00:01Em um ateliê de moda na Venezuela, as linhas de cores vibrantes usadas para confeccionar
00:07vestidos foram deixadas de lado.
00:09O preto passou a predominar.
00:11Agora, o local produz bolsas mortuárias para doá-las a equipes de resgate e familiares
00:16que recuperaram corpos dos escombros após os dois terremotos, que já deixaram mais
00:21de 4.700 mortos.
00:23Em 24 de junho, quando dois terremotos de magnitude 7.2 e 7.5 atingiram Caracas e devastaram o
00:31estado vizinho de Laguaira, o estilista venezuelano Efraim Mogolon se perguntou como poderia ajudar.
00:39Ainda estávamos em estado de choque, pois se tratava de uma tragédia e precisávamos entender
00:44o que podíamos fazer e, o mais importante, partir de nossos próprios pontos fortes, do
00:49que sabemos fazer.
00:50Isso significava costurar, colocar minha equipe para trabalhar e executar esse plano de ação.
00:57As 22 costureiras do ateliê da grife by Efraim Mogolon, criada há 15 anos na cidade
01:03de Maracai, no estado de Aragua, guardaram a seda, o linho e o algodão.
01:08Passaram a trabalhar com polietileno de alta densidade e um tecido impermeável com revestimento
01:13especial, para confeccionar bolsas mortuárias de 3 metros de comprimento por 90 centímetros
01:19de largura.
01:23Para ser sincera, foi um momento difícil quando nos disseram o que iríamos fazer.
01:28Mas, ao mesmo tempo, sentimos que estamos fazendo algo de bom por aqueles que precisam,
01:32pelos entes queridos que já não estão mais nesse mundo.
01:35É uma maneira de ajudar a aliviar essa dor.
01:40As bolsas mortuárias são guardadas em um plástico, todos com uma imagem do Sagrado Coração
01:46de Jesus.
01:48Até 13 de julho, o ateliê de Mogolon havia produzido mil unidades.
01:54Metade foi enviada ao Serviço Nacional de Medicina e Ciências Forenses, em Caracas,
01:59enquanto a outra metade foi entregue diretamente a equipes de resgate e familiares dos falecidos.
02:08Vou lhe dizer uma coisa.
02:10Bem, é útil.
02:11Útil para ajudar a família.
02:12E é também algo que não se consegue facilmente.
02:17O governo venezuelano evita falar em desaparecidos, mas a ONU estimou que o número pode chegar
02:23para 50 mil e anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias.