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Homem detido por tentar estuprar duas mulheres foi ouvido e liberado pela polícia.
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NotíciasTranscrição
00:00Bem, vamos tirar aqui as dúvidas com o advogado criminalista, doutor Felipe Sodré.
00:04Boa tarde, doutor Felipe, bem-vindo ao Fala Espírito Santo.
00:07Boa tarde, Juliana, boa tarde, espectadores.
00:09Bem, a gente tem imagens aí que mostram a perseguição desse homem, o ataque dele a uma mulher,
00:15ela conseguiu escapar, depois ele foi atrás dela de novo.
00:18Uma outra vítima também falou, olha, ele me perseguiu também.
00:22Por que esse homem está solto?
00:24Eu tomei conhecimento desse caso também.
00:27Então, está entendendo tudo agora, né?
00:29É difícil até dizer, porque estatisticamente isso é incomum, geralmente em casos que envolvem violência ou grave ameaça.
00:40Normalmente, em casos em que tem mais de uma vítima, uma reincidência ali no próprio ato,
00:47normalmente nós vemos mais a prisão ser mantida.
00:50Mas o que nós temos que lembrar é que, historicamente, no Brasil, a legislação tem um sentido
00:57de que a prisão é a exceção quando é antes da condenação.
01:03Ou seja, antes de que o sujeito seja condenado, a prisão sempre tem que servir a algum propósito.
01:09Seja para impedir que o sujeito fuja, seja para que ele pratique novos crimes,
01:15ou que ele esteja atrapalhando o processo de alguma maneira.
01:19Então, cabe ao juiz, no caso, num caso de flagrante, ele é conduzido até o juiz na audiência de custódia,
01:26e o juiz analisa as peculiaridades do caso concreto, analisa o histórico do sujeito,
01:31foi aventado na reportagem que talvez ele tenha algum problema de adicção a drogas,
01:36eu não sei o perfil histórico desse sujeito, se ele tem algum problema realmente psiquiátrico ou não,
01:42e o juiz leva isso em conta no caso ali para decidir se ele mantém essa prisão,
01:48ou se, caso contrário, o sujeito pode responder em liberdade com alguma medida.
01:53Ou seja, o processo vai estar rolando, mas ele pode responder em liberdade ou responder atrás das grades.
01:59Isso, exatamente. O processo, é bom que se diga, o processo continua rolando.
02:04A gente fica com essa sensação, e é bom a gente lembrar que isso, quando a gente vê o sujeito
02:10de volta às ruas,
02:11isso não significa que ele foi liberado simplesmente.
02:14É porque a revolta que dá, é porque a gente fica vendo, olha, uma imagem como essa,
02:18pode deixar na tela, diretor, ver uma imagem como essa, olha, está perseguindo a mulher.
02:23Perseguiu duas, né? Foram dois casos, pessoas até que se conheciam, as mulheres da mesma igreja,
02:28falaram, olha, mas ele acabou de me seguir também.
02:29Ou seja, ele não vai fazer isso com uma terceira, ele não vai fazer isso com uma quarta mulher,
02:34enquanto não sair esse processo, porque dura geralmente quanto tempo, assim,
02:38um processo como esse, uma acusação como essa de estupro, tentativa de estupro a duas mulheres, doutor?
02:44É, difícil dizer, porque varia de acordo com cada vara, é um processo que corre na justiça estadual,
02:50a justiça estadual, ela tem um número já maior de processos por vara, que tem que cuidar,
02:56varia de acordo com cada comarca, se a Cariacica, Vitória, Serra, né?
03:00E por isso tende a demorar mais de ano, né? Um processo a terminar.
03:04Então, e a gente pensa assim, né? Imagina só, mais de um ano para ter aí um resultado desse processo,
03:10ou seja, que também a gente não sabe se ele vai ser preso, se ele vai ser liberado,
03:13e enquanto isso, nesse um ano, mais ou menos, ele não pode fazer outras vítimas, né?
03:18Esse acaba sendo o questionamento, e a gente já está com as participações aqui na nossa transmissão no Facebook.
03:24A Ilda Pereira Alves está falando assim, olha, boa tarde, Liana, na minha opinião,
03:27todo estuprador deveria ter os órgãos genitais decepados.
03:32É um... é um... é um... é um...
