- há 3 semanas
Importunação sexual: pena pode chegar a cinco anos de prisão.
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NotíciasTranscrição
00:00E nós vamos bater um papo agora com a advogada criminalista, a doutora Laila Freitas.
00:04Boa tarde, doutora Laila. Bem-vinda ao Fala Espírito Santo.
00:07Boa tarde, Jô.
00:09Tá aí um crime que acontece bastante dentro do ônibus e não é de hoje.
00:15Recentemente, né, houve uma alteração até no código, né?
00:19Certo. Em 2018, nós tivemos uma atualização no código penal,
00:23onde vieram os previstos chamados crimes sexuais.
00:26E um deles, a importunação sexual.
00:28E como você mesmo disse, infelizmente é uma situação comum
00:32que muitas de nós, em maioria mulheres, óbvio, passam.
00:36E não é de hoje, é de vários anos, né?
00:40Eu lembro que a minha mãe, por exemplo, ela dizia que andava com um alfinete dentro do ônibus
00:45pra poder cutucar quem...
00:46Porque se alguém chegasse ali, se...
00:49Exatamente.
00:49Você sabe que a Arla só até falou, né? A coisa do ônibus cheio, né?
00:52Exatamente. E aí, alguns agressores, eles aproveitam dessa...
00:57situação oportuna pra realmente buscar...
01:01Realizar a importunação sexual, que seria o quê?
01:04Que é buscar praticar qualquer ato libidinoso,
01:08que seja pra satisfazer a sua lacívia, o seu prazer,
01:12mas sem a anuência da pessoa.
01:14A outra pessoa não está concordando com aquilo.
01:16E é um crime que tem um potencial de pena interessante, de um a cinco anos.
01:21Pois é, vamos falar sobre punições?
01:23Como é que isso funciona?
01:25Como é que a gente denuncia?
01:26Porque tem que comprovar.
01:28É mais difícil, né?
01:29Falou, olha, esse cara está se estregando em mim, mas que prova tem?
01:31A minha palavra?
01:32É, no caso dessa vítima, foi interessante porque ele ainda escreveu um bilhete, né?
01:37Então, realmente, tinham provas além das testemunhais e além do próprio relato da vítima.
01:42Geralmente, o testemunho da vítima, o relato dela, tem um peso maior nessas situações
01:48por conta da própria questão, certo?
01:52Mas, nas questões de importunação sexual,
01:55geralmente, a gente tem uma situação que acontece em grupo, né?
01:58Em um ambiente aberto.
02:00Então, nós temos várias pessoas, como motorista de ônibus, nessa situação,
02:03que parou na Polícia Federal, Rodoviária Federal, para poder realizar o auxílio.
02:09E aí, a pessoa é direcionada para a delegacia especializada.
02:13No caso, nesse caso aí, já era após 18, então, foi para plantão da especializada.
02:19E ele vai responder por todas as questões.
02:21Essa questão que ele colocou, que acho que é muito importante,
02:24dele ter uma saúde mental, uma doença mental.
02:27Ele informa que ele era bipolar.
02:28E isso não necessariamente vai fazer alguma diferença, vai ter um atenuante no caso dele.
02:34Vai ter que se demonstrar, dentro dos próprios autos, da investigação,
02:38que isso realmente existe e que isso pode influenciar nas decisões
02:43e no entendimento de certo e errado.
02:45E olha, infelizmente, como a gente está aqui falando, isso é muito comum.
02:50Muitas mulheres sofrem assédio dentro dos coletivos.
02:53E olha, pela internet, vou colocar aqui na nossa conversa,
02:56a Laís Nogueira, que passou por essa situação.
02:59Inclusive, foi recentemente, foi no finalzinho do ano, né?
03:02Isso, Laís? Boa tarde.
03:04Sim, isso. Boa tarde a todos.
03:07O que aconteceu? Conta pra gente como é que foi.
03:10Então, eu como usuária, né, do transporte coletivo,
03:15estava indo pro trabalho, ônibus 515 de Vitória, de Campo Grande pra Vitória,
03:21ônibus lotado, estou eu tranquilamente segurando,
03:25veio um senhor atrás de mim e importunou, né?
