- há 4 meses
O descomissionamento é o encerramento de uma operação. Em princípio, pode parecer algo pouco interessante, mas, na realidade, tem um negócio gigantesco passando por aqui. Só a Petrobras vais gastar quase US$ 10 bi para desmobilizar estruturas até 2030
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00:05Olá pessoal, tudo bem? Mais um papo de valor e claro, sempre conversando, trocando ideias
00:12sobre coisas importantes aqui para a economia, para os negócios no Espírito Santo. E hoje
00:17a gente vai falar, palavra difícil, descomissionamento ou desmontagem ou desmobilização de plataformas,
00:25empresas, embarcações, enfim, grandes estruturas. E a gente tem um grande mercado aqui, pouquíssimo
00:32desenvolvido no Brasil, mas muito forte na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos. Trata-se
00:38de uma indústria gigantesca que exige muita tecnologia e engenharia. De frente para o pré-sal,
00:45o Espírito Santo pode puxar esse negócio aqui no Brasil. Como? Por isso que a gente chamou
00:51vocês dois aqui, dois especialistas, para a gente conversar sobre o tema. O primeiro
00:57é o Paulo Baraona, que é o presidente da Federação das Indústrias aqui do Espírito
01:01Santo. Paulo, obrigado por você estar aqui. Eu que agradeço a oportunidade de a gente
01:05falar um pouco sobre esse novo negócio, esse novo boom econômico que o nosso Estado pode
01:11receber. E um convidado diretamente de Volta Redonda, Rio de Janeiro, professor Newton Narciso
01:18Pereira, que é professor doutor da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Centro
01:24de Estudos para Sistemas Sustentáveis. Professor, seja bem-vindo.
01:28Muito obrigado. Bom dia, boa tarde, boa noite para quem vai assistir depois aqui o nosso
01:34podcast. Eu agradeço bastante o convite e é um prazer estar aqui com o Paulo Baraona
01:39para a gente discutir um pouquinho sobre esse assunto que, nesta semana aqui, o Estado do Espírito
01:44Santo movimentou a indústria, movimentou bastante pessoas aí no evento que aconteceu aqui nessa
01:49cidade. É, o professor está se referindo a um evento organizado pela Federação das
01:52Indústrias para debater justamente esse tema. E aí, professor, como eu comecei aqui o programa
02:00falando descomissionamento, a palavra difícil, a gente não está habituado aqui no Espírito
02:08Santo e no Brasil a essa indústria. Então, para começo de conversa, o que é isso? Que indústria
02:13que é essa? Muito bem. Quando a gente pensa na engenharia e a gente fala, olha, vou instalar
02:20um novo sistema ou vou, por exemplo, construir um terminal portuário. Então, nós temos que
02:27primeiro fazer o projeto de engenharia, depois do projeto de engenharia você passa para o
02:32básico, depois vai para o executivo e depois você vai fazer a obra e aí você vai instalar
02:37os equipamentos e colocar esse terminal, por exemplo, para funcionar. Então, a gente vai
02:42passar por uma etapa quando você vai colocar os equipamentos, você vai comissionar aquela
02:46infraestrutura para que ela possa começar a operar. Então, o que prevê o descomissionamento
02:51é o comissionamento. Eu comissiono, instalo os equipamentos, coloco eles para funcionar e
02:57depois aquela instalação opera. Ao final do seu ciclo de vida, 30 anos, 40 anos depois,
03:02chegou a hora de você desativar esse sistema. Então, nós usamos o termo descomissionamento.
03:08Então, o descomissionamento, ele sugere o inverso do comissionamento, ou seja, em algum
03:13momento eu instalei e agora eu vou ter que desativar, desinstalar esse sistema que vai
03:19deixar de operar. Mais especificamente, quando a gente olha para o setor de óleo e gás, nós
03:24estamos falando de um processo onde a plataforma cumpriu o seu ciclo de vida. Ela operou na locação,
03:32que é o que a gente chama, no mar, por 30, 40 anos e por um motivo que pode ser
03:37econômico
03:38daquele poço onde você estava explorando o petróleo, não ser economicamente mais viável,
03:42porque a produção diminui significativamente, se toma a decisão de cessar aquela operação.
03:48Só que a instalação, a plataforma já estava lá. Como você cessou, não está mais produzindo
03:53petróleo, chega a hora então de você remover essa instalação. Então, essa é uma das vertentes.
03:58A outra é tecnológica. 30 anos depois, aquele ativo, o poço ainda pode estar funcionando,
04:03mas a plataforma já atingiu o tempo de vida útil daquele aço que está no mar. Então,
04:09se toma também a decisão de você tirá-lo por uma questão tecnológica. Então, a gente
04:13tem... Mas o que, via de regra, que define um processo de descomissionamento é o custo.
04:19Então, quando o custo fica maior do que a receita, então se toma a decisão de remover isso,
04:24a gente chama descomissionamento. Então, mas depois eu vou explicar um pouquinho maior, melhor,
04:28todas essas etapas.
04:29E, bom, o senhor falou de tecnologia e só para...
04:34Às vezes a gente perde um pouco a noção, assim, ah, não, isso então é sair uma plataforma
04:38dali. Mas é muito dinheiro, né? Ontem, ontem, não pode falar ontem, num videocast, né?
04:44Mas no evento da FINDES, a presidente da Petrobras, a Magda Chambriar, ela coloca um número
04:50que chama muita atenção, né? 9,7 bilhões de dólares a Petrobras. Estima que vai gastar,
04:59investir entre 2026 e 2030 para desmobilizar. Então, você está falando aí de mais de 50
05:08bilhões de reais nessa desmobilização. Então, assim, não é simplesmente tirar, é algo
05:15que demanda muito dinheiro. Se demanda muito dinheiro, tem oportunidade de negócio, não é
05:19isso? Exato. Quando a gente pensa numa plataforma de petróleo, a gente tem dois segmentos básicos
05:24que a gente tem que olhar. O que a gente chama de águas rasas, vamos falar de profundidade
05:27até 250, 200 metros, que são as plataformas fixas, mais próximas à costa. Nós temos as
05:34plataformas flutuantes que podem chegar aí à profundidade de 2 mil metros de linha d'água.