03:34A gente, você está querendo usar, né? Fica sem, né, Romulo?
03:37Isso é um sentimento de revolta que é muito comum, até, principalmente nesses crimes sexuais,
03:41e a gente volta e meia ouve até falar sobre esse assunto, né?
03:44Há alguns anos houve propostas no Brasil relativa à castração química, né, de indivíduos.
03:50Mas isso é importante dizer que, na verdade, criminologicamente, até entrando nesse assunto,
03:56isso não é adequado porque não é o fato do sujeito ter o órgão sexual ou não
04:00que faz com que o estupro, né, seja cometido ou tentado.
04:04Vários relatos na criminologia de pessoas, de homens, né, o estuprador que é, por exemplo,
04:08é impotente, que não tem capacidade, né, para praticar ato sexual,
04:12mas o estupro é uma relação de poder, né, né, e isso a gente volta na relação...
04:16Como tem isso nas últimas semanas, né, crimes contra mulheres no Brasil,
04:21feminicídios, estupros, casos, né, que entraram na mídia essa semana, né,
04:26o que nós temos é um machismo histórico no país e que os homens se sentem
04:29numa relação de poder sobre as mulheres, né, e isso não é uma castração química
04:34que muda na psique do sujeito.
04:36Pois é, a gente, inclusive, falou essa semana aqui, né, no Fala Espírito Santo,
04:39o caso da Mariana Ferreira, aquela modelo, o processo está aí rolando,
04:42foi muito divulgado, ampliado aí pela mídia, pela forma com que foi conduzida
04:47essa audiência, e aí a gente lembrou aqui no estúdio, o senhor falou aí
04:51desse estupro que não precisa ser exatamente com os órgãos genitais,
04:57a gente mostrou o caso de um estuprador em série que ele utilizava objetos,
05:02ele inseriu objetos nas vítimas, ou seja, não era o órgão dele,
05:05mas ele introduziu objetos, isso é um estupro também, né?
05:08Exatamente, né, nós ficamos muito que o estupro, ele não é só isso, né,
05:12o crime de estupro é todo o ato, né, libidinoso, que pode ser, segundo a legislação
05:17de conjunção carnal, né, ou não, né, e em muitos casos não é, né,
05:22que envolve simplesmente, às vezes, carícias, que envolvem objetos,
05:25que envolvem outras coisas, né, a pena, né, nesse caso, simplesmente,
05:29a castração química, por exemplo, não impede que o sujeito retome o fato, né,
05:32porque a relação de poder, ou seja, de enxergar a mulher como um objeto,
05:36de enxergar alguém que é vítima de violência, continua.
05:40Falando em pena, doutor, qual a punição para um estuprador?
05:44A pena do estupro hoje, a pena mínima, salvo enganos,
05:47ela está em seis anos e chega até a quase 20 anos de prisão, né,
05:51um estupro simples, né, tem um estupro de vulnerável,
05:54que é ainda uma pena ainda mais elevada.
05:56E olha, a gente está aqui falando, né, desses casos de prisões,
05:59tem um outro caso hoje, que está chamando muito a atenção,
06:02que é o da Evelyn Bernardo de Oliveira, de 20 anos.
06:05A jovem foi assassinada no dia do aniversário com um tiro na cabeça,
06:09foi no fim de semana.
06:10O marido da vítima, de 21 anos, é o principal suspeito.
06:14Ele procurou ontem a delegacia, acompanhado do advogado,
06:17e contou para a polícia que o tiro foi acidental.
06:21Segundo o jovem, após uma crise de ciúmes,
06:23ele decidiu dar um susto na esposa,
06:25só que a arma estava com munição,
06:27e ele alegou que não sabia deste pequeno detalhe.
06:30A mãe da vítima informou que o relacionamento dos dois
06:34sempre foi conturbado e marcado por ciúmes.
06:37Vamos ouvir um trecho da entrevista da mãe.
06:40Roda aí.
06:42O relacionamento deles não era nada saudável, não.
06:45Ela, no começo, ela escondeu muita coisa de mim,
06:48mas depois a própria mãe dele me ligava, no meio da noite, desesperada,
06:53com eles de fundo, brigando, gritando,
06:55ela falando ali, não sei o que fazer,
06:57não acabasse matando aqui.
