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A exploração de petróleo na Margem Equatorial terá como um dos principais desafios a logística para transportar o óleo produzido em águas profundas até a costa, em uma região marcada por extensos manguezais, alta biodiversidade e comunidades que dependem da pesca e do extrativismo. Em entrevista a O Liberal, o geólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Pedro Walfir também explica as transformações naturais e climáticas observadas na costa amazônica e fala sobre os dois livros que lançará em outubro, um deles dedicado à trajetória profissional e outro à sua experiência pessoal e à mudança de hábitos após os 50 anos.
REPORTAGEM: Gabriel da Mota
REPORTAGEM: Gabriel da Mota
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NotíciasTranscrição
00:00Olá para você ligado no YouTube de O Liberal, eu sou o Gabriel da Mota, repórter do Grupo Liberal
00:04e hoje eu recebo aqui Pedro Valfir, que é geólogo, professor titular da Universidade Federal do Pará
00:10e pesquisador com décadas de atuação dedicada à costa amazônica.
00:15Nós vamos falar sobre as notícias mais recentes relacionadas à margem equatorial
00:20e também sobre dois livros que ele vai lançar agora no mês de outubro
00:25sobre a sua trajetória profissional e também sobre a sua vida pessoal.
00:28Professor, muito obrigado mais uma vez pela sua presença aqui com a gente.
00:32Obrigado, Gabriel. É sempre um prazer estar aqui com vocês, compartilhar um pouco do conhecimento
00:38que a gente acumulou ao longo desses anos sobre a zona costeira amazônica
00:42e também um pouquinho da minha trajetória de vida.
00:46Bacana. Eu queria começar lhe perguntando como é que o senhor percebeu a recepção dessa notícia
00:52de que foi descoberto um petróleo na margem equatorial pelos especialistas locais.
00:59Como é que essa notícia foi recebida? Houve entusiasmo, cautela? Como é que está?
01:04Olha, eu percebi entusiasmo, tanto no mundo acadêmico, na área de geossciências,
01:10onde hoje, no Instituto de Geossciências da Universidade Federal do Pará,
01:16nós desenvolvemos mais de oito projetos financiados pela Petrobras em diferentes temas,
01:24desde a estratigrafia, a evolução da margem equatorial relacionada com as rochas geradoras do petróleo,
01:35qual é a idade delas, qual é a proveniência desses sedimentos,
01:40até pesquisas relacionadas a um possível impacto ambiental decorrente de um acidente da exploração
01:47e também a parte do impacto socioeconômico nas comunidades tradicionais que vivem ao longo do nosso território costeiro.
01:58A nossa costa amazônica, pelo que a gente já sabe, tem características muito complexas,
02:04tem manguezais, estuários, grandes rios.
02:08O que torna essa região tão complexa para a exploração de petróleo?
02:13Do meu ponto de vista, o mais complexo é você trazer esse óleo de águas profundas,
02:22o bloco da Foz do Amazonas está a mais ou menos 150 quilômetros da linha de costa,
02:30a mais de 1.500 metros de profundidade de lâmina de água.
02:34Então, você imagina que você vai produzir óleo nessa condição.
02:37Então, a Petrobras declarou a descoberta e vai fazer mais alguns furos
02:42para poder investigar o potencial do recurso comercial.
02:48Trazer todo esse óleo embarcado em um navio ou por dutos até a nossa costa
02:55é o mais complexo que tem, que envolve muita logística e tem que ter muito cuidado,
03:04porque, em caso de um acidente, a gente está falando de uma das regiões mais protegidas
03:09que tem, mais conservadas do planeta e com características fisiográficas, geológicas únicas.
03:16A gente tem um grande rio, o maior rio em descarga de água doce,
03:20o maior rio em descarga de sedimento, uma biodiversidade riquíssima.
03:25Uma população costeira que pode não ser de elevada densidade populacional,
03:32mas habita todo o litoral, do Oiapoque até Toros, no Rio Grande do Norte,
03:37tem sempre gente em algum local.
03:40E essas pessoas, elas vivem da exploração do recurso natural,
03:45seja da pesca, seja da catação do marisco.
03:48Então, um possível acidente pode trazer prejuízos sociais e econômicos para essa comunidade.
03:56Esse protocolo de extração segura, ou mesmo de agir diante de um acidente,
04:04de um vazamento, ele já existe?
04:05Ele está em andamento?
04:07Ele é um protocolo que serve para todo tipo de exploração?
04:10Como é que funciona?
04:11Há mais de 20 anos atrás, coordonei um projeto aqui chamado Piatan Mar.
04:16Era um projeto que surgiu da necessidade da Petrobras mesmo estabelecer e definir os potenciais impactos
04:26de um possível derrame de óleo, uma vez que, em 2000, aconteceu aquele acidente na Baía de Guanabara.
04:34Então, em 2004, nós começamos um projeto para identificar esses potenciais impactos na margem equatorial.
04:41E o que nós percebemos é que esse risco sempre existiu.
04:46Você imagina que nós, na margem equatorial, no Rio Amazonas, exceto lá a região de Urucum, que produz óleo,
04:55mas todo o combustível, gasolina, óleo, diesel, querosene, que abastece todas as cidades amazônicas,
05:04elas vêm de navio, vêm pelo Oceano Atlântico, das refinarias do Sul e Sudeste e Nordeste do Brasil,
05:12atravessam a foz do Amazonas, navegam até entregar esse óleo para todas as cidades.
