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  • há 17 minutos
Médico pediatra explica que crianças, apesar de raramente não desenvolverem quadros graves da covid-19, não são imunes à infecção do vírus

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Transcrição
00:00Eu recebo aqui no estúdio o médium pediatra e especialista em saúde infantil, doutor Jovaci Mota.
00:06Boa tarde, doutor Jovaci, muito obrigada pela sua presença aqui hoje.
00:10Boa tarde.
00:11Tá ligado.
00:12Boa tarde, prazer é nosso poder participar, exatamente nesse momento onde tem muita fake news circulando,
00:18muita gente com medo, com receita, então é bom poder colaborar aqui e levar a informação precisa.
00:23Pois é, e muitas dúvidas, né?
00:25A gente viu aí essa polêmica da Organização Mundial de Saúde, até fez questão de explicar bem para o pessoal
00:30de casa,
00:31porque ontem durante entrevista, uma representante da OMS disse que são raros os casos,
00:37mas hoje eles já voltaram atrás, já mudaram, disseram, isso acontece sim.
00:41E desde o começo da pandemia, a gente vem escutando, cuidado com as crianças em contato com os avós,
00:48porque elas podem levar a doença para os mais velhos.
00:53Positivo, é uma doença nova, né?
00:56A gente sabe, é um vírus novo, e o nosso conhecimento acerca da doença, ele vai evoluindo com o tempo.
01:02Então, as informações são muito dinâmicas.
01:04O que nós temos de conhecimento até agora, de base científica, é de que boa parte das crianças,
01:09elas são assintomáticas e elas podem transmitir, ser vetores da infecção,
01:15ou seja, transmitir a infecção para os avós.
01:17Por isso, esse cuidado do contato próximo, íntimo das crianças com aqueles pacientes mais idosos
01:25e aqueles com fatores de risco para as formas mais graves da doença.
01:28Continua valendo a orientação.
01:30Pois é, agora, o que acontece com as crianças que elas pegam a doença,
01:36mas muitas vezes não apresentam, não têm sintomas?
01:41Isso ainda é um mistério, né?
01:42Os cientistas estão avaliando, pesquisando para entender o porquê dessa particularidade
01:48da manifestação da doença nas crianças.
01:50Existem algumas hipóteses para isso.
01:53Uma delas é de que as crianças, como o organismo está em desenvolvimento,
01:59acredita-se, supõe que a quantidade de receptores presentes nas células das crianças,
02:04receptores esses que servem de entrada para o vírus,
02:07está em quantidade menor do que no adulto.
02:10E isso diminui a infectividade do vírus nas crianças, com isso a manifestação.
02:15Essa é uma das hipóteses levantadas, né?
02:19Ontem a gente até falava de uma pesquisa falando sobre a narina, o nariz das crianças,
02:23que seria diferente dos adultos, de pessoas mais velhas.
02:28E que o vírus vai se passando pelas gotículas, a gente respira, isso pode pegar no ar.
02:33E por as crianças não terem o sistema todo formado, não ter todos, aí o senhor pode explicar melhor, né?
02:42Esse vírus não entraria da mesma forma na narina de um adulto?
02:48Isso, positivo.
02:48Pela particularidade do desenvolvimento das crianças, existem uma série de situações.
02:54Uma outra hipótese, por exemplo, que foi levantada, é envolvendo o sistema imunológico das crianças.
02:59O que que se está aí estudando?
03:02Admite-se que talvez, pelo fato do sistema imunológico da criança não ser tão desenvolvido quanto o do adulto,
03:10uma resposta do organismo da criança à infecção, ela tem uma repercussão menor, uma intensidade menor.
03:19E com isso, os sintomas secundários da infecção por vírus,
03:22que de certa forma estão relacionados com a resposta inflamatória gerada contra o vírus,
03:27seja aí mais ameno, né?
03:30Mais tranquilo.
03:30Agora, é bom a gente destacar que, assim, não é porque não está apresentando sintoma que não tenha doença, né?
03:38Então, é importante não deixar de ter os cuidados.
03:43Positivo.
03:43O fato de não apresentar sintoma não significa que o paciente não tenha o vírus ou não tenha capacidade de
03:49transmitir a doença, né?
03:51Isso é fato.
03:52Então, as orientações com as crianças seguem as mesmas para os adultos em relação às medidas de prevenção habitual.
03:59Com algumas particularidades, porque a criança precisa de uma atenção maior,
04:03porque, por mais que você fale com a criança para não compartilhar objetos, né, não tocar, não abraçar,
04:10a criança, inevitavelmente, em algum momento vai se descuidar e vai infringir a regra, né?
