- há 4 meses
No terceiro episódio da quarta temporada, o Papo Residência continua dando “Um zoom na geração Z”, tema do ano, e foca a saúde mental com “A geração que quer viver, não só sobreviver”.
Apresentação - Isabelle Braconnot e Júlio Barros
Apresentação - Isabelle Braconnot e Júlio Barros
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NotíciasTranscrição
00:19Você já parou para pensar que a vida precisa ter um sentido?
00:23É justamente isso que a gente discute no terceiro episódio do podcast Papo Residência.
00:29E o tema é muito importante.
00:31Saúde mental.
00:33Eu sou o Júlio Barros.
00:34E eu sou a Isabelle Braconô.
00:36E a gente vai trocar uma ideia sobre como a geração Z lida e enfrenta os desafios emocionais.
00:43Para isso, a gente trouxe três convidados dessa geração.
00:46É, mas como bônus, nós também trouxemos um millennial para poder discutir com a gente.
00:52Vamos nessa?
00:53Agora, nas principais plataformas e no site A Gazeta.
00:59Um mundo acelerado.
01:02Tudo gira e nunca para.
01:06O tempo está passando e eu estou ficando para trás.
01:09Será que eu vou conseguir um emprego?
01:12Ah, não vou conseguir me encaixar com essas pessoas nunca.
01:18O que adianta eu trabalhar todo dia e se o mundo acabar em alguns anos?
01:24E se eu não tivesse tirado aquela foto?
01:28Por que ninguém me entende?
01:30Eu não aguento mais pensar no e se.
01:32Não consigo sair do lugar e, sinceramente, tenho medo do futuro.
01:37Ansiedade é medo do futuro.
01:40E depressão é arrependimento ou culpa por algo que aconteceu no passado.
01:45Lamento de perdas.
01:47O mais comum é a depressão, que é chamada gripe da saúde mental, né?
01:52Dada a prevalência da depressão.
01:54De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a OMS, o Brasil é líder mundial na incidência
02:01dos transtornos de ansiedade.
02:03A faixa etária mais afetada é a dos jovens.
02:06Uma em cada três pessoas de 18 a 24 anos sofre desses transtornos.
02:12Os motivos podem ser muitos.
02:14Vamos discutir sobre eles neste episódio.
02:17E esses dados, eles nos trazem uma pergunta.
02:20Como a geração Z lida com sua própria saúde mental?
02:23O que motiva a geração Z a querer viver e não só sobreviver?
02:28Em minha mente, ela é cheia de coisas.
02:31Mas existe um momento na vida que não passa nada pela minha cabeça.
02:38Que é quando eu estou dançando.
02:39O fato de eu escutar uma valsa já muda, por exemplo, a forma como meu corpo se comporta.
02:47No momento em que eu escuto uma valsa, por exemplo, na maioria das vezes minha cabeça está baixa.
02:52Já é automático as minhas pernas se juntarem, a minha coluna se eleva, o meu peito se estufa e a
02:59minha cabeça vai pra frente.
03:00Já é automático.
03:01A partir do momento que eu escuto uma valsa.
03:03É uma postura totalmente diferente.
03:05O meu corpo se comporta de uma maneira diferente, né?
03:08Então aquilo passa na minha cabeça e é o único momento que eu consigo, tipo...
03:12Tá, agora que se dane qualquer coisa existente.
03:16Vamos focar aqui, na dança.
03:18Só que quando chegou a vez da orquestra tocar, foi em silêncio absoluto.
03:22Todo mundo olhando pra nossa música.
03:24E eu fico muito mais feliz ainda em saber que eu estou fazendo isso na minha vida inteira.
03:28Que minha vida é isso.
03:29E ali, no preservar, eu encaro como se fosse a minha família.
03:34Porque os meus companheiros, eles fazem parte da minha vida de uma forma muito, muito forte, muito firme.
03:42Quando eu estou dançando, montando uma coreografia, escutando uma música, ou compondo uma, ou escrevendo um livro,
03:48eu consigo dissociar completamente a realidade.
03:51Não penso nem nos problemas, nem no que está acontecendo de bom nesse mundo.
03:55Eu esqueço esse mundo por um tempo e faço uma imersão ali em um outro paraíso, né?
04:01Dentro dessa zona de guerra que a gente vive, que é a vida real.
04:12E eu sou Isabelle Braconô. Tenho 23 anos.
