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Ismaelino Pinto entrevista Chico Vaz da ONG Arte pela Vida.
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NotíciasTranscrição
00:04Olá, está no ar o Mangueirosamente. Hoje a gente conversa sobre um assunto muito sério,
00:13tratado de forma muito eficiente por um grupo, uma ONG, ONG Arte Pela Vida, que tem um trabalho
00:20especial, tem um trabalho necessário e tem um trabalho muito bonito e este mês, este ano,
00:27está fazendo 30 anos de atividade, ou seja, é um trabalho de extrema necessidade, trabalho desse
00:34pessoal. Eu estou aqui com o Chico, não é, Chico? Isso. Tudo bem? Tudo bom, Ismaelino, querido?
00:40Quanto tempo, conta essa história aí de 30 anos para chegar até aqui. Sim, sim, tudo começou com
00:46um jornalista, inclusive, que era daqui em 1996, né, a gente descobriu que ele com HIV não tinha remédio,
00:57nessa época, né? Era uma época muito difícil, era uma época que as pessoas adoeciam assim
01:03e para morrer, era um sinal de morte mesmo. E aí, a gente, para fazer um tratamento paliativo,
01:10para que ele não tivesse tanto, quisemos levar ele para o Emílio Ribas, em São Paulo, que era
01:15onde o tratamento era mais, vamos dizer assim, tratamento paliativo era mais rigoroso, era
01:25especializado, tudo bem tratado. Aí, reuniu-se porque ele era, como ele era jornalista, ele era também
01:35artista, diretor de teatro, essas coisas todas, aí reuniu a galera, música, teatro, dança, fotografia,
01:42todo mundo se reuniu e resolveu se fazer um grande show. A partir deste show, foi tão bom, foi sucesso
01:53total,
01:53nós resolvemos. Aí, já entrou no primeiro show, inclusive, o Grupo Para a Vida, que nessa época...
02:01Chamava Grupo Para a Vida.
02:03Não, o Grupo Para a Vida entrou no espetáculo, que a gente já tinha começado já a fazer
02:10algumas oficinas lá dentro, de teatro, com os pacientes...
02:13Mas vocês entraram como... Já vieram como ONG, já é um passado recente, né?
02:18É, agora, ONG, sim. Nós éramos um comitê de artistas e jornalistas chamado Comitê Arte pela Vida.
02:26Quer dizer, sempre juntando essa coisa da arte também, com o voluntariado.
02:31Com o voluntariado. A arte foi o que veio primeiro, assim, o que a gente sabe fazer?
02:37A gente sabe fazer a arte. Então, vamos fazer a arte em prol do voluntariado.
02:42E aí, nós fazemos uma coisa. Você está falando, a gente conversou aqui antes,
02:46alguns assuntos assim, você me falou de uns números assustadores, mas só uma coisa assim
02:50que eu acho muito sério nesse assunto, que é a questão do preconceito e da desinformação.
02:56Você diz uma coisa, ela ainda é forte, ela ainda existe, por exemplo,
03:00ainda tem essa coisa de que a pessoa que vive com HIV tem que ser tratada de uma forma diferente,
03:07ou ela é tratada. Existe ainda isso?
03:10Não, existe ainda. A pior doença para mim, Ismaelino, é o estigma e o preconceito, até hoje.
03:17Até hoje. Tem gente que chega com a gente e fala que foi lá no RH da empresa
03:23comunicar que ia ter que sair num dia para fazer seus exames médicos, suas consultas.
03:30No outro dia, a gente chega na empresa, está todo mundo se afastando dele, assim, ainda existe.
03:36Isso, infelizmente, ainda a gente existe.
03:39Incrível, depois de todo esse tempo...
03:41De todo esse tempo, de todo esse avanço, de muita coisa avançou, mas a grande merda ainda.
03:49Por isso ainda que eu acho que as políticas públicas pararam mais.
03:55A gente não vê muita campanha, né? Tu sabes disso, né, Ismaelino?
03:59Antigamente a gente tinha TV, tinha rádio, tinha busdó, tinha outdoor, tinha tudo.
04:04E a juventude, então, é muito atingida, né?
04:09Mas essa coisa da desinformação, por exemplo, assim, você acha que ela é devido o quê?
04:14As pessoas ainda acham que, por exemplo, a pessoa que vive com HIV, ela também transmite aquilo?
04:21De que maneira é?
04:21Olha, engraçado as pessoas...
04:22Porque eu acho que tem um problema de informação.
04:24É, de informação. A questão toda é informação.
04:27Por exemplo, eu vivo há quase 30 anos com HIV.
04:32Fiz 29 anos.
04:35Fiz agora, em junho.
04:3729 anos de HIV.
04:39E vivo perfeitamente bem.
04:42Aí eu peguei o meu último CD4, que é a testagem das células de defesa do meu organismo.
04:51E a carga viral, a carga viral não aparece mais lá no meu exame.
04:58Aparece bem pequenininho, ínfimo.
05:02E ela está escondida nas minhas glândulas, tudinho e tal.
05:06Então, eu já sou uma pessoa intransmissível.
05:10Entendeu?
05:10Porque eu estou indetectável, eu já sou intransmissível.
05:13Isso por conta dos medicamentos.
05:15Da medicação, que avançou muito.
05:19No início, eu tomava uma mão de comprimidos lotados, 20 comprimidos.
05:25Tinha um horrível.
05:27Na época, a gente era verdadeiras cobaias, né?
05:30E um comprimido monstruoso de geladeira, chamado Criccivan,
05:37ele dava até pesadelo nas pessoas, sabe?
05:40E aí a gente sentia enjoos.
05:43Nós também, no meio disso tudo, você falou ainda agora de políticas públicas, né?
05:47É muito interessante como o Brasil é, inclusive, um exemplo mundial dessa coisa.
05:52Isso, de transmissão.
05:54Com relação de tratamento.
05:55De tratamento, de entregar a medicação.
05:58Porque toda medicação é entregue de graça.
06:01É de graça.
06:02Você pode...
06:03E hoje em dia...
06:03Isso a partir de quando?
06:04Olha, Ismaelino, desde o início do tratamento, em 1997, quando eu me vi com HIV,
06:13eu recebi o resultado de manhã, de tarde, eu estava recebendo medicação.
06:17Foram as primeiras medicações.
06:19Através do SUS?
06:21Através do SUS.
06:23O SUS é a melhor coisa do mundo, né?
06:25O que prejudica o SUS são os dirigentes, os governantes, algumas pessoas, né?
06:34E a gente tem esse avanço muito grande.
06:37Mas, apesar desse avanço muito grande, ainda agora eu estava falando desse Pratian fora do ar,
06:43é assustador da gente dizer isso, mas a gente tem que dizer, né?
06:46Pois é, tu me trouxeste esses números assustadores.
