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Operação no Rio de Janeiro desencadeou um processo de disputa entre o Palácio do Planalto e integrante da direita na pauta da segurança pública.

Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Notícias
Transcrição
00:00A crise de segurança pública no Rio de Janeiro, decorrente da mega-operação contra a facção Comando Vermelho, na terça-feira,
00:08mobilizou integrantes do Palácio do Planalto, o presidente Lula e governadores em um movimento que antecipa a disputa eleitoral do ano que vem.
00:17O presidente da República demonstrou preocupação com o tema e ainda pediu celeridade à sua equipe
00:23para enviar ao Congresso um projeto de lei chamado Antifacção, que atualiza a lei de organizações criminosas.
00:32Os governadores também agiram.
00:35Em reunião realizada na noite desta quinta-feira, os governadores decidiram criar um Consórcio da Paz,
00:42uma ação integrada que resultaria em troca de experiências e até de material humano e físico.
00:49Em um encontro que contou com a presença dos governadores Cláudio Castro, do Rio de Janeiro,
00:55Romeu Zema, de Minas Gerais, Ronaldo Caiado, de Goiás, Tarcísio de Freitas, de São Paulo,
01:01Jorginho Melo, de Santa Catarina, Eduardo Raidel, do Mato Grosso do Sul,
01:06Mauro Mendes, do Mato Grosso e Celina Leão, vice-governadora do Distrito Federal,
01:12aconteceram várias discussões.
01:13Agora vamos ouvir o governador de Santa Catarina, Jorginho Melo.
01:17Isso é uma... está se alastrando, o Brasil precisa, nós que fazemos,
01:25cada estado que nós representamos é que faz esse Brasilzão, nós precisamos de estar juntos.
01:31E eu vim aqui dizer, Cláudio, contem com Santa Catarina.
01:35Homens, apoio logístico, inteligência, ombro, tudo que vocês precisarem, contem com Santa Catarina.
01:45Nós não podemos perder tempo, nós temos que se juntar.
01:49O nosso objetivo é um só, é proteger a família brasileira,
01:54que mora em todos os estados do Brasil.
01:58Estou aqui para dizer de viva voz, em nome do povo de Santa Catarina,
02:02que eu tenho muita honra em ser governador.
02:03A nossa polícia lá é uma das melhores do Brasil,
02:10competindo, ajudando, participando em todos os momentos da vida brasileira.
02:16Então, por isso, eu vim aqui para trazer o meu abraço,
02:19não vim aqui para fazer discurso político, não vim aqui para dizer,
02:23não tem ideologia nesse momento.
02:25O objetivo é defender o pai de família, que o mais abastado, o mais humilde,
02:31está inseguro, está com medo, e nós precisamos estar ao lado dele.
02:34O Estado serve para isso.
02:37O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também se manifestou.
02:42Não dá mais para tratar o criminoso como vítima.
02:45Criminoso não é vítima.
02:47O criminoso faz vítimas.
02:48Tem aterrorizado os cidadãos de bens,
02:51cidadãos que o Estado precisa proteger,
02:54proteger quem trabalha, o Estado precisa proteger quem cumpre as leis.
02:58E o Estado do Rio de Janeiro deu uma grande demonstração ontem.
03:01Meus sentimentos aos policiais perdidos,
03:03meus sentimentos à polícia militar e à polícia civil,
03:06pelas perdas na operação.
03:08Toda a morte acaba sendo uma derrota para nós, dói.
03:11Mas não agir seria covardia, seria rendição.
03:15E o Estado do Rio de Janeiro ontem agiu, agiu muito bem,
03:18fez a diferença.
03:19Se teve o cuidado de afastar os criminosos da região onde as pessoas moram,
03:24de perto dos moradores,
03:26é hora de entregar para a sociedade aquilo que ela mais precisa,
03:29segurança pública.
03:32Muito boa tarde, Wilson Lima,
03:34Ricardo Kertzmann e Rodolfo Borges.
03:37Perdão, tudo a Teixeira.
03:39Rodolfo Borges está nos bastidores,
03:41nos abastecendo de atualizações de tudo o que acontece aqui.
03:44Mas, em resumo, tudo o que assistimos agora é a clarificação de que se tornou realmente uma disputa política
03:52e nem sempre isso da melhor forma.
03:55Não é isso, Wilson?
03:56É exatamente isso.
03:58Boa tarde para você, Inácio.
03:59Boa tarde para o Ricardo.
