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Psiquiatra comenta situação de pessoas em situação de rua
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NotíciasTranscrição
00:00Vou conversar agora pela internet com o médico psiquiatra, doutor Vicente Ramatiz.
00:05Boa tarde, doutor Vicente. Obrigada por atender a nossa equipe, viu?
00:10Boa tarde, Juliana.
00:12Bem, vamos falar um pouquinho do que está por trás, né, dessas histórias.
00:16É muito triste a gente ver uma pessoa sendo agredida no meio da rua por um morador, né,
00:23uma pessoa que vive realmente nas ruas.
00:25Agora, quem é essa pessoa que está na rua, né?
00:28Esse é o questionamento que muitas vezes a gente não faz.
00:33Juliana, em relação aos moradores de rua, nós temos que pensar que é uma população bastante heterogênea.
00:41Nós temos os noias, como está sendo falado aí na reportagem, né,
00:45o que é o paciente dependente químico de crack.
00:49Tem pacientes que são simplesmente doentes mentais que perderam os vínculos familiares.
00:55Tem aquele indivíduo que, por estar em mudança de cidade, de trânsito,
01:06acabou não conseguindo aquele emprego que almejava, proposta de emprego termina na rua.
01:12Tem as pessoas que estão fugindo da polícia, que caíram na ilegalidade.
01:17É uma população bastante heterogênea.
01:20Mas, escutando aí na justificativa lá do órgão lá, em relação a não poder fazer nada,
01:29veja bem, primeiro, que a abordagem de rua, em casos específicos,
01:36ela precisa contar com uma equipe multidisciplinar, né,
01:42psicólogos e na necessidade até do médico psiquiatra.
01:47E, para se identificar, se trata-se de um indivíduo que está em surto,
01:54se é simplesmente um paciente usuário de droga, que às vezes também abriu um surto,
02:02e aí a lei prevê, sim, a internação dessa pessoa,
02:07porque ela está colocando outras pessoas em risco.
02:09São, inclusive, as duas situações que prevê uma internação involuntária,
02:13é o indivíduo que está causando risco para terceiros
02:16ou o indivíduo que está causando risco para si próprio, de suicídio.
02:21Estou recente.
02:22Fala.
02:23Vamos aproveitar isso que o senhor falou agora, causando danos a si próprio.
02:29A gente sabe, né, já conversei com diversos especialistas,
02:32pessoas da assistência social que atendem essa população,
02:36essas pessoas que vivem nas ruas.
02:38E eles sempre afirmam que muitos, muitos deles são dependentes químicos
02:43ou dependentes alcoólicos.
02:45A dependência é um grande problema, ela é muito comum em quem vive nas ruas, né?
02:50Sim, é muito comum e tem como fator agravante que o indivíduo,
02:56quando está muito comprometido, ele ou já está com lesão cognitiva,
03:02com alguma deficiência, ou principalmente pela questão que os dependentes
03:07demoram muito tempo a se reconhecerem dependentes.
03:10Você conversa com alguém que é alcoólatra ou dependente de outras drogas,
03:15é muito comum ouvir a resposta que eu paro isso a hora que eu quiser.
03:19E, no fundo, ele sabe que não pode, mas o primeiro passo importante,
03:25quando se trata de dependente, é exatamente quando o indivíduo assume
03:31que está dependente e que precisa de tratamento e pede o tratamento.
03:36Agora, existe sempre uma confusão, um conforto dos órgãos que cuidam disso,
03:44e de dizer que o indivíduo não está aceitando o tratamento e que nada pode ser feito.
03:51Eu até concordo que se a pessoa está com a dependência e não está, de forma nenhuma,
03:57querendo se tratar, até porque é meio complicado de tratar esse paciente
04:03que não vai aderir ao tratamento.
04:04Porém, no momento que ele está apresentando um distúrbio de comportamento,
04:10de agressividade, está colocando pessoas em risco,
04:13deve-se sim ter uma internação compulsória.
04:17Não tem o que, nem que está discutindo isso.
04:21Por que que os nossos familiares, nós mesmos,
04:27não vamos ter que transitar na rua com risco de ter alguém que não aceita tratamento
04:32e que está com um comportamento insano, irracional, violento, daí por diante?
04:39Pois é, a gente entrou em contato exatamente com a prefeitura
04:42e a explicação é exatamente essa, né?
