No ‘Na Real’, o promotor de Justiça Yuri Castiglione e a advogada especialista em crimes sexuais Sheylli Caleffi, detalham quais são os indícios e provas que a Justiça usa para prender criminosos digitais. O debate mostra que, no caso de crimes como o de Hytalo Santos, as provas vão além dos vídeos e podem incluir dados de celulares e computadores.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente vai entrar no terceiro bloco agora, que a gente vai falar sobre o caso Ítalo Santos.
00:04Porque já discutimos aqui sobre essa questão de aumentar, de pegar as imagens e para vender e para ter algum tipo de benefício.
00:13E sobre o caso do Ítalo, a gente tem os crimes que foram imputados a ele, por isso ele foi preso no dia 15 de agosto em Carapicuíba, aqui em São Paulo.
00:22Foram mandados da vara de lá, da Paraíba. A investigação tem tráfico de pessoas, exploração sexual infantil.
00:31A audiência de custódia aconteceu aqui em São Paulo. A prisão foi mantida, eles acabaram de ser colocados numa penitenciária aqui da capital paulista.
00:41E aí, eu queria começar essa com o doutor. Existem vários crimes aqui que são, assim, num primeiro momento, você fala
00:51Ah, mas ele explorava mesmo? Ah, como foi que a promotoria, no caso o Ministério Público da Paraíba, conseguiu chegar a esses crimes?
01:00Que tipo de investigação é feita para perceber realmente que esse influenciador fazia algo que é um crime, que não é uma arte?
01:07Porque nós entrevistamos o advogado de Ítalo essa semana aqui, no nosso jornal, e ele disse que o que Ítalo fazia era arte.
01:15E isso me revoltou de uma forma muito forte, doutor, porque não dá para você ver uma criança sexualizada com trajes que não são apropriados,
01:23dançando ali, com bebidas alcoólicas, e o tempo inteiro dizer que aquilo é arte.
01:29Então, em que medida o Ministério Público consegue essas informações, reúne para pedir a prisão de um cidadão como esse, assim?
01:36Bom, primeiro, só um parênteses. Infelizmente, eu não posso fazer nenhum tipo de comentário sobre esse caso,
01:41que está em investigação e está em julgamento pela justiça, até por uma questão ética,
01:45mas num caso em que, eventualmente, nós tenhamos aí uma veiculação de imagens de cunho sexual ou pornográfico.
01:55Que são monetizadas, inclusive.
01:56Que são monetizadas. Nesse caso, como é que acontece?
02:00Normalmente, é feita uma denúncia, pode ser feito via desquicênio, diretamente ao Ministério Público,
02:07ou a qualquer órgão da rede protetiva, incluindo aí o Conselho Tutelar.
02:12E, a partir daí, se começa uma investigação para apurar.
02:16Primeiro, aquela imagem que está sendo veiculada.
02:19Tem realmente crianças? Tem realmente adolescentes?
02:22E, identificado que tem crianças e adolescentes, vai se buscar saber quem são essas crianças,
02:27quem são esses adolescentes, se estão em situação de vulnerabilidade,
02:31o que está acontecendo, tem consumo de bebidas alcoólicas, não tem consumo de bebidas alcoólicas.
02:36Lembrando que, eventualmente, se comprovado, o fornecimento de bebidas alcoólicas a menores de idade
02:42é considerado crime pela nossa lei.
02:44Outra questão, há conteúdo sexual, há uma erotização dessas crianças, não há.
02:49Se houver, vão ser instaurados dois procedimentos.
02:52Um de natureza protetiva, para proteger aquela criança e verificar qual a situação dos seus pais.
02:59Eles estão protegendo adequadamente os filhos?
03:01Estão tomando as medidas adequadas para que aquela criança não seja submetida a uma violação de direitos?
03:07E, de natureza, vai ter um outro procedimento de natureza criminal para investigar eventual postura,
03:12eventual conduta de quem está ali se aproveitando economicamente dessa criança.
03:19O que ele está fazendo? Caracteriza crime ou não?
03:22Então, vão ser coletados os depoimentos, vão ser coletadas as imagens, vão ser coletados os metadados,
03:28vai ser feita uma perícia, vai ser feita, eventualmente, pode ser feita uma busca e apreensão
03:34na residência, para verificar, eventualmente, tudo o que está acontecendo lá dentro.