05:19Belém, Manaus, Santarém, Rondônia, todas as cidades que estão ao longo da calha e dos afluentes do Amazonas.
05:27Então, esse risco existe, sempre existiu e, ainda bem que, até hoje, não tivemos nenhum grande acidente,
05:35mas tem uma estratégia muito boa de combater caso aconteça um acidente, né?
05:41Tem estruturas para combater, para segurar a mancha, deter a mancha, caso ela seja grande o bastante,
05:49para você conter e remover para que ela não atinja os ambientes mais sensíveis, que são os manguezais.
05:56São 20 anos, mais de 20 anos desse estudo.
05:59Eu queria lhe perguntar se existe, ainda, algum aspecto ambiental pouco conhecido,
06:04que precisa ser conhecido ainda, ou se, dentro do possível, já foi tudo estudado?
06:08É, tudo estudado é muito difícil, né?
06:12A gente sempre, quanto mais a gente descobre, mais a gente percebe que menos a gente conhece.
06:17Então, hoje, eu acho que o maior gargalo que nós temos hoje é desenvolvermos bons modelos oceanográficos
06:30capazes de descrever e modelar, em caso de um acidente na região dos blocos,
06:37onde terão ou não exploração de óleo e produção de óleo,
06:43que a gente saiba, caso ocorra um acidente, para onde esse óleo vai.
06:47Então, a modelagem oceanográfica, usando imagens de satélites, modelos matemáticos,
06:53para a gente calcular e calibrar isso e até definir melhor os riscos
06:59e definir melhor os locais onde a gente vai estabelecer centros de proteção costeira, é importante.
07:07E, além disso, a gente também precisa saber hoje, antes da produção do óleo começar do ponto de vista comercial,
07:15qual é o background geoquímico, baseline geoquímico desses ambientes costeiros, principalmente os manguezais.
07:24Então, qual é a concentração que nós temos dos metais nos manguezais?
07:29Quais são os tipos de óleo que já estão aqui na nossa costa?
07:35Porque você navega pelo litoral, tem dezenas, centenas de canoas que jogam óleo diesel no estuário
07:43e esse óleo diesel vai para o manguezal.
07:45Então, precisamos definir quais são os óleos que já tem aqui, quanto tem,
07:50para quando um dia começar a produção, nós sabermos exatamente a condição ambiental do ambiente hoje.
07:58Para, num futuro, se a gente entrar em um ciclo de produção, daqui a 10, 20, 30 anos,
08:05continuarmos fazendo esse monitoramento para garantir que os manguezais e os ambientes costeiros continuam preservados.
08:13Falando em manguezais, vamos falar agora de um dos livros que o senhor vai lançar.
08:17Eu vou ler aqui algumas informações.
08:18Atlas dos Manguezais no Pará, um livro que reúne mapas, imagens de satélite, levantamentos de campo sobre esses ambientes.
08:26Me chama a atenção o fato de que há mais de 2 mil quilômetros quadrados de manguezais no estado.
08:34O senhor já falou que nessas regiões tem gente trabalhando, que depende de diversas fontes de renda.
08:40O que há de mais curioso, que as pessoas menos conhecem nessas regiões, nesses mais de 2 mil quilômetros quadrados,
08:47o que o senhor poderia citar aqui para a gente?
08:51O Pará é o segundo estado com maior área de manguezal do Brasil.
08:54Fica atrás só do estado do Maranhão, que é o nosso vizinho aqui da margem equatorial.
09:01Os nossos manguezais, vou falar um pouco das curiosidades geológicas.
09:04Então, os manguezais são, na expressão que eles têm hoje, com esses 2.300 quilômetros quadrados,
09:13para você ter uma ideia, ele começou a crescer e se desenvolver amplamente de 2.100 anos para cá.
09:20Ou seja, um pouquinho, quase a idade de Cristo.
09:25Então, quando Cristo nasceu, a gente começou a ter o crescimento desse manguezal aqui na costa amazônica.
09:35A gente tem cerca, são manguezais extremamente exuberantes.
09:40Eles chegam a ter 36, 40 quilômetros de largura.
09:45A gente só encontra isso na Amazônia, na região do Ganges e Bama Putra, lá na Índia,
09:51e na Nova Guiné, só esses 3 lugares do mundo que têm mangues com 30 quilômetros de extensão,
09:59de largura contínua do continente em direção ao mar.
10:03Então, a gente tem aqui uma estrada que cortou esse manguezal,
10:06que é a estrada que leva de Bragança até a Juruteu.
10:09Na época, não tinha estudo de impacto ambiental, a estrada foi construída.
10:13E é um caminho para você conhecer esse manguezal, na sua exuberância.
10:19Outra curiosidade é que a gente tem quase 6 metros de espessura de lama depositada.
10:26Então, isso também só tem nesses 3 manguezais do mundo.
10:31É um pacote de lama extremamente espesso.
10:356 metros é um negócio que não tem por aí.
10:39E é uma curiosidade também muito interessante.
10:41A gente está, inclusive, hoje, uma pergunta que a gente não sabe responder é
10:45de onde veio toda essa lama?
10:48Uma vez que os rios que cortam o nosso Nordeste do Pará,
10:53como o Rio Maracanã, o Rio Caeté, o Rio Gurupi,
10:59todos eles, Piriar, não trazem uma carga sedimentar tão grande.