04:15Agora, é claro que a gente está falando aqui que a maioria das crianças não apresenta os sintomas,
04:19mas tem muita criança que tem sintomas, sim, inclusive crianças sendo testadas,
04:24ou seja, fazendo o exame do PCR para se detectar a infecção pelo novo coronavírus.
04:31E, no entanto, que aqui no Espírito Santo a gente já tem 307 casos confirmados.
04:36E eu vou até precisar também mais alguns números, gente.
04:38São 307 confirmações aqui no nosso estado que estão divulgadas no painel da Secretaria Estadual de Saúde.
04:45Aquele painel que eu mostrei no começo aqui do programa, aquele painel Covid-19, pois é.
04:49Lá tem tudo detalhado.
04:50E aí, entre os casos de crianças, a gente tem aí, olha, 166 confirmações de crianças de 0 a 4
04:58anos.
04:59Entre as crianças de 5 a 9 anos, foram 125 casos registrados.
05:04Ou seja, para fazer o teste, provavelmente, essas crianças apresentaram sintomas, ou então, alguém da família, né, doutor?
05:13Positivo. Eu trabalhei em emergência, então a gente atende crianças o tempo todo,
05:16especialmente nessa época do ano, que é a época das doenças respiratórias.
05:19É difícil, às vezes, a gente discriminar uma doença da outra.
05:24O fato é que boa parte das crianças, o coronavírus simula um resfriado comum.
05:29Os casos que são testados são aqueles casos graves, com necessidade de internação, né?
05:33Então, o que que se espera?
05:35Que o número de crianças infectadas seja muito maior daquilo que sai nos dados oficiais do governo.
05:40Isso é um entendimento universal, né?
05:43Então, tem muita criança aí com o vírus circulando por aí, sim.
05:45Pois é, deixa eu colocar aqui na nossa conversa a Nataliele Barcelos, que tem dois filhos de 5 e 16
05:53anos.
05:53Os dois pegaram a doença, inclusive, a Nataliele também acabou se contaminando.
06:00Boa tarde, Nataliele.
06:01Queria agradecer por receber a gente aí para bater um papo.
06:05Boa tarde.
06:08Conta aí como é que foi na sua casa, quem pegou primeiro, como é que vocês descobriram?
06:14Então, o primeiro foi o meu filho, né?
06:17No início, o mais velho, o João, foi no início da epidemia, né?
06:21Ele pegou, testou positivo.
06:24E o Gabriel, ele veio testar agora, no finalzinho de maio, meado de maio, né?
06:29Para o finalzinho de maio, início de junho.
06:32E, assim, é um desespero total, né?
06:37Você pegar um diagnóstico de um filho seu com positivo, né?
06:42De uma doença que está sendo, está assustando o mundo todo, né?
06:46Então, assim, foi bem complicado.
06:49Pois é, agora tem um detalhe.
06:51Você falou que seu filho mais velho, de 16 anos, pegou logo no começo.
06:55Ou seja, ele pegou em março?
06:57Ele pegou no finalzinho de fevereiro para o início de março.
07:01Então, em março.
07:02E o seu outro filho só foi pegar agora, em maio?
07:06Só agora, em maio.
07:08Mas todo mundo mora junto?
07:10É, mora eu e os meus dois filhos, né?
07:12Quando o João apresentou o primeiro quadro, né?
07:16Que foi a primeira coisa que surgiu, foi a garganta.
07:19Mãe, minha garganta parece que está com umas feridas e como se fosse uma afta e febre, né?
07:25Aí, eu levei ele no hospital, a médica já suspeitou de cara, então a gente já isolou ele e o
07:30Gabriel.
07:31O Gabriel ficou na casa da minha mãe e eu fiquei tomando conta dele, né?
07:35Mas mesmo assim, eu não peguei, não contraí o vírus.
07:37Pois é, esse quadro que você está contando para a gente, Nataliele, é o que tem acontecido em muitas casas.
07:44Porque isso também é possível, né?
07:45Continua com a gente, Nataliele.
07:47Doutor, isso é possível que dentro de uma mesma residência, uma pessoa pegue e outra não da família.
07:53A gente viu, o filho de 16 anos pegou, ela e o mais novo não pegaram naquele momento a doença.
08:01Positivo, até porque o fato de o vírus chegar até o indivíduo não significa que ele vai desenvolver a doença,
08:08né?
08:08E a gente até entra nos casos assintomáticos.
08:11Pode ser que alguém dentro da própria casa tenha o vírus, não desenvolveu o sintoma, mas não sabe.
08:16Então, é muito dinâmico esse processo de transmissão da infecção dentro da mesma família.
08:23O que a gente entende?
08:24Que um caso dentro da família aumenta as chances de transmissão para as outras doenças por causa do convívio familiar,
08:32né?
08:32Do mesmo ambiente e do contato físico, né?