03:39É feita uma perícia do local.
03:40E, com base em todos esses elementos reunidos, são dois procedimentos.
03:45Um de natureza cível, para aplicação de medidas protetivas.
03:47E outro de natureza criminal, para responsabilização do autor do crime.
03:52Perfeito.
03:53Inclusive, o Ministério Público da Paraíba teve acesso ali, ele conversou com professores da escola,
04:00dessas crianças, que apresentaram vários testemunhos, assim, difíceis,
04:03de que as crianças faltavam às aulas, chegavam atrasadas, com, até, às vezes, cheiro de álcool, né?
04:10Na própria escola.
04:11O Ítalo pagava a mesada para os pais dessas crianças de dois a três mil reais.
04:15Ou seja, existia ali uma monetização da família, também, para que mantivesse essas crianças lá.
04:21E aí, Sheili, o que eu percebo é que existe uma coação das famílias, também.
04:28Não só dos jovens.
04:29No caso do Ítalo, em específico, existe uma, como se fosse uma sedução com essa imagem da vida de influência.
04:37A mãe da Camilinha, que é uma das jovens que ficava mais na casa do Ítalo, né?
04:41Ela diz que, ela usa palavras no vídeo, né, na entrevista para a TV Record, que era amor, que era o sonho da filha,
04:47que ela estava ajudando a realizar o sonho da filha.
04:50Como que ela iria contra o amor da filha pelo Ítalo, né?
04:54Já que era algo que era muito importante para ela e tudo.
04:57E você vê que essas famílias têm perfis sociais muito parecidos.
05:00São famílias muito pobres, vulneráveis, que, por isso, acabam cedendo, né?
05:05São seduzidas pelo dinheiro, pelo poder, pelo status de ser famoso, né?
05:10Eu tenho certeza que a mãe dela não acredita que fez um mal a ela.
05:13Porque senão ela não teria feito, né?
05:16Essa mãe ama a filha, como todas as mães amam a filha.
05:19E a gente fala, não, é porque… Calma, vamos lá.
05:22Num país tão pobre, com tantas necessidades…
05:25E quais são as crianças sempre exploradas?
05:27As pobres, as negras…
05:29Isso é social, é uma mazela horrorosa que a gente carrega, tenta combater.
05:35Mas a gente ainda tá a passo de formiguinha.
05:37Então, claro, eu vou falar aqui de um assediador,
05:41porque o assediador online, o assediador no presencial,
05:44o que vai tentar explorar uma criança, ele tem sempre o mesmo perfil.
05:47Ele é muito legal.
05:49Sim.
05:50Quando você pega as conversas deles com crianças nas redes sociais,
05:54eu tenho vários prints que eu mostro nas palestras,
05:56eles ficam…
05:57Oi, adorei seu perfil, Igor, posso te seguir?
06:00Exato.
06:00Muito legal esse seu cachorro.
06:02Eu também tenho um cachorro muito bacana.
06:03Ele é fofo.
06:04Ele não vai animando uma foto de cueca.
06:07Ele vai ser o mais legal do mundo.
06:08Ele vai concordar com tudo que a criança diz e faz.
06:11Se a criança fala, eu quero ser jogador de e-game,
06:13ele fala, eu conheço uma galera que eu posso te ajudar.
06:16Ele vai bajular, né?
06:17Sim.
06:17Vai bajular, vai ser legal.
06:18Eu até falo que essa galera não é seu amigo.
06:20Seus pais são mais amigos que amigo de verdade briga com você.
06:23Eu falo pros adolescentes.
06:25Porque é isso.
06:26Então, é claro que isso é sedutor.
06:28E eles queriam viver essa vida libertária, né?
06:31De longe da família, de viver, dormir a hora que quiser.
06:35Porque imagina, é o sonho de todo adolescente.
06:38É, que adolescente, né?
06:39Mas eu acho bacana a gente pensar assim.
06:41Imagina uma situação…
06:43Você, pessoa adulta que tá nos acompanhando aqui,
06:45imagina que você trabalha pra uma pessoa,
06:49na casa dessa pessoa.
06:50Como faxineira, por exemplo.
06:52Aí você mora lá.
06:54Você depende dessa pessoa pra comer.
06:56Você depende dessa pessoa pra ter seu dinheiro.
06:58Você depende dessa pessoa pra manter a sua família,
07:00porque a sua família ganha dinheiro.
