- há 2 horas
Grupo de amigos ficou preso em um sítio, em Viana, durante chuva forte que atingiu o município durante o último final de semana
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00:00Olha, aqui comigo no estúdio está uma das pessoas que estava nesse sítio aí em Viana,
00:03nesta casa, é o Anderson Siqueira Barbosa, quem também está aqui com a gente,
00:08é o Tenente Coronel do Corpo de Bombeiros, Carlos Wagner.
00:10Boa tarde, bem-vindos ao Fala Espírito Santo.
00:14Que desespero só de olhar as imagens.
00:17Imagina estar ali dentro, né?
00:19É verdade, é verdade.
00:20Como é que foi?
00:22Então, nós alugamos esse sítio para passar um final de semana maravilhoso,
00:27porque foram oito famílias, né?
00:30Que é como se fosse da minha família, né?
00:33E nós estávamos ali brincando, né?
00:36Curtindo o fim de semana, né?
00:38No entanto que a minha filha, ela foi primeiro na sexta-feira,
00:42porque eu e minha esposa, nós trabalhamos no sábado,
00:45e tiramos o domingo pela parte da manhã para poder estar ali presentes com eles,
00:50participando daquele evento, né?
00:54E brincamos, né?
00:55Por volta até de duas horas da tarde,
00:57e algumas famílias, elas começaram a se dispersar do local, né?
01:02E nós ficamos, por final, eu e o meu amigo...
01:05Então, vocês estavam em oito famílias.
01:07Sim.
01:07E aí, passando o fim de semana, estava tudo bem.
01:10Sim.
01:10E aí, logo cedo, algumas famílias começaram a ir embora.
01:14Sim.
01:14E você e a sua família ficou, e mais uma outra família?
01:17Mais uma outra família, e a família do caseiro que ficou naquele local, né?
01:22Aham.
01:22E o meu carro, ele estava na via de cima, né?
01:26Beirando a encosta de um morro, e a casa desse sítio, ela fica na parte de baixo.
01:31Quando começou a chover, né, eu fui até a parte de cima para poder pegar o carro,
01:38para descer com o carro para pegar as crianças e levar até a tupique na parte de cima, né?
01:42Foi quando eu vim descendo de ré, porque não tinha como manobrar lá embaixo, direito,
01:47e eu vim descendo de ré.
01:49Na hora que eu olhei para a frente, que eu me assustei com aquilo, vindo na minha direção,
01:53eu falei assim, e agora, o que eu vou fazer, né?
01:56Vim descendo muita pedra, muita água, árvore, foi terrível, foi desesperador naquele momento.
02:03A gente fica, né, Tenente Coronel, sem saber o que fazer numa situação como essa.
02:07Porque imagina só, ele estava ali dentro do carro para tirar o veículo,
02:10você olha e vê aquela enxurrada, né?
02:12Vindo aquela água com uma força, arrastando tudo, né?
02:15O que faz numa hora dessa?
02:16Uma hora dessa, o ideal era ter permanecido dentro de casa, era não ter saído.
02:21Porque apesar de todo o sufoco que vem, de todo o desespero, de toda a força da água,
02:27a casa é um local mais seguro, onde você tem concreto, você tem ferragem,
02:31você tem uma estrutura que comporta aquela força.
02:35Quando a gente sai para fora da casa, nós nos tornamos muito vulneráveis à ação da água.
02:42Mesmo o carro, porque ela começa a levantar, ela levanta o carro também.
02:46E o carro fica meio que flutuando na água.
02:48Então, ele não tem mais condições de traçar a direção do automóvel.
02:52Ele vai para a direita, para a esquerda, para a frente, para trás.
02:54E muitas vezes acaba ocorrendo até em fatalidades, em virtude disso.
02:58Inclusive, a gente teve aí a morte, mostramos agora uma reportagem no Balanço Geral,
03:02encerrando ali o Balanço Geral, um trecho da reportagem de um homem que foi arrastado.
03:07Ele foi ajudar um colega, foi ajudar um amigo e acabou arrastado pela força da água, pela correnteza.
03:13É porque muitas vezes a gente não percebe a força que a água tem.
03:16Mesmo ela na altura do joelho, ela exerce uma força muito grande sobre o corpo humano.
03:22E muitas vezes, se você não tiver um local para se sustentar, para se ancorar, você acaba sendo levado.
03:28E nessa que você vai levado, um tronco pode bater em você, você pode se acidentar,
03:32quebrar uma perna, ter um traumatismo craniano, desmaiar naquela água e, consequentemente, morrer afogado.