08:35Muito próximo, né?
08:37Esse contato.
08:38E aí, o mais velho se infectou, vocês tiraram o seu filho mais novo, foi pra casa.
08:43A Nathalia continuou comigo, foi pra casa de uma avó e aí você ficou com o seu filho em casa,
08:49mas tomando todos os cuidados, né?
08:53Porque ele é adolescente, então foi mais fácil ele entender que ele tinha que se isolar, né?
08:59Agora o Gabriel é mais complicado.
09:00Eu acho que foi até por isso que eu acabei contraindo, porque ele só dorme comigo, então é mãe.
09:05E no momento que ele tá, ele tá todo enjoadinho, então é tudo mãe, né?
09:10Então eu acho que foi questão disso que eu acabei contraindo o vírus, porque eu tô muito próxima a ele,
09:15né?
09:16Então, assim, o João foi mais fácil, porque ele entendeu que ele tinha que ficar isolado dentro do quarto, né?
09:21E o Gabriel não, é pequenininho, não tem como eu falar pra ele, você vai ficar preso dentro do quarto
09:25o dia todo.
09:26Não tem?
09:27Pois é, e vocês sabem?
09:29Vocês sabem onde contraíram, assim, onde que o Gabriel que veio depois, tá, gente?
09:35Depois, agora, em maio, que ele foi contrair, que é o filho de 5 anos,
09:39onde que pegou essa doença, é possível vocês saberem de onde que veio?
09:44Então, Juliana, como eu continuo trabalhando, o João melhorou, né?
09:49A gente fez o isolamento, o João melhorou, eu tive que voltar à minha rotina de trabalho normal, né?
09:54E como creche, escola, tá tudo parado, eu dependo do pai deles pra tomar conta deles pra mim,
10:00enquanto eu tô no serviço, e dependo da minha mãe.
10:03Então, eu creio que possa ter sido nesse intervalo de sair de casa e ir pra casa ou da minha
10:09mãe ou do pai deles,
10:11que eles residem em Coqueral de Itaparica, porque aqui em casa eu não deixo eles saírem.
10:16Então, assim, eu tomo o maior cuidado possível, porque é uma doença, assim, que tá assustando, né?
10:22E principalmente agora, passando, como ela bateu na minha porta duas vezes,
10:26eu passei o mesmo sintoma com o Gabriel, com o João Matheus, e pra piorar, o Gabriel, ele é asmático.
10:32Então, assim, a nossa preocupação maior em reforçar toda a atenção pra ele é por isso,
10:38por ele ser uma criança asmática, ele usa bombinha, então, assim, a minha preocupação toda tá sendo essa.
10:43Mas eu creio que deve ter sido nesse caminho.
10:47Ou seja, nessa saída de casa inevitável, por isso que a recomendação, né, se puder, fica em casa, né?
10:53Mas em situações, tem situações que não tem como, né?
10:56A gente perdeu o contato com a Nataliela e vamos tentar voltar a falar com ela.
11:02Logo mais, a gente chama ela.
11:04Doutor, ela tocou num ponto que é importante, que é a situação da asma.
11:08Tem muitas crianças que têm bronquite, que têm asma, ou seja, pode se agravar se contrair o vírus, né?
11:16Positivo, né?
11:16Os pacientes portadores de doença crônica, seja cardíaca ou pulmonar, eles têm um risco maior de evoluir pra formas graves
11:24da doença.
11:25Como, por exemplo, a asma.
11:26Então, o cuidado tem que ser maior, uma atenção maior.
11:29Porque o vírus, além de induzir o processo reinflamatório, pode levar à crise de bronquispasmo,
11:34que é uma das consequências da infecção viral e aí levar a vários problemas dos mais diversos, do ponto de
11:42vista de saúde.
11:43A gente parou falando sobre a questão das crianças que têm asma e bronquite.
11:49Os cuidados não podem ser reduzidos, tem que se ter muita atenção.
11:53E isso vale, acho que, pra toda e qualquer pessoa, né, doutor?
11:57Positivo.
11:58Tanto pros adultos quanto pras crianças, né?
12:00Os portadores de alguma doença crônica, asma, bronquite, DPOC, diabetes, hipertensão,
12:07eles exigem um cuidado maior, uma atenção maior em relação às crianças.
12:11É o cuidador que tem que estar atento ao comportamento, à mudança do quadro clínico,
12:17porque esses pacientes evoluem para formas graves da doença, podem evoluir para formas graves da doença, né?
12:23E também aquelas crianças menores de dois anos de idade, que é outro grupo de risco, né?
12:27Olha, deixa eu voltar a conversar com a Nataliele Barcelos, que tem dois filhos de 5 e 16 anos.
