00:00Você acompanha o Jornal Jovem Pan, o levantamento do Instituto Datafolha mostra que os entrevistados pensam sobre os poderes aqui no Brasil.
00:09A gente vai dar uma olhada aqui na nossa imagem, nós temos um recorte do Congresso Nacional e também do Supremo.
00:15Primeiro a gente acompanha a avaliação dos entrevistados em relação ao Congresso Nacional, que pensam os entrevistados em benefícios próprios.
00:23Na verdade é a avaliação que eles fazem se os parlamentares pensam em benefício próprio e quem pensa no povo, pensa nos próprios interesses.
00:3278% dos entrevistados acham que os parlamentares pensam nos próprios interesses, 68% falam no caso do Congresso, a Justiça 68% e 59% na Presidência da República.
00:45Pensa nos interesses da população, 18% apenas o Congresso, 27% a Justiça e 38% a Presidência da República.
00:55Nesse próximo recorte que nós temos agora, para acompanhar aqui no Jornal Jovem Pan, do Datafolha que foi divulgado nesta terça-feira,
01:04o Supremo Tribunal Federal, avaliação do trabalho dos ministros, ruim, péssimo, 36%, regular, 31%, ótimo, bom, 29% e não sabem responder, 4% a fonte, o Datafolha.
01:19Então são esses os números apresentados.
01:21A avaliação do Congresso, avaliação do Supremo, avaliação também da Presidência da República.
01:25Vou chamar os nossos comentaristas, começo aqui com a Dora Kramer, o Kubayashi pode entrar aqui com a gente também.
01:30Ô Dora, esse recorte, o que mais te chama atenção em relação a esses números?
01:36E claro, a gente fez um recorte especial no fim do Supremo Tribunal Federal. Dora?
01:42Olha, acho absolutamente normal. Não me, quer dizer, seria, não é que é normal.
01:47Não me surpreende, tá?
01:49Até porque recentemente a gente até comentou uma pesquisa, que agora eu não sei se foi do próprio Datafolha,
01:55que falava sobre a vergonha que os brasileiros, quais eram as organizações, as entidades que provocavam mais vergonha ou orgulho.
02:08É isso mesmo, os brasileiros.
02:10E o resultado, gente, foi exatamente esse.
02:13Nas esferas superiores, seja Supremo, Congresso, Presidência da República,
02:18a vergonha atingia-se 60% das pessoas e o orgulho ficava nas instâncias inferiores, mais próximas das pessoas, né?
02:29Prefeituras, câmaras dos vereadores e assim por diante, e até governo do Estado.
02:34Então, não me surpreende, porque o Congresso, vamos combinar,
02:38que quando 78% acreditam que o governo, que o governo não, desculpa, que o Congresso atua em interesse próprio,
02:48evidentemente que estão refletindo dados da realidade.
02:51Quando vê o uso das emendas, que foi assunto durante quase todo o ano passado e também o início desse ano,
03:00quando se vê essa votação e da maneira como foi do aumento do número dos deputados,
03:04que foi escandaloso, o circo, que são as comissões, as brigas em plenário,
03:10o comportamento muito indecoroso e que não vai para as comissões de éticas,
03:18tanto da Câmara como do Senado.
03:20Então, eu acho que isso reflete um comportamento de um Congresso
03:25que nessa legislatura é de especial, digamos assim, deficiência de qualidade,
03:33para não dizer baixa qualidade.
03:35Em relação ao Supremo, aquela aura, eu ainda peguei uma época da aura de intocável
03:41do Supremo Tribunal Federal e não havia tantas pesquisas.
03:45Mas agora é isso, quando o poder se torna ativo, quando os ministros não têm,
03:54aliás, não têm uma conduta de intocável, só adotam essa conduta quando são criticados.
04:00Aí se colocam na posição de intocáveis.
04:03Mas quando é para fazer, ter comportamentos, digamos assim, absolutamente fora dos autos,
04:10para dizer de uma maneira mais delicada, isso os expõe ao julgamento da população.