04:15Acompanhe a gente nessa conversa sobre saúde mental e como os jovens da geração Z lidam com esses conflitos internos.
04:25Papo Residência, quarta temporada.
04:28O podcast do curso de residência em jornalismo da Rede Gazeta dá um zoom na geração Z.
04:34Fique aqui com a gente.
04:37Falar sobre saúde mental não é fácil.
04:40E a gente pode acabar caindo em algumas armadilhas sem querer.
04:44Podemos banalizar os transtornos mentais ou até mesmo causar um pânico generalizado.
04:50Ainda mais porque estamos falando de saúde mental, sobre a geração Z e para a geração Z.
04:57É verdade, Júlio.
04:58E eu, como jovem da geração Z, não gosto de ter que ler e ouvir sobre o quanto a minha
05:03geração sofre com saúde mental.
05:06Tá, isso é um fato.
05:07Mas também somos uma geração que não tem medo de expressar a sua individualidade ou de procurar ajuda psicológica.
05:14Isso não vale de nada?
05:16Ah, calma aí, geração Z.
05:19Nem tudo é 880.
05:21Como um milênio, eu acho importante a gente falar primeiro para o nosso público o que são os transtornos mentais
05:27e o que a gente quer dizer quando falamos de ansiedade e depressão.
05:32É verdade, né?
05:33Então, vamos lá. Quando a gente fala de ansiedade ou sintomas associados à ansiedade, como palpitação, agitação, tremores...
05:42Esses sintomas, até certa medida, são considerados normais.
05:47Inclusive, a tristeza.
05:49Esses sentimentos fazem parte da vida e podem se tornar o que chamamos de transtornos menores.
05:55O problema é quando os sintomas se acumulam e persistem por muito tempo e você se prende em um círculo
06:02vicioso.
06:04Ansiedade todo mundo tem e momentos de tristeza e até tristeza profunda todos nós temos.
06:10Quando morre alguém ou quando você quer muito que aconteça algo, você fica naquela expectativa, aquela ansiedade.
06:17Às vezes é até negativa, né?
06:19Tem ansiedade positiva que é a espera de algo que você quer muito.
06:22E ansiedade negativa é que você sabe que vai chegar algo que você não quer, né?
06:26Ou que pode chegar algo que você não quer.
06:29Então, isso faz parte da nossa vida.
06:30Quando vira transtorno, né?
06:33Quando tem um quadro de complexidade, não é só um sintoma.
06:40E aí a gente cai nos famosos transtornos propriamente ditos.
06:45A gente tem um dado de até 35% da população brasileira tem transtornos mentais menores.
06:51O que é isso?
06:52Irritabilidade, insônia, dificuldade de relacionamento, dores de cabeça, enxaqueca por tensão emocional.
07:00Isso faz parte dos transtornos mentais menores que não se enquadram num quadro diagnóstico de transtorno da ansiedade, por exemplo,
07:08e transtornos do humor.
07:10E aí quando se encaixa o complexo de sintomas, a gente dá esse diagnóstico.
07:15Esse que você acabou de ouvir é o professor de psicologia da UFIS, Eliseu Borlotti.
07:21Você deve ter reparado que a voz dele também apareceu no início desse episódio.
07:26Ele nos ajudou a entender a diferença entre transtornos mentais menores e os transtornos mentais mais sérios,
07:33que só podem ser diagnosticados com a ajuda de um profissional.
07:37Outra questão importante é pensar no porquê a geração Z sofre mais com saúde mental.
07:44Nos últimos anos, tivemos uma mudança muito acelerada na forma de se viver e se comunicar.
07:50Hoje em dia, estranho mesmo é não ter um telefone em mãos.
07:54E aí, o que acontece é que essa ansiedade, que até certo ponto é normal,
08:00acaba virando algo mais sério por essas pressões externas.
08:04A gente sente a todo momento uma necessidade de se encaixar, de estar sempre à frente.
08:10Nos tornamos muito imediatistas e temos dificuldade de lidar com frustrações.
08:16De acordo com o professor Eliseu, os transtornos podem aparecer quando há um desequilíbrio entre três fatores diferentes.
08:23A genética, o ambiente e as habilidades de enfrentamento de problemas.
08:29Pensa comigo.
08:30Uma semente pode florescer e se tornar uma grande árvore.
08:34Isso é determinado pela sua genética.
08:38Mas e se ela for plantada dentro de um vulcão?
