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  • há 2 dias
Os bastidores do Corinthians: marketing, patrocínios e a força da Fiel

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Transcrição
00:00Olá, seja bem-vinda, seja bem-vindo ao Dentro da Arena.
00:03Aqui no Dentro da Arena a gente trata esporte como negócio,
00:05a gente recebe as principais personalidades do esporte,
00:09não aquelas que estão dentro de quadra, não aquelas que estão dentro de campo,
00:12mas quem está fora de campo fazendo o show acontecer.
00:15Hoje o assunto é muito interessante, eu tenho certeza que muitos de vocês que nos assistem
00:20são corintianos, não é mesmo?
00:21E se você não é corintiano, tenho certeza que você também admira ou respeita
00:26essa é uma das maiores marcas esportivas do Brasil,
00:28uma das maiores torcidas do mundo.
00:30E para a gente falar sobre esse tema, eu tenho aqui um convidado mais do que especial,
00:35meu amigo Vini Azevedo.
00:36Seja muito bem-vindo, Vini.
00:37O Vini que é superintendente de marketing do Corinthians.
00:41Vini, prazer te ter aqui no Dentro da Arena.
00:43Bom, Ivan, obrigado pelo convite.
00:44Acho que é um prazer poder aqui dividir um pouquinho do nosso dia a dia com o público.
00:48Eu sei que cada vez mais o tema de marketing gera muita curiosidade,
00:53muito debate nas redes.
00:54Então, o que a gente puder trazer aqui um pouco do nosso dia a dia,
00:57até para alimentar mais todos os apaixonados por marketing
01:01a poderem seguir seus debates e seus bate-papos com os amigos
01:04ou mesmo nas redes sociais.
01:06Acho que parabéns pela iniciativa também de vocês,
01:08de poder abrir esse tipo de conteúdo,
01:10que eu acho que normalmente é muito restrito.
01:12Então, é que seja um bate-papo muito legal e produtivo para todos os espectadores.
01:17Prazer te ter aqui.
01:18Sem dúvida nenhuma.
01:19Vou falar muito de Corinthians.
01:20O Vini, que é ultra-corintiano, torcedor.
01:23Imagina qual que é a beleza de você conseguir coincidir a sua vida profissional com a sua paixão.
01:30É isso que o Vini consegue fazer.
01:31Ele tem uma experiência já grande no Corinthians.
01:32Também em outras experiências profissionais a gente já fala disso.
01:35Mas eu queria começar perguntando pra você, Vini.
01:36Que quem pensa em Corinthians provavelmente pensa, em primeiro lugar, em futebol,
01:41pensa numa torcida gigante, pensa na paixão,
01:44fico pensando quais são os adjetivos que vêm à cabeça das pessoas
01:46quando ouvem essa palavra Corinthians, sendo corintiano ou não sendo.
01:50Mas a verdade é que é um negócio, é um clube que tem receitas,
01:54que tem custos, que tem despesas, que tem...
01:56Então, eu queria que você contasse para nós que tipo de organização que é o Corinthians.
02:00O que está por trás dessa parte mais visível que o público todo conhece?
02:03Bom, vamos lá. Acho que existe um grande desafio,
02:07que é o que vem sendo debatido já há anos,
02:10sobre você coacionar essa questão financeira.
02:13Então, daí que eu acho que nasce também a discussão cada vez mais calorosa
02:17e mais engajada em relação ao marketing.
02:20Porque o marketing acaba sendo, acho que uma das principais fontes de receita
02:23a não ser a venda de atletas.
02:25Então, as discussões acabam sempre permeando essa agenda.
02:28Do ponto de vista de clube, acho que também vale deixar claro
02:31que o Corinthians tem muito mais coisa do que o futebol masculino e o futebol feminino,
02:34que são as modalidades que têm mais visibilidade, alcance,
02:38por conta das transmissões e coberturas diárias.
02:40Então, tem a parte do clube social, tanto da prática esportiva
02:43quanto de um ambiente mais de convivência.
02:45Em termos de estrutura, a gente tem o centro de treinamento do masculino,
02:49o da base e do feminino, que hoje estão dividindo o mesmo ambiente,
02:53e também o estádio, além do clube social.
02:55Então, tudo isso gera essa movimentação, seja de despesa, seja de custos,
03:00de receita, perdão.
03:02Então, no frigir dos ovos, o que a gente precisa sempre tentar buscar ali
03:05é uma responsabilidade orçamentária,
03:07que aí entra uma agenda do marketing comercial
03:09e com toda a conexão com o departamento de comunicação,
03:13que ajuda a movimentar essa engrenagem para conseguir
03:17fazer com que a vida financeira da entidade seja mais saudável.
03:21Então, acho que por isso que esses debates acontecem bastante,
03:23mas é mais ou menos em linha simples, é isso.
03:25É como que a gente consegue equacionar ou criar um ambiente positivo
03:29do ponto de vista financeiro, equacionando todas essas despesas
03:32e custos gerados por todos esses movimentos,
03:34sejam eles de prática desportiva, entretenimento, enfim, ou infraestrutura.
03:38E, por outro lado, como é que a gente capitaliza toda essa paixão,
03:41esse engajamento que tem em torno da marca
03:44e tenta também transformar isso, respeitando o DNA do clube, os valores,
03:49não tratando isso de uma maneira muito capitalista,
03:53no sentido de que vire uma relação cliente.
03:56Eu acho que a gente tem que tentar fugir muito disso.
03:58Naturalmente, o torcedor tem várias facetas,
04:01mas eu acho que a gente não consegue resumi-lo a essa palavra.
04:04A gente até evita usar essa palavra, não porque ela é ruim,
04:06mas é porque a relação marca-torcida é muito mais complexa
04:11do que uma marca-cliente.
04:12Então, o torcedor pode ser cliente em algum momento,
04:14mas, em outros momentos, ele é treinador, ele é presidente,
04:17ele é diretor financeiro, ele é diretor de marketing,
04:19ele é um entusiasta.
04:20Então, tem muitas facetas do lado do torcedor.
04:23Então, a gente tenta sempre ponderar muito isso
04:25nas tomadas de decisão que seriam diferentes
04:27se a gente estivesse falando de um cinema,
04:29de um teatro ou de um outro negócio que fosse puramente um negócio,
04:32que não tivesse essa agenda social,
04:35não no sentido assistencialista da palavra,
04:37mas de gerar um impacto social.
04:39Acho que tem essa visão que a gente tem no dia a dia.
04:42Você falou, Vini, das diversas receitas.
04:45Tem despesas, tem custos, diversas receitas.
04:47Quem a gente ouve lá, quando sai na imprensa,
04:48é a contratação do Memphis.
04:50Isso é lá o salário do Memphis, imagina.
04:51Daí tem os salários dos jogadores.
04:54A exclusividade do Corinthians, tem outros que estou chamando aqui.
04:56Estou citando o exemplo do Memphis,
04:58que é um goleador e acho que a torcida acredita
05:00e concorda que o Memphis se paga o que ele custa para o clube.
05:05Mas a grande verdade é que, para ter capacidade de honrar
05:09com essas despesas, ter um time competitivo,
05:12você precisa gerar receitas.
05:15Nesse aspecto, a camisa do Corinthians,
05:17quando a gente pensa em patrocínio,
05:19é uma das mais valiosas do Brasil.
05:22O que também traz uma grande responsabilidade,
05:24porque existe uma comparação com quanto o Flamengo vendeu,
05:28quanto o Palmeiras vendeu.
05:29Existe uma comparação.
05:30Tamanho de torcida, número de negócios
05:32que são feitos com corintianos.
05:35Existe essa natural comparação do futebol.
05:36Até quanto o patrocinador paga é uma competição.
05:39Ninguém quer perder nada.
05:40Você não quer perder nem para o ímpar, para o palmeirense.
05:42É assim que funciona.
05:44Então, queria que você contasse um pouco também
05:45dessa responsabilidade, como vocês lidam
05:47construindo esse ativo, que é a marca Corinthians
05:51e ela se associando com outras marcas patrocinadoras.
05:55Muito legal e desafiadora a pergunta,
05:57no sentido que muitas coisas permeiam a decisão
06:00de um patrocinador entrar no clube.
06:01Então, às vezes, o momento esportivo pode ajudar ou não.
06:05O momento institucional ou uma crise reputacional
06:08pode atrapalhar ou não, coisa que a gente viveu
06:10num passado muito recente.
06:14Então, existe a comparação.
06:16Nem sempre os dados são...
06:17Esse é um outro ponto.
06:19Os dados aparecem e sempre nunca aparecem de forma...
06:22Poucas vezes ele aparece de forma oficial.
06:24Até porque você preserva as marcas que não querem divulgar
06:27por questões estratégicas.
06:28Às vezes, uma marca não quer divulgar quanto ela investe.
06:30Que nem a marca não quer falar quanto ela investe
06:32num determinado veículo de comunicação tal pacote
06:35porque ela vai revelar uma informação estratégica
06:37para um concorrente dela.
06:38Então, muitas das vezes, esses dados não aparecem,
06:41mas acabam surgindo em vias que não necessariamente
06:44são oficiais e geram as comparações.
06:48Acho que a comparação é justa, é legítima,
06:50ela gera uma conversa legal entre os torcedores.
06:52Só que acho que tem vários elementos que são levados em conta
06:54numa negociação.
06:55Então, de novo, uma crise reputacional.
06:58E a gente acha que é um ótimo exemplo disso
07:00na fotografia que a gente migra de um ano para o outro.
07:04Então, acho que até abro o espaço da pergunta
07:07para fazer uma comparação.