03:37Pois é, ainda bem que deu tudo certo, né?
03:40Porque aí, quando você estava dentro do carro, viu aquela água toda vir, como é que foi?
03:44Você saiu, desceu, foi para dentro da casa?
03:46Então, eu não consegui sair porque as pedras que rolaram, elas travaram a porta do carro.
03:51Então, eu fiquei sem saber o que fazer naquele momento.
03:54E eu não sabia o grau de magnitude que estava acontecendo também dentro da casa,
03:58porque eu ouvia as pessoas gritar, né?
04:02No entanto, que na imagem que aparece no vídeo, a minha esposa gritando,
04:06sai do carro, sai do carro, sai do carro.
04:08Eu tentei sair do carro, mas só que eu não consegui.
04:10Foi aonde eu consegui ligar o carro, girar o volante sentido a casa,
04:16na hora que o carro balançou, foi aonde a pedra rolou, né?
04:19E eu consegui destravar a porta do carro.
04:22E aí que você saiu e foi para dentro da casa?
04:25E foi uma outra dificuldade de ter saído, porque quando eu pisei na enchente,
04:31eu tenho várias escoriações na perna, de várias pedras que bateram em mim,
04:36eu escorreguei, segurei ainda num pé de palmeiras que estava localizado do lado de uma casa de jogos que tinha
04:44de lá.
04:45Se não tivesse aquele pé de palmeiras, eu tinha descido o rio abaixo,
04:47porque logo abaixo da piscina...
04:49Deus do céu!
04:50...tem um rio, né, que passa ao lado do sítio, né?
04:54Então, a vazão da água estava em um sono, é como se fosse um funil.
04:58Gente, agora assim, você passando por aquilo e sua esposa também vendo?
05:02Sim, foi...
05:03Olha o desespero, você vê que no vídeo, a gente não sei se tem aí no ponto a parte que
05:09você consegue colocar no par,
05:10ela gritando, né, te chamando, ou seja, ela estava ali te vendo, né?
05:14Sim, e ao mesmo tempo que ela estava gritando, eu também estava tentando sair de dentro do carro,
05:19porém eu não conseguia, não conseguia porque as portas eram elétricas, né,
05:25e o carro tinha morrido, a minha sorte é que eu consegui ligar o carro novamente e...
05:32Olha, vamos ouvir um pouquinho aí, acho que esse é um dos vídeos, né, a gente recebeu alguns.
05:37É esse carro que você estava?
05:39Esse carro aí.
05:40Ali onde você estava?
05:41Isso.
05:42E ele estava na porta mesmo ali, né, do sítio.
05:45Mas olha a força da água passando ali pela roda, né?
05:48Olha, se você observar, aquela pessoa que estava na grade ali,
05:51ela também correu risco muito grande de ser arrastada pela água.
05:53Perigo também de estar ali, né?
05:55Exatamente, não poderia estar ali de jeito nenhum.
05:56Olha a força da água, a gente não consegue suportar.
05:58E eu agradeço a esse rapaz aí, né, por ele ter...
06:03Ele também se feriu, ele entrou dentro da água para tentar abrir a porta do carro.
06:07Para que você saísse.
06:08Para que eu pudesse sair.
06:10Gente, aí você conseguiu finalmente sair, vocês dois se machucaram ali.
06:17E olha, inclusive ele conseguiu, como é que é o nome dele?
06:20Silmar.
06:20O Silmar está chegando aqui no estúdio, já vamos colocar aqui o microfone nele.
06:24Silmar deu tempo de vir aqui, estar aqui com a gente também.
06:27Já, já a gente vai receber aqui no estúdio o Silmar também para contar um pouquinho
06:31de como é que foi esse drama.
06:33Porque assim, enquanto vocês estavam ali, estava a família dentro de casa.
06:37Sim.
06:37E vocês tinham se programado para passar alguns dias, né?
06:40Dois dias, um fim de semana.
06:41Isso.
06:41Já não tinha mais, por exemplo, comida suficiente, vocês precisassem ficar lá.
06:46E o momento mais desesperador foi quando foi anoitecendo, a chuva foi ficando mais intensa,
06:55a água, ela lagou a parte de baixo da casa.
06:59Nossa sorte que a casa é de dois andares.
07:02A minha esposa mais a amiga, a amiga dela, a Pamela, conseguiu subir com as crianças, né?
