00:00Aconteceu que quando eu cheguei no hospital, aí ele saiu para fora, que eu olhei ela,
00:06aí ela já estava assim com a linguinha meio branca, aí pedindo água, água, comida,
00:12ela falava, vó, quero comer, vó, quero água.
00:14Aí a médica falou assim, vó, ela não tem que comer e tem que só tomar, só dar um pouquinho
00:20de água a ela.
00:21Eu falei, tá bom. Aí dê água, aí o pai dela saiu, ela ficou muito agitada,
00:27aí a médica falou, pede a ele para voltar, aí liguei para ele, para ele voltar,
00:32aí ele voltou, aí os médicos em cima, entendeu?
00:35Cada momento entrava o médico, olhava, era remédio, era aparelho,
00:40aí ela foi piorando, piorando, aí naquilo ela foi ficando assim muito cansadinha, cansada,
00:47aí eu falei, doutora, ela não está bem, né?
00:51Aí a médica falou, olha vó, eu vou falar para a senhora, ela não vai aguentar.
00:56Aí eu falei assim, aí fiquei quieta, né?
01:00Aí liguei para minhas filhas, avisei, falei, não conta para a mãe, para a mãe não ficar desesperada,
01:06depois a gente vai dar notícia.
01:08Só que aí o caso dela foi piorando, piorando, piorando,
01:12o veneno foi tomando os pulmões dela, já tinha tomado quase tudo.
01:17Aí quando foi lá para meia-noite, eles tubaram ela, fizeram o que pôde, entendeu?
01:22Para salvar a vida da Maria, mas só que quando chegou 1h50 da manhã,
01:27aí chegou a máquina para levá-la para a Vitória, disse que ligaram para a Vitória,
01:32aí disse que ligaram para a Colatina, não acharam vaga,
01:35aí ligaram aqui para Linhares, aí para Linhares que conseguiram uma vaga para ela.
01:41Aí só que nessa vaga, assim, ela estava tão ruimazinha que não aguentou.
01:47Aí eles iam para tirar o aparelho dela, aí quando tirava, aí ela deu 4 paradas cardíacas,
01:54aí nas 5, aí a médica falou assim, não vai dar para tirar ela.
02:02Aí naquilo eles reanimaram ela de novo, né?
02:05E para poder ela voltar, para estubar ela de novo, para botar na imbulância para nós ir para Linhares.
02:13Mas só que na último caso, que foram, tubou ela para nós sair correndo para lá,
02:18aí a gente não conseguiu, não chegamos a sair.
02:22Aí ali mesmo, quando deu 1h50 da manhã, aí ela deu a última parada, parou de vez.
02:31Fica assim, sabe, uma situação que a gente não deseja para ninguém, né?
02:38Para ninguém, fica assim, dá vontade de você pegar de cima da cama, sabe?
02:43Isso aí assim, correndo, tentar salvar, entendeu?
02:47A gente ali vendo aquelas coisas, aí me deu vontade, entendeu?
02:52De pegar a Maria e sair correndo, balançando para ela levantar.
02:56Mas aqui aí a médica falou, calma, e assim, eu fui uma pessoa forte, entendeu?
03:01Aí eu falei, tá bom, falei, ó, eu não tenho como dar notícia para a minha filha,
03:07vocês pegam, ligam e falam para ela.
03:10Aí ela falou, tá bom, aí ela ligou, aí o pai dela foi.
03:15Aí chegou lá, o pai dela também desesperou.
03:19Como é que eles estão agora, o pai, a mãe dela, sua filha?
03:22A minha filha tá assim, tá inconformada, não tá comendo,
03:28ela tem uma nenenzinha de dois meizinhos, o leite dela secou,
03:32não tá comendo, tá bebendo no ar, não tá nada.
03:35A vida dela é assim, chorando, entendeu?
03:37E querendo a filha dela de volta.
03:39Mas como que nós podemos dar a filha dela de volta?
03:43Não pode.
03:45Quando acontecer o fato disso aí, não deixa perder, não perde tempo, não.
03:49imediatamente, corre, procura medicina, porque se chegar com o tempo, tem jeito.
03:55Agora se chegar um pouco atrasado, não tem mais jeito.
03:58E aí
03:59E aí
04:00Legenda por Sônia Ruberti