07:09O segundo semestre de 2025, na nossa visão,
07:13é um semestre de proteção.
07:15Então, como é que a gente sai de um turbilhão,
07:19de uma crise reputacional,
07:21e eu protejo as marcas que estão aqui comigo
07:23antes de pensar nas novas, embora chegaram novas.
07:25Mas a primeira coisa é que eu preciso proteger quem está comigo.
07:28Tanto que, de um ano para o outro,
07:30o desafio orçamentário dessa linha de receita
07:33é basicamente 100 milhões a mais.
07:35Então, exige que em 2026, na linha de patrocínio,
07:39se arrecade mais de 100 milhões do que em 25.
07:41E a gente agora, nesse momento, já bateu a meta do ano
07:45com as renegociações dos dois principais contratos,
07:49renovações e chegadas de novas marcas.
07:51Esse número já foi atingido,
07:52a gente até estabeleceu uma outra meta interna
07:54para continuar desafiando o crescimento.
07:58Então, esse próprio salto, essa alavancagem,
08:00ela mostra um pouco também do momento institucional
08:01que a gente enxerga e uma estratégia.
08:03Não é por acaso.
08:05A gente existia essa preocupação,
08:07como é que os patrocinadores vão interpretar
08:09o momento que o clube vive institucionalmente.
08:12Então, por isso que foi feito um trabalho logo na retomada
08:15de trazê-los todos para uma conversa,
08:17criar essa agenda bem ultra transparente,
08:20explicar o que estava acontecendo,
08:22protegê-los, até porque os problemas não tinham a ver com eles.
08:25E como que a gente, a partir do momento,
08:27com um cenário muito mais estável,
08:29consegue também trabalhar essa alavancagem.
08:31Então, mesmo no meio do semestre do ano passado,
08:32a gente trouxe novos patrocinadores,
08:35teve a chegada da frimeza.
08:37Logo, a gente já tinha anunciado patrocinadores novos
08:39para o feminino, também para o masculino.
08:42E aí, chega no meio do fim do ano,
08:43a frimeza chega a BYG no fim do ano também,
08:46que para a gente foi um ponto muito importante,
08:48que são marcas automotivas,
08:50que estavam distantes dos clubes.
08:52E aí, a gente já vê agora o movimento
08:53de outras marcas automotivas com outros clubes.
08:55Então, o setor se sentiu provocado.
08:56Então, são movimentos legais que acabam acontecendo.
08:59Isso tem muito a ver com a estabilidade financeira,
09:03institucional, de imagem, tudo.
09:06Você está enfrentando uma dificuldade financeira,
09:08mas você mostra que tem um plano para tentar estancar essa...
09:11Isso mostra um viés de buscar a estabilidade.
09:14Então, que movimentos que eu faço internamente
09:16para estancar riscos de imagem?
09:18Tudo isso é percebido pelo mercado.
09:19Marcas de grande porte que chegam,
09:21uma renovação com a BEB, chegada de Gatorade,
09:23todas essas marcas,
09:25elas são cartões de visita junto com a gente.
09:27Uma renovação da Nike,
09:29fornecedora de material esportivo,
09:31agora a renovação com o patrocinador Mastro,
09:32tudo isso...
09:33A valiza.
09:34A valiza para uma marca...
09:35Para outras marcas entrantes,
09:37credenciárias.
09:38Esses caras estão lá, estão fazendo um bom trabalho,
09:40essas marcas de prestígio...
09:41Essa marca tem um compliance sério,
09:42ela vai fazer a instituição passar por uma avaliação de compliance.
09:44Então, tudo isso acabam sendo chancelas indiretas
09:47para que outros negócios sejam gerados.
09:49Compliance, a gente fala aqui, é auditoria, né, pessoal?
09:52É aquela marca, aquela entidade que tem tudo certinho,
09:55vamos dizer assim, né?
09:56Que está com a lição de casa em dia,
09:58vamos dizer assim, né, Vini?
09:59Não tem um problema.
10:00Você vai se associar com alguém
10:01que você não tem um problema.
10:02É claro que a gente está falando aqui de um clube de futebol
10:04que ganha, que perde.
10:05E que, obviamente, toda vez que você ganha, que você perde.
10:07Você tem mais críticas, mais paixão,
10:09o torcedor não quer perder, né?
10:10Ele quer ganhar, mas faz parte do negócio.
10:12E aí eu quero te perguntar,
10:14ganhar e perder faz a diferença nas vendas de patrocínio
10:17ou não faz?
10:18Ou seja, domingo o Corinthians jogou e perdeu.
10:20Na segunda-feira, você vai ligar para os patrocinadores
10:22ou não vai ligar?
10:23Não, é assim, esse efeito de curto prazo
10:25do ponto de vista de mercado,
10:28a gente não sente essa sensibilidade.
10:30Acho que o que existe é muito mais o tom de voz
10:35e o momento emocional do torcedor.
10:37Então, quando você vai fazer uma entrega para um patrocinador,
10:40o momento do time, de fato, ele é relevante nessa agenda.
10:44Então, por exemplo, se você perde um clássico no domingo
10:47e tem algumas postagens programadas para as marcas fazerem,
10:51a recomendação é sempre adiar ou reprogramar esse momento,
10:56porque existe a dor do luto.
10:59E eu acho que faz parte, o luto de uma derrota.
11:01E faz parte do Corinthians perceber isso
11:04e de todos os clubes, cada um no seu ecossistema,
11:07e das marcas que estão nesses clubes também perceberem
11:08que aquele não é o momento de você...
11:11Por mais que seja um conteúdo legal,
11:13que não seja 100% comercial, algo que fale da paixão,
11:15às vezes não é a hora.
11:17Dependendo de como foi a dor de uma derrota,
11:19você tem que esperar e respeitar aquele momento acontecer.
11:23Mas acho que a venda de Opa Torcida em si diz mais sobre fases
11:26do que sobre um jogo específico.
11:28Agora, a comunicação diretamente para o torcedor,
11:31ela é afetada dia a dia.
11:34Diretamente?
11:35Diretamente.
11:35Entendi.
11:36Agora, uma coisa interessante.
11:37Vocês têm na torcida do Corinthians,
11:38fala-se muito hoje em dia que as marcas trabalham
11:41e gostariam de ter fãs.
11:42Então, as marcas que são de outras indústrias,
11:44de consumo, próprio automotivo,
11:45adoram essa ideia de transformar consumidores em fãs.
11:48Mas fãs têm uma relação meio de paixão,
11:51e paixão é relação passional.
11:52E, às vezes, nessa relação passional,
11:54tem algo que é muito importante,
11:56se você conseguir canalizar isso para o bem,
11:59monetizar, que é o termo que a gente usa nessa indústria,
12:01transformar isso em dinheiro, vender produtos,
12:05obviamente, fortalecer os cofres do clube,
12:06que vai privilegiar a contratação de um time,
12:08e assim vai esse negócio.
12:10Mas, por outro lado, também tem reações
12:11que podem ser negativas, algumas passam do ponto.
12:14Como é lidar com isso perante as marcas,
12:18perante o patrocinador?
12:18Porque o patrocinador, na verdade,
12:19ele está querendo se associar a boas histórias, normalmente.
12:23E, às vezes, tem lá uma confusão ou outra característica ainda
12:26do futebol brasileiro.
12:28Como que é isso no dia a dia?
12:30Acho que, assim, existe, naturalmente,
12:32a relação que tem com as marcas.
12:33Ela é uma relação visceral,
12:35e que você tem contato semanal,
12:38às vezes até diário,
12:39dependendo do volume de ações que as marcas fazem.
12:41E a primeira coisa é tentar evitar de sugerir coisas
12:46que coloquem determinados riscos.
12:49Eu acho que hoje a vida acaba sendo mais sobre riscos
12:52do que sobre oportunidades para as marcas.
12:53As marcas até topam correr um determinado risco
12:56para alguma história muito legal,
12:58mas tem um limite.
13:00Então, acho que quando acontecer algum tipo de cenário negativo,
13:03que sejam cenários onde a marca não esteja envolvida,
13:06ou que se ela está ali envolvida,
13:07seja algo por acidente,
13:08e não que a gente provocou uma situação sabendo que teria aquele grande risco.
13:12Então, acho que é muita casualidade também.
13:15O futebol, o esporte,
13:17são tantos stakeholders,
13:21entidades envolvidas,
13:22sejam as organizadoras,
13:24as que transmitem, os atletas.
13:26São muitos pontos de contato
13:28que você não consegue necessariamente controlar todos.
13:30Então, de fato, podem ocorrer coisas...
13:32Por exemplo, quando um atleta tem alguma confusão,
13:35como teve em um campeonato estadual agora recente,
13:38as marcas estão na camisa ali, de certa forma.
13:40Tem os patrocinadores da competição.
13:42Mas acho que o torcedor não associa a marca.
13:45Por mais que a marca esteja no cenário,
13:47visualmente ela não é agradável,
13:48para a marca é ruim.
13:50Poucas vezes você vê alguém conectando,
13:52a menos que talvez criativamente force a criação de algum meme,
13:55porque a marca tem alguma coisa a ver com a situação que está acontecendo,
13:57vai ser um pouco mais forte.
13:59Mas acho que as pessoas conseguem separar,
14:01quando tem alguma coisa negativa,
14:03a menos que seja promovido pela marca.
14:05Se a marca foi protagonista dessa agenda negativa,
14:10certamente ela vai fazer parte dessa pauta.
14:13Mas acho que, em geral, quando são causalidades do esporte
14:15ou, às vezes, entre torcedores, enfim, dirigentes,
14:20acho que isso foge um pouquinho,
14:21a menos que a marca esteja participando da agenda
14:24que ocorre ali na situação.
14:26Agora, uma das marcas no sentido do simbolismo da torcida do Corinthians
14:31é justamente essa mobilização da torcida.
14:33Eu me lembro que anos atrás, não me lembro o ano,
14:36o Corinthians foi para a Série B,
14:37aconteceu aquela situação,
14:39e aí eu me lembro que tinha o nunca vou te abandonar e tudo.
14:41Então, a torcida, todo mundo tinha ali uma dúvida,
14:43talvez, de como a torcida ia reagir.
14:44A torcida dobrou a aposta, vamos dizer assim,
14:46no clube, passou a apoiar ainda mais,
14:48depois o clube se reconduziu à Série A e tudo mais.
14:50E quando você pensa em uma torcida mobilizada,
14:53é seu papel entender como essa torcida pode,
14:56obviamente, também contribuir com o clube.
14:58É claro que, quando a gente pensa em futebol,
15:00a gente pensa em comprar a camisa do clube,
15:01eu acho que é a forma mais fácil.
15:03Não compra camisa pirata, por favor, pessoal.
15:06Compre camisa original, oficial do clube.
15:07Assim, você ajuda o clube.
15:08Camisa pirata não ajuda.
15:09Importante saber.
15:10Vamos aproveitar para avisar.
15:12Compre camisa oficial que ajuda o clube.
15:13Camisa pirata, de fato, não ajuda.
15:15Mas tem o programa de sócio-torcedor,
15:17também tem a hospitalidade, os camarotes da arena,
15:20também tem inúmeros produtos.
15:22Tem os licenciamentos, tem vários produtos.
15:24Como que é, além, obviamente, do ingresso
15:26para ir assistir a arena?
15:28A grande verdade, a gente está falando de uma torcida
15:29de 35, 37 milhões de torcedores
15:33para uma arena que cabe 40 mil pessoas, 50 mil pessoas?
15:36É, 48 e pouco.
15:3648, 50 mil pessoas.
15:38Ou seja, tem um universo de coisas para você vender
15:40para essas pessoas que não estão na arena assistindo.
15:43Quais são esses produtos e como que é isso no dia a dia
15:45para transformar em receita essa paixão da torcida?
15:50Bom, primeiro, eu acho que, especificamente sobre licenciamento,
15:54a gente tem hoje mais de 100 empresas licenciadas,
15:57isso significa mais de 100 empresas que produzem artigos oficiais
15:59que são vendidos nas lojas.
16:03Podem ser nas lojas oficiais do clube ou em lojas,
16:05em geral, lojas online, enfim,
16:07todos os canais possíveis de varejo.
16:09O que é importante?
16:11A receita de licenciamento, ainda dentro do todo,
16:14ela é uma das menores.
16:15Isso é natural porque você ganha uma porcentagem,
16:17que normalmente não é tão grande,
16:19de um preço de venda para o mercado.
16:22Em geral, os contratos são conduzidos dessa forma.
16:24Então, você tem um produto que tem um custo para o fabricante.
16:26Isso é legal explicar porque existe uma confusão muito recorrente.
16:30Por exemplo, quando o Messi foi para o PSG,
16:32eu lembro de ter saído uma notícia assim,
16:34o PSG vende X mil camisas e com isso paga o Messi.
16:38Não é bem assim?
16:39Quem soltou essa informação, fez a conta assim,
16:41beleza, a camisa custa 300, 300 vezes X mil dá tanto,
16:45deu tantos milhões e pagou um Messi.
16:46Não, porque primeiro existe o custo do produto.
16:49O fornecedor tem a cadeia de impostos
16:52e tem a porcentagem que o clube detém,
16:54dependendo do mercado, essa porcentagem pode variar.
16:56Se são produtos de mais margem,
16:57normalmente a porcentagem que o clube tem direito é maior.
17:00Isso existe uma prática de comparar o mercado.
17:03Então, quando esse produto vai para o varejo,
17:05você efetuou uma transação,
17:07ali tem toda a cadeia tributária.
17:08Esse varejo que comprou,
17:10e aqui também além do custo, tem o lucro do fabricante.
17:13O varejista que compra para revender para o público final,
17:16ele também tem uma cadeia tributária
17:18e também tem a sua margem de lucro.
17:20Então, você tem que fazer uma conta completamente
17:23de trás para frente para tentar chegar nesses números.
17:25Então, isso é legal explicar para o público,
17:27porque a gente vê muito essa confusão ser feita
17:30que vendeu X mil camisas,
17:31com X mil camisas deu X milhões.
17:33Não, não é essa conta.
17:35Então, o licenciamento de fato,
17:36perto das outras linhas de receita,
17:38como direitos de transmissão, patrocínio,
17:40arrecadação de bilheteria,
17:42e mesmo o programa de sócio-torcedor,
17:43ela ainda está abaixo.
17:44Mas eu acho que não só o ponto de receita,
17:48eu acho que ela tem um ponto do pertencimento.
17:49Para os clubes,
17:51uma grande dificuldade é você...
17:53A gente, às vezes, também vê muita discussão sobre internacionalizar a marca.
17:56E a grande verdade é que existe uma dificuldade,
17:58inclusive, de nacionalizar a marca.
18:00Muitos clubes hoje, eles são de escala nacional,
18:02mas eles têm pouco contato em ambientes que estão longe da sua sede.
18:07Então, você tem poucas lojas fora do seu centro comercial,
18:10do seu centro, da sua região.
18:12Você tem poucas atividades de experiência.
18:15Então, o torcedor, ele se sente, muitas das vezes, distante do clube.
18:19Tanto que agora a gente tem, nesse ano, um planejamento...
18:21O ano passado, a gente tinha 29 lojas e entregou 41, se não me engano, ou 40.
18:26Esse ano, a gente tem que entregar 63.
18:28E tem no plano de expansão lojas para outras regiões,
18:31inclusive, onde tem bastante demanda reprimida,
18:34que o torcedor não encontra um lugar onde ele se sente acolhido,
18:38reconhecido ou pertencente.
18:40Então, o produto licenciado também tem esse papel.
18:42Independente da receita não ser tão importante quanto uma receita de patrocínio,
18:46ele faz com que aquele torcedor tenha algo do Corinthians.
18:49E ele fala, puta, eu faço parte disso.
18:52Então, acho que o produto licenciado tem esse papel de reforçar o pertencimento do torcedor.
18:56E aí, a gente vem, desde o ano de um e meio, dois para cá,
19:01também trabalhando forte nas collabs.
19:02A gente teve uma collab com a NFL muito legal.
19:05Teve uma que foi Corinthians e NFL.
19:06E teve uma que foram cinco partes.
19:08Corinthians, NFL, Hugo, o atleta do Chargers e o Chargers.
19:11Então, foi uma collab com cinco partes envolvidas.
19:14Acho que isso foi super bacana para a gente também como marca.
19:18Agora, esse lançamento com Sabotage,
19:20que também tem um DNA muito forte de resistência,
19:23que combina muito com Corinthians.
19:25E outras que estão vindo por aí, que também trafegam em outros territórios.
19:28Acho que o legal do collab é você trabalhar diferentes públicos.
19:32Como é que eu, de repente, consigo atingir o público infantil,
19:34o público feminino, o público do hip-hop ou de outras tribos.
19:37Então, o geek, que a gente está distante hoje do público gamer,
19:40que é uma dificuldade e um desafio, que é importante para nós.
19:43Então, como é que a gente consegue aproximar territórios de paixão?
19:47No marketing se discute muito isso.
19:49E as collabs que a gente vê hoje são isso.
19:51Sejam de produtos, de conteúdo.
19:53Como é que você junta mundos que, às vezes, parecem ser distantes
19:55e que, na verdade, tem muita coisa para construir em conjunto?
19:58E trocam experiência entre essas comunidades, trocam audiência.
20:01Agora, você falou desses diversos produtos, vamos dizer assim,
20:05que você tem para olhar.
20:07E como marketing, o seu entendimento é sobre quais são esses pontos de contato
20:12com o torcedor para diversos tipos de torcedor.
20:15Tem sempre um ponto que é relevante, que é o valor do ingresso.
20:19O valor do ingresso.
20:20Essa especificação de quanto vai custar o ingresso.
20:22Claro que os ingressos dos Jogos Libertadores são mais caros do que o brasileiro e tal.
20:25Mas o valor do ingresso, se vira e mexe, tem lá um ponto.
20:28Como que é essa determinação e que tipo de torcedor a gente quer trazer na arena?
20:34Essa pergunta é excelente e ela talvez ajude a responder boa parte das discussões.
20:39O ano passado, não sei se historicamente isso estava dentro do chapéu do marketing,
20:44o ano passado a gente pediu para trazer isso para a discussão,
20:48exatamente por também ter uma proteção de público.
20:52O clube, a dinâmica do dia a dia do clube, ele aprova um orçamento,
20:56uma previsão orçamentária para o ano subsequente.
21:00E o desafio que os departamentos têm é responder aquele orçamento.
21:03Então a gente tem que atingir aquele orçamento.
21:06No ano passado a gente conseguiu atingir, mesmo com tudo que aconteceu, o orçamento de bilheteria.
21:10O grande ponto é, se a gente de novo fosse olhar como um cinema, um teatro,
21:14algo que fosse puramente oferta e demanda, esse resultado poderia ser muito maior.
21:20Só que você muda o público que vai no estádio.
21:23Então a filosofia que a gente tem hoje, e o preço não é uma pessoa que define,
21:28é um colegiado, a gente passa por avaliação do financeiro,
21:31é muita gente envolvida para conseguir validar.
21:33O que a gente fez no ano passado e replicou para esse,
21:36embora a gente está fazendo alguns ajustes ainda,
21:40é uma política de criar cinco preços diferentes
21:43e enquadrar os tipos de jogos nessas precificações para já poder anunciar.
21:48Para também o torcedor não ser pego de surpresa.
21:50Ah, vai ter um jogo domingo, quanto vai custar esse jogo?
21:52Para já poder ter isso um pouco mapeado.
21:54Então, e essa setorização, essa classificação de jogos,
21:57ela leva em conta o adversário, a competição,
22:02em alguns casos se é dia de semana ou não,
22:04porque dependendo, isso também pode atrapalhar um pouquinho.
22:08Obviamente um jogo muito relevante,
22:09se for uma da tarde na segunda-feira,
22:11a gente sabe que mesmo se você não divulgar, vai vender tudo.
22:14Mas no geral, isso aqui é um ponto também, uma variável importante.
22:18E a gente entende que se você pegar um jogo para o outro
22:23e mudar bruscamente o preço de um setor,
22:25que é o setor que ajuda também a fazer o barulho,
22:28a gente sempre se fixa muito ao setor das organizadas,
22:30que é o pulmão do estádio,
22:31só que o setor leste, que é o que a televisão mostra,
22:34e obviamente o sul que está espelhado do norte,
22:37eles são engrenagens para a atmosfera do estádio,
22:40se é aquela atmosfera que faz todo o jogo do Corinthians,
22:42alguém compartilhar e sair nos canais do mundo inteiro,
22:44os vídeos do poró, pó, pó, a torcida cantando mesmo, perdendo.
22:47Quando o Corinthians toma um gol, a torcida cantar mais alto.
22:49São características que se a gente tornar isso aqui
22:53uma visão ultra de negócio, de gerar lucro,
22:56talvez a gente mude bruscamente esse público
22:58e jogue esse DNA no lixo.
23:00Então, esse é um cuidado que a gente tem de manter...
23:04Obviamente, vai ter um jogo ou outro que vai ser mais caro,
23:05nessa lógica, mas na média, se esse torcedor for em todos os jogos,
23:09na média, isso não afeta muito.
23:11Então, a gente tem que ter esse cuidado.
23:12Só de torcida organizada ali naquele setor?
23:14Ali a gente está falando de 8 a 9 mil pessoas,
23:16de 49 mil lugares, basicamente.
23:19Que é o limite também, que a lei coloca um teto,
23:24que você tem que ter esse limite.
23:26E a gente entende que o setor...
23:27Faz mais barulho, empurra o time, é a marca da torcida.
23:30E esse ano, no setor leste, a gente mudou,
23:32tanto em cima quanto embaixo, mudou agora recentemente.
23:36Antes, estava um preço único em cima e dois embaixo.
23:39A gente está deixando três em cima e três embaixo,
23:40exatamente para poder modular melhor,
23:43entender que o corner pode ser um preço ainda mais convidativo,
23:46e que, de fato, assistindo o centro do estádio, vale mais.
23:50E a gente reduziu o que era central em cinco blocos para três.
23:53Então, você sobe o preço desse ingresso,
23:55mas você diminui a quantidade de pessoas que vai pagar mais caro,
23:57que são as pessoas que valorizam estarem bem no miolo do campo,
24:01sem descaracterizar, porque a gente está falando aqui
24:03de um setor de 16 mil lugares.
24:05A gente subiu um pouco,
24:07três blocos que vão dar menos de 3 mil lugares dos 16.
24:10Então, a gente entende que a leste é uma preservação do DNA também
24:15do estádio pegar fogo, nesse sentido de não trocar o público.
24:18Se você, numa final contra o Campeonato Paulista,
24:20se você quiser cobrar 300, 400 reais do estádio inteiro
24:24e ter uma renda de 15 milhões, vai dar.
24:26Só que a sensação que a gente tem,
24:27que é algo que a gente defende hoje internamente alinhado,
24:29é que se você fizer isso, você vai desligar o estádio.
24:33Primeiro que você vai tirar do estádio aquela pessoa que foi o ano inteiro,
24:37e no momento que ela mais queria estar lá
24:38e que ela fez ajudar o time a chegar onde chegou,
24:41ela vai estar expulsa de lá por uma proibição do ticket ser cobrado.
24:46Então, a gente entende onde são os lugares que são possíveis
24:51ter um incremento de receita quando o jogo permite ter um incremento de receita.
24:54Ou seja, no mundo do marketing,
24:55a gente sempre fala da lei de oferta e de demanda.
24:57Ou seja, você tem uma demanda maior e aí você vai regular o seu preço com isso,
25:02a elasticidade de preço e assim por diante.
25:04Ele está explicando aqui, o Vini está explicando para a gente
25:05algo que é muito curioso, pessoal.
25:08Mesmo que você tenha muito mais gente querendo comprar aquele ingresso
25:11nos jogos finais, na semifinal, na final,
25:13não parece justo aumentar o preço,
25:15porque você vai mudar o perfil de torcedor
25:17e isso traria provavelmente uma insatisfação
25:19com aquele que é o torcedor fiel,
25:21como diz o nome, que está lá todos os jogos,
25:23na quarta noite com o Garoa,
25:25e está lá no jogo do Campeonato Paulista da primeira fase,
25:27que joga talvez com times mais desconhecidos,
25:29e tira essa pessoa do momento que ela gostaria de estar,
25:31com a família, com a amiga, com a esposa, com o marido,
25:33quem quer que seja, torcendo.
25:35Super interessante, uma regra aqui que já muda bastante
25:37o que é a lógica normal.
25:38Se você vende qualquer produto,
25:41tem o seu estoque e ele esgota,
25:43quando você produz mais, provavelmente você vai produzir
25:44com um valor maior, dá para trabalhar uma margem maior.
25:47Aqui está esgotando rápido esse negócio.
25:48É uma Copa do Mundo.
25:49Copa do Mundo, futebol, que é diferente.
25:51Super interessante.
25:52Agora, no teu trabalho, Vini,
25:54imagina quantas pessoas gostariam de cuidar da marca Corinthians.
25:57Deve ser um dream job, um trabalho dos sonhos.
25:59Mas também deve ter muita opinião desse negócio.
26:02Talvez muita gente deva querer,
26:03de chegar para você e falar,
26:05Vini, por que você não faz esse negócio com a marca e tal?
26:06Então, talvez tenha uma parte menos glamourosa do teu trabalho.
26:09Eu queria que você falasse um pouco sobre isso.
26:11O que é a parte boa?
26:12O que é a parte mais difícil do seu dia a dia?
26:15Acho que a opinião nunca é um problema.
26:17Inclusive, é muito legal.
26:18Eu acho que até a gente abriu aqui
26:20o programa falando que cada vez mais
26:21esse assunto seduz e põe fogo nas redes sociais
26:25sobre debates.
26:26Acho que isso é super salutar, é saudável
26:27e mostra o interesse do público em geral
26:31sobre os movimentos que o clube consegue ou não consegue fazer.
26:35Obviamente, às vezes, o tom das críticas,
26:39a forma agressiva, às vezes, é um pouco chato da gente interpretar,
26:42mas você aprende a lidar também.
26:45Mas acho que a maior dificuldade...
26:46Aqui, eu brinquei com você antes da gente entrar no ar,
26:49que essa é a típica pergunta,
26:50que talvez daria para ter um outro bloco inteiro
26:51só para falar disso também,
26:53mas existe uma dificuldade das pessoas
26:58que tentam levar coisas, negócios ou ideias
27:02quando vem um não.
27:04A reação ao não...
27:05Não digo de um torcedor dando uma opinião,
27:07mas, sei lá, alguém veio tentar trazer um patrocinador.
27:08É uma marca que, sei lá, ou a proposta não evoluiu
27:10ou o compliance sinalizou algum risco.
27:14O não não é muito bem interpretado
27:16e aí começam a tentar dar voltas
27:18e batem em outras portas.
27:19Isso gera uma ineficiência.
27:20Então, essa é uma coisa que incomoda muito
27:23e quando tentam usar o nome de pessoas,
27:25acabam expondo pessoas do clube
27:27para tentar te dar uma...
27:30No popular, a famosa carterada.
27:33Então, como a relação é ultra-profissional, transparente,
27:37a gente não cai nessa...
27:40Até peço encarecidamente para quem usa desse artifício,
27:44não só no Corinthians,
27:45isso é um programa com todos os clubes,
27:46a gente conversa com os amigos que trabalham,
27:48não usa o nome de dirigente,
27:49não usa, que você já falou com...
27:51Você expõe a pessoa e o dirigente,
27:53quando é um dirigente sério que está alinhado
27:55com todos os seus departamentos,
27:59quando ele entende a profundidade e a importância
28:02daquele tema, ele vai levar isso para as pessoas.
28:04Se é um tema financeiro, vai levar para o financeiro.
28:06Se é um tema jurídico, vai levar para o jurídico.
28:08O ato de alguém que vem falar com você,
28:10tentar usar o nome de alguém do clube,
28:13na minha visão, ele enfraquece a relação de quem está...
28:16A pessoa usa achando que ela vai ficar mais forte,
28:19mas a sensação para mim, a minha leitura,
28:22é que se ela tivesse algo tão bom para apresentar,
28:24ela não precisava falar com quem ela está falando.
28:26É só apresentar.
28:27O projeto é bom, você não precisa falar com quem você já falou.
28:30Traga o projeto, a gente vai conversar, vai avaliar.
28:32Nada no clube é feito por uma pessoa.
28:34Então, essa também é uma outra coisa importante.
28:37Eu não faço nada sozinho, pelo contrário,
28:39nem o marketing faz as coisas sozinho.
28:40A gente precisa, muitas das vezes, do compliance,
28:42do jurídico, do financeiro, da contabilidade,
28:45do departamento de futebol, da assessoria de imprensa,
28:47da presidência, do administrativo.
28:48Então, é tudo muito coletivo, é movimentar um transatlântico.
28:53Ali, os movimentos não são fáceis, não são dinâmicos,
28:56não são rápidos e precisa de uma engrenagem funcionando.
28:58Então, acho que a falta de também compreensão
29:01de que não é como, putz, vou resolver uma coisa aqui a toque de caixa.
29:06Existem regulamentos de competições, regras contratuais,
29:10tempos de produção.
29:11Então, as cadeias são lentas,
29:13não são da maneira que, às vezes, o torcedor imagina também.
29:15Então, acho que existem algumas frustrações
29:18mirando mais para o dia a dia interno
29:21numa conversa mais de geração de negócio.
29:23E sobre a interpretação do torcedor,
29:25aí não é uma questão de frustração,
29:26mas é explicar que os movimentos são um produto licenciado.
29:30Ele demora para sair.
29:31É uma camisa aprovada dois anos antes.
29:33Essa camisa lançando agora, referente à invasão,
29:36os 50 anos da invasão,
29:38quando eu voltei a trabalhar no Clube 24,
29:40foi a primeira coleção que a gente foi aprovar como departamento.
29:44A camisa do ano passado, a preta e laranja,
29:47já tinha sido outra gestão que aprovou.
29:48Então, essa cadeia de aprovação é lenta.
29:51E não é só a do nosso fornecedor, é de todos.
29:53Existe a compra de material, a produção.
29:56Ou seja, essa urgência não necessariamente acontece na prática.
29:59Tem muita gente envolvida.
30:00Agora, uma coisa que me chama a atenção.
30:02Muito se fala, Vini, das SAFs
30:04e de como isso muda a maneira como o futebol se organiza.
30:07Um dos grandes comentários que se faz sobre clubes associativos,
30:10que é o caso do Corinthians, do Palmeiras, do São Paulo,
30:13que não são SAFs,
30:16tem uma componente política no clube.
30:18Pelo que você conhece dos amigos que trabalham em SAFs,
30:21é diferente ou é bem parecido do ponto de vista do dia a dia?
30:26Excelente provocação.
30:28E acho que tem aqui...
30:29Eu vou dividir a resposta em dois momentos.
30:32O primeiro sobre SAF.
30:33Eu acho que, naturalmente, passa uma sensação para o público
30:38que o modelo jurídico do clube,
30:43ele passa a exigir mais responsabilidade
30:45e, naturalmente, ele sugere que sejam visões de mais médio e longo prazo.
30:50Enquanto os modelos associativos,
30:52é sempre aquela sensação que é tudo muito no curto prazo.
30:54Talvez muito semelhante à administração pública.
30:57Porque você tem gestões curtas
30:58e você dificilmente consegue ver algo que foi plantado
31:01num momento para ser colhido 10 anos à frente.
31:05Mas, não querendo resumir isso a uma discussão rasa,
31:09porque acho que é super profundo e todas as teorias são válidas de discussão,
31:12eu ainda sou de que o CPF é mais importante do que o CNPJ.
31:17Seja um modelo associativo, seja um modelo SAF,
31:19e a gente tem exemplos de ambos.
31:22Com bons CPFs, você vai fazer uma boa gestão.
31:25Com maus CPFs, você vai fazer uma má gestão.
31:28Seja ele um modelo associativo, seja ele um modelo de empresa,
31:31vai no frigir dos ovos, vai depender das pessoas que estão ali.
31:34Então, eu ainda acho que, às vezes, é transferir um pouco de responsabilidade.
31:37Acho que é muito salutar discutir os modelos.
31:39Acho que tem boas práticas para buscar dos dois.
31:43Por exemplo, conversei uma vez com um colega de trabalho
31:46que já tinha trabalhado em um clube associativo e foi para um clube SAF.
31:49E aí, ele até brincou.
31:50Falei, qual a diferença de imediato?
31:52Ele, cara, primeiro jogo que a gente foi como mandante,
31:56me apresentaram um orçamento que eu tinha um budget
31:58para poder fazer ações com o torcedor.
32:01Eu comemorei, porque, normalmente, é um ponto legal também de explicar.
32:06As ações em estágio não são baratas.
32:08Uma queima de fogos é caro, é bem caro.
32:10Fazer um mosaico, um painel.
32:12Às vezes, as torcidas fazem, às vezes, os clubes fazem.
32:14Show de drones começou agora.
32:16Show de drones.
32:16Isso tudo não é barato.
32:18E, normalmente, você não tem a previsão daquela receita já na sua mão para fazer.
32:22Então, você, normalmente, apresenta um planejamento para os patrocinadores
32:25para tentar fazer um investimento extra.
32:28Na visão de empresa, já tem aquele olhar de eu vou plantar para colher.
32:32Isso aqui faz parte da experiência.
32:33Eu preciso deixar a experiência ainda mais legal
32:35para que cada vez mais os torcedores venham,
32:38cada vez mais a média de público seja melhor,
32:41a satisfação desse torcedor realmente.
32:42Então, existem algumas visões mais corporativas
32:44que, realmente, você pode buscar boas práticas.
32:47Mas, eu acho que a comparação está mais ainda sobre os CPFs
32:49do que sobre os CNPJs.
32:50Falando nesse aspecto do CPF, me chama bastante a atenção
32:53porque, no fundo, você, turma que trabalha,
32:55você falou que são bons CPFs.
32:57É o bom CPF, não necessariamente, sobre o modelo.
32:59Mas, no fundo, somos seres humanos.
33:01Você também é corintiano.
33:03Você quer que o time ganhe.
33:04Mesmo se não fosse corintiano, você queria que o time ganhasse
33:06porque esse é o teu trabalho.
33:07E você sabe que isso impacta.
33:08Como que você consegue, como que é, na prática,
33:11dividir emoção e razão no dia a dia?
33:16Eu acho que esse é um desafio meio diário,
33:19só que do piloto, que ele entra num piloto automático.
33:22E eu gosto muito de, eu converso muito disso,
33:24internamente também com amigos.
33:26Eu acho que se você fosse pautar todas as decisões
33:29sobre o seu e o torcedor,
33:31muita coisa daria errado.
33:33A começar pela forma como você se vê dentro de um estádio.
33:36Então, o estádio hoje é um ambiente muito heterogêneo.
33:39Se você é um cara mais da época raiz,
33:41eu sou de 85 e sempre adorei frequentar estádio.
33:45Eu seria, talvez, aquele público que vai ficar em pé,
33:47que não exige nem cadeira,
33:48e eu não vou ser um consumidor dentro do estádio.
33:50Então, se a gente ali como departamento,
33:52pegar o eu torcedor,
33:53primeiro que a gente tenta ter pessoas diversas,
33:55nesse sentido, que pode nos ajudar.
33:58Mas a gente sabe,
33:59isso está na cabeça de todo mundo,
34:00que não é o seu eu torcedor que vai
34:04ditar as regras de como você vai fazer um estádio,
34:06porque senão você vai abandonar vários públicos.
34:08É como você preserva o público que você entende
34:10que para a instituição é relevante
34:12e como você atende outros públicos.
34:14Você faz o exercício de entender
34:15o que a pessoa do camarote espera,
34:18o que a pessoa da arquibancada espera,
34:19o que a pessoa da cadeira espera.
34:21E você tenta identificar nessa jornada
34:23falhas da experiência,
34:24o que dá para arrumar,
34:25o que não dá e vai continuar sendo falha
34:26e vai continuar sendo uma frustração
34:28do torcedor e também sua
34:29por não conseguir corrigir a frustração do torcedor.
34:32Então, a gente tenta sempre abandonar.
34:34Eu posso até entrar
34:36num ambiente muito curioso.
34:39Isso aqui talvez renda algum corte.
34:42Com bastante engajamento.
34:43Mas, por exemplo,
34:44brincadeira com o time rival.
34:46Tem uma brincadeira específica
34:48que eu, no meu lado do torcedor,
34:49eu não faço,
34:49porque eu não me identifico com ela,
34:51porque quando eu era criança,
34:53outros rivais faziam comigo.
34:54Então, eu sinto que não é do meu DNA.
34:56Mas é uma brincadeira
34:58que todo mundo quer que seja feita.
34:59A gente faz.
35:01Eu seria egoísta
35:02e seria incorreto com a instituição
35:04se eu colocasse o meu gosto
35:05à frente disso.
35:05Você está falando do seu concorrente verde?
35:07Isso.
35:07Do mundial?
35:08Eu tenho muitos amigos.
35:11E a turma gosta.
35:12Então, o departamento tem que estar
35:14alinhado com o que o público quer ouvir,
35:16não com o que um funcionário quer.
35:18Vocês se libertaram disso em 2012.
35:20Isso.
35:20Até 2012 tinha isso aí.
35:21Daí, a partir de 2012,
35:22já tem mundial.
35:23Então, não estamos se libertando.
35:25Não, 2000.
35:262000.
35:272012 foi a Libertadores.
35:28Que também era um tema.
35:29Também era controvérsia.
35:30Só que o apresentador,
35:31se complicar, é controvérsia.
35:34Mas, assim,
35:34eu acho que isso, de novo,
35:35é super saudável.
35:36É entender que ali o papel seu
35:39não é ser apaixonado.
35:40Você pode até se emocionar.
35:41Em vários momentos,
35:41a gente se emociona.
35:43Várias histórias muito legais
35:45para serem contadas.
35:46Quando, em 2017,
35:48a gente lança uma camisa
35:49em homenagem a 77.
35:51E não teve a volta olímpica em 77
35:52porque a torcida invadiu.
35:53A gente trouxe alguns atletas.
35:55Poucas pessoas notaram isso.
35:56Porque era a volta olímpica
35:57dos atletas campeões
35:58do Corinthians ganhou da Ponte Preta.
36:00Alguns atletas de 77
36:01que estavam vivos
36:02em condições físicas
36:04deram a volta olímpica junto
36:06com o troféu de 77.
36:08Então, você poder ver aquilo.
36:09Eu não vivi 77,
36:10não vivi 76.
36:12Talvez trocaria tudo
36:13que eu vivi
36:14por esses dois momentos.
36:17Então, é emocionante.
36:18Ali você acaba misturando um pouco.
36:20Mas todo o prévio
36:21é feito de maneira
36:23muito profissional.
36:24Você nunca vai...
36:24Se você cruzar essa linha,
36:26a chance de dar errado é grande.
36:27Agora, você falou dos atletas.
36:28Me chama a atenção algo.
36:29Você considera os atletas
36:31nas suas estratégias de marketing,
36:33nas suas campanhas
36:34ou você não considera?
36:35Porque normalmente,
36:35em clube,
36:36o departamento de esporte,
36:38o futebol,
36:38que a gente chama.
36:39O futebol se refere assim.
36:40O futebol tem lá
36:41uma certa blindagem.
36:43E o marketing,
36:44até que ponto
36:45consegue ou não consegue
36:46contar com os atletas
36:48para essas iniciativas?
36:51Essa é uma característica
36:52que sempre foi muito discutida
36:53no mercado,
36:56entre profissionais da área.
36:58A boa notícia
36:59é que a gente tem
36:59um cenário de mudança
37:01muito claro.
37:03A gente sabe
37:03que ainda tem
37:04muito mais coisa a ser feita.
37:05Mas hoje, por exemplo,
37:06a gente tem
37:06uma pessoa do departamento
37:08dentro do CT
37:09construindo essa relação
37:10diariamente.
37:11E a gente tem
37:11um corpo técnico
37:14que trabalha
37:15no departamento de futebol
37:16que entende
37:17a importância.
37:20Sejamos claros,
37:22o papel do marketing
37:23perante o jogador ali,
37:24pensando agora
37:25como que o marketing
37:26pode ajudar o jogador.
37:28Primeiro,
37:28a gente está falando
37:28muito sobre como é o marketing
37:29perante o torcedor,
37:30que é o público final
37:32e prioritário do clube.
37:34Mas o marketing
37:36acertando a mão
37:37nas atividades,
37:37o marketing comercial
37:39e a comunicação
37:40é sempre uma engrenagem
37:40que trabalha muito junto.
37:42Ela tem dois pontos
37:44muito positivos
37:44para o atleta.
37:45Primeiro que você vai
37:47criar ou reforçar
37:48uma conexão dele
37:49com o público.
37:50Então, você está gerando
37:51algo positivo para ele.
37:52Você está deixando ele
37:53mais próximo daquele público,
37:55que é quem se emociona
37:56com ele,
37:56que é quem compra a camisa
37:57com o número dele,
37:57que é quem não quer
37:58que ele seja vendido, etc.
38:00Porque no limite
38:00pode durar para sempre,
38:01mesmo que ele não jogue
38:02mais um futebol algum dia.
38:02Ele vira um ídolo.
38:05E por outro lado,
38:06se você consegue começar
38:07a emplacar esse atleta
38:08em algumas ações comerciais,
38:10as marcas tendem a chance
38:11de ver que o atleta
38:11tem uma desenvoltura legal,
38:13você acaba gerando
38:14uma outra agenda
38:15até profissional para ele.
38:16Pode ser durante
38:18a carreira dele como atleta
38:19ou depois.
38:20Ele vai fazer ações comerciais,
38:22vai virar garoto propaganda.
38:23Então, a agenda
38:24tem que ser super positiva
38:25nesse sentido.
38:27E acho que hoje
38:28os atletas
38:28dessa leva mais moderna
38:30também já entendem isso.
38:31Quando tem as gravações
38:32dos Media Days,
38:34eu não consegui acompanhar ainda,
38:35mas o feedback
38:36que a gente tem da equipe
38:36é muito legal.
38:37Os atletas super solistas
38:39falam,
38:39ficou bom,
38:40precisa gravar de novo.
38:41Então, isso vem se desmistificando.
38:44Entendendo como que é esse jogo.
38:45Tanto pelo staff
38:46que está em volta
38:47e que entende a importância.
38:49E eu acho que também
38:49tem um amadurecimento
38:50pelo lado do marketing,
38:51da comunicação
38:51e do comercial dos clubes.
38:52Eu não sei se no passado
38:54existiram muitas ações
38:55que geraram alguma coisa negativa
38:58ou expuseram
38:58e por isso,
38:59eu não sei de onde nasceu
39:00a blindagem.
39:01Talvez pode ter sido também,
39:02porque era tudo muito novo
39:03para todo mundo.
39:04Mas eu acho que com o passar do tempo,
39:05as relações amadurecendo,
39:07criando uma relação de confiança,
39:08explicando os porquês.
39:09É uma ação com propósito,
39:11é uma ação bem humorada,
39:12é uma ação comercial.
39:13Eu acho que tudo fica mais seguro
39:15para o ambiente inteiro
39:15topar fazer,
39:16porque o marketing
39:16não quer fazer algo que erre,
39:18porque também ele vai ser cobrado por isso,
39:20ele vai gerar algo negativo
39:20para o torcedor.
39:21Nem que expõe o atleta,
39:22ao contrário,
39:22quer proteger.
39:23Ninguém quer,
39:24ali é uma engrenagem só.
39:25Então, acho que isso tem sido
39:27bem positivo nesse sentido.
39:28Você pode usar imagens
39:29de atletas que não mais fazem
39:30parte do Corinthians?
39:32Aí são acordos muito pontuais.
39:34Existem hoje alguns casos
39:35até no licenciamento
39:36que a gente faz.
39:37quando é uma coisa mais editorial,
39:39conteúdo e tal,
39:40a gente consegue.
39:41Existem, às vezes,
39:42algumas aproximações pontuais
39:44que os patrocinadores
39:44fecham acordos
39:46com ex-atletas
39:47para poder utilizá-los
39:48de maneira mais evidente,
39:50associando ele à marca,
39:51que aí o patrocinador
39:52quer fazer esse approach
39:53mais comercial.
39:55E existem casos
39:55que a gente quer lançar produtos,
39:57que aí também é uma linha
39:57muito comercial,
39:58que aí a gente faz um acordo
39:59de royalty ou de sessão
40:00mais pontual
40:01para aquele tipo de...
40:02Caso a caso,
40:03você vai e negocia.
40:05Isso faz falta,
40:05porque isso é muito atemporal.
40:09Aí você consegue tocar
40:10várias gerações.
40:11Então, você conseguindo
40:12trabalhar a imagem
40:13de atletas da década
40:14de 70 e 80,
40:15você atinge um tipo de público.
40:1890 e 2 mil,
40:18outro tipo de público.
40:19Então, isso faz falta
40:20ter uma agenda permanente
40:23e diversa
40:23de direitos
40:25para poder trabalhar.
40:26Desde que ano
40:27você lembra
40:27que você se tornou
40:28um torcedor corintiano?
40:30Qual foi a sua primeira memória
40:31de torcida
40:32com o Corinthians pessoal?
40:34Putz!
40:37Desde muito pequenininho,
40:38vem de casa,
40:40é a atividade de...
40:42Quando eu era criança,
40:43eu ia poucas vezes ao estádio,
40:44mas era o momento do ano
40:46de ir com o meu pai,
40:48depois que passei
40:48com o meu irmão também.
40:50Tenho uma lembrança
40:50muito forte
40:51do primeiro jogo
40:52que eu fui.
40:53Tenho lembranças curiosas,
40:54não necessariamente do jogo,
40:55mas de coisas que aconteceram.
40:57Foi em 91,
40:59Corinthians Internacional de Limeira,
41:00gol do Marcelinho Paulista,
41:021 a 0.
41:02Eu tinha 5, 6 anos.
41:05E eu lembro que
41:06teve uma cena
41:07muito inusitada,
41:08que é o que eu lembro do jogo.
41:09Eu lembro do gol,
41:10do placar
41:11e dessa cena.
41:12Foi no Pacaembu
41:13e naquele anel
41:16de passagem,
41:17no corredor,
41:19veio um pai
41:21com uma criança
41:21que talvez devia ter
41:22a minha idade
41:23com a camisa do São Paulo.
41:26e o estádio inteiro
41:27vaiando.
41:29E aí eu lembro dele
41:30subindo a escadaria
41:30próximo a mim.
41:31Eu tenho essa visão
41:32como se fosse de ontem.
41:35Sob vaias.
41:36Desavisado.
41:36Eu não entendi até hoje
41:37o que o pai
41:38ou o tio,
41:38não sei se era pai e filho,
41:39quis fazer ali.
41:41E minutos depois,
41:42esse menino aparece
41:43onde ficavam as tribunas
41:45do Pacaembu
41:45com o pai.
41:48Todo de Corinthians,
41:49faixa de campeão.
41:50Eu não sei se o pai
41:51quis converter o filho
41:53que estava querendo torcer
41:54para o outro.
41:54Eu vou fazer ele passar
41:55uma situação aqui
41:56que não vai ter.
41:56Eu não sei.
41:57Eu não sei o que motivou
41:59aquela situação a acontecer.
42:00Mas eu tenho...
42:00Está meio de choque no filho.
42:01Eu tenho ela na minha cabeça
42:02como se tivesse sido ontem.
42:05Que interessante.
42:06Agora, me fala
42:06um aprendizado
42:08que trabalhar com esporte
42:09ensinou.
42:11Putz, tem vários.
42:12Eu acho que a resiliência
42:13é um...
42:15Eu sei que ela é uma palavra
42:16que está na moda
42:16já há uns 10 anos,
42:1710, 15 anos
42:17no meio corporativo,
42:18mas eu acho que ele é um ponto
42:20até pela dinâmica do esporte.
42:21Não digo nem só
42:22pelo lado da gestão.
42:23Eu acho que
42:24a dinâmica do esporte
42:25exige que os atletas,
42:26que as comissões técnicas sejam,
42:27mas o nosso dia a dia
42:28também tem que ser...
42:28Ele é muito dinâmico
42:29para o bem e para o mal.
42:30Então, você tem que
42:31ter essa casca
42:32de conseguir se recompor
42:33e, enfim, próxima,
42:36como corrige,
42:37como é que você
42:39improvisa ou entrega
42:39algo a mais
42:40para corrigir algo
42:41que ficou aquém.
42:43Então, acho que tem
42:44uma casca
42:46que você ganha
42:46nesse sentido.
42:47E a questão da coletividade.
42:49Eu acho que
42:50a gente costuma falar
42:51muito disso internamente.
42:52Aqui está dizendo
42:52um bastidor.
42:53Desconfie daquele
42:53que fala tudo
42:54na primeira pessoa
42:55do singular.
42:56Assim,
42:57é muita gente
42:58para as coisas
42:59conseguirem andar.
43:00É um esforço...
43:01Tem muita gente
43:02que os heróis invisíveis.
43:03Para o atleta
43:04fazer um gol,
43:06quantas pessoas
43:07da jornada dele
43:07do dia são importantes
43:08e que, às vezes,
43:09não têm essa visibilidade.
43:10Então, acho que a gente
43:11tem sempre muito olhar
43:13de falar tudo
43:14de uma maneira
43:14muito coletiva.
43:15Não é falar por falar,
43:16é porque ele é feito
43:17de maneira coletiva.
43:18Então, eu acho que
43:19essa questão plural
43:21é muito importante
43:23nesse aprendizado
43:23de as coisas
43:24para acontecerem
43:24e elas precisam
43:25de muita gente
43:25envolvida e engajada.
43:27Falando em aprender,
43:28tem algum livro
43:29que você recomenda
43:29de gestão,
43:30de marketing
43:31que você acha
43:32que é um livro
43:33inspirador
43:33para quem assiste
43:34a gente aqui
43:34no Dentro da Arena
43:35e quer saber mais
43:36sobre como é trabalhar
43:37com isso?
43:38Eu vou falar de três
43:39que têm, talvez,
43:40pautas um pouco diferentes.
43:42Acho que tem um
43:43que lá atrás,
43:44quando a gente
43:44discutia muito
43:45sobre essa gestão
43:45mais moderna,
43:46não era nem sobre marketing
43:47necessariamente,
43:48mas sobre a gestão esportiva.
43:49Aquele A Bola Não Entra
43:50Por Acaso,
43:51que é um clássico,
43:53conta toda a história
43:54do Barcelona,
43:55todo o alinhamento interno,
43:56a importância
43:57de ter uma adaptação
43:58da base com o profissional,
44:00de ter uma visão
44:01muito austera sobre tudo,
44:03as decisões serem realmente
44:05profissionais.
44:05Acho que esse é um livro
44:06que talvez foi o livro
44:07que inspirou as discussões
44:08sobre modernização
44:09de gestão esportiva
44:11já há umas duas décadas.
44:12Construção de comunidade,
44:14tudo isso,
44:14esse bril catalão
44:16pela torcida
44:18pelo Barcelona,
44:19essa representação.
44:21Uma das suas perguntas
44:22fala sobre o poder
44:23de mobilização da torcida.
44:25A gente tem sempre
44:26muito cuidado,
44:27porque é natural
44:27que o mercado
44:28tente vir com ideias
44:30que tenta, às vezes,
44:31se apropriar
44:32de algo da torcida.
44:33e a gente é muito
44:34catedrático nisso de
44:36a torcida
44:37é um movimento orgânico.
44:39Então, não tente mudar
44:40o que ela faz,
44:41empodere o que ela já faz.
44:43Então, a gente tem sempre
44:45um...
44:46Como é que a gente
44:46potencializa o que a torcida
44:47já faz?
44:48Vamos querer mudar
44:48essa característica?
44:49É muito genuíno,
44:50é nosso.
44:51Assim como todos
44:51os seus times
44:52têm as suas coisas
44:54orgânicas e proprietárias,
44:55isso é muito autêntico
44:56do corintiano.
44:57A origem do clube inglês
44:58é autêntica,
44:59que hoje é o Casuals,
45:01que fundiu com o Corinthians,
45:02que foi o que inspirou.
45:04Então, é um ponto autêntico
45:05nosso, que a gente tem
45:06que fomentar.
45:07As invasões da torcida,
45:09o poder de engajamento,
45:10de mobilização,
45:11tudo isso a gente tem
45:12que promover,
45:13não querer subtrair
45:14para o clube.
45:15É o contrário,
45:16é de fora para...
45:16O Corinthians é muito
45:17sobre fora para dentro.
45:18Às vezes, uma ideia pode
45:19até nascer dentro do clube,
45:20mas ela tem que acontecer
45:21de fora para dentro,
45:22porque aí ela é genuína.
45:23Tem algum caso que você se lembra
45:24que isso aconteceu na prática?
45:26Ah, mas tem vários.
45:27Até, vamos lá,
45:27no ano de 24,
45:28que era um ano muito difícil
45:29esportivamente,
45:30que depois culminou
45:31com nove vitórias,
45:33e que se convencionou
45:35poropopó com os atletas,
45:36se criou essa conexão.
45:37No último jogo,
45:38os jogadores entraram
45:39com um mini mosaico,
45:41que falava que vai sair um pi,
45:42provavelmente,
45:43porque tem um palavrão,
45:43mas falava,
45:44a fiel é roda.
45:45Eles fizeram um mosaico
45:46para os torcedores
45:47contra o Grêmio,
45:48em homenagem ao que a torcida
45:50fez por eles durante o ano.
45:51A camisa tinha isso escrito
45:53na camisa,
45:54e todos os patrocinadores
45:55aceitaram trocar uma ideia
45:56que a gente tinha dado
45:57para homenagear a torcida.
46:00Abdiquem das suas exposições
46:01de marca,
46:02e a gente vai começar
46:03algum sentimento
46:04que a torcida representa
46:06com a mesma letra,
46:08usando a tipografia da marca,
46:09e com a mesma letra inicial
46:10da sua marca.
46:11Então, se a sua marca
46:12começar com A,
46:12vai ser amor,
46:13se é com E,
46:14vai ser emoção,
46:15e as marcas toparam.
46:16Agora, recentemente,
46:17após a invasão de Brasília,
46:21o jogo seguinte,
46:23o principal patrocinador
46:24topou também
46:26fazer uma brincadeira,
46:27a invasão da sorte
46:28com a tipografia dele,
46:30com um desenho,
46:30uma ilustração
46:31que foi criada lá no clube,
46:33homenageando os torcedores,
46:35principalmente os que viajaram,
46:36e construíram aquela atmosfera.
46:38E no jogo seguinte,
46:39depois desse,
46:42o presidente entregou uma placa
46:44em homenagem
46:44às torcidas organizadas,
46:46que sempre é um assunto
46:46muito delicado,
46:48mas o papel das organizadas
46:49é importante.
46:50Você pode concordar
46:51ou discordar de ações
46:52A, B ou C,
46:53mas, inegavelmente,
46:55o papel é...
46:56A atmosfera que o Corinthians
46:57constrói nos seus jogos,
46:58ela nasce dali.
46:59Tinha um desconforto enorme,
47:00inclusive,
47:01com o adversário.
47:01Ninguém pode questionar isso.
47:02Então, eu acho que é importante
47:03existir esse reconhecimento.
47:04Quando a coisa é bem feita,
47:05tem que ser bem feita.
47:06Se algo que está acontecendo errado,
47:07assim como o Corinthians
47:07é cobrado,
47:08as outras entidades
47:09têm que ser também.
47:10E nesse jogo da placa,
47:11a gente fez um...
47:11Era um jogo que antecedia
47:12o Carnaval.
47:14Foi um derby, inclusive.
47:15O resultado não foi positivo,
47:16mas acho que o papel também
47:17é promover uma atmosfera
47:18legal para o jogo
47:19para tentar fazer ele ser positivo,
47:21o resultado.
47:22Teve um mini desfile
47:24da torcida em volta do campo
47:25porque ela ia desfilar
47:26no Carnaval.
47:27Então, a gente sempre tenta
47:29trazer essa simbiose
47:30e evitar aquela diferença
47:31que tem do torcedor comum
47:32com o organizado
47:33ou do organizado com o comum.
47:34A gente tem que tentar aproximá-los.
47:36Porque eles precisam
47:37trabalhar juntos no sentido...
47:38Eu falo a palavra trabalhar
47:39não no sentido profissional,
47:40mas no sentido de...
