabafar, nós temos categorias de amizades e algumas amizades até
09:41que faziam sentido até um tempo e hoje já não fazem mais sentido.
09:45Então, o papel que você tem na vida do seu filho não é de amigo, o papel que você tem é insubstituível.
09:53Eu falei isso para minha filha, sempre falei e falo para eles, eu sou mãe e o meu papel ninguém pode substituir.
10:01Ele é intransferível, então eu como mãe, eu sou a sua ponte para o mundo.
10:07Murilo, comunicação, Murilo, a comunicação ela sempre vai ser bem-vinda, talvez você não saiba como se comunicar
10:14e talvez realmente de início vai ter essas dificuldades, porque o meu linguajar é diferente do seu e completamente...
10:21Quando eu chego nas escolas para palestrar, Murilo, eu vou falar para você, comecei com o projeto, falei, vou arrebentar,
10:28porque eu sempre me achei muito descolada, sempre falei, sou uma pessoa descoladíssima.
10:32Cheguei na escola fazendo piadinha, que eu não achava ser piadinha de tiozão, fiz a piadinha, Murilo.
10:39Os adolescentes todos ficaram me olhando perplexos, eu falei, gente, virei a tiazona do rolê, que loucura.
10:47Então, eu tive que o quê? Por que eles não receberam a minha primeira piada, eu travei?
10:52Não, eu soube fazer o quê? Me adaptar.
10:56É óbvio que eu não vou conseguir falar com as gírias dele, talvez nem entender algumas coisas,
11:00mas existe uma coisa que a gente sempre vai conseguir conectar, que é a energia.
11:04Eu vou conseguir olhar, prender a sua atenção, o olhar, ele acolhe muito.
11:10Qual foi a última vez, você falou dos pais que não conseguem ter esse trabalho com seus próprios filhos em casa.
11:16Qual foi a última vez que você sentou, olhou no fundo dos olhos do seu filho e esteve presente ali?
11:23Presente de corpo e alma, porque às vezes nós estamos aqui conversando, mas o seu filho está falando com você
11:28e você está aqui, aham, sim, só um pouquinho que eu vou responder aqui, eu já converso com você.
11:35Gente, eu sou adulta, se alguém fazer isso comigo, eu hoje, eu travo.
11:40Eu perco a minha, eu não quero mais falar, perco a minha fala.
11:44Eu falo assim, não me sinto validada.
11:46Então, qual foi a última vez que você, como pai, como mãe, como avó, como tio,
11:49você sentou e conversou, deu espaço para esse adolescente colocar a sua insegurança?
11:55O que eu mais tenho escutado nas escolas que eu tenho ido trabalhar com os alunos é essa questão.
12:00A insegurança, o não ser visto e, principalmente, o medo.
12:06O adolescente, ele tem essa couraça, ele se reveste de uma couraça de que,
12:10ah, eu dou conta de tudo, você é grinde, né, que fala, você é grinde, você é isso, você é aquilo,
12:15porque é uma couraça que ele se reveste para esconder os seus medos, as suas mazelas.
12:20Então, ele não expõe com medo do que de ser ironizado, de ele falar assim,
12:25ah, olha pai, olha mãe, eu estou com medo de fazer tal prova, estou com medo disso.
12:29E o pai fala, menino, vai lavar essa cara, acha um problema de verdade, vai achar o que fazer.
12:33Então, assim, existe essa ponte que tem que ser construída com os adolescentes.
12:37E eu imagino que se essa validação não existir dentro de casa, eles vão buscar fora.
12:43E o buscar fora podem ter bons caminhos, mas podem ter caminhos perigosos.
12:50Aonde que eles vão buscar essa resposta? Aonde que eles vão buscar se encontrar, né, Murilo?
12:55Qual é o ciclo que ele tem?
12:58E é muito fácil de rapidamente entrar num vício, por exemplo?
13:03Sim, porque como nós estávamos falando antes, existe um senso, o senso da consequência.
13:09Ele demora até 21 anos para ele ser formado na nossa mente.
13:14Então, assim, quando esse adolescente, ele não tem essa base, essa segurança para ser o que ele é,
13:20ele não é validado, ele vai buscar essa validação em algum lugar.
13:24Qual que é o sentimento que todo ser humano, isso eu não estou falando de adolescente,
13:27eu estou falando no geral, de qualquer ser humano pensante.
13:31Nós queremos pertencer.
13:33Nós queremos pertencer a alguma coisa.
13:35Nós queremos ter segurança e pertencimento.
13:39Então, se ele não está tendo pertencimento, a família dele não está sendo visto,
13:43ele vai buscar o pertencimento em algum outro lugar.
13:46E é óbvio, né, sempre vai ser bem acolhido para aquilo e ele vai se sentir ambientalizado com aquilo.
13:52Então, para continuar pertencendo àquela família, àquele clã...
13:57Aquela tribo.
13:58Aquela tribo, ele vai fazer o que? Vai se ambientalizar.
14:00Então, se, ah, aqui é legal, aqui eles me aceitam como eu sou, todo mundo está fumando,
14:05o que eu vou fazer?
14:07Vou fumar também, porque daí eu vou pertencer a esse grupo.
14:10Não, agora eles estão começando no álcool, escondidinho.
14:13Eu também vou...
14:13Mesmo que eu beba e sinta que o gosto é amargo, que eu não goste do gosto,
14:18mas eu quero pertencer a essa tribo.