06:59Às vezes, por ciúme, ela chegou a pegar ele com duas meninas,
07:03na cama, umas gêmeas lá, ela chegou aqui chorando muito,
07:07e foi agredida a grávida, fez o boletim de ocorrência,
07:12tem esse registro que ele agrediu ela,
07:14ela mandou várias fotos,
07:16que está até com a polícia já essas fotos.
07:20E depois que aconteceu isso,
07:22e ela voltou para lá acreditando que ele ia mudar
07:24com o nascimento da Sofia,
07:27como eu conversei muito com ela,
07:29ela, eu acho que começou a esconder de mim,
07:31então ela já não vinha para cá, não me ligava,
07:33ela ia para casa de amigos,
07:34quando ela tinha um problema com ele,
07:36quando ele humilhava ela,
07:39e ela sofria muito,
07:40ele agredia ela no meio da rua,
07:42perto de todo mundo,
07:42ela vivia chegando com hematomas aqui em casa.
07:47E olha, a gente, de acordo com a Polícia Civil,
07:50esse suspeito tem pelo menos
07:51cinco passagens anteriores.
07:54A última foi no final de julho,
07:56na nova fase da Operação Caim.
07:58Na época, ele foi autuado em flagrante
08:00por tráfico de drogas e porte ilegal
08:02de arma de fogo de uso restrito.
08:04O juiz, que recebeu o suspeito na audiência de custódia,
08:08entendeu que ele poderia pagar o que devia
08:10fora da cadeia, usando uma tornozeleira eletrônica.
08:13Só que, no mês passado,
08:16o suspeito tirou a tornozeleira por conta própria.
08:20Mas como é que pode isso?
08:21A gente está aqui com o advogado criminalista,
08:23Dr. Felipe Sodran.
08:24Então, Felipe, como é que pode?
08:25A pessoa está ali com a tornozeleira,
08:26ele arranca a tornozeleira, ninguém percebe isso,
08:30e aí ele está ali cometendo atos violentos contra a esposa,
08:34ela acabou morrendo.
08:36A situação hoje, é bom a gente lembrar também
08:38que o sujeito foi preso,
08:42aparente em uma operação policial anterior,
08:45e foi permitido responder ao processo em liberdade.
08:48Da mesma forma, o processo continua,
08:50ele pode ser condenado ainda.
08:51Pois é, eram outras situações,
08:52que não a violência doméstica que ele praticava ali
08:55com a esposa dele, não.
08:56Eram outras acusações, né?
08:58Isso.
08:58E aí ele estava respondendo em liberdade, né?
09:01Mas com essas condições,
09:02entre elas, o uso da tornozeleira, né?
09:04Quem monitora a tornozeleira
09:06não é propriamente o próprio juiz, né?
09:08A Secretaria de Justiça do Estado,
09:10que tem o controle, monitora, né?
09:13Caso aconteça, o caso quebre.
09:15Então, caso o sujeito retire a tornozeleira,
09:18ou ela quebre, algum motivo,
09:20a prisão não é automática.
09:22Por quê?
09:23Porque, segundo até a Constituição Federal,
09:26as pessoas só podem ser presas no Brasil
09:29em flagrante delito,
09:30ou por ordem escrita e fundamentada
09:32de um juiz competente.
09:35Então, se lá na Sejus, por exemplo,
09:38percebeu-se que o sujeito tinha quebrado a tornozeleira,
09:41ou retirou a tornozeleira,
09:43o máximo que eles podem fazer é enviar
09:45e comunicar ao juiz desse fato,
09:48para que o juiz, então, emita a ordem de prisão.
09:50Pois é, nós até, gente, procuramos a Secretaria de Justiça
09:53para saber se eles receberam alguma notificação
09:56quando a tornozeleira foi retirada,
09:58se algo foi feito,
09:59mas a gente ainda não teve um retorno sobre isso.
10:02Ou seja, será que não há um controle?
10:04Eles não sabem quando a pessoa consegue quebrar
10:07uma tornozeleira,
10:08quando essa pessoa não está utilizando a tornozeleira?
10:12Que controle é esse, né?
10:14Isso.
10:14A tornozeleira, tal como ela foi idealizada,
10:17a tecnologia que permite a tornozeleira eletrônica,
10:19ela diz que quando o dispositivo for violado,
10:22para retirar ou para ser quebrado,
10:25ele automaticamente emite um sinal
10:26para a central de monitoramento,
10:28para que se saiba que ele não está funcionando.