11:04São rios de água preta, com pouquíssimo sólido em suspensão,
11:09mas a gente tem muito manguezal na foz desses rios.
11:13Então, de onde vêm esses sedimentos lamosos?
11:18Tem algumas hipóteses que a gente está estudando.
11:19Um dia veio do Amazonas.
11:21Quem sabe um dia o Amazonas jogou o sedimento para a direita da sua foz.
11:28Hoje, quase 90% dos sedimentos do Amazonas vão para o Marajó,
11:33vão para o Amapá, chega até o Caribe.
11:34Mas, quem sabe, um dia, por alguma condição oceanográfica, climática,
11:42esses sedimentos do Amazonas também foram para a leste
11:45e formaram esse cinturão contínuo de manguez
11:48que a gente tem aqui de Belém até São Luís.
11:53As pessoas vivem do manguezal.
11:56Então, tem muitas comunidades tradicionais hoje
12:00que ainda vivem do manguezal, da captura do caranguejo, da pesca.
12:05E as novas gerações estão cada vez mais distantes dessas culturas tradicionais,
12:11porque é um modo de vida muito duro.
12:14E as pessoas estão percebendo que não tem um futuro muito grande,
12:20é uma vida muito pesada.
12:23mariscar, pescar, despescar curral, sair para pescar é uma vida muito dura.
12:28Então, hoje, não sei como essa tradição vai ser repassada,
12:33se ela vai continuar sendo repassada de pai para filho.
12:36Mas acho que, no longo prazo,
12:40a gente vai perder um pouco dessa tradição da pesca,
12:44porque é uma vida muito dura e, hoje, as pessoas têm alternativas para viver um pouco melhor.
12:49E a captura do marisco, do pescado, vai ser realizada de outra forma,
12:54seja pela indústria, seja pela pesca artesanal, vai continuar existindo,
12:58mas não numa proporção que tem hoje ou que já teve no passado.
13:02E outra curiosidade é a biodiversidade do manguezal.
13:06A gente olha o mangue e acha que só tem caranguejo.
13:08Mas no mangue tem cobra, no mangue tem ostra,
13:13não no nosso, mas nos manguezais da Austrália tem tigre, tem crocodilo.
13:20Os nossos chegam a ter, de vez em quando, em Calha, tem meros,
13:26que é um berçário para esse peixe de extinção hoje.
13:31E tem uma fauna muito diversa que é reportada lá no livro.
13:37E a comunidade tradicional, o modo de vida das populações que cresceram e vivem do mangue.
13:43Eu acho que é um aprendizado enorme que a gente tem com eles.
13:47E essas pessoas conservam os manguezais até hoje.
13:52Então, uma curiosidade que eu tenho é que as pessoas sempre dizem,
13:56não sei se você vai chegar lá nas reservas extrativistas,
13:59mas o que a gente tem é assim.
14:00Os manguezais hoje, 70% dos nossos manguezais do Pará estão dentro de unidades de conservação.
14:08Mas lembra que o manguezal tem 2.100 anos.
14:12Tem 2.100 anos que eles estão aí, super bem conservados.
14:16E hoje tem unidades de conservação para ajudar a proteger.
14:20Então, uma curiosidade é, é muito difícil destruir manguezal.
14:24É um lugar muito difícil de ir, difícil de se viver.
14:28Imagina um trator, uma retroescavadeira querendo derrubar uma árvore de mangue.
14:33Ele não consegue entrar no mangue, ele vai ficar atolado.
14:36Então, é um lugar que, por natureza, se conserva.
14:40E o ser humano fez a...
14:46Teve uma iniciativa que é de proteger os manguezais também por lei.
14:52Então, tem 14 reservas extrativistas hoje na região.
14:57Isso ajuda a conservar o nosso manguezal.
15:01A minha próxima pergunta era mais ou menos nesse sentido.
15:04Considerando esses 73% dos manguezais nessas áreas, é um bom percentual de conservação?
15:12Lembrando, de todos os manguezais dos 2.380 km² que nós temos de mangue no estado do Pará,
15:2073% está dentro de unidade de conservação.
15:24Mas menos de 1% dos nossos manguezais já foram degradados, já foram destruídos.
15:31Então, a taxa de conservação dos manguezais amazônicos como um todo,
15:36incluindo Amapá, Pará e Maranhão, é menor do que 1%.
15:39Então, nós, humanos, removemos menos de 1% dos nossos manguezais.
15:47Então, isso é impressionante.
15:50Se você for ver outros lugares que têm muito mangue,
15:54os mangues estão sendo degradados em uma velocidade altíssima.
15:5810%, 20% já foi perdido.
16:00Na Amazônia, menos de 1%.
16:03Isso é incrível.
16:05E aí, considerando essa dificuldade da degradação, a que se deve esse 1%?
16:11Principalmente, foi a construção de estradas sobre os manguezais para conectar vilas.
16:17Um exemplo bom é a estrada que conecta a Bragança até a Juruteu,
16:21é quase 26 km cortando o manguezal.
16:24Pequenas estradas, às vezes nem pavimentadas são, conectando vilas e cidades.
16:34A expansão urbana, em uma escala muito pequena na Amazônia.
16:40Então, pequenas cidades vão e cortam o manguezal para colocar um calçadão,
16:45fazer uma praça, ampliar a rua, a avenida.