07:01Como que tá essa situação sua aí?
07:03Adulto, ó.
07:04Olha o problema que já seria pra uma pessoa adulta essa situação.
07:07E aí você coloca o menor.
07:09Então, é claro que ele vai chegar pelo afeto.
07:14O criminoso não chega na criança, no adolescente,
07:16pela raiva, pela opressão.
07:18Ele chega pelo afeto.
07:19Ele faz uma conquista.
07:21Por isso que a gente tem que se antecipar
07:23e ser mais afetuoso ainda.
07:25Ser tão próximo, mas também nesses casos,
07:28dar mais informação pras pessoas.
07:30Porque as redes, o conteúdo de ostentação é muito forte.
07:34É isso.
07:34Faz as pessoas desejarem.
07:35O conteúdo de influencers mirins nos seus canais,
07:39abrir um monte de presentes.
07:41Tem aquela coisa…
07:42Tem um negócio que é tipo o dia do sim.
07:44Eles vão num local que tem brinquedos
07:46e os pais têm que dizer sim pra tudo que eles querem.
07:48Meu Deus.
07:49E existe o dia do sim.
07:50Ou pra comprar tudo que é da Cortal.
07:51E é uma geração que não se frustra, né?
07:55Que não tem limites, não é, doutora?
07:57A falta de limites é que é preocupante, né?
08:01É muito importante isso ainda, né, Geli?
08:04É, eu não sou…
08:04Eu sou uma pessoa que eu entendo a responsabilidade dos pais.
08:08Mas eu vejo muitos pais darem limites, sim.
08:10Eu entrevistei duas mães que perderam os filhos em desafio online.
08:14Um menino de 14, de Campinas.
08:16Uma menina de 16, de Santa Catarina.
08:18É um desafio de asfixia.
08:20Elas chegaram em casa, os filhos estavam sem vida,
08:23sentados na frente do computador, enforcados.
08:25Desculpem.
08:26Acho que foi muito gráfica essa imagem.
08:28Perdão.
08:28Mas é pra vocês entenderem.
08:30Nenhuma dessas mães era negligente.
08:32Nenhuma delas não olhava o que os filhos faziam.
08:35Mas eles foram…
08:36Eles não tinham tendências à depressão, à mutir…
08:40Nada disso.
08:41Eram duas crianças de famílias bacanas, mães zelosas.
08:45Mas eles engajaram num processo que eles foram induzidos por adultos.
08:51E eles jamais acharam que eles iam perder a vida.
08:54Porque a galera mostra pra eles vídeos de tudo dando certo.
08:57Então você vai participar, pra participar aqui com a gente, não sei o quê.
09:00Mas sempre dá certo no exemplo.
09:01Nossa.
09:02Então às vezes, mesmo o pai sendo zeloso.
09:04Mesmo o pai amando essa criança, cuidando dessa criança.
09:06Pode acontecer uma tragédia.
09:07Por isso não julguem.
09:09Essas mães, elas não quiseram dar entrevista em lugar nenhum.
09:11Só conversaram comigo.
09:12Porque quando elas falam, todo mundo vem.
09:15Porque os pais, porque os pais…
09:16Sim, gente.
09:16Tem pais que exploram seus filhos.
09:18A gente tem lei pra proteger a criança do próprio pai.
09:20A gente tem que proteger.
09:21E tem pai que espanca a criança.
09:23Quem mais estupra a criança no nosso país é o pai.
09:25Sim.
09:26É o pai, o padrasto, o vô e o tio.
09:28A gente tem que proteger a criança até da família.
09:30Mas mesmo que a família seja zelosa, a internet tá lá, ela pode criar um problema.
09:36E mesmo que o seu filho não tenha acesso, você tem que informá-lo.
09:40Ah, mas meu filho não tem celular.
09:41Eu só vou dar celular com 14 anos.
09:45Lindo!
09:46Você vai ter que dar orientação.
09:47Porque ele vai ver na casa do amigo.
09:49Porque ele vai ver no primo.
09:51E não é proibindo, né?
09:52Que vai se proteger.
09:53Não é proibindo.
09:54Mas eu acho que você pode proibir.
09:56Você pode dizer, olha, eu não vou dar.
09:58Aqui tá proibido.
09:59Mas tem que orientar.
09:59Igual nudes.
