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  • há 4 meses

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00:00Patrick Junqueira, sou fisioterapeuta, tenho 43 anos, aqui no Jaime desde 2013.
00:08Você atua aqui fazendo o que, Patrick?
00:11A parte de fisioterapia intensiva, dentro de UTI e de pronto-socorro.
00:17No meu caso, eu estou no pronto-socorro já há muito tempo.
00:20No período de 2020, o que fazia um fisioterapeuta?
00:26Na verdade, dentro de uma UTI em si, a gente já trabalha muito a parte respiratória, que são os ventiladores.
00:34E na Covid, isso acabou se potencializando, porque antes a gente tinha uma quantidade de pacientes dentro da UTI,
00:42precisando da ventilação mecânica, relativamente pequena.
00:46Quando o Covid chegou, que a quantidade de leitos de UTI quadriplicou, quintuplicou,
00:51Então, precisou muito mais de fisioterapeuta atuando nessa área, na parte respiratória dos pacientes.
00:57Como é que foi a jornada de trabalho?
01:00É, foi bem intensa, porque a gente saía daqui, às vezes, de uma UTI para outra, para poder tentar cobrir.
01:09Porque, na verdade, como precisou muito de fisioterapeuta nessa área, a gente não tinha essa demanda.
01:17A gente precisava de pegar uma quantidade, a equipe toda, e sacrificar, entre aspas, dobrando o plantão,
01:27para poder dar conta de todos os pacientes.
01:31Quando você chegou a trabalhar com as horas, você não lembra?
01:33Ah, não lembro.
01:34Mas já aconteceu de ficar três, quatro semanas direto aqui dentro, e em casa, por causa de roupa, por causa
01:41de ter um descanso mínimo,
01:44e voltava sem ter dias de folga.
01:47Você tem momento de você passar um dia em casa.
01:50Você passava todos os dias aqui dentro, quando ia em casa para poder dormir.
01:56Você lembra do dia que chegaram para o hospital e falaram, estamos aqui, temos, temos o primeiro caso de Covid,
02:03e chegou, como é que o Ministério, como é que foi esse dia?
02:05Eu fiquei sabendo do primeiro caso de Covid, eu não estava de plantão.
02:10Eu estava de plantão no dia seguinte, chegaram para a gente aqui e falaram,
02:14olha, provavelmente nós vamos receber os casos de Covid.
02:20Pouco tempo depois, poucos dias depois, chegou a notícia que nós íamos ser a referência do Estado do Espírito Santo
02:26para a Covid.
02:28E passou pela sua doença?
02:31É, passou tanta coisa, tanta coisa, principalmente que era uma coisa desconhecida, uma doença desconhecida.
02:38Então a gente teria que aprender a doença, aprender o tratamento da doença,
02:44e se adequar a tudo aquilo que ia acontecer, sendo que a gente não sabia de nada.
02:47A gente não sabia de nada.
02:49As informações de fora eram pouquíssimas.
02:52Então aqui a gente teve que ter treinamento para poder você se proteger, você se encapotar,
02:58você se paramentar todo, você disparamentar de forma correta também.
03:03Nós tivemos que ter treinamentos até nos procedimentos que são corriqueiramente feitos de forma tranquila,
03:09até para evitar qualquer tipo de contaminação.
03:13Foi bem complicado.
03:14A primeira vez que você se paramentrizou e passou com a sua cabeça, qual o sentimento?
03:21É grave.
03:22É terrível o que está vindo.
03:26Não passava outra coisa.
03:28A única coisa que a gente pensava é que não tinha como ser algo mais grave, não tinha.
03:33E a surpresa do que era, né?
03:36Tentar entender o que era.
03:40Você deu um...
03:41Inspirou fundo.
03:42O que é que te ganhou agora na cabeça?
03:44É grave.
03:48Gente, é uma mistura muito grande da sensação do dever cumprido porque a gente fez tudo que a gente podia
03:55e ao mesmo tempo era aquela coisa assim, por mais que a gente tenha experiência de alguma coisa,
04:00por mais que a gente estude, a gente vê que nesse momento a gente não sabe nada.
04:04A gente teve que aprender tudo de novo, a gente teve que se adequar.
04:08Uma coisa muito grave, que hoje em dia não é tanto assim, graças às vacinas e tudo mais.
04:14Há algum momento que você se sentia vulnerável ali dentro da sala, junto com outros médicos?
04:19Quase todos.
04:21Quase todos.
04:22Porque você se preocupava com a paramentação, para ver se estava correto.
04:25Se preocupava com o paciente, se preocupava com o isolamento, se preocupava com o colega.