03:29Como todos já sabem, estava distraída, não imaginava aquilo
03:34e de repente eu olhei pra trás e vi que realmente ele estava me assediando.
03:38Aí, quando eu olhei pra ele, ele viu que eu estava vendo a situação,
03:42aí ele já começou a pedir desculpa, desculpa, desculpa,
03:44eu não queria fazer isso não, tal.
03:46Aí eu falei, desce do ônibus agora.
03:48Aí, outros jovens estavam na porta do ônibus,
03:51eles perceberam o que ele estava fazendo.
03:53Aí, eles perguntaram pra mim, ele está fazendo alguma coisa com você?
03:56Eu falei, não, não está fazendo nada.
03:58Por quê? Eu fiquei com medo deles lixarem ele
04:00e depois eu que saí como errada.
04:02Né? O senhor foi lixado e tudo mais.
04:04E ele simplesmente ficou todo sem graça, tal,
04:08e desculpa, desculpa, e desceu,
04:10saltou ali na Vila Rubim e ficou por isso mesmo.
04:13Agora, você falou uma questão que chama atenção.
04:16Eu fiquei com medo de desconfiarem de mim.
04:20Ou seja, assim, existe esse receio também de falar e ninguém acreditar?
04:24de você, no final, ser a culpada?
04:27Sim, foi o que falaram.
04:28Sim, se acontece o pior com esse homem, tinha quatro jovens na porta do ônibus,
04:31ele já era um senhor de idade, né?
04:33E depois, quem vai provar que ele realmente estava fazendo aquilo comigo?
04:37Eu que sairia como errada da situação.
04:41Foi muito constrangedor.
04:43Enfim.
04:44Laís, só aproveitar que eu estou com uma advogada aqui no estúdio
04:48para falar exatamente sobre essa questão.
04:51Muitas mulheres têm medo, e isso acontece de uma forma geral
04:54quando se fala em violência.
04:56A gente falando de estupro também, recentemente aqui.
04:59De acabar se tornando, ao invés de vítima, você é a culpada da história.
05:04Sim, sim.
05:07Infelizmente, sim, Gil, porque a realidade que nós temos na sociedade
05:11é que a vítima acaba sendo duplamente culpada, né?
05:15A culpabilização da vítima.
05:17Porque várias vezes a sociedade duvida do que ela está dizendo,
05:21duvida que aquele senhor que parece tão sério, idôneo,
05:24faria alguma coisa nesse sentido, ou aquele jovem, ou um familiar.
05:28E aí a vítima se sente potencialmente acuada
05:32em realizar qualquer tipo de denúncia ou exposição.
05:36Mas até parabenizo ela por ter conseguido se impor naquele momento.
05:41Se impôs ali naquele momento, né?
05:42Porque não é fácil, você fica travada, né?
05:45Em uma situação de choque.
05:47Fala, Laís.
05:48Ele ainda me falou assim, teve a coragem de falar,
05:50não, eu tenho família, pelo amor de Deus, não faz isso comigo, não.
05:52Eu tenho família, eu tenho filho.
05:54Aí eu, a situação...
05:55É, e eu tenho que aguentar você, né?
05:58É isso que vem, né?
06:00Ele tem família, ele não faria uma coisa dessa.
06:02É muito constrangedor.
06:04Eu acho que o principal é exatamente isso.
06:06É a exposição no momento que acontece.
06:09Porque desde 2018, com a lei,
06:11os casos, eles passaram a ser denunciados com muito mais condição.
06:15Tanto pelas vítimas, quanto pelos próprios passageiros no ônibus.
06:18E é curioso que essa lei, ela veio a partir de situações
06:21que aconteciam realmente no ônibus.
06:23Que em São Paulo, naquela época, teve um caso
06:25que a pessoa foi mais de 13 vezes presa por causa disso.
06:27Que era, inclusive, uma pessoa que tinha um problema.
06:29Mas, né, mentais.
06:31Ó, a Bruna Grifo aqui, participando já pela nossa transmissão,
06:34no Face, ela fala,
06:35se as mulheres falassem alto, avisassem quem tá perto,
06:38eles não fariam isso.