06:49Qual é hoje em dia, por exemplo, o cenário Pará, Belém e Brasil?
06:55Bom, vamos lá.
06:56Brasil, Brasil, o mundo inteiro está regredindo o HIV, as pessoas estão se infectando menos, né?
07:08Contaminar é infectar, né?
07:11Que é um vírus, a gente se infecta.
07:13Então, estão se infectando mais.
07:15A gente recebeu essa notícia recentemente.
07:20No estado do Pará, nós temos seis cidades que constam entre as dez cidades com maior número de pessoas
07:28vivendo com HIV e maior número de mortes.
07:32Belém, assustadoramente, está em segundo lugar e já tem mais de 300 mortes.
07:39Isso você está falando do cenário nacional?
07:41Notificados.
07:42Nacional ou cenário regional?
07:44Isso é o relatório do departamento de HIV e AIDS do Brasil, dentro do relatório que sai todo ano.
07:54Belém está em segundo lugar, com maior número de pessoas infectadas e maior número de mortes,
08:01porque tem 300 mortes notificadas, porque muita gente, às vezes, entra num pronto-socorro,
08:08aí ele está com uma tuberculose, uma neurotoxoplasmose, mas aí, ah, não sei o quê,
08:17e não faz a testagem para saber, aí ele morre com aquilo, né?
08:22Enterra com, ah, morreu por tuberculose, não sei o quê, mas não foi por isso.
08:28Ele está infectado pelo HIV.
08:29Então, quer dizer que a gente está numa regressão, na verdade.
08:33Você fala, por exemplo, que o Brasil, você acha que isso é culpa do quê?
08:38Culpa dessa desinformação?
08:40Ou você acha que as pessoas relaxaram?
08:43As pessoas relaxaram, mas elas relaxaram por quê?
08:46Porque falta de informação.
08:48Tinha-se um programa chamado, programa nas escolas, chamado Saúde e Prevenção nas Escolas, SPR.
08:59Esse programa foi extinto porque a base fundamentalista, que está lá no Senado, os deputados federais,
09:11achavam que aquilo ali estava ensinando as pessoas a fazerem sexo.
09:17As pessoas não se ensinam a fazer sexo.
09:20Os jovens sabem disso.
09:21Hoje em dia, o celular traz todas as notícias possíveis do mundo, né?
09:26Então, principalmente isso, a educação, sabe?
09:33A gente tinha isso, né?
09:35Falar sobre HIV, a gente não vê mais falar sobre HIV.
09:40HIV parece que ficou uma doença banal, como qualquer outra.
09:43A gente vê, por exemplo, que mesmo assim, a gente percebe, por exemplo...
09:47E hoje tem, por exemplo, o PrEP, né?
09:49O que é o PrEP?
09:50O PrEP é você toma um comprimido por dia e você não contrai AIDS.
09:56Você pode fazer sem camisinha.
09:58Agora, como eu digo, a única coisa que realmente previne, Ismaelino, é a camisinha ainda.
10:04Porque as outras ISTs, a PrEP não adianta.
10:09Entendeu?
10:09A sífilis, a gonorreia e outras, e outras, e outras, e outras.
10:14Esse PrEP é específico para o HIV.
10:17Para o HIV.
10:18Eles previnem...
10:19Ou seja, as outras DST estão por aí, estão lá.
10:22É, elas vão brincando.
10:24Elas estão brincando de...
10:25Engraçado que a gente faz testagem, às vezes, nos lugares, no mercado de carne,
10:31que o Arte pela Vida tem, né?
10:33Uma sede, um brecholá.
10:36E aí a gente faz as ações de saúde e faz a testagem, assim.
10:42Aí tem o número de HIV, que é grande, mas quando a gente vai ver o número de pessoas
10:47com sífilis, é assustador.
10:50É assustador.
10:51E as pessoas, assim, nem sabem como é que estão.
10:54Pior de tudo, uma notícia ainda mais triste ainda, estamos sem o remédio para sífilis.
11:01A Bezetacil está em falta.
11:04E aí as pessoas estão em risco de morte mesmo.
11:10Isso é assustador, assustador, assustador.
11:13É porque se pensa muito, quando se fala em transmissão, se fala do HIV, né?
11:20Não se esquece exatamente de números de STs, né?
11:24A sífilis é uma delas, muito constante, né?
11:26É, e a sífilis...
11:27A gente tinha erradicado sífilis, né, no Brasil.
11:30Sim.
11:30É, e aí de uma hora para a outra as pessoas relaxaram, né?
11:34E aí todo mundo, sexos e festas.
11:40Tem até as festas dos astronautas, essas coisas todas.
11:44E esse pessoal não usa, não usa, não usa.
11:47Eu digo, inclusive, por exemplo, às vezes o pessoal que faz prep, aí vai para uma farra,
11:53às vezes, às vezes ele entra três dias de farra, ele vai fazer a prep direito, que
11:59ele tem que tomar aquele comprimido todo dia, como eu tomo um comprimido, eu tomo três
12:03comprimidos.
12:04Na realidade, porque como eu sou paciente antigo, mas os pacientes novos, é isso que eu queria
12:09dizer.
12:10Fão lá, faça sua testagem.
12:12Pois é, mas tu acha que existe ainda um tipo de paciente que ele resiste a isso, que ele
12:18não leva a sério o tratamento?
12:20Tem, tem muita gente que abandona, por isso que é importante, por exemplo, o trabalho do
12:25arte.
12:26A gente faz o café de acolhimento todo mês.
12:28Hoje em dia é ONG Arte pela Vida.
12:30É ONG Arte pela Vida.
12:32É ONG...
12:32Que é um trabalho que eu vejo que você...
12:34Inclusive...
12:35Multidisciplinar, né?
12:35É, olha, a gente tem trabalho nas faculdades, né, que a gente faz, tem uns trabalhos nas
12:42escolas, a gente fez agora o cinema Mostra Aids, que acabou agora, que parceria com o grupo
12:48Pela Vida de São Paulo, maravilhoso, por sinal, filmes maravilhosos, inclusive aquele
12:55Deus, Deus está com Aids, lembra que você até que...
13:02Documentário, na verdade.
13:03Você falou, inclusive, sobre ele quando foi lançado, acho que no Ceará, né?
13:09Então, lembrei até de ti, inclusive, Deus tem Aids, o nome quer dizer, Deus tem Aids.
13:15É um documentário muito interessante sobre o assunto, na verdade, né?
13:19Isso, isso, isso, isso, isso.
13:21E eles trouxeram vários filmes, documentários curtas e muita coisa legal, o cinema Mostra Aids,
13:31e foram feitas em algumas escolas, foram feitas na Casa da Linguagem também.
13:37Eu lembro, Chico, de uma coisa que se falava muito...