16:49Então, é o que a gente tem assim.
16:52Mas o principal fator degradante do nosso manguezal é a expansão,
16:59é estradas, principalmente estradas.
17:03O Atlas também reúne discussões sobre a elevação do nível do mar,
17:08erosão, alterações na sedimentação, mudanças de salinidade.
17:12Essas transformações, elas já apontam algo para as próximas décadas
17:17nesses manguezais paraenses ou são transformações que, de certa forma, sempre aconteceram?
17:23Eu sou geólogo de formação, então a mudança para mim é uma constante.
17:30A Terra está sempre, esteve sempre em transformação.
17:34Então, ele vai continuar mudando, nunca vai ser como era no século passado.
17:40Então, o que a gente vê hoje, a gente publicou um artigo num livro, em 2023,
17:46mostrando os impactos da subida do nível do mar nos manguezais brasileiros.
17:52E o que a gente percebeu na Amazônia é que a região da Amazônia,
17:58a Foz do Amazonas, pegando Amapá, Pará e Maranhão,
18:01tem uma condição de nível de mar que é muito diferente do resto do Brasil inteiro.
18:06O nível do mar nessa região está sempre subindo e chegando a um nível de estabilidade.
18:14O nível do mar aqui nessa nossa região, durante a última transgressão,
18:19durante os últimos 10 mil anos, nunca esteve acima do que ele está hoje.
18:26Diferente do Nordeste do Brasil, diferente do Sudeste e do Sul do Brasil,
18:31que há 5 mil anos atrás, o nível do mar esteve 2, 3 metros acima do que está hoje.
18:40Então, para nós, na Amazônia, o nível do mar sempre esteve subindo,
18:45desde a última deglaciação, há 10 mil anos.
18:49Quem gosta da Era do Gelo, o filme, 10 mil anos, a Era do Gelo,
18:54depois disso teve o aquecimento global, o gelo começou a derreter e o nível do mar começou a subir.
19:01No Pará, no Amapá e no Maranhão, o nível do mar continua subindo.
19:07Sul e Sudeste, 5 mil anos, chegou 2 metros acima do atual e depois recuou.
19:13Então, aqui, o nível do mar continua subindo.
19:16O impacto que a gente está observando é que os manguezais estão migrando estuário acima,
19:23rio acima.
19:24Então, a gente está tendo uma salinização do curso superior dos rios.
19:30E aí, a vegetação de mangue está migrando em direção ao continente.
19:34E, como o nível do mar está subindo, as areias transgressivas que estão vindo do mar
19:40estão afogando os manguezais que estão no litoral.
19:44Então, você vai numa praia feita a juruteua, romana,
19:48você vê aqueles manguezais mortos, aqueles terraços de mangue com as árvores igual a um paliteiro,
19:55sem vegetação nenhuma, só o caule espetado para cima.
19:59Ou seja, a areia passou ali por cima, matou o mangue e o mar está migrando em direção ao continente.
20:06Então, é isso que a gente tem observado no Pará, no Amapá e no Maranhão.
20:10Mas é um processo, ao meu ver, natural, que com essas mudanças globais,
20:17com as emissões de CO2 que o homem está acelerando desde a Revolução Industrial,
20:23pode estar acelerando esse processo.
20:25Mas ele vai continuar assim até o fim dessa era interglacial que a gente está em hoje,
20:33que é uma época, que é um período de aquecimento.
20:38Então, é normal o mundo inteiro estar esquentando.
20:41Se a gente está acelerando esse aquecimento, é o que a gente está discutindo hoje.
20:47Agora eu queria falar do seu outro livro,
20:50dessa outra obra que o senhor vai lançar em outubro.
20:52Paralelamente à carreira acadêmica, o senhor passou por uma transformação pessoal,
20:56que resultou no livro Eu Me Reinventei Depois dos 50.
21:01Em que momento, depois dos 50, houve essa percepção que o senhor teve
21:06de que precisava se reinventar e exatamente do que o senhor está falando?
21:12A vida como a geologia é feita de ciclos, de fases e períodos.
21:18Então, o que eu percebo assim, como a gente se...
21:20O que nós somos hoje não é o que aconteceu ontem, nem antes de ontem,
21:25nem na semana passada, desde o dia que a gente nasceu.
21:29E quando eu falo dessa reinvenção depois dos 50,
21:34eu sou órfão de pai e mãe, meus pais faleceram com AVC.
21:38Muito jovens.
21:40Minha mãe tinha 48 anos, meu pai tinha 53.
21:46E eu fui diagnosticado com a mesma doença deles, crônica,
21:52que é a hipertensão aos 23 anos.
21:55Então, eu tenho outros dois irmãos do mesmo casamento
22:02e sou o único que tenho esse diagnóstico de hipertensão.
22:07E na pandemia, em 2020, eu tinha 49 anos,
22:12já fazia...
22:14Desde o diagnóstico dos 23, que eu tenho uma alimentação muito regrada,
22:19sempre fiz atividade física a vida inteira,
22:21porque eu sabia que isso era importante para a saúde.
22:23Mesmo assim, em 2020, eu tive um AVC,
22:27que eu não tive sintoma nenhum,
22:30não percebi,
22:32mas eu fui fazer um check-up com um colega
22:35que fez um primeiro aeroman comigo,
22:37e ele é neurocirurgião.
22:39E eu falei, rapaz, vamos fazer um check-up do meu cérebro,
22:44que foi quem matou meu pai e minha mãe.