47:40Essa engrenagem
47:42da atmosfera do estádio,
47:43todo mundo tem que estar
47:43na mesma sintonia,
47:44independente se ele é organizado
47:45ou se ele é comum.
47:46Então, esses movimentos
47:47a gente tenta fazer
47:48de maneira bem orgânica.
47:49Isso é muito incrível de ver.
47:50Mesmo nos camarotes,
47:52as pessoas são os convidados
47:53corporativos que testem...
47:54Ele quer ver isso.
47:55Ele quer ver a festa.
47:56Ele quer ver isso,
47:56quer participar,
47:57quer se comportar como tal.
47:58Quer filmar.
47:58Hoje os camarotes
47:59fazem o poropopó.
48:01Camarote corporativo,
48:01as pessoas pulam
48:02para fazer o poropopó.
48:03Então, isso é muito autêntico.
48:05A gente não tem que...
48:06A gente não construiu isso
48:07de maneira plástica.
48:08É algo que nasceu
48:09e a gente tem só que alimentar.
48:11E sobre comunidade,
48:12outro livro legal
48:13é o do...
48:14Chama, acho que
48:14Soccer, Seattle Sounders,
48:15que fala um pouco
48:16dessa construção do time.
48:18Existe sempre uma curiosidade
48:19sobre o futebol
48:20nos Estados Unidos,
48:20o soccer.
48:21E é um livro que fala
48:22sobre como conseguiram
48:24construir rapidamente
48:26o engajamento
48:27da comunidade local,
48:27que gosta muito de esportes
48:29na região,
48:29com o time local.
48:32E o da Nike,
48:34a marca da Vitória,
48:35ela também é muito legal.
48:36Acho que são abordagens
48:36muito diferentes.
48:37Uma é sobre gestão como um todo,
48:39uma é especificamente
48:40sobre como criar uma engrenagem
48:42que a comunidade abrace
48:43para fazer um time
48:44de uma modalidade
48:44que não é tão comum
48:45aqui pegar fogo,
48:46que é o Seattle Sounders
48:48lá nos Estados Unidos.
48:49E esse sobre marca.
48:50Para quem gosta
48:51de ler sobre marca,
48:52acho que também
48:52é uma boa recomendação.
48:54Muito bom.
48:55E uma frase
48:55que resume um pouco
48:57do que você pensa
48:57da indústria do esporte,
48:59do esporte como negócio
49:00no Brasil.
49:02Eu posso substituir a frase
49:04por duas palavras?
49:05Claro.
49:05Eu acho que
49:06autenticidade e propósito.
49:07Acho que são duas palavras
49:09muito fortes.
49:10E sobretudo,
49:11para quem trabalha
49:12com marketing,
49:12acho que deixo até
49:13uma provocação aqui
49:14para todos que trabalham
49:15na área.
49:16Isso vem de uma discussão
49:18de muito tempo
49:19que eu tive com meu pai
49:19uma vez falando
49:20sobre a palavra política.
49:21Eu questionei ele
49:21sobre essa palavra
49:23é uma característica negativa.
49:25Ele falou,
49:25não, negativo.
49:26A palavra política
49:27é muito bonita,
49:27é o ser humano
49:28que destruiu.
49:29Hoje a gente vê
49:30muitas discussões,
49:31as pessoas falando,
49:32ah, é muito marketing.
49:34Isso é coisa
49:34de marqueteiro.
49:36Então,
49:36aqui fica uma provocação
49:38barra desabafo,
49:39barra pedido
49:39para quem trabalha
49:40com marketing.
49:41Façam as coisas
49:43com autenticidade,
49:45com propósito.
49:46Não contem uma história
49:47só porque ela é bonitinha
49:48e ela não tem verdade.
49:49Porque isso faz com que,
49:51com o passar do tempo,
49:52se aproxime a palavra marketing
49:54da palavra mentira.
49:55E não é essa a ideia.
49:56O marketing tem que emocionar
49:57as pessoas,
49:57como talvez a gente conseguiu
49:58fazer bem executado
49:59no vídeo do Garro,
50:01quando ele teve que trocar a camisa,
50:03que foi um vídeo
50:03super emocionante.
50:05Até o jogador se emocionou.
50:07Agora, acho que a chegada
50:08do Lingard também teve
50:09um vídeo super emocionante
50:10em parceria com a agência
50:11Tinkers,
50:12que está produzindo
50:12coisas incríveis
50:13junto com o nosso departamento
50:14de maneira super alinhada.
50:16Fez o Media Day das meninas.
50:17Então, faça com paixão,
50:19com propósito,
50:19com autenticidade,
50:20porque daí as pessoas
50:21vão perceber isso.
50:22E esse caminho negativo
50:23que estão levando
50:24a palavra marketing,
50:25acho que vão parar de levar.
50:26Sobre contar histórias
50:27no final das contas.
50:28Fazer e contar.
50:28Nós somos, exatamente,
50:29nós somos seres humanos,
50:30seres humanos gostamos,
50:32adoramos histórias.
50:33E a grande verdade
50:33é que o marketing
50:34tem essa capacidade
50:35de organizar
50:35e como contar essas histórias.
50:37Mas histórias verdadeiras,
50:38não oportunistas.
50:39Não oportunistas
50:40porque você quer aproveitar
50:41um momento
50:41ou aproveitar o hype,
50:43como se fala também
50:43no mundo do marketing,
50:44vão aproveitar isso daqui.
50:45Não, que seja verdadeiro
50:46para levar isso adiante.
50:47Porque se não for verdadeiro,
50:48a grande verdade
50:48é que tem muita gente olhando
50:49e rapidamente
50:51acaba se descobrindo
50:52se isso era só
50:52uma ação para aparecer,
50:54uma febre,
50:55aproveitar um momento
50:56ou se era uma ação
50:57que realmente está alinhada
50:58com a verdade do clube.
51:00As ações sociais
51:00mostram muito isso.
51:01a gente usa o marketing
51:02para potencializar
51:03as ações sociais.
51:03A gente tem um departamento
51:04muito forte de responsabilidade
51:05social no clube,
51:06então teve uma campanha
51:07recente contra o racismo
51:08em cima da ação
51:09que ocorreu com o Vinícius Júnior,
51:11junto com a OMAP,
51:12o Bernardo Adalobi
51:13que nos aproximou
51:15também nessa agenda.
51:17Foi muito legal
51:18e foi do dia para a noite,
51:18foi muito rápido.
51:20E fatalmente aconteceu algo
51:22que deixou a ação
51:23ainda mais importante ali,
51:26que foi o Hugo ter passado
51:27por algo semelhante
51:28e ele era a imagem
51:30da ação.
51:31Então, isso é autêntico,
51:33o Corinthians sempre
51:34pauta esse assunto,
51:35o atleta sentiu na pele,
51:37aquela vez e tantas outras.
51:38Então, acho que essas agendas
51:40a gente tem que falar
51:41de coisas com verdade
51:42e não para pegar.
51:42O hype você brinca
51:43na rede social,
51:44está rolando o BBB,
51:45a gente brincou lá
51:46o Edilson e o Babu
51:46junto com o Flamengo,
51:47isso é legal e está tudo bem,
51:48faz marketing super bacana.
51:50Mas quando você quer falar
51:51de algo mais propositivo
51:54ou falar sobre causas,
51:55que faça isso
51:56de maneira legítima
51:57e que coloque a mão na massa
51:58para tentar realmente
52:00movimentar algo.
52:01Muito bom.
52:02Falando em histórias,
52:03a gente ouviu aqui
52:03uma história muito interessante
52:06da vida, da profissão do Vini.
52:08Super interessante, Vini.
52:09Quero te agradecer
52:10por ter vindo aqui
52:10ao Dentro da Arena.
52:11Muito legal.
52:13A maneira como você explica,
52:14a maneira verdadeira
52:15como você conta
52:16um pouco sobre o seu trabalho
52:18e o brilhantismo
52:19que está por trás
52:19e a grande responsabilidade
52:21que é cuidar dessa marca
52:22que é uma das maiores
52:22marcas esportivas do mundo.
52:23Essa é a grande verdade
52:24que tem lá
52:25seus 37 milhões
52:27de torcedores,
52:28de fãs,
52:29de clientes,
52:29de consumidores
52:30ali cheio de expectativas.
52:32Então, atender
52:32esse público super exigente
52:34vai muito além
52:35de ganhar e perder jogo
52:36e esse é o seu trabalho
52:37junto com toda a diretoria.
52:38Então, quero te agradecer
52:39por estar aqui
52:39no Dentro da Arena
52:40e por contar generosamente
52:41compartilhar esse conteúdo conosco.
52:43Bom, eu que agradeço
52:44o convite.
52:45Foi super prazeroso.
52:46Espero que os espectadores
52:48gostem e se alimentem
52:49desse bate-papo super legal.
52:51Parabéns pelo programa.
52:52Acho que é um conteúdo
52:53super rico
52:54para colocar as discussões
52:56cada vez com mais informação.
52:58É um prazer
52:59sempre que precisar
53:00portas abertas
53:01no clube também.
53:02Muito bom.
53:03Obrigado.
53:03Se você é corintiano,
53:04se você não é corintiano,
53:05tenho certeza que você adorou
53:06conhecer mais
53:07sobre o que é o trabalho
53:08de alguém que cuida
53:10de uma marca tão importante
53:10como o Corinthians.
53:11O Dentro da Arena
53:12fica por aqui
53:13nesse episódio
53:13e a gente volta no próximo.
53:15Até lá.
53:16Tchau.
53:17Tchau.
53:17Tchau.
53:17Tchau.
53:19Tchau.
53:19Tchau.
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