05:39Então, estamos falando do nível d'água. Então, são essas que já estão a mais de 100
05:42quilômetros da costa, águas ultra profundas. Então, você imagina que lá embaixo você tem um
05:47poço que estava produzindo petróleo e deixou de produzir e agora eu tenho que tampar aquele
05:52poço. Porque mesmo quando você diminui a capacidade de produção, aquele poço ainda
05:57pode estar gerando uma determinada quantidade pequena de petróleo e esse petróleo pode
06:02vazar. Então, quando você toma a decisão de cessar essa operação, você tem que fazer
06:06uma atividade que chama tamponamento do poço. Você vai tamponar aquele poço a, por exemplo,
06:112 mil metros de profundidade.
06:13Não é brincadeira.
06:13Não é brincadeira. Os equipamentos que você precisa são equipamentos altamente sofisticados.
06:18Você precisa de ROVs, robôs que vão lá embaixo fazer essa operação. Além de você tamponar
06:24o poço, você tem que remover os equipamentos que antes serviam para transferir o petróleo
06:30do solo até a plataforma. Então, todos esses equipamentos também são removidos dentro desse
06:35processo de descomissionamento. Aí nós estamos falando de cabeça de poço, estamos falando
06:38de linhas flexíveis. Hoje, os dutos rígidos, em geral, estão sendo abandonados no local,
06:46até por uma questão de integridade, mas os flexíveis são removidos. Então, você
06:51precisa ter embarcações especializadas, equipes especializadas para fazer isso, até chegar
06:56o momento que você removeu esses equipamentos, solta as amarras e aí você, se for uma plataforma
07:00flutuante, você reboca. Se for uma plataforma fixa, você vai içar essa plataforma e transferir
07:06ela para a terra com uma embarcação também especializada.
07:09Não é brincadeira não. Só de içar uma plataforma, fechar o poço lá, dois mil metros, içar
07:14a plataforma, não é brincadeira não, Barona. E eu quero te colocar na conversa porque
07:18a FINDES organizou uma ida lá à Europa, o Mar do Norte, né professor? É muito forte
07:24nesse setor. E a FINDES organizou uma ida lá no final do ano passado e eu queria saber
07:29o seguinte, o que vocês viram lá? O que os empresários capixabas que querem trazer
07:33esse negócio para cá viram lá na Europa?
07:36Bom, na verdade todo esse processo começou numa ida a Houston, na feira de petróleo
07:42e gás que existe em Houston, né? Começou numa conversa com um dos gerentes da Petrobras,
07:49que é o Castilho, e nós começamos a despertar um pouco para esse processo, né? E aí, passados
07:57alguns meses, eu fiz a primeira incursão à Europa com dois executivos da nossa federação
08:03e para entender um pouco como é que isso poderia ser possível a gente despertar os nossos empresários,
08:11né? Porque eu entendo que isso, para o nosso Estado, para dar certo isso e para a gente criar
08:18essa nova indústria, né? Que pode revolucionar o nosso Estado, você tem que ter um ambiente
08:24para isso empresarial, tem que ter empresas que possam, de fato, se adaptar a esse novo
08:31negócio, né? E aí lá nós encontramos com uma associação que é a The Commission e fizemos
08:38um acordo logo com essa associação, um acordo de entendimentos, um MOU, e começámos a conhecer
08:45empresas, visitámos empresas já bastante antigas lá na Noruega e no Reino Unido e vimos,
08:53de fato, o tamanho, a monstruosidade que é esse novo negócio bilionário. Ao voltar
09:00para o Brasil, nós fizemos alguns contatos com algumas empresas tradicionais aqui, portos,
09:06empresas de setor metal ou mecânica, empresas de economia circular e voltámos lá com esses
09:11empresários para verem loco, para eles verem loco e veio todo mundo muito impressionado,
09:17como o professor acabou de falar aqui, com o tamanho gigantesco desse negócio. E aí
09:25resolvemos fazer o evento que aconteceu ontem, né? E anteontem, são dois dias. Antes disso,
09:32as empresas passaram pelo Rio, as empresas que vieram do Reino Unido passaram pelo Rio,
09:36a Firjan, a nosso pedido, os recebeu lá e depois foram dois dias no Rio e dois dias aqui no
09:44nosso estado. E foi um evento que atraiu muita gente, muitas pessoas, exatamente todos querendo entender o tamanho disso aí
09:54e, de fato, saiu todo mundo, todas as pessoas impressionadas, o empresariado em geral saiu impressionado com esse tamanho,
10:02o tamanho das possibilidades que isso pode trazer, mas também das dificuldades, das dificuldades, não assim, do que nós temos
10:11pela frente para fazer, né? Dos desafios que nós temos pela frente para poder trazer esse negócio para aqui.
10:16Eu quero entrar nesse desafio porque tem legislação, tem uma série de coisas que precisam acontecer para que a coisa
10:22ande. Mas, antes da gente começar aqui o videocast, você estava comentando que você esteve numa empresa na Inglaterra, se
10:30eu não estou enganado,
10:31você jogou no estoque da empresa na Noruega, você viu 5 mil lâmpadas, uma quantidade enorme de tubos, barcos, aí
10:43você falou, caramba, a gente está diante de um negócio que de fato é grande.
10:46Como é que foi essa sua ida nessa empresa norueguesa?
10:49É, de fato, foi muito impressionante. Eu tenho até a foto aqui, eu estou próximo de uma plataforma inteira que
10:55está numa doca seca, né?
10:57Que é exatamente como o professor falou, depois do desligamento de todas as tubulações, todos os cabos flexíveis, do tamponamento
11:05do poço,
11:06essa plataforma foi seccionada e foi colocada em cima do navio e levada para um porto especializado em descomissionamento.