06:39Já tive uma situação que eu falei alto com o homem,
06:42perguntei se ele precisava de alguma coisa,
06:45outros passageiros perceberam,
06:46ele foi abordado e, ó, saiu do ônibus correndo,
06:49como aconteceu também com a Laís, né?
06:51Porque as pessoas que estavam ali ao redor
06:53começaram a desconfiar e perguntaram,
06:54ó, tá tudo certo aí?
06:56Sim.
06:57Aí ele começou a pedir desculpa, tudo mais.
06:59Vem uma moça também, muito solista,
07:01vem pra mim e tal.
07:02Mas o ônibus, por si,
07:04todas as pessoas não estavam entendendo muito o que aconteceu.
07:06Porque eu também não fiz muito a Laís e tudo mais.
07:08Justamente com medo de, sei lá...
07:12De ser responsabilizada ainda, de alguma maneira.
07:16Sim.
07:17É interessante também, Ju, só pra complementar,
07:20que nem sempre, infelizmente,
07:23as pessoas que estão dentro do coletivo
07:24vão ter esse ímpeto de responder
07:26ou de se colocar à disposição.
07:28Infelizmente, existem casos
07:30aonde a vítima grita ou chama
07:33e nada acontece,
07:34por uma questão até de não quererem se meter
07:37ou não entenderem o que está acontecendo.
07:39Então, é sempre bom ter cuidado,
07:42buscar, por exemplo, o trocador,
07:43o motorista,
07:45pra que eles possam fazer os trâmites necessários,
07:47porque as empresas realmente indicam também sobre isso.
07:50Porque vai que a pessoa pode ser um perigo também
07:51pra aquela vítima no momento.
07:53Pois é, a gente tem uma participação aqui da Hilda Pereira
07:56e ela diz assim,
07:57fico me perguntando se vale a pena denunciar.
08:00Já, já eu vou ler o comentário completo da Hilda
08:02pra você responder, doutora Laila.
08:05E Laís, continua também aí com a gente no link.
08:08Deixa eu só conversar antes aqui,
08:10só uma pausa na nossa conversa
08:11pra falar sobre a história dessas crianças de 4 anos,
08:15aquelas 4 meninas que fugiram de casa,
08:17foram encontradas numa praia
08:19pela guarda municipal de Vila Velha.
08:21A Thalita Carvalho conseguiu conversar com a família,
08:24vocês viram agora há pouco no Balão Geral,
08:26e a Thalita vai atualizar essa história pra gente,
08:29passar um pouquinho, Thalita,
08:30da sua sensação ao conversar com a tia,
08:34você falou com ela hoje,
08:36conseguiu esse contato,
08:38como que ela falava,
08:39como ela se portou,
08:40essa história toda que chamou a atenção da gente, né?
08:42Porque 4 meninas,
08:442 com 9 anos,
08:45gêmeas,
08:46e outras 2 com 11 anos,
08:48e crianças ainda,
08:49saindo de casa,
08:50fizeram bilhete,
08:51fizeram vídeo.
08:52Boa tarde, Thalita.
08:56Pois é,
08:56Juliana,
08:57boa tarde pra você também,
08:58pra todo mundo.
08:59Então,
08:59eu conversei com essa tia,
09:00e aí,
09:02as primeiras informações davam conta
09:03de que elas eram parentes, né?
09:05Primas e as duas gêmeas irmãs.
09:07Mas ela falou que não é nada disso,
09:08que elas são todas amiguinhas,
09:10com exceção das gêmeas,
09:11que são irmãs,
09:12e que as duas maiores têm 11 anos,
09:14e as gêmeas têm 8 anos de idade.
09:16Elas são amiguinhas ali do bairro,
09:18de onde elas moram,
09:19que claro,
09:20a gente não vai falar que bairro é,
09:22e nem identificamos a tia,
09:24porque são menores de idade,
09:25e a gente não quer colocar ninguém em risco.
09:27Até porque, Juliana,
09:28essa tia da menina de 11 anos,
09:31a maiorzinha,
09:33que foi a que gravou todos os vídeos, né?
09:37A tia falou que a família começou a ser muito criticada,
09:40porque foi divulgado, né?
09:43Até nos vídeos,
09:44a criança fala que não estava recebendo muita atenção da família,
09:48e que era por isso que ela estava fugindo de casa.