04:29E além de tudo, quando a gente saía de dentro do hospital, ainda tinha que se preocupar com tudo ok
04:33para poder não levar para casa tudo aquilo que a gente tinha aqui.
04:36não só em relação à doença, mas em relação ao que a gente passava,
04:39de problemas aqui dentro, de perdas.
04:43O ideal seria levar para casa só as vitórias, né?
04:46Mas aqui dentro a gente se sentia vulnerável várias vezes.
04:49Várias vezes.
04:51Você tinha, tem, sua mãe é viva, seu pai?
04:54Minha mãe é.
04:56Como é que foi, assim...
04:58Eu não sei se eles tinham curiosidade sobre a doença, eles te questionavam,
05:02você contava tudo que você não pensava ali dentro.
05:05Ao contrário, eu não contava, justamente porque minha mãe mora longe daqui,
05:09numa cidade muito pequena, em Minas.
05:11E eu não tinha necessidade de ela ficar sabendo exatamente a nossa realidade aqui.
05:16Mas chegou um ponto dela me ligar e me perguntar
05:20se eu já tinha presenciado algum óbito.
05:23E naquele dia, a gente tinha tido vários óbitos.
05:27Vários pacientes gravíssimos, que infelizmente não resistiram, né?
05:31Aí a minha resposta para ela foi bem sucinta e tal.
05:34Eu falei assim, não mãe, infelizmente presenciei,
05:37cortei o assunto,
05:38ela ficou meio triste e tudo,
05:40mas eu preferi não prolongar, não continuar a conversa desse ponto,
05:45porque é uma parte triste, né?
05:54Esse várias, esse eu, você pode botar mesmo, são várias.
05:58Porque a gente teve situações de filhos que perderam pai e mãe,
06:05que perderam quase a família toda,
06:07que passaram por situações muito complicadas aqui dentro,
06:11como teve pessoas conhecidas, próximas,
06:13que passaram pela fase mais grave,
06:16que precisava ser entubado,
06:18que chegou ao ponto da gente meio que achar que não ia dar,
06:24mas no final das contas, graças a Deus, deu certo.
06:28Que foi o que a gente achou que ia ser ruim,
06:30mas acabou sendo bom no final.
06:32Pessoas que surpreenderam muito a gente aqui também.
06:34A gente achou que não ia sair, que não ia dar,
06:37e no final a gente estava comemorando a saída deles aqui.
06:40O que foi mais difícil nesse período?
06:44Acho que ver as famílias.
06:46Ver o quê?
06:47A tristeza das famílias.
06:48Não tem como se despedir direito do ente querido.
06:54Por causa até de manter ele isolado,
06:57de evitar contaminação.
06:59Ver as famílias que perdiam vários, vários parentes.
07:04Isso sim complicava, isso sim.
07:06Mas ao mesmo tempo a gente não podia deixar isso afetar muito,
07:09porque eram vários outros que estavam ali com a gente.
07:12A gente tinha que manter o foco nos pacientes, de qualquer jeito.
07:16Qual que o paciente chegou a fazer algum pedido antes?
07:20Não sei se você tinha contato com os que iam ser entubados,
07:22mas chegou a falar alguma coisa para você?
07:26Eles tinham muito medo da entubação.
07:28Porque a entubação em si, como não era uma coisa muito explicada
07:31para a população em si,
07:34ela acabou sendo aquela história assim,
07:36o paciente vai ser entubado e vai morrer.
07:38Só que era o oposto.
07:39A entubação era o último recurso que a gente tinha para evitar.
07:43Então, o paciente que chegava,
07:45ah, não, que eu não quero ser entubado de jeito nenhum,
07:47que eu vou morrer, eu tenho um filho novinho,
07:50a minha família agora, acabei de casar.
07:51Sempre tinha alguma coisa assim, que marcava.
07:55Mas muitos pacientes pediam,
07:57deixa eu despedir da minha família antes de você me entubar.
08:00A gente não podia colocar uma família para dentro,
08:04ah, não, você vai despedir dele porque ele vai ser entubado.
08:07Não, ao contrário, a gente está fazendo de tudo é para salvar.
08:09E a gente não podia arriscar a integridade da família também,
08:13de vir aqui e ter o risco de contaminação.
08:15Como assim?
08:20Geralmente, essa é a parte, os médicos é que explicam.
08:22O fisioterapeuta fica mais com a parte da ventilação.
08:25Então, a gente via que os médicos reservavam,
08:28iam junto com o psicólogo, conversavam,
08:30não só com o paciente, com a família do paciente,
08:33mas às vezes voltavam e conversavam com o paciente
08:35sobre o que tinham tido de papo com a família também.
