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  • há 4 meses
Carlos Aguiar, ex-presidente da Aracruz Celulose e da Fibria. O executivo teve papel relevante na economia, no desenvolvimento da indústria e na política capixaba em um dos momentos mais difíceis da história do Espírito Santo

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00:05Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição de Papo de Valor Videocast aqui da minha coluna e a última
00:12edição dessa temporada 2025. Foi a 2024, né gente? Peraí, 2025 vai começar ainda. É a temporada de
00:21lançamento do Videocast e a gente já está chegando ao final e com uma grande figura que há muito tempo
00:28eu queria entrevistar, uma figura que marcou época na indústria do Espírito Santo e que é referência
00:36na indústria de celulose do Brasil e do mundo. Eu estou aqui com o Carlos Aguiar, que está acabando
00:42de lançar um livro, aqui o livro, aliás, ótimo título, Minha História no Papel, Carlos Aguiar.
00:50Carlos Aguiar foi CEO da Aracruz Celulose, fez a transição da Aracruz para a Fibria, foi CEO da Fibria e
01:02está aqui
01:02conosco hoje para contar um pouco da sua história. Carlos Aguiar, enorme prazer tê-lo aqui com a gente, hein?
01:08Prazer é meu, é uma honra grande estar com um jornalista tão jovem, mas filho de papai, que é um
01:18homem que eu
01:19respeito muito, ave do cheque, e é um prazer muito grande estar aqui no seu programa Papo de Valor.
01:27Carlos, muito obrigado. E a primeira pergunta que eu te faço é a seguinte, eu li o teu livro, muito
01:32bom por
01:33sinal, aliás, não é um livro só de economia, nem é um livro só da indústria de celulose, não. É
01:37um livro para você
01:38entender como é que faz para, vamos dizer assim, se dar bem na vida, né? Algumas, algumas, tirar algumas
01:45pedras do caminho, vamos colocar assim. Por que que esse homem, nascido no interior do Ceará, lá em
01:521945, gostou tanto aqui do Espírito Santo? Bom, eu acho que eu experimentei o sul, o sul maravilha,
02:01pra nós cearense era uma loucura querer vir pro sul. Depois eu pus na cabeça que São Paulo era o
02:09melhor
02:09lugar pra gente aprender uma profissão, pra você se comparar com os melhores do país, e é verdade isso.
02:18Mas, eu quis o destino que o projeto que eu imaginei, que eu sonhei, indo lá pra São Paulo desse
02:24errado,
02:25e eu acabei tendo duas opções, o três era Estados Unidos, Austrália, Maranhão e Aracruz. Acabei vindo
02:36para Aracruz porque eu não quis perder o meu capital tecnológico que eu já tinha conseguido ao longo dos
02:42primeiros anos de carreira. Chegando aqui, eu me deparei com o Coqueral, eu tinha filhos pequenos,
02:49e via que ali era o lugar ideal pra criar filhos pequenos, num bairro super bem projetado pela
02:58Aracruz Celulose, e trabalhar na empresa que era uma empresa já a maior faculdade de celulose do mundo
03:04naquela época. Era um orgulho pra qualquer um que era do setor. Então, chegando aqui,
03:09fui muito bem recebido pelos capixavas. Inicialmente, era difícil vir à Vitória por causa das condições
03:18de mobilidade, não tinha ponte, a gente atravessava de balsa.
03:22Ali o rio Piraquiaçu, né?
03:24É, o rio Piraquiaçu.
03:25Isso é início dos anos 80, tá, pessoal?
03:26E depois disso, quando as coisas melhoraram, eu comecei a me entrosar mais aqui na capital,
03:34que é o centro nervoso do estado, e fui sendo absorvido e bem recebido por todos, e acabei
03:41me apaixonando. Me aposentei, aqui fiquei, continuo no Coqueral, continuo vindo à Vitória
03:48uma vez por semana. E acho que estou no lugar de um clima bom, um céu despoluído lá onde
03:56eu moro, gente amiga, gente trabalhadora. Eu adoro o pessoal que trabalhava na Aracruz
04:06e no entorno dela, gente muito trabalhadora, inteligente. Então, estou no melhor lugar
04:13que eu poderia estar depois de 40, 50 anos de trabalho.
04:18E eu queria que você contasse para a gente o seguinte, como é que foi a sua formação?
04:23No livro, o senhor coloca ali, dá detalhe de escassez de tudo, não tinha água encanada
04:33em algumas situações. A luz não tinha, televisão não tinha, muito menos internet, é claro.
04:38Como é que foi? Como é que foi essa formação do senhor? Como é que o garotinho lá de Camocim
04:44chegou tão longe?
04:46Lá a gente diz que um camocinense, para dar certo, a chance é um em um milhão, né?
04:53Então eu já fico preocupado porque eu estraguei já 999 mil lá, a chance deles.
05:00Mas é o seguinte, realmente eu vivi numa época de muita escassez, que eu fui criado
05:05pelos meus avós, que eram maquinista, maquinista de trem naquela época não ganhava como
05:11maquinista de hoje da Vale. Morava numa casa que não era de taipa, era uma casa de tijolo,
05:18construída a quatro mãos por ele, minha avó e mais um pedreiro.
05:22O banheiro era fora?
05:22O banheiro era fora de casa, tinha um sapo dentro do banheiro para matar os insetos e tal.
05:29Mas eu tinha medo de tomar banho lá, junto com aquele bicho lá.
05:34A água vinha de cacimba, você tinha que puxar com corda.
05:41Então era difícil.
05:42Mas eu não notava que tinha essa dificuldade, porque era a vida que a gente tinha.
05:48Mas assim, em casa eu sempre ouvia que você vai ser um homem bom.
05:54A minha avó dizia que eu vou ser presidente de alguma coisa.
05:58Ela dizia que você precisa estudar para ser alguma coisa na vida, para viver melhor do que nós.
06:04Ela me fez estudar código Mosse, para ser um telegrafista.
06:11Datilografia, para ser depois um auxiliar administrativo.
06:15Ela dizia que precisava tocar piano, porque minha mãe tocava piano no cinema mudo.
06:21Ela ficava atrás da tela do cinema, tocando piano.
06:25E eu tinha que também aprender essa profissão de pianista de cinema, de cinema mudo.
06:31Enfim, eu tinha pais ou avós que me deram valores, direção.
06:39Eles eram católicos, religiosos.
06:42A Bíblia era um livro sagrado lá em casa.
06:46E, ao mesmo tempo, eu tive tios que estudaram.
06:50Um fez medicina, o outro fez filosofia.
06:53E eu herdava, porque eles não tinham onde jogar os livros fora.
06:57Você herdava o livro dele?
06:59Na casa do meu avô, eu herdei aqueles livros.
07:01Eu li vários livros de filosofia, de medicina.
07:05Então, fui aprendendo.
07:08Aprendi a ler Os Trabalhadores do Mar em francês.
07:12Então, eu era muito curioso e tive algumas oportunidades de aprender as custas dos meus filhos lá.
07:21Então, interessante que o senhor foi embora.
07:24Porque, assim, nascer no interior do Nordeste, o sujeito nunca acha o pensamento comum de que ele não teve essa
07:32base toda.
07:33Mas, muito pelo contrário.
07:34O senhor teve, embora ele não vivesse numa situação de esbanjar, o senhor teve uma base muito forte, né?
07:41Tive uma base boa.
07:43Eu fiz o meu primário quase que fora da escola, em escolas de parentes.
07:49Mas, no ginásio, eu já entrei num ginásio que a maioria dos professores eram padres.
07:55Então, já tinha uma formação forte aí.