13:40Agora, a gente faz uma coisa que é muito importante, que é quando a gente senta com o paciente para
13:45ele não
13:45abandonar o tratamento, porque tem todo esse preconceito, tudo, o cara se esconde, esconde
13:50e achou os remédios dentro do armário, trancado, não sei o que.
13:54Às vezes, a família nem sabe, né?
13:58Ainda voltando a essa coisa do preconceito dentro de casa.
14:01Preconceito dentro de casa, na família, tudo mais.
14:04E aí, o que a gente faz?
14:06A gente senta do lado dele lá no café, ele está tomando café, e a gente conversa, a gente anima.
14:13Às vezes, a gente vê que o cara está ali muito precisando de apoio, sabe, assim.
14:21É o momento que a gente consegue chegar perto do paciente, falar sobre as coisas, as novidades, as coisas...
14:31Mas, de Maelino, também nós temos coisas boas no meio de tudo isso, né?
14:35Nós conseguimos, por exemplo, várias pessoas fazerem esse tratamento, estarem bem, sabe?
14:42Até contei uma história de um que a gente conseguiu, botou no bairro de Barreto, ele passou um tempão,
14:49aí, quando ele saiu de lá, o que é que o senhor sabe fazer?
14:52Porque a gente queria ajudá-lo, né, de alguma forma.
14:54Ele disse, olha, isso eu sei pescar na minha vida.
14:58Aí, gente, ele tinha uma casinha lá, poteiro, para um lugar mais escondido das praias, não sei o que.
15:05E a gente deu uma rede de pescar para ele, para ele voltar a trabalhar.
15:09Agora, Chico, esses antigos estigmas que tinham, né, de que AIDS era uma coisa de...
15:15É, a peste gay.
15:17Exatamente, chamada de a peste, no início, lá, chamada de peste gay.
15:20Horrível, peste gay.
15:21Até tem uma série na Netflix, muito boa, sobre esse assunto, falando justamente do início da coisa.
15:29Ou seja, você acha que isso ainda existe?
15:31As pessoas ainda acham que isso é uma coisa de gay?
15:34As pessoas, sim, que acham que quem ainda é uma doença da população é LGBT, sabe?
15:41Tem um documentário interessantíssimo na HBO Max, não é propaganda nem nada, mas...
15:48Máscaras não cairão.
15:51É uma série, na verdade, que conta o início da história, né?
15:53Que conta tudo como era.
15:56O pessoal da Varig, eles contrabandiavam, eles contrabandiavam, eles chegavam com a carta lá no balcão da Varig,
16:05diziam que eu queria mandar um bilhete.
16:07É da Prime Video, é Prime Video.
16:09É Prime Video?
16:10Eu não sei, eu não sei se eu ia te dizer que é interessantíssimo.
16:14Eles botavam o bilhete lá, sim, aí diziam...
16:16Máscaras não cairão automaticamente.
16:19É, máscaras não cairão sobre suas cabeças.
16:22E as máscaras não caíam mesmo.
16:25E as pessoas que corriam atrás...
16:27E clube de compra em Dallas também, que ele sai desesperado,
16:31tu esquisando tudo o que havia na época, né, pra se salvar.
16:36E, Chico, então tu acha que esses antigos estigmas continuam?
16:40Isso, na verdade, pelos números que tu disseste, atrapalha tudo, né?
16:44É, atrapalha.
16:45Porque tem gente ainda achando que isso é coisa de gay, não é coisa de...
16:48O mundo masculino, hétero, tá livre disso?
16:52Isso, muitas esposas são contaminadas ainda, muitas parceiras,
16:59mas existe muita medicação, também novidade, tem um Lena Capavir,
17:07que hoje eu soube, que o Brasil parece que já aprovou,
17:11que vai entrar no SUS,
17:13que é uma injeção que você faz de seis em seis meses,
17:16fica prevenido do HIV.
17:18Mas agora eu te digo, com relação a esses novos medicamentos
17:21que surgem e vão surgir,
17:23você não faz com que isso também as pessoas...
17:25O caso do PrEP lá que você disse,
17:27isso não faz com que as pessoas relaxem?
17:30É, elas relaxam...
17:32Isso traz um certo relaxamento, um descuido das pessoas.
17:35Eu sou assim, Ismaelino,
17:37eu sempre falo, quando eu vou para uma palestra,
17:41para alguma coisa,
17:44e até com as mãezinhas lá das crianças,
17:48que agora eu estou no Projeto Luz,
17:50coordenando as crianças,
17:52que aumentou o número de crianças que estão infectadas,
17:55e aí eu falo sobre isso,
17:58sobre a questão do preservativo,
18:01é o melhor tratamento,
18:03é o melhor método de prevenção.
18:06Não existe igual.
18:07E hoje tem camisinha de tudo.
18:10O governo federal deu uma camisinha agora
18:12que ela é mais sensível,
18:14tem uma camisinha agora
18:15que ela tem umas bolinhas
18:19para dar um efeito mais excitante à coisa.
18:24Tem o gel que te protege muito,
18:27que é dado também gratuitamente nos postos de saúde.
18:31E tem uma outra coisa que é muito importante.
18:34Quando você...
18:35Aconteceu algum acidente,
18:37furou a camisinha,
18:39fez uma farra,
18:42transou sem camisinha,
18:43procurar a...
18:45Tem a PEP,
18:46que a posição é...
18:50É quando a pessoa já se expôs ao vírus,
18:54aí ela faz a testagem,
18:57automaticamente,
18:59e aí ela vai tomar o comprimido 28 dias.
19:02Ela pode ir até 72 horas após o risco,
19:06em uma unidade de saúde básica,
19:09ou no CTA,
19:11e lá ela vai fazer a testagem na hora
19:15e vai ficar fazendo a medicação.
19:18Mas eu volto a te perguntar,
19:18isso não faz com que as pessoas se descuidem,
19:21ou que elas acham que há...
19:22Tem gente que faz festinha,
19:25isso acontece.
19:26Aí, no outro dia, vai fazer a PEP.
19:29Aí passa 28 dias fazendo a medicação.
19:33Só que isso é um perigo,
19:35porque depois a medicação pode não fazer mais efeito.
19:40Voltando aos números,
19:42você falou desses números do Brasil,
19:43que houve uma regressão,
19:44o Brasil regrediu,
19:47em termos mundiais.
19:50E o Pará, como é que está o Pará?
19:51Olha, o Pará tem dez cidades,
19:54tem seis cidades
19:56na lista das dez maiores cidades do Brasil
20:00com o maior número de pessoas infectadas
20:04e o maior número de mortes.
20:05Inclusive, tem um comitê de mortalidade
20:08dentro da CESPA.
20:09Tem mais ou menos, assim,
20:10a faixa etária?
20:12Olha, o jovem está sendo muito atingido,
20:15até o adolescente está sendo muito atingido hoje em dia.
