Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 1 semana
Mais de 15 mil casos foram registrados no estado este ano

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:01Mãe de quatro filhos, dois pequenos, um de colo, mas ela nem tem forças mais para segurar esse bebezão aí.
00:09Você pega um copo de água na mão, um simples copo de água na mão, você já sente a diferença,
00:13sente dor e não consegue pegar direito não.
00:16E para pegar seu filho, esse bebezão?
00:18Eu tive a ajuda das minhas filhas, das minhas irmãs, da mamãe, de todo mundo em casa, porque eu não
00:23conseguia nem levantar, às vezes, do sofá.
00:25Um mês depois da chikungunya, as dores continuam.
00:33Dor no corpo, nas juntas, dor de cabeça, apareceram manchas vermelhas no corpo, falta de ar, dor em todo o
00:42corpo, na costela, nas costas.
00:43Foi muito difícil.
00:44Sendo um pouco difícil, porque assim, dor em todo o corpo ainda, ainda, depois de um mês.
00:51A Sheila, que passou por todo esse sufoco, é moradora aqui do bairro Vila Capixaba, em Cariacica.
00:56Comunidade que está cheia de terrenos abandonados, cheios de mato, lixo, sujeira.
01:02Aqui também tem, ó, muitos valões abertos.
01:05Ou seja, tudo que aquele famoso mosquitinho, o Aedes aegypti, adora.
01:11E se você não sabe, fique sabendo.
01:14Esse mosquitinho aqui, ó, é o causador da dengue, da zika e também da chikungunya.
01:24Só este ano, em todo o município, já são 1.276 casos.
01:29No mesmo período de 2019, foram 44 casos.
01:34Tenso, né?
01:35Sobre o bairro Vila Capixaba, a própria associação de moradores fez um levantamento de casa em casa.
01:49Nós temos um grupo, o grupo da utilidade da vila.
01:52E nós colocamos essa... eu coloquei lá no grupo lá, que as pessoas me trouxessem os casos.
02:00Para a prefeitura, o que nós apresentamos foram apenas 51.
02:03Mas depois identificamos mais de 120 casos dentro do bairro Vila Capixaba, infelizmente.
02:16Sobre o bairro, a comunidade diz que é preciso mais limpeza e a volta dos agentes que entravam nas casas
02:22para verificar focos do mosquito e orientar o povo.
02:25O serviço foi suspenso por causa da pandemia.
02:28Vários ofícios já foram enviados para a prefeitura.
02:36Com a pandemia, houve um decreto municipal que proibiu os agentes de adentrar as residências.
02:43E com isso, afrouxou, vamos dizer assim, os cuidados.
02:46As pessoas afrouxaram um pouco os cuidados.
02:49E também os agentes não estando ali para identificar os focos,
02:53aconteceu que nós tivemos uma proliferação muito grande desse mosquito no bairro.
02:58E a prefeitura responde o quê?
03:00O que é que ela responde a esse monte de ofícios que vocês protocolam lá?
03:04A resposta da prefeitura para nós é que, no momento, ela só pode nos atender com o carro fumacê.
03:12Uma vez por mês?
03:13Uma vez por mês, de acordo com o calendário divulgado por ela.
03:22O avanço da chikungunha preocupa em todo o Espírito Santo.
03:26Só este ano já foram 15.203 casos.
03:30No mesmo período do ano passado, foram 2.268.
03:34Essa doença é grave, deixa sequelas e pode matar.
03:38Três pessoas já morreram este ano aqui no estado.
03:41Essa doença, ela pode ter outras complicações, como comprometimento do coração,
03:47levando a miocardite, insuficiência coronariana, mas também encefalites e a síndrome de Guillain-Barré.
03:54A síndrome de Guillain-Barré, ela é uma síndrome, é uma paralisia ascendente,
04:00que pode levar ao óbito, principalmente por insuficiência respiratória.
04:04Vários vizinhos de Dona Sandra tiveram chikungunha e sofrem com os sintomas.
04:09O nosso vizinho, eu posso até dar o nome dele, Aldo, é muito amigo, sofreu muito junto com a gente,
04:15na época ele também estava e tem cinco meses, ele não consegue amarrar o sapato, mexer as mãos.
04:21Cinco meses?
04:22Cinco meses nessa luta, sofrendo muito com a sequela, assim ficou, do chikungunha.
04:30No peito de Gabriele, a foto do pai, homenagem a seu Carlos, mecânico, cheio de vida, que pegou a doença.
04:40O papai começou a ter visão dupla, com visão dupla, a gente teve que levar ele para o oftalmo,
04:48o oftalmo falou que era neurológico e era devido à chikungunha, e a fraqueza na perna continuou.
04:55Daí a neurologista falou assim, Gabi, isso aí é característico de Guilain-Barré.
05:00Por causa da chikungunha, o seu Carlos desenvolveu uma síndrome chamada de Guilain-Barré.
05:05O corpo foi paralisando e ele morreu.
05:08É uma síndrome ascendente que vem parando do dedinho do pé para cima, vai parando todos os músculos e órgãos.
05:15O papai teve paralisia na perna esquerda e no braço esquerdo, perdeu a voz, ele não perdeu a fala, mas
05:21ele perdeu a voz,
05:22e desenvolveu arritmia cardíaca, queda de pressão, insuficiência renal, teve que passar por diálise,
05:29isso tudo em um mês, a gente lutando.
05:32Ele foi para a UTI, não aguentou e foi a óbito.
05:37E para você ficar alerta, preste atenção nos principais sintomas da chikungunha.
05:41A chikungunha tem a característica de dar muito mais dor articular do que a dengue.
05:46E é uma dor nas articulações com, às vezes, inflamação dessas articulações.
05:51Então, é uma doença febril, que eventualmente pode até não dar febre mesmo,
05:57mas que dá muita dor no corpo, mas a dor articular é o que chama a atenção na chikungunha.
06:03Com a perda do pai, Gabriele virou uma guerreira na luta contra o mosquito,
06:07e faz um apelo para todo mundo embarcar nessa.
06:10O meu pai sempre gostou de ajudar muito as pessoas.
06:13Ele não tinha nada dele, o que era dele era dos outros.
06:16Então, eu me acho agora no dever de continuar esse legado dele
06:20e lutar pelas pessoas, pelo menos, mais próximas a mim.
06:24Então, a gente tem que combater esse mosquito, porque tem coisas acontecendo no bairro
06:28que nem todos colocam a cara, mas são coisas que a gente precisa mudar.
06:32Como, por exemplo, o jarrinho de planta, que precisa colocar uma areia,
06:35ou um lote vazio, que precisa ser limpo.
06:38São coisas que a gente precisa criar o hábito para poder ter uma melhoria de vida.

Recomendado