07:58Não só de matemática, das disciplinas normais, mas também de formação, de caráter, né?
08:06De pensar longe, de pensar no futuro.
08:08E, depois, quando eu já estava indo para o científico, que a gente chamava lá o segundo grau de científico,
08:16nós mudamos para Fortaleza, onde eu fui estudar.
08:19Aí, já os meus pais, próximos de mim, me ajudaram a estudar no colégio cearense, que era um colégio marista.
08:28Era um colégio já pago e muito bom.
08:31Muito disciplinador, muito voltado para as ciências.
08:36Eu gostava mais das ciências.
08:38E, também, muito voltado para a parte espiritual.
08:42Então, acho que eu formei um todo aí que me ajudou muito naquela época.
08:47Aldeirão interessante.
08:48O senhor falou de olhar para o longo prazo, não olhar para o amanhã só, mas olhar mais um pouquinho
08:57para frente.
08:58No livro do senhor, o senhor deixa muito clara essa preocupação com as questões das amizades,
09:05incluindo as preocupações que o senhor tinha, né?
09:07Porque o bairro de Coqueral foi criado pela Aracruz e as pessoas trabalhavam juntas e moravam juntas.
09:14O senhor deixa clara essa preocupação de, assim, separar essas coisas.
09:18O senhor deixa clara a preocupação...
09:21Quando o senhor viu que o senhor estava crescendo muito, teve uma evolução rápida na empresa.
09:26Como é que eu vou fazer aqui com a minha família, para que a minha família, eu consiga crescer e
09:30a minha família não sofra com isso.
09:32O senhor tem a preocupação também de ser previdente, da previdência, né?
09:36Da questão da poupança.
09:37O senhor, quando eu era gerente, eu guardava X.
09:40Quando eu fui, virei, enfim, superintendente, passei a guardar Y.
09:44Quando eu virei CEO, passei a guardar...
09:46O senhor teve isso muito...
09:47É muito claro isso na vida do senhor, né?
09:51Por que é importante ter essa previdência toda?
09:54Eu acho assim, administrar...
09:56Não estou falando só de dinheiro.
09:58Não, mas administrar, qualquer coisa que você administre, é administrar a escassez.
10:04Tudo na vida, raras coisas, acho que só os vícios são abundantes.
10:11Quando você começa a beber, você bebe desabragadamente, entra no vício e aí não sai mais.
10:16Mas a maioria das coisas boas são escassas.
10:21Seja elas de dinheiro, seja elas de prazeres, ou de festas, ou de aprendizagem e tal.
10:27Tudo é escasso.
10:29Então, quando ainda no início da carreira teve uma crise de mercado no setor de papel,
10:38que eu trabalhava numa fábrica de papel lá no sul,
10:40e nós tivemos que parar umas máquinas lá e o diretor da fábrica, que era um americano,
10:46e ele disse assim, gente, nós não temos nada para fazer, vamos pintar a fábrica.
10:50Aí saímos pintando umas paredes da fábrica.
10:52Ali me deu um clique que eu falei para a minha mulher.
10:55Eu digo, imagina se esse troço fecha e eu estou desempregado.
10:59Então, nós precisamos pensar em ter seis meses de salário garantido,
11:06porque eu preciso de seis meses para achar outro emprego.
11:09E ali nós começamos a cortar custos, coisa que os nossos governantes não fazem.
11:15Cortamos os custos para juntar os seis meses de salário.
11:18E juntamos.
11:19Então, eu comi menos carne, passei a comer mais fígado.
11:25Cortei vários cinemas, só ia um por mês.
11:28Cortei os picolés, os sorvetes, etc.
11:31E fizemos o...
11:34Mas logo depois eu pensei o seguinte, se eu posso fazer isso,
11:36eu tenho que pensar lá na frente quando eu aposentar.
11:40E comecei, então, a estudar um pouco essa parte do valor do amanhã, né?
11:47Que era juntar dinheiro para a aposentadoria.
11:50Lógico que eu ganhava pouco e não podia juntar muita coisa.
11:54Mas...
11:54O senhor pensava naqueles seis meses.
11:56Ao estudar, eu comecei a ver que tinha uma coisa milagrosa, que eram os juros.
12:01Os juros.
12:02Que deixando esse dinheiro lá, ele ia crescer.
12:06E ele vai crescendo linearmente, de repente ele vai exponencial.
12:11Então, isso ali me tocou e eu comecei a...
12:13É a mágica do juro composto.
12:14Isso, eu comecei a pensar nisso, né?
12:16E isso acaba que te dá uma tranquilidade para tomar certas decisões ao longo da vida
12:21que quando o sujeito está sempre no aperto, ele não tem.
12:24Exatamente.
12:24Então, eu sempre dizia o seguinte, eu quero sempre ter a independência de eu chegar
12:31para o meu chefe e dizer para ele, olha, isso não me serve, eu não quero mais.
12:34Ou então, o senhor está errado.
12:36Ou então, isso que o senhor está propondo não vai ser bom.
12:39Quando você está com essa independência atrás de si, é mais fácil de você ser você
12:45mesmo, de você tomar a sua decisão.
12:48E isso me perseguiu a vida toda.
12:50Eu sempre trabalhei para ser independente e sempre ensinei minhas filhas que não dependessem
12:56de maridos, que elas se formassem, trabalhassem e se um dia elas quiserem parar, é por decisão
13:03delas e não por forçação de ninguém.
13:05Decisão de alguém.
13:06Decisão de alguém.
13:07Agora, vamos voltar lá para 1981, quando o senhor chega aqui em Aracruz, aqui no Espírito
13:16Santo.
13:16O senhor tinha lá uma proposta dos Estados Unidos, da Austrália, do Maranhão.
13:20E o senhor resolve vir para cá.
13:22Como é que foi o início dentro da Aracruz?
13:26Porque o senhor chega, como o senhor fala, o senhor tinha uma base tecnológica bem robusta
13:35e o senhor tem uma ascensão rápida dentro.
13:37Logo de primeiro o senhor recebe um projeto importante lá na Aracruz.
13:41Como é que foi esse início dentro da Aracruz?
13:43Como é que o senhor forjou o que depois virou uma base para o senhor ter a carreira que
13:48teve?
13:48Então, logo que eu cheguei, quando eu vim, vamos dizer, acertar a minha vinda, porque
13:55eu tinha essas outras propostas, mas eu não queria perder esse capital que eu já tinha
14:00ganho.
14:01E os próprios diretores da Aracruz disseram, é um desperdício para o setor você ir para
14:06a Austrália trabalhar em área de alumínio, etc., etc.
14:10Ou ir para os Estados Unidos e a gente precisando de gente aqui.
14:14Então, eu não tinha um lugar aqui para entrar.
14:18Então, ele me disse o seguinte, você vem sem lugar certo, eu pago o mesmo salário que
14:23você está ganhando em São Paulo, mas em seis meses você vai ter uma cadeira de gerente.
14:29Então, eu recuei, vim para uma posição menor, sem perder salário.
14:35E, naquela posição menor, vários gerentes me disputavam.
14:39Ou por ciúme, ou por querer ganhar mais poder, etc.
14:44Eu não vou julgar.
14:45E um deles me deu um trabalho, como se fosse para me testar, né?
14:50Que era fazer um teste usando madeira sem casca, porque a Aracruz era a única fábrica
14:58no mundo que usava madeira com a casca.
15:01Porque, naquela época, não se sabia como descascar o eucalipto.
15:05E eu fiz o teste e deu muito bons resultados.
15:10A empresa investiu para tirar a casca do eucalipto.
15:14E eu fui bem visto a partir desse teste aí.
