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'Eleição presidencial pode ser definida no primeiro turno', analisa CEO do Instituto IDEIA
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00:00Quem vai conseguir ganhar essa eleição, na nossa visão aqui,
00:04é quem conseguir conquistar ali 3%, 4% de eleitores
00:09que já votaram no presidente Bolsonaro em 2018,
00:12ficaram desapontados ali com a gestão da pandemia,
00:17votaram no presidente Lula, esperando o Lula 2 ali,
00:21um Lula que melhorasse a condição de vida dos mais pobres,
00:25e hoje estão desencantados também com o presidente Lula
00:29e são eleitores apartidários, não entram nessa guerra ideológica,
00:34a maioria desses eleitores são mulheres que vivem aqui nas franjas
00:38das grandes cidades do Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte,
00:42do Nordeste também, eu estou falando de Salvador, estou falando do Recife,
00:47é que estão aí esperando as propostas.
00:49E para começar, eu montei algumas perguntinhas aqui para você,
00:53e a primeira delas é que eu venho acompanhando em algumas outras entrevistas,
00:56que você falou que vocês do Instituto Ideia veem uma possibilidade
01:02das eleições presidenciais serem decididas no primeiro turno neste ano.
01:07Eu queria entender quais pontos que indicam para vocês que isso pode acontecer.
01:13Olha, é a primeira vez que a gente está lidando com essa possibilidade,
01:17a gente só teve eleição em primeiro turno com o Fernando Henrique Cardoso,
01:21com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 94, em 98.
01:25Dessa vez, a gente tem alguns elementos aqui para acompanhar isso de perto.
01:30O primeiro deles é que o presidente Lula está sozinho no campo da esquerda,
01:34só ele está ocupando esse espaço.
01:36Portanto, o mercado de votos do presidente Lula é o que ele tem agora,
01:42um pouco para conquistar, mas é basicamente esse,
01:45já que ele não divide votos ali com Ciro Gomes, com Garotinho,
01:48com Marina Silva, entre tantos outros com os quais ele já dividiu o campo da esquerda.
01:53No campo da direita, a nossa visão aqui é que vai acontecer ao final do primeiro turno,
02:01se o eleitor entender e tiver essa discussão ali
02:05de que o presidente Lula poderia ganhar no primeiro turno,
02:08o que a gente chama aqui de antipetismo de chegada.
02:12É um fenômeno que já atingiu aí, por exemplo, Marina Silva em 14,
02:17quando Aécio Neves passou para o segundo turno,
02:19o próprio Geraldo Alckmin, que tinha ali um latifúndio de partidos de tempo na televisão,
02:26quando Jair Bolsonaro passou no segundo turno, e isso é o quê?
02:29É quando o eleitor antipetista, antilulista,
02:33resolve despejar os votos no candidato que ele considera
02:36que tem mais chances de vencer do Lula no segundo turno,
02:40mas ele adianta isso para o primeiro turno.
02:43Então, como, por enquanto, a gente não vê uma movimentação grande
02:47desses candidatos que a gente chama de terceira via,
02:50a gente está lidando aqui com essa possibilidade.
02:55Há também um fenômeno aí que a gente já observou
02:58desde que começamos a fazer pesquisa nesse ciclo,
03:02que é, por exemplo, quando o Flávio Bolsonaro perdeu votos ali
03:07por causa daquele áudio com o Vorcaro,
03:10os votos dele foram para brancos e nulos e não para outros candidatos.
03:14A gente vê nas pesquisas qualitativas
03:17muita gente desgostosa desse quadro entre o Bolsonaro e, de novo, o Lula.
03:22Então, pode aumentar votos brancos e nulos,
03:25o que faz com que os válidos fiquem mais restritos a dois candidatos.
03:31Então, o que a gente enxerga aqui é que, ao final do primeiro turno,
03:37em setembro, a gente vai estar discutindo esse fenômeno
03:39que a gente já está trazendo para a discussão nesse momento.
03:43A gente está adiantando uma discussão
03:46que deverá haver ali no final do primeiro turno.
03:50Perfeito, Sila.
03:51Você citou um fator importante nessa explicação,
03:55que é sobre a questão de muitos eleitores estarem desgostosos
04:00com a questão da polarização política que a gente vive no Brasil
04:05e ter essa chance de terem muitos votos brancos e nulos.
