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  • há 3 semanas
Neste ano, para centenas de profissionais da saúde passar o Dia dos Mães longe dos filhos é um gesto de amor. Duas delas falam sobre essa experiência

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Transcrição
00:00Bem, aqui hoje no estúdio eu recebo duas mães que precisaram deixar os filhos para ajudar no combate à Covid
00:06-19.
00:06Elas trabalham dentro de hospitais em Vitória.
00:09A médica intensivista Marcela Vieira e a técnica em enfermagem Valesca Paixão.
00:14Bem-vindas ao Fala Espírito Santo. Obrigada por estarem aqui hoje.
00:19Marcela, vamos começar aqui com você. Como é que é o trabalho? Como é que está sendo esse dia a
00:23dia no hospital?
00:24É, Juliana, está muito exaustivo. As equipes estão se empenhando bastante em trabalhar.
00:31Muitos profissionais estão adoecendo e acaba sobrecarregando a equipe.
00:35Foi o caso da Valesca, né? Você contraiu o coronavírus?
00:38Foi, eu contraí. Foi contaminada no dia 15 de abril.
00:46Eu tive o primeiro sintoma. Tive um dia de trabalho normal. Trabalhei normal.
00:53E ao ir para casa eu comecei a ter febre, dor de cabeça.
00:59E assim, é tudo muito assustador, né?
01:01Porque nós lidamos ali com a saúde, o cuidar.
01:07É assustador você aparecer doente se você precisa cuidar das pessoas.
01:13Então, para mim foi muito, né? Fora a preocupação com a família, né?
01:18Com os filhos, com a minha mãe, que é idosa. Foi muito assustador.
01:23Pois é, enquanto mãe, como é que foi? Porque você tem duas filhas, né?
01:26Sim.
01:27E aí, como é que foi?
01:29Foi assustador. Quando eu comecei com o primeiro sintoma,
01:35eu já cheguei em casa e já não tive contato com elas mais.
01:38Eu falei, olha, é melhor a gente ficar longe, porque eu não sei o que eu tenho, né?
01:44Porque eu comecei com febre e muita dor de cabeça.
01:47Eu falei, não, eu prefiro ficar longe.
01:49E a menor, que é a caçula, que é mais apegada, queria deitar na cama.
01:54Eu falei, não, não fica perto da mamãe.
01:57Fica longe.
01:57Aí já isolei elas.
02:00Desde o dia 15, né?
02:02Fiquei 20 dias sem ter contato físico.
02:06Desde o dia 15, elas já desceram, foram pra minha mãe.
02:09E a gente ficou tendo contato só pela janela.
02:12Pois é, e como é que é isso pra uma mãe, né?
02:14Ficar assim, afastada das filhas?
02:17É louco, é louco.
02:19Porque a gente trabalha pra eles, né?
02:24Tudo que a gente faz na vida, depois que você é mãe, é pensando nos filhos, pensando na família, né?
02:33E isso tudo foi assustador.
02:35Foi muito assustador.
02:37Será que eu vou trazer isso pra minha casa e vai atingir os meus filhos?
02:42Então, meu primeiro pensamento foi nelas.
02:45E doente ficou você e também seu marido, né?
02:47Meu esposo, sim.
02:48E ficamos isolados durante 18 dias em casa.
02:53Graças a Deus, não precisamos de hospitalização, né?
02:57Ficamos em casa porque nós não tivemos comprometimento pulmonar.
03:01Mas foi assustador.
03:03Foi uma coisa que a Mariana estuda, a minha caçula está estudando pela internet.
03:08Aí você não tinha aquele...
03:10Eu não podia dar aquele auxílio a ela na hora do estudo.
03:13Nossa, e isso foi muito...
03:16São duas meninas de 12 e 16 anos.
03:18Uma de 20, uma de 16.
03:21Uma de 16, então são três.
03:22São três e a de 12, né?
03:24Que é a menor.
03:26Foi muito assustador.
03:27Foi uma sensação, na verdade, de impotência.
03:30Né?
03:31Você está longe dos seus filhos e por você estar doente, por você querer cuidar, você
03:40tem que ficar longe.
03:41Foi muito...
03:42Assustador.
03:43Pois é.
03:44A Marcela está longe da filha, né?
03:46E do marido também, justamente por estar trabalhando no hospital e dentro de uma UTI, né Marcela?
