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  • há 13 horas
Uma mulher que está grávida fugiu de casa por não aguentar mais apanhar do marido. Segundo a vítima, o homem é viciado em drogas e as agressões eram constantes.

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Transcrição
00:05O barrigão é de oito meses.
00:09A mulher carrega no ventre uma menina que quando nascer vai se chamar Radassa.
00:19A história que você vai acompanhar nesta reportagem é o caso de uma mulher de 33 anos.
00:26Ela está grávida de oito meses.
00:30Segundo ela, desde o meio do ano passado, ela passou a viver nas ruas grávida.
00:37É que segundo ela, mantinha um relacionamento com um homem lá no norte do Espírito Santo.
00:44Só que o relacionamento não deu mais certo e segundo esta mulher, ele colocou ela na rua.
00:50Ela então saiu da região norte e veio aqui para a região metropolitana.
00:59Um dos motivos da separação, segundo ela, foi o vício do marido em drogas e as agressões também.
01:07Ai, me deu um chute aí, eu caí, entendeu?
01:10Eu grávida, né? Batei, não é grávida, assim?
01:13Como é que era o relacionamento de vocês antes de vocês se separarem?
01:18É, era bem, né? Mas depois ele ficou violento, assim, né? De uma hora pra outra, assim.
01:24Ele ficava muito agitado, assim, não tem. Por causa, né, como doaram, se conheci, né?
01:29Foi um ano tentando manter o relacionamento em pé, lá no norte do estado.
01:35Sem aguentar a agressividade do companheiro, a mulher resolveu vir para a Vila Velha,
01:41onde tem alguns parentes, mas tem medo de ficar por lá.
01:46Por causa, né, do meu ex-companheiro, aí dá problema pra mim, entendeu?
01:53De eu ir pra lá e eu fico medo das pessoas me, né? Ficar perguntando, né?
01:58Perambulando pelas ruas da Grande Vitória o dia inteiro, à noite, vive no meio de outras pessoas,
02:05em situação de rua. Gente que ela nunca viu na vida.
02:10Ah, né? É bom não passar frio, friagem, quando não quer comer, tem que ficar pedindo os outros, né?
02:15Ajuda os outros.
02:16Sem falar do medo que ela tem.
02:19Corre o risco, né? Eu passar mal de hora pra outra, com oito meses, né?
02:23Passar mal de hora pra outra e corre risco também, né?
02:26Um monte de, né? Ficar no meio de um monte de gente, assim, né?
02:29É muito perigoso na hora de dormir.
02:32O povo passa hoje em dia, assim, né?
02:35Matar a pessoa dormindo, jogar algo, fazer isso, aquilo, né?
02:37Aí é muito difícil mesmo.
02:40A mulher já ficou num abrigo em Vila Velha, mas não quer viver por lá.
02:45Tem receio.
02:46Desde que veio parar nas ruas aqui da Grande Vitória,
02:50essa mulher grávida fica cada dia num lugar.
02:54Vai pra um abrigo, vai pra outro, mas ela quer mesmo é ficar aqui na capital Vitória.
03:00E é justamente na capital que ela encontra dificuldades de encontrar um abrigo.
03:07No começo da grávida eu consegui em Vila Velha,
03:09aí só que aí tive que sair de lá, né?
03:12Porque não deu pra mim ficar lá, porque não posso ir pra lá, né?
03:15Tô correndo risco pra lá.
03:17Aí eu tô correndo risco, não posso ir pra lá.
03:19Aí eu tô tentando conseguir aqui na Grande Vitória.
03:23Só quem sabe que não tem válido, não sei o quê.
03:29A mulher está prestes a ganhar o bebê.
03:32Mesmo morando na rua, tem conseguido fazer o acompanhamento médico
03:36com uma equipe da abordagem de rua em Vitória.
03:59Enquanto isso, o jeito é dormir cada dia num lugar diferente.
04:05Hora num quiosque, hora debaixo de uma ponte.
04:09Apesar das dificuldades, ela diz receber ajuda de muitas pessoas.
04:15Muita gente, assim, até que me ajuda, né?
04:17Porque eu não tô gestando, eu só fico dó, né?
04:19Aí as pessoas ajudam, né?
04:21Entendeu?
04:22Segundo ela, o desejo é de criar a filha.
04:26Eu vou ficar, vou criar até seis meses, depois eu corro a casa de emprego.
04:30Vou ficar, não vou dar pra mim, não.
04:31O filho faz falta, né?
04:32O filho também não é cachorro pra gente dar, né?
04:34Amanhã depois vai me fazer falta de um companheiro do meu lado pra cuidar de mim, né?
04:40Porque o filho cuida da gente, né?
04:41A gente cuida deles e por isso cuida da gente, né?
04:43A capixaba está prestes a dar à luz.
04:46E não tem quase nada.
04:48Só tenho umas roupas e ganho umas flautas só.
04:53Mas não tenho mais nada, assim.
04:54Nem bolsa, nem luvinha, né?
04:58Nem essas coisinhas que o neném usa, né?
05:01Carrinha, essas coisas, não tenho nada.
05:03Ela e a criança precisam de ajuda.
05:06Tô precisando, né?
05:07O que vem tá bem-vindo.
05:09Se não poupa muito, eu não escolho não, tá indo.
05:11Eu sou simples, é...
05:12O que vem já tá me ajudando.
05:14Não precisa, assim, muita coisa, assim, não.
05:16Carrinho, é...
05:17Mais roupinha, sapatinho, entendeu?
05:22E coelho, mantilha, né?
05:24Essas coisas que queria essa garça, né?
05:25De acordo com a mulher, ela está sozinha no mundo.
05:30Mas ela tem um sonho.
05:32O de um dia mudar de vida.
05:35E quem sabe, construir uma família.
05:38Seguir sozinha, amanhã ou depois, né?
05:41Arrumar uma pessoa melhor pra mim.
05:44Primeiro eu vou trabalhar, cuidar da minha filha.
05:46Amanhã ou depois, uma pessoa mais velha pra mim,
05:49tem uma pessoa de valor, coisa assim, pra me dar valor.
05:51Porque a gente tem que arrumar uma pessoa pra dar valor a gente, né?
05:54Porque se, igual...
05:56Depois que a gente chegar pra casa, a gente vai saber.
05:58Se eu não arrumar ninguém pra me dar...
06:00Se eu não der valor, quem vai dar, né?
06:02Se eu não der valor, quem vai dar, né?
06:02Se eu não der valor, quem vai dar, né?
06:02Se eu não der valor, quem vai dar, né?
06:02Se eu não der valor, quem vai dar, né?
06:02Se eu der valor, quem vai dar, né?
06:03Se eu der valor, quem vai dar, né?
06:03Se eu der valor, quem vai dar, né?
06:04Se eu der valor, quem vai dar, né?
06:05Obrigado.

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