10:01Você pode dizer, aqui em casa ninguém manda nudes.
10:04Nosso corpo e nosso templo.
10:06Proibido mandar nudes.
10:07Se você confia nesse tipo de proibição, confia.
10:10Mas eu sempre falo, explique pro adolescente.
10:12Beleza, filho.
10:13Não pode mandar.
10:14Isso é super perigoso.
10:15Não sei o que.
10:15Mas se algum amigo seu for mandar.
10:18Se você souber que tem um amigo seu namorando.
10:20Uma amiga sua que talvez esteja fazendo isso.
10:21Saiba que é importante não mostrar o rosto.
10:24Onde mora.
10:25Nenhuma marca que te identifique.
10:27Porque, gente, é outra geração.
10:29Vocês fizeram bobagem quando eram adolescentes.
10:31A gente tem que lembrar disso também.
10:32Super.
10:32E, doutor, inclusive, sobre esse tema das famílias serem responsabilizadas.
10:37No caso do Ítalo.
10:38Mas pode ser num caso hipotético que o senhor já lidou.
10:42Muitos estão se falando assim.
10:43E os pais?
10:44Podem ser culpabilizados?
10:45Porque os pais recebiam dinheiro?
10:47Porque os pais estavam ali, né?
10:49De alguma forma também coagidos.
10:51Mas eles sabiam o que estava acontecendo.
10:54Eles podem ser presos?
10:55Ou quais punições eles podem?
10:57Nesse caso?
10:57Ou em casos também que o senhor já viu?
11:00Bom, vamos falar, não vou falar diretamente do caso do Ítalo.
11:04Mas, sim, genericamente.
11:06Um caso em que, eventualmente, os pais participem.
11:10Em que os pais ganhem dinheiro em cima disso.
11:13E concordam que o filho vá e pratique esses atos.
11:17E, inclusive, ali com os atos de coação.
11:20Temos, como eu disse inicialmente, temos sempre dois procedimentos.
11:24Dentro do Ministério Público, vamos ter um procedimento criminal
11:27para apurar eventual responsabilidade.
11:29Se ficar comprovado que o pai participava dessa exploração, né?
11:34Inclusive, oferindo ganhos econômicos, ele vai poder ser responsabilizado criminalmente
11:38e, eventualmente, pode vir a ser preso.
11:40Por outro lado, também vai ser, do ponto de vista protetivo, vai ter um outro procedimento.
11:45Inclusive, o Estatuto da Criança e do Adolescente, ele prevê medidas protetivas
11:48no artigo 101 para crianças e adolescentes.
11:51E no artigo 129 para pais ou responsáveis.
11:54Então, esses pais, eventualmente, como foi colocado, podem, muito provavelmente,
12:00costumam estar em situação de vulnerabilidade.
12:02Então, nesse caso, são aplicadas medidas protetivas em favor dessa família.
12:06Com o objetivo de quê?
12:07De reestruturar essa família.
12:09Então, nós, a Justiça, na vara da infância, na promotoria da infância, a vara da infância,
12:14nós temos, é instaurado um procedimento de modo que a gente verifique o que está acontecendo
12:20naquela família, quais são os pontos de vulnerabilidade, quais são as questões vivenciadas
12:24por aquela família e o que pode ser feito para retirar aquela família da situação
12:29de vulnerabilidade.
12:30Então, os pais, eles têm também, ainda que sejam responsabilizados criminalmente,
12:35eles também, vai ser avaliado a eventual necessidade de aplicação de medidas protetivas
12:39em favor deles para tirá-los daquela situação de vulnerabilidade.
12:42Mas eles podem perder a guarda dos filhos também.
12:44Podem perder, inclusive, o poder familiar, que é o direito de serem pais.
12:48Porque, vamos lá, o artigo 1638 do Código Civil, ele prevê as hipóteses que se permite,
12:54que acontece a destituição do poder familiar.
12:58Então, se, eventualmente, os pais praticarem atos contrários, ou o que diz a lei,
13:03atos contrários à moral e aos bons costumes, e, eventualmente, colocar o filho numa situação
13:08para ser explorado sexualmente, poderia ser classificado dessa forma, o que pode acontecer?
13:13O pai pode perder o poder familiar, que é o que é o direito que ele tem sobre o filho,
13:17e, eventualmente, se essa criança for destituída do poder familiar, primeiro que a gente vai
13:21verificar o quê? Se tem outro familiar que possa assumir os cuidados dessa criança
13:25que foi praticado um ato dessa natureza.