03:52Eu trabalho diariamente com pacientes já com Covid positivo e aí desde o dia 24 de
03:59março a gente resolveu se afastar para evitar o contágio, né?
04:04E como é que está sendo para você?
04:06Porque assim, você foi para onde?
04:08Eu continuei em casa, o Célio e a Laila que foram para casa da vó paterna, assim.
04:14E aí eu mantive em casa, o ritmo em casa diferente, né?
04:18Porque eu trabalhava muito em plantão noturno e aí agora eu estou trabalhando em plantão
04:23diurno também até para ajudar os colegas que estão adoecendo.
04:27e não estou quase que não morando em casa, já morando em hospital praticamente.
04:33Ficando mais em hospital do que dentro de casa, né?
04:35Desde o dia 24 de março.
04:36E ó, a gente está mostrando imagens aí da sua filha, que ela está com 3 aninhos,
04:39já fez 3 anos?
04:40Não, ela está com 2 e 7.
04:422 e 7, quase 3 aninhos, né?
04:45Já no caminho.
04:46E como é que está sendo para você?
04:48Ainda mais quando é pequenininho, assim, a gente é muito mais agarrado, né?
04:52É.
04:53E depende muito da gente, né, a criança?
04:55Muito sofrido, assim, psicologicamente, todo mundo da área de saúde está bem estressado,
05:02bem triste com a situação.
05:04E morrendo de saudade dela, do sério, da minha família, minha mãe, meu pai, meu irmão.
05:09Era muito presente, né, na vida deles.
05:12Pois é, o dia das mães.
05:14Como é que vai ser esse ano?
05:15Em casa, fazendo eu almoço para mim mesma, longe deles.
05:20Mas vai passar.
05:22Agora a Valesca já está com as filhas de volta em casa?
05:24Já, já voltei a todo vapor a trabalhar, né?
05:29Segunda-feira eu voltei ao trabalho e, graças a Deus, elas estão em casa agora comigo.
05:35Tomando todos os cuidados, né?
05:37Porque como eu voltei a trabalhar, eu voltei a trazer risco, né, para casa.
05:41Então, assim, todos os cuidados, tirar o sapato, ir direto para o banho,
05:46lavar cabelo e todo esse processo para continuar cuidando da saúde delas, né?
05:52A Marcela, a Valesca, que estão vivendo um dia das mães diferente, né?
05:57Marcela, principalmente, que não vai estar com a filhota, né?
06:01Não, esse ano não.
06:03E já dá uma emoção só de pensar, né, Marcela?
06:07Ah, nem fala, Ju, estava quase chorando já ali, vendo o vídeo.
06:11Estou emocionada, né?
06:13É realmente, é muito complicado.
06:15Eu posso contar uma experiência que eu tive também, foi de ficar afastada do meu filho.
06:19Porque assim que começou a pandemia, eu com meus pais tomamos aí a decisão de que ele fosse ficar com
06:25eles.
06:25E aí foram 40 dias.
06:27Ficamos quase 40 dias afastados.
06:30É muito difícil, né?
06:33É muito difícil.
06:33Eu estou desde 24 de março, mais de 40 dias já.
06:37E sem previsão, né?
06:39Porque a gente vai continuar atendendo pacientes de Covid por muito tempo ainda na UTI.
06:44Então, não sei, não tenho planos ainda.
06:47Pois é, você atua em dois hospitais na UTI?
06:50Dois hospitais.
06:50Eu trabalho no Dório Silva e no São Lucas.
06:52Nos dois, tem pacientes internados com coronavírus?
06:54Os dois com Covid positivo, já.
06:57E a gravidade desses pacientes?
06:58Bem graves, bem graves.
07:01Independente da idade, comorbidades, estão bem graves.
07:04Pois é, essa é a preocupação.
07:06É quando se agravam os quadros.
07:07A gente tem, gente, muitas pessoas curadas.
07:09Falei aqui no começo, tem muitas pessoas que se tratam dentro de casa, como aconteceu com você, né, Valesca?
07:15Como é que foi esses dias?
07:17Como é que foram os dias?
07:18Os sintomas que você teve?
07:20Então, eu comecei no dia 15, né?
07:23Como eu havia falado.
07:24Eu trabalhei bem o dia todo.
07:26E no final do plantão, eu comecei com um calafrio, uma dor no corpo, muita dor de cabeça, muita náusea,
07:39uma sensação muito horrível.
