00:01The black women, for example, when they walk on the street, there are still men who have
00:06the courage to talk about their arms, their big waist, their body, as if we were in a
00:12period of slavery. We are not, dear. We are in a democratic process. We will have to
00:18kill black women, trans, lesbian, occupying the vast majority of the people.
00:28Fecha as pernas. Shhh. Fala baixo. Se cala, trabalha e nem com o mesmo salário tu vai ser
00:38recompensada. Mulher preta, no fundo da minha casa tem um quarto de empregada.
00:44Ai mulata, de salto no samba assim você me mata. Parideiras do Brasil, amas de leite de
00:51uma nação, ventre forte, amargos frutos. Você tá querendo mais o que? Se no 8 de março
00:58tu até ganhou uma rosa. A gente até agradece, né? Enquanto em casa a dona rosa é espancada,
01:08silenciada, assassinada pelos mesmos caras que adoram falar que gosta muito de mulher. Suas rosas
01:16não nos valem, se ao mesmo tempo que demonstram conveniente afeto vazio validam tantas
01:22violências. A carne mais barata e a carne negra. Negra e pobre e feminina e feminista e
01:32Marielle e Cláudia e Luana e Maria Eduarda. Quantas tantas estupradas, mortas, feridas,
01:40marginalizadas. Pele preta que pinta por onde passar a mesma tinta roxa de tanta surra levar.
01:49Tenho marcas de dores que não vivi, mas que senti só por existir na mesma pele retinta. Bebo da garapa
02:00do
02:00engenho da dor e o medo paralisa. Só que também move. Seus desafetos não vão nos atingir. Você não vai
02:11nos
02:11sexualizar e depois nos preterir. E esse cabelo, que cê só gosta quando tá de trança, vai ficar armado
02:17sim. E não igual da mulher branca. Ai meu senhor, e se eu tiver que nascer de novo dez vezes?
02:25Pelo amor de
02:26Deus, que seja mulher e preta. Cês tão achando que eu sou feminista? Feminista foi minha bisa que desceu o
02:36pau no capataz racista.
03:06Música