15:17Então, logo, eu me tornei gerente.
15:22E aí tem daquelas histórias que o mundo dá voltas, né?
15:27Dois gerentes que eram mais antigos do que eu e, provavelmente, mais competentes do que eu,
15:31foram embora.
15:35Então, sobraram dois ou três gerentes que poderiam substituir o diretor da época,
15:40que era um estrangeiro.
15:44E coincidiu deles me escolherem lá naquela época.
15:48E por isso que eu tive uma ascensão rápida, que é um conjunto da minha...
15:51Vamos dizer, da minha...
15:54Das suas qualidades.
15:54Das minhas qualidades, mas também do destino que levou dois caras possíveis de serem...
16:01De estarem na minha frente.
16:03Mas isso sempre acontece, né?
16:04Você tem que saber montar no cavalo.
16:05Sempre acontece.
16:06Você tem que estar pronto para, quando o cavalo passar, você saltar nele.
16:09Agora, eu queria que o senhor falasse, aí lá nos anos 80.
16:13O senhor chega aqui em 81, o Brasil numa gravíssima crise política, né?
16:19Que é aquele fim lá dos governos militares, o governo do general João Figueiredo.
16:26Hiperinflação, dívida externa, uma desconfiança danada, anos muito ruins para o Brasil, né?
16:31Que acabou chamando a década perdida.
16:34Como é que era trabalhar para um executivo, trabalhar nesse período, trabalhar no pré-plano real, na hiperinflação?
16:43Como é que era isso?
16:45Então, era muito difícil.
16:47Era muito difícil, mas a Aracruz tinha uma vantagem, porque ela exportava praticamente 90% do produto dela.
16:59Então, nós, dentro da Aracruz, a gente dolarizava.
17:04Então, para você não sofrer, porque, por exemplo, com aquela inflação de 80% ao mês,
17:10você não sabia quanto custava a madeira hoje em cruzeiros?
17:15Na moeda que fosse.
17:17Quando a gente transformava para dólar, ele ficava mais estável.
17:20Então, eu dizia, não, a madeira custa 10 dólares por tonelada e não 80 reais por tonelada.
17:27Então, a primeira coisa que nós fizemos lá foi transformar a nossa moeda interna,
17:32os nossos relatórios, em dolarizados.
17:34Como a gente exportava 90%, batia certinho.
17:39E a segunda coisa era controlar custos o tempo inteiro, o tempo inteiro.
17:44A gente não se acomodava com a inflação, porque a inflação protege quem tem o fluxo de caixa bom.
17:52Porque a gente tinha o fluxo de caixa bom.
17:54Mas a gente não se cedia a essa, vamos dizer, a essa graça, a essa tentação de gastar à toa
18:02e tal.
18:03Então, a gente segurava bem a peteca, porque a gente estava dolarizado, a gente sabia quando estava subindo e descendo.
18:10Quando estava em real, só se perdia.
18:12Agora, o Carlos Aguiar, que vivia aqui o dia a dia e ganhava lá em cruzado, cruzeiro, ali a situação
18:18era difícil, né?
18:19Era difícil.
18:20E quando a gente fez o projeto da Fábrica B, veio o Plano Collins, se lembra?
18:27Sim, pegou a poupança.
18:29Tirou a poupança.
18:30E a gente com 15 mil homens trabalhando na construção da fábrica.
18:34A confusão danada.
18:35A gente teve que trazer dinheiro de Brasília de avião.
18:38É mesmo?
18:39Em um particular, sacos e sacos de dinheiro para pagar os empregados, porque nós não tínhamos.
18:44Ele estava tudo fechado, né?
18:45E o Banco Central fez uma liberação especial para a gente pagar os empregados.
18:51Veja só.
18:51Veja só como era complicado naquela época.
18:54Houve greve, o pessoal tocou fogo nos alojamentos, até em agências do Banco Itaú que tinham lá dentro e tal.
19:02Foi uma confusão, era uma confusão grande.
19:05Você vê como é que essa desorganização institucional complica o dia a dia.
19:09Complica o dia a dia.
19:09Não, e nós terminamos a fábrica fora do orçamento e fora do cronograma, coisa que nunca mais aconteceu nas fábricas
19:17futuras,
19:17depois que a moeda ficou estabilizada.
19:20A gente sempre terminou abaixo do orçamento e dentro do cronograma.
19:23Mas aquela lá a gente se perdeu um pouco, porque...
19:26Por causa de tamanha confusão.
19:28Isso início dos anos 90, né?
19:29Isso.
19:2990, 91, 92.
19:31Isso, ela partiu em 92.
19:34Antes de ir para a fase do senhor já como CEO, diretor-presidente, eu queria saber do senhor o seguinte.
19:42Como foi trabalhar com uma figura importantíssima aqui para a indústria do Espírito Santo, para a economia do Espírito Santo,
19:48para o desenvolvimento do Espírito Santo, o senhor Erling Lorenzen?
19:53Como é que foi essa experiência?
19:55Tão próximo?
19:56Eu acho que essa foi a, vamos dizer assim, a bênção da minha vida.
20:01Eu trabalhei na primeira fábrica, era uma fábrica americana, com um líder americano,
20:09que era um cara espetacular, um cara que confiava totalmente nas pessoas
20:16e reconhecia as qualidades, independente de pagar salário maior ou menor ou promover,
20:22mas ele reconhecia e transformava a qualidade da gente em resultados para a empresa.
20:30Ele sabia explorar a gente com, vamos dizer, com um discurso voltado para os resultados.
20:39Depois, quando eu fui para o segundo projeto lá em São Paulo,
20:45eu peguei outro líder americano também, que me ensinou a estudar.
20:53Eu tentava estudar, lia dois, três artigos, fazia o meu relatório e achava que já tinha feito tudo.
21:01E a primeira vez que eu fui fazer um relatório para ele, ele me disse o seguinte,
21:05eu não aceito menos de dez ou quinze bibliografias.
21:09E você vai ver que a sua opinião pode mudar se você ler quinze bibliografias.
21:14E, de fato, eu tinha acabado de entregar o trabalho com duas bibliografias.
21:19Quando eu li as quinze, ele chegou e me deu.
21:22Ele mandou trazer quinze livros dos Estados Unidos só para mim.
21:27Ele disse assim, você é bom de leitura e você compreende o que você está lendo.
21:30Então, eu vou trazer uma bibliografia para você sobre celulose e papel.
21:35Depois que eu li as quinze, eu mudei o meu relatório final.
21:39É interessante o senhor falar isso, porque a gente vive hoje num mundo que as pessoas têm muita certeza das
21:45coisas.
21:45Muita certeza.
21:46E não é assim que funciona?
21:47Não, não é assim que funciona.
21:48Eu tinha certeza naquele relatório e depois...
21:51Ficou com vergonha.
21:52Fiquei com vergonha do rapaz, mas aprendi a nunca mais fazer alguma coisa sem profundidade.
21:58Aí, quando eu vim para Aracruz, pego o senhor Lorenz, que era já um homem que foi herói de guerra.
22:06Com dezoito anos, ele comandou quinhentos soldados.
22:09Segunda guerra, né?
22:09Segunda guerra.
22:11Comandou quinhentos guerrilheiros lá para defender contra o nazismo.
22:16É um cara que veio para o Brasil casado com uma princesa.
22:20Ou seja, largou a vida, a vida real lá na Suécia e veio arriscar a vida aqui, arriscar os seus
22:28negócios aqui.
22:30Então, só isso aí já me indicava que eu estou em boas mãos.
22:33Esse cara vai me orientar bem.