11:13Então, eu estava do lado da plataforma, que é uma plataforma que está inteira lá, com o heliporto, com os
11:20barcos, aqueles barcos de laranja,
11:22que são os barcos de salvamento, com tudo lá dentro, geradores, luminárias, mesas, cadeiras, pratos, copos, enfim, tudo como a
11:35plataforma tem.
11:36Porque a plataforma, além de extrair petróleo, é a habitação de todos os...
11:40É uma cidade, né?
11:41É uma cidade, exatamente. É uma cidade. Uma plataforma é uma cidade.
11:45Onde tem o normal da cidade. As pessoas precisam comer, precisam dormir, precisam descansar, enfim.
11:52E precisam extrair o petróleo. Então, é uma cidade que vive em volta daquilo.
11:57Então, assim, é impressionante o tamanho, primeiro o tamanho de uma plataforma, né?
12:01E todo o envolvimento de milhares de setores que giram à volta daquilo.
12:07Isso, Barona, me ligou aqui duas coisas.
12:14O pré, né? Na construção. A gente tem um estaleiro aqui, né? Seatio.
12:19O tamanho desse negócio, né? Antes disso entrar.
12:24Porque essas cinco mil lâmpadas, baleeiras, os talheres, os utensílios, isso tudo tem que entrar na plataforma.
12:31E quando você faz o descomissionamento, você também tem que ter onde colocar isso.
12:37Que você falou das empresas de economia circular.
12:40Você imagina, quando você vai descomissionar um negócio desse tamanho,
12:43o que eu vou fazer com cinco mil talheres? O que eu vou fazer com cinco mil lâmpadas?
12:47O que eu vou fazer com essas baleiras?
12:49O aço é uma oportunidade enorme que se abre, né?
12:52Com certeza. O aço é especial porque, digamos assim, da plataforma é o bem mais valioso que a plataforma gera,
13:00né?
13:00Em termos de negócios.
13:02Mas tudo o resto é negócio.
13:04Então, assim, tudo isso é vendido, né?
13:07Eu falei das lâmpadas, você falou das lâmpadas, dos talheres, dos copos, dos móveis.
13:12Mas tem equipamentos de alta tecnologia.
13:14De toda a ordem.
13:16Geradores, enfim.
13:17Então, tudo isso é recuperado e é vendido.
13:21Então, é comercializado.
13:23Então, tudo isso é um negócio que a plataforma gera, né?
13:27Seja para demantelar isso tudo aí e depois vender peça por peça,
13:34seja a própria venda de peça por peça.
13:37Professor, o senhor é especialista em sistemas sustentáveis.
13:42Quando, assim, fala para a gente aqui, leigo, olha, vocês estão aqui diante de uma coisa muito rica.
13:51O que tem de oportunidade quando você está desmontando uma plataforma?
13:55Excelente pergunta.
13:56Um navio desse tamanho, enfim.
13:58Excelente pergunta, né?
13:59A gente já vem há 10 anos trabalhando no nosso laboratório para o olhar da reciclagem de navios e plataformas.
14:07Se você parar para pensar, uma plataforma para que as pessoas possam habitá-la, ela é uma mini cidade.
14:15Você tem tudo ali.
14:17Ou seja, você imagina que durante o período que o indivíduo está a bordo, né?
14:2214 dias, 28 dias, ele precisa ter entretenimento, ele precisa comer, ele precisa viver ali dentro daquela cidade, daquela mini
14:29cidade.
14:30E todos os recursos têm que estar disponíveis para ele ali.
14:33Então, quando essa plataforma chega em terra, uma vez que ela foi retirada da locação,
14:38ela vai trazer com ela todos os equipamentos que estavam ali a bordo,
14:42inclusive o que a gente chama que seria a parte de hotelaria ou mesmo de enxoval da plataforma.
14:48Então, por exemplo, você imagina que você tem que ter uma cozinha industrial para 200 pessoas.
14:53Então, você tem cozinheiro, você tem toda a parte de acomodação.
14:56Então, tudo isso você tem lâmpadas, você vai ter cama, você vai ter lençol,
15:02tudo isso você vai trazer para a terra no processo de reciclagem.
15:07Na reciclagem a gente chama de last voyage, ou seja, a última viagem da embarcação.
15:12E essa última viagem ela vai com tudo a bordo.
15:15E chega para a instalação de reciclagem, que isso pode ser um estaleiro, pode ser um porto,
15:19e lá você vai ter que dar conta de tudo isso dentro do canal logístico reverso.
15:24Ou seja, o que é aproveitável você consegue reaproveitar,
15:27que é o que o Baralonão está dizendo que ele viu lá nessa missão dele na Noruega.
15:32E quando não, você vai destinar adequadamente.
15:35Por exemplo, resíduos.
15:36Você tem resíduos diversos.
15:38Vou dar um exemplo de resíduos, por exemplo, remédio.
15:41Você tem uma grande quantidade de remédio dentro da embarcação
15:44que tem que ser adequadamente destinado a uma coisa que a gente chama de inventário de materiais perigosos.
15:49Remédio se classifica como material perigoso.
15:51Você tem todo tipo de remédio.
15:52Taja preta, remédio XYZ e tal.
15:55Tudo isso tem que ser destinado.
15:57Você tem resíduos, por exemplo, sanitários, que você também tem que destinar.
16:02E alguns resíduos perigosos, que é da própria natureza da atividade também,
16:06que constam nesse inventário de materiais perigosos.
16:09Então aí você já tem, só por aí você já tem um negócio,
16:12que é o negócio de tratamento de resíduos efluentes, que são oriundos do processo.
16:17Adicionalmente, você tem equipamentos de grande porte.
16:20Um exemplo, turbina.
16:22Que em algumas situações elas estão servíveis,
16:25porque ela vai passando por manutenção enquanto a plataforma está operando,
16:29porque é a turbina que gera energia para que a plataforma esteja operacional.
16:32Então quando você remove aquele equipamento, ainda pode estar funcional.
