00:00Pouco, o tiro não atingiu o coração do estudante.
00:04Eu nasci de novo, na verdade.
00:06Ele tem 14 anos, passou a noite no hospital, mora em Soteco, Vila Velha,
00:11onde durante um tiroteio no bairro, foi atingido por uma bala perdida.
00:15O adolescente saiu de casa de bicicleta, seguia para esta escola, onde pretendia jogar bola.
00:22Bem aqui que a programação do garoto foi interrompida pela violência.
00:39O pai dele tem 53 anos, é montador de imóveis, havia acabado de chegar em casa,
00:45só teve tempo de tirar a camisa e os sapatos, quando ouviu amigos do filho o chamando no portão.
00:52Foram eles que deram a notícia.
01:01O pai conta que o que mais o comoveu foi o pedido do filho.
01:05O pai, não deixa eu morrer.
01:08Minha preocupação maior quando eu vi foi quando eu vi aquela marca de bala no peito dele.
01:12Se não tem como identificar de noite, se ela penetrou ou não penetrou, aí a preocupação maior.
01:17E ele gritando, pai, gritando muito, pedindo, falando não deixa eu morrer.
01:20A mulher dele entrou em desespero ao saber do que havia ocorrido.
01:24Eu achei a princípio que ele tinha sido atropelado, né, de bicicleta, né, e depois de passar uma hora, mais
01:32ou menos,
01:32a minha filha ligou e falou que ele tinha sido baleado.
01:34Aí eu me desesperei, falei pronto, perdi meu filho, né, porque um tiro, né, mexe com a gente, né, um
01:41tiro é um tiro, né.
01:42Para o adolescente, só há uma explicação por ele ter sobrevivido.
01:46É, Deus deu um livramento, né.
01:49Os pais dele ainda não definiram o futuro da família, mas pedem providências ao poder público.
01:54Eu peço que eles façam a lei mais dura.
01:58Infelizmente, os cidadãos que atitam atirando à vontade, pense melhor no povo sofrido, está trabalhando dia a dia, está pagando
02:05seus expostos.
02:06É muito grande a criminalidade, pouca polícia para tanta criminalidade.
02:11Eu não sei o que tem que ser feito, eu sei que tem que traçar uma medida, né, lá do
02:15governo,
02:16para ver o que faz para estar acabando com essa criminalidade, porque senão pessoas que não são criminosas,
02:22que não têm uma vida errada, como o meu filho e muitas outras que já vêm morrendo, estão morrendo inocentemente.