10:31Se houve alguma falha nesse mecanismo,
10:34se teve algum problema,
10:35aí é uma questão a se investigar na Sejus,
10:37ou se realmente houve o recebimento
10:39e foi encaminhado para a justiça ou não.
10:41E o Roberto do Rosário falando aqui.
10:44Juliana Lira, sou brasileiro,
10:46como morei muitos anos na Itália,
10:47do Brasil eu sinto, eu sinto muito em dizer
10:50que tem vergonha, as leis brasileiras,
10:53a que matou, seja atropelado, com arma de fogo,
10:56apresentou-se dois dias depois,
10:58com advogado, sai pela porta da frente.
11:00Só falta colocar um tapete vermelho.
11:03Ele ainda fala aqui, ó,
11:04lei frouxa e vergonhosa aqui no Brasil.
11:08Vamos falar sobre essa questão também,
11:09porque esse é um outro ponto também,
11:11que foi questionado até pela família da Evelyn, né?
11:14Primeiro que é assim,
11:15como é que pode o cara estar sem tornozeleira eletrônica
11:17e ninguém saber?
11:19Como é que pode ele atirar,
11:21dizer que atirou mesmo,
11:23mas que foi um acidente,
11:24e aí ele sai?
11:26Sai andando?
11:27Vamos até por partes aqui, né?
11:29O fato de ele ter, por exemplo,
11:30quebrado a tornozeleira,
11:31então no momento que o juiz souber dessa situação,
11:35e agora ele totalmente vai saber, né?
11:37Se não pela Secretaria de Justiça,
11:39pelo fato de ter noticiado, né?
11:42Isso é um motivo para a revogação da liberdade provisória.
11:45Então, nesse processo anterior mesmo,
11:47que já estava ocorrendo,
11:49ele estava em liberdade provisória
11:50sob uma certa condição.
11:51A condição foi quebrada, né?
11:54O juiz tem tudo para prendê-lo novamente,
11:57pelo crime anterior, né?
11:59Já em relação ao novo crime cometido,
12:02que é a morte da esposa,
12:03tem uma situação que é o caso, né?
12:05Que não houve ali um estado de flagrância, né?
12:09A lei, repetindo,
12:10ela diz que o sujeito só pode ser preso em flagrante,
12:13pela polícia ou por qualquer pessoa,
12:15ou por uma ordem judicial.
12:17No caso, o sujeito não foi preso em flagrante.
12:20Pois é, o caso aconteceu no fim de semana,
12:23ele foi ontem na delegacia,
12:25passou, passou e muito esse período de flagrante,
12:27que dura o quê?
12:2824 horas, doutor, ou mais tempo?
12:30Depende.
12:30Na lei, ela não especifica um período exato,
12:35ela diz uma circunstância que tem que estar acontecendo.
12:38Então, o flagrante acontece.
12:40Quando o crime está ocorrendo,
12:41o policial vê o sujeito praticando.
12:43No ato ali, na hora?
12:44No ato ali, ou como os populares ali,
12:45no caso da tentativa de subida na moça,
12:47flagraram ali o sujeito em cima da moça.
12:49Ou não, acabou de acontecer,
12:51mas o sujeito está em perseguição.
12:53A polícia viu o sujeito acabando de cometer o crime
12:55e sai atrás dele.
12:56Ou então, ele sumiu, mas logo depois do crime,
12:59ele foi encontrado com objetos que façam saber que ele é o autor do crime.
13:04Tudo isso é o estado de flagrança.
13:06Pouco importa se passou horas, passou mais de dia,
13:09a polícia está um dia em perseguição do sujeito.
13:12Ainda é flagrante.
13:13O que aconteceu é que nenhum desses casos esteve presente aqui.
13:17Aconteceu o fato, a moça foi encaminhada para o hospital e faleceu,
13:22e ele sumiu por um tempo e se apresentou somente dois dias depois.
13:26Então, não foi nem a polícia que o capturou,
13:28ele se apresentou espontaneamente.
13:30E nesse caso, o flagrante não pode acontecer.
13:33Pode ainda o sujeito ser preso?
13:35Pode.
13:35Mas isso agora vai depender também de uma ordem do juiz para prendê-lo.
13:40Pois é, gente.