20:18Mas também,
20:20depois do advento do Viagra
20:23e dos outros e outros e outros,
20:25a população idosa também está sendo atingida ainda
20:30sobre isso.
20:32Pois é, agora vamos falar do arte pela vida
20:36desses 30 anos.
20:37Qual é o tipo de trabalho específico que vocês fazem?
20:40Porque eu sei que você tem ações, não é?
20:42Tem várias ações.
20:43Tem várias ações, por exemplo.
20:46O arte deu um braço agora,
20:49que fui eu que saí da direção,
20:51da coordenação geral do arte,
20:54que ficou a Amélia Garcia.
20:56E eu fui para as crianças,
20:58que a gente faz um trabalho...
20:59Pois é, qual é esse trabalho que você faz para as crianças?
21:02Trabalho com as crianças,
21:03a gente trabalha com as mãos...
21:04São crianças que vivem com HIV?
21:05É, elas estão convivendo com HIV.
21:08Graças a Deus, nasce no parto
21:10e às vezes tem contato,
21:12ela adquire o vírus.
21:13Porque, no caso, a mãe era...
21:15É, a mãe era...
21:16E não fez o pré-natal,
21:18porque tem o pré-natal,
21:20mas no interior ainda tem essas dificuldades,
21:23e tem tudo isso.
21:24E aí a gente faz sala de espera,
21:29que a gente chama,
21:30que a gente tem as grávidas lá
21:32e a gente fica ali dando palestra para eles,
21:35faz o café todo mês.
21:37E as crianças, quando nascem,
21:40nesse caso, por parto natural,
21:43quando a mãe não está sabendo e tal,
21:45que aí detecta o HIV,
21:47a gente entra imediatamente com a medicação,
21:50a medicação,
21:52eles têm o xarope de ATP...
21:53Existe uma medicação específica para...
21:54Para a criança, existe uma medicação,
21:57ela vai tomar fórmula,
21:58não vai tomar leite materno no seio.
22:03E aí, lá pelos nove, dez anos,
22:06as crianças começam a zerar.
22:10Graças a Deus,
22:11que aí a gente chora quando sabe,
22:13a gente fica emocionado.
22:15E todo mês a gente está lá levando fralda,
22:18porque ainda precisa muito,
22:21fralda para as crianças,
22:23a fome...
22:23E esse é o básico que você faz com o adulto?
22:26Com o adulto também a gente faz fraldas.
22:29Sexta básica,
22:30porque, Ismaelino,
22:31para os remédios,
22:33os antirretrovirais,
22:35a gente vai fazer efeito,
22:36o 3 em 1 que chama hoje em dia,
22:38que você toma um remédio,
22:39qualquer um deles,
22:41você tem que ter uma alimentação.
22:42Porque, se você não tem alimentação,
22:45o remédio não faz o efeito que devia fazer.
22:49Alimentação é necessária,
22:50qualidade de vida, na verdade.
22:52É necessária, qualidade de vida.
22:54Fazer uma atividade física,
22:56não precisa ir para uma academia,
22:58vai caminhar,
22:58vai caminhar na rua, sabe?
23:02Vai fazer o trabalho.
23:03É equipe multidisciplinar,
23:06é o que eu digo sempre.
23:07Eu, quando chego com paciente,
23:09eu digo,
23:09você está fazendo acompanhamento psicológico?
23:12Porque tem muitos que piram,
23:15enlouquecem,
23:16aí, com o quanto Z,
23:18eles abandonam o tratamento.
23:19E daí é um diagnóstico quase morte,
23:21na verdade, né?
23:22O HIV, hoje em dia,
23:24é um diagnóstico duro, né?
23:25É, para eles parece isso,
23:28mas não é.
23:29Não é.
23:30Hoje em dia,
23:30a OMS botou claramente,
23:33sabe?
23:33A gente vive melhor, às vezes,
23:35do que em uma pessoa normal.
23:37porque a gente tem acompanhamento médico,
23:40médico tem acompanhamento psicológico,
23:43tem tudo, tudo, tudo, tudo.
23:45Mas nem todo mundo faz.
23:46Aí, às vezes,
23:47a merda da cabeça do paciente,
23:50aí, não estou fazendo, não.
23:51Eu digo,
23:52vai para psicólogos,
23:54vai lá, conversa,
23:55mas a gente só vai lá e fala,
23:57não sei o quê.
23:57Eu digo,
23:57não, mas é importante.
23:59Porque muitos,
24:00quando morre,
24:01a família abre o guarda-roupa,
24:03a ladeira,
24:03consegue arrombar.
24:05Eu vejo que vocês têm...
24:06Rapaz,
24:07às vezes está o armário
24:10lotado do cara,
24:11de todos os remédios
24:13que ele pegou,
24:13ele não tomou.
24:16Ele vai lá na unidade,
24:18pega o remédio,
24:19mas não toma.
24:20Eu vejo que você faz
24:21um trabalho muito amplo, né?
24:22Esse trabalho das crianças
24:23que é muito interessante,
24:25que a gente nem pensa nisso, né?
24:27São crianças, na verdade,
24:28que já nasceram com o vírus.
24:31Tem a questão também
24:33de que vocês fazem
24:34esse acompanhamento
24:35de adultos.
24:36Porque, às vezes,
24:36a gente pensa nessa coisa
24:37do desamparo infantil,
24:39mas não pensa
24:40no desamparo do adulto.
24:41O adulto, o adulto...
24:42O adulto precisa muito...
24:43O adulto fica muito carente
24:44e o café é bom,
24:46porque um...
24:47Ele já...
24:48No começo era difícil,
24:50eles não queriam nem aceitar
24:51o nosso pratinho lá
24:52com bolo, com pão,
24:54com café com leite,
24:55chocolate,
24:56alguma coisa.
24:57A gente ficava tão...
24:59Sabe?
24:59A coisa era tão assim
25:01que eles ficavam até com...
25:03Mas depois,
25:04porque a gente foi abrindo,
25:05a gente foi sorteando brinde,
25:07não sei o quê,
25:08e a gente faz uma festa
25:09também no café, né?
25:10Você acha que...
25:11Com relação a...
25:12Aí eles vão para frente,
25:14falam do tratamento,
25:16que eles estão há tanto tempo,
25:17que eles estão bem,
25:18que eles tiveram isso.
25:20Eu estava internado
25:21no Barros Barreto,
25:22eu passei três meses,
25:24mas agora eu estou aqui,
25:26graças a Deus e tal.
25:28E aí vira uma rede de apoio.
25:29O Barros Barreto continua sendo ainda
25:31um hospital de referência.
25:33É um grande hospital de referência.
25:35Agora é bom saber, sabe?