13:28Se houver um outro familiar, essa criança vai ser colocada sob os cuidados desse outro familiar.
13:34Caso não exista nenhum outro familiar em condições de assumir os cuidados dessa criança,
13:39os pais poderão ser destituídos do poder familiar, e essa criança, como consequência,
13:43ela vai ser colocada numa família substituta sob a forma de adoção.
13:46Essa é a última consequência que pode vir a acontecer, caso não tenha nenhum outro familiar,
13:51e caso constatada, demonstrada, essa é uma das hipóteses de destituído do poder familiar.
13:56Perfeito, doutor. Só para a gente voltar rapidamente para o caso do Ítalo,
13:59porque eu tive acesso, com exclusividade, à pessoa que fez a primeira denúncia contra o Ítalo
14:05ao Ministério Público.
14:07Primeiro, ele mandou um e-mail ao Ministério Público Federal,
14:12que depois destituiu, mandou o procedimento para o Ministério Público da Paraíba.
14:17E nós tivemos acesso a esses documentos, essa pessoa me procurou nas redes sociais
14:22e disse que ela estava já há um ano denunciando conteúdos do Ítalo.
14:27O primeiro e-mail foi enviado em agosto, no dia 12 de agosto de 2024,
14:32ou seja, tem mais de um ano.
14:34E nós temos esse e-mail agora na tela para vocês.
14:37Ele diz no e-mail, inclusive, que esse é o começo do e-mail,
14:41que a manifestação foi cadastrada,
14:43isso é quando se recebe o e-mail, ele recebe essa resposta automática.
14:49Pode mandar a próxima tela, por favor.
14:52Nessa segunda tela, ele já coloca, olha,
14:54esta pessoa atua na internet explorando menores com sexualização,
14:58uso de imagens impróprias, aproveitando-se de garotas e garotos
15:02para conseguir se promover nas redes sociais.
15:04Isso é o que ele escreve na denúncia.
15:06Ele envia prints e envia também ali os links dos vídeos,
15:10inclusive que ele diz que tinham bebidas alcoólicas junto com os adolescentes.
15:15Nós temos ainda mais uma arte dessa?
15:18Ou já são os áudios?
15:21Vamos ouvir os áudios, então.
15:23Essa pessoa, ela pediu para, claro, não ser identificada.
15:25As denúncias foram de forma anônima.
15:27O Ministério Público da Paraíba reconhece,
15:30em entrevista, inclusive, que foi por um e-mail
15:33que a investigação foi iniciada.
15:36Então, todas essas informações que a gente está passando agora
15:39foram checadas com o Ministério Público
15:41e também com a pessoa que fez a denúncia
15:43e que eu agradeço a confiança no meu trabalho,
15:46porque eu acho muito importante.
15:47Ele me disse, Márcia, quando eu vi que você se colocou ali à frente
15:50do advogado, querendo realmente defender as nossas crianças,
15:54eu senti que eu deveria conversar com você.
15:56Porque quando eu assisti os vídeos do Ítalo,
15:58há algum tempo atrás, aquilo me feria muito.
16:01Inclusive, ele mandou alguns áudios,
16:02a gente decodificou a voz para que ele não fosse reconhecido
16:05e a gente vai ouvir alguns trechos desse depoimento.
16:08Pode colocar.
16:10Eu fiz essa denúncia para o Ministério Público,
16:11que declinou a minha denúncia
16:13e disse que não tinha encontrado crime federal.
16:18E declinou isso e passou para o Ministério Público da Paraíba.
16:22Depois de algum tempo,
16:23eu cobrei do Ministério Público da Paraíba um retorno.
16:26Falei, olha, eu fiz uma denúncia para o Ministério Público Federal,
16:29foi declinado para vocês.
16:31Eu quero saber como é que está isso.
16:32Simplesmente não sabiam de nada.
16:36Quando a Camilinha ficou grávida,
16:38eu falei, não, não é possível.
16:41Eu tenho aqui.
16:42Eu mandei de novo uma nova denúncia para o Ministério Público Federal.
16:45Falei, vocês não vão fazer nada?
16:47Então, eu sou o autor da denúncia
16:50que levou a essa investigação para o Ítalo Santos.