22:46E aí nós fizemos uma avaliação neurológica
22:51e, na ressonância, tinha uma cicatriz de um AVC isquêmico não hemorrágico agudo.
22:58Ou seja, foi um vasinho que entupiu,
23:03morreu parte daquele conduto ali,
23:08do cerebral ali, dos vasos,
23:11ficou uma cicatriz
23:13e eu não tive sintoma perceptível, clínico.
23:17E aí eu falei,
23:19e ele falou, rapaz, isso aqui é porque você tem uma vida muito regrada,
23:22não tem, tem um colesterol super baixo,
23:25tem um trigliceríde super baixo,
23:28continua assim porque você podia ter um AVC,
23:30você podia ter morrido aos 49,
23:32que não ia ser muito diferente do que foi com a sua mãe nem com o seu pai.
23:36E aí eu percebi que eu tinha que continuar com a vida,
23:42tinha que me reinventar.
23:44Então, eu já parei de beber,
23:48acho que eu bebi durante quatro anos na minha graduação,
23:51depois nunca mais,
23:52depois que me diagnosticaram com hipertensão,
23:57parei o consumo do álcool,
23:58que não fazia bem.
24:00E hoje se sabe que não existe dose segura para consumo de álcool,
24:04qualquer dose é ruim, faz mal.
24:06E em 2019 eu já tinha parado de comer carne vermelha,
24:11por causa da recuperação do triatlon,
24:14que eu fazia provas e me sentia cansado no dia seguinte,
24:18aí cortei a carne vermelha.
24:19E aí depois do AVC em 2020,
24:22quando chegou início de 2021,
24:24eu falei que eu li um livro que é muito transformador,
24:28que é Comer para Não Morrer,
24:31de um médico americano, nutrólogo,
24:34que escreveu um livro excelente,
24:36que descreve como não morrer de ataque cardíaco,
24:40como não morrer de diabetes,
24:42como não morrer de AVC.
24:44Eu li aquele livro e, no final,
24:46a mensagem mais importante é
24:49o que te mantém vivo é o que te alimenta.
24:53E a melhor alimentação é vegetal, integral, não processada.
25:00E aí, a partir desse livro,
25:02eu me tornei um vegetariano, um vegano.
25:05E continuei me reinventando até hoje.
25:08Já se vão cinco anos,
25:10então estou no lucro.
25:12E pretendo manter os meus indicadores médicos
25:16sobre o meu controle
25:18para que eu consiga ter uma vida longa
25:21como a dos meus avós,
25:23que viveram quase até 100 anos.
25:26Mas a geração dos meus pais
25:28se foram muito cedo.
25:31Então, eu tento mostrar um pouco
25:35dessa trajetória de vida
25:37e como organizar isso
25:40de uma forma natural.
25:45Então, tem uma frase do Chris Martin,
25:47lá do Coldplay,
25:48que diz que todo mundo é um ET em algum lugar.
25:52Então, quando eu vou para as minhas provas
25:55de triatlon, de Ironman, Ultraman,
25:59e lá eu não me sinto um ET.
26:00Porque tem um monte de gente
26:01muito parecida comigo,
26:03mas normalmente a gente parece um ET.
26:06Porque você não vai para a festa,
26:08dorme cedo, não bebe,
26:10não come carne, não come frango.
26:12Então, as pessoas sempre se espantam com você.
26:15Sim.
26:16Inclusive, eu ia lhe perguntar exatamente isso.
26:18Aos 48 o senhor completou o Ironman
26:20e aos 53 o Ultraman.
26:23O que são essas duas marcas
26:24e o que lhe levou a buscar
26:27esses desafios físicos?
26:29Eu sempre gostei muito de esporte.
26:33Fiz natação, mas parei muito cedo
26:36porque eu era muito adiantado na escola.
26:38Então, eu fiz vestibular com 16 anos.
26:44Então, eu parei de treinar a natação aos 14,
26:49onde eu estava no primeiro ano do ensino médio.
26:53Mas sempre gostei muito de atividade física
26:55e não consegui competir a nível nacional
26:59ainda na infância.
27:02E aí, entrei na universidade muito cedo.
27:04E aí, na universidade,
27:05nosso padrão
27:07é que no terceirão você
27:09só pode estudar
27:11porque você vai ter um vestibular pela frente.
27:13eu já me desencanei disso.
27:16Tive três filhos.
27:18Meus dois mais velhos passaram
27:19no vestibular de primeira.
27:21Minha filha tentou medicina há três anos
27:23e passou agora.
27:26Mas eu não conseguia treinar tanto
27:29para ser um grande atleta.
27:31Fiz na universidade inteira.
27:34gastei muito da minha energia estudando
27:36para me tornar um bom geólogo,
27:38um bom profissional,
27:40sempre fazendo natação.
27:42E aí, depois,
27:44comecei a trabalhar muito,
27:46muito projeto,
27:46muita viagem,
27:47não conseguia mais nadar.
27:48Aí eu comecei a correr.
27:50Porque, na viagem,
27:52tem que ter uma piscina.
27:53A piscina eu não tinha.
27:54Ficar parado era muito ruim
27:56e comecei a correr.
27:57E aí eu já andava de bicicleta.
27:59E aí, em 2009,
28:01um colega me...
28:04Mil e nove...
28:05Não, em nove...