04:09Apesar dessa chance, a gente vê que, entre Lula e Flávio,
04:14ainda tem outros candidatos,
04:15mas, ainda assim, parece que esses eleitores
04:18não tendem a ir a essas outras candidaturas.
04:21Por que vocês veem que isso pode acontecer?
04:24É uma falta de conhecimento dos eleitores com esses outros candidatos
04:27ou algum outro fator que vocês identificam no Instituto?
04:32Por enquanto, há uma falta de conhecimento.
04:35Mesmo os governadores, que para a gente da política conhece muito,
04:40o Ronaldo Caiado, por exemplo, já foi candidato lá em 1989,
04:44tem uma vida pública longa.
04:47Romeu Zema, duas vezes governador de Minas Gerais,
04:50que é um estado com muitos eleitores.
04:52Ainda assim, eles só são conhecidos nos próprios estados.
04:57Agora, a gente vê uma movimentação de busca,
04:59inclusive de outros candidatos.
05:01E aí, cito aqui o Cury, cito o Renan.
05:04Depois dos debates, das sabatinas,
05:06agora a gente tem a entrada do horário eleitoral,
05:09portanto, o eleitor vai se engajar na campanha agora.
05:13O eleitor não estava prestando atenção,
05:15nem sabia quem eram os candidatos.
05:17Então, a gente vai ver, sim, uma movimentação entre esses candidatos.
05:21Mas tem duas coisas que eu acho importante a gente falar aqui.
05:24E a primeira é a abstenção.
05:26A abstenção é um ponto muito importante lá da sua primeira pergunta.
05:30Por quê?
05:31O presidente Lula, por exemplo, na última eleição de 22,
05:35a gente teve esse debate ao final do primeiro turno,
05:39de que ele poderia levar em primeiro turno.
05:41No entanto, aqui no IDEA, a gente falava muito
05:44de que ele ia sofrer com o fenômeno da abstenção.
05:47Por que isso?
05:48Porque a abstenção, historicamente, ela é de 20%.
05:50Ela tem, inclusive, aumentado um pouco.
05:53E ela ocorre na baixa escolaridade e na baixa renda.
05:58Portanto, no eleitor que pretende na pesquisa,
06:01diz na pesquisa que ele tem a intenção de votar no presidente Lula.
06:05No entanto, ele não comparece para votar.
06:08Então, o presidente Lula precisa de mais gordura sempre
06:11para contar com essa abstenção.
06:16Perfeito, Sila.
06:17E você falando um pouco sobre isso,
06:18me surgiu uma outra dúvida também.
06:20Um ponto que eu achei interessante, que você citou,
06:22foi que hoje o Lula é o único candidato de esquerda, né?
06:26Na disputa pela presidência.
06:29E aí, você citou que isso acaba fechando um pouco o leque dele, né?
06:34De alcançar outros eleitores a partir de um possível segundo turno.
06:37Então, esse fato de ser o único candidato da esquerda
06:40não seriam fatos de fortalecimento, nesse caso, né?
06:43Pelo que vocês veem no cenário das eleições de 2026.
06:47Sem dúvida.
06:48Até porque, quando a gente olha, né,
06:50e vou na eleição mais recente, que é a de 22,
06:53os votos ali que ele captou da Simone Tebet,
06:56quando ele fez aquela frente ampla,
07:00trazendo ali vários apoios de centro,
07:03apoios de pessoas importantes que eram eleitores históricos do PSDB,
07:09ele ampliou o voto.
07:12Agora, eu vejo com mais dificuldade para ele ampliar o voto,
07:15mas como a gente está falando sempre aqui,
07:16a campanha está apenas começando, né?
07:19E eu acredito em campanha, ou seja,
07:20eu acredito que a comunicação durante a campanha,
07:24ela tenha efeito.