04:00Boa tarde para o Duda Teixeira.
04:01Mas, principalmente, boa tarde para você, meu amigo e minha amiga de ouro antagonista,
04:06que está aqui com a gente sempre,
04:08nessa nossa labuta diária, como eu costumo dizer aqui no programa, né?
04:12Ajudando a gente a passar raiva.
04:14Mas o fato, meus caras, é o seguinte.
04:16Isso ficou muito claro na reunião de ontem.
04:18Você já antecipou esse debate eleitoral.
04:20O tema da segurança pública vai ser morte de campanha, sim, para o ano que vem.
04:27Os governadores de direita aí têm vários com interesses no Palácio do Planalto,
04:33como o Ronaldo Caiado, por exemplo, estão batendo de frente com o governo federal,
04:38só que de um jeito que também não cria uma situação de guerra entre a União e as unidades federadas.
04:45Então, mas já há um clima mesmo de não se antecipar esse debate.
04:50A segurança pública, como eu falei agora há pouco, vai ser tema de debate, vai ser tema da campanha.
04:55E o presidente Lula, nesse momento, ele precisa agir.
04:58Precisa agir para não cristalizar junto à sociedade o sentimento de que o governo federal é leniente com a criminalidade.
05:06O presidente Lula sofreu muito na época da Lava Jato.
05:10Por quê?
05:10Porque se cristalizou naquele momento que o presidente Lula é conivente com a corrupção.
05:16Agora, se nessa frente os governadores também conseguem cristalizar esse sentimento
05:22de que o Lula também é leniente com a criminalidade,
05:26aí o petista vai ter muita, mas muita dificuldade durante a campanha do ano que vem.
05:31E eu passo a palavra ao Ricardo Kertzmann, que está aqui conosco presencialmente
05:35nos nossos estúdios de São Paulo.
05:37Ricardo?
05:37Boa tarde, Inácio. Boa tarde, Duda, Wilson. Boa tarde, queridos amigos antagonistas.
05:43Antes de eu fazer o meu comentário, Wilson, eu queria te avisar que a minha missão aqui hoje em São Paulo
05:49é fazer a sexta-feira livre.
05:51A gente vai fazer o programa, depois a gente vai almoçar e vamos emendar.
05:54Isso significa que você vai ter que trabalhar por todos nós, beleza?
05:57Bom, vamos lá.
06:01Olha, a politização era inevitável e eu estava conversando há pouco agora com o Duda e com o Rodolfo
06:08e dizia que toda vez que a gente tem um tema sensível como esse, politizado,
06:12isso não é bom, isso não produz o efeito que todos nós, que a sociedade brasileira quer e precisa.
06:18Porque a disputa política, ela deixa de lado as questões técnicas, ela deixa de lado a eficiência
06:24e parte para poder explorar o que tem de fraqueza o lado adversário.
06:29Porém, neste caso, eu acho que essa politização, ela vai ser benéfica.
06:34Benéfica no seguinte sentido.
06:35A sociedade brasileira está tão cansada, tão enfarada dessa violência toda
06:40e quando você tem recorrentemente, historicamente, um partido político, uma ideologia política,
06:48eu estou falando do PT, eu estou falando da esquerda,
06:50e quando você tem um líder político como o presidente Lula, historicamente ligado,
06:55eu não diria ligado, a palavra está errada, mas que sempre sai em defesa dos bandidos,
07:03não no sentido de defender a bandidagem, mas de estar sempre criticando as forças policiais,
07:08de estar sempre criticando a opressão que o Estado, o Estado Democrático de Direito,
07:13tem que fazer sobre a criminalidade, quando você tem isso de forma tão arraigada e tão clara
07:18nessa linha política, o presidente Lula, mesmo dias atrás, declarou, ele disse que os traficantes eram vítimas
07:25dos usuários, ou seja, quando você tem esse tipo de comportamento,
07:29que obviamente influencia no combate, influencia negativamente no combate ao crime,
07:34porque quando você tem o poder com esse tipo de visão,
07:39olha, não podemos ser tão rigorosos assim, olha, não podemos usar tanta força policial assim,
07:46você acaba deixando brecha para que a criminalidade cresça,
07:50e é isso que a gente assiste há décadas no Brasil.
