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No Direto Ao Ponto, o jornalista e advogado Joseval Peixoto faz um desabafo contundente sobre o maior drama do país: a corrupção. Peixoto classifica a corrupção como a "grande tragédia nacional" que desvia bilhões de reais da educação e do social.

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Transcrição
00:00Mas José Val, você sabe que atuando hoje na área e vendo essas histórias que estão todos contando sobre você,
00:06é muito intrigante e interessante pensar que havia essa possibilidade de criar algo de repente no fim do jornal,
00:14meia hora para o jornal terminar e você criar algo, em você fazer um soneto, uma poesia ou algo que conectasse com o sentimento das pessoas.
00:23E era a beleza do jornal.
00:25Exato, e hoje em dia você pensa nisso, no atropelo de notícias...
00:29Ah, e no roteiro, sigo o roteiro.
00:31Não, e no atropelo de notícias, e com um monte de coisa que você precisa trazer de conteúdo, ninguém está mais parando para respirar.
00:38Sabe por que, Sine? Eu tenho o direito, da altura dos meus 87 anos, de te dar uma pequena aula a respeito da...
00:45Claro que sim, para todos nós.
00:47Porque com um brilhantismo você está chegando, mas está chegando.
00:51A notícia é igual para todo mundo.
00:55O ônibus caiu, morreram 10.
00:57Exatamente.
00:58Só que o rádio tem que emocionar.
01:04Porque a notícia...
01:04Você vê, a televisão à noite, você matou, ela era perdida, sequestro e não sei o que, e furto, corrupção.
01:14É tudo igual, pô.
01:16A notícia é igual para todo mundo.
01:17Então você tem que parar e humanizar aquilo.
01:22Então você...
01:24E outra, quem me fez fazer isso foi uma ouvinte, que por acaso é mãe do meu genro.
01:32É mesmo?
01:33É.
01:34Ela falou, mas você todo dia...
01:36Porque eu não fazia todo dia, Mauro.
01:38De vez em quando eu fazia, ia embora.
01:40No editorial.
01:41Ela falou, mas eu fico esperando e você não faz.
01:44Você frustra os seus ouvintes.
01:46Eu falei, ela tem razão.
01:49Aí eu comecei a me policiar.
01:51Evidente que eu vinha para a rádio de manhã, 7 da manhã.
01:54Não sabia o que ia fazer, dependia do noticiário.
01:56Claro, é.
01:57Pegava a principal notícia do dia, dava uma romance, romanceada.
02:01Mas para dizer para o ouvinte, você está acima de tudo isso.
02:06Aliás, eu termino o livro falando isso contra a corrupção.
02:13Eu acho que o grande mal deste país, todos nós achamos, é a corrupção.
02:19São os vendilhões do templo que estão conduzindo esta nação.
02:22É triste isso, mas é.
02:24Mas eu falo, não é possível que a gente não possa vencer o Comando Vermelho ou o PCC.
02:33Quantos eles são?
02:34São 10 mil?
02:3650 mil?
02:3980 mil?
02:401 milhão?
02:41Nós somos 200 milhões.
02:43Que conversa é essa?
02:46Não é verdade?
02:47Vai lá, Patrick, depois o Berrage também.
02:49Pegar um gancho do encerramento do jornal, e o Mauro falou que gostava de ouvir, né?
02:54Mesmo quem não ouvia o Jornal da Manhã, não estivesse acompanhando, parava para ver aquele encerramento.
03:00E eu ali dirigindo o Jornal da Manhã durante muito tempo, o José Paulo tinha um ritual.
03:05Isso é uma das coisas mais interessantes.
03:07Dava umas nove horas, assim.
03:09O jornal ia encerrar nove e meia.
03:10Dava umas nove, cinco para as nove.
03:12Ele levantava a mãozinha do outro lado ali, porque era o rádio ainda, né?
03:15De minha autoria, eu vou ao banheiro.
03:22E ele saía.
03:24O Mauro era uma das coisas mais...
03:25Ele saía ali, lá no 24, atrás do estúdio, dava uma volta.
03:30E aí, é como se ele entrasse num outro portal, e ele ia até o banheiro, sem falar nada.
03:37Quem cruzasse o caminho, é como se ele estivesse numa outra dimensão.
03:40Ele estava bolando o encerramento do jornal.
03:44Ele ia, cinco minutos depois ele voltava, ele já falava, já tenho encerramento.