25:37Por isso que digo,
25:38faça o teste,
25:39vá lá,
25:40faça o seu teste,
25:41comece a fazer o seu tratamento,
25:43porque, por exemplo,
25:44hoje em dia,
25:44nós não temos mais leitos específicos
25:47para HIV.
25:49Hoje concorre com todo mundo,
25:50vai para a central de leito
25:52e fica,
25:53e às vezes a família chega com a gente,
25:55está no pronto-socorro,
25:56a gente não pode fazer nada,
25:58a gente não tem.
25:59Eu digo,
26:00vai para o Ministério Público,
26:01mas, mesmo assim,
26:02hoje em dia,
26:03o paciente HIV,
26:05considerado um paciente,
26:06um doente,
26:07como o outro qualquer.
26:09Entendeu?
26:09Entra na mesma fila, né?
26:10Entra na mesma fila.
26:12Então,
26:12é tão fácil fazer o exame,
26:15é tão fácil fazer o tratamento.
26:16Hoje em dia,
26:17se tomou compreendido.
26:17Mas esse exame é que eu falo,
26:18esse exame,
26:19às vezes,
26:20pode parecer uma sentença de morte,
26:22né?
26:22Mas não é,
26:23não é.
26:23Quando a pessoa chega,
26:24hoje em dia é mais fácil,
26:25sair na hora,
26:26o resultado,
26:27a pessoa já fica bem,
26:29já vai logo com o médico,
26:31o médico já vai te dar
26:32todos os aconselhamentos,
26:35já tem uma equipe preparada,
26:37o psicólogo já conversa,
26:39Mas você acha que, por exemplo,
26:40falamos de políticas públicas,
26:42você acha que, por exemplo,
26:43hoje em dia,
26:44essa coisa da saúde pública,
26:46ela já está inserida no contexto,
26:49vocês conseguem,
26:50vocês que trabalham junto com eles,
26:52junto com a sociedade civil e tudo mais,
26:54vocês conseguem achar que ali
26:56tem um movimento realmente de...
26:58A gente está sempre fiscalizando,
27:00né, Esmalino?
27:00Tem um ou lá,
27:01uma coisa falha,
27:02uma coisa,
27:04né,
27:04às vezes,
27:05a gente lutou muito por uma máquina,
27:07por exemplo,
27:07de exames dentro da URIDIP,
27:10que é a unidade de tratamento do Estado,
27:12que recebe muito paciente do interior,
27:14porque eles vêm de lá,
27:16porque se ele for no posto de saúde do interior,
27:20o enfermeiro vai contar para a cidade inteira,
27:22e ele é capaz de ser apedrejado pela cidade,
27:25tem isso,
27:25isso que eu te falo.
27:25Ainda tem isso, né?
27:27Ainda tem isso.
27:28Uma coisa arcaica, né?
27:30É uma coisa tão, né,
27:31tão absurda se falar, né,
27:33que com tanto avanço
27:36ainda aconteça uma coisa dessa.
27:39E a gente lutou por uma máquina,
27:42aí falta às vezes papel,
27:43aí não sei o quê,
27:44aí tem essa guerra política,
27:45que a Amélia vai participar
27:49de todas as reuniões na SESPA.
27:51Vocês têm, por exemplo,
27:52quantas ONGs parecidas com vocês
27:54trabalham especificamente
27:55com pessoas que vivem com HIV?
27:57Olha, nós temos...
27:58O que vocês têm, por exemplo,
28:00que vocês contam no Brasil?
28:01Existe muita gente trabalhando especificamente?
28:03Tem muita gente trabalhando com a AIDS,
28:05tem muita gente.
28:06Muitos grupos bons,
28:08por exemplo,
28:09esse grupo que eu te falei,
28:10o Pela Vida,
28:12eu, inclusive, imitei deles
28:13o café de acolhimento que eles faziam,
28:15mas a gente faz isso só com a família
28:17e o paciente,
28:19alguns pacientes.
28:21Não, a gente faz diferente,
28:23a gente faz dentro da unidade.
28:24E aí a gente serve todo mundo,
28:26serve os funcionários,
28:28os faxineiros,
28:30porque é uma forma
28:31de agregar todo mundo
28:33e chamar também
28:35humanização para todo mundo.
28:37A gente vai até com o médico
28:38e serve o médico lá,
28:41para saber que a gente está lá também
28:44fiscalizando,
28:44que a gente está lá todo dia.
28:46E vocês como entidade,
28:48como ONG,
28:48tipo assim,
28:49a gente está falando
28:50do paciente específico,
28:51daquela pessoa,
28:52mas vocês como ONG,
28:53como entidade,
28:54vocês acham que na sessão recebida,
28:56já teve casos
28:57de que vocês perceberem
28:58que existia um preconceito
29:00contra esse trabalho
29:01que vocês fazem?
29:02Olha,
29:02a gente foi uma vez
29:03num lugar,
29:03que eu não vou falar o nome,
29:05que é uma outra entidade,
29:06aí Redovelo doou uns vestidos
29:08para a gente,
29:09fui eu e a Adelaide.
29:12Adelaide Oliveira,
29:13jornalista,
29:14voluntária.
29:15Está voluntária,
29:16Eduardo,
29:17desde o início.
29:19Aí nós estávamos pegando
29:21a doação,
29:21as pessoas começaram
29:24a ir para um canto
29:25e começaram,
29:26o que é que é isso?
29:26O que é que é que é?
29:28A Adelaide tacou-lhe um palavrão
29:30e disse,
29:31sabe o que é?
29:32É porque,
29:33sabe,
29:33a ela disse assim,
29:35a gente tem hágito
29:36porque a gente transa,
29:37a gente peca mesmo,
29:39a gente é do peca.
29:40É a grande questão
29:42das mais meninas
29:43que eu digo
29:43que o preconceito
29:45com HIV
29:47está muito ligado
29:48a essa questão
29:48do pecado,
29:50sabe?
29:51Ele foi lá
29:52e ele fez sexo,
29:54ele pecou.
29:55Sabe a origem da tradição,
29:57é uma,
30:01como é que diz,
30:02a gente é uma sociedade
30:03ainda muito cristã,
30:06muito judaico-cristã,
30:08como a gente diz,
30:09né?
30:09Então,
30:10é pecou,
30:11errou,
30:12sabe?
30:12Ainda tem essa coisa,
30:14né?
30:14Está sendo culpado
30:14pelo pecado,
30:15castigado pelo pecado.
30:16Castigado,
30:17foi carreguei de rádio,
30:18está sendo castigado.
30:19E aí você vê,
30:20às vezes,
30:21pessoas que não têm
30:22nada a ver,
30:23sabe?
30:23Quantas pessoas
30:24vocês hoje em dia
30:25acolhem?
30:26Ah,
30:26é muita gente.
30:27Olha,
30:28eu quero te dizer um dado.
30:29Vocês vão atrás
30:29dessas pessoas?
30:30Essas pessoas chegam
30:31até você?
