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  • há 9 horas
'Crescimento de Flávio tem muito a ver com a crise do STF', diz sócio da Real Time Big Data

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00:00Fica muito interessante, porque é uma eleição extremamente negativa, as pessoas estão votando menos por gostarem dos candidatos e mais
00:09para evitar que aquele que elas não gostam chegue no poder, então eu acho que esse sentimento faz com que
00:16o eleitor ficasse buscando durante todo esse período alguma alternativa que aparecia.
00:23Oi pessoal, eu sou a Verice Ortiz, repórter do Terra, e eu converso agora com o Bruno Soller, sócio da
00:29Real Time Big Data, sobre a última pesquisa presidencial publicada nessa quinta-feira. Bruno, queria agradecer a participação aqui com
00:38a gente.
00:39Imagina, obrigado a vocês pelo convite, é um prazer estar aí com todo mundo do Terra.
00:44Bruno, você acredita que a crise no STF e o ajuste do Bolsa Família às vésperas da eleição tiveram um
00:52impacto no resultado da pesquisa?
00:56Olha, com absoluta certeza a questão do STF, sim, tá? A gente tem visto, só fazendo um recorrido rápido, teve
01:05primeiro um momento com o Caiado, depois teve um momento com o Zema, depois o Renan Santos deu uma disparada,
01:13o Renan acabou se perdendo um pouco, me parece, quando ele foi para a grande mídia, com um discurso mais
01:20agressivo do que as pessoas estavam imaginando que ele pudesse fazer.
01:24Perdeu a mão da indignação para a agressividade, né? E depois acabou tendo aquele receptáculo de voto no Augusto Cury,
01:34né? Uma busca por uma alternativa.
01:37O fato é que nenhum desses candidatos conseguiu se sustentar nesse sentimento e nesse mesmo período você tem essa crise
01:49do Supremo Tribunal Federal gigantesca que acaba atingindo em cheio
01:54o status quo, não é nem o governo Lula, é o poder dominante, é quem tá na linha de frente,
02:01né? E quando esse eleitor que tava buscando alternativas, ele olha, ele não quer a continuidade do governo Lula e
02:09ele só enxerga
02:10o Flávio Bolsonaro como opção, acaba indo um voto útil para o Flávio Bolsonaro. Então esse crescimento que a gente
02:19tem visto nas últimas pesquisas em relação ao Flávio tem muito a ver com a crise do Supremo Tribunal Federal.
02:25A questão do Bolsa Família em si, me parece que ele já teve um efeito maior de represar um pouco
02:34do voto que o Lula estava perdendo nesse momento
02:37e é muito interessante a gente ver que, por exemplo, esse voto do Augusto Cury, quando ele bateu lá 10,
02:4511% em algumas pesquisas, a gente tinha um voto aí de classe média, classe média alta também indo pra
02:53ele.
02:53O que a gente percebeu é que esse voto de classe média, média alta, ele se dissipou completamente do Augusto
02:59Cury e foi pro Flávio Bolsonaro.
03:02Mas você tem ainda um voto de classe mais baixa, do até dois salários, que era um cara que poderia
03:08votar no Lula com mais facilidade, ainda escolhendo o Augusto Cury porque tá insatisfeito com o governo federal.
03:16Então, essa história do Bolsa Família pode ainda ser uma ferramenta pro Lula conversar com esse eleitor que tá com
03:27o Cury ainda e que poderia talvez voltar pro Linho, né?
03:31Voltar pro Lulismo.
03:34E que também pode ser importante pro segundo turno, porque o aumento em si deve ocorrer nesse interregno entre primeiro
03:42e segundo turno, né?
03:43Então daí você vai ter um efeito do dinheiro chegando mesmo nas pessoas, isso pode ter algum efeito.
03:48Mas, neste exato momento, o que mais pegou de mexer no processo eleitoral foi a crise do Supremo Tribunal Federal.
03:58Não tenha dúvida nenhuma, viu, Vanessa?
04:01Isso também se mescla um pouco com o sentimento de antipetismo, né?