28:062000 e...
28:08Acho que em 2009,
28:09um colega falou,
28:10Pedro, vamos fazer um...
28:11Um triatlon sprint.
28:13Nada 750,
28:15pedala 20 e corre 5.
28:17Eu falei, ah, consigo.
28:18Comprei uma Caloi 10,
28:20fiz a prova, adorei.
28:21Gostei muito.
28:22Falei, cara, vou fazer isso.
28:23Um dia eu vou fazer isso.
28:25Depois repeti a dose em 2012,
28:27eu acho.
28:28Gostei muito.
28:30Mas aí, em 2017,
28:32eu fui para uma travessia de natação,
28:34Farol-Murubira,
28:35Murubira-Farol.
28:37E aí falei,
28:37eu quero fazer triatlon.
28:40Procurei uma assessoria.
28:42Tem um professor muito bom aqui.
28:44E ele falou,
28:46não, vamos treinar.
28:47E aí eu comecei a treinar triatlon em 2017.
28:51Todos os dias.
28:52Nossa.
28:53Um dia...
28:54Tem dia que você nada e corta,
28:56tem dia que você nada e corta,
28:56tem dia que você pedala,
28:57tem dia que você nada e pedala,
28:58mas todo dia faz uma atividade física.
29:01E aí eu consegui colocar,
29:03encaixar isso na minha rotina,
29:04né?
29:05Com a compreensão da família,
29:07que meus filhos ainda eram adolescentes,
29:09jovens, adolescentes,
29:11mas já tinha que pegar na escola,
29:12deixar na escola,
29:13almoçar,
29:13almoçar em casa,
29:14voltar.
29:15e mais eu conseguia encaixar tudo na rotina,
29:18né?
29:19E aí,
29:202019,
29:2118,
29:22eu falei,
29:23cara,
29:23eu vou fazer esse Ironman.
29:25E aí comecei a treinar
29:27pra fazer o meio Ironman.
29:29Eu fiz em 2018 o meio Ironman.
29:32e um ano depois,
29:34treinei o ano inteiro,
29:36eu fiz o meu primeiro Ironman,
29:37porque eu escrevi o meu primeiro livro.
29:39Eu escrevi um livro,
29:40meu primeiro Ironman é como o esporte pode transformar a sua vida.
29:43Um diário de como eram os meus dias,
29:46como eu encaixava tudo na rotina de pegar menino na escola,
29:51deixar menino na escola,
29:52deixar em festa,
29:53sexta-feira buscar na festa dos 15 anos.
29:55Então,
29:56era uma grande,
29:58um grande,
29:58o mais difícil era isso do que o Ironman em si.
30:01Mas o mais difícil nessas provas,
30:04as pessoas acham que o maior,
30:05o desafio maior é físico,
30:08né?
30:08Como você consegue ir pra essa evolução física, né?
30:14Mas eu acredito que o maior desafio é mental e organizacional.
30:19Você não consegue treinar pra um Ironman,
30:23colocar 20 horas,
30:2430 horas de treinos por semana,
30:27se você não for muito organizado e muito disciplinado,
30:32e se você não abrir mão de muitas coisas que te dão prazer, né?
30:36Então, nesse livro,
30:37Comer Pra Não Morrer,
30:38o prefácio dele, assim,
30:40o epílogo é assim,
30:43vai ter um momento na vida que você vai ter que abrir mão do prazer
30:46pra ter bem-estar.
30:49E eu acho que é nesse caminho.
30:51E aí, então,
30:53eu consegui organizar a minha rotina,
30:56né?
30:56Já pro Ultraman,
30:58eu fiz o Ironman em 2019,
31:00depois eu comecei a fazer provas de Ironman,
31:02entre aspas,
31:03é outra bandeira,
31:04mas extrema.
31:05Você nada de madrugada,
31:07pedala subindo serra,
31:08e corre subindo serra.
31:10É um pouco mais difícil do que fazer tudo no plano, né?
31:14Tem que ter mais força,
31:15mais energia,
31:15mas também tem que ter muito mais horas de treino.
31:18Então, tem que organizar muito melhor a agenda.
31:22E aí,
31:23quando foi em 2024,
31:25eu,
31:26em 2023,
31:26eu decidi fazer o Ultraman.
31:29Né?
31:29E aí,
31:30realmente é uma mudança de paradigma,
31:35assim,
31:35você,
31:36que você chega a treinar 30 horas por semana,
31:40né?
31:40O Ironman,
31:41você nada 3.800 metros,
31:43pedala 180 quilômetros,
31:45e corre 42 quilômetros num dia.
31:47Nossa.
31:49Né?
31:49Isso aí dá,
31:49eu fiz a primeira vez em 12 horas e 7 minutos.
31:54O Ultraman,
31:55são três dias de prova,
31:56né?
31:57Você nada 10 quilômetros no primeiro dia
31:59e pedala 145.
32:02Vai pra casa,
32:03dorme,
32:03no outro dia pedala 276 quilômetros.
32:08E no terceiro dia,
32:09você corre uma dupla maratona,
32:10corre 84 quilômetros.
32:12Né?
32:13Então,
32:14tem que,
32:14tem que se organizar aí.
32:16Dormir muito cedo,
32:17eu durmo sempre,
32:18em torno de 9 horas da noite,
32:21acordo em torno das 5,
32:234 e meia,
32:235 da manhã,
32:25treino todos os dias
32:27e hoje,
32:28aos 55 anos,
32:29eu percebo que,
32:30se eu não dormir bem,
32:32eu não treino bem.