07:09E ali a água foi tomando, tomando.
07:12Então, quer dizer, chegou um determinado momento que acabou a energia, por volta de nove para dez horas da noite.
07:20E olha, nós entramos, um colega de vocês que estava, foi o último a sair, entrou em contato com a
07:25gente,
07:25mandou o vídeo, ontem até exibir alguns vídeos já, que vocês registraram, vocês chegaram a ficar também sem sinal,
07:31sem conseguir se comunicar com as outras pessoas, né?
07:34Até para pedir um socorro.
07:35Sim, sim.
07:36Nós, nem com as autoridades, né?
07:39Civil, militar, bombeiro, não tinha sinal de ponto para que a gente pudesse entrar em contato com essas autoridades, né?
07:49E naquele caso ali é um risco muito grande, porque a água começou a entrar dentro de casa
07:53e aí ela vai atingir muitas vezes circuitos elétricos que podem provocar uma descarga elétrica em quem está em contato
08:00com a água.
08:01Por isso que em situações como essa daí, as pessoas que viverem, porque nós estamos ainda com chuva, Juliana,
08:07prevista para hoje, para amanhã e também para quinta.
08:10A princípio seria até amanhã, né? Quarta-feira. Agora já vai até quinta essa previsão de chuva.
08:15E a previsão era mais moderada. Agora quarta e quinta, o mapa do Espírito Santo está todo como área de
08:20risco.
08:21Ou seja, se acontecer situações como aquela ali, as pessoas devem procurar locais mais altos,
08:26evitar o contato com a água, porque se ela entrar em contato com as instalações elétricas,
08:31pode sim ter uma descarga elétrica e, consequentemente, uma vítima fatal em virtude.
08:37Aproveitando o que o nosso amigo está falando aqui, a minha esposa tomou uma descarga elétrica.
08:43Olha aí.
08:44A minha esposa, ela tomou. No entanto, que ela estava conversando com alguém do bombeiro,
08:48ela chegou a dar um grito a partir do momento que ela tomou a descarga elétrica.
08:51A sorte é que a descarga elétrica não foi tão forte de chegar ao ponto de fazer com que ela
08:55desmaiasse,
08:56caísse dentro d'água.
08:57Sim.
08:59E, ó, Silmar, já está agora com o microfone do Boa Tarde.
09:02Boa Tarde.
09:03Agradeço o senhor ter vindo aqui.
09:05A gente está ali mostrando imagens e é o senhor ali que aparece, né?
09:08Nas imagens do vídeo.
09:09O Anderson estava contando que ele estava dentro do carro e você ali, para ajudá-lo, inclusive, se machucou ali.
09:15É, foi a questão do machucar.
09:18Mas foi uma hora que eu fui tentar abrir a porta e sair, veio muita pedra, né?
09:24E eu gritei para ele sair, que não tinha como.
09:27E os machucados foram mais porque, quando amanheceu o dia, nós vimos que estava sem sinal e sem celular.
09:36Aí eu me preocupei mais pelas pessoas que estavam aqui, que não tinham contato e nem tinham contato com nós,
09:42né?
09:42Aí deu umas oito horas, não voltava, eu fui lá para a ponte, eu vi que estava tudo alagado e
09:47eu peguei e comecei a subir morro.
09:49Comecei a subir morro, subir morro, acho que eu andei uns quatro quilômetros,
09:53até para avisar um pessoal, que tinha um casal que deixou os filhos dele, acho que ela tem sete anos,
09:58né?
09:58Sim.
09:59Uma menina de sete anos com nós.
10:00E eles ficaram para frente.
10:02O pai queria voltar à noite, que entrou em desespero, queria voltar, falei, rapaz, não tem como.
10:06Aí, quer dizer, naquele... que deu aquele VUC lá que começou a cair, nós pedimos sinal e eles ficaram sem
10:12saber o que estava acontecendo,
10:13não conseguiam falar mais com nós.
10:15Eu subi no morro lá para tentar acalmar eles, né?
10:18Entrar em contato com a família, para falar, nós estamos bem, só que nós estamos sem sinal, sem água, sem
10:22comida, né?
10:23Não tinha como se locomover, não tinha como passar.
10:26E foi a partir daí que vocês conseguiram avisar e pedir até o resgate.
10:31A gente tem imagens, imagens também do resgate, porque o Anderson Silmar estava entre as onze pessoas
10:36resgatadas de helicóptero no município de Viana.