12:32Primeiro, o de 16 pegou, meses depois, o filho de 5 anos e a própria Nataliele também acabou contraindo esse
12:41vírus.
12:42Nataliele, quando a gente estava conversando, deu um problema na nossa internet, na nossa conexão,
12:46você falava sobre o senhor mais novo, né, que ele tem problema de asma.
12:51Sim, ele é asmático, né, ele faz tratamento, né, ele usa bombinha,
12:55então a nossa preocupação maior foi em questão disso, né, do problema se agravar mais e precisar ele ser internado,
13:04né?
13:05Mas, graças a Deus, isso não veio precisar, não.
13:08Ele teve uma boa melhora, né, no quadro, ele não está comendo ainda,
13:12mas, assim, febre, aqueles sintomas que estavam fortes, ele não está mais.
13:17Pois é, conta pra gente como é que foram os sintomas, quando que você desconfiou que ele poderia estar com
13:23o coronavírus?
13:25Então, o Gabriel, na sexta-feira, na semana retrasada, ele foi pra casa do pai, né,
13:30retornou pra mim na segunda-feira, que a gente tem guarda compartilhada,
13:34e na segunda-feira, quando eu dei um beijo nele, eu já senti a testa quente,
13:39e ele começou já a ficar quietinho, né, e ele é muito elétrico, então criança quieta, a gente logo desconfia,
13:45né,
13:45e aí eu peguei e comentei com o meu mais velho e falei assim, ó, seu irmão está com febre.
13:50Aí ele falou assim, não, mãe, está não, foi porque a gente acabou de chegar.
13:53Aí eu esperei passar meia hora, coloquei o termômetro, e era o horário de almoço,
13:58aí eu coloquei comida pra ele, ele falou assim, nossa, mas sua comida está ruim, não quero comer, não.
14:03Aí eu falei, como assim está ruim, não tem gosto, você não botou tempero na comida, não?
14:07Aí eu falei, coloquei, né, aí coloquei o termômetro novamente,
14:11aí percebi que ele estava com uma febrezinha de 38, aí perguntei, está sentindo alguma coisa?
14:16Ele dor de cabeça e dor no corpo.
14:19Esperei passar o dia, né, fiquei em observação, quando foi por volta de umas 9 e meia,
14:24a febre dele já não cessou nem com o de pirona, né?
14:28E ele foi piorando, começou a tossir, espirrar muito, e como a gente assiste jornal todos os dias,
14:33eu já tinha passado a experiência com o João, então eu logo liguei o pisca-alerta, né?
14:38Eu não gosto muito disso, mas eu prefiro pecar por excesso do que não pecar.
14:43Passei a mão dele, a gente foi pro hospital, a pediatra que avaliou, já avaliou já com a suspeita do
14:49corona, né?
14:50Aí encaminhou a gente pros exames, fizemos raio-x e tomografia, fizemos exame de sangue, né?
14:58E colhemos o liquidozinho, né, tanto da garganta quanto do nariz.
15:03E no exame mesmo de colher o líquido, ele tá demorando pra ser entregue.
15:09Então, pelo PCL, né, o médico já deu o diagnóstico, né, pra gente.
15:15Aí falou assim, olha, mãe, a gente vai entrar com o Ivermectina ou o Anitta, né?
15:21Porque devido ao quadro do Gabriel ser uma criança asmática, pro quadro não evoluir,
15:26e vamos entrar com o Asa, que é o antibiótico.
15:29E eu fiz o tratamento nele em casa, graças a Deus, assim, ele melhorou bem rapidinho, né?
15:35Tô dando bastante líquido, mas foi um sufoco.
15:38Até a gente ver que ele teve uma melhora boa mesmo, eu só vou conseguir ver isso só a partir
15:43da outra semana, né?
15:44Porque a gente tá na segunda semana agora.
15:46Então, comendo, ele ainda não está, ele reclama que a garganta dele dói ainda.
15:51E foi isso daí, Juliana.
15:53Pois é, são quadros que se assemelham das outras pessoas também, né, doutor?
15:58Assim como as crianças podem apresentar esses sintomas, é o mesmo apresentado pelos adultos, pelos idosos, por quem tem a
16:05doença, né, doutor?
16:06Positivo, Juliana.
16:07E na criança é muito importante observar a percepção da mãe, né?
16:11Que a criança, ainda mais falando de criança de colo, pequena, que não fala, não verbaliza,
16:16Então, a atenção da mãe é muito importante dentro do cenário, porque o bebê de seis meses pode estar com
16:21a infecção
16:22e, às vezes, a única percepção que a mãe nota é a recusa das mamadas, a irritabilidade, o choro,
16:29diferente de uma criança já que verbaliza, que ela pode falar, mãe, tô com dor de cabeça.