32:33E tá chegando um estágio assim,
32:35que eu,
32:35se eu não dormir bem,
32:37eu não treino.
32:40Não,
32:40como eu treino todo dia,
32:42eu preciso dormir bem todo dia.
32:44Então,
32:44o que eu percebi ao longo disso
32:46é que as pessoas subestimam muito o sono.
32:49Não existe nada mais importante
32:52pra saúde
32:52do que dormir bem.
32:54é melhor que qualquer remédio,
32:56melhor do que qualquer
33:00antidepressivo,
33:00né?
33:01E se você combinar isso
33:02com o esporte,
33:04aí eu acho que você tem uma vida,
33:07uma vida,
33:08talvez tenha uma vida longa,
33:10que a gente não tem garantia nenhuma.
33:12E o esporte melhora o sono, né?
33:14E o esporte melhora o sono.
33:16A gente precisa do sono pro esporte,
33:16e ele também melhora.
33:17Exatamente.
33:18Professor,
33:19pra fechar,
33:19tem uma frase que me chamou muito a atenção,
33:21que o senhor diz assim,
33:22precisamos construir uma vida inteira,
33:25não apenas uma carreira.
33:28O que que a sua carreira,
33:31de qualquer pessoa,
33:32uma carreira profissional,
33:33não é capaz de oferecer a um ser humano
33:36que essa vida saudável,
33:38essa outra parte da vida oferece?
33:41Quando eu digo que a gente precisa construir
33:43uma vida inteira e não uma carreira,
33:45é porque as pessoas acham,
33:47muitas pessoas que eu conheço,
33:50às vezes fazem da carreira,
33:53do trabalho,
33:54sua vida.
33:55E não é.
33:57Pra mim, não é.
33:58Então, assim,
33:59eu descobri muito cedo
34:01qual é a falta que um pai faz,
34:03que uma mãe faz,
34:04porque eu os perdi muito cedo.
34:05Dizem que a gente só sente falta
34:07do que a gente perde.
34:09E, quando eu me tornei pai,
34:10eu tentei ser um pai
34:11o mais presente possível,
34:13por mais que eu tivesse uma carreira,
34:16tivesse muita atividade,
34:18muito trabalho,
34:19muita pesquisa,
34:21mas eu sempre procurei
34:23estar sempre muito presente.
34:26Então,
34:27eu não gosto daquela
34:29máxima do Faustão,
34:30que é um excelente cara
34:32do ponto de vista pessoal
34:33e profissional.
34:34não existe o cara profissional
34:37e o cara pessoal.
34:38Eu acho que existe uma pessoa
34:40e essa pessoa define prioridades
34:42na sua vida.
34:43Você pode definir prioridades
34:45só para o seu trabalho
34:47e esquecer o resto.
34:50Você pode definir prioridades
34:51só para a sua família
34:53e esquecer o resto,
34:56que é o que a gente vê
34:57principalmente com muitas mulheres,
34:59que às vezes são donas de casa,
35:02uma geração mais anterior,
35:03que abriram mão da sua vida
35:04para cuidar do lar
35:05e dos seus filhos,
35:08não tem uma carreira.
35:09E tem homens
35:10que só têm uma carreira,
35:12é o que é o mais comum,
35:14não estou dizendo
35:14que é a regra,
35:15mas tem muitos homens
35:16que têm só uma carreira,
35:17mas não cuidam dos filhos
35:20nem da casa.
35:23Eu acho que,
35:25quando eu digo
35:25que a gente precisa ter uma vida,
35:27construir uma vida
35:28e não uma carreira,
35:29é nesse sentido.
35:30Então, você precisa equilibrar
35:32o que você gosta de fazer
35:34na sua vida
35:37e nunca esqueça
35:39que o trabalho
35:39é só o trabalho.
35:42Então, hoje eu sempre brinco,
35:44quando eu chego de férias,
35:45eu sempre digo
35:46que eu estou cada dia
35:47mais pronto
35:47para me aposentar,
35:50porque está ficando
35:51cada vez mais difícil
35:52voltar das férias.
35:55Então, por quê?
35:56Porque nas férias
35:57eu consigo dormir melhor,
36:00porque eu não preciso
36:01me acordar
36:02naquele horário
36:03para sair para trabalhar.
36:04E logo eu consigo
36:06treinar melhor,
36:08comer melhor,
36:10viver próximo
36:11das pessoas
36:12com quem eu amo
36:13e convivo
36:13todos os dias.
36:15E se eu pudesse,
36:17hoje eu trabalharia
36:18quatro horas por dia,
36:20mas não posso ainda.
36:21Então, eu tenho que
36:22trabalhar oito horas
36:24por dia.
36:25Faço um esforço
36:26enorme
36:27para manter
36:28minhas oito horas
36:29de trabalho por dia,
36:31nem uma hora mais
36:32e nem uma hora menos,
36:33para que tudo
36:35caiba na minha agenda.
36:37Então, às vezes,
36:38o que as pessoas
36:38têm alguns desequilíbrios
36:40de saúde
36:41é porque, às vezes,
36:42eles estão trabalhando
36:43doze horas por dia
36:45e está faltando
36:46tempo para a vida.
36:48E aí,
36:49não tem como viver assim
36:50sem ser depressivo.