04:44Que eles deram que quando a pessoa está ali por simples, simplesmente,
04:48na rua, dormindo, sentada, sem ameaçar ninguém,
04:53ela não pode ser retirada de lá, nem pode ser presa.
04:56Agora sim, se ela estiver praticando algum delito,
04:58se estiver ameaçando as pessoas, aí sim é possível retirá-la dali,
05:03mas quem vai fazer esse trabalho é a polícia, né?
05:05Agora, vamos falar sobre esse caso específico de Itapuã.
05:09A gente viu aí a situação de um morador de rua atacar a mulher.
05:13Ele não foi na tentativa, por exemplo, de furtá-la, de assaltá-la, né?
05:17De roubá-la. Ele foi atacar.
05:19Isso demonstra algum problema psiquiátrico, doutor?
05:23Claro, claro.
05:27Tecnicamente, nós falamos heteroagressividade, né?
05:32Demonstra e já deveria haver uma intervenção até policial,
05:40e aí sim, se pede a avaliação pericial, técnica,
05:46para ver se se trata realmente de um indivíduo num quadro psicótico,
05:52ou se nós estamos falando de alguém que tem um sociopata, né?
05:58Que também existe isso, do sociopata estar na rua incomodando pessoas,
06:05ele está querendo, na mente doentia, está querendo estabelecer o quadrado dele,
06:11aquele área onde ele que vai mandar ali, vai intimidar pessoas e vai conseguir o que quer.
06:16Isso é só com uma avaliação individual.
06:18Mas se me permita só voltar brevemente ao outro ponto em relação
06:24às pessoas que estão simplesmente na rua e querem estar ali,
06:28isso sempre me causa um certo mal-estar escutar isso,
06:32porque, no meu entender, Juliana, é questão de evolução social que nós não temos ainda.
06:37Falta de compaixão.
06:40Se eu estou vendo uma pessoa que está na rua, abandonada,
06:45dormindo ao relento, e claramente é alguém que tem uma doença mental,
06:53que não possibilita ele ter o discernimento correto,
06:57mesmo ele dizendo que quer permanecer na rua,
07:01que é onde ele se sente bem, se sente feliz,
07:05é justo nós estarmos deixando essa pessoa assim tão sem cuidados?
07:10Tem vários aspectos para ser visto.
07:13O aspecto humano, a questão da compaixão,
07:15e o aspecto, hoje nós estamos vivendo uma pandemia,
07:19e se tem uma coisa que a pandemia está ensinando
07:21para a população e para os gestores públicos de todas as áreas,
07:30é que precisa se cuidar melhor das pessoas que estão ali
07:35com possibilidade de estar transmitindo doença.
07:38Em função, inclusive, dessas populações,
07:41outras doenças também já aconteceram.
07:44Por exemplo, a tuberculose,
07:48que era uma doença que teve tratamento,
07:52sobre controlada,
07:53hoje, há dito que já surgem algumas formas de bactérias
07:57que não estão respondendo aos antibióticos convencionais.
08:01Isso muito se deve a pessoas em condição de rua
08:04que abandonam o tratamento,
08:07e aí as bactérias vão ganhando resistência
08:11contra os tratamentos convencionais.
08:14Pois é, falando aí desses cuidados, doutor,
08:17da gente olhar com mais empatia
08:19para essas pessoas que estão nas ruas,
08:21Quero mostrar aqui alguns exemplos,
08:23porque a gente falou numa situação aqui
08:24de morador de rua atacando pessoas,
08:28atacando a população.
08:29Agora, nós vamos mostrar também
08:31o outro lado da moeda
08:32quando os moradores de rua
08:35são vítimas da violência.
08:36Em um dos casos,
08:37um suspeito de carro
08:39jogou um artefato explosivo
08:40no local onde moradores de rua estavam.
08:43Na última sexta-feira,
08:45a Polícia Civil divulgou as imagens
08:47do ataque aos moradores de rua
08:49aqui em Jardim Camburi, em Vitória.
08:50Um carro branco chega no local do crime,
08:53o motorista estaciona,
08:54um homem desce do veículo
08:56e vai para a calçada.
08:57Em poucos minutos,
08:58uma explosão,
08:59e surge então
09:00uma grande labareda de fogo.
09:02O suspeito vai embora.
09:04Policiais afirmam que esse ataque
09:05a moradores de rua,
09:06que aconteceu na semana passada,
09:08deixou uma pessoa ferida,
09:10mas essa vítima não foi localizada.