07:42E eu já desconfiei, porque independente, eu não lido diretamente, né, como a doutora Marcela, em UTI, né, que eu
07:52trabalhei em hemodinâmica no Hospital Santa Rita, mas lido com qualquer paciente.
07:56Tem pacientes assintomáticos e eu não sei onde eu peguei, né?
08:00Eu posso ter me contaminado com um paciente que estava assintomático ou em qualquer lugar que eu passei, né, ter
08:08me contaminado pelo hospital circulando.
08:10E eu comecei com esse quadro.
08:12Na quinta-feira, eu passei a noite toda com febre, de quarta pra quinta.
08:16E na quinta-feira, eu já procurei atendimento médico.
08:20E aí, já colheram o meu suave.
08:23Eu já fui isolada, né, fiquei isolada, a médica já toda paramentada pra me examinar.
08:31E já fui isolada, né?
08:34Como eu não tinha nenhum quadro respiratório grave, eu fui liberada pra casa.
08:39Mas já com todas as recomendações de isolamento.
08:42E esses dias em casa?
08:43Foram horríveis.
08:46Foram horríveis.
08:48Principalmente quando saiu o resultado.
08:50Porque quando você desconfia que você está, principalmente o Covid-19, que nós não conhecemos direito, a patologia, não conhecemos
09:01como cada corpo vai lidar com essa situação.
09:05É muito assustador quando você pega o resultado.
09:08E você observa que as pessoas ficam mais assustadas que você.
09:12Porque eu recebia mensagens.
09:14É, como que você está?
09:16Você está bem?
09:16Olha, eu estou orando por você.
09:19Fica bem qualquer coisa que você precisar.
09:23Os médicos que trabalham comigo, olha, Valência, qualquer falta de ar que você tiver, não hesita, procura o pronto-socorro.
09:31Então, assim, eu senti que as pessoas estavam muito preocupadas.
09:34E aquilo me deu uma aflição muito grande.
09:39Porque mesmo eu confiando em Deus que ia dar tudo certo, é uma coisa muito nova, que você não sabe
09:46a sua pessoa do lado.
09:47E você não tem uma pessoa ao lado que já pegou, que já se contaminou.
09:52E isso tudo é muito novo, é assustador.
09:54E é todo um processo que você entra para que isso mude.
10:00Você vai se isolar das pessoas que você ama.
10:03Você não vai poder ir a um supermercado porque você pensa nas outras pessoas.
10:08Você vai mudar o seu cotidiano, a sua rotina.
10:12E isso tudo é muito assustador.
10:14E olha aqui a mudança de rotina.
10:16Os nossos telespectadores participando aqui na transmissão.
10:19A Miria Flauzino falando aqui.
10:21E Ju, nós estamos sem conhecer nossa neta, a Ágata, que nasceu nesse período complicado.
10:26Muita vontade de dar um cheirinho nela.
10:29Mas calma, Miria, vai dar certo.
10:30Você vai conseguir ver sua filha.
10:32Denilza Vieira falando força, ajuda a tempestade, sempre vem a bonança.
10:35Agora o Pedro já está comigo, então eu já estou mais aliviada.
10:39Só que ele não vai mais poder agora ficar com meus pais, né?
10:41A Sirlene Santos, a quarentena é feita para quem pode ficar em casa e mandar os funcionários.
10:47Infelizmente, nem todo mundo está em casa.
10:48Eu não estou em casa, eu venho trabalhar todos os dias.
10:51Está aqui o meu compromisso, assim como as duas mães, outras mães aqui que também não podem parar.
10:57Tem que trabalhar porque são serviços essenciais que precisam acontecer.
11:02A Talita Pires, ganhei minha filha tem 15 dias.
11:05Foi difícil, pois tive que entrar na sala da cesárea sozinha por causa da Covid-19.
11:11E não pude receber visitas no hospital e nem em casa.
11:14É difícil demais, Talita.
11:15Um beijo para você, que tudo dê certo.
11:17Realmente é um momento muito difícil, mas é um momento que a gente tem que se preservar,
11:22cada um cuidar de si, porque assim a gente cuida do próximo, a gente cuida dos outros.
11:26Hoje, aqui no estúdio, eu recebo a médica intensivista, a doutora Marcela Vieira,
11:30e a técnica em enfermagem, Valesca Paixão.
11:32As duas estão trabalhando em hospitais que têm casos confirmados da Covid-19.
11:39Lá no hospital que você trabalha, Valesca, tem pessoas?