16:36Então você vai, por exemplo, revender esse equipamento,
16:41vai destinar ele para alguma condição,
16:42desde que aquela plataforma, no nosso caso aqui no Brasil, esteja nacionalizada.
16:48E aí ela não seja classificada como sucata,
16:51esse equipamento volta dentro desse contexto da economia circular.
16:54E o peso de uma plataforma, você pode dizer que 80%, 85% é aço, de estrutura.
16:59Aí é peso estrutural mesmo, é aço.
17:01E aço de grande qualidade, boa qualidade, de grande espessura.
17:06Está 40 anos no mar, né?
17:07Então você está falando aí de duas polegadas, uma e meia polegada.
17:11Então são aços nobres, além do material de alto valor agregado,
17:16como cobre, níquel, cobalto, lítio, que você tem baterias, por exemplo.
17:21Então você tem uma série de materiais que podem ser reinseridos
17:24dentro desse canal reverso, reaproveitado.
17:27E o número mágico que a gente vê na literatura
17:30é em torno de 95% do material de uma plataforma é totalmente reciclado.
17:37O target...
17:3895%?
17:3895%.
17:39Os projetos do Mar do Norte hoje, ele já tem...
17:42Da Shell, por exemplo, eles têm um target de 98%
17:44de reaproveitamento dos materiais.
17:472% são resíduos mesmo que você não consegue reaproveitar
17:50e tem algum material que você acaba perdendo,
17:53que vai para a terra ou vai para a incineração.
17:56Remédio, por exemplo.
17:56O processo, o remédio, enfim, você tem uma perda relativamente pequena.
18:01Mas é um número elevadíssimo.
18:02É um número elevadíssimo.
18:02A taxa de recuperação de material é altíssima no navio.
18:05Professor, eu posso dizer, então, que tem dois negócios aí.
18:07O primeiro é você receber para fazer o descomissionamento.
18:13E o segundo é você fazer o negócio com os 98%, 95% que estão sobrando ali da...
18:20Aí você tem um modelo de negócio, ele depende um pouco.
18:23Esse é um mercado...
18:25Quando a gente olha, por exemplo, para navios mercantes,
18:28hoje em dia ele é um mercado dominado pelo que a gente chama de cash buyer,
18:31que são os compradores de navios.
18:33Então, os compradores de navios são os atravessadores
18:35e eles pagam à vista para o armador que é o dono do navio.
18:39Então, ele compra esse navio e em algumas situações mudam a bandeira do navio
18:43e aí o cash buyer vai escolher aonde esse navio vai ser reciclado.
18:47Em geral, no sul da Ásia, Índia, Bangladesh e Paquistão,
18:50que são países que têm técnicas ou práticas questionáveis,
18:53eles fazem isso nas praias.
18:55Isso gerou muito problema do ponto de vista ambiental, globalmente falando.
19:00A legislação mudou.
19:02Então, a partir de 2009, nós temos uma convenção que se chama Convenção de Hong Kong,
19:05que é uma convenção que veio para regular essa atividade,
19:09ou seja, incluiu, por exemplo, inventário de materiais perigosos.
19:11Não se tinha antes, tem agora a partir da Convenção de Hong Kong.
19:15Você tem certificações dessas instalações de reciclagem.
19:18Porém, o método beating, que é o que a gente chama nas praias,
19:21ainda continua operacional, porque a convenção não baniu isso.
19:24Em 2013, nós tivemos um regulamento europeu, 1257.
19:28Esse regulamento, ele pegou a espinha dorsal da Convenção de Hong Kong,
19:32mas ele colocou dois critérios a mais.
19:35Primeiro, a reciclagem só pode ser feita em piso impermeável,
19:38que tenha sistema de drenagem e somente as embarcações de bandeira europeia
19:43poderão ser enviadas para estaleiros ou instalações de reciclagem
19:47que constam em uma lista publicada pela comunidade europeia.
19:50Então, a comunidade europeia restringiu para onde os armadores podiam mandar os navios.
19:55Navios é plataforma de bandeira europeia para seguir esse regramento,
20:00que é um regramento mais sustentável.
20:02Ou seja, eu não vou impedir, eu vou tentar impedir que você corte esse navio na praia,
20:07tenha derramamento de petróleo, tem resíduos oleosos,
20:10uma série de coisas que era prática normal.
20:12Então, essa é uma vertente.
20:14A outra vertente, principalmente ligada ao óleo e gás,
20:17é algumas operadoras pagam para a reciclagem acontecer,
20:21porque você tem nas plataformas resíduos oleosos
20:25e você tem, às vezes, algum tipo de incrustação de material perigoso.
20:30Então, quando elas saem daqui do Brasil,
20:32os últimos dois casos que nós tivemos, isso foi pago,
20:35você pagou para limpar.
20:37Então, você tem um negócio da limpeza, que é um negócio muito rentável.
20:40Nós estamos falando de alguma coisa em torno de 20 bilhões de euros.
20:43Milhões de euros.
20:4420 milhões de euros.
20:45Que saíram daqui do Brasil.
20:47Milhões.
20:47Milhões.
20:4820 milhões de euros que foram, nessas últimas plataformas,
20:52que foram para a Dinamarca,
20:54o que o dono pagou para limpar a plataforma e fazer todo o processo de reciclagem.
20:59Então, se pagou para a instalação.
21:01Então, são modelos que a gente vê no mundo,
21:04que aí você tem segmentos navio, segmento offshore, que são diferentes.
21:08Então, aqui no Brasil, hoje, o que se pratica?
21:10Em geral, a operadora principal aqui no país,
21:14ela leiloa a plataforma a um preço módico.
21:18Por exemplo, se você pegar hoje a P26 e a P19,
21:21está na faixa de 1 milhão e 600 mil.
21:23Talvez juntando nós quatro que estamos aqui na sala,
21:26com mais alguns colegas aí, faz uma rifa,
21:29consegue comprar uma, dar um lance de uma plataforma.
