Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 4 meses
Gustavo Correa era chef de cozinha no ES até que o diagnóstico da doença do filho o fez mudar e buscar respostas na nutrição

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:09A cirurgia que eu não posso fazer, o remédio que não controla, e o que que faz com isso?
00:14Ah, não faz, a gente se convive. Não, não é resposta suficiente pra mim.
00:24Desde a minha primeira infância a gente notou alguma coisa diferente.
00:28O João Paulo demorou a andar, demorou a falar, fizemos consulta com alguns neurologistas e
00:33ah, não tem nada, esse é o desenvolvimento normal.
00:37Depois, na época da alfabetização, aí realmente a coisa ficou um pouco mais evidente.
00:43Foi diagnosticado com dislexia, a gente foi procurar quem nos ajudasse.
00:48Ele estudou então a vida inteira, em escola inclusive, e foi pra faculdade.
00:51O João Paulo já era acompanhado por um neurologista em São Paulo.
00:54E aí, logo no primeiro semestre, ele teve a primeira crise.
00:58Durante estar no hospital e ter as crises, foi confuso.
01:03Falei muitos exames, toda hora.
01:06Começou a ficar mais frequente.
01:08Aí começa o que a gente chama de epilepsia refratária.
01:10Vão usando diversos medicamentos.
01:12A doença não responde.
01:14O médico nos chamou pra conversar.
01:15Ele falou, olha, o João Paulo tem uma epilepsia focal, ou tem aqui o ponto que a gente consegue
01:21identificar, e isso é passível de um procedimento cirúrgico.
01:25Cirurgia no cérebro, sabe, um negócio que na hora, assim, você não parece que...
01:30Eu comecei a chorar na época, só de falar agora, já me emociona.
01:33Aí ela falou assim, mas deixa eu fazer uma pergunta indiscreta a vocês.
01:36Vocês têm alguns milhões na conta?
01:39Eu falei, não.
01:39Não, porque a cirurgia até que não é tão cara, mas se der alguma complicação,
01:43tiver que ficar internado aqui dez dias na UTI, essa conta vai passar de milhão.
01:47Pode não dar certo.
01:49E aí vocês vão ter dois problemas, um filho com epilepsia e uma dívida milionária.
01:57Fui pesquisando, pesquisando, pesquisando, e aí encontrei uma dieta que é específica
02:02para a epilepsia, que é a dieta cetogênica, e comecei a ler sobre.
02:06Eu já era cozinheiro, já trabalhava com isso.
02:08Não encontrei um nutricionista ou uma nutricionista que me apoiasse para fazer isso.
02:13E aí eu fui fazer, mesmo sem conhecimento suficiente.
02:18Depois eu acabei entrando para a graduação.
02:20Eu lembro que eu comia muita carne, mas eu gostava muito da coisa com massa.
02:25Então, aos poucos fui substituindo.
02:27E hoje eu praticamente não como coisa com massa, porque é um carboidrato e isso atrapalha a alimentação.
02:36Realmente a nutrição foi que deu essa possibilidade para o João Palojo trabalhar,
02:42depois ele acabou se formando, enfim, tem o negócio dele.
02:45Quando fui incluindo a alimentação, aí eu fui trocando as doses, medicamento, aí já ficou melhor.
02:53O meu TCC foi o próprio caso do João Palo.
02:56Depois eu fiz pós-graduações em neurodossaução, em neurociência.
03:00A jornada acadêmica foi toda construída baseada nesse estudo da epilepsia.
03:06E nesse meio tempo eu já abri mão dos negócios que eu fazia, de gastronomia, de eventos e tal.
03:12E chega um processo que acho que nenhum pai ia fazer.
03:16E eu sou grato por tudo isso que ele fez para mim.
03:24Hoje da pandemia, eu comecei a fazer marmitos para distribuir para o pessoal morador de rua.
03:31E aí eu estava aqui montando essas marmitos que eu distribuí à noite.
03:35Aí ele falou assim, pai, eu estou querendo produzir algumas coisas para vender.
03:39Você me ajuda?
03:41Eu falei, você quer começar quando? Daqui a dez minutos, ou cinco, você escolhe.
03:45Fiquei assim, né?
03:47Aí eu falei, não, mas eu não sei o que eu vou vender.
03:49O tomate foi o primeiro.
03:51Foi só para a família.
03:52A família ficou com poucos clientes.
03:56Não tinha mais que me vender.
03:57Todo mundo já tinha se inventado.
03:58A família não era suficiente.
03:59A família já não era mais suficiente.
04:01Aí depois foi o peso.
04:05Na época que começou, é bom falar, né?
04:08Que meu pai sempre estava a par, me ajudando, né?
04:11Mas enfim, ele hoje que toca, ele que vende, ele que entrega, ele que...
04:15Aí eu falei assim, tenho que criar um perfil no Instagram.
04:18Aí acabou sendo essa marca que é hoje, né?
04:21Isso foi um desafio.
04:22Aí quando eu fui começar com os clientes.
04:25Ai meu Deus, que medo.
04:27Eu fui me adaptando a escrita, de como escrever o que tem,
04:31que eu não preciso escrever errado, né?
04:32Eu sempre brinco que o João Paulo talvez seja um dos meus maiores professores.
04:36Vê-lo tendo condição de ganhar o próprio dinheiro,
04:39de produzir, de interagir com as pessoas,
04:41de ter um papel na sociedade, assim.
04:45Talvez seja o maior presente mesmo.
04:48Tem sido, na verdade, ainda muito gratificante.
04:51Nós estamos crescendo juntos.
05:06Guerreiro, esperto, disciplinado, talentoso.
05:11Isso é o que eu penso de você.
05:13Eu sinto muito amor.
05:14Eu sinto muito amor por ter você.
05:20Eu sinto muito orgulho disso.
05:22Você tem uma experiência com o meu filho.
05:26Também te amo.

Recomendado