04:18E aí o resultado é esse, um julgamento que não é de forma alguma favorável.
04:23O Cobai, eu queria te perguntar o seguinte, sobre o Supremo, né?
04:25Claro, fique à vontade para comentar sobre os outros poderes, mas cada poder tem uma característica.
04:30Agora, será que o Supremo reflete um pouco essa porcentagem, reflete a polarização que a gente vive?
04:36Porque comparando com os outros poderes, até que são porcentagens mais baixas do que o Congresso Nacional, por exemplo.
04:43Sabe, Tiago, que quando eu vi os números, eu ia dizer justamente isso,
04:46que é muito parecido com os números da polarização, que é um terço para cada lado.
04:51Um terço ama, o outro odeia e o outro está no meio.
04:55É muito parecido com o terço que é pró-Lula, o terço bolsonarista e o terço do meio ali,
05:01que gostaria de uma terceira vez, quando a gente pega, por exemplo, os resultados das eleições.
05:06Foram assim, né?
05:06Um terço votou no Lula, um pouco mais, o outro terço votou no Bolsonaro,
05:10e o outro terço ou anulou, ou não foi votar, ou se absteve, enfim.
05:12É muito parecido.
05:13Ou seja, isso mostra, no meu ponto de vista, essa proximidade dos números todos aí,
05:19que o Supremo entrou na polarização.
05:22Os números, pelo menos, indicam para esse ponto de identidade, né?
05:27Se a gente pega na margem de erro, dá mais ou menos um terço para cada,
05:30só que a desaprovação ganha.
05:32E aí a desaprovação, eu acho que tem muito do aspecto político, né?
05:36Essa questão envolvendo o Bolsonaro, que é o ex-presidente, enfim.
05:40Mas tem também outras coisas que fogem totalmente da política.
05:42Estou falando de o Supremo decidir questões em matéria tributária, por exemplo,
05:48revendo decisões com trânsito em julgado, ou seja, gerando insegurança jurídica.
05:52Estou falando do Supremo suspendendo, por exemplo, todas as ações trabalhistas,
05:57a tal da pejotização.
05:59O Supremo Tribunal Federal indo contra algumas teses pró-beneficiário
06:02em causas de NSS, a tal da revisão da vida toda, por exemplo.
06:06E muitas outras questões que assolam a população, de modo geral,
06:09principalmente a população mais pobre, né?
06:11Aquele que entra com uma ação trabalhista, aquele que entra com uma ação
06:14de aposentadoria ou de revisão de aposentadoria.
06:18Essas decisões todas do Supremo contra os interesses da grande população
06:22podem também influenciar nessa avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal,
06:27que é bom, importante lembrar, tem o poder contra-majoritário.
06:31Diferentemente dos outros dois poderes, o Supremo deveria se ater simplesmente ao que diz a Constituição
06:37e não à opinião pública. Por isso é que não são eleitos os ministros da Suprema Corte.
06:42Dora, não vou deixar de te ouvir em relação a essa polarização.
06:46Você concorda ou é uma avaliação talvez rasa falar que a porcentagem de quem é eleitor do presidente Lula,
06:54a porcentagem de quem é eleitor do ex-presidente Jair Bolsonaro,
06:58e o centro, é possível fazer essa avaliação em relação ao Supremo?
07:01Eu não vou chamar de rasa porque eu não vou cometer essa falta de educação,
07:06essa descortesia, tá certo?
07:08A avaliação, eu não tinha pensado nisso, eu tendo a não fazer essa comparação,
07:14mas também não posso dizer que ela não esteja correta,
07:17porque, confesso, eu não tinha pensado, não tinha me atentado para esse tipo de divisão,
07:24que não é impossível, não é impossível que isso.
07:27Eu fui mais pelo outro lado, mais por uma avaliação poder a poder, né?