07:25Quem vai conseguir ganhar essa eleição,
07:28na nossa visão aqui,
07:29é quem conseguir conquistar ali 3, 4% de eleitores
07:34que já votaram no presidente Bolsonaro em 2018,
07:37ficaram desapontados, né,
07:39ali com a gestão da pandemia,
07:42votaram no presidente Lula,
07:44esperando o Lula 2 ali, né,
07:46um Lula que melhorasse a condição de vida dos mais pobres,
07:50e hoje estão desencantados também com o presidente Lula,
07:55e são eleitores apartidários,
07:56não entram nessa guerra ideológica,
07:58a maioria desses eleitores são mulheres
08:01que vivem aqui nas franjas das grandes cidades do Sudeste,
08:04São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte,
08:07do Nordeste também,
08:08eu estou falando de Salvador,
08:10estou falando do Recife,
08:12é que estão aí esperando as propostas.
08:14Então, essa pequena margem é que vai fazer a diferença,
08:19e eu quero lembrar aqui que o presidente Lula,
08:21ele tem hoje o mesmo apoio que ele tinha em 22,
08:25ele não conquistou votos do outro lado, né,
08:29então vamos ver se agora,
08:30durante a campanha,
08:31um incumbente sempre melhor,
08:33a gente está vendo aí o presidente Lula
08:36lançar projetos, né,
08:37e estou falando basicamente aqui do Desenrola 2,
08:40agora dessa luta ali que ele está
08:42para trazer o fim da escala 6x1,
08:45que é uma pauta importante para essa população,
08:48aliás, é uma pauta importante em geral, né,
08:51é uma das pautas que tem mais apoio aqui
08:53no que a gente pesquisa.
08:55para ver se ele consegue atrair mais eleitores
08:59para o campo dele.
09:00Claro que o Brasil, ele não é dividido
09:02só em esquerda e direita, né,
09:04a gente tem aí uma infinidade de outras posições,
09:10quando a gente vai falar de ideologia,
09:12de posição política,
09:13mas grosso modo,
09:15o Brasil se divide aí desde 1989
09:17entre Lula e anti-Lula, né,
09:20mesmo quando ele não esteve,
09:21nas três que ele não esteve,
09:23na cédula, seja com Dilma,
09:26seja com Fernando Haddad,
09:27era esse campo ali representado.
09:30Então, existe um voto anti-Lula,
09:34um voto anti-PT que se aglutina ali
09:36no final do primeiro turno,
09:39isso também,
09:40e aí eu não estou falando
09:41de quem vai ganhar a eleição, tá,
09:43não é para isso que a pesquisa existe,
09:45a pesquisa existe para mostrar
09:46o que eu tenho hoje,
09:48mas também para fazer exercícios aqui,
09:52de acordo com o que a gente vê na história
09:54e com o que a gente está vendo
09:56da movimentação do eleitor,
09:58para adiantar cenários possíveis,
10:00e esse cenário de primeiro turno
10:02é um cenário que,
10:04pela primeira vez aqui no Instituto,
10:06a gente está vendo como possível
10:08desde 1998.
10:10Perfeito, Sila.
10:11E nessa explicação que você deu,
10:13me surgiu mais uma dúvida
10:15que eu acho que é importante ouvir de você.
10:18Você falou que é importante
10:20que esses candidatos alcancem
10:22uma parte do eleitorado
10:23que ainda não seria eleitorado deles, né?
10:26O que que hoje o eleitor
10:30utiliza para decidir em quem ele vai votar?
10:32Como que ele define
10:33quem vai ser o candidato dele na urna?
10:37Olha, grupos de WhatsApp,
10:39redes sociais,
10:41propaganda na TV
10:42continua sendo muito importante,
10:45noticiário,
10:46essas sabatinas,
10:47debates,
10:48o eleitor,
10:48ele procura de fato se informar
10:51e especialmente esse eleitor
10:52que não está polarizado.
10:54O eleitor polarizado,
10:55ele não quer nem ouvir, né?
10:57Ele já entra ali, né?
10:59E a gente tem um nível
11:00de cristalização e de polarização
11:02bastante importante nessa eleição.
11:04Eu tenho ali 66% dos eleitores
11:07que dizem que não vão mudar de voto.
11:09Mas eu tenho eleitores indecisos
11:11e eu tenho esses eleitores apartidários
11:14que estão esperando propostas.
11:17Eles, de fato,
11:17estão esperando conhecer os candidatos
11:19porque o único candidato conhecido
11:22nessa eleição é o presidente Lula.
