00:00Tinha essa expectativa de que seria uma geração, quase que seria uma extensão da geração millennial, que é a anterior,
00:08né?
00:09No sentido de ter muito acesso à informação, de ganhar consciência dos problemas do mundo,
00:13que com isso eles seriam militantes, iriam exigir mudanças sociais ali muito drásticas.
00:21Iam ser aquela geração que ia salvar o planeta.
00:23Essa geração já não compra esse discurso otimista, ela está assim, eu preciso sobreviver ao mundo, sabe?
00:29Eu estou vivendo um dia de cada vez, eu preciso lidar com questões de ansiedade.
00:32E aí o consumo, ele vem quase como um remédio, sabe? Ele vem como essa válvula de escape.
00:38É uma geração que nem sempre está com a possibilidade de fazer grandes aquisições, né?
00:44Ainda está estabelecendo bastante suas prioridades de consumo, o que pode, onde pode gastar dinheiro.
00:52Então a gente vê que aqueles sonhos de casa, carro, moto, acabam sendo um pouco adiados.
00:58Quando a gente fala de geração Z.
01:00E a experiência se torna um produto mais possível.
01:04O que é a experiência?
01:06Pode ser um festival de música, um show, uma viagem, bate-volta para a praia de fim de semana.
01:12Muito do direcionamento desse consumo vai para experiências que podem gerar memórias,
01:19que têm uma relação afetiva com a vida da pessoa.
01:22Mas essa geração traz o traço de crescer com uma exposição ao consumo.
01:28E é um consumo super hiper personalizado, né?
01:31Essa coisa de você estar ali formando sua personalidade, entendendo quem você é.
01:35E tem um algoritmo já te traduzindo tudo aquilo que você quer,
01:38que coloca o consumo num lugar ainda mais identitário do que para outras gerações.
01:45Mas também tem uma coisa do consumo virar um hobby e um entretenimento.
01:49Essa é uma geração que tem uma relação com uma categoria específica,
01:54que são itens de baixo ticket médio, porque é uma geração com pouco poder aquisitivo,
02:00mas que vê um pouco desse lugar da novidade na vida na próxima comprinha,
02:06no unboxing do produto novo.
02:07Para como que você consegue trazer a felicidade mais perto do seu dia a dia,
02:13de forma mais picadinha.
02:15E o que é muito importante, sabendo então que a Genzy se prepara para comprar,
02:20compra por ocasião, está olhando para a Black Friday, para o carnaval,
02:23para os festivais, para esses grandes momentos do ano,
02:27é que as marcas entendam que a sua comunicação precisa ser constante.
02:33Quando as pessoas falam que a geração Z quebrou o funil de marketing,
02:36eu interpreto de outra forma.
02:38Você conhecia uma marca na televisão,
02:39você perguntava para os seus amigos se aquele produto era bom, era legal,
02:42e você ia na loja comprar aquele produto.
02:46Hoje, a gente consegue ter essa mesma jornada de consumo
02:50em cinco minutos dentro do TikTok, por exemplo.
02:52A gente consegue ver um vídeo de um creator falando de um produto,
02:55pesquisar uma review daquele produto,
02:58abrir os comentários e ver as pessoas falando daquele produto,
03:00e na própria plataforma a gente consegue comprar o produto.
03:02Muitas marcas miraram nessa coisa da economia circular,
03:07a moda, vamos reduzir o fast fashion e vamos para o slow fashion,
03:12eles vão ser muito mais exigentes de tudo aquilo que eles compram.
03:16E o que a gente viu é que sim, eles endossam esse tipo de consumo,
03:19mas isso não anulou um outro lado,
03:21porque no final das contas o custo de vida consumiu,
03:24eles ao mesmo tempo que problematizam o consumo,
03:27essa é a geração que cresceu, vendo gente fazendo unboxing de produto
03:31e gerando uma demanda, gerando um desejo o tempo inteiro.
03:35Então é muito difícil você ser crítico do consumo
03:37e também aquilo ser exposto de uma forma tão massiva,
03:41na sua vez, de uma forma tão hiper personalizada.
03:44A gente enxerga a marca como uma amiga,
03:46e não como uma pessoa por trás que não entende nada sobre a gente,
03:49mas está usando uma gíria ou outra.
03:50Então elas se personificarem, e quando a gente pensa em personas,
03:53a gente pensa não só na comunicação, mas em desejos, em vontades,
03:57em características da personalidade, em gostos.
04:01Então quando as marcas vão para esse lado,
04:03elas têm uma tendência a se aproximar das gerações,
04:05é mais óbvio que isso não é fácil.
04:07Uma geração muito do eu estou e não do eu sou.
04:10Então ela está menos em busca de um produto de uma marca identitária,
04:14então ela é menos fiel às marcas,
04:16então aí tem um desafio muito grande,
04:18e ela tem um consumo muito mais pelo mood, sabe?
04:21Qual é a minha fase agora?
04:23Então a construção de marca,
04:25e marcas que falam bem com essa juventude,
04:28são marcas que lidam com essa ideia
04:30de uma identidade em constante experimentação.
04:33Então assim, a marca que entende isso,
04:35e ela não está pensando quem eu sou,
04:37mas eu permito que você experimente várias versões de você,
04:40a partir do meu consumo,
04:42ou eu permito que você produza conteúdo sobre quem você é,
04:45que você dê a sua opinião.
04:46A compra hoje de roupa para a Gen Z, por exemplo,
04:49acontece a cada dois ou três meses.
04:51Por quê? A Gen Z se prepara para fazer essa compra,
04:55e aí ela usa essas ocasiões para gastar o dinheiro,
04:58sendo uma Black Friday, um festival, um evento,
05:01ou até dia a dia mesmo.
05:02Ah, essa roupa é para trabalhar,
05:04essa roupa é para sair.
05:05E eu acho que a Yukon entendeu muito isso,
05:07e faz a venda muito pautada em ocasião.
05:10A outra é a Bershka, que tem uma comunicação totalmente creator-centric,
05:14então quando você entra no app da Bershka,
05:17tem ali as fotos tiradas diretamente por creators,
05:21então não é um shooting totalmente profissional,
05:24você coloca na mão do creator,
05:26que é quem conversa direto com a sua audiência.
05:29E uma outra fugindo do segmento é a Needs, do grupo RD,
05:33que eles têm um olhar muito legal para o que outras marcas estão fazendo fora,
05:37e criam esses produtos dupes,
05:40de produtos que talvez a galera da Gen Z quisesse acessar,
05:45mas são muito caros,
05:46e aí a gente cria uma alternativa de prateleira para eles.
05:49Não adianta usar gíria,
05:50não adianta usar gíria isolada,
05:52achando que isso vai conquistar a geração Z.
05:54No fim das contas, é um mar de coisas que vai conquistar a geração Z.
05:58Então eu diria que é a geração Z te ver
06:01como se você fosse próxima da vida dela,
06:03próxima da rotina dela,
06:04e óbvio que às vezes a gíria vai entrar nisso,
06:06a forma que a marca se posiciona e fala, vai entrar nisso.
06:10Mas para além disso,
06:12como que essa marca se insere nos códigos culturais da geração Z?
Comentários