16:33É, você viu que o Gabriel falou, olha, sua comida tá sem graça, não vou comer não, tá ruim essa
16:38comida.
16:39Exatamente, ou seja, ele tava perdendo ali o paladar, né, que é outra queixa comumente referida.
16:45Agora, a gente tá falando de uma criança que já fala, verbaliza.
16:48Agora, você pensar num bebê de sete meses, de um ano de vida, aí é difícil, né?
16:53É mais difícil da gente detectar.
16:56Agora, a Nathiele também está com coronavírus, né?
17:01É, eu testei no sábado, na sexta-feira, eu já comecei a sentir uma forte dor de cabeça.
17:07É uma dor de cabeça, assim, insuportável.
17:09Não é uma dor de cabeça normal, né?
17:12E quando foi no sábado, de tarde, eu já comecei com uma febre.
17:17Então, assim, eu nem esperei muito, não.
17:19Como eu já sabia que ele já tava, aí eu já corri pro hospital, aí o médico me solicitou o
17:24teste,
17:25solicitou o teste de sangue, aí ele falou, com certeza você também contraiu o vírus.
17:31E aí, eu tô na quarentena agora por mim mesmo, né?
17:33Antes eu tava por conta dele, e agora eu tô afastada por conta de mim mesmo, né?
17:38Mas, assim, não foi tão forte como ele.
17:41Mas eu vou te falar uma coisa, Juliana.
17:43Em questão, assim, dos sintomas que eu senti, que eu estou sentindo,
17:47o Gabriel, como criança, ele foi muito forte, tá?
17:51Porque a dor de cabeça é insuportável.
17:53A dor no corpo que dá não é uma dor no corpo normal.
17:57É como se você tivesse malhado, assim, o dia todo.
18:01É os músculos que doem.
18:03É uma dor estranha, não tem nem como te falar.
18:05Pra uma criança sentir isso, ela é bem forte, tá?
18:11Pois é, a gente viu que os sintomas, a gente tem a maioria das crianças apresentando sintomas mais leves,
18:17mas isso não quer dizer que a criança também não vai apresentar.
18:20Nataliel falando sobre a dor que o filho sentiu, e ela também, né?
18:24Mas o do filho foi ainda mais forte.
18:27Positivo.
18:27O vírus vai agir de forma diferente dependendo do organismo da criança, do paciente, né?
18:32Então, os sintomas são muito variáveis, né?
18:35Então, eu acho que o mais importante é vigilância da mãe em relação às crianças.
18:39E a gente está falando de que a mãe tem uma atenção redobrada quanto ao comportamento da criança.
18:45Mudou o comportamento, acendeu o alerta, porque pode estar com alguma infecção,
18:51e aí um dos vírus circulando é o coronavírus, né?
18:53Pois é.
18:54Nataliel, agora o que você espera?
18:55Qual o sentimento que você fica?
18:57Porque a gente mãe, está no ponto ainda?
18:59A gente mãe, porque você está com a doença, né?
19:02Você está passando por isso também.
19:03Mas o que está falando mais alto aí?
19:06A sua preocupação com o filho, o cuidado com a saúde dele,
19:10como é que você está se sentindo, vivendo tudo isso?
19:12A segunda vez que você está passando com um filho doente,
19:15você também agora doente junto.
19:18É, Ju, assim, eu falo, eu costumo dizer que eu estava até conversando com uma amiga minha hoje de manhã
19:23sobre isso.
19:24É assustador, né?
19:26Porque a gente está vendo o jornal, a gente está vendo as programações,
19:30e o tempo todo está falando sobre isso.
19:32É um sentimento que eu não sei nem te explicar direito,
19:35de medo, sabe, de preocupação.
19:38A gente dorme preocupado, né, em questão, será que está bem mesmo?
19:43E igual pessoas chegam para mim e falam assim, ah, ela melhora e tem uma piora, né?
19:48Então, assim, é um sentimento de medo, preocupação.
19:52Quando ele começou, principalmente ele, né, que tem seis anos,
19:56eu até falei, ai, meu filho, mamãe queria estar no seu lugar, né?
19:59E hoje eu estou no lugar dele.
20:01Então, eu sei como é que é.
20:04Então, assim, é um sentimento de medo, de preocupação,
20:06e eu deixo bem claro para todas as mães,
20:09quem puder ficar em alerta com os filhos, ficam.
20:12Porque, igual no caso do Gabriel, o Gabriel é elétrico,
20:15ele não para um minuto quieto dentro de casa, na rua, onde ele esteja.
20:18Então, a primeira coisa que ele começou, ficou quietinho, eu já desconfiei, entendeu?
20:23Então, assim, é medo mesmo, né?