11:23Os outros não são conhecidos.
11:25Então, ele quer conhecer os candidatos
11:27e tanto é que o presidente Lula
11:30tem maior cristalização de votos.
11:32Ele está na frente,
11:33na pesquisa que eu julgo a mais importante,
11:36que é a espontânea, né?
11:37Quando a gente não mostra uma lista de candidatos,
11:40que é a forma, inclusive,
11:41que o Brasil vota, né?
11:42Você vai votar,
11:43você não tem uma cédula com os nomes
11:45como em outros países,
11:46você vota espontaneamente.
11:47E aí o presidente Lula está na frente
11:49com 34% hoje.
11:52Os outros candidatos precisam ser conhecidos
11:54e o eleitor,
11:55esse eleitor que vai decidir a eleição,
11:58ele quer confiar em alguém.
11:59Ele está com uma baixa confiança nesse momento.
12:03Ele conhece os dois nomes,
12:05ele conhece os dois lados
12:07e ele está com uma baixa confiança.
12:09Então, ele precisa ser conquistado
12:11e aí ser conquistado,
12:12na minha visão,
12:14é muito sobre economia,
12:16é muito sobre preço de alimento,
12:18é muito sobre quem vai resolver
12:22esse drama que vem do brasileiro hoje
12:24de não conseguir chegar no final do mês.
12:27A gente não tem inflação,
12:29a gente tem o desemprego controlado,
12:31todos os níveis, né?
12:33Todos os índices macroeconômicos.
12:34No entanto, eu tenho uma quarta queda
12:37no índice de confiança do consumidor,
12:39significando que o consumidor brasileiro
12:42está pessimista com relação ao futuro
12:45e vivendo, como eu disse,
12:47um momento dramático em que o dinheiro entra,
12:50mas o dinheiro sai em dívidas, né?
12:52Então, ele não está conseguindo pagar as suas contas.
12:56E é isso que o eleitor basicamente quer saber.
12:59É claro que a gente vai ter os temas
13:00da corrupção e da segurança pública
13:02muito presentes.
13:04Esse eleitor aí do meio,
13:05ele quer muito saber de saúde e educação também,
13:09então são temas que vão permear o debate,
13:13mas, de alguma forma,
13:15todos entram na questão da economia,
13:18todos têm uma correlação aí com a economia,
13:23porque se eu não tenho saúde,
13:24é porque eu não tenho dinheiro,
13:26é porque o dinheiro público
13:28não está sendo bem investido,
13:29se eu não tenho segurança também esse é o motivo,
13:32e assim por diante.
13:34Corrupção também, né?
13:35As pessoas têm a sensação de que o dinheiro
13:38que devia ser investido nesses temas,
13:42nessas áreas,
13:44são desviados para benefício próprio dos políticos.
13:48Entendi, Sila, perfeito.
13:50E um outro ponto que eu gostaria de entender com você,
13:53que você acabou citando algo que eu achei importante,
13:56que há espaços que são muito importantes
13:59para que esses candidatos cheguem a esses eleitores.
14:01Um dos pontos que você...
14:03Então, são os debates.
14:04O que a gente vê agora é que muitos dos debates
14:07não contam com a presença de todos os candidatos, né?
14:10Então, ainda é uma incógnita saber em quais debates,
14:16principalmente o Lula e o Flávio, vão, né?
14:19E nesse primeiro debate que a gente teve na Band,
14:22nós contamos só com Caiado, Cury e Renan, né?
14:28Você acha que esse esvaziamento nos debates
14:31pode impactar em algo também no resultado das eleições, ou não?
14:35Olha, o Brasil é das poucas democracias
14:38que não faz pool de debate, né?
14:40Na maioria das democracias, as emissoras, os veículos se reúnem
14:44e o debate ocorre ali no horário nobre,
14:48praticamente obrigando os candidatos a comparecerem,
14:51porque tem muita audiência,
14:54é um momento muito importante.
14:55Aqui no Brasil, talvez por ter muito debate,
14:58cada emissora faz o seu,
15:00a gente só teve pool de debates ali em 1989,
15:03que foi um debate histórico e clássico,
15:07os candidatos acabam, as campanhas acabam
15:09indo pela sua estratégia de comunicação.