09:12A polícia também divulgou as imagens
09:14para ajudar na busca dos suspeitos do crime.
09:17O carro que aparece nessas imagens
09:19foi apreendido pela polícia.
09:22O veículo foi alugado.
09:23Policiais identificaram um motorista de aplicativo
09:26como locador.
09:27Ele prestou o depoimento e foi liberado.
09:30A polícia acredita que tinham outras pessoas
09:32dentro do veículo no momento do ataque.
09:35A polícia também acredita que esse foi um crime de ódio.
09:39Nós estamos com uma linha de investigação
09:41no sentido de ser um crime de ódio.
09:43Infelizmente, em Jardim Camburi,
09:45alguns indivíduos ou grupos
09:46estão tentando realizar uma higiene social
09:50na tentativa de retirar essas pessoas
09:53em situação de rua do bairro.
09:56Isso não será admitido.
09:57Não podemos imaginar que a gente chegue
10:00a esse nível de violência
10:02porque essas pessoas
10:05agora estão sendo hostilizadas, agredidas.
10:07Amanhã estarão sendo incendiadas,
10:09como nós já vimos em outros locais do Brasil.
10:13Pois é, a gente está vendo aí uma outra situação, né?
10:16É claro, existem moradores de rua,
10:18já mostramos aqui moradores de rua
10:20que agridem, que assaltam,
10:22que furtam a população, o comércio, enfim.
10:25Agora, a gente também tem um número
10:27muito grande de violência
10:28contra os moradores de rua,
10:30contra essas pessoas que vivem aí
10:32pelas ruas dos bairros.
10:34E olha, a Polícia Civil informou
10:35que as investigações sobre esse caso
10:37estão avançando e a vítima ainda
10:39não foi localizada.
10:40O motorista do carro foi identificado,
10:42ouvido no inquérito.
10:43Nos próximos dias,
10:45novas diligências serão realizadas.
10:47Doutor Vicente, continua aí comigo
10:49pela internet, batendo um papo.
10:51Doutor Vicente, que é médico psiquiatra,
10:54psiquiátrico.
10:55Doutor Vicente, conta aqui pra gente
10:56essa outra situação,
10:57outro lado da moeda,
10:59quando os moradores de rua
11:00são vítimas de toda essa violência, né?
11:04Pois é, Juliana,
11:05cai naquela coisa da nossa evolução,
11:08nosso estágio de evolução.
11:10Enquanto que temos pessoas
11:11que estão preocupadas aí no meio da noite,
11:14de madrugada,
11:15servir sopa voluntariamente
11:17pra esses moradores,
11:18nós temos outros que acham
11:20que podem decidir dessa forma
11:24violenta e atacar o seu semelhante,
11:29independente do nível social
11:30que ele esteja.
11:31e isso, infelizmente, é a falta mesmo
11:35de senso de humanidade mesmo
11:39pra com o próximo, né?
11:41Evolução social.
11:43E também, de uma certa maneira,
11:45a gente pode estar atribuindo isso
11:47à falta de ações dos municípios,
11:51que ficam muito...
11:53a cavaleira, ficam muito tranquilos
11:56deixando essas pessoas na rua.
11:58Eu não consigo acreditar
12:00que vai custar tanto pro município
12:02ter as chamadas residências inclusivas,
12:05investir nisso.
12:06O que custa?
12:09Encontrar algumas casas,
12:12colocar lá alguns poucos profissionais, né?
12:15Põe um escritório central
12:16com servidores, assistência social,
12:20alguns técnicos de enfermagem
12:21que passem lá pra estar avaliando.
12:24Então, submeta eles
12:25a uma avaliação médica constante.
12:28Não precisariam de jeito nenhum
12:30estar essas pessoas na rua.
12:32A gente precisa de ações mais efetivas, né?
12:35Né, doutor Vicente?
12:36Deixa eu até passar uns dados aqui.
12:38Isso, a meu ver,
12:41é simplesmente falta de vontade política
12:43mesmo de realizar as coisas.
12:44Eu tenho alguns números aqui
12:46pra passar pro pessoal de casa,
12:47porque, olha, atualmente
12:48são pelo menos 700 pessoas
12:50em situação de rua na Grande Vitória.
12:53A capital, Capixaba, tem o maior número.
12:55São cerca de 300 pessoas.