10:39A família do Anderson e do Silmar, que estavam ali isoladas no distrito de Baianova, que fica na área rural,
10:45foram retiradas pelo helicóptero do Nota Air.
10:48No total, onze pessoas foram transportadas para a sede de Viana.
10:52Nessas imagens, a gente tem mais, vamos mostrar aí, feitas também do alto.
10:57Dá para ver como é que ficou o distrito, gente.
10:59Ele ficou completamente tomado pela água, pela lama, as famílias que estavam ilhadas.
11:05Mas está todo mundo em insegurança, viu?
11:07Os cuidados também da defesa civil.
11:10Essas imagens chamam a atenção para a gente.
11:11Ou seja, foi muito trabalho, né, Tenente Coronel?
11:14Porque assim, não era ocorrência só em Viana.
11:17Tinha outros pontos também, né?
11:18No estado todo.
11:20Principalmente na região metropolitana e na região sul do estado.
11:25Nesse momento aí que essa ocorrência entrou, a gente pediu o apoio do Nota Air para poder fazer esse resgate.
11:31Por quê?
11:31Porque não dava para chegar de carro.
11:32E de barco a gente ia demorar muito, ou seja, muita dificuldade de acesso e só poderia ser feito de
11:38forma aérea.
11:40Esse foi um dos resgates que foram feitos, dos vários outros que nós fizemos nesse período.
11:47E situação complicada viveram o Anderson e o Silmar num fim de semana que estava bacana, estava divertido, virou um
11:55medo danado, uma tensão danada, né?
11:57Um transtorno.
11:57Só não chegou a ser uma tragédia porque Deus não quis, né?
12:02E aproveitando, Juliana, né, em cima do que o meu amigo Silmar falou, eu gostaria um pouco mais de atenção,
12:09né, das autoridades,
12:12autoridades que eu digo assim, da prefeitura, né, que olhem por aquele povo que está lá.
12:18Porque eu vou falar uma coisa, se não fosse o trabalho da polícia militar, do corpo de bombeiro e da
12:25defesa civil,
12:27eu acredito que nós não iríamos sair de lá, porque a situação lá está feia, né?
12:33E aproveitando, gostaria que a prefeitura desse uma atenção para a gente, né, para que a gente pudesse rever os
12:41nossos bens de volta.
12:43No caso, seria a atopia do meu amigo Silmar, que ele depende daquilo ali para trabalho, né?
12:48O meu carro que ficou lá praticamente abandonado, para que eu possa levar ele para uma mecânica, para poder consertar,
12:57porque a gente já trabalha, a gente já somos uma pessoa humilde e vê o nosso bem sendo, assim, devastado
13:04de uma forma, assim, tão complicada.
13:08Isso é muito difícil, né? O senhor estava falando que o trabalho também, o seu transporte ficou lá, né?
13:12No caso, a Havana é um micro-ondes que eu uso para transporte e colar, né?
13:16Ela ficou no local lá porque não tem como tirar.
13:20Até o acesso que nós estávamos, nós estávamos mais no alto, né?
13:24É uma estrada de chão.
13:26Conversamos com o pessoal lá que mora lá embaixo, eles falaram que se a prefeitura limpar, eles limpariam só embaixo,
13:32porque lá para cima eles não vão, né?
13:34Que foi uma área bem mais devastada lá em cima, lá, entendeu?
13:38No caso, eu cheguei aqui, eu ia alugar um outro carro, né?
13:41Que eu trabalho com o particular.
13:43Até mesmo os pais dos alunos ficaram sem entender o que aconteceu,
13:47porque ontem eu não apareci para pegar ninguém, na hora de meio-dia buscar.
13:52Foram na minha casa, não me viram, não acharam o van, entendeu?
13:55Foi um muito transtorno, entendeu? Muita preocupação mesmo entre...
14:00Nesses momentos, olha, está ali a imagem de você ali em pé, diante dessa água toda, vindo.
14:05Qual era a sensação, Marcos, você teve?
14:08Olha, a minha sensação, além daquele momento ali, eu vou falar assim, eu não sabia se eu socorria a ele
14:13ou os meninos que estavam na casa.
14:16Porque ele estava com o meu filho de 4 anos, a Letícia e a outra maior adolescente.
14:20Aquele momento ali, estava na sala, só que a água começou a entrar na sala e começou a subir rapidamente,
14:25ele estava dentro do carro, né?
14:27Foi a hora que eu tentei abrir, que eu tomei a perda, voltei, consegui ir lá na sala, pegar os
14:31vinhos, levar lá para o segundo andar, né?