14:19Então, vou beber junto para pertencer a alguma coisa.
14:23Então, assim, faça com que o seu filho sinta isso, esse acolhimento.
14:29Eu pertenço a esta família.
14:31Eu errando ou acertando, porque isso vai...
14:34É inevitável.
14:35Os erros e os acertos irão vir, mas isso não vai mudar o meu lugar de pertencimento.
14:41Eu pertenço a essa família.
14:42Eu posso ser quem eu sou diante de qualquer situação,
14:46porque os meus pais, os meus avós, os meus tios me acolhem e me enxergam.
14:50E, para fechar rapidamente, Índia,
14:54a gente está falando desses adolescentes mais vivos, agitados e tudo mais,
14:59mas a gente vem numa geração também que a gente percebe muitos adolescentes
15:03mais reclusos, mais introspectivos.
15:07A gente teve...
15:08Até a gente fez um debate aqui no programa algumas semanas
15:10falando daquela série Adolescência, né?
15:13Que daí era uma criança que talvez a família, se você não assistiu, né?
15:17A família pensava que ele estava seguro dentro do quarto,
15:20mas era completamente o oposto, né?
15:22Porque a internet está aí, à disposição, e tudo pode acontecer ali.
15:27E que também pode refletir numa saúde mental mais fragilizada,
15:31no sentido de adolescentes ali depressivos, ansiosos.
15:35Isso tem se percebido também, e como...
15:38E também pode ter uma falta de comunicação para que essa criança, adolescente ali
15:46também não queira falar?
15:49Sim.
15:50Murilo, nós nascemos com dois medos.
15:53Nós já nascemos, o nosso sistema já vem ali no HD colocado na gente.
15:58Medo de altura e medo de som alto.
16:02É mesmo?
16:02Sim, nós nascemos com esses dois.
16:04Porque quando você pega um bebê e você talvez age muito rápido,
16:07ele faz esse movimento.
16:09É o medo da altura.
16:10E o som alto.
16:11Ele escutou um som alto, né?
16:12O ouvidinho dele.
16:13Então, os outros medos que nós vamos adquirindo,
16:16é exatamente isso que eu falei.
16:18Adquirindo.
16:19Eles vão vindo com as nossas experiências de vida.
16:22Quando você chega na fase da adolescência,
16:24você já passou por uma boa parte da sua vida,
16:27você foi arquivando ali na sua mente
16:30alguns problemas que te levaram a ter a tua personalidade.
16:35Quando eu dava aula, qual era o que eu percebia?
16:38O aluno que estava sempre falando, bagunçando,
16:41ele era visto.
16:42Ele queria ser visto.
16:43Talvez era o momento dele ser visto.
16:46E normalmente é o aluno que a gente mais olha.
16:48É aquele que está falando, bagunçando.
16:49Aquele aluno que fica quietinho é o aluno que o professor adora.
16:52Ai, porque não incomoda, não dá trabalho.
16:55Mas não olha por esse lado que você colocou,
16:58que a sua fala foi perfeita.
17:00Colocar esse adolescente também na nossa roda de conversa.
17:04Qual foi a situação que fez ele cair nesse problema,
17:08nesse marasmo de não conseguir expor as emoções dele?
17:13Paizinho, mãezinha, fica um alerta.
17:16Filho que não dá problema,
17:18tem alguma coisa acontecendo no coração, na mente dele.
17:22Tem que ser levado para um profissional urgente.
17:24Para que ele consiga falar.
17:26Se talvez ele não tenha essa facilidade para falar,
17:29para expor esse sentimento com o pai, com a mãe, com o amigo,
17:33então procura um profissional.
17:34Porque é o momento da gente conseguir
17:37levar a saúde emocional para os nossos adolescentes.
17:41Porque eles vão passar a ser o quê?
17:43Adultos produtivos.
17:45Adultos bem resolvidos.
17:47Adultos que, como a gente sempre ouve falar,
17:50os jovens são o futuro do Brasil.
17:52Então vamos trabalhar em cima disso.
17:54Não só em cima das crianças,
17:55mas também olhar com esse olhar de amor para os nossos adolescentes.
17:58Tantos que conseguem falar, expor,
18:02quanto aqueles principalmente que têm essa dificuldade.
18:04Para que eles se sintam acolhidos de alguma maneira e falam assim,
18:07tudo bem, eu não estou sozinho.
18:09Eu tenho alguém onde eu posso falar,
18:12onde eu posso expor esse medo que eu estou sentindo.
18:14Porque a depressão é isso,
18:15é você se sentir sozinho, sem um rumo.
18:19É você não entender o que você está passando.
18:22E ainda mais nessa época, né?
18:24Que a gente, adolescente,
18:26a gente não sabe o que acontece com a gente,
18:28qual que é o nosso futuro.
18:29É muita confusão.
18:30Mas, Índia, parabéns pelo trabalho.
18:32Eu sei que seu foco é com esses adolescentes,
18:35com essa fase tão delicada.
18:37E que sorte é nossa ter alguém, né?
18:39Que estuda, que sabe o que está falando.
18:42Na prática, em casa, também está vivendo isso.
18:45Obrigado por compartilhar.
18:46E volte mais quando estiver aqui por Cascavel,
18:49já que você é de Guaraniassu,
18:51já me avisa, espaço aberto para você sempre.
18:53Estou muito feliz de ter participado aqui.
18:55Obrigada, Murilo.
18:56Até a próxima.
18:56Até a próxima.

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