13:41A mãe da Evelyn falou sobre o sofrimento de perder a filha.
13:46Eu queria que ele sentisse a dor que eu estou sentindo.
13:50E que ele não acabou só com a vida da minha filha, não.
13:53Com a própria vida dele também,
13:54que ele vai carregar essa culpa com essa vida.
13:57E a filha dele vai crescer órfão de mãe,
14:02tão novinha e afastada do pai.
14:05Olha só.
14:06Olha a situação que ele causou no dia do aniversário,
14:09o presente que ele deu para a pessoa que amava ele.
14:11Eu queria que, sei lá, que ele botasse a mão na consciência
14:19e visse o estrago que ele fez.
14:23É um estrago, né, na família.
14:25Imagina, mas deixou uma criança sem a mãe e um pai,
14:30que a gente não sabe o que vai acontecer,
14:32mas tudo indica que ele pode vir a ser preso, né, doutor?
14:34Sim, a gente não pode fazer nenhum prognóstico, né,
14:38porque a gente não está aqui fazendo vidência, né,
14:41mas só analisando de acordo.
14:42Mas é claro que o futuro, né,
14:45bem provavelmente aguarda apenas de prisão para ele,
14:48em relação ao crime já cometido e ao novo.
14:52É lembrar que isso é revolta,
14:54revolta às pessoas e revolta com razão,
14:57né, porque são crimes bárbaros que têm acontecido,
14:59são situações que as pessoas não compreendem, né,
15:01mas a justiça, né, ela tem meios de se aprimorar,
15:06ela tem que funcionar, né,
15:07hoje o Estado, infelizmente, por exemplo,
15:10tem ainda um déficit tecnológico em relação a outros Estados,
15:14né, nós temos hoje no Espírito Santo, por exemplo,
15:16os processos que correm na justiça estadual
15:18são todos físicos, né,
15:20são todos de papel ainda,
15:21então tem aquele volume de papel,
15:23então toda vez que a delegacia para o juiz, né,
15:26tem que ter alguma comunicação,
15:28vai aquele calhamaço de papel que é levado para o malote,
15:30e volta com uma decisão, né,
15:33enquanto um processo eletrônico,
15:35provavelmente, faria com que essas comunicações
15:37seriam muito mais fáceis, muito mais simples,
15:39essa própria comunicação da Sejus, né, com o juiz,
15:41talvez seria muito mais fácil, né.
15:43E, ó, a gente está com participações chegando aqui,
15:45o Rogério Gomes está falando,
15:46isso chama-se licença para matar,
15:49a vida não vale nada mesmo,
15:51nem para a justiça.
15:52A Alda Silva está aqui,
15:54gente, Evely, eu estou revoltada com esse cara,
15:56ele não é réu primário,
15:58sem palavras,
15:59tinha que estar preso,
16:00matou,
16:01mentira,
16:01que ele não sabia que não tinha bala na arma,
16:04ele é bandido,
16:05e aí ela colocou aqui o depoimento dela,
16:08e fala assim,
16:09porque a justiça não funciona.
16:13A Valéria Ribeiro está falando,
16:14isso é uma vergonha,
16:15Diego Simão aqui está falando,
16:17todos somos iguais perante a lei,
16:18mas não diante dos encarregados de cumpri-la.
16:22Existe sempre um forte questionamento aqui
16:24da atual legislação brasileira,
16:26porque permite que pessoas que confessam um crime,
16:30pessoas que têm ali a prova,
16:32como aconteceu no caso do estuprador,
16:34a tentativa de estupro,
16:36está ali a prova,
16:37ele vai responder em liberdade,
16:38e isso acaba gerando uma revolta na população.
16:41Como é que pode estar solto?
16:42É, eu, me parece que hoje o sistema judiciário
16:46tem que enfrentar questões de gargalo,
16:49de falta de efetividade,
16:50mas na sua própria estrutura.
16:53Por exemplo, nós temos essas questões,
16:55são crimes graves,
16:57e que podem ter sido atrapalhados
16:58por um mar de processos
17:00que hoje está no judiciário,
17:02que os juízes têm que trabalhar
17:03com outros crimes que são muito menores.