08:38Era o que ajudava a acalmar também.
08:41Como é que fica o seu emocional?
08:42Por exemplo, ao ouvir ou a ver, né?
08:45Ao ver com uma cena dessa?
08:47A gente tinha que...
08:50A gente tinha que tentar separar.
08:52A gente tinha que tentar separar
08:54a parte emocional da parte profissional.
08:57Porque ali dentro, eles precisam da gente 100% profissional.
09:02Só que a gente não consegue ser 100% profissional
09:04vendo uma pessoa que tem um grande risco de óbito.
09:08Então, a gente tinha que tentar separar ao máximo,
09:11deixar a emoção do lado de fora.
09:13Nem sempre conseguia.
09:18Teve?
09:19Teve.
09:20Teve momentos que no meio de uma intubação
09:22ou no meio de uma...
09:24de pronar o paciente,
09:27às vezes o paciente a gente via que estava exatamente no fim mesmo,
09:30a gente sabia, por causa do percurso dele dentro do hospital,
09:33a gente sabia a família que estava atrás,
09:35os parentes que vinham tentando saber a notícia,
09:39tudo.
09:39A gente, às vezes, quando conseguia,
09:41saía de perto.
09:43Tinha muita gente que chorava no meio do plantão,
09:45mas por causa da emoção mesmo com relação aos pacientes.
09:48O que foi mais difícil nesse processo?
09:52Olha, eu acho que é...
09:55tentar entender que...
09:57você está ali do lado,
10:00você tem que aproveitar ao máximo essa pessoa do seu lado,
10:04porque tudo pode acontecer,
10:05igual aconteceu com a gente, né?
10:08Eu passei pelo Covid sendo paciente também,
10:11eu peguei o Covid,
10:13e eu não podia ficar perto da minha esposa,
10:14dentro da própria casa.
10:17Não podia ir visitar minha mãe,
10:19não podia visitar minha irmã,
10:20e isso era muito complicado.
10:22Então, é assim,
10:23a gente se colocava
10:24em todas as situações.
10:26Aqui, o emocional da gente
10:27não podia misturar com o profissional,
10:29só que tinha o inverso.
10:31A gente tinha o lado de fora,
10:32a gente tinha também a situação
10:33da gente poder pegar e ir.
10:35Como é que a gente vai passar por isso?
10:37Então, era aproveitar ao máximo
10:39tudo que a gente podia perto da família.
10:41Que era difícil também, né?
10:42Porque eu vivia aqui dentro.
10:51Ah, eu dou muito mais valor
10:54a cada momento junto com a minha família.
10:57Cada momento mesmo.
10:59Às vezes você pode estar...
11:01Sei lá,
11:02opiniões diferentes existem,
11:03você pode estar brigado.
11:05Mas só de estar perto.
11:07E isso sim, mudou muito.
11:09Bastante.
11:12Bastante.
11:13Normal.
11:15É família.
11:17É família.
11:20É, ela tá longe, mas...
11:23Graças a Deus,
11:24ela não passou pelo Covid.
11:25Ela ficou o tempo inteiro bem.
11:28Minha irmã pegou,
11:29mas não teve nada grave.
11:32Acho que eu que foi
11:33o que fiquei ruim,
11:34e mesmo assim consegui ficar em casa.
11:36Não precisei buscar ajuda médica.
11:39O que ficou de aprendizado?
11:44Olha, eu vou falar uma frase
11:46que eu escutei
11:47e eu peguei pra mim.
11:49Por mais que eu tenha aprendido muito,
11:51é um momento
11:52que eu não queria ter passado.
11:54Eu aprendi muito,
11:56não só com a parte profissional,
11:58mas com a vida em si.
12:00Mas é muita tragédia,
12:01muita...
12:02Foi muita coisa...
12:03Foi muita vitória
12:04de muito paciente
12:05que se recuperou.
12:06Mas também as perdas
12:07foram muito sentidas
12:08pelos pacientes,
12:09pelos familiares deles.
12:12Isso ficou bastante.
12:14Você acha que agora
12:15as pessoas deveriam
12:16tomar mais cuidado
12:17com qualquer doença respiratória?
12:20Tomar mais cuidado, sim.
12:21Sim,
12:21tomar mais cuidado, sim.
12:23Porque o medo
12:24que a gente tem das doenças,
12:25inclusive com o Covid
12:26a gente aprendeu isso,
12:27o medo,
12:27ele não precisa ser uma coisa grande,
12:29mas ele existindo,
12:31transforma em cautela.
