00:00Mas ele é independente do Estado.
00:02Como esses movimentos existem, aonde eles estão?
00:06E como eles vão manter a sua independência
00:08e não serem instrumentos do Presidente da República?
00:11Bem, eu acredito que...
00:13Essa resposta vai tomar um pouquinho de tempo, viu?
00:15Vocês me desculpem.
00:17Não tem problema.
00:17Mas, primeiro, dizer que...
00:21Eu acredito que o MST ainda é um movimento de muita relevância
00:26e eles conseguiram se reinventar
00:30dentro de um novo contexto político
00:33que surgiu não só no Brasil, mas no mundo,
00:36quando se abriu a crise do neoliberalismo em 2008,
00:39que nós estamos vivendo os sintomas dessa crise até hoje.
00:42E que um dos sintomas dessa crise, que é muito profunda,
00:48é justamente a ideia da crise das instituições
00:55que foram construídas justamente nesse processo
00:58que você apresentou,
01:00que passa tanto pelos movimentos sociais,
01:02mas também passa pelo questionamento da própria democracia.
01:05Da própria política.
01:06E da própria política.
01:07Então, o Bolsonaro surfou justamente nessa onda.
01:11A gente vive, não só no Brasil, mas no mundo inteiro,
01:14esses sintomas de crise que abalam
01:18e a confiança das pessoas nas instituições, por assim dizer.
01:23Então, eu acredito que, de fato, você está em uma razão em dizer
01:27sobre a relevância de muitos desses movimentos,
01:33porque com a mudança, por exemplo, no mundo do trabalho,
01:36que é brutal, ela é profunda,
01:39hoje o mundo do trabalho é muito diferente do que foi há 20 anos atrás.
01:45O nível de informalidade, a plataformização,
01:47uma série de mudanças e que, de fato, nos exigem compreender
01:53essas novas dinâmicas e tentar buscar como que a gente se reconecta
01:58com essas maiorias sociais.
02:00Porque hoje não está, não é, realmente você tem razão em dizer
02:04que não existe mais uma grande instituição que representa
02:10todos os trabalhadores, como a gente construiu nos anos 80,
02:13como a esquerda construiu, mas, ainda assim,
02:17dentro de um contexto tão difícil para a própria esquerda,
02:23não só no Brasil, mas no mundo,
02:25eu acredito que nós, de certa forma, conseguimos se reinventar.
02:31Então, o fato do PSOL hoje ser um partido muito identificado
02:35com a causa das mulheres, da causa das pautas antirracistas,
02:39racista, da causa ambiental também e muitas outras pautas
02:44que foram negligenciadas pela esquerda ao longo de muito tempo
02:48e saber combinar o que é a luta histórica da classe trabalhadora
02:53com essas novas agendas foi fundamental para o nosso crescimento
02:56e para a gente entender essas novas dinâmicas.
02:59Então, eu acredito que, de fato, o Boulos vai ter essa tarefa política
03:06de compreender esse dinamismo e entender como que ele consegue dialogar
03:11com esses novos movimentos que são diversos, são pulverizados,
03:16mas que podem nos conseguir, podem conseguir fazer com que a gente encontre respostas.
03:24Então, por exemplo, uma das missões que o presidente Lula deu para ele
03:29foi conversar com os trabalhadores de aplicativo,
03:32que é uma classe que nós temos muita dificuldade de conversar
03:39e que não existe um sindicato.
03:41Então, exige muito, muito diálogo.
03:46Então, a primeira ideia dele, inclusive, ele já até conversou isso conosco,
03:50não sei se chegou a trazer publicamente,
03:53é justamente rodar o Brasil inteiro fazendo conversas,
03:57buscando os movimentos para tentar entender quais são as dinâmicas que estão colocadas.
04:04Eu posso colocar...