30:32elas vão até a gente,
30:34às vezes tem
30:35medicação específica,
30:37às vezes precisa
30:38de uma cadeira de roda
30:39porque saiu com
30:41neurotoxoplasmose,
30:42saiu sequelado,
30:43uma bengala,
30:44essas coisas.
30:46Se corre todo dia,
30:48atrás de colchão,
30:49cama hospitalar.
30:50Vocês trabalham
30:51com doações?
30:53Com doações,
30:54com pires na mão,
30:55querido.
30:55Isso é um trabalho diário.
30:59Isso é um trabalho diário.
31:25já nem abriga mais,
31:27não fica mais,
31:28não pode mais dormir lá,
31:30essas coisas todas.
31:31O que é o Para Vida?
31:32O Para Vida
31:32é um grupo
31:33que surgiu,
31:34que era uma casa
31:35de apoio,
31:37casa de apoio
31:37que a pessoa ficava lá.
31:39Por exemplo,
31:39eu vinha do interior
31:41ou então
31:42eu era expulso
31:43da minha casa
31:44e ia para a vida,
31:45ia morar lá.
31:46ele ainda serve
31:48almoço,
31:48ele dá dor
31:49umas cestas básicas
31:50e tal,
31:51mas parece que
31:52por questões de seguro,
31:53não sei o que aconteceu,
31:55a pessoa não pode mais dormir lá,
31:57ficar mais lá e tal.
31:59Mas tem a casa
32:00de apoio do Estado.
32:01Mas hoje em dia
32:02o cenário mudou bastante,
32:03hein, Chico?
32:04É, mudou.
32:05Tem muita gente que...
32:06Vamos falar de ser,
32:07vamos ser positivos
32:07que tem muita coisa
32:08aí que melhorou, né?
32:09Com relação a essa questão
32:11da medicação,
32:12você falou da diminuição...
32:14É um remédio
32:15que não te dá
32:16efeito colateral nenhum
32:17e tem muita gente fazendo.
32:19Eu conheço pessoas...
32:20A gente nem imagina,
32:23a gente anda na rua
32:24e nem imagina
32:25pessoas famosas,
32:26inclusive gente,
32:28artistas,
32:28não sei o que,
32:29que vivem com HIV
32:31e vivem modelos,
32:32não sei o que,
32:33e vivem gente
32:36assim,
32:38perfeitamente bem,
32:39lindos,
32:40maravilhosos,
32:40você não tem aquela coisa,
32:41aquela coisa que tinha,
32:42estigma da AIDS, né?
32:44Da pele com sarcoma,
32:47sabe?
32:48A magreza,
32:49não existe mais isso, né?
32:51Mas aí que está,
32:52eu acho assim,
32:52quando você diz
32:53que essa pessoa
32:54se mantém no anonimato,
32:55não é por conta ainda
32:56que tem esse estigma social?
32:58É, a gente tem a lei do...
33:00Porque às vezes a gente vê assim,
33:01a pessoa se revela.
33:03É, ela pode se revelar,
33:05mas ela tem a lei do sigilo,
33:07ela tem garantia disso.
33:08caso ela seja alguém,
33:11sabe,
33:12fale do diagnóstico dela,
33:14essas coisas todas,
33:15ela pode processar
33:17e ganhar na justiça,
33:18sim,
33:19porque é preconceito
33:20e é lei.
33:22e isso é uma coisa difícil
33:23de se trabalhar, né?
33:24Porque são casos e casos,
33:26né?
33:26É, mas é difícil,
33:27é difícil.
33:29É tão bom
33:29quando a gente vai
33:30para as empresas assim,
33:32a Amélia faz muita palestra,
33:34que agora ela está mais assim
33:36com os adultos,
33:38ela vai para...
33:40a gente tem parceria com as construtoras civis,
33:44a gente vai para prédios assim
33:46que estão em construção
33:47e pega todo aquele pessoal,
33:50todos os trabalhadores da construção...
33:52Esse trabalho educativo
33:52importa difícil isso, não é?
33:53Não, é para falar aqui,
33:55fala abertamente,
33:57leva o pênis lá,
33:58mostra como bota a camisinha,
33:59essas coisas todas,
34:01porque...
34:02Instruções básicas.
34:03Tem que conversar,
34:04tem que se falar sobre as...
34:07É isso, sabe, Ismaelino,
34:08tem que voltar nas escolas,
34:10esse trabalho que se faz
34:11é o SP,
34:12saúde e prevenção nas escolas...
34:12Até mesmo as campanhas publicitárias, né?
34:14As campanhas...
34:15A gente só vê hoje em dia
34:15falando de distribuição de camisinha
34:18no carnaval.
34:18Não, só carnaval...
34:19Mas, por exemplo,
34:20no dia 1º de dezembro...
34:22No dia 1º de dezembro...
34:23Isso é constante, né?
34:25Não, distribuição de camisinha
34:26se pode em qualquer posto de saúde,
34:31no CTA,
34:32que tem agora a Italina Rui Barbosa,
34:34num casarão bonito até,
34:36quase chegando a José Malchê,
34:38entre Boaventura e José Malchê,
34:40porque se você quiser fazer
34:41sua testagem lá também,
34:43se quiser ir fazer a PrEP,
34:47também pode ir lá,
34:48porque tudo passa pelo médico,
34:51tudo normal, né?
34:52E lá você recebe gel,
34:54você recebe preservativo, né?
34:57Tem também essa que eu te falei,
35:00que é ali do lado da Yamada,
35:04no telégrafo,
35:05que a gente tem que dar a volta agora,
35:07entra por trás,
35:10vai pela Magno de Araújo,
35:12entra numa passagem...
35:12São lugares específicos, né?
35:14Para receber o paciente.
35:15Tem o Casa Dia,
35:17que é na Pedro Alves Cabral, né?
35:20Que é onde tem o maior número de pessoas agora,
35:23porque o Casa Dia
35:24é que atende os pacientes de Belém.
35:26Mas agora o CTA está aceitando pacientes também.
35:31Por exemplo, você recebe o diagnóstico lá,
35:33e lá você já começa a fazer seu tratamento lá,
35:36receber sua medicação...
35:37Tudo pelo susto, tudo de graça.
35:39Tudo de graça, gente.
35:41O mais importante...
35:43Não tem segredo,
35:45não tem porque tem medo,
35:46não tem porque tem...
35:47Olha, eu me lembro bem que...
35:49Essas pessoas nos procuram, né?
35:53Minha sobrinha disse,
35:54olha,
35:55o filho da minha empregada
35:58está acontecendo isso, isso, isso, isso.
36:01Ele disse,
36:01ele está com neurotoxoplasmose.
36:03A gente já virou médico,
36:04Esmaelino.
36:05A gente já parece médico.
