00:00sobre economia, porque a expectativa de hoje gira em torno da reunião do Copom.
00:05Vocês lembram que ontem, a gente já contou aqui em tempo real, que começou a reunião,
00:10hoje é o segundo dia, o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne ainda
00:15nesta quarta-feira, então, para determinar a taxa Selic, para quanto que vai ficar,
00:21deve esse anúncio acontecer ainda hoje, o Marcelo Matos vai chegar ao vivo agora,
00:26direto aqui da capital paulista, para fazer essa análise, para contar para a gente
00:31como é que vai funcionar. Oi, Matos, boa tarde, bem-vindo.
00:36Boa tarde, Márcia, boa tarde a todos que nos acompanham, quem nos acompanhou ontem,
00:41evidentemente, também, nós trouxemos esse assunto também no tempo real,
00:45nós tivemos uma manifestação de fronte à sede do Banco Central aqui na Avenida Paulista,
00:50várias, todas as principais centrais sindicais do país, cobrando uma redução
00:54na taxa básica de juros do país, a Selic, e parece que estava algo meio combinado aí
01:00em toda essa história, porque também, ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
01:05ele aumentou um tom defendendo justamente a queda da taxa Selic,
01:11que não haveria mais racionalidade para mantê-la desta forma,
01:16em relação aos números macroeconômicos brasileiros, então, sindicalistas,
01:21mas o ministro falando, houve uma grande repercussão, porque até então,
01:25Fernando Haddad jogava na mesma escola de Gabriel Galípolo, que é o atual presidente do Banco Central.
01:31Nós lembramos ontem, inclusive, as centrais sindicais estavam falando sobre isso,
01:35que nós tivemos o início do governo Lula, Roberto Campos Neto era o presidente do BC,
01:40era o grande inimigo, portanto, da economia, nas palavras do governo Lula,
01:44uma herança maldita, justamente, de Jair Bolsonaro à frente do BC,
01:48nós tivemos a troca no comando agora, a indicação do PT por Gabriel Galípolo,
01:54e ontem os sindicalistas diziam que praticamente não houve mudança.
01:58É evidente que, tecnicamente falando, do ponto de vista econômico,
02:02as mesmas bases aí que Galípolo assumiu de Roberto Campos Neto,
02:05ele está mantendo.
02:06Os fundamentos da economia não permitem que ele faça essa queda.
02:11E não há sinal nenhum, mercado, nenhum espera, aqui no Brasil,
02:15evidentemente, haver o início dessa baixa ainda em 2025.
02:20E a situação começou a se complicar também para 2026.
02:23Mas aí entra esse detalhe, toda essa pressão, sindicalismo,
02:27do ministro falando que tem que cair, a gente imagina,
02:29no ano de eleição, o governo vai gastar muito mais, isso é normal.
02:33Qualquer governo, na época de eleição, vai gastar até onde puder gastar,
02:37depois a legislação não permite.
02:39E fica agora a expectativa de uma pressão cada vez maior em cima de Gabriel Galípolo
02:44para a redução da taxa de juros,
02:47sob o argumento de maior geração de empregos, de qualidade e também toda a atividade econômica.
02:52Evidentemente que o remédio é amargo,
02:5415% a taxa Selic é a maior de todos os tempos,
02:58a menor, 2% foi lá de 2017 até chegar em 2020.
03:03É uma diferença absurda, claro que isso norteia toda a economia,
03:06os financiamentos, os investimentos do país,
03:09mas de qualquer forma a gente começa a observar já,
03:12mesmo em 2025, um movimento que deve crescer político
03:15pela queda da taxa de juros.
03:18Quer saber se essa decisão continuará técnica,
03:21a exemplo de Galípolo, ou ele vai ceder as pressões,
03:24inclusive que começam a aumentar agora do próprio governo Lula,
03:27nas palavras do ministro da Economia, Fernando Haddad.
03:31Márcia.
03:32Obrigada, Marcelo Matos, pelas informações,
03:35a gente vai seguir acompanhando, então, até a divulgação do número.
03:39Mas vamos abrir essa conversa para os nossos comentaristas do dia,
03:42o Mano Ferreira e o João Belut, começando pelo Mano.
03:46Mano, é sempre esse remédio amargo que quem paga a conta,
03:49é claro que somos nós, os contribuintes,
03:52e o governo continua gastando mais do que deve.
