00:03A prainha famosa, a Basílica, o comércio forte, meninos soltando pipa na escadaria,
00:11alguns símbolos do bairro Santo Antônio, que assim como todos os outros da cidade,
00:15teve sua rotina alterada com a chegada da Covid-19.
00:19Quer dizer, nem tanto.
00:21Com as regras afrouxadas, o isolamento social que já foi maior, quase não se percebe mais.
00:27O povo tá nas ruas mesmo, a maioria de máscara, pelo menos.
00:31Todo lado que a gente vai, tá falando da Covid.
00:34E tá havendo muitas mortes, né? Repentina.
00:39Meu vizinho faleceu, minha conhecida.
00:42Então essas coisas, a gente fica um pouco assustado, né?
00:49Com as precauções, eu acho que deveria liberar sim.
00:53Porque não dá certo, não.
00:56Muita gente depende do dia a dia pra sobreviver, que precisa de sair, precisa de se virar.
01:02Pois é, Joyce.
01:03Mas o fato é, nesse momento, o isolamento social e os cuidados, como o uso de máscaras,
01:08é o que temos pra conter o avanço da doença.
01:11O bairro é grande, tem muitos becos, ruas mais distantes.
01:15E se lá na parte central, o povo até anda protegido, quando se afasta...
01:19Quando você adentra dos bairros, né?
01:23Aí você vê que muita gente não faz uso da máscara e estão passando o tempo todo um próximo ao
01:29outro.
01:30Não respeitam as distâncias e isso é muito ruim pra propagação.
01:37E pra falar de pandemia, é preciso falar de números.
01:40Nessa comunidade, com mais de 35 mil habitantes, até a tarde de 1º de junho,
01:46Santo Antônio tinha 50 casos confirmados e 5 mortes.
01:53Santo Antônio é considerado o bairro mais antigo de Vitória.
01:56A história da capital começou aqui.
02:00E apesar de ter crescido muito, a comunidade mantém esse clima de família.
02:06Todo mundo se conhece, aí tem a filha do seu João, a neta da dona Maria.
02:10E aí, quando surge uma pandemia como essa, e as pessoas morrem de Covid-19,
02:15a tristeza toma conta de todos.
02:22Números não, nomes.
02:24Olha a dona Margarete, do grupo de doses, vaidosa, divertida, morreu de Covid.
02:30Olha aí o seu Pedro Fernandes, ou Pedro Bocão, mecânico do bairro, querido por todos.
02:36Também não resistiu ao coronavírus.
02:38Muito conhecido, muito querido, de uma família muito exemplar dentro da nossa comunidade.
02:43Então, tudo isso, assim, machuca a gente, dói.
02:45A gente tá se despedindo todo dia de gente conhecida, de gente que a gente amava.
02:51Mesmo diante da dor de perder amigos, vizinhos, a comunidade reagiu.
02:57Assim que surgiu o primeiro caso no bairro, o grupo focou em quem perdeu emprego, serviço.
03:02As famílias carentes passaram a receber cestas básicas.
03:06Em seguida, receberam também álcool em gel.
03:09Foi entregue nas residências e, mais uma vez, falando sobre o cuidado de permanecer em casa,
03:16de que se qualquer necessidade que precisar, pode procurar o movimento comunitário, que a gente vai estar aqui pra isso.
03:23Depois vem a fase do puxão de orelha, do alerta, da educação.
03:27Em alto e bom som, pra todo mundo entender.
03:29Vamos seguir as orientações oficiais como lavar as mãos com água e sabão, utilizar álcool gel,
03:37proteger nossos idosos e crianças, manter a casa limpa e arejada, ir à rua somente para o necessário.
03:45Eu acho que a educação, ela é a solução de qualquer tipo de problema.
03:49Um cidadão consciente, ele sabe dos seus direitos, ele sabe dos seus deveres, ele sabe dos seus limites, né?
03:58É uma pandemia, tá no mundo todo.
04:00Mas quando ela chega assim, tão perto da gente, é que a Covid-19 parece mostrar toda a força de
04:07uma doença,
04:07ainda sem remédio específico e sem vacina.
04:10Doença que provocou a morte da jovem professora de artes, Valéria Matias, criada aqui, na comunidade.
04:17Que tinha um carinho por aquilo que ela fazia, né?
04:21Que é justamente trabalhar artes com a base, que é a criança.
04:26E não deixava de chamar também conversar sobre as questões de protocolos da saúde devido ao coronavírus.
04:34Infelizmente, ela veio a falecer, como vários outros, né?
04:39Para proteger o povo e evitar novos casos, a comunidade começou um outro trabalho,
04:45com foco em quem já se contaminou, não pode e não deve sair de casa.
04:50Todas as famílias que estão necessitando ficar em isolamento e quarentena devido ao Covid,
04:57podem nos procurar, estamos fornecendo a elas cesta básica, material de higiene pessoal e material de limpeza doméstico.
05:05Ah, para elas não precisarem sair de casa.
05:07Saírem de casa para que cubram o seu período de quarentena e possam ter a sua cura.
05:13E assim a gente vai fazer com que o vírus também não circule mais com tanta incidência dentro da nossa
05:18comunidade.
05:21Tem mais mudança por aqui.
05:23O projeto social que ensina futebol de areia para crianças está suspenso.
05:28E nessa pandemia perdeu um parceirão e apoiador, seu Alício Manuel, o japonês.
05:33Ele aparece colorido aí na foto.
05:36Morreu de Covid.
05:37Por isso, o foco agora é ensinar os alunos a se protegerem e protegerem suas famílias.
05:43Porque se eles fizerem a parte dele, automaticamente, logo em breve, nós estaremos aí vivendo dias melhores,
05:51retornando às atividades, voltando ao campo de futebol de areia que eles tanto gostam, tanto amam.
06:00E assim a comunidade segue sua vida, cuidando de quem mais precisa, educando os pequenos, se protegendo.
06:07Seu Pedro Bocão, dona Margarete, a professora Valéria, o japonês do futebol de areia.
06:13Eles não voltam mais, mas a luta continua em memória desses que já se foram e para proteger quem ficou.
06:21Nós teremos uma vida depois disso.
06:23Eu tenho certeza absoluta, isso vai passar.
06:25Mas para que isso passe, eu preciso ter minha consciência.
06:28Eu preciso cuidar do meu distanciamento.
06:30Eu preciso usar máscara.
06:32Eu preciso usar álcool gel.
06:34Eu preciso entender que eu preciso também cuidar das pessoas que estão ao meu entorno.