22:37E era um cara que dizia para mim assim, eu não quero ficar rico às custas do salário do meu
22:42trabalhador.
22:43Ele dizia o seguinte, você não pode criar métodos aqui.
22:49E, por exemplo, a maioria das empresas estava abrindo os automóveis dos funcionários no final do dia,
22:58no final do expediente, para saber se o cara estava levando alguma coisa.
23:02Ele disse, eu não admito isso.
23:04Nosso funcionário não faz isso, não deve fazer isso.
23:07Se a gente der confiança a eles, não farão isso.
23:10E a gente nunca fez isso na Aracruz, realmente.
23:13Ele disse o seguinte, você pode fazer uma vez por mês.
23:16Se pegar alguém, você manda embora.
23:18Mas eu não quero esse tratamento de desconfiança, porque o que transforma o ambiente de trabalho é a confiança entre
23:25as pessoas.
23:27Então, esse era um cara que dava sempre boas visões e valores dentro dos negócios.
23:38É muito fácil você dar visão e valor quando você não está com o seu dinheiro aplicado ali dentro.
23:44Mas ele não queria saber disso.
23:46Quando eu levei, por exemplo, eu falo até no livro, nós partimos da fábrica B e logo descobrimos que o
23:54nosso processo de branqueamento estava ultrapassado do ponto de vista ambiental.
24:00E para consertar isso, nós tínhamos que investir 120 milhões de dólares.
24:05Logo depois da fábrica ter partido.
24:07Como é que você leva isso para o conselho?
24:08Como é que você leva isso para o conselho?
24:10O cara vai dizer, mas você vai aumentar a produção com esses 120 milhões?
24:13Nada.
24:13Vou só corrigir uma coisa.
24:16E fui super sabatinado, questionado.
24:20Mas ele bancou e disse, não, isso é que é o certo.
24:24E nós vamos fazer o certo.
24:26Essa empresa tem que fazer o certo.
24:27Vamos investir, apesar de a gente estar com a dívida grande naquela época.
24:33Então era um homem inteligente, corajoso, visionário, justo.
24:39Essas eram as qualidades?
24:41Isso, isso.
24:41E à frente do tempo.
24:43Porque hoje você faz a propaganda do ESG, das empresas, do DEI, ou seja, Diversidade, Equity, Inclusão.
24:54E ele praticava isso, não como slogan, ele praticava ele.
25:01Na prática, ele exigia isso da gente.
25:04Por exemplo, quando a primeira fábrica, não existia legislação ambiental no Brasil para a fábrica de celulose.
25:11Ele disse o seguinte, tá bom, se não existe, vocês vão olhar a sueca, a finlandesa, a canadense e a
25:17americana.
25:18E peguem o melhor delas e vamos fazer aqui na Aracruz.
25:22Então essa era a cabeça dele que passou para nós.
25:26Então a gente se sentia seguro de que fazer o correto ia dar certo.
25:36E teria o agreement deles.
25:41E me diz uma coisa, imagino que quando o senhor chegou na Aracruz, o senhor não conhecia o Lorentz lá
25:48em 81.
25:49Essa coisa veio, isso veio vindo ao longo do período.
25:54Como é que, já quando o senhor começa a caminhar para ser o diretor-presidente,
26:00como é que o Lorentz te ajuda nessa caminhada?
26:02Como é que, o senhor foi o presidente mais longevo da Aracruz Celulose?
26:06O senhor faz uma transição difícil para a Fibre, ali em 2008, 2009.
26:13O senhor fica presidente da Fibre, se eu não estou enganado, até 2011 ou 12, é isso?
26:1711.
26:1711.
26:18Como é que foi esse processo?
26:20E já no processo que o Lorentz estava saindo da empresa, né?
26:24Isso.
26:24Eu, em 93, teve uma crise de preço da Aracruz Celulose.
26:33E nós perdemos o nosso presidente na época.
26:36E eu fui convidado a exercer a presidência interinamente, em 93.
26:45E fizemos um trabalho muito chato de reduzir custos, muito duro.
26:52Eu senti bastante nessa época lá, porque morando lá no Coqueral, você tem a repercussão total.
27:00É a história das relações pessoais misturando com as relações de trabalho.
27:04Eu tive que mandar embora amigos e pessoas de alto nível da empresa, naquela época, como presidente interino.
27:17Quase fui embora no final desse processo, que durou nove meses, né?
27:22Porque eu já estava muito desgastado e a cobrança era muito grande de alguns acionistas.
27:31Mas não fui promovida a presidente.
27:34Quando encerrou, veio um outro novo presidente e tal.
27:37O novo, acho que veio com a missão de continuar reduzindo custos, etc., etc.
27:48E mais voltado para, não para o crescimento da celulose, mas para achar novos produtos para a gente crescer.
27:56Tipo serraria, que a gente acabou construindo uma, MDF e outras coisas.
28:02Mas não deu muito certo.
28:04E aí, em 1998, o Lawrence me disse o seguinte, você está preparado para ser o presidente?
28:11E eu digo, depois desse tempo todo, eu acho que sim.
28:14Então, eu vou falar com os acionistas e nós vamos te indicar.
28:18Então, fui lá indicado e aí eu iniciei o processo de novo planejamento estratégico baseado no crescimento.
28:27Eu disse o seguinte, nós somos a maior fábrica do mundo, mas nós somos uma empresa desse tamanhinho.
28:31A gente não afeta nada, a gente não influi em nada.
28:35Para a gente querer influir em alguma coisa, nós temos que ter 25% do mercado de celulose do mundo.
28:42E para isso, nós precisamos começar a crescer.
28:44E aí?
28:44E aí, compramos a RioCell, construímos a VeraCell, fizemos a fábrica C e depois fomos lá para a fusão.
28:55Em 2008, quando veio aquela crise dos bancos, etc., eu tive que fazer uma operação no coração, colocar um estente.
29:08Uma angioplastia, né?
29:09Uma angioplastia.
29:11E fui falar com ele, isso foi em fevereiro de 2008.
29:14Em março, eu cheguei para ele e disse o seguinte,
29:15Eu fiz uma movimentação aqui no meu coração e eu quero me aposentar.
29:25E eu acho que um pouco disso é por causa do estresse, por causa dos anos todos de trabalho.
29:32Eu tinha sido promovido em 1998, então já eram 10 anos de presidente.
29:36E eu quero me aposentar em 24 de julho de 2008, que era quando eu fazia aniversário.
29:45Ele absorveu aquilo e disse assim, mas deixa eu pensar um pouco e tal.
29:49Depois ele me voltou e disse assim, você fica até dezembro, então.
29:53Em vez de ser em julho, ser aniversário, você fica até dezembro.
29:56Bom, passa mais um mês e pouco, ele me chama aqui na Pedra Azul e me diz o seguinte,
30:02Carlos, eu estou com quase 90 anos e eu estou vendendo a minha parte para Votorantim e para o Sáfaro.
30:12Eu digo, então, tá bom, quando o senhor sair, eu também saio.
30:16Ele disse, não, os dois querem que você fique e faça a nova transição aí.
30:22Ele disse, pô, mas eu depois de botar o estente, ainda vou ter que pegar esse abacaxi todo?
30:28Ele disse, não, é condição da minha negociação e eu garanti para eles que você ficava.
30:35Ele assinou em seu nome.
30:37Assinou em meu nome.
30:38Aí eu disse, tá bom, então eu fico, mas eu fico só por dois anos.
30:41Em 2011 eu quero sair.
30:44Aí veio a crise.
30:46Quando veio a crise, o Sáfaro sai desse negócio.
30:52E o Lóris não volta atrás.