08:42O ambiente não vai ser favorável para ela crescer ali.
08:47Nesse caso, podemos chamar essas situações desfavoráveis de estressores de ambiente.
08:53Não é, professor?
08:55O pé dos estressores do ambiente, muitas vezes, é o acaso.
09:00Está além do nosso controle.
09:02É, por exemplo, a instabilidade econômica vivida pelos jovens dessa geração que a gente está discutindo.
09:08É a insegurança quanto ao futuro.
09:11É uma incerteza de se vai dar conta de todas as pressões sociais que são feitas.
09:18Uma pressão também de satisfazer um estereótipo, um padrão advindo de redes sociais, de felicidade ou de bem-estar.
09:27Tudo isso são fatores estressantes.
09:29A gente não tem controle sobre catástrofes ambientais, sobre enchentes.
09:36O quanto a gente vai ganhar num emprego futuro.
09:39Tudo isso são fatores estressantes.
09:41O terceiro ponto desse tripé é o que vem com o tempo de terapia e autoconhecimento.
09:47As habilidades de enfrentamento e as habilidades emocionais.
09:51Essas habilidades são a forma como você pensa sobre os problemas e a sua capacidade de lidar com situações traumáticas.
10:00A terapia trabalha basicamente com essas habilidades.
10:04Quais são elas?
10:05Habilidades assertivas de dizer o que você sente, de exigir seus direitos.
10:09Habilidade de resolver problemas.
10:11Qual é o problema?
10:13O que caracteriza esse problema?
10:15Como eu vou estar enfrentando isso?
10:17Qual tipo de apoio que eu preciso?
10:18Tudo isso faz parte da técnica de solução de problema.
10:22Outras habilidades são habilidades mais emocionais.
10:25Por exemplo, de lidar com memórias difíceis.
10:29Reprocessar a memória traumática.
10:31Ter contato com os eventos que fizeram muito mal para a pessoa ao longo da história dela.
10:37Isso faz com que ela adquira habilidade de enfrentamento.
10:40Habilidades cognitivas, habilidades emocionais.
10:44E ações também.
10:46Habilidades de ação.
10:47O que ela pode fazer.
10:49E se ela não consegue fazer terapia, ela ajuda a pessoa a adquirir essas habilidades.
10:57Você vai perceber que durante esse episódio, vamos enfatizar um cuidado importante.
11:03A terapia é fundamental para decifrar o seu mundo interno e aprender a lidar com o mundo externo.
11:11E para contemplar a diversidade da geração Z, trouxemos três pessoas com perfis diferentes para contar sobre as suas válvulas
11:20de escape.
11:21São aquelas três vozes que você ouviu lá no início do episódio.
11:25Vem com a gente entrar nessas histórias.
11:32Olha, desde criança eu sempre me vi e me considerei como artista.
11:37Eu lembro que eu era muito novinha, eu já gostava de ver as performances.
11:42Ali das grandes divas, aprendi sozinha as coreografias, imitar tudo.
11:47E era incrível.
11:49Com os dois, quatro anos, eu comecei a fazer uns rabiscos, desenhar.
11:54E eu só desenhei status de data, design de moda também.
11:59Eu desenhava mulheres.
12:02E hoje em dia, olhando essas mulheres que eu desenhava, porque eu fui amadurecendo os desenhos, não parei de desenhar
12:09ainda.
12:09Eu vi que eu estava fazendo um autorretrato meu, de quem eu queria ser e quem eu me tornei hoje.
12:14E eu adorava desenhar, né?
12:16Foi um dos meios que eu encontrei ali de me revelar ao mundo.
12:22Fui me descobrindo como mulher, principalmente através das artes.
12:26Da forma como eu escrevia música.
12:28Da forma como eu desenhava.
12:30Quando eu me via ali naqueles desenhos.
12:32E foi uma jornada de descoberta muito grande.
12:35Que eu aproveitei muito.
12:37Me amei em todas as fases, em todas as épocas.
12:40E ao longo do tempo, eu fui me descobrindo até que me dei conta de que...
12:44Gente, realmente, garota.
12:46Você é mulher.
12:48Glória a woman.
12:49Essa é a Daphne Zanelato.
12:51Uma mulher de 27 anos.
12:53Ela faz parte da comunidade LGBTQIA+.
12:57E é uma mulher trans.
13:00A arte sempre esteve presente na vida da Daphne.
13:03E foi a ferramenta que ela usou para se descobrir.
