Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Cuba enfrenta sua maior crise desde o colapso da União Soviética. Com a pressão dos Estados Unidos e restrições de energia, o país vive risco de estrangulamento econômico e humanitário, afetando transporte, turismo e abastecimento básico. Em entrevista ao Jornal Times Brasil - Exclusivo CNBC, Tanguy Baghdadi, mestre em relações internacionais e apresentador do podcast Petit Jornal, explicou os impactos e os cenários possíveis para negociações entre Havana e Washington.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Estamos de volta ao vivo e em meio a uma das maiores crises de sua história, Cuba enfrenta seu maior
00:07teste desde o colapso da União Soviética.
00:10Os Estados Unidos têm intensificado a pressão sobre o governo cubano desde a operação que nos primeiros dias do ano
00:16capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aliado ideológico de longa data de Cuba.
00:22A atuação dos Estados Unidos impede o acesso ao petróleo, o que afeta diferentes setores da economia e da vida
00:29cubana.
00:30Sobre esse assunto eu converso agora ao vivo com o Tanguy Bagdadi, que é mestre e professor de relações internacionais
00:36e apresentador do podcast Petit Jornal. Tudo bem? Boa noite, seja muito bem-vindo.
00:42Boa noite, um prazer estar aqui e a gente está acompanhando a história acontecendo, dias dos nossos olhos, né?
00:47O que está acontecendo em Cuba realmente tende a ser visto como um fato histórico.
00:51Quando a gente for analisar esse ano de 2026, certamente Cuba vai estar entre os temas mais importantes.
00:57A gente está presenciando mais um momento histórico, né?
01:01E com muitas nuances. Ajuda a gente a entender, para começar a conversa, trazendo um panorama, né?
01:07Como é que o petróleo impacta na prática o cenário econômico de Cuba, a vida, o dia a dia das
01:13pessoas lá e o turismo, que é tão importante para a ilha?
01:17Olha, não é somente Cuba, né? A gente pode fazer uma análise muito mais ampla, né?
01:21Qualquer país, qualquer país do mundo, a questão energética é crucial.
01:26Aliás, se a gente for olhar, por exemplo, os últimos anos, a gente vê que países onde você tem um
01:31crescimento muito grande do preço do petróleo
01:33leva normalmente a grandes manifestações e insatisfações no governo, porque é fundamental para absolutamente todo mundo.
01:39É fundamental não apenas para os transportes, mas é fundamental também para a geração de energia, de uma forma geral.
01:45Então, sem energia, qualquer país, ele fica completamente paralisado.
01:50Ainda mais quando você fala sobre um país como Cuba, que vive, desde 1959, um processo de isolamento muito grande.
01:57Então, não é um país que encontra muitas alternativas e que podia contar, até pouco tempo, com a energia de
02:02alguns países.
02:03Alguns países estavam dispostos a vender energia para Cuba com grande facilidade.
02:07Era o caso da União Soviética. A União Soviética deixa de existir.
02:10Cuba passa por uma crise muito grande, naquele momento em que a União Soviética colapsa.
02:15E alguns outros países saíram em socorro de Cuba ao longo dos últimos anos.
02:19E a Venezuela, uma superpotência energética, foi um desses países.
02:23No momento em que os Estados Unidos, no entanto, sequestram, prendem Nicolás Maduro.
02:28E a Venezuela passa por um momento curioso, para dizer o mínimo.
02:32Então, é um país que tem um regime parecido com o anterior, parecido com o regime de Nicolás Maduro,
02:36mas, alinhado aos Estados Unidos, ou dialogando com os Estados Unidos, a Venezuela para de vender energia,
02:43as alternativas cubanas ficam muito escassas.
02:46Então, você tem o México dizendo que gostaria de vender energia, os Estados Unidos pressionam o México
02:51e a Claudia Sheinbaum, presidente mexicana, acaba recuando.
02:54E a Cuba, portanto, se vê, mais uma vez, absolutamente estrangulada.
02:58Isso é o México com absolutamente tudo.
02:59Então, não tem como Cuba receber, por exemplo, estrangeiros, turistas,
03:03se os estrangeiros sabem que não vai ter energia para o mínimo, para o básico no país.
03:07Então, naturalmente, é uma situação de estrangulamento que Cuba já experienciou em outros momentos,
03:14mas, certamente, agora não vê muitas alternativas, muitas saídas para o futuro próximo.
03:19Exatamente.
03:20Aí, a gente tem relatos de muitas dificuldades, muitas restrições,
03:24e os cubanos buscando alternativas, mas vai ficando cada vez mais difícil.
03:29A gente pode estar diante de um risco de uma crise humanitária no país?
03:36Podemos, claro.
03:37Claro, mais uma vez, quando a gente fala sobre energia,
03:39a gente está falando sobre o básico do básico.
03:41A gente está falando sobre algo que leva as pessoas a terem dificuldade de se alimentar.
03:46Se você não tem combustível suficiente para trazer alimentos que vêm do campo
03:50ou em direção à cidade, você tem uma crise humanitária severa.
