00:00Eu acho que atrapalha a pessoa, você se preocupar.
00:04Chama-se preocupação, uma das maiores doenças da humanidade.
00:10Preocupação.
00:11É só ficar olhando o tempo, data, não sei do que...
00:15Poxa, a minha memória...
00:17Podendo colocar uma boa música na minha mente,
00:20vou ficar com o negócio...
00:21Ah, dia tal, tem...
00:25Ah, não, não faço.
00:27Eu sou de uma família...
00:29A minha família do meu pai, todo mundo era músico.
00:33Todo mundo, os filhos do meu pai, todos músicos.
00:37Quatro mulheres cantoras, belíssimas pra cantar.
00:42Mas não tiveram essa oportunidade que eu tive, né?
00:45Com 13 anos de idade,
00:48aí meu irmão mandou eu aprender a bater bandeira.
00:51E lá em Garabemiri tinha a voz do porte, da prefeitura.
00:57dois projetores.
00:58Um com a boca pra lá, outro com a boca pra cá.
01:00Eu ia com um banquinho, sentava lá, pegava o pandeiro e tocava a música.
01:06Ticava um bolero, eu batiai maracas e sentado.
01:09Todo mundo passava, via...
01:12Tava aprendendo.
01:14Aí quando o meu irmão...
01:16O meu irmão que era o titular do Jazz lá, chamava Jazz.
01:21A pronúncia de todo mundo é Jazz, né?
01:24É.
01:26Aí a pronúncia era Jazz.
01:31Lá é Jazz.
01:32Até hoje.
01:33Meu irmão me convidou pra aí ser o pandeirista da orquestra.
01:38E nós fizeram a orquestra Brasil e a orquestra de Garabemiri.
01:44Uma só pra tocar na Vila Maiuatá.
01:47Aí, quando o meu irmão chegou comigo lá, na véspera do início,
01:53eles me viram garoto assim, aí chamaram o meu irmão particular pra dizer que eu não ia dar conta.
02:00Eu ia dar conta do recado.
02:02Porque é uma orquestra daquela.
02:05E como que eu ia dar conta?
02:06Aí ele disse, não, não vai dar conta.
02:12Aí, fomos pra Alvorada na Vila Maiuatá.
02:16Aí é festa do Rosário.
02:19Quando tocou a primeira música, a segunda música, a terceira música,
02:22tocou o Mambo Número Oito.
02:24Eu peguei a maraca e quando começou a tocar, eu levantei e comecei a dançar.
02:29Dançando ali, porque o músico só tocava sentado.
02:33E aquele meio do coreto, todo o meio, eu...
02:37Aí foi um corre-corre lá, foi uma gritaria.
02:40Aquela coisa do aplauso, grito.
02:43Porque era um fenômeno, um fenômeno.
02:46Estava acontecendo.
02:46O Carimbó é porque quando eu vim morar em Belém, eu fui fazer um baile em Marapani.
02:55E eu vi que lá em Marapani, quando o conjunto que eu estava tocando tocava,
03:02bolero, samba-canção, sambinha, aí o pessoal dançava, os casais do namorado, as moças e o rapaz.
03:11Aí quando parava, aí entrava o grupo de Carimbó tocando.
03:17Aí era só aquela senhora com a saia comprida, aquela senhora com o chapeuzinho branco na cabeça dançando.
03:25Assim.
03:26Aí parava lá, entra outro daqui tocando bolero, samba e tal.
03:31Aí eu fiquei olhando.
03:33Tá, fiquei com aquilo.
03:35Quando foi um dia, apareceu a oportunidade de gravar o Carimbó.
03:40Aí que começa a história bonita.
03:43Gravar o Carimbó, e os caras não sabiam o que era, ninguém sabia o que era Carimbó.
03:49Foi uma luta para me convencer e chegar ao disco.
03:54E logo contratado.
03:57Quanto era, Paulo?
03:58Pela Copacabana.
04:00Começava pela Beverly, era um selo, e a Copacabana estava parada.
04:06Aí ganharam tanto dinheiro, o pessoal da gravadora.
04:10Era Benito de Paula, Morris Alves, Genival Laceda, Paulo Sérgio, Pinduca.
04:19Era um time bom.
04:21Ganharam muito dinheiro e compraram a Copacabana.
04:25Aí que a coisa...
04:27Aí que a coisa pegou fogo mesmo, meu amigo.
04:30Foi um castro muito bonito esse da Copacabana.
04:33Ela foi fazer um chão no Maranhão.
04:36E de manhã ela foi à praia.
04:39Maranhão, carioca, costume de praia.
04:42Ela chegou lá e viu o pessoal dançando ali na praia.
04:48Ela se aproximou para ver o que era.
04:50E eu vi aquela...
04:54Aí ela...
04:56Mas o que é isso aí?
04:57Aí perguntou para um rapaz.
04:58O rapaz falou...
04:59Isso é Carimbó.
05:00Carimbó? O que é Carimbó?
05:02É lá do Pará.
05:03É música do Pará.
05:04E quem é esse cantor?
05:06É o Pinduca.
05:07É o Pinduca.
05:08Vocês conhecem ele?
05:09Não, ninguém conhece ele, não.
05:11Era novo.
05:13Aí ela pegou...
05:14Quis comprar o disco deles.
05:17Na época, assim, devia custar um real o disco.
05:21Eles pediram vinte dela.
05:23Não.
05:23Ela disse...
05:24Não, não quero.
05:25Deixa comigo.
05:26Pegou lá as coisas...
05:28Chegou no Rio de Janeiro, ligou para mim, ligou...
05:31Ligou primeiro para Copacabana, lá em São Paulo.
05:34Depois que ela ligou para mim, eles também ligaram para falar que ela estava interessada em gravar.