04:06Que a gente já vinha observando nas últimas eleições, eu acho que pelo menos até ali o impeachment da Dilma,
04:15a gente tinha esse sentimento muito forte e ele veio seguindo, né?
04:21A gente pode também atribuir a isso.
04:24Também, não tem a dúvida, você tem um movimento muito forte, antipetista, antilulista principalmente, né?
04:32Tem um público aí que não quer mais a continuidade do presidente Lula.
04:36E eu só tenho uma certeza dessa história toda, dessa eleição, né?
04:41Uma eleição com tantas incertezas, mas uma eu tenho.
04:44É que se você tivesse tido um outro candidato de oposição que não fosse alguém com sobrenome Bolsonaro,
04:54que não fosse tão identificado com o bolsonarismo, mas que tivesse o apoio do bolsonarismo,
05:01essa eleição estaria acabada para o presidente Lula.
05:04Eu não tenho dúvida nenhuma disso.
05:05O que mantém ainda o Lula no jogo é uma rejeição forte ao bolsonarismo.
05:11Que isso faz com que num segundo turno você tenha um empate entre os dois.
05:15E vire essa grande guerra de rejeições.
05:18E daí eu tenho brincado com o pessoal de mercado financeiro,
05:20que o pessoal fala muito sobre o preço do dia, né?
05:24A gente está vivendo uma eleição de preço do dia, né?
05:28E a preço de hoje está um pouquinho melhor para o Flávio.
05:32Mas isso também pode se alterar com o passar do tempo.
05:36Dependendo de uma notícia que chegue, dependendo de uma operação que possa acontecer.
05:41Está todo mundo, desde o começo da eleição, falando,
05:43não, vai vir uma operação contra o Flávio Bolsonaro.
05:45Essa operação nunca chegou.
05:47Desde a Dark Horse lá, que aconteceu tudo aquilo que tinha acontecido,
05:50não veio mais nenhum grande fato novo contra o Flávio Bolsonaro.
05:54Mas no Brasil de hoje a gente tem que estar aberto a qualquer possibilidade, né?
06:01Ninguém sabe o que pode acontecer nesses dez dias faltantes.
06:04Mas o fato é que a preço de hoje, com essa crise toda do Supremo,
06:08e um governo que tem dificuldade em entregar melhoria real na vida das pessoas,
06:14que esse é o grande drama, né, Vanessa?
06:16A gente está há dez anos que o Brasil, que o brasileiro vive um sofrimento.
06:23Foi o final do governo Dilma, que a Dilma com uma altíssima rejeição.
06:27O governo Temer, que não aliviou em absolutamente nada a vida dessas pessoas.
06:32O governo Bolsonaro, com a crise da Covid também acontecendo,
06:38também não conseguiu provar nada.
06:40E o Lula, que vem com uma expectativa muito grande de parte do eleitorado,
06:45de que a vida fosse retomar aqueles patamares do início do século,
06:49também não consegue entregar essa melhora.
06:51Então, esses dez anos, essa década, vamos dizer assim, de desilusão,
06:55está sendo vista agora na seleção.
06:57E quando você tem dois representantes de algo que não surtiu efeito na vida das pessoas.
07:04Então, por isso, esse clima negativo que a gente está vivendo na seleção.
07:09É, e eu acho que tem uma questão.
07:11A gente estava até comentando na redação ontem, a respeito disso.
07:17Nessa eleição, a gente não teve nenhum candidato do PSDB, né?
07:20Assim, a presidência.
07:22Então, geralmente, pelo menos até a reeleição da Dilma,
07:28era um candidato de forte potencial e que fazia um equilíbrio entre extremismos, né?
07:35Digamos assim.
07:37Exatamente.
07:38Em 2018, a crise que atingiu o PSDB, inclusive,
07:43não vamos esquecer que em 2014 o candidato do PSDB era o Aécio Neves.
07:48E em 2018, com a Lava Jato, tudo o que aconteceu,
07:51o Aécio foi atingido diretamente.
07:53E o Alckmin foi candidato à presidência naquela eleição
07:56e acabou com 5% dos votos.
07:58Foi um desastre para o PSDB.
08:00E aquele voto anti-Lula que o PSDB recebia nas eleições anteriores
08:06acabou todo ele indo para o Jair Bolsonaro.
