00:28A CIDADE NO BRASIL
00:47Era o antigo leprosário, chamado de Hospital Colônia, como lugar de tratamento para as pessoas que tinham ranceníase, os rancenianos.
00:56E aqui, este prédio que a gente está, é o memorial do Hospital Colônia Itapuã, que guarda, então, uma série
01:04de objetos, de fotografias, de informação e conhecimento sobre o que foi esse lugar, como se viveu nesse lugar.
01:14Milhares de pessoas passaram por aqui e tiveram uma vida, desenvolveram suas famílias aqui.
01:25A história da saúde está guardada aqui, uma parte da nossa história da saúde do Estado, por meio desses objetos
01:33que contam essas histórias.
01:36E a gente está fazendo, então, o trabalho de arrolamento, como a gente chama.
01:52Esse memorial é resultado de uma iniciativa de familiares e filhos de familiares e moradores aqui do Hospital Colônia e
02:03de funcionários.
02:04E se mobilizaram para buscar doações com essas pessoas e, aos poucos, foi se formando esse acervo.
02:13Então, isso é um trabalho também que a gente quer avançar, de tentar trazer pessoas que estavam envolvidas na época.
02:19A gente sabe que alguns já são falecidos, mas tem pessoas que ainda poderiam contribuir com essa memória,
02:25memória do próprio memorial, de como ele foi pensado e montado.
02:30Você desenvolveu uma sociedade singular aqui, de convivência entre as pessoas.
02:38E nesse sentido, assim, que me chamou a atenção as moedas.
02:44Havia moedas específicas daqui do Hospital Colônia.
02:48Elas me fizeram entender, cair a ficha de como esse lugar desenvolveu o seu próprio modo de vida.
02:57Uma moeda própria do lugar, não era o dinheiro que se usava no restante da sociedade na época.
03:05Pelo tempo, já que esses objetos estão aqui, acabaram ficando sem visitação por um bom tempo.
03:13Então, isso inevitavelmente vai deteriorando os objetos.
03:16Algumas materialidades que a gente tem aqui, a madeira, por exemplo, vai sendo deteriorada,
03:21cupim vai agindo, outras pestes e pragas vão agindo nos objetos.
03:26Por outro lado, acho que dá pra gente pensar que tem alguns funcionários ainda aqui atuando no Hospital Colônia
03:34que vêm, que abrem o memorial, abrem as janelas, dão essa respirada pro acervo.
03:41É uma responsabilidade do Estado manter, preservar esse acervo e que ele seja publicizado.
03:49que a sociedade tenha acesso a ele.
03:52Também não faz sentido ser guardado sem que a população possa também fruir disso.
04:15Eu entendo que esse acervo faz muito sentido aqui.
04:19E a gente defende que o acervo fique no seu território.
04:23Isso faz sentido pra identidade, pra memória, pro pertencimento da comunidade que viveu aqui
04:31e que ainda vive no entorno.
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