21:32Ou seja, em termos de valor, é relativamente baixo,
21:36mas, para o leilão,
21:38mas, a partir disso, você vai ter que assumir os custos atrelados
21:41ao processo de limpeza, ao processo de destinação adequada.
21:45Então, essa conta tem que ser feita.
21:47Aqui no Brasil, o modelo hoje...
21:48Ele meio que se livrar, né?
21:49Não, não diria se livrar.
21:50Não se livrar, não?
21:51Sim, não é isso.
21:52Mas, na verdade, você tem uma coisa na administração pública.
21:56Então, se você pega uma empresa que é pública,
21:58só tem duas formas dela se desfazer.
22:00Ou ela paga para fazer, ou ela leilou aquele bem.
22:02Então, ela tem que mensurar o valor daquele bem
22:04e põe para leilão.
22:05E aí, o ganhador é que vai resolver o problema final.
22:08Agora, professor, a gente está começando com isso no Brasil.
22:11E aí, o senhor está falando de dois modelos,
22:12que é o modelo que o senhor falou lá do sul da Ásia.
22:15Isso.
22:15E o modelo que eu entendi,
22:17que é o que tem de melhor aí,
22:19que é o modelo europeu.
22:21O Brasil está seguindo em que linha aí?
22:23Brasil hoje...
22:24Ou deve seguir no europeu.
22:26Mas, assim, como é que está a realidade dos fatos?
22:28O Brasil hoje, ele segue um modelo do desfazimento,
22:31vamos chamar assim,
22:34conforme a legislação pede.
22:35Então, por exemplo, se uma operadora,
22:37que é uma empresa pública,
22:39ela tem por obrigação leiloar aquele bem.
22:42Ela não pode simplesmente dar para alguém.
22:45Então, ela vai leiloar.
22:46Então, ela está leiloando a um valor relativamente módico
22:50dentro da avaliação do valor do bem.
22:53Porque você não pode colocar um valor muito alto também,
22:56porque você tem os custos atrelados a isso.
22:59E a hora que você faz a conta geral pelo preço da sucata,
23:03você tem que fazer um projeto muito bem equacionado
23:06para que você não tenha prejuízo.
23:07Então, as margens também não são muito altas no final da conta.
23:11Se você não tem o efeito da economia circular,
23:13esse efeito de você poder revender os equipamentos.
23:16Então, se você for trabalhar só com o preço da sucata,
23:18como que você valora isso?
23:19É o peso de aço que você tem,
23:21em vez do preço que o mercado paga na sucata.
23:23Se for só sucata, é isso.
23:24Se você puder revender os equipamentos,
23:26aí você tem um extra adicional.
23:28Então, basicamente, hoje é o modelo que está vigente no Brasil.
23:30Um dos modelos é esse.
23:32O outro modelo que se tem é o modelo de contratação de serviço.
23:36Por exemplo, nós temos mais duas plataformas,
23:38P35 e P37.
23:40Qual que é a proposta?
23:41Contratar uma empresa que faça o serviço de remoção
23:44dos equipamentos de topside.
23:46Aí é serviço.
23:47Então, quem oferecer a melhor proposta
23:49para prestar o serviço de remoção
23:52e destinação adequada vai ganhar
23:54num projeto que a gente chama
23:55que é a modalidade de EPRD,
23:58que vai ser colocado.
24:00Então, assim, são modelos ainda que estão sendo testados.
24:03Foi, como o Barona colocou,
24:05foi um modelo que deu certo na P32 e P33,
24:08que a Gerdau, por exemplo, ganhou essas duas licitações.
24:11Agora nós temos essas quatro que estão na rua,
24:14duas para o desmonte ou a reciclagem completa
24:18e duas para a reciclagem parcial.
24:20Mas é o modelo que está se trabalhando no Brasil hoje, é isso.
24:24E lembrando que, assim,
24:25você falou de duas, agora mais algumas,
24:27mas, assim, isso vai acelerar muito nos próximos anos.
24:30Então, a gente tem que estar preparado.
24:31E aí, o Barona, numa das suas respostas,
24:35você colocou o desafio da legislação.
24:39O que a gente precisa fazer para essa coisa andar, Barona?
24:42Do ponto de vista, a gente falou do ponto de vista empresarial,
24:46que está sendo trabalhado,
24:47mas e do ponto de vista legal, legislativo?
24:50O que é que está faltando?
24:52Eu acho que, assim, falta tudo, na verdade.
24:56A nível federal, essa discussão já existe há algum tempo,
24:59já temos alguma legislação federal,
25:01mas nós precisamos criar uma legislação estadual
25:04e até municipal,
25:06dependendo do local onde esse descomissionamento vai se fazer.
25:11Então, assim, um dos pontos, por exemplo,
25:13é o que o professor acabou de mencionar.
25:16É exatamente o modelo que, provavelmente,
25:20o setor público e as empresas privadas vão fazer,
25:24que é colocar um valor e passar para a empresa
25:28que vai adquirir essa plataforma, ou navio,
25:32que ela faça tudo e faça a economia circular funcionar,
25:36que ela destine tudo o que está dentro do navio.
25:38Então, por exemplo, você vai tirar o mobiliário lá que está.
25:42Como é que você pode vender esse mobiliário?
25:44Qual a tributação em cima desse mobiliário, por exemplo?
25:47Esse equipamento pode ser vendido de que forma?
25:50Em sendo como professor nacionalizado no Brasil, a plataforma.
25:55Então, todo esse trabalho e também, obviamente,
25:58as licenças ambientais necessárias para o descomissionamento,
26:02porque vai ter, como o professor falou,
26:04tem vários itens dentro da plataforma,
26:07inclusive minerais, que precisam ser tratados,
26:09assim como os remédios também,
26:11que têm destinações diferentes.
26:14Então, toda essa legislação,
26:15nós estamos conversando bastante com o secretário Rogério Salumi,
26:20e também...
26:21Secretário de Desenvolvimento do Estado.