08:09E você teve uma nova polarização no Brasil surgindo
08:12com uma característica de um voto afirmativo, né?
08:16Tinha gente que gostava e defendia o Jair Bolsonaro.
08:21Diferentemente do que acontece com o Flávio.
08:23O Flávio não tem um voto afirmativo.
08:26Tem um voto de algumas pessoas que gostam do pai,
08:29que gostam do Jair e queriam...
08:32Na verdade, queriam votar no Jair Bolsonaro,
08:35mas com a situação dele não se pode.
08:37Estão escolhendo o filho.
08:38Mas muito mais esse voto que o Flávio tem recebido
08:41é um voto de quem não aguenta mais o governo Lula.
08:44E está buscando uma alternativa.
08:46E não é a alternativa do sonho das pessoas.
08:50Você percebe isso qualitativamente, isso é muito claro.
08:53Quando você faz os grupos qualitativos, mas é o que tem.
08:57Então as pessoas estão indo para um voto...
08:58Para derrotar o Lula, tem que votar no Flávio.
09:01E daí estão fazendo isso.
09:04Por isso que eu estou dizendo.
09:05Se a gente tivesse um candidato que fosse mais fácil desse voto vir...
09:09E daí eu te dou um exemplo claríssimo.
09:11Se fosse o Tarcísio de Freitas, o candidato à presidência da República,
09:15eu acho que o Lula teria uma dificuldade muito grande
09:18e com risco, inclusive, dessa eleição terminar em primeiro turno.
09:23É, então, eu até ia perguntar isso para você.
09:27Porque tanto o cenário do primeiro turno quanto do segundo
09:31mostram um empate técnico entre o Lula e o Flávio Bolsonaro.
09:36E eu queria te perguntar isso.
09:39Você acredita que existe um cenário ainda
09:42em que a gente possa ver essa eleição terminar no primeiro turno?
09:47Ou esse resultado ainda está muito em aberto?
09:51Olha, Vanessa, vamos lá.
09:53O Brasil não tem uma tradição, né?
09:56Desde que você tem o Lula no poder, de 2002 para frente.
10:02E vamos pensar 2006 como marco, que foi o final dos quatro primeiros anos.
10:08Você tinha um Lula com uma altíssima aprovação em 2006.
10:13E mesmo assim, a eleição acabou indo para o segundo turno.
10:19Eu acho muito pouco provável que ela termine em primeiro turno.
10:24Tem alguns colegas, inclusive, um que eu respeito muito,
10:27o professor Maurício Moura, do Ideia e Inteligência,
10:30que tem pregado muito que a seleção pode terminar no primeiro turno.
10:34Do ponto de vista matemático, ele tem sentido essa fala dele e tem cabimento.
10:44Mas eu acho que quando a gente olha qualitativamente
10:47e com o sentimento que a gente vê desse processo eleitoral,
10:52eu acho menos provável.
10:53Eu acho que vai ser uma eleição de segundo turno
10:55e um segundo turno extremamente reenido entre os dois candidatos.
11:00Não vai ser fácil.
11:01As rejeições são muito altas.
11:03Você olha a rejeição do Lula, está em 50% fechada na nossa pesquisa.
11:08A do Flávio em 49%.
11:09Ou seja, tem um empate de rejeições aí.
11:13Então, eu imagino que essa eleição vai ser uma eleição extremamente apertada,
11:18mas muito provavelmente definida em segundo turno mesmo.
11:21Até porque você tem uma grande quantidade de candidatos de terceira via
11:24e alguns que podem...
11:27Por exemplo, o Renan Santos, mesmo com essa queda que ele teve,
11:31você percebe que no eleitor de 16 a 34 anos, de classe mais alta,
11:37ele tem uma alta votação.
11:40Então, eu acho que ainda pode ter algumas surpresinhas aí nessa reta final
11:46de alguns deles terem um voto acima do que a gente está esperando.
11:50Pode ter um receptáculo aí de voto.
11:53Então, eu imagino que vai ter segundo turno.
11:56Eu não acredito que termine em primeiro, não.

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