00:00Como que vocês fizeram para montar aquele dispositivo ali?
00:03Boa tarde, Natália. Nós identificamos essa necessidade nos hospitais aqui da Grande Vitória
00:08de um procedimento que gerasse pressão negativa nos quartos e assim eliminasse a possibilidade de contato
00:15tanto do paciente como de outras pessoas dentro do quarto com ar contaminado.
00:19Isso tradicionalmente é feito fazendo uma pressão negativa em todo o quarto.
00:24E aí após um amplo debate com a equipe técnica do hospital, nós tivemos a ideia de desenvolver um dispositivo
00:29que gerasse pressão negativa somente na cabeça do paciente.
00:33Então nós permitiríamos a entrada do ar nesse dispositivo para a respiração do paciente
00:40e a saída do ar seria por um duto específico, uma tubulação específica, um filtro.
00:45Então o ar sairia descontaminado.
00:48A partir daí nós começamos a desenvolver essa ideia, começamos a buscar materiais
00:52que nos permitissem o desenvolvimento desse dispositivo e num período total de quatro meses
00:56entre a geração da ideia até a gente ter o dispositivo aprovado no hospital.
01:01Como é que é mais ou menos as etapas para a construção dele?
01:04Ok. Os desafios que nós enfrentamos, o primeiro foi encontrar um material, um plástico que fosse transparente
01:11e que tivesse características que permitisse fazer naquele formato que envolvesse a cabeça do paciente.
01:16O segundo desafio era um segundo material, um plástico que permitisse a vedação entre o capacete e o paciente
01:25sem gerar desconforto.
01:27E o terceiro desafio era um terceiro plástico que tivesse um papel estrutural
01:31e garantisse todo o formato desse dispositivo.
01:34Basicamente, nós temos um motor que funciona como um exaustor puxando o ar do ambiente para dentro do aparelho.
01:42E assim esse dispositivo permite que o paciente respire.
01:45E do outro lado do aparelho, então, há uma tubulação em que após o paciente respirar, o ar sai e
01:53é filtrado
01:55evitando que tenha um ar contaminado.
01:58Vale ressaltar, Charles, que não são respiradores, correto?
02:02Não, não são respiradores. É um dispositivo, como eu falei no início, dedicado a garantir que o paciente
02:08as pessoas que vêm ao quarto, enfermeira, médico, etc., não têm contato com o ar contaminado,
02:15visto que ele é filtrado, após ser respirado pelo paciente, ele é filtrado antes de ser disponibilizado.
02:22Charles, explica para a gente como que é para você, como profissional, como representante da empresa,
02:26desse centro tão importante, vocês chegarem a um resultado como esse.
02:30Vocês tinham um espelho aí de um quarto para um gerador grande para fazer aquilo para todo mundo
02:36e transformar aquilo numa forma individual, rápida, fácil, fácil acesso, um custo mais baixo e vocês conseguiram.
02:43Como que é para você, assim, como realização pessoal, como empresa para você?
02:47Esse é um grande desafio que traz muita satisfação para a gente,
02:50porque o centro de pesquisa, ele continuamente vive esses desafios.
02:53A gente costuma dizer que o centro de pesquisa é uma fábrica de ideias,
02:57os pesquisadores são profissionais de ideias, a gente tem que estar o tempo todo buscando soluções inovadoras.
03:03E quando nós nos deparamos e vimos que colocar a pressão negativa no quarto inteiro
03:09demandaria grandes exaustores, grandes tubulações,
03:12imediatamente a gente começou a pensar em algo que fosse mais barato, mais rápido,
03:16e nós sabíamos da pressão do tempo, porque a pandemia já estava aí.
03:21Então, é um desafio que a gente enfrenta cotidianamente e nos traz muita satisfação
03:26quando, após quatro meses, a gente consegue esse resultado tão positivo.
03:30E em custos bem interessantes também, um aparelho desse sai em torno de R$ 1.200.
03:38É incomparável você ter uma infraestrutura para gerar pressão negativa no quarto inteiro.