36:06A gente já sabe assistir sintomas,
36:08sabe tudo.
36:10Leva ele para fazer o teste
36:13e ele tem que começar o tratamento urgentemente.
36:16Aí a mãe, lógico,
36:19resistiu um pouco,
36:20a minha sobrinha conversou,
36:21ajudou, levou.
36:23Não deu outro.
36:24Então ele estava,
36:25fez o tratamento,
36:26hoje em dia está bem,
36:27ela agradece,
36:28ele faz a medicação,
36:30ficou sem sequela, sem nada.
36:31É bom acabar com aquelas máximas, né?
36:33Não existe, não existe,
36:36a infecção é do jeito
36:37que todo mundo já sabe
36:38que sempre foi, né?
36:39É.
36:40Olha, eu estou aqui, cara,
36:41não se pega pelo ar,
36:43não se pega pelo estímulo,
36:44não se pega pelo toque da mão.
36:46Não, não, não,
36:46não, pelo beijo,
36:47nada disso,
36:48não existe isso,
36:49não existe isso.
36:50Não, e eu estou aqui vivendo,
36:53cara, sabe?
36:54Olha aqui,
36:55eu passei por medicações difíceis,
36:57como eu te falei,
36:58sabe?
36:59Tratamentos difíceis,
37:01sabe?
37:01Eram quase 20 comprimidos,
37:04sem brincadeira,
37:04mão cheia de comprimidos.
37:06Hoje em dia,
37:06eu tomo três comprimidos.
37:09Três comprimidos que eu já nem...
37:12A gente não toma remédio para diabetes,
37:14para hipertensão...
37:16Vitamina C diária, né?
37:17Diária,
37:18todo mundo não falha,
37:19não toma seus hiprotens na vida.
37:23É isso, meu amigo,
37:24é um...
37:25É mais um, né?
37:26Jason,
37:27como é que ele chama?
37:28Ele disse,
37:28é meu shake,
37:30tem que tomar o shake da pessoa,
37:32seu shake para ficar bonita,
37:34não sei o quê.
37:35E olha só,
37:35o que é que tu acha que falta para as pessoas?
37:39É uma pergunta enorme, né?
37:40Para as pessoas,
37:42muitas pessoas,
37:43o que é que você acha ainda que precisa,
37:45as pessoas precisam saber sobre AIDS,
37:47que elas...
37:50Elas precisam se informar,
37:52saber se falar mais sobre HIV,
37:56né?
37:57E, além de tudo,
37:58elas precisam fazer a testagem.
38:01Todo mundo.
38:02Ah, mas eu não faço...
38:04Não interessa.
38:05Vai, faz a testagem.
38:08Não existe aquela coisa,
38:09não faço porque sou hétero.
38:11Existe isso aí?
38:12É, não existe, existe.
38:13Ah, não, mas eu sou cristão, não sei o quê.
38:16Não existe isso.
38:17Não existe a vida sexual
38:19a partir do momento que a pessoa
38:21tem uma vida sexual, né?
38:24A partir dos 10, 12 anos, né?
38:27Vamos dizer assim.
38:29Vai lá, faz o teste.
38:30É tão simples hoje em dia.
38:33É tão...
38:37É providenci...
38:38É como assim...
38:39É muito mais viável para você
38:42que você saiba logo o seu diagnóstico,
38:45o diagnóstico precoce.
38:47você não vai ter sequela,
38:48você não vai sofrer,
38:50não vai ter que tomar um monte de remédio,
38:52já está chegando coisa nova no mercado.
38:54E outra coisa,
38:55a gente não falou aqui,
38:57o doutor Ricardo deve vir em dezembro,
39:00é um dos que estão fazendo
39:02uma pesquisa de uma vacina,
39:05que tem dois ou três...
39:07O doutor Ricardo, quem é o doutor Ricardo?
39:08O doutor Ricardo é um médico importante,
39:14infectologista.
39:16Ele tem três pacientes,
39:18se eu não me engano,
39:18em remissão.
39:19Remissão,
39:20o que a gente diz é que não está nem tomando medicação
39:22e não está aparecendo no HIV.
39:25O que é o grande questão do HIV é...
39:28A vacina é demorada,
39:30porque ele é um vírus extremamente mutante,
39:34ele muda muito,
39:37e ele se esconde nos lugares,
39:39muitos assim, complicados.
39:41Aí agora tem umas vacinas,
39:43que depois da Covid,
39:45que essa história de trabalhar com
39:48algumas outras...
39:49Os outros métodos,
39:51eles estão pesquisando
39:52e tem muito avanço de vacina por aí.
39:54É, a gente lê que tem realmente
39:56um trabalho sendo feito aí.
39:57Tem, tem, tem.
39:58E fala das comemorações,
40:00tu acha esses 30 anos?
40:01Ah, e a gente fez o show,
40:04terça-feira agora,
40:05que foi maravilhoso,
40:07show lindo,
40:08depois teve uma grande mesa comemorativa
40:10no Camarim,
40:11virou uma festa tremenda.
40:13E agora, dia 24,
40:15nós temos o Sol Nazica,
40:18que é uma...
40:20Já tem mais de 12 anos
40:21que a gente faz isso.
40:23Nós entregamos uma imagem
40:24de 30 centímetros,
40:26é padrão para todos,
40:27de 30 centímetros
40:28a imagem da santa,
40:30de Nossa Senhora de Nazaré.
40:31E o artista faz a sua interferência,
40:34o artista, o artesão.
40:36Nós estamos com 41 artistas dessa vez.
40:39Na verdade,
40:40é que se fosse uma customização.
40:43É.
40:44Eles trabalham sempre...
40:44Ele vai ter uma criação...
40:46A concepção artística dele.
40:49Como é que ele vê a nossa senhora?
40:50Uma imagem sem cor, na verdade.
40:52É, é uma imagem branca
40:53que entrega em gesso para ele,
40:55só punida,
40:56essas coisas.
40:57E aí ele vai criar
40:59a sua concepção artística
41:00em cima disso,
41:01que é lindíssimo.
41:03E tem pessoas importantíssimas,
41:05em geral,
41:05de Teixeira,
41:07tem Jorge Iró,
41:08tem...
41:08Está todo mundo aí.
41:10Ele é em Tenório,
41:12sabe?
41:12E Chico me diz uma coisa.
41:15Para fazer parte do Arte pela Vida,
41:17para a pessoa se tornar voluntária.
41:19Sim, vamos falar lá.
41:20Você pode entrar no site,
41:22Arte pela Vida,
41:23Underline ONG.
41:25Pode entrar lá.
41:27Eu quero ser voluntário.
41:29Como é que eu faço?
41:30Aí que lá a gente vai passar as informações.