26:22...desenvolvimento do Estado, exatamente.
26:23Estamos conversando com o IEMA também,
26:26com o presidente lá, o Mário Lousada,
26:29para a gente interagir setor público, setor privado,
26:34para que a gente comece a conversar sobre isso
26:37e a entender para também o setor público,
26:40entender também, assim como nós, empresários,
26:42entender muito essa dinâmica e a necessidade dessa legislação.
26:46E você está colocando...
26:48E assim, quando você fala...
26:50Eu tenho uma conversa com o governo estadual
26:52e os municípios, você falou da legislação municipal,
26:56assim, destacadamente, o presidente Kennedy,
26:58onde está o Porto Central,
26:59que tem um acordo com a Mars, né, americana,
27:02para um acordo de...
27:04Um protocolo de intenções, vamos colocar assim,
27:06para a instalação de uma...
27:10De uma...
27:11De uma...
27:12Estaleiro de descomissionamento lá no Porto Central.
27:14Então, o presidente Kennedy e a V-Port,
27:16que é a concessionária responsável
27:18pelo Complexo Portuário de Vitória,
27:21tem o interesse de fazer...
27:22Sim, lá na Embarra do Riacho.
27:24Tem o interesse, estuda, não é...
27:25Não que necessariamente isso vá acontecer em Barra do Riacho.
27:28Então, assim, vale o alerta aí para as prefeituras de Aracruz
27:31e presidente Kennedy, que a bola está quicando, né?
27:35Com certeza, com certeza.
27:36Não, e tem outras possibilidades, né?
27:39Eu acho que, como o professor falou,
27:41não precisa ser exatamente um porto, né?
27:45Precisa ser uma área que possa ser acostado
27:48e as plataformas possam ser colocadas numa área seca, né?
27:53Então, assim, não necessariamente um porto.
27:56Então, existem outras possibilidades.
27:58Nós estamos estudando, né?
27:59A Federação está olhando junto com o Governo do Estado, né?
28:02O Governo do Estado é participante ativo desse processo,
28:06junto com a gente, né?
28:07Nós, desde o primeiro movimento que nós fizemos,
28:11nós sempre tivemos em contato com o Governo do Estado,
28:14que tem tanto interesse quanto nós.
28:16O interesse tem que ser mútuo, né?
28:18E, Barona, outra coisa que é importante a gente ter em vista, assim,
28:21a gente está falando de uma atividade,
28:24você pegar as plataformas de petróleo, né?
28:27A gente está de frente para o pré-sal,
28:28a gente está muito bem localizado com relação a isso,
28:31e trazer para cá para fazer o descomissionamento.
28:33E é importante a gente ter em vista
28:36que a atividade de petróleo está crescendo no Brasil,
28:39mas não necessariamente está crescendo no Espírito Santo.
28:42Se a gente pegar, estou falando especificamente na extração, né?
28:46E produção.
28:47A gente pega de 2016 para cá,
28:49a gente teve um repiquezinho agora nos últimos dois, três anos,
28:52mas se você olha a curva, é descendente,
28:54estou falando de produção de petróleo.
28:57Mas a gente tem as atividades laterais da cadeia,
29:02a gente está falando aqui de descomissionamento,
29:04tem o transbordo de petróleo,
29:05que é exportação,
29:06o Brasil hoje exporta mais de 50% do petróleo que produz.
29:09Então, assim, é muito importante para a economia do Espírito Santo,
29:11até para fazer essa aterrissagem mais tranquila
29:15dessa redução da produção de petróleo,
29:18para a indústria do Espírito Santo,
29:20é importante também que a gente consiga desdobrar isso, né, Barona?
29:23Com certeza, sim.
29:24Se a gente for...
29:25Uma coisa que eu vi, por exemplo, na Noruega,
29:28especialmente na Noruega, na Dinamarca,
29:30e um pouco também no Reino Unido,
29:32a extração do petróleo lá está diminuindo.
29:35Eles, na verdade, criaram um novo negócio
29:38que tem dado suporte exatamente à economia, né?
29:42Se a gente olhar para o setor do petróleo e gás,
29:44nós temos talvez o setor que tem maior quantidade de fornecedores
29:49e de materiais que são fornecidos para uma única indústria, né?
29:57Então, a maior parte dos componentes, assim,
30:00do que um setor econômico tem é o setor do petróleo e gás.
30:04Então, assim, por isso que o descomissionamento é uma parte...
30:10Quando você monta uma fábrica, por exemplo, nos Estados Unidos ou na Europa,
30:14quando você monta uma indústria, assim como uma plataforma,
30:17no preço dela, na conta que o industrial faz, que a empresa faz,
30:22está a sua desativação.
30:24Então, a sua desativação, porque ela não é perene,
30:27ela algum dia será desativada, né?
30:29Então, assim, quando a gente fala em descomissionamento,
30:31não é só do petróleo e gás.
30:33Uma indústria que está instalada, por exemplo, que ela vai fechar,
30:37ela tem que ser descomissionada também,
30:39ela tem que ser desativada.
30:40E isso exige mais ou menos o mesmo tratamento de uma plataforma.
30:44Então, é um negócio...
30:46Nós estamos...
30:46Não se limita àquilo ali.
30:48Não se limita àquilo ali, exatamente.
30:50Já é grande, né?
30:51Porque eu falo limite, parece que é pequenininho.
30:53Exatamente.
30:53Já é um negócio grande, mas você pode ir além.
30:55Se você pegar uma grande indústria qualquer aqui do nosso Estado ou do Brasil,
31:00ela, em algum determinado momento que ela for ser desativada,
31:05ela tem que ser...
31:06Tem que ser feito um tratamento mais ou menos com uma plataforma.
31:09Então, na verdade, nós estamos criando um negócio
31:11que é um negócio que é longívo.
31:15Porque, afinal, primeiro, porque as plataformas são algumas ativadas,
31:19outras...
31:20Umas são ativadas, outras desativadas.