14:33A nossa, graças a Deus, teve esse segundo andar ali, né? Que pudemos ficar ali.
14:38No caso, quando ela estava falando com o capitão do bombeiro, ela desceu, ela pisou na água e começou a
14:42dar choque.
14:43Eu comecei a puxar os bancos, né? Para poder ter acesso, para passar para subir.
14:47E a água veio, começou a tampar os bancos, as mesas e precisamos ficar todo mundo em cima do térreo
14:53ali, que foi muito pavoroso, foi muito tenso mesmo.
14:57E as crianças, como é que elas estavam assim na hora?
14:59Porque a gente adulto, mesmo no desespero, a gente tem uma compreensão melhor das coisas e até tenta se acalmar,
15:06agora criança.
15:07Então, no começo, elas vieram ali, elas começaram a chorar, né?
15:11As mulheres começaram a chorar, a esposa entrou muito em ponto porque viu ele dentro do carro, não conseguia sair,
15:17né?
15:17Que é de um monte de pedra.
15:19As crianças estavam chorando e eu consegui levar lá para cima, aí tinha uma adolescente maior, né?
15:22Ficamos no quarto, damos, tinha um tablet lá, onde eles começaram a se enterter ali, né?
15:29Para tirar a atenção daquela chuva, né?
15:32Isso, depois, mais à tarde, quando a água baixou, aí nós descemos com eles, explicamos para eles, mostramos, né?
15:36Para eles e foi aí, depois, à noite, quando foi que acabou a energia, acabou tudo, que foi mais uma
15:42vez tudo no escuro, elas começaram a gritar, né?
15:45Até que nós conseguimos minimizar lá com vela lá, que nós achamos, né?
15:51Procuramos lá e nós conseguimos achar vela dentro de casa, nos quartos em cima.
15:54Pois é, porque assim, esse também é um grande problema, né?
15:57Porque assim, você fica sem comunicação, você não tem luz em casa, você não consegue nem saber se vai ser
16:03socorrido, quando que vai ser.
16:05Não, nós estávamos nesse sato aí, tipo assim, com quem não falar, como falar, como vão sair daqui, que não
16:10tinha como sair, não tinha para onde ir.
16:12E aí você começa a olhar, olha, a gente levou comida para hoje, estava todo mundo indo embora, a gente
16:17estava aqui, ó, com a bolsinha pronta para sair de casa, ou seja, não consigo falar com ninguém, não sei
16:22se as pessoas vão entender que a gente está preso, né?
16:25Porque ainda bem que vocês também tinham uns amigos que tinham saído um pouco antes e estavam à espera de
16:29que vocês saíssem.
16:30Mas assim, até realmente conseguir entender que vocês estão ali, que vocês estão presos, olha o tempo que não poderia
16:36passar, né?
16:37Vocês ficavam com esse medo?
16:38Sim, para a nossa sorte, a minha esposa, antes de acontecer essa situação, ela tinha separado porque nós fizemos uma
16:47compra, né?
16:47Até legal para que todo mundo participasse desse evento, sobrou, então cada um fez a sua repartição para poder levar
16:57para a sua casa, né?
16:58Minha esposa saiu pegando pós-café, pegou biscoito, saiu pegando algumas coisas que, né? Foi na divisão.
17:05E depois que aconteceu esse negócio, quer dizer, deu para amenizar aquele, pelo menos...
17:10Era esse o suprimento que vocês tinham, né?
17:13Para ficar, não sabia quanto tempo, né?
17:15Sim, sim, é verdade.
17:17E assim como eles, tem muitas pessoas que acabam ficando presas em casa.
17:21A gente tem imagens também, não sei se a gente pode colocar aí no ponto, uma imagem de um outro
17:25resgate que foi feito até pelo corpo de bombeiros, um cadeirante, gente.
17:29Ele precisou ser resgatado.
17:32Está aí as imagens.
17:33Eu pedi para colocar as informações aí no ponto para mim.
17:35Olha, ele foi socorrido, ele estava dentro de casa, que fica na Barra do Jucu, em Vila Velha.
17:41Nessas imagens, vocês conseguem ver o momento em que o senhor, que se move por cadeira de rosa, ele é
17:45retirado da casa por uma equipe dos bombeiros.
17:48Foi preciso colocá-lo num barco para fazer esse transporte.
17:52O resgate aconteceu ontem, o que também deu um trabalho.