13:07A realidade no país para pessoas transexuais e travestis não é nada leve.
13:14O Brasil é o país que mais mata essas pessoas.
13:18Uma triste liderança que se mantém pelo 15º ano consecutivo.
13:23Por isso, o processo da terapia, que ela faz desde os 12 anos de idade, foi fundamental para a Daphne
13:31aprender a lidar com as dificuldades da vida e a se amar.
13:35Hoje, ela está reescrevendo essa história.
13:38É Miss Espírito Santo Trans.
13:49Quando eu estou dançando, montando uma coreografia, escutando uma música ou compondo uma, ou escrevendo um livro, eu consigo dissociar
13:58completamente a realidade.
14:00Não penso nem nos problemas, nem no que está acontecendo de bom nesse mundo.
14:04Eu esqueço esse mundo por um tempo e faço uma imersão ali em um outro paraíso, dentro dessa zona de
14:12guerra que a gente vive, que é a vida real.
14:14E a arte me ajudou muito nisso como uma forma de terapia.
14:18E eu faço também, faço terapia desde os 12 anos.
14:22Sempre achei muito necessário a gente cuidar, não só do corpo, mas também da mente, do espírito.
14:29Porque eu acredito que a gente não precisa fazer terapia porque a gente está com algum problema, ou chegou num
14:37pico de um problema muito grande.
14:38Acredito que a terapia, assim como a academia e o esporte, a terapia, ela treina a sua mente.
14:46O esporte e a academia, ele treinam o seu corpo.
14:50E é uma união, né?
14:57Diretamente do interior do Espírito Santo, Alejandro Reinaldo Rodrigues, de 19 anos, vive da música e para a música.
15:06Violinista, ele participa de orquestras e já fez apresentações na Europa.
15:11Habilidade que vem de berço, Alejandro começou a aprender o violino com 9 anos de idade, no Instituto Preservarte.
15:19Ou seja, hoje em dia, ele tem mais tempo de vida com o instrumento do que sem.
15:25E, inclusive, essa música que você está ouvindo aí no fundo, é o próprio Alejandro que está tocando.
15:35E eu estava me perguntando se eu estava tocando bem, só que aí eu tentei voltar para uma minha memória
15:43sobre quando eu tinha dificuldade.
15:46E, para mim, tem tanto tempo que eu estou tocando violino que é até estranho imaginar alguma dificuldade básica inicial,
15:52como a postura, saber se eu era na minha vida certo.
16:02A paixão é tanta que, às vezes, ele até se perde quando começa a falar sobre o assunto.
16:07O talento e dedicação de Alejandro já o levaram para outros lugares no Brasil e até para o outro lado
16:15do mundo,
16:16para tocar em lugares fascinantes, nas mesmas terras de lendas da música clássica.
16:23Eu não consigo ter palavra para falar, porque isso é coisa que eu ouvi na televisão, quando eu era mais
16:30novo.
16:31Eu não imagino o que aconteceu comigo.
16:33Eu tinha 18 anos quando eu fui, no ano passado, com eles.
16:36E onde que tocar violino, com 18 anos, eu ia imaginar que ia poder me levar para outro país,
16:43para conhecer outra cultura, conhecer os lugares que eu via nos livros de história.
16:48Então, realmente, uma experiência tão grande, tão grande, que até hoje eu não processei direito.
16:55Inclusive, a minha filha não está caindo, que eu vou para a Itália essa semana de novo.
16:59Podemos até imaginar que a música é uma das formas que o Alejandro lida com as situações da vida.
17:05É aquilo que dá a ele vontade de viver e de continuar melhorando sempre.
17:10Sinceramente, eu acho que essa é a minha maior paixão.
17:14Porque, como eu falei, eu estou nisso desde quando eu era muito novo.
17:17Então, eu cresci vendo tudo isso que ia acontecer.
17:20A minha família é uma família simples que não costuma sair.
17:24A gente mantém sempre o mesmo padrão de sempre.
17:27Então, passeios são raríssimos, raríssimos, raríssimos.
17:30E eu sempre quis sair mais quando eu era mais novo.
17:33E a minha família, como eu tenho esse costume, não fazia isso.
17:35Então, a primeira vez, uma das primeiras vezes que eu saí da minha cidade, foi com essa orquestra.
17:41E eu fico mais feliz ainda por saber que é algo que eu sou apaixonado por fazer.