30:54Ele diz, não, eu não quero mais, eu decidi vender, está tudo assinado, eu quero sair.
30:59O Sáfaro sai do negócio durante a negociação?
31:03Não, já com a negociação fechada.
31:05Aí ele sai do negócio por causa da crise.
31:08Ah, sim.
31:08Porque a crise afetou o banco e afetou a Aracruz.
31:11Então ele não queria...
31:12Ter dois riscos.
31:13Dois riscos.
31:14O rispingo da Aracruz caindo em cima do banco.
31:17O negócio principal dele é o banco.
31:19Ele sai, então nós levamos de setembro aí de 2008 até maio de 2009, negociando a
31:28substituição do Sáfaro pelo BNDES.
31:31E eu fiquei, teve acho que um período ali de, sei lá, 15 dias que eu fiquei presidente
31:37da VCP e da Aracruz.
31:39Isso porque você queria sair, né?
31:40Isso porque eu queria sair, né?
31:43Nesse tempo, com essa turbulência toda da questão dos derivativos, o presidente da
31:48República, falando mal da Aracruz, que ela apostou contra o Real, que não foi o caso.
31:53Pelo contrário, a gente apostou, foi no Real, que o Real ia se valorizando.
31:57Continuou se valorizando.
31:58Isso.
31:59Todas essas pressões...
32:03E eu com o meu estente lá na minha cabeça, né?
32:06Pô, isso só vai me matar e tal.
32:08Mas eu me acalmei e consegui atravessar isso.
32:12Agora, ao mesmo tempo que ele te joga uma baita de uma responsabilidade e te dá uma
32:19contrariada ali, também é uma baita de uma honra ter recebido esse...
32:24Claro.
32:25Não, eu já estava, assim, super feliz com meus 10 anos.
32:30Naqueles 10 anos, a Aracruz cresceu 10% ao ano.
32:34Um crescimento chinês, coisa que o Brasil nunca sonhou.
32:37O Brasil do passado cresceu até 15%.
32:41Mas o Brasil de 40 anos para cá...
32:44De 80 para cá, não.
32:46Ele não vai, né?
32:47É só voo de galinha um atrás do outro.
32:49Exato.
32:50E a gente crescendo 10% firme.
32:53Firme.
32:53Até 2008, quando veio essa crise.
32:56Mas se eu disser que a minha presença na fusão e depois na venda para a Suzano,
33:05aconteceu tudo o que eu queria, o que eu previa para esse setor.
33:10Eu queria ter uma empresa exatamente do tamanho da Suzano aqui no Brasil.
33:14Podia ser a Aracruz...
33:15Aquela influência que o senhor...
33:16Isso.
33:17Podia ser a Aracruz, podia ser a Fibre ou podia ser a Suzano ou um terceiro.
33:22Mas eu queria uma empresa brasileira...
33:24Com essa força.
33:24Com essa força toda.
33:25E eu acho que os exemplos da Aracruz deram coragem aos Votorantins e aos Féfer
33:34para ver que crescer é um bom negócio nesse setor de celulose e papel.
33:41Agora, o senhor tocou na crise de 2008.
33:44Foi uma crise bastante dura.
33:46A economia mundial é muito dura para a Aracruz.
33:50Aquela questão dos derivativos.
33:51Que é um papel, um seguro, vamos colocar assim, para explicar para quem está nos ouvindo,
33:57nos vendo, que as empresas muito expostas ao dólar, dólar ou euro, enfim,
34:04ao comércio internacional, compram para se proteger de variações.
34:07É isso?
34:08Isso.
34:08O que aconteceu ali?
34:10Porque a Aracruz é uma empresa sempre sólida do ponto de vista financeiro,
34:15claro, passa por crise ali, mas é uma empresa sempre sólida.
34:17O que aconteceu ali que a Aracruz entra naquela crise de 2008, como todo mundo entrou,
34:23e sai com um rombo bilionário ali?
34:27Onde foi o erro ali?
34:29O senhor, quantos anos depois?
34:3116 anos depois do acontecido.
34:33Como é que o senhor avalia aquilo ali?
34:35Eu acho assim, que os derivativos, como a gente chama, eles são invenções que se renovam.
34:46Eles saem das universidades americanas, lá de Rava, de outros, com aqueles gêniozinhos que vão para o mercado,
34:53e eles bolam essas coisas com algoritmos difíceis de serem entendidos.
35:00E muitas vezes você não, vamos dizer assim, debulha o algoritmo para entender quais são os riscos reais dele.
35:12Eu acho que naquela época não fomos só nós, o mundo inteiro errou nesse...
35:17Sadia sofreu muito também.
35:18Sadia, o próprio Grupo Votorantim, o Grupo Safra, e empresas, bancos quebraram nos Estados Unidos, etc.
35:29Então, assim, teve falhas no nosso sistema de conhecer mais profundamente,
35:37tanto é que depois, já quando a gente fundou a Fibre, a gente criou uma área de risco super competente,
35:45com gente especializadíssima nesses assuntos, para não errar, e eu ainda vejo hoje gente errando.
35:53Eu diria que é mais ou menos assim, como o avião.
35:56O avião é cheio de redundância, mas de vez em quando alguém erra e o avião cai, né?
36:01Então tem...
36:03E acaba sendo uma coisa gravíssima.
36:04Os caras derrubaram as torres americanas, é o país mais bem protegido do mundo, etc.
36:09E os caras conseguiram atingir a torre lá e atingir o Pentágono.
36:13Ou seja, furaram um bloqueio que...
36:17Porque depende de pessoas.
36:18Então, se a pessoa falha, não adianta você ter todo um sistema que...
36:23Aquela falha vai furar o sistema, né?
36:26Então teve um erro na fala.
36:28Mas a gente...
36:29Vamos dizer, tomou decisões muito rápidas.
36:32Nós imediatamente vendemos a nossa fábrica lá em Guaíba,
36:36que já tinha um projeto em andamento.
36:40Sim.
36:40Vendemos e com aquela venda a gente quase que pagou toda a dívida dos derivativos.
36:47Era 2 bilhões de dólares, nós vendemos por 1,4.
36:51E a nossa dívida anterior derivativa era pequena.
36:54Então, logo em seguida, a empresa estava...
36:58Equacionada.
36:59Totalmente equacionada.
37:00E antes de eu sair, a gente já estava com o projeto de crescimento lá em Três Lagoas,
37:09no Mato Grosso do Sul, que eu acompanhei a primeira fábrica e a segunda.
37:14E agora a Suzano fez a terceira.
37:17Inaugurou agora?
37:18Inaugurou agora.
37:18Então, ou seja, aquilo foi um evento, vamos dizer, fora da curva,
37:26mas a prova é que a empresa continuou crescendo
37:30e eu acho que agora a Suzano vai longe.
37:33A gente tem que acelerar nosso passo.
37:35Porque o papo está bom, mas a gente precisa ir já para os...
37:41Finalmente.
37:42Eu quero voltar a 98.
37:45O senhor assume a empresa.
37:48E o Espírito Santo vivia um momento bastante ruim
37:52do ponto de vista político, ético, institucional e econômico.
38:03Como é que foi esse momento?
38:06Como é que...
38:07O senhor fala no livro que era importante fazer interlocução.
38:10A Aracruz sempre foi uma empresa muito voltada para ela mesma,
38:13inclusive porque estava lá em Aracruz, não estava aqui no Centro Nervoso.
38:16da grande vitória.
38:18Como é que foi esse processo?
38:20Porque a Aracruz chegou a sofrer com a Chax.
38:23Como é que era o Espírito Santo?
38:25Acho que é importante falar isso para os mais jovens.