17:05Então, você pode pegar, por exemplo,
17:06uma vara comum,
17:07uma vara normal,
17:09numa comarca aqui em Vitória,
17:11Cariacica, Serra,
17:12você vai ter,
17:13mesmo julgando,
17:14mesmo aquele furto ali
17:16de uma bala no supermercado,
17:18e é o mesmo processo
17:19com todo esse trâmite
17:21que custa dinheiro para o Estado,
17:23e crimes,
17:24esses crimes gravíssimos que acontecem.
17:26Então, nós temos muito
17:28uma deficiência de juízes,
17:30é bom que se diga,
17:30hoje no Brasil,
17:32nós temos uma deficiência
17:33de funcionários públicos,
17:34nós temos muitos processos
17:36por juiz,
17:37e poucos juízes
17:38por cidadão brasileiro,
17:41e nós temos a situação
17:42que fica,
17:43para o cidadão comum,
17:44a instância de que
17:45as instâncias não estão funcionando.
17:47E olha,
17:48parece que funciona
17:48para um e para outros não.
17:50O comentário da Tereza Freitas.
17:51Juliana, boa tarde.
17:53Meu filho não foi pego
17:54em flagrante,
17:55e está lá, olha,
17:56preso desde 2012,
17:57e esse cara aí solto,
17:58que vergonha.
17:59Pois é,
17:59é uma situação
18:00que fica muito,
18:01no judiciário,
18:02e uma questão que,
18:04a prisão,
18:06por exemplo,
18:06e uso de tornozeleiras,
18:07ela veio para remediar
18:09um problema,
18:09que existe,
18:10que é muito forte
18:12no sistema prisional,
18:14que é a superlotação
18:15do sistema prisional.
18:16O uso de tornozeleiras
18:18e medidas cautelares
18:19alternativas
18:19veio para tentar desafogar
18:21um problema crônico
18:22e perigosíssimo,
18:25que é a superlotação prisional,
18:26que já gerou,
18:27por exemplo,
18:27em anos recentes
18:29aqui na história,
18:30massacres em prisões,
18:32o total desrespeito
18:34a direitos humanos básicos
18:37dentro da prisão.
18:38Ou seja,
18:39a tornozeleira eletrônica
18:42e essas outras medidas cautelares
18:43tendem a resolver um problema,
18:45mas elas tendem a resolver
18:46um problema
18:46com a fiscalização
18:48e com o uso adequado,
18:49para que elas não vejam,
18:51não venham,
18:52eventualmente,
18:53a causar esse outro tipo
18:54de problema,
18:55como a gente tem visto
18:57acontecer.
18:59Caso haja algum problema,
19:01caso haja algum perigo
19:02para as pessoas,
19:03caso a tornozeleira
19:04seja retirada,
19:06a justiça tem que ver
19:07isso o mais rápido possível.
19:08E isso passa,
19:09mais uma vez,
19:10pela falta de recursos,
19:11pela falta de tecnologia
19:12na nossa justiça,
19:13que é muito mais,
19:15eu diria,
19:15até um problema,
19:16mais do que simplesmente
19:17a própria legislação.
19:18Nós temos uma legislação
19:19que tenta funcionar,
19:20mas nós temos recursos materiais
19:23que são muito insuficientes
19:25para aquilo que a legislação
19:26se propõe.
19:27Então,
19:28se cria situações como essa,
19:29que o sujeito
19:31aparentemente tinha retirado
19:32a tornozeleira
19:32há mais de um mês
19:33e a justiça talvez
19:34nem soubesse disso ainda.
19:36Então,
19:36como é que se resolve isso?
19:37Pois é,
19:39e essa questão
19:40aí da tornozeleira eletrônica,
19:41a gente até separou
19:42um outro caso
19:43em que o bandido
19:44deveria estar
19:45com a tornozeleira,
19:47mas retirou o equipamento.
19:49Vamos ver.
19:50Durante a Operação Marias,
19:52em julho deste ano,
19:54seis homens foram presos
19:55suspeitos de cometerem
19:57violências doméstica
19:58e familiar.
19:59Um deles
20:00estaria de tornozeleira eletrônica,
20:02mas seria quebrado
20:04o equipamento
20:04para cometer o crime.
20:05Ele tinha sido detido
20:07anteriormente
20:08por ameaça
20:09na forma da Lei Maria da Penha.
20:11Somente neste ano,
20:12a Operação Marias
20:13já prendeu
20:14mais de 150 pessoas
20:16e mais de mil
20:17no ano passado.