05:40Quinta gente...
05:41Eu não conhecia ela.
05:43Eliana Pitma.
05:45Eu ouvi falar, né?
05:47Eliana Pitma quer gravar.
05:49Deixa ela gravar as minhas músicas, não tem problema.
05:52Abri mão mesmo.
05:54Tinha que dar a permissão.
05:55Aí ela gravou e deu um estouro, porque ela era cantora internacional, né?
06:06Só gravando música em inglês.
06:08O pai dela, maestro, professor de música também.
06:12E aconteceu assim.
06:14Ela arrebentou a boca do balão.
06:16Ela deu o primeiro passo para a América Latina, levando o carimbão no corno.
06:21Eu defino hoje em dia, eu defino como gera, como ele é.
06:27O carimbó é a música e a dança folclórica do estado do Pará.
06:32E o carimbó que é a música e a dança folclórica do estado do Pará.
06:39Você pode ver, depois desse movimento que eu passei todas essas coisas para divulgar o carimbó,
06:44que surgiram dentro da capital muitos conjuntos com grupos de dança, dançarinos e dançarinas e conjuntos.
06:56Surgiram muitos.
06:58Agora foi difícil para mim fazer com que a sociedade aceitasse o carimbó.
07:06Foi difícil.
07:07Teve preconceito, né?
07:08Era preconceito.
07:11Aí, como era difícil, eu falei com a minha filha, que ela tinha 15 anos, estudava no Santa Rosa,
07:19para arrumar para mim mais umas quatro moças para formar um grupo de dança, para dançar no meu show.
07:26E quando eu fui fazer o show, que elas apareceram todas jovenzinhas, bonitas, dançando, foi um...
07:35Sacudiu mesmo tudo aí.
07:38Aí, o professor Dalermo Mato foi o primeiro que foi lá no Augusto Meira, criou um grupo de carimbó,
07:44outro lá para perder.
07:45Aí foi um negócio lindo demais.
07:48Eu quero falar para vocês que é a primeira vez que nós vamos cantar juntos, no mesmo palco.
07:54Eu e a Eliana Pitma.
07:56E eu, desde já, sou agradecido a ela.
08:00Muito obrigado.
08:01Em nome do povo paraense que gosta do carimbó, que hoje em dia todo mundo gosta.
08:06E você está vindo em boa hora.
08:08E o carimbó comanda a alegria das festas de Belém.
08:13Eu estou muito contente com esse encontro que vai acontecer conosco.
08:17Eliana Pitma.
08:19Meu ídolo, meu ídolo, meu reino, tudo.
08:23Muito obrigado.
08:24Até que enfim, né?
08:27Agora, agora eu não tenho mais dinheiro.
08:29Agora eu estou amascado.
08:31Até que enfim, vamos fazer o nosso encontro.
08:34Depois de muitos anos, vamos estar os dois no palco, se Deus quiser.
08:39A imprensa aqui está dando de conforto para esse nosso encontro.
08:43E você merece.
08:45Você merece.
08:46Viu?
08:48Ah, que bom.
08:49Eu também estou me esperando.
08:53E a Deusa está mandando um abraço para você.
08:56Essa é minha amiga do coração.
08:58Uma pessoa tão legal.
08:59Está com ele.
09:00Está com ele.
09:00A minha convivência consegui.
09:02Porque era ele fazendo o carimbó de raiz e eu fazendo o moderno.
09:10Então, mas eu respeitava ele.
09:13Ele me respeitava.
09:14Eu era amigo dele.
09:16Ele era meu amigo.
09:17E a gente se falava.
09:19Mas o pessoal que criava ali uma picuinha, mas não existia.
09:23Nunca existiu entre eu e o Verenquete.
09:26Ele era um senhor que eu tinha respeito até por ele e gostava dele e tudo.
09:33Acho que ele gostava de mim.
09:35Mas nunca tivemos nada de briga, encrenca, não.
09:42Ele fazia o papel dele e eu fazia o meu.
09:44Eu espero comemorar os meus 90 anos com um grande show.
09:52Um espetáculo que eu quero.
09:53Eu penso assim...
09:55Porque é o seguinte.
09:55Quando meu pai completou 100 anos, eu tive uma alegria e uma surpresa
10:01feita pelos meus irmãos, meus parentes, lá em Garapemiri.
10:06Eu já era o Pinduca, dono de conjunto e orquestra aqui em Belém.
10:10Mas, de repente, eles fizeram toda a programação, pediram que eu reservasse esse dia
10:17pra mim ir lá fazer uma apresentação.
10:20Então, o meu pai, já 100 anos, sentado aí e eu aqui fazendo um show pra ele.
10:29Eu, filho, fazendo um show pra ele.
10:32Eu quero fazer alguma coisa também que marque.
10:37Os meus filhos nem tanto que eles trabalham direto comigo.
10:40Mas eu quero fazer.
10:41Eu ainda estou resolvendo se eu vou fazer em Belém ou lá em Garapemiri.
10:47Olha, uma pergunta que nunca ninguém me fez, mas eu lhe responderia o seguinte.
10:54Seria um estado silencioso.
10:58Porque o carimbó é de alegria.
11:01Você vê, misturado com essa mistura toda latina que eu fiz com o carimbó,
11:07música latina, emitia a marcha do vestibular,
11:09que é um estrondo onde a gente toca em qualquer lugar, em qualquer hora.
11:14Então, parece que aquilo deu um cabelo grande pro nosso estado, né?
11:24Ques uma coisa...
11:27S 것은 sentidosiope nos conquistas também.
11:28Perdoa, muito interessante
11:28Um abraço de três gatos.
11:29E a mesma coisa.
11:29Eu vou ganhar um trabalhoенер de Pobasluir.
11:29Legenda por Sônia Ruberti