38:27Como é que era esse Espírito Santo lá do final dos anos 90 e início dos anos 2000
38:32quando o senhor está assumindo a Aracruz celulose?
38:35Então, eu observava que a Xerox foi embora daqui.
38:41Os jornais de São Paulo falavam que o Espírito Santo era uma terra sem lei.
38:47Tudo isso a gente ia vendo no dia a dia.
38:52Mas é aquela velha história.
38:53Quando não chega em você, você acha que só com os outros vai acontecer.
38:57Até que um dia aparece uma lei na Assembleia Legislativa aqui
39:02proibindo o plantio de eucalipto para a celulose.
39:06Ou seja, para carvão podia, para mineração podia,
39:11siderurgia podia, mas para a celulose não podia.
39:13Ou seja, era uma lei específica contra a Aracruz.
39:16Então, aí a gente viu que a coisa da instituição,
39:25a segurança jurídica estava indo para o brejo.
39:29Estava indo para o brejo.
39:31Então, outros empresários também estavam sofrendo esse tipo de pressão.
39:36Então, nós começamos a conversar,
39:38nos aproximamos de alguns políticos que estavam também interessados
39:43em melhorar o Estado.
39:45Aí fundamos o Espírito Santo em Ação com empresas
39:49que não dependiam diretamente do Estado
39:52e com pessoas que estavam acreditando que precisavam mudar.
39:59E começamos a trabalhar.
40:01Eu levei para o meu conselho, dizendo,
40:02olha, nós nunca ajudamos uma campanha por definição da Aracruz.
40:07Você não entra em campanha política porque tinha muita coisa por fora, etc.
40:11A gente não queria se misturar com isso.
40:13Mas eu acho que está na hora agora de a gente participar da campanha
40:17e tentar eleger deputados que venham para a Assembleia contribuir
40:22para a melhoria do Estado.
40:26E o conselho perguntou,
40:28mas isso você vai fazer tudo oficialmente, tudo por dentro?
40:31Eu disse, claro, tudo por dentro.
40:33E nós chegamos a um ponto tal que tinha gente que queria ganhar 500 reais da Aracruz,
40:38porque se ele ganhasse 500 reais da Aracruz, ele tinha um carimbo,
40:42uma chancela de que era ético.
40:47Então, várias empresas nos unimos para fazer esse trabalho.
40:51Aí nos unimos com a OAB, com as igrejas católicas,
40:57as igrejas evangélicas, com movimentos sociais.
41:04Foi uma coisa suprapartidária, supraideológica.
41:10Para tirar o Espírito Santo daquela situação.
41:13Se você me perguntar hoje como é que o Brasil sai dessa situação,
41:18é só imitar o Espírito Santo.
41:20E qual é o maior segredo daqui?
41:22Naquela época, a gente não pagava folha de três meses atrasado
41:26para pagar a folha do Estado.
41:28Não pagava fornecedores.
41:30Está certo?
41:32Era a propaganda negativa todo dia nos jornais.
41:35Hoje você não vê isso.
41:37Você vê que está pagando tudo em dia.
41:40O Estado tem superávit,
41:43tem alguns bilhões de dólares no fundo.
41:48Está investindo, coisa que não se investia no passado.
41:51É que está investindo.
41:52Eu ouvi falar hoje que no ano que vem,
41:54seis bilhões só em infraestrutura.
41:56Seis bilhões em 2000 e...
41:57Inclusive eu tenho na minha coluna.
41:58Seis bilhões em 25, seis bilhões em 2026.
42:01Então você vê que não tem nenhum milagre nisso.
42:05Foi só cuidar das contas.
42:08Agora, uma coisa importante.
42:11Assim, isso já tem 22 anos.
42:15Assim, a fundação do Espírito Santo tem 21 anos.
42:19Mas esses 22, 23, 24 anos,
42:22vamos colocar mais ou menos por aí.
42:25Muita gente, eu estou com 39,
42:29eu estudei, até por conta da minha profissão,
42:32eu conheço bem essa história.
42:35Mas muita gente da minha idade,
42:36principalmente os mais novos do que eu,
42:38eles não sabem o que aconteceu.
42:42Isso está muito para a memória de quem viveu,
42:44de quem está mais de uma geração acima.
42:50Mas o senhor sabe que isso não está dado.
42:53Onde que a gente não pode errar aqui no Estado
42:55para a gente não correr o risco,
42:57nem voltar àquilo que a gente tinha,
43:00mas para não correr o risco de ter aquilo novamente aqui no Estado,
43:03instalado aqui no Espírito Santo?
43:04Eu diria assim,
43:08quando a gente fundou o Espírito Santo em ação,
43:11todos nós já estávamos com uma certa idade
43:14e começamos a pensar
43:17em como deixar esse legado para frente.
43:19Aí acabamos fundando o Leaders do Amanhã,
43:22Be Leaders.
43:24Tem várias iniciativas aí
43:26para preparar as novas gerações para isso.
43:29Eu sei que muita gente pensa que discutir política
43:36é se juntar ao político ou ser um político.
43:39Mas não é só isso.
43:41Eu acho que discutir política é fundamental.
43:43É fundamental se você quer ter um país decente,
43:47um Estado decente.
43:49Você tem que estar por dentro disso.
43:51Principalmente se você é um empresário,
43:53é um empreendedor,
43:54você tem obrigações com isso.
43:55Quer dizer, se você quer ter um ambiente de negócio saudável,
44:00justo, etc.,
44:01você tem que ter um Estado,
44:03uma política pública saudável e justa.
44:07Que é coisa que a gente não tem hoje no Brasil.
44:11O Brasil vive de voos de galinha
44:14e com sensações de que se eu der dinheiro para todo mundo,
44:19eu tiro todo mundo da pobreza,
44:21mas lá na frente você chega à conclusão
44:24que a pessoa não conseguiu se libertar.
44:27Aquilo que eu falava de liberdade
44:28quando eu comecei a juntar os seis salários,
44:30essas pessoas não conseguem isso.
44:33Ou quando você estudava lá em Camocim,
44:34nos livros do seu tio.
44:36Então, eu acho isso.
44:38É que os mais jovens têm que se interessar por política.
44:43Eleitoral e partidária.
44:45Isso, não eleitoral e partidária.
44:46Mas interessar é o seguinte,
44:47eu tenho que estar próximo,
44:50sei lá, do governador, do prefeito,
44:52e influir,
44:54porque a gente fala aquela coisinha aqui,
44:56o seguinte,
44:58você é emprenhado por um lado
44:59e você precisa ser emprenhado pelo outro.
45:02Para o cara poder julgar e dizer o seguinte,
45:04pô, isso aqui não está tão certo como eu imaginava,
45:07esse cara aqui também tem o seu.
45:09Tem que ter mais bibliografia, né?
45:10Tem que ter mais bibliografia,
45:11tem que ter estudo.
45:12E para isso, os que estudam
45:14e os que se dão melhor na vida
45:16têm que ensinar aos que estudam menos.
45:19Eles têm que distribuir.
45:20Por isso que uma parte de eu escrever um livro
45:22é porque eu achei que para os meus netos
45:25era bom eles verem como eu vivi,
45:28como eles estão vivendo uma vida muito melhor do que eu,
45:31mas quais são as obrigações
45:32que eles vão ter para daí para frente.
45:35Eu queria tocar num outro ponto,
45:37que eu acho que na construção ali da fábrica C,
45:41vocês tiveram um papel ao lado,
45:43para dar acesso ao que é de César,
45:45também da CST,
45:46antiga CST,
45:47ter hoje a ArcelorMittal Tubarão,
45:49um papel muito importante
45:51na formação do programa de fornecedores.