20:19Então,
20:20isso é um problema
20:21que acontece,
20:22viu?
20:23E olha,
20:23a Secretaria de Justiça
20:25informou,
20:25enviou uma nota
20:26agora para a gente,
20:27informou que o rompimento
20:28da tornozeleira
20:30foi registrado
20:31no dia 1º de novembro
20:32às 2 horas da tarde
20:34com a violação.
20:35a Central de Monitoramento
20:36entrou em contato
20:37com a família
20:38do Felipe Martins de Amorim
20:39para realizar
20:40a inspeção
20:41do equipamento
20:42para trocar
20:43ou então
20:43para recolher
20:44o rapaz, né?
20:45A Sejus informou ainda
20:47que Felipe não compareceu
20:48à Central
20:49na data determinada
20:50e aí o caso
20:51foi repassado
20:52ao Poder Judiciário.
20:54Nessa história,
20:56acabou a jovem morrendo.
20:57Claro.
20:58Nós tivemos
20:59uma situação aí,
21:00como nós falamos,
21:01a Secretaria de Justiça,
21:02então, na verdade,
21:03ela foi acionada,
21:04o sujeito
21:05não se apresentou
21:06e ficou a cargo
21:07do, então,
21:07do Poder Judiciário,
21:09se ficou o caso,
21:09analisar a prisão
21:11para revogar
21:12a liberdade provisória
21:13sobre o caso.
21:14Mas aqui,
21:15eu já estou até
21:17adentrando no caso,
21:18não posso dizer
21:18o que,
21:19se isso chegou
21:19na mão do juiz,
21:21se isso foi
21:23a objeção de análise
21:24ou se está aguardando ainda.
21:26Mas é o que nós falamos.
21:27Falta ainda,
21:28e esse outro caso
21:29de tornozeleira
21:30relativa à lei
21:31da Maria da Penha
21:32mostra,
21:33mostra que falta
21:34muito investimento
21:35ainda na fiscalização,
21:37na análise,
21:38na rapidez
21:39desses procedimentos.
21:40Uma coisa como essa
21:41não pode demorar
21:41um mês para acontecer.
21:43Tirou uma tornozeleira,
21:45a Secretaria de Justiça
21:46falou,
21:47recebeu muito rápido.
21:49Então,
21:49a análise desse processo
21:51tem que ser tão rápida
21:52quanto.
21:52E isso passa
21:53por muito investimento
21:54que hoje, infelizmente,
21:55a gente ainda não tem.
21:56Tá, e um grande problema.
21:57Deixa eu voltar a conversar
21:59com a Thalita Carvalho
21:59que está acompanhando
22:00o caso de duas mulheres
22:02que quase foram estupradas
22:03pelo mesmo homem.
22:04Thalita,
22:05eu volto com você.
22:08Pois é,
22:08outro caso
22:09que gerou
22:10uma grande revolta
22:12porque esse homem
22:13que tentou estuprar
22:15essas duas mulheres
22:16em Santana Cariacica
22:17chegou a ir
22:19para a delegacia,
22:20foi para o centro
22:21de triagem
22:22de Viana,
22:23mas saiu
22:24no dia seguinte
22:25porque a Justiça
22:26concedeu a liberdade
22:28provisória.
22:29Ele foi autuado,
22:30Juliana,
22:30em flagrante
22:31por duas tentativas
22:33de estupro
22:33e pelo crime
22:34de ameaça,
22:35mas como eu falei,
22:36a Justiça
22:37concedeu aí
22:38essa liberdade
22:39provisória
22:40para ele
22:40e aí agora
22:41ele tem que cumprir
22:42algumas medidas
22:43cautelares.
22:44Por exemplo,
22:45ele não pode
22:45frequentar bares,
22:47ele não pode
22:47chegar próximo
22:49dessas vítimas
22:50e também
22:51ele tem que comparecer
22:53aos atos
22:54de processo.
22:55Só para a gente
22:56relembrar
22:56o que aconteceu,
22:58essas duas mulheres
23:00falam que foram
23:01perseguidas
23:02por um rapaz
23:04de 36 anos,
23:05inclusive
23:06de uma delas
23:07tem as imagens
23:08desse homem
23:08perseguindo
23:09essa mulher
23:10que caiu no chão,
23:11ficou bastante
23:12machucada,
23:13falou que sentiu
23:13muitas dores
23:14pelo corpo,
23:15mas ela não foi
23:16estuprada
23:16porque ela disse
23:17que reagiu,
23:18fechou as pernas
23:19e aí conseguiu
23:21se desvencilhar
23:23desse rapaz.
