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  • há 7 semanas

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Transcrição
00:00Meu nome é Fabiana, eu sou irmã da Júlia Silva de Araújo, de 26 anos, professora de História.
00:08Ela foi ao trabalho, porque ela trabalhava na Escola Erite, na Rede Erite de Ensino,
00:15e no dia, na sexta-feira, ela estava na Escola de Irajá.
00:19Ela passou mal na escola, com fortes dores no peito e falta de ar.
00:23Logo pela manhã, logo cedo, ela estava falando comigo ao telefone,
00:27com o PAN de Irajá, que é o Hospital Francisco, ela procurou atendimento lá, por ser mais próxima.
00:36Chegando lá, diagnosticaram minha irmã com crise de ansiedade,
00:42disseram que fizeram eletrocardiograma, porém não consta no BANDELA, não tem no BANDELA.
00:49Eles botaram crise de ansiedade para minha irmã mesmo, ela com sintomas de infarto.
00:53Eu sou da área da saúde, eu percebi que eles não cumpriram os protocolos corretos que deveriam ser feitos.
01:00Liberaram ela, após medicá-la, ela voltou para a escola, porém, menos de uma hora depois,
01:06a minha irmã novamente passou mal, um pior do que estava.
01:10E a falta de ar estava tão grande que ela não conseguia ficar em pé,
01:14ela não conseguia ficar sentada, ela não conseguia ficar deitada, ela não conseguia respirar.
01:20Novamente, diagnosticaram ela com ansiedade, passaram uma nova medicação,
01:26disseram que foi feito um novo exame, que nós não temos esse exame,
01:30e a liberaram novamente, mesmo ela estando com todo o protocolo de doutoráxica.
01:39Ela me ligou avisando que estava indo para casa, chegando em casa, a minha irmã passou mal em casa.
01:46Nós tentamos acionar a ambulância, mas por demorar o atendimento,
01:50meu próprio namorado a socorreu e o levou ao hospital que é mais próximo da minha casa,
01:55que foi feito todo o atendimento, mas infelizmente não conseguimos salvar a vida da minha irmã.
02:01Ela foi por duas vezes e menos seis horas no hospital Francisco da Sabatelis.
02:07Eles não deram atenção aos sintomas da minha irmã, eles não deram atenção à minha irmã,
02:13eles simplesmente a mandaram para casa.
02:16E no segundo atendimento, inclusive lá no hospital, ela esperando o atendimento, ela chegou a desmaiar.
02:22Dois colegas de trabalho a levaram e podem confirmar isso.
02:26Eu quero justiça pela minha irmã, isso não vai ficar impune.
02:30É justiça por ela, é justiça por outras pessoas que já passaram pela mesma situação e merecem respeito,
02:37porque é um hospital público que deve ser tratado assim.
02:42Certo. É isso, Fabiana.
02:43Eu fui contactado pela família da Júlia e como advogada especialista em direito médico,
02:49após a análise da documentação médica, já foi possível constatar o que a família relatou.
02:53Indícios robustos de emergência médica, em especial quando na segunda alta médica da Júlia.
03:00Júlia, uma jovem, de 26 anos, ela retornou ao hospital relatando novamente um quadro persistente de dor external,
03:07ou seja, uma dor forte no peito, e não foi feito o exame prescrito pela literatura médica para o caso,
03:14ou seja, o ecocardiograma.
03:16Ela foi liberada do hospital sem a realização do exame, sem uma investigação mais aprofundada do quadro.
03:22E horas depois, Júlia vem a óbito justamente por tamponamento cardíaco,
03:28um quadro que seria detectado pelo exame de ecocardiograma.

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