17:46Eu toco o que eu sou apaixonado e sou apaixonado em ver as pessoas vendo o que eu toco.
17:54O Rafael Krolin tem 19 anos de idade.
17:57É estudante de Economia da UFIS e veio de Marechal Floriano,
18:01cidade que fica na região das Montanhas do Estado do Espírito Santo.
18:06Ele foi diagnosticado no final da adolescência com altas habilidades.
18:11Esse diagnóstico só veio porque ele procurou ajuda de profissionais.
18:16Antes, o Rafael tinha problemas com relacionamentos de amizade e também com sua autoimagem.
18:22A terapia foi a maneira dele se descobrir e se entender.
18:26Eu estava com alguns problemas de excesso de raiva.
18:31E por causa disso, eu fui para o psicólogo.
18:34Então, esse diagnóstico de um QI elevado foi muito importante para mim entender coisas que aconteceram ao longo da minha
18:41vida.
18:42Para mim, tentar entender melhor como é que eu compreendo as coisas.
18:48A forma como eu vejo o mundo não é como as pessoas veem ou como as pessoas compreendem.
18:53Isso me ajudou a desenvolver muito o meu processo para reduzir a minha ansiedade.
19:01Sim, foi uma coisa muito importante.
19:03Além da terapia, Rafael encontrou acolhimento em uma atividade muito interessante.
19:08As danças germânicas ajudam o jovem a lidar com os conflitos internos.
19:12Ele cresceu imerso nessa cultura, ouvindo sua avó falar alemão e contar histórias de familiares passados.
19:20O processo de desvendar a sua árvore genealógica foi feito por ele mesmo,
19:26juntando vários documentos antigos até conseguir rastrear de onde veio.
19:31O Rafael não conseguia desviar seus pensamentos dessa pesquisa.
19:36E depois de três meses e longas madrugadas, ele chegou ao seu antepassado mais antigo pelos documentos,
19:43diretamente do ano de 1680.
19:46Nesse processo de se descobrir, a dança teve um papel muito importante.
19:51Todas essas danças são escritas originalmente em alemão e traduzidas por grupos específicos aqui no Brasil.
19:59Elas carregam traços históricos de cada povo que participou da construção da coreografia.
20:05Seja dançando em pares ou desafiando outros dançarinos,
20:09Rafael reconhece que o grupo folclórico ajudou nessa reconexão consigo mesmo
20:14e a enxergar a realidade com mais leveza.
20:17Real automático. A partir do momento que eu escuto uma valsa.
20:20É uma postura totalmente diferente. O meu corpo se comporta de uma maneira diferente, né?
20:24Então aquilo passa na minha cabeça e é o único momento que eu consigo, tipo,
20:29Tá, agora que se dane qualquer coisa existente. Vamos focar aqui, na dança.
20:35E aquilo passa pelos meus ouvidos, pela minha orelha e pelo meu corpo de uma maneira tão intensa,
20:40de uma maneira tão inocente, de uma maneira tão simples, mas recreativa,
20:47que é um dos poucos momentos que eu consigo parar de pensar, assim, sabe?
20:52O meu único pensamento é a dança e o que eu vou fazer com o meu corpo.
20:55Mas, nada, o meu corpo começa a agir de forma diferente, né?
21:10E, Júlio, é impossível a gente discutir sobre uma geração sem pensar nas outras.
21:16Tanto nas passadas, quanto nas futuras.
21:19Quem veio antes e quem tá vindo depois.
21:21Porque, além de os jovens estarem se descobrindo nesse novo mundo,
21:26as gerações passadas também estão tentando entender essas mudanças.
21:30Além disso, estamos vendo que não tem como conversar sobre saúde mental
21:35sem falar da aceleração que a tecnologia trouxe para as nossas vidas
21:39e como cada geração se adapta nesse terreno digital.
21:43Olha, eu, como Gen Z, ganhei meu primeiro telefone com 12 anos de idade.
21:48Mas ele já tinha acesso à internet, aplicativos, joguinhos,
21:53eu podia apertar na tela que tudo funcionava.
21:56Ah, e o Millennium aqui comprou seu primeiro telefone aos 18 anos de idade.
22:02Mas eu tenho certeza que ele não era nada parecido com o seu, tá?
22:05Ele era grande, pesado e custava quase três vezes o valor do salário mínimo da época.
22:10Só servia mesmo para ligações.
22:12E elas precisavam ser curtas e rápidas, porque a tarifa era muito cara.