31:22Mas, se um dia nós deixarmos de ter o combustível fóssil, né?
31:30Que está, inclusive, havendo conversas sobre isso,
31:34mas temos ainda um bom período de anos aí pela frente.
31:38Mas tem todas as indústrias, de um modo geral.
31:41Então, é um negócio que ele é muito mais abrangente, né?
31:45E, professor, por que o Espírito Santo pode ser competitivo nesse negócio?
31:49Eu olho o Espírito Santo como uma possibilidade bastante interessante,
31:55porque ele não tem uma indústria naval de construção.
32:00Me reparo.
32:02Forte.
32:03Então, em geral, o que a gente vê hoje no Brasil,
32:06locais onde você tem uma indústria naval muito forte de construção,
32:10ela sempre vai olhar para o mercado de reciclagem como uma coisa terciária.
32:15Do tipo assim, se eu não tiver nada para fazer, eu quero isso.
32:18Mas, toda vez que aparecer um projeto de construção,
32:21ela vai abandonar esse segmento.
32:23E é natural, porque nós estamos falando do filé mignon.
32:27Então, construir navio é a finalidade principal de um estaleiro.
32:32A segunda seria o reparo.
32:34E o terceiro, o mercado marginal,
32:36que seria da reciclagem pelos valores envolvidos, né?
32:39Então, nós estamos falando aí, vai construir um navio,
32:41nós estamos falando de contratos de acima de 100 milhões de dólares,
32:45dependendo do tipo de navio, 200 milhões de dólares.
32:47E quando você está falando de reciclagem,
32:49eu acabei de falar para vocês 20 milhões de euros.
32:52Então, nós estamos falando de uma ordem de grandeza muito diferente.
32:57Então, como você não está criando uma instalação para construção,
33:02mas aí você está fazendo uma instalação específica para reciclagem,
33:05você passa a ser dedicado a essa finalidade.
33:09E aí você se especializa, que é o que a gente vê na experiência internacional.
33:13Essa especialização, ela tem uma vantagem muito grande no sentido da continuidade.
33:18Então, eu levei hoje de manhã números para a gente entender o gargalo, né?
33:22Então, nós estamos falando que em 2033,
33:25é provável que nós tenhamos aí 2.800 navios,
33:28pela projeção que a gente fez, para serem reciclados em um ano.
33:32E nós não temos capacidade para isso.
33:33Nós estamos falando que a cada sete a oito dias teria,
33:37a cada dia teria de sete a oito navios disponível
33:40para ser atendido no mercado de reciclagem,
33:43para alguém que não tem capacidade para isso.
33:45E o mais interessante é que depois da minha fala
33:47veio uma outra pessoa que falou o seguinte,
33:49professor, você tem uma projeção mais pessimista que a sua,
33:52que não é 2033, é 2029.
33:56Na Europa, por exemplo, já não vai ter,
33:57eles já calcularam que não tem mais espaço.
33:59Então, a gente observa que a gente está diante de um mercado
34:02que ele é um mercado, ao longo do tempo, contínuo,
34:05porque todo ano você tem uma grande quantidade de navios
34:08sem nenhum problema geopolítico,
34:10nenhum problema de Covid.
34:11Na média, a gente está falando de 800 navios por ano.
34:14Se o Brasil pegar 5% desse mercado,
34:16são 40 navios por ano sendo reciclados continuamente.
34:20Então, é uma indústria que não para.
34:22A indústria de construção, por exemplo,
34:23ela é cíclica, ela é induzida.
34:26Então, hoje nós estamos numa vertente
34:28porque nós temos uma indução do mercado
34:30com, por exemplo, a Petrobras construindo navios no Brasil.
34:33Então, o mercado aqueceu.
34:35Mas, se você tirar essa indução,
34:37pode ser que a gente volte a ter uma situação
34:38um pouco mais complicada.
34:40E nos mercados maiores, como Estados Unidos, Europa,
34:46no próprio Brasil, você tem um marco legal
34:48que obriga um descomissionamento responsável.
34:52Exatamente isso.
34:53Isso dá mais ainda previsibilidade ao negócio.
34:59Perfeitamente.
34:59É a questão da demanda.
35:01Então, embora talvez o resultado final
35:04da atividade de reciclagem seja menor
35:06do ponto de vista da construção,
35:08mas você tem uma garantia da perenidade,
35:11que é a previsibilidade que todo empresário quer ter.
35:13Olha, se eu fizer uma análise de demanda,
35:15então projeto para daqui 20 anos,
35:16vou melhorando o meu processo,
35:18vou ficando mais eficiente.
35:19Com o tempo, a sua curva,
35:20sua produtividade aumenta,
35:22você é mais eficaz.
35:23Então, eu estive na Turquia o ano passado,
35:26em outubro,
35:26e conversando lá com a pessoa do Estaleiro,
35:28o cronograma médio deles é quatro meses.
35:30Em quatro meses, a gente desmonta um e coloca outro.
35:32Em quatro meses, e tem fila,
35:34um atrás do outro.
35:35Então, você tem um ciclo.
35:37Tanto esse que a gente visitou,
35:38que é o Layout,
35:39eles têm duas instalações de reciclagem no mesmo local.
35:41Uma, ele consegue colocar um de cada vez,
35:43outra, eles põem três.
35:44Então, você está falando que por cada quatro meses,
35:47eles atendem quatro navios.
35:48Então, em um ano, só ali,
35:50eles conseguem fazer de 12 a 13 navios por ano,
35:52reciclando.
35:53Então, você tem um fluxo superior.
35:55Nesse mercado, a gente estimula,
35:57ela é da ordem de 2 a 3 bilhões de dólares por ano.
36:00É o que movimenta no mercado de reciclagem.
36:02De navios.
36:03Não, estamos falando de plataforma.
36:04Estamos falando de navios.
36:05É interessante você separar isso,
36:06porque quando você fala da Petrobras,
36:07ela está falando de plataforma.
36:09Plataforma.
36:09Exato.