03:48Aí ele pegava um Estadão, uma folha, alguma coisa, grifava alguma coisa...
03:53E montava.
03:55Respirava e fazia aqueles encerramentos.
03:57Porque dentro do programa, com a notícia correndo, você não consegue raciocinar.
04:03Claro, você precisa de silêncio.
04:04Você precisa de silêncio.
04:05Ô, Gesal, desculpa.
04:06Não necessariamente era o principal assunto do dia.
04:08Era algo que você pegava, pensava, né?
04:11Isso, é.
04:11Aqui tem o editorial, aqui tem uma história.
04:13É, sempre tem.
04:14Entre duas horas, duas horas, é sempre o comportamento humano.
04:18Algo tem ali que pode te dar uma chance para você levar uma mensagem para o povo.
04:26Quer dizer, dizendo que você está acima da corrupção, da violência, de tudo que você viu aqui.
04:32O mundo é outro, a vida é outra.
04:35Você pode.
04:37A vida é possível.
04:39Quer dizer, levantava.
04:40Porque senão, é o que a gente sente na televisão à noite.
04:43Desgraça, desgraça, desgraça, desgraça.
04:45O José Val fala de emocionar as pessoas, né?
04:47E, voltando ao final da Copa de 70, tem uma frase que eu sei de cabeça,
04:53que ele, na hora, deve ter inventado.
04:55Porque os narradores poderiam falar, o Brasil ganhou a taça de campeão do mundo.
04:59Mas não, ele falou.
05:00Essa deusa de ouro, de braços erguidos,
05:03essa deusa tão jovem, mas tão velhas histórias,
05:07com os braços erguidos para o alto e para o céu do Brasil.
05:10Ele estava falando da taça Júlia e Rimei, que o Brasil ganhou, gente.
05:12É verdade.
05:13Você não escreveu antes, né?
05:14Não, não, não.
05:15Veio de cabeça.
05:16Que lindo.
05:16Mas você conhecia, mas você conhecia a história da taça Júlia e Rimei,
05:23que era toda de ouro.
05:25Constava que ela tinha sido enterrada pela Itália, pela Federação Italiana.
05:29Durante a guerra, a Segunda Guerra Mundial.
05:34Então você conhecia tudo da Júlia e Rimei.
05:38É o cara que a gente deixou derreter.
05:40Eu e tal negócio.
05:41Um dia me perguntaram se eu preparava o texto.
05:44Como é que você irradia o milésimo gol,
05:46depois acontece aquele abraço no meio do campo.
05:48Você nem imaginava aquilo.
05:50Aquilo ali não é previsível, né?
05:51É, você tem que ser.
05:52Mas, José Val, no caso...
05:53Mas não era só eu, hein?
05:54Os grandes narradores esportivos do Brasil,
05:58eu cito Pedro Luiz, Fiore Giliotti, Braga Jr.,
06:02Darcy Reis no Rio, Clóvis Filho,
06:06Dulcei Camargo, Valdir Amaral, Jorge Cury, hein?
06:10Pô, todos os grandes narradores e improvisadores.
06:14Mas, José Val, o que você carregava dentro de si
06:16para olhar para a taça e soltar esse tipo de texto?
06:20O desenho dela.
06:21O desenho dela é aquele dos braços erguidos para o alto dos céus.
06:25Ô, José Val!
06:26Mas, José Val, olharam para esse desenho
06:29e não pensaram absolutamente isso.
06:31É só o desenho, é.
06:36Tem algo mais além do desenho, José Val?
06:38Não, você está exaltando a deusa, né?
06:41A deusa que vem para nós em definitivo, né?
06:45Como é que você falou, né?
06:46A deusa de ouro, de braços erguidos.
06:49Essa deusa tão jovem, mas tão velha de histórias, né?
06:52É tão velha de histórias.
06:53É porque ela foi fundada em...
06:55Ela foi criada em 30...
06:56Era só 40 anos.
06:58É, nós estamos em 70.
06:59Então, 55...
06:59Que nós choramos em 50, né?
07:03Em 1950, o Brasil chorou a perda dessa taça.
07:07Que coisa!
07:08Então, eu falava, é justo que o Brasil tenha em definitivo essa taça.
07:12Porque tem nossas lágrimas em 1950.
07:15Quer dizer, dá para você romanciar...
07:17O sorteio sabia o que estava fazendo, tá?
07:19O sorteio sabia.

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