36:52porque, se você passa
36:53doze horas do dia
36:54só trabalhando
36:56e, depois,
36:57quando você sai do trabalho,
36:58não tem mais tempo
36:59para fazer nada,
37:01você vai se frustrar.
37:03Depois,
37:04o trabalho vai se tornar
37:05um fardo.
37:06E aí,
37:07você perdeu
37:08a sua família.
37:09E aí,
37:10o equilíbrio,
37:11diz aquele CD
37:14do Renato Russo,
37:15um amarelinho italiano,
37:16equilíbrio distante.
37:19Então,
37:19acho que buscar
37:20esse equilíbrio
37:21é fundamental.
37:22Então,
37:22acho que eu sempre digo,
37:24principalmente para os mais jovens,
37:25trabalhem oito horas por dia,
37:27mas trabalhem oito horas por dia.
37:29Duro,
37:30sem enrolação.
37:31Se você trabalhar
37:32de segunda a sexta
37:33oito horas por dia,
37:35seu final de semana é seu.
37:37No livro,
37:38eu brinco,
37:39eu tenho um conceito
37:39de nanoférias,
37:41microférias e férias.
37:42Minhas microférias
37:43é antes do meu café da manhã.
37:45Então,
37:46oito horas da manhã
37:46eu tenho que estar no trabalho.
37:48Das quatro da manhã,
37:50quando eu acordo,
37:50às oito,
37:51é meu,
37:52faço só o que eu quero.
37:53Entre meio-dia
37:54e duas da tarde,
37:56é o meu almoço,
37:57eu faço só o que eu quero.
37:58E das seis da tarde
38:00até eu ir dormir
38:01e durante o meu sono,
38:03é meu,
38:04é inegociável.
38:06É minhas nanoférias.
38:08Eu me divirto.
38:10Todo dia
38:10eu me divirto.
38:12Eu me divirto
38:13só nas férias.
38:14Depois eu tenho
38:14minhas microférias,
38:16meu sábado,
38:17meu domingo
38:17e meus feriados.
38:19Sempre.
38:21Não consigo mais trabalhar.
38:23Por mais que eu leve
38:23trabalho para casa,
38:25minha mente
38:26não deixa eu pegar.
38:27Não consigo trabalhar.
38:28Porque eu tenho
38:29um longão de bike
38:30no sábado,
38:31um longão de corrida
38:33no domingo,
38:33tenho um aniversário,
38:34tenho uma festa
38:35e eu não consigo
38:37trabalhar.
38:38Então,
38:38sábado e domingo,
38:40zero trabalho.
38:41E as férias
38:42que todos temos
38:43de 15,
38:44o professor
38:44tem 45 dias
38:45de férias.
38:47Professor universitário
38:48e universidade pública
38:49tem 45 dias
38:50de férias
38:51que eu tiro
38:53religiosamente,
38:5315 dias,
38:56principalmente
38:56para competir
38:57e para passear.
38:59Normalmente,
39:00eu tiro férias,
39:01passeio um pouquinho,
39:02vou para uma grande competição,
39:04depois fico
39:05mais uma semana
39:06de férias,
39:07depois volto
39:08à minha rotina.
39:09Mas,
39:10acho que por isso
39:10que eu escrevi
39:13essa frase,
39:13a gente precisa criar,
39:16construir uma vida
39:18e não só
39:18uma carreira.
39:19Carreira é uma parte
39:21só da vida,
39:22mas não é o mais importante.
39:26Professor,
39:26muito obrigado
39:27pela sua presença,
39:28pelas dicas,
39:29muita saúde.
39:30Queria que o senhor
39:30encerrasse dizendo
39:31para a gente
39:31onde é que a gente
39:32pode encontrar informações
39:33da pré-venda,
39:34da venda do livro,
39:35tem algum Instagram?
39:37Tem o meu,
39:38eu tenho um site pessoal
39:39que eu construí agora,
39:41www.pedrovalfi.com.br,
39:44que vai ter mais
39:46as informações
39:46sobre o livro
39:47Eu Me Reinventei
39:48depois dos 50.
39:49E o Atlas de Manguezais
39:51do Pará,
39:52ele está em fase
39:53de impressão
39:55e a gente não vai poder
39:57lançar agora
39:58por causa do
39:58Defesa Eleitoral,
40:00que termina em 25 de outubro.
40:02E aí,
40:03depois do dia 25 de outubro,
40:04a gente vai marcar
40:05essa data de lançamento,
40:06que é uma iniciativa,
40:08é um livro
40:09que teve como iniciativa
40:10um projeto
40:11que é patrocinado
40:13pela Petrobras
40:14com a chancela
40:16da Secretaria Estadual
40:17de Meio Ambiente
40:18e Sustentabilidade.
40:20E aí,
40:21a gente vai fazer
40:21um grande lançamento
40:22que vai ser conduzido
40:23pela Secretaria Estadual
40:24de Meio Ambiente
40:25em outubro
40:27e a gente vai
40:28tornar isso público
40:30assim que a gente tiver
40:31essa data
40:31para compartilhar
40:33com a sociedade.
40:34Tá certo.
40:35Tá bom?
40:35A você que nos acompanhou
40:36até aqui,
40:37obrigado pela audiência.
40:38Tchau.
40:39Tchau.
40:40Tchau.
40:41Tchau.
40:42Tchau.