11:42Sim, tem pessoas.
11:43Tem uma UTI especializada só para isso.
11:48E, inclusive, eu tenho uma colega de trabalho que começou com sintomas três dias após os meus sintomas.
11:56E ela ficou em estado grave durante 12 dias, entubada, com tubo, 50% do pulmão comprometido.
12:05E, assim, está chegando muito perto de nós, né?
12:09A cada dia mais, né?
12:11Nós que estamos na linha de frente, que não podemos deixar de trabalhar,
12:17que não podemos abandonar os pacientes.
12:21Nós pedimos para as pessoas, né?
12:23Que nos respeitem, que façam por nós.
12:26Então, fiquem em casa por nós.
12:28Porque se nós estamos aqui, é por vocês, é por cada um, é por cada pessoa que está doente,
12:35é por cada pessoa que precisa de nós, né?
12:39Inclusive, essa madrugada, eu saí de casa uma e meia da manhã para atender uma urgência,
12:44uma paciente que teve Covid, mas entrou no isolamento porque ela teve há 30 dias e ela teve um infarto.
12:53E nós fomos tratar esse infarto.
12:55E eu cheguei em casa, era às 7 horas da manhã.
12:58Então, assim, as pessoas, que as pessoas se conscientizem que nós precisamos sair,
13:04nós precisamos estar nas ruas, precisamos estar nos hospitais, mas eles podem estar em casa.
13:11Pois é, que é bom, você até tocou num ponto.
13:13Tem o coronavírus, mas existem as outras doenças também, né, doutora Marcela?
13:17Porque o MUTI não atende só os pacientes que estão infectados e que agravam essa doença.
13:22Tem os outros problemas de saúde que continuam acontecendo.
13:25Sim, pacientes com problema de AVC, infarto, os traumas, né?
13:30Atropelamento, batida de carro, moto, continuam.
13:33Tudo isso continua, né?
13:35E aí, por isso, a gente vê sempre os especialistas falando.
13:38Tá aí a importância de não termos grandes números, todos juntos, uma quantidade muito grande de pessoas com essa doença,
13:47porque parte, a maior parte, não vai precisar de hospital, mas esses que vão precisar de atendimento, precisam de UTI.
13:55E aí, muitas vezes, vão precisar de UTI e se elas estiverem lotadas, não vai ter como atender, né?
14:00É, as UTIs já estão, basicamente, assim, quase no 100% de ocupação.
14:06Nos dois hospitais que você trabalha, elas já estão praticamente todas?
14:09Já estão bem cheias, já. Bem cheias.
14:11Essa é a preocupação, gente, é a saúde ter estrutura para atender todo mundo que precisar de uma internação.
14:18E olha, gente, é dia das mães e hoje estou recebendo aqui no estúdio duas mulheres que precisaram deixar os
14:23filhos
14:24para ajudar no combate à Covid-19. Elas trabalham em hospitais de Vitória.
14:30A médica intensivista, a doutora Marcela Vieira, e também a técnica em enfermagem, Valesca Paixão.
14:36Bem, dia das mães. Dia das mães, a gente tem, é uma data importante para o comércio, sempre tem presente.
14:43Mas esse ano está diferente, a gente viu uma movimentação ali no comércio, o Douglas mostrando.
14:47Mas mãe, precisa de presente, Marcela?
14:50Preciso, precisa da presença, né?
14:53Da presença, né? Muito mais que um presente, né?
14:56É, um presente para mim esse ano seria a presença da minha filha, mas infelizmente não vai poder acontecer.
15:01Então, o melhor presente seria acabar logo essa pandemia, ver meus pacientes saindo bem, entendeu?
15:07É isso que me deixa feliz também.
15:09Valesca, e aí?
15:11É, sim, claro que precisa. É igual a doutora falou, principalmente a presença, né?
15:17A presença é fundamental, é ter ali perto, debaixo das asas, e a gente ter aquilo que a gente gerou
15:28durante um tempo, é maravilhoso.
15:31E como é que é a experiência de vocês nesse trabalho?
15:35Porque é um momento que nós nunca vivemos, assim, ninguém nunca viveu uma crise como essa de saúde pública, um
15:43isolamento, um distanciamento das pessoas.
15:46Eu fico imaginando como é que é o trabalho, né? Dentro das unidades hospitalares.
15:51É algo que não se imaginou, você já tinha imaginado viver isso, Marcela, na sua carreira profissional?