20:25É medo, é preocupação, é orando, pedindo a Deus que isso vá embora logo,
20:30porque cada família que passa, né, é um sofrimento,
20:35como está tendo aí muitas famílias perdendo pessoas por causa do vírus.
20:39Então, assim, a gente fica assustada, a gente fica com medo.
20:42A vantagem é de pegar os filhos e proteger e enfiar de volta dentro da barriga, né?
20:48Para poder eles não passarem pelo que eles estão passando, né?
20:52Igual o João passou primeiro, agora o Gabriel.
20:55Eu não estou nem preocupada tanto comigo, não.
20:58Eu estou preocupada mais também em questão deles.
21:00Eu vou até aproveitar o médico que está aí, que eu ouvi um comentário,
21:04que a gente que contrai o vírus não pega novamente.
21:07Então, assim, eu estou preocupada em questão disso também.
21:10Tanto que em casa eu estou ficando mais de máscara,
21:13eu estou mantendo mais a distância deles, para poder não pegar, né, de novo.
21:17A minha preocupação também é essa também.
21:21Vamos repassar aqui a sua pergunta.
21:24Podemos pegar novamente esse vírus?
21:27Quem já teve, pode ter de novo ou não vai ter.
21:31Juliana, essa é uma pergunta para a qual a gente ainda não tem resposta.
21:35Não se sabe ainda qual é o efeito do organismo em termos de imunidade,
21:40se ela é duradoura ou não atualmente.
21:43Mas extrapolando o conhecimento que a gente tem dos outros coronavírus,
21:48inclusive dois que já foram responsáveis por duas epidemias,
21:52uma em 2002 e outra em 2012,
21:55supõe-se que gere imunidade duradoura,
21:58porque esses outros dois vírus geraram quando surgiram, emergiram.
22:03Mas certeza disso a gente não tem até o presente momento, tá, Natinha?
22:08Infelizmente não existe uma certeza,
22:09mas acredita-se que você já está imune e não vai pegar de novo.
22:13Olha, Nataliele, queria agradecer muito
22:15por você estar aqui conversando com a gente.
22:17Eu sei que não estão sendo dias fáceis,
22:20mas obrigada por dividir a história aí da sua família,
22:23que a sua recuperação seja muito boa,
22:27a do Gabriel também, que daqui a pouquinho ele já esteja, ó,
22:30correndo a casa toda, tá?
22:32Tá bom, Ju, obrigada, viu?
22:33Obrigada, botou aí, beijo, ficou com Deus.
22:36Ficou com Deus, melhoras.
22:38Tchau.
22:38Tchau, tchau.
22:40Tá aí, olha o depoimento de uma mãe que está com o coronavírus,
22:43o filho de cinco anos apresentou primeiro a doença,
22:47e tem outras famílias também,
22:48inclusive nossa equipe conversou com uma outra família,
22:51que os pais e a filha testaram positivo para a Covid-19.
22:55Vamos conferir.
22:57A família da Renata fez quarentena e se tratou.
23:00Ela, o marido e a filha de sete anos pegaram Covid-19.
23:04Ficamos em casa isolados e cumprimos todas as regras direitinho.
23:11Hoje estamos curados e, graças a Deus, vencemos essa batalha.
23:18Vencemos essa batalha.
23:19É essa a sensação que fica mesmo, né?
23:22Que é uma batalha, uma luta que a gente enfrenta de um desconhecido.
23:26Porque tem muitas pessoas que passam bem pela doença,
23:31se tratam em casa, se recuperam, sentem dores,
23:34algumas mais, outras menos, mas estão em casa.
23:37Agora, tem gente que precisa também de internação, né, doutor?
23:40Positivo, Juliana.
23:41Os casos graves que demandam, por exemplo, oxigênio suplementar,
23:45ou seja, existem aquelas crianças que elas apresentam um quadro de pneumonia importante
23:50que limita elas a oxigenar adequadamente o sangue, por exemplo.
23:55Esses pacientes, eles vão precisar de ser internados para receber oxigênio suplementar
24:00e aí ter uma condição de superar e se recuperar completamente da doença.
24:04E lembrando também que o risco de evoluir para formas graves não é zero.
24:08Existem crianças que foram, necessitaram de UTI, internação e conseguiram aí sobreviver e suportar esse período.
24:16Pois é, a gente tem aqui os dados mostrando que muitas crianças são assintomáticas
24:21ou então as crianças, quando têm os sintomas, quando têm o diagnóstico positivo para a doença,
24:27elas passam por essa quarentena dentro de casa mesmo,
24:32mas existem as exceções, existem situações que é preciso, sim, uma internação da criança, né, doutor?
24:40Positivo. Por exemplo, existem aquelas crianças que elas têm dificuldade para se alimentar ou ingerir líquido.
24:46Ou seja, essa criança, ela precisa de internar até ter condições de conseguir se alimentar ou ingerir o líquido adequadamente.