16:54Esse áudio é até um pouco chocante,
16:56porque a Camilinha ficou grávida aos 17 anos.
16:59Dentro da casa do Ítalo,
17:00ela perdeu essa criança.
17:02E você viu que ele falou de uma indignação,
17:06que a investigação estava acontecendo há muito tempo
17:08e que nada foi feito na percepção dele, doutor.
17:11Existe uma demora mesmo nesses processos?
17:14Na verdade...
17:15O que o senhor enxerga que dificulta?
17:17Na verdade, ele acabou querendo direcionar
17:21a denúncia direto para o Ministério Público,
17:24que ele entendia que era o competente.
17:25Só que a gente tem aí uma divisão de competência interna.
17:30São crimes de competência da Justiça Federal
17:33e crimes de competência da Justiça Estadual.
17:36Então, isso, quando vai dessa forma,
17:40direcionado dessa forma,
17:42existe uma tramitação burocrática,
17:44tem que ser registrado, tem que ser autuado.
17:46Isso acaba sendo um pouco moroso.
17:48O ideal, nesses casos, é o que?
17:51Como eu disse,
17:53a não ser que você tenha conhecimento
17:54para onde direcionar,
17:55tenha conhecimento jurídico
17:57para onde direcionar,
17:58que é lá que vai ser o órgão competente para apurar,
18:00o ideal talvez seja direcionar essa denúncia
18:02direto para o Disque 100.
18:04Por quê?
18:04O Disque 100,
18:05quando ele redireciona essa denúncia,
18:09ele não manda só para um órgão.
18:10Ele vai mandar para o Conselho Tutelar,
18:12ele vai mandar para a Polícia,
18:14ele vai mandar para o Ministério Público,
18:15ele vai direcionar para todos os órgãos ao mesmo tempo.
18:19Então, assim, neste caso,
18:21a gente conseguiria talvez uma maior celeridade.
18:24Agora, infelizmente, acabou tendo uma morosidade.
18:29Por quê?
18:29Por conta dessa questão.
18:32Teve o azar de ser direcionado para o Ministério Público Federal,
18:35que não é atribuição dele apurar esse tipo de crimes.
18:38E essa tramitação...
18:40Opa, sem problema.
18:42Acontece, eu também falo muito com as mãos.
18:44É, problema de italiano falar com a mão.
18:46Perdão.
18:47Perdão.
18:49Então, o que acontece?
18:51Acabou tendo o azar de ser direcionado
18:52para o Ministério Público,
18:56que não tinha atribuição para investigar esse tipo de crime.
19:00Tinha a tramitação para remeter de forma formal e burocrática.
19:03No mundo do direito,
19:04nós temos essa tramitação legal e procedimental
19:08que nós temos que fazer.
19:09Acabou sendo um pouco mais moroso, infelizmente.
19:11Então, para se evitar isso, a sugestão é
19:13faça a denúncia diretamente, por exemplo,
19:16para o Disque 100, que pode ser de forma anônima.
19:18Agora, Sheili, uma coisa que eu conversei com ele também
19:20nas nossas trocas de mensagens,
19:23ele ficou muito com raiva das big techs, das redes sociais.
19:27Por quê?
19:28Na hora de fazer a denúncia dos vídeos,
19:30de você denunciar um conteúdo inadequado,
19:32ele recebeu muitas mensagens que ele não conseguia.
19:35Por exemplo, os dados da criança, a idade,
19:38o data de nascimento.
19:39Identificamos que esse conteúdo não fere as diretrizes da plataforma.
19:42Isso!
19:42Nossa, meus seguidores não aguentam mais ouvir, ler essa mensagem.
19:46Ele falou que ele, para Facebook, para TikTok, para todos esses…
19:49É desesperador, porque a impressão é que eles vão ajudar.
19:51E não vão.
19:52Então, quando você vai, você vê lá uma conta
19:54de uma criança de quatro anos, o que é proibido.
19:56Aí você vai lá nos três pontinhos,
19:58vai lá na conta, denunciar alguma coisa sobre essa conta.
20:01Aí tem a alternativa, a pessoa parece ter menos de 13 anos.
20:04Aí você clica lá e fala, vou denunciar,
20:06porque é um perfil de uma criança de quatro anos,
20:08não podia estar aqui.
20:09Quando você abre, ele te joga para um formulário.
20:12No formulário, você tem que dar a data de nascimento real da criança.