03:54Isso pode afetar, por exemplo, o abastecimento de água.
03:58Isso pode afetar tudo no país.
04:01Você pode afetar, inclusive, negócios básicos para o país.
04:04Então, Cuba, por exemplo, é um país que tem uma tradição turística muito forte.
04:08É um dos pontos altos do país.
04:10Uma das formas, aliás, de fazer entrar moeda estrangeira,
04:13a partir do momento que você não tem energia,
04:14a tendência é que você não tenha mais fluxos estrangeiros.
04:17Aliás, essa foi uma informação que saiu na semana passada.
04:19Cuba, por exemplo, já não tem mais combustível para abastecer aeronaves.
04:23Então, você começa a ter companhias aéreas que já não voam mais para Cuba.
04:28Isso vai levar, portanto, a um estrangulamento da economia real.
04:31Aqui a gente não está mais falando sobre perspectivas,
04:34a gente não está falando sobre papéis, a gente não está falando sobre nada disso.
04:37A gente está falando sobre a vida cotidiana das pessoas.
04:40Então, o risco humanitário é real.
04:42Aliás, você mesmo falava agora há pouquinho que a Espanha já está se preparando,
04:45inclusive, para oferecer essa ajuda humanitária por meio da ONU.
04:49E esse é um caminho que vai ser absolutamente necessário para Cuba.
04:53Cuba precisa dessa ajuda porque não encontra alternativas no curto prazo.
04:58Inclusive, a gente teve uma notícia agora recente da Espanha se posicionando ali,
05:03se colocando à disposição, dizendo que vai fornecer essa ajuda, Tanguy.
05:07E o que você vê de espaço?
05:11O que se pode fazer, olhando para as autoridades de Cuba?
05:15Tem espaço para uma negociação entre Havana e Washington?
05:19Até onde vai essa pressão econômica dos Estados Unidos?
05:22A ideia é derrubar, é entrar, é capturar a liderança do regime?
05:29Olha, a gente tem uma dificuldade muito grande de ler o que faria o governo de Donald Trump.
05:34Porque o primeiro ponto que eu queria trazer, e eu acho que é fundamental para a gente conseguir ler esse
05:39cenário,
05:40é que Donald Trump não tem problemas em dialogar com quem está no campo oposto,
05:45do ponto de vista político.
05:47Então, apesar dele ser, naturalmente, um presidente da extrema-direita norte-americana,
05:52ele foi, por exemplo, o único presidente americano que pisou na Coreia do Norte.
05:56No seu primeiro mandato, ele esteve lá com Kim Jong-un.
05:59Imaginava-se que ele jamais dialogaria com o Lula, e está lá, os dois se encontraram,
06:03os dois se falam com uma certa regularidade, e nesse momento o governo dele tem, inclusive,
06:07uma interlocução bastante intensa com o governo da Deussi Gonçalves,
06:11que é a vice-presidente, era a vice-presidente do Maduro e agora é a presidente interina da Venezuela.
06:19Então, não é impossível imaginar que haja algum tipo de negociação com a liderança cubana.
06:25Porém, a gente tem um outro elemento que tem que ser levado em consideração,
06:28que é o fato de que Cuba é como se fosse a joia da coroa na América Latina.
06:34A gente está falando sobre o país mais importante, do ponto de vista ideológico, para os Estados Unidos.
06:39A Venezuela era muito importante, os Estados Unidos foram lá e capturaram o Nicolás Maduro,
06:43depois abriram negociações com quem lá permaneceu,
06:45mas a gente parece que a chance de derrubar o governo cubano, ela é poderosa demais,
06:51ela é atraente demais para Donald Trump.
06:54A gente está falando sobre um ano eleitoral, a gente vai ter eleições mais para o fim do ano,
06:58aquelas eleições de meio de mandato, e ter um trunfo como esse,
07:01no momento no qual a inflação dos Estados Unidos está escalando,
07:07Donald Trump poder dizer que derrubou um governo como o cubano é algo que traz um poder muito grande.
07:13Então não me parece que a ideia seja invadir Cuba,
07:16até porque isso levaria a uma nova rodada de críticas internacionais, seriam bastante fortes,
07:23mas a ideia de sufocar o governo, levar de repente as pessoas às ruas
07:27e eventualmente conduzir uma queda do governo, ela é muito atrativa.
07:33Então eu consigo imaginar o governo Donald Trump abrindo algum tipo de negociação,
07:37mas no caso cubano eu não imagino que ele o faria,
07:41eu acho que ele quer ir até o fim para tentar derrubar o governo cubano
07:44antes das eleições de meio de mandato.
07:46Seria uma vitória extremamente simbólica, né?
07:48Eu quero agradecer Tanguy Bagdadi, mestre e professor de Relações Internacionais,
07:54apresentador do podcast Petit Jornal, pela participação ao vivo com a gente nessa noite.
07:58Muito obrigada, volto sempre.
08:01Obrigado, tchau, tchau.
08:02Tchau, tchau.

Recomendado