24:54É um critério, por exemplo, que a gente utiliza de internação,
24:58bem como aquele que a gente já citou da questão do desconforto respiratório,
25:01a falta de ar são pacientes que demandam aí um acompanhamento intra-hospitalar,
25:07seja na enfermaria ou no leite de UTI.
25:10307 crianças de até 9 anos foram infectadas pelo coronavírus no estado,
25:15mas como essa doença se comporta entre os pequenos?
25:17O que fazer se o seu filho pegar Covid?
25:20Como evitar?
25:21Dando as dicas aqui hoje, eu recebo o médico pediatra, especialista em saúde infantil,
25:26doutor Jovaci Mota.
25:27Doutor Jovaci, como evitar que nossas crianças se contraiam pelo novo coronavírus?
25:33As orientações para a população infantil são as mesmas para adultos, né, Juliana?
25:38Então, aí muita atenção às medidas de prevenção,
25:41higienização regular das mãos com água e sabão, o uso do álcool em gel, o uso da máscara.
25:47É muito importante que as crianças não compartilhem os brinquedos,
25:52e aí a gente fala mesmo dentro de uma mesma família, dentro da mesma casa,
25:55é importante que os irmãos, cada um tenha o seu brinquedo,
25:59para evitar que aquele que pegou, né, porventura a infecção, transmita para o outro, né?
26:04E muita atenção em relação aos avós, a gente já explicou o cuidado que tem com o avô,
26:10e diante de uma situação atípica no comportamento da criança,
26:14a gente orienta aí os pais procurar assistência médica,
26:19entrar em contato por telefone que seja,
26:21porque pode estar diante de um quadro infeccioso que pode ser coronavírus ou não.
26:24Pois é, e a indicação é exatamente essa, sempre ouvir um especialista,
26:29ficar atento também à alimentação dos pequenos.
26:32Um dos sintomas, como a gente falou aqui, é a perda do paladar.
26:36Os alimentos mais recomendados para essas crianças são os alimentos naturais.
26:41Então, evitar tudo o que é de pacotinho,
26:43biscoito de pacotinho, né, esse que a gente compra pronto,
26:47bolos prontos, balas, doces,
26:49essas coisas que tem muitos aditivos químicos, corantes, conservantes,
26:55esses aditivos químicos, eles aumentam o estado inflamatório do corpo.
26:59Como o Covid já aumenta a inflamação, né, já existe esse quadro de aumento da inflamação,
27:04alimentos inflamatórios vão agravar, vão piorar esse caso.
27:10E aí algumas orientações também para a gente dar alimentação das crianças.
27:15Nesse momento, mesmo as crianças que estão saudáveis, não apresentam qualquer sintoma,
27:19tem uma alimentação especial nesta situação, durante essa pandemia, doutor?
27:23O que a gente recomenda, né, como foi dito ali, o mais natural possível, né,
27:28a gente não restringe a dieta da criança, desde que seja uma dieta com qualidade.
27:33O mais importante, eu acho, que em termos de orientação, é aumentar a ingesta de líquido,
27:39porque pacientes com quadro de, na verdade, qualquer infecção, não necessariamente coronavírus,
27:45a febre em criança pode levar a um grau maior de perda de líquido,
27:50e com isso aumentar o risco de desidratação,
27:53que é o que mais nos preocupa diante de um quadro infeccioso na criança.
27:57Então, aumentar a hidratação é muito importante.
27:59Beber bastante água nesse momento, né?
28:02Positivo, deixar a garrafinha lá do lado do computador, junto da criança,
28:06e incentivar ela a ingerir líquido.
28:08Isso a paciente, a mãe já pode fazer em casa, diante de um suposto quadro infeccioso, né,
28:14hidratar, aumentar a ingesta de líquido.
28:16A gente vem aqui explicando que as crianças apresentam menos gravidade ao contraírem o coronavírus,
28:23mas o senhor já fez aqui um alerta que também não quer dizer que ela não vai ter nada, né?
28:26O quadro pode se agravar, por isso é importante manter todos aqueles cuidados, né?
28:32Positivo, o risco nunca é zero, né?
28:35A gente sabe das estatísticas que boa parte das crianças evoluem
28:38para uma recuperação completa, sem muitas consequências dramáticas.
28:42Porém, algumas crianças podem apresentar casos mais graves, mais exuberantes,
28:48até mesmo com necessidade de internar em UTI.
28:50Por isso, é muito importante que a família esteja vigilante
28:53em relação à evolução do quadro clínico da criança, né?
28:56Pois é, gente, tem mãe que já pegou o Covid-19 e se recuperou,
29:01por isso não se conforma com tanta criança na rua.