20:16O nome completo.
20:17Como é que eu vou saber se eu estou ali?
20:19Então, eles não ajudam, gente.
20:21Realmente, é muito difícil.
20:23Às vezes, quando é uma coisa muito explícita,
20:26mas assim, de uma forma estarrecedora,
20:29esse conteúdo cai.
20:30Eu sou a campeã de fazer denúncia.
20:32Na época, eles não me deixavam mais fazer denúncia.
20:33Eu entrei com a ação através de advogados,
20:36pedindo que eu pudesse voltar a fazer denúncia.
20:39E aí, eu queria compartilhar a experiência pessoal.
20:41Fazer denúncia no Ministério Público é muito bom.
20:45Eu já fiz anônima.
20:46Dependendo da situação, eu faço anônima.
20:48Dependendo da situação, eu faço me identificando.
20:51Porque quando você faz anônimo,
20:52você não consegue acompanhar o que está acontecendo.
20:54Você faz e foi.
20:55Você não sabe o que vai acontecer.
20:56Quando você se identifica, você acompanha.
20:59Então, gente, era eu aquele monte de denúncia.
21:01Eu faço tanta denúncia que se me pegarem.
21:04Mas elas não ajudam mesmo, né?
21:07Essa coisa de vai...
21:08O que aconteceu?
21:09Eu já fiz vídeo denunciando algumas coisas que estavam na plataforma.
21:13Mostrando elas borradas, obviamente,
21:15pra não expor as crianças novamente.
21:16O meu vídeo caiu.
21:17E o original não caiu.
21:19Meu Deus, gente.
21:20Então, é uma coisa, assim, impressionante.
21:22Eu acho que com essa...
21:23Só fazer um parênteses, que é importante lembrar também,
21:25que nós temos as delegacias especializadas em crimes cibernéticos.
21:28Então, também, quando for um crime dessa natureza,
21:31divulgado pelas redes,
21:32existe uma delegacia especializada em apurar esse tipo de criminalidade.
21:36E aí, a gente evita essa questão.
21:38Porque o delegado, eventualmente, já vai saber pra onde vai,
21:42pra onde remete isso.
21:44Então, a gente evita essa morosidade
21:45de mandar pro órgão competente.
21:48E se alguém estiver aliciando o seu filho,
21:50se você recebeu uma mensagem, por exemplo,
21:52essas mães dão print das mensagens.
21:53Elas veem que é um criminoso.
21:54O criminoso pede alguma coisa absurda pra criança.
21:57E elas ficam lá, eu vou te prender.
21:58Não fique batendo papo com o criminoso, gente.
22:01Percebeu que é um aliciamento?
22:02Que essa pessoa tá tentando conquistar a sua criança?
22:05Tá mandando mensagens inapropriadas ou imagem?
22:08Se você não quer lidar com isso, você bloqueia.
22:11Ou você pega o celular e leva pra uma delegacia.
22:13Se tiver uma de crimes cibernéticos, ótimo.
22:15Se não tiver, você vai levar pra qualquer uma.
22:16Porque hoje os nossos policiais já conhecem esse tipo de crime.
22:19Ah, pode dar azar.
22:20De repente, você ir numa que não tá o pessoal tão preparado.
22:22Mas no geral, eles conhecem e conhecem bem.
22:24Então, não fica batendo papo com o criminoso.
22:26Não ache que você vai...
22:28Quanto mais você falar com ele, pior.
22:30E lembrando que é obrigação de cada cidadão fazer denúncia.
22:34Você não precisa ter certeza.
22:36Você suspeita que aquela criança está sendo explorada.
22:38Lá, a tua vizinha faz vídeo com a filha dela.
22:41Ou você acha que ela está sendo violentada sexualmente.
22:45Ou apanhando violência física.
22:47Você não precisa ter prova, gente.
22:49Claro que quanto mais provas, melhor.
22:51Quanto mais provas, melhor.
22:52Mas você não é polícia.
22:53Você faz a denúncia, polícia investiga.
22:55Então, não deixe de fazer.
22:56Porque muita gente escreve pra mim e fala...
22:58Eu não tenho prova, mas eu acho que tal pessoa violenta tal pessoa.
23:02Seja lá na escola ou no meu bairro.
23:04Você não precisa ter prova.
23:06Mas você é obrigado, por lei, a denunciar.