15:13E aí, se eu considero que, estrategicamente,
15:16eu tenho mais a perder não indo do que indo,
15:20aliás, ao contrário, indo do que não indo,
15:23tenho mais a perder indo do que não indo,
15:25resolvo não ir, né?
15:27Isso é muito maléfico para a democracia,
15:31muito quem perde mais são os eleitores,
15:34porque os eleitores aguardam o debate,
15:36o debate é o momento do contraditório,
15:38é o momento de comparar os candidatos,
15:42e não está ocorrendo nessa eleição,
15:45da forma como o eleitor estava esperando,
15:47a maior parte, né?
15:49A gente faz pesquisa sobre isso aqui,
15:50e a maior parte dos eleitores considera o debate
15:53como fundamental,
15:55E, para finalizar,
15:57como vocês atuam já há um tempo,
16:00como as pesquisas eleitorais entendem bem
16:03o perfil do eleitor,
16:05o que vocês acham que mudou, principalmente,
16:09na forma como o eleitor escolhe o seu candidato
16:13ao longo dos anos,
16:14desde a redemocratização do país?
16:17O que você acha que vem mudando mais
16:19nesse eleitor brasileiro que a gente tem hoje?
16:23Olha, desde 2014 a gente vê o fenômeno da polarização
16:29como um fenômeno muito importante
16:31de decisão de votos, né?
16:33Com esse eleitor que não quer ouvir o outro lado,
16:37as redes sociais, evidentemente,
16:39têm um papel nisso, né?
16:41Desde 2020, com a pandemia,
16:45isso mais se agravou, né?
16:48Porque o eleitor está com maior dificuldade, né?
16:51No mundo a gente vê isso,
16:53isso não é um fenômeno só brasileiro, né?
16:55Isso é um fenômeno no mundo
16:57em que os presidentes têm baixa popularidade,
17:01eles já entram para governar
17:03com metade do eleitorado
17:05não querendo ouvir o que eles têm a dizer,
17:07e aí a gente vive aí esse looping de insatisfação
17:10entre direita e esquerda,
17:11o eleitor vai trocando
17:13porque não fica satisfeito,
17:15mas o que eu vejo hoje,
17:17especialmente nas pesquisas qualitativas,
17:19é uma consciência e um entendimento
17:22muito grande do eleitor
17:24de que política pública ele está esperando,
17:28não é?
17:29E às vezes eu vejo muito
17:31uma falta de conexão
17:33do que os candidatos apresentam
17:35com essa demanda do eleitor.
17:37Então, a gente está precisando ouvir mais
17:40e tem essa disputa pela atenção, né?
17:43As pessoas não têm paciência
17:45para discursos longos,
17:47raciocínios longos,
17:49então, né?
17:50Você tem essa linguagem aí
17:52e as pessoas estão basicamente sem tempo, né?
17:55Acho que tempo é o ativo mais importante
17:57quando a gente fala
17:58seja do fim da escala 6x1,
18:01seja de propaganda eleitoral.
18:03Tem uma questão importante, talvez,
18:05que é as mulheres,
18:06porque as mulheres,
18:09as mulheres que são a maioria do eleitorado,
18:12um eleitorado fundamental para conquistar,
18:14acho que todo mundo descobriu, né?
18:16Os candidatos descobriram esse ano
18:18as mulheres que somos maioria,
18:20é um eleitorado que demora mais
18:22a decidir pelo voto.
18:24As mulheres costumam olhar mais
18:27para as propostas,
18:28são as mulheres que usam os serviços públicos,
18:31então, é a mulher que leva a criança na escola,
18:33é a mulher que leva a criança, o idoso,
18:35e o marido no posto de saúde, né?
18:38A questão da segurança
18:39é fundamental para as mulheres
18:41e, portanto, elas demoram mais
18:44para decidir definitivamente o voto
18:47e têm votado diferente dos homens.
18:49Isso também, ali no final do primeiro turno,
18:53vai ser um eleitorado muito importante
18:56da gente observar de lupa
18:57e que pode ter mudança ali no final,
19:02sendo que a gente sempre lembra
19:03que a pesquisa é a fotografia do momento,
19:06não é a previsão do futuro.
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