03:56Márcia, muito boa tarde para você,
03:58boa tarde para toda a nossa audiência.
04:00Esse é o problema.
04:02A taxa de juros acaba sendo como o termômetro de uma febre.
04:07E a causa dessa febre é o desequilíbrio das contas públicas.
04:11O governo Lula recebeu o país tendo uma relação dívida sobre o PIB
04:19em torno de 72%.
04:21As projeções é que vai entregar com 14 pontos percentuais a mais,
04:28ou seja, mais de 80% de dívida sobre o PIB.
04:33Esse patamar é muito elevado para países com a renda como a nossa.
04:39Isso é que faz com que os investidores do mundo olhem para o Brasil
04:44e vejam risco.
04:46Quando a economia sinaliza sinais de risco no longo prazo,
04:51na prática, para que haja o próprio financiamento do governo,
04:56a taxa de juros sobe.
04:58É isso que está acontecendo.
05:00Como que resolvemos?
05:02Apenas com a conversa séria e adulta
05:05sobre a trajetória das contas públicas.
05:08Como que a gente faz os gastos do governo
05:10caberem efetivamente naquilo que nós arrecadamos em impostos.
05:16E olhe que já pagamos muitos impostos.
05:19A carga tributária do Brasil também é muito maior
05:22do que a média dos países com a renda semelhante à nossa.
05:26O que faz com que não haja mais espaço
05:28para aumento de carga tributária.
05:30Agora, João Bellucci, te chamo também para essa conversa,
05:34porque esse remédio parece que não vai baixar.
05:38Parece que para ano que vem eles queriam pelo menos reduzir
05:41para 12,5%, mas isso não está certo.
05:45O Marcelo Matos chegou para a gente com essa informação
05:47de que haveria uma pressão do governo
05:50para que esses juros sejam reduzidos.
05:53Mas eu vejo que o Banco Central nunca cedeu a esse tipo de pressão.
05:57Zé Marcia, boa tarde a você, ao Bruno, ao Mano
06:00e toda a audiência aqui do Tempo Real.
06:01Realmente, há uma diferença entre o discurso adotado agora
06:05pelo Lula e os seus apoiadores em relação à atuação do Campos Neto
06:09e agora do Galípolo.
06:11Ambos mantiveram a mesma política econômica
06:13que é do chamado Banco Central Independente,
06:16que em tese ele goza de independência,
06:18mas a gente sabe que na prática ele está sujeito
06:20a interferências e pressões políticas,
06:22como tudo na vida é o normal da democracia,
06:26essas tentativas de interferência ou de pressão.
06:29E agora ele mantém a política econômica dos juros elevados,
06:32bastante elevada a taxa 15% ao ano,
06:35como o Mano bem colocou.
06:37Você tem essa questão do fiscal brasileiro
06:40e acaba sendo um grande balizador essa taxa de juros
06:43e serve para várias coisas,
06:45entre elas segurar a inflação,
06:46que é uma tentativa do governo,
06:48e ao mesmo tempo medir o risco,
06:50mensurar o risco para todos os players envolvidos no mercado.
06:53E o governo aumenta a sua culpa nessa situação
06:55à medida que ele é um dos grandes emissores de papéis
06:57da dívida pública, de títulos,
06:59que são remunerados com esses 15% ao ano.
07:01Então, a gente fica nessa política rentista do governo Lula,
07:05que é em completa dissonância, desconexão,
07:07com o que ele argumenta que faz,
07:09como aplica as suas políticas públicas e na prática.
07:12Hoje você tem atuando no Brasil o chamado rentismo.
07:16Juros altíssimos as pessoas acabam preferindo
07:19por comprar esses títulos da dívida pública
07:21para receber 15% ao ano,
07:23que é uma taxa muito maior que o padrão de mercado,
07:25ao passo que o governo não faz a lição de casa.
07:27Então, você aumenta os juros para tentar segurar a inflação,
07:29segura o crédito,
07:30mas você fica nessa disputa com a sua própria base eleitoral.
07:33Então, a tendência pode ser que o ano que vem
07:34o Banco Central sofra muito mais pressão
07:37para atuar de forma política e reduzir os juros na canetada
07:39em descompasso com as balizas do mercado.
07:42Obrigada, João Beluti e Mano Ferreira.
07:44Já já a gente volta com mais análises com vocês.
07:47Obrigada, João Beluti e Mano Ferreira.
07:52Obrigada, João Beluti e Mano Ferreira.