23:24e aí no dia seguinte
23:25ele ainda foi
23:26atrás dela
23:27na igreja
23:27em que ela
23:28frequenta
23:28e foi ali
23:30que populares
23:31conseguiram
23:31segurar esse homem
23:32até a chegada
23:33da polícia
23:33e no caminho
23:34para a delegacia
23:35eles encontraram
23:36uma outra mulher
23:38que disse
23:38que também
23:39foi seguida
23:40por esse mesmo
23:41rapaz
23:42e aí foi
23:43todo mundo
23:43para a delegacia,
23:44todas as imagens
23:46foram levadas
23:47com todas
23:47essas testemunhas
23:48e mesmo assim
23:50no dia seguinte
23:52ele foi
23:53solto
23:54está nas ruas
23:55e é isso que tem gerado
23:56uma grande revolta
23:58aí
23:58nessas duas mulheres
23:59nas vítimas
24:00e muitos telespectadores
24:02que eu estou acompanhando
24:03aqui o Fala Espírito Santo
24:04muita gente comentando
24:05também sobre esse caso
24:06né Juliana?
24:07certeza Thalita
24:08obrigada viu
24:09pelas suas informações
24:10se tiver novidade
24:11você chama a gente
24:12aqui no estúdio
24:12tá?
24:13um beijo Thalita
24:14bom fim de semana
24:15e olha
24:16esse suspeito
24:17ele vai responder
24:18por duas tentativas
24:19de estupro
24:20e também por ameaça
24:21e aí ele chega
24:22a ser levado
24:23ao presídio
24:24tem uma audiência
24:24de custódia
24:25e aí o juiz decide
24:26se ele continua preso
24:28ou se ele vai ser solto
24:29mas está aí
24:29tem duas acusações
24:30contra ele
24:31isso exatamente
24:32agora o sujeito
24:33ele fica então
24:34como a Thalita
24:35bem descreveu
24:36ele fica obrigado
24:37a cumprir uma série
24:38de determinações
24:39que é importante
24:40que sejam fiscalizadas
24:41também né
24:42o nome dele
24:43vai ficar na ficha
24:44da polícia militar
24:45provavelmente pra
24:45andar pelo bar
24:46pra ver se ele cumpre
24:47essas obrigações
24:50e além disso
24:51ele tem que
24:52se apresentar
24:53a todos os atos
24:54do processo
24:54o processo vai vir
24:55provavelmente logo
24:57vai vir a denúncia
24:58contra ele
24:58vai ter uma audiência
25:00ele vai ter que se apresentar
25:00a audiência
25:01e fazer a defesa dele
25:02em relação a esse processo
25:04e ao final
25:05vai ser absolvido
25:06ou condenado
25:07com as provas
25:08que foram apresentadas
25:09há uma forte probabilidade
25:11de condenação
25:11diante das provas
25:12que existem
25:13mas o processo
25:14vai continuar
25:15vai continuar
25:16mas mais importante
25:18do que isso
25:18é durante esse período
25:19a fiscalização
25:21do cumprimento
25:22das condições
25:23de liberdade
25:23acontecer
25:24o juiz
25:25pode ter dado
25:26a liberdade
25:27por N motivos
25:28que eu não posso
25:29falar agora
25:30talvez pela situação
25:32de primariedade
25:32talvez por um histórico
25:33de doença mental
25:34não posso dizer
25:35mas diante disso
25:37cumprindo
25:38a fiscalização
25:39é um método
25:40mais seguro
25:41para que essas mulheres
25:42possam continuar
25:42andando na rua
25:43sem receio
25:44de serem novamente vítimas
25:45e vamos seguir acompanhando
25:47doutor Filipe
25:48muito obrigada
25:49pela sua presença
25:50aqui
25:50uma boa tarde
25:50um ótimo fim de semana
25:52viu
25:52boa tarde Juliana
25:53obrigado
25:53bom final de semana
25:54para você também
25:55tchau
25:55tchau
25:55tchau
25:55tchau