17:56Foi preciso uma dedicação aí dos bombeiros para conseguir retirá-lo de casa, né, Tenente Coronel?
18:01É verdade. Situações como essas foram corriqueiras.
18:05Muitas pessoas acamadas, muitas pessoas com dificuldade de locomoção, muitas crianças.
18:10Situação que aconteceu com os amigos aqui no sítio, ali em Viana, ela aconteceu também em Alfredo Chaves, ela aconteceu
18:17em Anchieta, ela aconteceu em Cachoeira do Itapemirim, aconteceu em vários outros locais do estado.
18:23Tanto que nós estamos aqui, Juliano, com 547 pessoas fora de casa, sendo que 180 estão em abrigos públicos porque
18:32teve uma destruição quase que completa dos seus imóveis.
18:35Duas pessoas feridas em Conha e uma pessoa morta em Cariacica.
18:41E ainda há mais chuva e nós precisamos dar um alerta importante.
18:45Situações como essa vivida por eles aqui, não saia de casa.
18:49Acha um local seguro dentro de casa, um local mais alto, permaneça ali.
18:54Porque se você sai de casa, a força da água acaba te derrubando, derrubando seu filho.
18:58E muitas vezes esse processo de queda pode ser fatal.
19:03E muitas vezes acontecem mortes de famílias inteiras, e isso já aconteceu em várias outras partes do Brasil, pessoas que
19:11saíram em meio à água buscando sair daquele momento de desespero e acabaram morrendo.
19:16O mais importante é manter a calma, a tranquilidade, mesmo sabendo que o momento é de desespero, de angústia, mas
19:23a calma é a prevenção que vai fazer você sobreviver.
19:26Pois é, olha, deixa eu, eu vou ter que liberar aqui o antes, que eles precisam voltar para o trabalho,
19:31né?
19:31Sim, sim.
19:31Queria agradecer muito a sua presença aqui, contando um pouquinho dessa experiência que vocês passaram.
19:36Que bom que terminou tudo bem, alguns machucados na perna, alguns ferimentos, mas está todo mundo bem.
19:41As duas, as famílias de vocês já em casa, né? Sãs e salvas.
19:45Graças a Deus, muito obrigado pela oportunidade de estar aqui, né?
19:50Ajudando também aquelas pessoas lá por intermédio de um canal de transmissão, né?
19:54Eu acredito que agora, através de estar aparecendo nas imagens, a prefeitura, ela vai estar dando um apoio àquelas famílias.
20:03Olha com mais atenção e carinho, né?
20:04Para essa população.
20:06Isso mesmo.
20:06Eu queria agradecer também por você ter vindo aqui, que bom que deu tempo da gente bater um papo.
20:10Parabéns pela dedicação que o senhor teve, conseguiu controlar a situação.
20:14Eu só queria tirar dúvidas, Juliana.
20:15Claro.
20:15É tipo assim, eu não sei quem eu posso, igual ele falou da prefeitura, só que o meu caso lá,
20:20eu não sei quem eu posso recorrer lá, para estar tirando a van de lá, limpando aquele pedaço de estrada
20:26lá.
20:26Porque ele falou que lá não é área particular, a estrada lá para cima, né?
20:30Porque tem o pessoal que sobe lá em cima, mas bom que o outro lado.
20:32Onde o seu veículo está é um terreno particular.
20:33Isso, é particular.
20:35A estrada, ela acessa para o outro lado, só que o pessoal já desce para lá.
20:39Também não tem como, nem descer, nem subir.
20:41O caminho não está tendo passagem por agora?
20:42Não tem, aí no caso tem que ter aquela limpeza ali para mim tirar o meu carro, né?
20:46Porque eu estou, assim, tendo um gasto com aluguel de uma van, né?
20:50Muito grande, que o cara paga por dia, e meu carro parado.
20:53Eu falei, não sei quem eu recorrer para...
20:56E estradas ali, geralmente com prefeitura, né?
20:59Dentro do município, nada de sinal.
21:01Não cabe mais ser terreno particular, assim, não é?
21:03Não, então eu não sei com quem eu procuro, com a prefeitura, onde, com quem falar.
21:06É Viana ali, não é?
21:07É Viana ali.
21:08É Viana ali.
21:08É prefeitura de Viana.
21:09Vou pedir para a minha produção também tentar ajudar o senhor a gente descobrir qual
21:13é o canal ali, se eu ligar, para tentar fazer a retirada do veículo, viu?
21:17Ok, então.