12:33você se previne,
12:34você começa a entender
12:35que você precisa se cuidar
12:37de certas situações,
12:38máscara dentro de um setor,
12:40lavar as mãos direitos,
12:42entendeu?
12:42Isso aí...
12:43As pessoas precisam se cuidar,
12:45sempre precisou.
12:46Só que o Covid veio
12:47para mostrar o grau
12:48que pode chegar.
12:49E espero que não aconteça de novo.
12:51Para a gente finalizar,
12:53agora a questão das vacinas,
12:55perguntando para a doutora,
12:56como é que foi esse período?
12:58A gente não lembra
12:58como é que ela recebeu
13:00e você lembra
13:02de ser vacinado?
13:03Lembro.
13:04Lembro.
13:05Nossa.
13:06Eu acho que foi aquele ponto
13:08assim de
13:09estamos começando a melhorar.
13:11Já existe a vacina,
13:14vamos atrás das vacinas,
13:15vamos.
13:16É a chance que a gente tem.
13:18Isso,
13:20quantas vacinas tiver,
13:21quantas vacinas
13:22a gente precisa tomar.
13:24Tivemos casos depois
13:25de muita vacinação,
13:27quando o hospital deixou
13:28de ser referência
13:29a Covid,
13:31casos pontuais,
13:33pouquíssimos,
13:33mas tivemos casos
13:34de pacientes
13:35Covid graves
13:37que a família relatava
13:38que aquela determinada pessoa
13:40não quis tomar a vacina.
13:43Por isso chegou
13:44num Covid grave de novo.
13:45Mas casos isoladíssimos,
13:47isoladíssimos,
13:48pouquíssimos.
13:49Covid existe,
13:50Covid está aí,
13:51só que hoje em dia
13:52a gente vê muita gente
13:53que pega o Covid,
13:54mas não fica grave
13:55por causa das vacinas.
13:57E você,
13:58onde você lembra?
14:00Lembro,
14:00foi assim,
14:03foi aqui dentro.
14:05Teve a vacinação
14:05aqui dentro.
14:07Você via a fila
14:08de profissionais,
14:09todos,
14:10máscara,
14:11o gorro,
14:12tal,
14:13mas todos eles,
14:15você olhava
14:16para a fila,
14:16você via que todos eles
14:17estavam com aquelas
14:18apreensivos, né?
14:21mas com a sensação
14:23de,
14:23porra,
14:24finalmente,
14:25passando por tudo isso,
14:26finalmente chegou a vacina.
14:28Foi muito bom.
14:31Foi.
14:40Tentei segurar, né?
14:42Eu vi que você
14:43tentou ser certo.
14:43Tentei segurar.
14:44Não.
14:44Eu vi.
14:45Dá não.
14:46Você tentou de tudo.
14:50Patrícia,
14:50uma pergunta.
14:52Eu perguntei para você
14:53o que foi mais difícil, né?
14:55Nesse período todo,
14:57as situações físicas
14:59e emocionais,
15:00mas a gente teve
15:02dois anos,
15:02não é?
15:03De período complicadíssimo,
15:04dos pílios,
15:05de mortes,
15:06duas mil mortes por mês.
15:08O que mais doeu em você?
15:11O que mais doeu?
15:16Eu acho que foi
15:18as famílias mesmo.
15:19Eles tendo as perdas,
15:21a gente vendo
15:22e a gente vendo
15:23que em alguma situação
15:24a gente não consegue evitar.
15:25Não consegue.
15:27A gente não conseguia evitar.
15:29Pessoas que a gente via
15:30que estavam piorando,
15:32que na maioria das vezes,
15:33por mais grave que esteja,
15:34por todo o equipamento,
15:36por todo o recurso
15:37que a gente tem,
15:38mesmo assim,
15:39a gente não conseguia
15:40fazer com que as pessoas
15:41melhorassem.
15:42você tinha contato
15:43com esses pacientes
15:44por algum lado
15:45da morte?
15:46Tinha.
15:47Tinha por causa
15:48das UTIs.
15:50Não, mas todos eles
15:51entubados.
15:53Todos eles entubados.
15:54a família
15:57era um caso à parte,
15:59porque como não podia
15:59entrar,
16:00não podia visitar,
16:02às vezes o boletim
16:02era feito por telefone,
16:04ou em alguns casos,
16:06os médicos saíam
16:08do setor
16:08e conversavam longe
16:09com a família.
16:11É, não,
16:12a gente não.
16:13A gente não,
16:14a equipe de fisioterapia,
16:15enfermagem, não.
16:15E esse sofrimento...
16:17É, dia a dia.
16:20A gente via muito isso aqui.