22:18Lembro bem que na minha adolescência, vamos colocar ali no início dos anos 2000,
22:24os telefones que eram de acesso público, eles não tinham internet.
22:32Essas redes móveis, elas vieram mais para o final dos anos 2000,
22:38para próximo de 2010.
22:42O que se tinha no início dos anos 2000, eram celulares com aqueles joguinhos da cobrinha.
22:49Não sei se você já chegou a brincar com aquilo.
22:52É divertido, é um joguinho leve do ponto de vista de memória.
22:56E era uma febre.
22:59Quem tinha um celular daquele ali, estava na moda, estava super bem.
23:04A gente trouxe outro Millennium para a conversa.
23:07O Luiz Fernando Salgado, de 36 anos de idade.
23:11Ele trabalha atualmente com gestão pública,
23:14mas tem investido tempo e energia em um hub de conexões
23:18entre responsáveis legais de crianças e adolescentes,
23:21com especialistas como psicólogos, pedagogos e médicos.
23:25Eles trazem artigos e informações cientificamente validadas,
23:29mas com uma linguagem bem mais simples e fácil de entender.
23:33Esse hub é Infantia Online e eles têm um objetivo muito claro.
23:38Você deixaria o seu filho andar sozinho pela rua, uma rua movimentada?
23:45A grande maioria vai pensar, antes de responder isso, e tende a falar que não.
23:52Então, por que que na internet a gente não se preocupa com o que o filho está consumindo?
23:59E veja, preocupar não é invadir privacidade.
24:04A criança, o adolescente, ele tem o seu eu em desenvolvimento.
24:08A gente sempre aponta para o diálogo.
24:11A Infantia, ela sempre vai trazer o contexto de responsabilidade digital
24:18versus o abandono digital.
24:23A gente vai estar sempre neste limiar.
24:26Nós apontamos para o rumo da responsabilidade digital
24:32com o respeito à privacidade.
24:35Não estamos falando de negligência nem de autoritarismo.
24:39É de responsabilidade.
24:41É de os pais assumirem os papéis de pais.
24:44A reflexão sobre como a gente se relaciona com as redes sociais,
24:49como a gente se informa e repassa informação,
24:52deve ser feita constantemente.
24:55O mundo digital ainda é, de certa maneira, novidade.
24:59E a maioria das pessoas não entende, de fato,
25:02como ela funciona por trás para poder tomar decisões
25:05sobre o que consumir e como consumir.
25:08Por isso, todas as gerações devem analisar
25:12qual o impacto do uso dessas redes em sua saúde mental.
25:16Somente assim, nós vamos poder buscar alcançar o consumo consciente
25:21e repassar esse conhecimento para as gerações futuras.
25:25Minha ideia do dia é o parceiro de cada final
25:32E minha região é a luz na escuridão
25:37Pode crer, pode crer.
25:38No final, o sofrimento mental surge quando tem um conflito entre
25:43o que eu quero fazer, o que eu preciso fazer e o que eu posso fazer.
25:48Para cuidar da saúde mental, é preciso encontrar o equilíbrio entre esses três poderes.
25:54O psicólogo Eliseu falou um pouquinho sobre as etapas para encontrar esse equilíbrio.
25:59E o primeiro aspecto da terapia é
26:03Eu posso mudar o mundo?
26:06Às vezes eu não posso mudar o mundo de imediato.
26:08O que eu posso fazer de imediato é mudar os efeitos do mundo em mim.
26:12Eu posso, por exemplo, aprender a relaxar.
26:15Eu posso me desligar do trabalho no final de semana, na minha folga.
26:19Eu não gosto muito do trabalho.
26:21Vamos pegar esse exemplo.
26:22É um trabalho que eu não gostaria de estar fazendo.
26:25No final de semana, pronto, acabou.
26:27Eu vou relaxar, eu vou repor as energias, vou fazer minha yoga, vou dançar, vou na praia,
26:33vou namorar, vou pescar, vou fazer qualquer coisa
26:37para poder dar conta dos efeitos dos estressores em mim.
26:41A outra parte é pensar.
26:44Eu posso mudar os estressores?
26:47Se a resposta for sim, eu vou para as habilidades de enfrentamento.
26:51Enfrentamento direto do estressor.
26:54Por exemplo, eu estou numa relação tóxica.
26:56O que eu posso fazer para alterar o comportamento dessa outra pessoa ou sair dessa relação?