12:57Em seguida, vem Vila Velha
12:59com 200 moradores de rua,
13:01Cariacica com 147
13:03e Serra com quase 100 pessoas
13:05vivendo nas ruas.
13:06Mas é bom a gente ressaltar
13:08que esses números
13:09são apenas estimativas,
13:11já que essa é uma população
13:12que circula muito pelas cidades
13:14e nem sempre toda pessoa
13:16que está na rua
13:16é abordada por uma equipe
13:18da assistência social do município.
13:20Ou seja, a gente está aqui
13:21com várias participações também
13:23pela transmissão ao vivo
13:24no Facebook,
13:25falando da quantidade
13:26de moradores aí
13:27que estão vivendo nas ruas.
13:29A Amalu Torres está falando aqui
13:30que aqui em Itapuã
13:31ela fala perto de dois supermercados.
13:35Os moradores estão atacando
13:36mesmo a população.
13:39A Simone Bonomo Juliano,
13:41o povo tem que andar bem arrumado
13:43e com bolsa chique do lado.
13:44Por isso que acontece,
13:45quando eu vou resolver algo
13:47ou receber um dinheiro na rua,
13:48eu vou bem desarrumada.
13:49isso ela está falando aqui
13:51para não ser alvo
13:51de nenhum ataque,
13:54de assalto.
13:55A gente tem aqui o Edson Vox
13:56falando, olha,
13:57cada caso é um caso,
13:58por isso eu não julgo.
13:59Fernando Costa falou,
14:00já passou da hora
14:01de fazer uma lei
14:02que regulamenta
14:03que essa pessoa
14:03que se encontra em situação de rua
14:05seja abordada
14:06por especialistas.
14:08Bem, as cidades,
14:09os municípios falam
14:10que tem uma equipe de abordagem
14:11que conversa
14:12com essa população de rua,
14:14faz um atendimento,
14:15mas a gente vê
14:15que essas pessoas
14:16continuam na rua, né,
14:17doutor Vicente?
14:20Olha, veja bem,
14:23eu tive a curiosidade
14:24de perguntar a um juiz
14:25a respeito da lei
14:28da vadiagem.
14:30O que ele falou
14:30é que apesar de ser
14:32uma lei costumeira,
14:33ela não foi retirada
14:34do Código Penal.
14:37Então, seria uma outra questão
14:40para que a polícia
14:41pudesse abordar
14:43as pessoas que estão
14:44transitando de madrugada
14:45por bairros
14:46que claramente não pertencem
14:49àquele lugar,
14:49está fazendo o que ali?
14:50Por que tem tanto arrombamento?
14:53Então, no momento
14:54que houver ação mais efetiva,
14:57no sentido,
14:58não é tirar o direito
14:59de vir de ninguém,
15:01não é tornar um Estado policial,
15:04não é nada disso.
15:06Mas, claramente,
15:07pessoas que estão
15:08em vadiagem,
15:10não estou me referindo
15:11agora ao morador.
15:12Esse morador,
15:13como nós falamos
15:14anteriormente
15:15na entrevista,
15:17Juliano,
15:17para quem entrou agora,
15:18nós já dissemos
15:19que são vários
15:20cenários diferentes,
15:21que nós temos
15:22os nós,
15:23nós temos
15:23os doentes mentais
15:25e temos pessoas
15:26que estão
15:26transitoriamente de passagem
15:28e que temos até
15:29pessoas que estão
15:29fugindo da polícia
15:31e que estão
15:31na ilegalidade.
15:34essas pessoas
15:35que ficam
15:37pela rua,
15:38a pessoa que falou
15:41a respeito
15:41de ter que sair
15:42mal vestida
15:43para poder ir
15:44em um banco,
15:45é exatamente
15:45porque,
15:46inclusive,
15:47tem assaltantes
15:50que vão
15:51para a rua
15:51como se fossem
15:53cuidadores de carro,
15:54como se fossem
15:55noias,
15:56até para poder
15:57ficar observando
15:58melhor
15:58e praticarem
16:01seus assaltos.
16:05há de convir
16:06comigo
16:07que falta
16:07uma ação
16:08mais efetiva
16:09de abordagem
16:09com essas pessoas,
16:10né?