07:53Então, nesse momento, essa politização, apontando o dedo para o governo federal,
07:57apontando o dedo para a esquerda e dizendo, olha, vocês são, em parte, responsáveis por isso tudo,
08:03porque toda vez que a gente tenta recrudescer no combate à criminalidade,
08:07vocês apontam, como estão feitos agora e lá, só no Rio de Janeiro,
08:10vocês apontam o dedo acusatório para a gente,
08:12procurando problemas na operação policial, procurando encontrar pelo em ovo,
08:19toda vez que vocês fazem isso, vocês enfraquecem o combate ao crime.
08:22Então, nesse sentido, eu acho que é boa essa politização, sim,
08:25e fazem muito bem os governadores, em conjunto,
08:28de dizer, estamos unidos contra a criminalidade.
08:31Se o governo federal, se a esquerda, se o PT,
08:34quiser continuar passando pano para a criminalidade,
08:37que passem sozinhos, isso vai ficar muito claro nas eleições no ano que vem,
08:41e o eleitor escolhe que lado que ele vai querer ficar.
08:44Duda Teixeira.
08:46Existe, claramente, esse cálculo político, eleitoreiro dos governadores,
08:51mas também, acho que vale frisar que esse movimento dos governadores acontece
08:56num vácuo deixado pelo governo federal.
09:00Além do histórico do Lula que o Ricardo trouxe,
09:04nesse assunto da segurança pública,
09:07o Lula, desde que votou do Sudeste Asiático,
09:10ele sumiu, ele foi para a toca.
09:14Ele não vai para o microfone ou para as câmeras para falar do assunto.
09:21Ele só manda recado pelo ministro da Justiça,
09:25Ricardo Lewandowski.
09:27E a impressão que fica, obviamente,
09:29é que o Lula não está devidamente empenhado
09:32em resolver o problema da criminalidade no Brasil.
09:37É um problema que só se resolve, de fato, com a ação da polícia.
09:42O Lula sumiu, deixou esse vácuo,
09:44e os governadores, naturalmente, estão assumindo a dianteira nessa área.
09:49Wilson, você que está aí em Brasília,
09:51cobrindo tudo em loco,
09:53existe um sentimento de que os governadores vão poder oferecer
09:57alguma coisa de concreto, além desse anúncio,
10:00além de uma reunião, além de prometer maior troca,
10:03maior facilidade de mandar tropas para lá,
10:07de repente armamentos para cá.
10:08Existe algum sentimento de que algo de concreto vai vir,
10:11ou é mais algo simplesmente midiático?
10:15Inácio, é uma questão mais simbólica,
10:20mais simbólica, porque em termos práticos,
10:22é muito difícil, por exemplo,
10:24o governo de Santa Catarina enviar tropas
10:27de Santa Catarina para o Rio de Janeiro.
10:29E não estou falando porque não existe
10:31uma boa vontade do Jorge de Humelo,
10:33é porque as polícias nos estados,
10:36elas já trabalham tanto no limite,
10:38e se você for, sabe aquela história do cobertor curto?
10:41Se você for tirar um policial de Santa Catarina,
10:43você pode desguarnecer a Santa Catarina.
10:45Assim, o estado de Santa Catarina.
10:47Então, essa que é a questão.
10:50Logicamente que vai ter uma troca de logística,
10:52de inteligência, isso vai ser importante,
10:55porque você pode, com um trabalho integrado,
10:58você pode saber se, por exemplo,
11:00você pode ter conhecimento sobre ações de células
11:04de comando vermelho nos demais estados
11:05que possam interferir no comando lá do Rio de Janeiro,
11:08então isso, de fato, é importante,
11:11mas os governadores realmente estão com as mãos amarradas,
11:13eles não têm muito como fazer,
11:14eles não têm muito o que fazer.
11:16Porque o ponto, quando a gente fala de política de segurança pública,
11:20a gente tem que ter em mente que,
11:22política de segurança pública, você precisa ter um investimento muito alto.
11:25E essa capacidade de investimento, quem tem é a união,
11:28não são os estados.
11:30Então, é por isso que é muito delicado,
11:33por isso que eu falo que essa reunião,
11:34ela teve um caráter simbólico,
11:36ela avançou em alguns pontos,
11:37mas quem deveria realmente ajudar,
11:41dar um peso nesse tipo de combate ao crime,
11:44de fato, deveria ser a união.
11:45E isso não está sendo feito, Anácio.
11:46Tchau.
11:47Tchau.
11:47Tchau.
11:47Tchau.
11:48Tchau.
11:48Legenda Adriana Zanotto

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