45:54É isso.
45:56Nem todo mundo sabe,
45:57mas hoje o setor...
45:59É aquela coisa,
46:00agora está dado,
46:01então parece que sempre foi assim.
46:02O Espírito Santo,
46:03que hoje é uma potência
46:04no setor metal mecânico,
46:06o fornecimento da indústria de base,
46:08não era assim lá no início dos anos...
46:10Lá nos anos 90, né?
46:12E aí a Aracruz,
46:14muito sob a liderança do Carlos Aguiar,
46:19falou, poxa,
46:20para a gente é mais eficiente
46:22contratar quem está aqui.
46:24Não é que é só uma questão de...
46:26de ESG,
46:29que na época nem existia,
46:30mas é questão de eficiência econômica.
46:33E aí vocês têm um trabalho ali
46:34de formação dos fornecedores,
46:38Arcelor lá na laminação de Tiraquente
46:41também faz um trabalho muito forte
46:43e depois outras grandes empresas
46:45entram com esse mesmo objetivo.
46:48E hoje o que a gente tem
46:49são empresas do nível de Metame,
46:51que está construindo um porto.
46:52Claro.
46:53Então assim,
46:55de onde surgiu isso
46:56e como é que o senhor...
46:58como é que o senhor vê isso hoje em dia?
47:01Poxa, eu fiz uma coisa...
47:02Alguma coisa de bom eu fiz, né?
47:04Então, eu acho assim,
47:05a gente teve algumas decepções
47:08em projetos menores
47:10com as grandes empreiteiras brasileiras.
47:14Você contratava uma empreiteira grande,
47:17conhecida, conhecidíssima,
47:19justamente porque ela tinha
47:21esse cartaz todo, né?
47:26E na hora de fazer o projeto,
47:29eles falhavam
47:32e muitas vezes,
47:35por vício de trabalharem com o governo,
47:38eles davam um preço menor,
47:40ganhavam,
47:41no meio do projeto eles diziam,
47:42não, mas o preço não é mais esse,
47:44aumentava 25%, 30%
47:47e você
47:49ou pagava
47:50ou saía no meio,
47:51ou botava eles para fora
47:52no meio do caminho,
47:53que é muito difícil também de fazer.
47:55Então, essa decepção
47:56começou a fazer a gente pensar assim,
47:59gente,
48:01a gente paga caro,
48:02o dono não vem aqui nunca,
48:05manda um engenheiro
48:06para tomar conta da obra,
48:08chantageia a gente
48:09na hora que ele acha
48:10que precisa ganhar mais,
48:13eu posso dar essa oportunidade,
48:15se eu quebrar um pouco
48:16o meu projeto
48:17em partes menores,
48:18para o pessoal daqui
48:19do Espírito Santo.
48:21e o dono
48:22vai estar aqui dentro,
48:23a gente vai reclamar
48:24direto para ele,
48:26ele vai aprender conosco,
48:28agirir as coisas,
48:29aprender as nossas técnicas,
48:31etc, etc.
48:33E tomamos essa decisão.
48:36Então, no projeto
48:38da Fábrica C,
48:39nós fizemos
48:40uma grande reunião,
48:41a primeira coisa
48:42que eu falei para ele
48:43é o seguinte,
48:44eu vou dar oportunidade
48:45para vocês,
48:45mas vocês têm
48:47que ter preço,
48:48qualidade
48:49e o cronograma
48:50ser exato.
48:53Não vai ter
48:55protecionismo
48:55só porque é capixaba, não.
48:57Agora,
48:57condições iguais,
48:58um paulista
48:59e um capixaba,
49:00eu pego o capixaba.
49:01Agora,
49:01antes disso,
49:02vocês vão ter que estudar
49:04e aprender
49:04e vão ter que sentar
49:05com os grandes
49:08tecnologias do exterior,
49:10que eram
49:10Andres,
49:10Valmet,
49:11etc, etc.
49:14Os caras lá de fora
49:15ficavam com medo,
49:16achando que esses caras
49:17iam falhar
49:18no meio do projeto,
49:20mas a gente
49:21bancava.
49:22Eu digo,
49:22não,
49:22se ele falhar,
49:24a responsabilidade
49:25é minha,
49:26mas eu quero
49:26esse cara aqui.
49:28E de pequenas
49:30empresas,
49:31eles se transformaram
49:32em grandes empresas
49:33porque eles se dedicaram
49:34para valer,
49:35os caras tinham
49:36o espírito
49:37de empreendedorismo
49:39e investiram.
49:41Eu dizia para vocês,
49:42vocês,
49:42quando ganham
49:43um pouquinho a mais,
49:44vocês compram logo
49:45uma picape,
49:46uma fazenda
49:46e troco de mulher.
49:48Eu não quero ver
49:49mais isso aqui,
49:50eu quero ver
49:51o cara andando
49:52no jipezinho
49:53que ele já tinha,
49:54sem fazenda
49:55e com a mesma mulher.
49:57Eu disse isso lá no fim,
49:58eles deram risada,
49:59mas muitos levaram a sério isso.
50:02E, na verdade,
50:04aconteceu de termos
50:05hoje empresas
50:05que são
50:07empresas gigantes.
50:095 mil empregados
50:11no município
50:12de Aracruz.
50:13A Forte de Engenharia
50:14faz projetos
50:16aqui no Portugal
50:17e Estel,
50:20Time Now
50:21está nos Estados Unidos.
50:23Então,
50:23você tem
50:26uma solução
50:27que eu acho
50:28que saiu mais barato
50:29para nós
50:29no final das contas.
50:31Saiu mais barato.
50:32Foi ótimo.
50:32Do que pegar
50:33as Odebrechtes
50:34da vida,
50:36as grandonas
50:37da vida,
50:38saiu mais barato
50:40e, vamos dizer assim,
50:41o controle
50:42era muito melhor
50:43porque os donos
50:45estavam ali em cima.
50:46É importante destacar
50:47nesse projeto
50:48de Ribas do Rio Pardo,
50:49que agora acaba,
50:51o que tinha
50:52de projeto brasileiro
50:53para o setor lógico
50:54da indústria de base
50:57foi feita
50:58a fábrica
50:59lá em Mato Grosso do Sul.
51:0060% da mão de obra
51:01era capixaba.
51:02Isso.
51:03Não da mão de obra,
51:04dos contratos.
51:05Eram com empresas
51:06do Espírito Santo.
51:07Ar-condicionado,
51:10a terminal
51:11fazendo a gestão
51:12e por aí vai.
51:14Muito importante isso.
51:15Acho que foi um desenvolvimento
51:16grande para o Estado.
51:16Acho que é um legado
51:17muito interessante
51:20para o Estado.
51:21Duas perguntas
51:22para terminar.
51:22O senhor passou
51:22por várias crises.
51:24Várias.
51:25De todas as ordens.
51:26Crise de governo,
51:28crise institucional,
51:29crise dentro da fábrica,
51:30crise de preço.
51:32Pegando isso tudo
51:33e, assim,
51:35resumindo,
51:35como é que se vence
51:36uma crise?
51:38Os pontos básicos
51:40para o sujeito
51:40vencer uma crise?
51:41Uma empresa
51:42vencer uma crise?
51:43Eu acho assim,
51:45que qualquer crise
51:47ou qualquer problema,
51:49você tem que primeiro
51:50entender,
51:51diagnosticar o problema.
51:53Eu acho que o Brasil
51:54é bom nisso.
51:56Nós sabemos
51:57diagnosticar e tal.
52:00e depois
52:02é tomar a decisão,
52:04por mais dura que seja,
52:05para aplicar
52:06a solução
52:07que o problema requer.