29:04E tem pai que não deixa o filho sair de casa de jeito nenhum.
29:08Tem mãe que traz criança ali para a praça, entendeu?
29:12Para brincar na areia, não se preocupa, não vê a gravidade.
29:18Eu mesma trabalho no hospital infantil.
29:21Nossa, todo dia chega criança com sintomas, não é brincadeira.
29:26É a mentalidade dele já consciente do perigo, do risco, né?
29:29A gente chega da rua, do supermercado, da padaria, e ele está sempre olhando
29:35se a gente já levou o chinelo, o sapato, né, para lavar.
29:41Tem que estar sempre de olho, sempre olhando.
29:44E aqueles cuidados que a gente vem falando.
29:46Saiu de casa?
29:48Deixa o sapato do lado de fora, né?
29:50Quando voltar, vai tomar um banho, lavar sempre as mãos.
29:54É muito importante tomar essas medidas de prevenção,
29:56especialmente após vir da rua,
29:59não sei se porque foi fazer alguma atividade externa.
30:03É muito importante que se evite o contato físico.
30:05Então, às vezes, é difícil, Juliana,
30:07você manter uma criança presa dentro de casa 24 horas.
30:11Então, se a mãe quiser levar a criança até o parquinho, não tem problema.
30:15O problema é ela deixar com que a criança tenha contato com outras
30:18e assim aumentando a chance de transmitir a doença, né?
30:23Pois é, exatamente esse contato da criança com outras crianças,
30:28com adultos que não estão ali na fora, dentro do ambiente de casa,
30:32isso é um risco, sim, né?
30:34Sim, positivo.
30:35Então, por isso que a vigilância é muito importante.
30:38Criança tem que estar o tempo todo sob o olhar do cuidador, do adulto,
30:43para evitar aí que a criança descuide e aí tenha contato com outro,
30:47compartilhe o objeto, abrace,
30:49e permita aí que aumentando a chance de transmitir a infecção, né?
30:54Ô, Alu Muniz participando aqui pelo Facebook,
30:56tô cumprindo isolamento por suspeita de Covid-19,
30:59afastei minha filha que é asmática,
31:01mas infelizmente o menor de 9 anos não desgruda de mim.
31:05Tô no auge dos piores sintomas, com dores fortíssimas nas costas, nas pernas,
31:09a garganta tá inflamada, não tô sentindo o cheiro, o gosto, né?
31:13Da comida e tenho muito medo do meu filho pegar esse vírus.
31:16Posso dizer que não é uma situação fácil e peço a Deus que tudo isso passe logo.
31:21Tá aí o relato de uma mãe preocupada também,
31:23porque ela tá com sintomas e o filho não, mas tá muito próximo.
31:27Positivo.
31:28É muito natural esse tipo de sentimento.
31:30A mãe sempre, o cuidador, o pai, o genitor,
31:33vai estar sempre mais preocupado com a criança do que consigo mesmo, né?
31:37Então, é muito importante que, apesar da dificuldade,
31:40se mantenha-se vigilante, busque manter a criança distante mesmo,
31:44já que é um grupo de risco, né?
31:47Ó, a Raquel Freire.
31:48Minha filha tá com 6 meses, ela tomou vacina da gripe
31:52e agora tá tossindo muito e tá botando catarro pelo nariz,
31:56muito catarro pelo nariz.
31:57Ela tá preocupada, doutor?
31:58Olha só, a vacina da gripe, ela não dá gripe, né?
32:03Provavelmente, ela pode ter pego aí alguma infecção
32:06e pode ser qualquer vírus, inclusive o coronavírus.
32:10Então, é muito importante que ela esteja atento aí aos sintomas de gravidade.
32:13Então, se tiver falta de ar, né?
32:16Dificuldade pra respirar, respiração ofegante, procurar assistência médica.
32:20Então, só pelo catarro e pela tosse não quer dizer que ela esteja com o coronavírus, né?
32:27Só ficar atento, principalmente a essa questão da respiração.
32:30Na verdade, até pode.
32:31Qualquer sintoma, Juliana, qualquer sintoma do tipo tosse, nariz escorrendo,
32:36entupido, congestionado, associado ou não a febre, pode ser coronavírus.
32:42Ah, não fiz febre ainda.
32:43Não fiz agora.
32:44Mas amanhã ou depois, durante a evolução do quadro, o paciente pode fazer febre.
32:48Tem que ficar atento, né?
32:50Doutor, muito obrigada pela sua presença.
32:53Agradeço a participação.
32:55Uma ótima tarde.
32:56Uma boa tarde pra vocês.
32:57Ficamos à disposição.
32:58Vamos voltar a tirar dúvidas, que tem muitas perguntas que vão chegando aqui.
33:02Obrigada, doutor Joacir.

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