07:34O Cobo faz essa comparação com essa divisão, que pode ser que faça sentido,
07:39porque numericamente, da maneira como está dividido, pode fazer realmente sentido.
07:46E principalmente aí quando ele chega à conclusão.
07:50O Cobo apresentou essa tese, essa teoria, e disse,
07:55bom, isso significa que o Supremo entrou na polarização.
08:02É, concordo, eu usaria outra palavra, que é exatamente essa.
08:07Ele entrou, ele entrou, ele entrou no jogo,
08:10eu não sei nem se o nome seria só polarização,
08:14entrou no jogo político porque se expôs, assim se comportou, né?
08:19Entrou, entrou, foi ativo.
08:22E aí eu não estou só falando de modo pejorativo o ativismo judicial de modo crítico, não.
08:29Mas da maneira como os magistrados começaram a se comportar,
08:35de uma maneira muito mais política, né?
08:39Para a gente usar um termo assim, muito mais aberta,
08:42e aí se abrem ao julgamento da população.
08:47E como as pessoas têm as suas opiniões diferentes,
08:50de acordo com os interesses,
08:52que aí também o Cobo expôs alguns interesses que são contrariados
08:57e que atingem muita gente,
08:59e isso direciona a posição das pessoas.
09:02E aí eu voltaria àquela, quando eu falei inicialmente,
09:07que eu acho uma coisa importante, né?
09:09Porque vivi essa época em que a gente não sabia quem eram os ministros.
09:13A gente não, porque a gente jornalista tinha a obrigação de saber.
09:16Mas eu digo, a maioria não sabiam quem eram os ministros do Supremo
09:19e não era para saber,
09:21e eles eram absolutamente intocáveis.
09:24Gente, para a gente falar com o ministro do Supremo
09:27e ficar perguntando as coisas,
09:30dava até constrangimento, não se fazia.
09:33Hoje, não só se pergunta,
09:35como até se antecipa voto em entrevista.
09:38Mas, enfim, é como a gente sempre diz,
09:41são outros tempos.
09:42São outros tempos agora.
09:43Os tempos não mudam para o Congresso Nacional,
09:45porque a avaliação é negativa quase sempre, Kobayashi.
09:48E é claro que o Congresso é votado,
09:51o presidente da República é votado,
09:53ao contrário do Supremo,
09:54que é escolhido indiretamente, no caso, pelo eleitor,
09:57mas para quem elege o presidente.
09:58De que forma é possível, em algum dia,
10:01pensar numa mudança como essa.
10:02Porque o eleitor critica,
10:04mas ninguém se lembra em quem vota,
10:05ninguém cobre o parlamentar.
10:07E aí, Tiago, a gente precisaria,
10:09para esse status mudar de uma reforma política.
10:12Porque do jeito que a gente tem,
10:13hoje, emenda parlamentar,
10:15a dar de rodo para o parlamentar
10:17mandar um dinheiro para a sua base
10:18e aquilo se converter em voto
10:20nas próximas eleições,
10:21independentemente do que pensa ele
10:23em termos de segurança,
10:26de saúde,
10:27de projetos, quaisquer que sejam,
10:30isso vai perpetuando essas pessoas no poder.
10:33Então, eles vão continuar, de alguma maneira,
10:35lá, atingindo os próprios interesses
10:37e se reelegendo a cada vez que há uma nova reeleição.
10:41Então, seria preciso uma reforma política eleitoral
10:44como um todo,
10:45não só em relação ao jeito de se escolher.
10:49Talvez, voto distrital misto,
10:50voto distrital,
10:51isso é sempre muito discutido,
10:52muito longe de ser um dia aplicado,
10:55mas até é uma questão de governança partidária também,
10:58de mais segurança,
10:59mais governança nas questões dos partidos.
11:03Enquanto o partido tiver dono
11:04e eles decidirem tudo,
11:05vai continuar dessa maneira,
11:06atingindo os próprios objetivos
11:07e sendo reeleitos.