Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 3 meses
"Fizemos tudo que poderíamos", diz médica que tentou socorrer menina em desabamento no ES

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Por quase 30 minutos, a médica intensivista do SAMU Ananda Sampaio Rampinelli, de 34 anos,
00:07juntamente da técnica em enfermagem Dandara Mariano e ainda o enfermeiro Fábio Litscon,
00:13se revezaram juntamente com as demais equipes do SAMU
00:16nas tentativas de resgate das vítimas do desabamento do prédio de três andares em Vila Velha,
00:21ocorrido na manhã desta quinta-feira, dia 21, após uma forte explosão.
00:26Quando a gente chegou, cerca de uns 20 minutos depois, a gente foi chamado para avaliar,
00:31porque logo em seguida eles conseguiram um contato visual com a mão,
00:35eles conseguiram acesso à mãozinha dela, então eles chamaram a gente para ver se era possível
00:40fazer alguma coisa ou intervir de alguma forma naquele momento.
00:44Foi a primeira vez que a gente subiu lá nos escombros.
00:47A gente via a mão dela pelo buraco, pelo buraco que tinha,
00:51então ela conseguia botar a mãozinha para fora, tirar, a gente conseguiu segurar a mão dela um tempo.
00:56E naquele momento a gente pegou o oxigênio e conseguiu,
01:03pelo buraco que tinha, a gente conseguiu passar o oxigênio lá para dentro um pouco.
01:07E foi aí que a gente pensou em pegar uma veia e funcionar para poder correr um soro,
01:12glicose ou qualquer medicação que fosse viável no decorrer da situação.
01:17Coube a Ananda, entretanto, ter acesso à adolescente Sabrina Morassucci, de 15 anos,
01:21que resistiu por horas em meio aos escombros.
01:24E foi justamente no que restou da edificação que a Ananda entrou por uma fenda de aproximadamente
01:2940 centímetros de diâmetro para medicar a jovem, além de fornecer oxigênio à garota.
01:35Entrou eu, a técnica que estava comigo, a Dandara e o enfermeiro Fábio, entramos nós três.
01:40A princípio eu entrei e vi que tinha condições de pegar um acesso, de funcionar.
01:46Em seguida os dois, que são enfermeiro e técnico, entraram também e conseguiram realizar ali uma punção na mão dela
01:53para a gente correr o soro.
01:55Logo que o soro começou a correr um pouco, os bombeiros tiveram acesso ao restinho do braço dela
02:01e logo em seguida perdeu esse acesso por conta de toda a situação e foi quando ela parou de responder
02:08a gente.
02:09Foi uma situação bem atípica até assim para a gente, a gente ficou bem comovido porque a gente conversava,
02:16a gente falava, a gente estava tendo acesso, conversando com ela e de repente a gente tinha o que fazer,
02:24tinha o material em mãos, tinha a sabedoria do que poderia ser feito se a gente tirasse ela dali, mas
02:31não conseguia.
02:33Então foi um sentimento de impotência que a gente tem quanto ser humano, quanto médico,
02:38de saber que a gente poderia fazer, mas só conseguir segurar e não conseguir agir e colocar o que a
02:45gente sabe em prática.
02:46Então não é só a medicina, eu falo que a gente tem que ter todo o sentimento,
02:50a gente acaba se comovendo com toda a situação, a gente incorpora mesmo,
02:55a gente entra ali com o desejo de resolver, de tirar, o que às vezes a gente até não se
03:03preocupa com a nossa segurança,
03:05a gente só quer poder fazer alguma coisa porque a gente está precisando da gente,
03:08sabendo que a gente tem o que fazer e sabe como ajudar.
03:11Obrigada.
Comentários

Recomendado