36:09Nós estamos falando do mercado de navios.
36:11Não, mas é bom,
36:11tem duas coisas interessantes.
36:13Primeiro, que é o mercado de navios,
36:14deixar isso claro.
36:15Segundo, é que o mercado é grande,
36:17que é o que o Barão estava dizendo.
36:18Exatamente.
36:19Gente, nosso tempo passa rápido
36:20e eu preciso encerrar aqui o videocast.
36:25O jogo bom passa rápido.
36:26Então, é papo bom passa rápido também.
36:28Eu vou fazer uma pergunta que é para os dois.
36:31Eu sei que o tema é amplo,
36:33mas eu quero que vocês elejam
36:35alguns poucos itens
36:38para a gente conseguir fazer a resposta.
36:41Eu queria começar com o professor.
36:43O que é que precisa fazer aqui no Brasil,
36:45aqui no Espírito Santo,
36:46para esse negócio de fato decolar?
36:49Espírito Santo,
36:50eu acho que vocês têm a faca e o queijo na mão.
36:53Tem costa,
36:55águas relativamente profundas,
36:57porque para essa atividade o navio chega leve,
36:59você não precisa de grandes profundidades,
37:00e já tem infraestrutura disponível.
37:02Seriam pequenas adequações a essa infraestrutura.
37:05E olhando do ponto de vista logístico,
37:07vocês estão no epicentro da Bacia de Campos,
37:10onde a gente vai ter os maiores descomissionamentos
37:12olhando para o setor de óleo e gás.
37:16E vocês partiram já com a FINDES
37:20de uma maneira extremamente estruturada,
37:22integrando a cadeia logística.
37:24Então, você tem o Porto,
37:26ou o Estaleiro,
37:27você tem a Siderúrgica,
37:29que vai consumir isso.
37:31E no meio do caminho,
37:32você tem as outras empresas
37:33que dão também o suporte ao setor metal mecânico.
37:37Então, vocês têm uma cadeia integrada muito boa.
37:39Acho que essa é uma vantagem competitiva
37:41que vocês têm,
37:42pelo fato do que a Siderurgia
37:43está muito próximo das pontas de consumo.
37:46Quando você olha para outros estados, por exemplo,
37:48eles têm uma dificuldade um pouco maior.
37:51Se ele tem o interesse de fazer a atividade,
37:54mas a Siderurgia, às vezes,
37:55está a 500 quilômetros de distância.
37:56Isso impõe custo.
37:57Então, você tem essas vantagens competitivas,
37:59acho que o Espírito Santo tem que aproveitar.
38:01Você falou das vantagens,
38:02mas o que está faltando aqui para a gente?
38:03Ah, sim.
38:03O que está faltando é ter a instalação, efetivamente.
38:06Nesse contexto,
38:08uma instalação que seja licenciada,
38:10que atenda aos critérios de ESG,
38:13vamos chamar assim,
38:14aos critérios ambientais.
38:15Mas não vejo isso como um gargalo muito interessante,
38:19até pelas pontes que estão sendo amarradas
38:21com os órgãos que podem ajudar nesse sentido.
38:23Maraona.
38:25Bom, eu acho que...
38:27Não quero repetir o que o professor já falou,
38:30sim, das vantagens.
38:31Essas são as grandes vantagens.
38:33Eu vejo o Espírito Santo também
38:34pela sua localização logística
38:37e pela costa que nós temos.
38:39Enfim, também nós temos uma...
38:41Como vantagem, nós temos um setor industrial muito forte,
38:46criado nas últimas décadas
38:49pela Vale, Arceló, Suzano,
38:51enfim, pelas grandes indústrias,
38:53onde as nossas empresas
38:54vêm se destacando nacionalmente
38:56nesse setor eletromecânico e metromecânico.
39:00É como o professor falou também,
39:03temos a Arcelor aí,
39:04que ela é um parceiro
39:06e muito interessado nesse aspecto.
39:09Quais são os grandes desafios?
39:11Os grandes desafios, para mim,
39:12são dois.
39:14O primeiro é a legislação,
39:16porque nós precisamos criar essa legislação
39:19para dar segurança jurídica
39:21aos investidores.
39:22e o outro é criar, de fato,
39:25o ambiente,
39:25é unir o ambiente empresarial
39:28dos grandes players internacionais
39:30que detêm a tecnologia
39:32com os nossos empresários
39:35e capacitar a mão de obra para isso,
39:37que o nosso Senai já está tratando desse assunto.
39:40Nós já temos acordos com universidades em Aberdeen
39:44e o nosso Senai já está pensando,
39:47já está fazendo com que esses acordos
39:49tragam professores aqui
39:50e que a gente consiga começar
39:52a capacitar a mão de obra.
39:54Então, os desafios são grandes,
39:56mas a Federação das Indústrias,
39:57junto com o Governo do Estado
39:59e com os órgãos,
40:01nomeadamente os órgãos ambientais,
40:04nós já estamos tratando desse assunto
40:06e desafios são bons
40:08porque eles nos animam
40:09e são parceiros vencidos.
40:11Você falou de mão de obra?
40:13É um baita de um desafio.
40:14Mas a mão de obra é um desafio para tudo.
40:16Esse é só mais um.
40:19Paulo Baraona,
40:20presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo.
40:23Nilton Narciso Pereira,
40:24professor doutor da Universidade Federal Fluminense,
40:27lá em Volta Redonda.
40:29E coordenador do Centro de Estudos
40:31para Sistemas Sustentáveis.
40:33Muito obrigado pela participação aqui no Papo de Valor.
40:37Até a próxima.
40:38Baraona, com certeza.
40:40o professor, espero que volte aqui
40:41porque eu quero que ele fale
40:42olha, a coisa está caminhando, hein?
40:44Com certeza.
40:45E a você,
40:46muito obrigado por nos acompanhar
40:48e até o próximo Papo de Valor.
40:50Grande abraço.
40:51E aí
40:51E aí
40:54E aí
40:56E aí
40:56E aí