16:22E era difícil, né,
16:23não levar isso pra casa,
16:24não levar isso pra sua mãe.
16:26E você imagina,
16:27você com o seu ente querido
16:28entubado dentro de uma UTI,
16:30você sem saber exatamente
16:31como está acontecendo tudo,
16:33e você ter que receber
16:34a notícia por telefone.
16:36Você não pode chegar nem perto
16:37pra poder ver.
16:40Não, eu tenho certeza
16:43que eu não ia aguentar,
16:43que eu ia chorar no meio.
16:45Eu tenho certeza absoluta.
16:47Absoluta.
16:48Aí eu deixei pra equipe médica,
16:50enfermagem,
16:51psicologia,
16:52os técnicos que estavam
16:54direto com o paciente
16:55liam muito também.
16:57Era muito importante
16:58pra família em si
16:59e pro paciente.
17:00Mas eu tenho certeza
17:01que eu não conseguiria.
17:05Tem alguma coisa
17:06que você faria
17:07de diferente
17:08se você pudesse
17:10porque com a manhã
17:10você faria?
17:12Não.
17:14Não.
17:14Tentei o máximo.
17:16Tentei o máximo
17:17dentro das minhas limitações.
17:20Tentei de tudo.
17:22Era algo novo.
17:24Infelizmente,
17:25péssimo.
17:27Mas eu acho que
17:28fazer algo diferente,
17:30não.
17:32Não.
17:33Ia tentar do mesmo jeito.
17:34Ia correr atrás
17:35do mesmo jeito.
17:37fomos atrás
17:37de ensinamentos,
17:39de vídeos,
17:39de informações.
17:41Ia fazer tudo
17:42do mesmo jeito.
17:43O que você diria
17:44pra sua sorte?
17:45É isso?
17:45Então,
17:46o que você inventaram?
17:47É.
17:47Com certeza.
17:48O que a gente podia,
17:49a gente fez.
17:50O que dava pra fazer,
17:51foi feito.
17:52com certeza.
17:55Com certeza.
18:17Olha,
18:18eu acho que é exatamente isso
18:19que a gente acabou de falar,
18:20que tudo que podia ser feito,
18:23foi feito.
18:25Todos os recursos,
18:26tanto da instituição,
18:28todos os recursos em relação
18:29à parte humana,
18:31tudo,
18:31tudo foi feito.
18:33Foi feito mesmo.
18:51Ah, cara,
18:52aí é bem complicado.
18:54Complicado,
18:55porque aqui a gente
18:57não podia desligar
18:58a parte profissional
18:59da pessoal
19:00e precisava.
19:03Mas,
19:04pelo que eu passei
19:05fora daqui
19:06como paciente
19:07e pelo que eu vi
19:09os outros passarem,
19:10familiar,
19:11colegas,
19:12amigos,
19:14colegas de profissão
19:14aqui,
19:15infelizmente,
19:15tivemos uma perda também.
19:20é difícil.
19:22É difícil.
19:23É uma época
19:23que eu não queria ter vivido
19:25como pessoa,
19:26a parte pessoal,
19:28a parte emocional.
19:29Como profissional
19:30é muito ensinamento,
19:31mas a parte pessoal...
19:33Eu dou graças a Deus
19:34da minha mãe morar
19:35numa cidadezinha pequena
19:36porque ela não passou por isso.
19:37Isso foi ótimo.
19:39Entendeu?
19:40Não dá pra...
19:44Oi?
19:44Tinha?
19:47Tinha muito.
19:48Muito medo.
19:50Muito medo.
19:50Ela mora sozinha,
19:53geralmente,
19:54mãe e pai,
19:54a gente sabe que
19:55acham que são donos da razão
19:57e são, né?
19:58A gente não ia poder
19:59falar muita coisa.
20:01Eu tinha medo
20:02dela pegar assim,
20:03mas graças a Deus
20:04não passei por essa situação.
20:07Foi um sortudo.
20:09O que te deixou mais feliz hoje?
20:11Isso.
20:12Ter passado por isso.
20:14Ter passado.
20:16Não ter perdido.
20:18Por mais que a gente
20:19tenha perdido todo dia
20:21um ou outro paciente,
20:23a gente passou por isso.
20:25A gente pensa muito mais
20:26nas vitórias,
20:28naqueles corredores
20:29todos preparados
20:29pra gente aplaudir
20:30os pacientes
20:31que venceram o COVID
20:33e deixa as derrotas
20:35e deixa as derrotas
20:35como ensinamento.
20:35e até as derrotas
20:35o paciente.
20:35Obrigado.

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