27:04Entende?
27:04A outra parte é construir um mundo.
27:07Se eu não posso mudar, eu vou construir um outro mundo.
27:10O que você entende por construir um outro mundo?
27:13Fazer o seu mundo particular favorável a você.
27:19Outro segredo para uma boa saúde mental é entender aonde você quer chegar.
27:25Quando você entende aonde quer chegar, consegue saber o que fazer e qual direção tomar.
27:31A ansiedade é só viver no futuro.
27:35E a depressão é só viver no passado.
27:38Então, o segredo da saúde mental é estar no presente, sempre.
27:44Isso não quer dizer que a gente vai ser louco e não planejar o futuro.
27:49Ou é não recordar o passado.
27:53O passado está lá.
27:54A gente tem que ir lá, um pé no passado, um pé no presente, sempre.
27:58Ah, planeja o futuro, volta para o presente.
28:01O segredo da saúde mental é essa habilidade, que a gente chama de flexibilidade psicológica.
28:07Porque quando eu sei o valor, a direção que eu estou indo, eu planejo as minhas ações de acordo com
28:12isso.
28:13Então, a vida começa a fazer sentido.
28:15Ou seja, o caminho, você pode não saber o que está lá na frente.
28:19Mas você está curtindo o passeio, né?
28:23O segredo da saúde mental é muito isso, é se desgrudar lá do final e curtir o caminho.
28:31Se eu percebo que eu estou performando ao longo do processo, eu não tenho tanto medo do futuro.
28:40Porque eu percebo o processo de alcance do futuro.
28:49O que faz a geração Z querer viver e não apenas sobreviver?
28:53Eu acho que cada um tem que encontrar a sua própria resposta para essa questão.
28:58Só não podemos perder de vista o mundo que queremos construir, o sentido que queremos seguir.
29:04E a Daphne nos lembra muito bem disso.
29:07É tão linda a diversidade de corpos, é tão linda a diversidade de cores de pele, de cabelos.
29:14Infelizmente, a gente foi ensinada a se odiar desde muito jovem.
29:19Está na hora da gente passar mais tempo se amando.
29:21Porque a gente tem muito pouco tempo para viver nesse mundo.
29:25É um assunto até que me emociona.
29:28A gente, às vezes, passa muito tempo odiando o nosso corpo, odiando a nossa pele, odiando o nosso cabelo.
29:34E a gente precisa se amar mais.
29:37Valorizar o tempo de vida que a gente tem com as pessoas que a gente ama.
29:42Parar de julgar tonto, de criticar tonto.
29:45E, literalmente, aproveitar o pequeno espaço de tempo que temos para amar mais.
29:51Para aprender mais.
29:53E para as pessoas transexuais, eu tenho uma mensagem ainda mais importante que é...
30:01Aguenta firme.
30:02Eu aguentei firme.
30:05E cheguei até onde eu cheguei, mas não cheguei de forma fácil.
30:08Lutei bastante.
30:10E lutem também.
30:11Aguentem.
30:12Vocês vão chegar lá.
30:13Vocês vão conseguir.
30:14Vocês vão ser.
30:15Vocês já são fantásticas.
30:17É só uma jornada.
30:19Então, a mensagem que eu tenho é...
30:21Não desistam.
30:22Sigam em frente.
30:23Vamos ocupar nossos espaços.
30:25Vamos ajudar a mudar o mundo.
30:31Agradecemos ao Eliseu, ao Rafael, à Daphne, ao Alejandro e ao Luiz Fernando pelas suas participações.
30:38Caso você queira conhecer cada um dos nossos personagens, acesse o site.
30:46E se você sentir necessidade de ajuda psicológica, ligue para o Centro de Valorização da Vida.
30:53Telefone 188.
30:56A produção, roteirização e a apresentação desse episódio foram feitas pelo Júlio Barros e por mim, Isabelle Braconot.
31:05Esse episódio teve a supervisão e produção e apoio dos jornalistas Andréa Pegoretti e Eduardo Faquete, com sonoplastia de Augusto
31:14Ferreira.
31:15Mas fique ligado, porque o próximo episódio é sobre fé e devoção.
31:20Tchau, pessoal!
31:21Papo Residência é o podcast do curso de residência em jornalismo da Rede Gazeta.
31:27Tema da temporada, um zoom na geração Z.
31:31Patrocínio, Eco 101, Suzano, Vale e Witspair.