15:56Nunca imaginei, Ju, e a gente está lidando com o caos. Acho que cada dia está sendo um aprendizado, sabe?
16:03Todo mundo está montando protocolos, aprendendo, cada dia está sendo uma coisa nova.
16:09Pois é, é um aprendizado porque ninguém nunca lidou com essa doença, é uma doença nova que aí se espalhou
16:15pelo mundo inteiro e é um desafio para todo mundo, né, Valesca?
16:18Na verdade, todos os dias nós estamos nos reinventando e aprendendo, né?
16:26Porque nós nunca vivemos isso, é uma coisa tudo muito nova.
16:32A máscara, o uso da máscara N95 incomoda, machuca, machuca o rosto, dá uma sensação de sufocamento.
16:41Então, a gente tem que usar o óculos de proteção, o protetor facial, as roupas que também nós não tínhamos
16:50tanto costume de usar rotineiramente como nós usamos todos os dias.
16:56Nós estamos aprendendo tudo de novo.
16:58Então, assim, além do medo de se contaminar, nós temos ainda toda uma preocupação de se paramentar certo para que
17:07a gente não venha a expor as outras pessoas e nos expor.
17:13Hoje, estou aqui no estúdio com duas mães heroínas.
17:17Elas trabalham em hospitais e aí deixam a família em casa para cuidar de pacientes com o novo coronavírus.
17:23A médica intensivista Marcela Araújo e a técnica em enfermagem Valesca Paixão estão cuidando da saúde de vocês, Marcela?
17:31Na medida do possível, sim. A saúde psicológica fica um pouco abalada, mas a gente está tentando, né?
17:38Porque você está ficando quanto tempo assim no hospital, doutora?
17:41A semana passada eu fiquei 72 horas direto de plantão, até para ajudar os colegas que estão adoecendo.
17:49Muitos médicos estão afastados, muitos.
17:51Pois é, esse é um grande problema. A gente vem passando dados aqui, sempre atualizando a quantidade de profissionais da
17:57saúde que acabam se infectando também nesse combate.
17:59E aí, o que acontece? Sobrecarrega os outros que estão bem de saúde e que não deixam de atender os
18:06pacientes, né, doutora Marcela?
18:07Sim, com certeza. Tem uma média aí de 20 médicos que eu conheço já que adoeceram.
18:13Pois é, e olha, a gente tem o exemplo da Valesca, que também é técnica em enfermagem e também acabou
18:18contraindo esse vírus, né?
18:20Verdade.
18:22É assustador, né?
18:24Tem outras pessoas que trabalham com você que também contraíram o coronavírus?
18:28Sim, muitas. Muitos colegas de trabalho que fizeram, deram positivo, muitas pessoas.
18:37Mas é igual a doutora falou também, é o nosso psicológico também.
18:41Não é só a saúde do corpo, mas é a saúde psicológica, porque nós estamos passando por um momento de
18:49turbulência, né?
18:51Tudo muito novo, tudo muito assustador e o nosso psicológico, eu acho que é o primeiro impacto que nós temos
19:00em relação a lidar com medo, com tudo muito novo.
19:05É bem difícil.
19:06Então, olha, se cuidem. E eu queria desejar um feliz Dia das Mães para vocês duas.
19:13Valesca, que agora vai poder estar com as filhas e ficou em isolamento, mas já vai poder comemorar juntinho, né?
19:19Verdade, verdade.
19:20Parabéns pelo Dia das Mães e parabéns pelo seu trabalho, viu?
19:22Muito obrigada.
19:23A gente agradece.
19:24Obrigada.
19:24E doutora Marcela, não vai dar para curtir com a filha esse Dia das Mães, mas com a certeza de
19:30que você está fazendo um ótimo trabalho,
19:32está salvando muitas vidas, está ajudando muita gente.
19:34Então, parabéns pelo Dia das Mães e parabéns pelo trabalho nas UTIs.
19:38Obrigada, Ju. Eu queria parabenizar todo mundo da área de saúde, técnicos, enfermeiras, fisioterapeutas, médicos,
19:45e principalmente a minha mãe e a avó paterna, a Sônia, que está dando o apoio aí para a gente.
19:51As vovós têm feito a diferença.
19:53Mãe, duas vezes, né?
19:54Duas vezes.
19:55Muito obrigada e um feliz Dia das Mães.
19:57Obrigada. Obrigada para você também.

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