52:09Quando você não
52:10aplica a solução,
52:11por exemplo,
52:13em 1993,
52:14o preço caiu
52:14para 330 dólares
52:16a tonelada,
52:17que era quase
52:19o custo de produção.
52:21E a gente com a dívida
52:22de um bilhão de dólares.
52:26Qual é o drama aqui?
52:28Eu preciso
52:30reduzir o custo
52:31para ter algum lucro
52:33para me pagar essa dívida.
52:34Senão,
52:35os caras vão aumentar
52:36o meu juros
52:36e eu vou ficar
52:38com a dívida
52:38e pagar.
52:39Então,
52:40tomamos a decisão,
52:40reduzimos lá,
52:41acho que,
52:424 mil pessoas na época.
52:44Cortamos automóveis,
52:45cortamos caminhões,
52:47cortamos,
52:48sei lá,
52:48um monte de coisa.
52:51Tomamos decisão difícil.
52:53Mas só que
52:54dois,
52:55três anos depois,
52:56a gente já estava crescendo.
52:58Então,
52:58assim,
52:59se você tiver
53:00a visão de longo prazo,
53:02você resolve a crise
53:04no curto prazo,
53:05por mais duro
53:05que seja a solução.
53:07Mas você,
53:08eu passava
53:09para os meus empregados
53:10e eu disse o seguinte,
53:11nós vamos fazer
53:11esse corte,
53:12nós vamos reduzir
53:134 mil pessoas.
53:15Muitos dos amigos
53:16de vocês
53:17vão perder o emprego,
53:18as famílias
53:19vão sofrer.
53:20Eu estou sofrendo,
53:21estou sofrendo
53:22por isso também.
53:23não vou ser demitido,
53:25mas estou sofrendo
53:25pelos que eu estou
53:26tendo que demitir.
53:28Mas eu garanto
53:29para vocês
53:29que essa empresa
53:30daqui a pouco
53:31vai ter 8 mil empregados,
53:3312 mil,
53:3415 mil empregados,
53:36porque nós estamos
53:37ficando fortes
53:38e nós vamos dar
53:39os passos à frente
53:40que precisa dar.
53:41Eu acho que a crise
53:42é a seguinte,
53:43é diagnosticar o problema,
53:45entender a solução
53:46e decidir.
53:47se você não decidir,
53:50a gente vai ficar
53:51nos voos de galinha,
53:52porque a gente vai adiando
53:54a solução,
53:55as reformas não saem,
53:57porque politicamente
53:58é ruim
53:59e o cara vai perder o voto,
54:01não ganha a próxima eleição.
54:03Na empresa é melhor
54:05porque você não tem a eleição,
54:07não tem que ter voto,
54:08etc.
54:09Por isso que um país
54:10tem que ser gerido
54:12um pouco como uma empresa
54:13e nem sempre
54:15como um agente social.
54:17tem horas
54:17que ele precisa
54:20decidir
54:20e tomar decisões difíceis.
54:22Para terminar,
54:24o senhor se aproximando
54:25dos 80,
54:27tanta história boa,
54:28tanta coisa boa
54:28para contar,
54:29está aqui no livro.
54:30O que o senhor falaria
54:31para o jovem
54:32que está começando
54:34a carreira,
54:35ou o jovem estudante,
54:36ou que está em início
54:36de carreira,
54:38qual dica
54:38que o senhor dá
54:39para esse jovem
54:41ter uma trajetória
54:42de sucesso?
54:45Primeira coisa,
54:46eu acho que
54:46o jovem de hoje
54:48ele é muito acelerado,
54:50muito rápido
54:51nos desejos
54:52e nas ambições
54:54e, ao mesmo tempo,
54:56nas frustrações.
54:57Eu acho que não precisa
54:58ter tanta pressa
54:59na vida.
55:01Não acreditar
55:03que tudo
55:04o Google
55:05pode resolver.
55:07Eu acho que
55:07eu sou muito favorável
55:10ao MEI,
55:11que é meritocracia,
55:12experiência e inteligência.
55:14eu acho que
55:16experiência é fundamental,
55:18ainda que tenha
55:19inteligência artificial
55:21pegando um monte
55:22de experiência
55:22do passado,
55:23mas você tem
55:24que ter
55:24a sua experiência.
55:27Inteligência,
55:29você aumenta
55:30ela com leitura,
55:31com profundidade,
55:34e a meritocracia,
55:36ou seja,
55:36não espere
55:37que o governo
55:37vai resolver
55:39os seus problemas,
55:40não espere
55:41que um tio
55:41eu ache um emprego
55:42para você,
55:44corra atrás,
55:45e eu sempre fiz isso,
55:47corri atrás,
55:49acreditando que
55:50se eu não correr atrás
55:51ninguém vai me salvar,
55:52eu tenho que
55:53resolver o meu problema.
55:55Eu acho que o jovem
55:55tem que seguir
55:56esse mesmo caminho.
55:58Acho que esse caminho
55:59é da humanidade.
56:01Ele não fica velho.
56:02Trabalho,
56:04estudar,
56:06independência
56:07para pensar
56:08e para
56:09raciocínio crítico,
56:11pensamento crítico
56:12para tomar
56:13suas decisões,
56:14seja na frente
56:16de uma empresa,
56:17seja na frente
56:18da família,
56:19seja na frente
56:20do seu jornalismo.
56:26Quando você começa
56:27a depender demais
56:28de salário,
56:30quando você começa
56:30a depender demais
56:31de governo,
56:32quando você começa
56:33a depender mais
56:34do seu pai e tal,
56:35você está deixando
56:37de fazer o propósito
56:38da humanidade,
56:39que é cada um
56:41crescer,
56:42pensar e
56:44progredir.
56:45Carlos Aguiar,
56:46muito obrigado
56:47pelos ensinamentos.
56:50Parabéns pelo livro.
56:51Quem não...
56:52O livro está sendo lançado
56:53agora, né?
56:54Quem não leu, leia.
56:55Vale a pena.
56:55Não é só
56:56para a indústria
56:57de celulose.
56:58É um ensinamento
56:59de vida,
57:00sem a menor
57:01sobre de dúvida.
57:02Queria desejar a você
57:03um grande ano
57:04de 2025.
57:05Feliz Natal
57:06para o senhor
57:06para toda a sua família.
57:08Eu sei que o senhor
57:08valoriza demais
57:09ali a família.
57:10E muito obrigado
57:11por ter vindo aqui
57:12no Papo de Valor.
57:13Eu que agradeço
57:14e ouvir
57:16a sua definição
57:18do livro
57:19do jornalista
57:21jovem
57:23deve ser um pouco
57:24acelerado também.
57:27Ter lido o livro
57:28inteiro
57:28já me deixa
57:29muito honrado
57:30e ouvir
57:31a sua crítica
57:35faz com que
57:36eu, vamos dizer,
57:37meu ano e meio
57:39gasto aí
57:39escrevendo o livro
57:40seja muito bem
57:42recompensado.
57:43Não foi gasto,
57:43foi investido.
57:44Foi investido.
57:45Olha, pessoal,
57:46muito obrigado
57:47por esse ano
57:48de 2025.
57:49Feliz Natal
57:49do ano de 2024.
57:51Está vendo?
57:51O senhor falou
57:51que eu sou acelerado.
57:52Está vendo?
57:53Pelo segundo ano
57:53estou falando de 2025.
57:54Segunda vez
57:55estou falando de 2025.
57:56Muito obrigado
57:57para você
57:57que está nos acompanhando.
57:582025 tem mais
58:00Papo de Valor.
58:01Até lá.

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