00:00O Brasil perdeu hoje, aos 95 anos de idade, o Zuenir Ventura, um dos maiores jornalistas que esse país conheceu.
00:07Uma bíblia em pessoa, um sujeito com uma cultura invulgar.
00:11Eu conheci o Zuenir em 2010, quando a partir da Zero Hora eu fiz a cobertura da ocupação militar do
00:18Complexo do Alemão,
00:18na Zona Norte do Rio de Janeiro, a expulsão dos traficantes daquela região.
00:21E o Zuenir foi lá para cobrir pelo jornal O Globo e fazer uma ambiental.
00:25O que é uma ambiental? Mostrar como é que funciona a situação para aquela comunidade,
00:30como é que funcionava também a alma dos soldados que estavam encarregados a expulsar os criminosos daquela região.
00:34E o Zuenir fez isso com muita competência, apesar de já estar com 80 anos de idade.
00:39O Zuenir tinha muita experiência nesse sentido porque ele fez um livro chamado Cidade Partida.
00:44Cidade Partida trata do Massacre de Vigário Geral, que é uma outra comunidade na Zona Norte do Rio de Janeiro,
00:50que teve uma chacina cometida em 1993, na qual eu também fui fazer a cobertura,
00:56eu e o Ronaldo Bernardi, meu colega daqui.
00:58E essa chacina foi celebrizada e o Zuenir decidiu mostrar como é que vivia aquela comunidade.
01:02Foi várias vezes lá. O livro foi bastante premiado e celebrado em nível do Brasil
01:06por mostrar para o pessoal do asfalto, o pessoal da cidade urbana, como é que vinha o pessoal da favela.
01:11Mas um livro mais célebre do Zuenir e a obra mais célebre em todos os sentidos, jornalística inclusive,
01:16não é nenhum desses aí que eu citei.
01:18É 1968, o ano que não acabou, no qual ele faz um memorial da contracultura brasileira,
01:27daqueles anos loucos da década de 60, do ponto de vista cultural, do ponto de vista dos sonhos hippies
01:33e também da contracultura em geral.
01:35Esse livro acabou catapultando o Zuenir para a Academia Brasileira de Letras,
01:40na qual ele fez parte até a sua morte.
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