41:32Se você quiser trabalhar com as crianças,
41:34que a gente precisa de muitos braços
41:36para se trabalhar com as crianças,
41:38por sinal,
41:39a gente só vai fazer a festa das crianças
41:40no final do mês de outubro,
41:43devido o Círio,
41:44todas as programações.
41:46Vai ser 23 ou 24,
41:49não me engano,
41:50numa sexta-feira.
41:52Então dá para entrar nesse site?
41:54Projeto Luz 85,
41:56com as crianças,
41:57é Projeto Luz 85,
41:58no Instagram,
42:00todos os dois.
42:01Vocês têm uma sede,
42:02um lugar que vocês reúnem?
42:04O Arte pela Vida tem uma loja,
42:08um brechó lá no Verupeso.
42:09Pois é bom você falar do brechó,
42:10que é um trabalho interessante
42:11no mercado de carne.
42:13É, porque depois dos shows,
42:15que o show não estava dando assim,
42:17aí nós começamos a trabalhar
42:18com bazares e brechó.
42:21Esse brechó,
42:21ele fica ali na oriental do mercado,
42:25em frente ao moinho central,
42:27ali onde ficam as ervas,
42:29tudinho.
42:29Está lá,
42:30tem Arte pela Vida,
42:31você vai ver lá.
42:33Para a pessoa que quer ser voluntária,
42:34ela pode também ir lá.
42:36Ir lá também,
42:37pode até ajudar lá também.
42:39Tem sempre trabalho.
42:40Vamos falar também
42:41de como você participa doando,
42:43não é?
42:43É,
42:44doando também,
42:45pode chegar lá com a gente.
42:45Vocês fazem o café da manhã,
42:47não é?
42:47Faz.
42:48Por exemplo,
42:49o Projeto Luz está precisando
42:50de muito de voluntários,
42:52diminuiu o número de voluntários,
42:54a gente precisa de doações.
42:55Que tipo de doação você precisa?
42:58A gente precisa de cesta básica,
43:01porque o que é que hoje em dia
43:03a AIDS acontece,
43:04vamos falar ao sério,
43:06a AIDS atinge muito a camada,
43:07muito pobre,
43:08da população brasileira.
43:11E em Belém do Pará,
43:12especificamente,
43:13atinge muito forte isso.
43:16E como a gente atende pessoas
43:19vindas do interior,
43:20às vezes vem muito pobre,
43:21muito carente.
43:22cestas básicas,
43:24fraldas nós precisamos,
43:26assim,
43:27se quiser doar biscoito,
43:29roupinha de criança,
43:31ou uma coisa que a gente
43:32não vende no brechó,
43:34o brechó do Projeto Luz
43:36você tem que marcar comigo,
43:37porque está na minha casa,
43:39aí é só com visita agendada,
43:42né?
43:42Aí você pode marcar comigo
43:44através lá do...
43:45Recebendo roupas,
43:47recebendo roupas,
43:48fraldas,
43:49tudo,
43:50Projeto Luz 85,
43:51entra lá,
43:53facílimo,
43:54e aí você também,
43:55que quiser ir comprar,
43:57que tem muita coisa linda,
43:58boa,
43:59né?
44:00Que a gente recebeu,
44:01mandou a Sã agora de São Paulo,
44:03que o Grupo Espírita de lá,
44:05que eu tenho uma conhecida,
44:08que eu vou lá no brechó dela,
44:10e aí ela vende umas coisas
44:11muito baratas,
44:13eu vou dizer que o brechó é para tudo,
44:14é o brechó, na verdade,
44:15é um brechó,
44:16é uma...
44:17Com roupas de grife,
44:18com tudo.
44:19Com tudo,
44:20tem coisas às vezes que vem na etiqueta,
44:22amigo,
44:22com a etiqueta,
44:23tem coisas às vezes,
44:25é...
44:26Isso faz o que vai reverter.
44:26A gente agradece ao Marcelo Serrui,
44:28às vezes,
44:29que nos doa.
44:30Isso faz com que você consiga uma renda extra,
44:34né?
44:34É,
44:35é reverter para as ações mesmo,
44:37sabe?
44:38E às vezes a gente,
44:39às vezes,
44:40assim,
44:40recebe uma demanda,
44:42olha,
44:43tal pessoa precisa de um remédio,
44:46específico,
44:47sabe?
44:47Que ela não tem dinheiro,
44:48aí a gente vai atrás disso,
44:50com dinheiro,
44:50às vezes,
44:51do brechó,
44:52esse brechó do Viro Peso,
44:54então,
44:55é muito visitado,
44:56é um brechó bem legal.
44:58O meu está lotado de coisas novas,
45:01de novidades,
45:02projeto Luz,
45:0385,
45:04é só marcar comigo,
45:06vai lá,
45:07que tem novidades aí,
45:08quem vai querer ir para o Cílio,
45:10tem coisas novas,
45:11chegaram com peças novas,
45:13tem peças da Grete,
45:15se soubesse que a Grete
45:15doou todo o acervo
45:17para o projeto Luz,
45:18para as crianças,
45:20todo o acervo dela de Belém,
45:21de show,
45:22de roupas que tinha aqui,
45:24ela doou todinha para a gente,
45:25hein?
45:25Que ótimo.
45:26Chico,
45:26obrigado por ter vindo aqui
45:28conversar com a gente,
45:29o trabalho de vocês é muito importante,
45:30como eu já falei no início,
45:31Eu que agradeço,
45:32e você faz parte do Arte pela Vida.
45:37A gente fica muito feliz,
45:39é um trabalho muito consistente,
45:41é um trabalho necessário,
45:43é constante,
45:44constante.
45:44E a gente chama a atenção
45:45dessa coisa da educação.
45:47E ainda muito necessário,
45:49como eu te falei,
45:50dessa questão,
45:51a gente não queria dar essas notícias,
45:53porque nem precisava dar isso,
45:56porque não precisa,
45:57hoje como eu falo,
45:58o tratamento está tão fácil,
46:00uma doença crônica só,
46:02não é uma doença mais mortal,
46:04não é o sinônimo de morte.
46:05É bom,
46:06é bom,
46:07se torne voluntário.
46:07E é bom lembrar que ele é voluntário também,
46:10da ONG,
46:11está sempre lá ajudando.
46:13Estamos lá ajudando.
46:14Querido,
46:15obrigado, viu?
46:16Obrigado eu,
46:17obrigado demais,
46:18demais,
46:18obrigado ao Grupo Liberal,
46:20pela essa oportunidade,
46:23por sinal,
46:23a imprensa sempre nos dá esse apoio,
46:25vocês então,
46:27incondicionalmente,
46:28sempre,
46:28sempre,
46:29sempre,
46:29tem uma tela é nossa.
46:30Obrigado pela presença.
46:32Obrigado, querido.
46:33Este é o Mangarosamente,
46:35que você assiste no Libplay,
46:37dentro de liberal.com,
46:38e no YouTube.