16:12Agora,
16:13assim,
16:13sempre quando a gente
16:14fala de população
16:16de rua,
16:16é importante,
16:17como o senhor falou agora,
16:18para quem está chegando agora,
16:19a gente está aqui
16:20contando o caso
16:21de uma mulher
16:22que estava
16:23e ia atravessar
16:24a rua
16:24no bairro Itapuã,
16:26em Vila Velha,
16:27quando foi agredida
16:28por uma pessoa,
16:29por um homem
16:29que vive nas ruas
16:30e, segundo a população,
16:31esse mesmo homem
16:32já ameaçou
16:33vários moradores,
16:34comerciantes ali
16:35na região.
16:36Mostramos também
16:37casos aqui
16:37quando o morador
16:38de rua
16:39é vítima
16:39da violência,
16:40ou seja,
16:40alguém que está
16:41passando por ali
16:42se acha no direito
16:42de,
16:43como a gente mostrou
16:44na reportagem,
16:44de tacar fogo
16:45no morador de rua,
16:47de agredir
16:47o morador de rua.
16:48Existem essas duas
16:49situações.
16:50A gente não pode,
16:52tem que deixar, né,
16:53doutor Vicente,
16:53bem claro,
16:54que não dá para dizer
16:55que a pessoa
16:56que vive nas ruas
16:57é uma criminosa.
16:58Nem todo mundo
16:59que está na rua
17:00vai te assaltar,
17:01nem todo mundo
17:01vai te agredir.
17:02Muitos estão ali
17:03por um problema social,
17:05por um problema
17:06psiquiátrico,
17:07não estão ali
17:08para cometer delitos,
17:09para arrombar o comércio,
17:11assaltar as pessoas.
17:12É bom a gente
17:12sempre deixar claro
17:14que não é todo mundo
17:15que está na rua
17:16que é criminoso,
17:17né, doutor Vicente?
17:18Porque,
17:19às vezes,
17:19a gente fica com muito medo,
17:21né,
17:21de passar por uma...
17:23Pois é,
17:24às vezes,
17:24a gente está entendendo
17:26as pessoas que se sentem,
17:27que ficam com medo
17:28de passar próximas
17:29a uma pessoa
17:30que está vivendo ali
17:30porque você não sabe
17:31quem é,
17:32você não sabe
17:32o que pode acontecer,
17:33né?
17:35É,
17:36como eu estava falando,
17:37algumas dessas pessoas,
17:38inclusive,
17:39são até bem frágeis,
17:40né,
17:41mas é questão
17:43de evolução.
17:44É extremamente importante,
17:46Juliana,
17:46essa abordagem sua
17:48do problema,
17:48cutucando aí
17:51gestores
17:51e movimentando
17:53a opinião pública
17:54no sentido de nós
17:55não estarmos aceitando
17:57tão passivamente
17:58essa situação.
17:59Nós queremos ter
18:00uma cidade,
18:02principalmente
18:04num país como esse
18:05que tem uma carga
18:05tributária tão alta,
18:07nós queremos ter o direito
18:08de estar circulando
18:09nas ruas
18:10com tranquilidade,
18:11nós queremos saber
18:12que nossos familiares
18:13estão na rua,
18:14não temos que ter
18:14tanto medo,
18:15assim,
18:16do nosso semelhante.
18:18isso é,
18:19no momento que se começar
18:20a pegar esses doentes mentais
18:22que estão na rua,
18:22colocá-los em residências,
18:24inclusive,
18:26tá oferecendo algo
18:28diferenciado
18:28pra esses
18:30noias
18:31e
18:33tivermos mais
18:33abordagem
18:34em cima
18:35das pessoas
18:36que estão
18:36puramente fazendo
18:37vadiagem,
18:39nós vamos conseguir
18:39ter uma cidade
18:40melhor
18:41aonde uma mulher
18:42possa exercer
18:43a sua vaidade,
18:44sair bem vestida
18:45como ela gosta
18:46de sair,
18:47sem medo.
18:48Se outros países
18:50são assim,
18:51por que nós temos
18:52que viver
18:53dessa maneira?
18:54Por que nós temos
18:55que aceitar
18:56vivermos
18:56na sociedade
18:58nesse nível
18:59de violência?
19:00Com certeza,
19:01Sr. Vicente.
19:02Olha,
19:02agradeço muito
19:02o seu bate-papo
19:04aqui.
19:04Obrigada
19:05por parar um pouquinho
19:06aí os atendimentos
19:07pra bater um papo
19:08aqui com a gente.
19:08Uma ótima tarde
19:09pro senhor,
19:10viu?
19:10Tchau.
19:10Tchau.