09:50E aí, essa tia,
09:52ela contou que, de fato,
09:54a criança de 11 anos,
09:56ela não conheceu o pai,
09:58o pai dela morreu ainda,
10:00quando ela estava na barriga da mãe,
10:03e ela não mora com a mãe,
10:06ela tem pouco contato com a mãe,
10:07mora com a avó,
10:09e ela disse que a família não entende,
10:12porque a avó dá atenção,
10:14dá carinho,
10:15o padrasto também, né?
10:16O marido dá a avó,
10:18e que todo mundo ali trabalha junto com essa criança,
10:22vive junto com essa criança,
10:23inclusive ela tem outros primos da mesma idade,
10:26e que aí ela não consegue entender o porquê que isso aconteceu.
10:29Só que o que chama a atenção, Juliana,
10:31é que essa menina de 11 anos,
10:34já tinha falado para a família,
10:37expressado para a família,
10:38que ela queria fugir de casa,
10:39que ela não estava satisfeita,
10:41mas ninguém levava em consideração,
10:43achava que era uma brincadeira de criança.
10:45Vamos acompanhar um pouco do que a tia falou comigo hoje mais cedo.
10:50Pode rodar.
10:51Ela vivia postando nos status do WhatsApp dela,
10:55as coisas de depressão,
10:57eu mesmo dei muitos conselhos para ela,
10:58trouxe ela aqui na minha casa,
11:00a gente conversou com ela,
11:02falamos com ela que isso não é certo,
11:04porque até então,
11:05ela tem o amor da minha mãe,
11:06ela tem o amor do meu padrasto,
11:08todo mundo cuida dela direitinho,
11:09e a gente não sabe o porquê levou ela a chegar a fazer essa fuga aí com essas crianças.
11:14Não sei, não sei se ela sente falta do pai,
11:17não sei se ela sente falta da mãe também,
11:19porque até então minha mãe,
11:20ela é vó e mãe dela ao mesmo tempo,
11:23porque o meu irmão é falecido,
11:26e ela não chegou a conhecer o meu irmão,
11:28eu não sei o motivo por que ela chegou a fazer esse ponto.
11:31Foram a agendar o psicólogo,
11:33mas são agendados para o dia 11 do próximo mês,
11:35se isso é um caso que precisa com urgência,
11:40e agora vamos seguir em frente.
11:42Agora a gente tem que ter mais atenção com ela,
11:46mas mais cuidados,
11:48para que ela não possa voltar a repetir o que ela fez.
11:51Minha mãe não sabia que ela ia fazer isso,
11:53ninguém imaginava,
11:55ninguém esperava o que elas iam fazer,
11:57mas fizeram.
11:58Aí não estão falando que,
11:59ah, tem que observar para ver se não são abusadas,
12:01isso e aquilo.
12:02Todas elas têm amor e têm carinho,
12:04a gente não sabe por que elas chegaram a esse ponto.
12:11Pois é, Juliana,
12:12e essa mesma tia me contou também que,
12:15assim que ela chegou em casa,
12:17essa mesma menina que gravou o vídeo,
12:19falando que já tinha fugido de casa,
12:20gravou um outro vídeo,
12:22que assim que a avó viu, excluiu,
12:24falando,
12:25Oi, gente,
12:26eu estou bem,
12:27eu já voltei para casa,
12:28mas eu não queria ter voltado.
12:30Então,
12:30é por isso que essa família precisa, sim,
12:33de acompanhamento psicológico,
12:34não só a criança,
12:35mas toda a família,
12:36como vocês viram,
12:38o atendimento está marcado só para o dia 11 de dezembro,
12:41mas a Prefeitura de Vila Velha,
12:43a nossa produção,
12:43entrou em contato
12:44e disse que já está havendo a possibilidade
12:47de antecipar esse atendimento
12:50diante de toda essa situação
12:52e da repercussão desse caso, Juliana.
12:54Não é para menos, né, Thalita,
12:56porque isso não é natural
12:58uma criança,
12:59uma menina de 11 anos
13:00ficar ameaçando,
13:02fugir de casa,
13:03fugir de casa
13:04junto com outras três amigas,
13:07isso não é normal,
13:08isso tem que ser investigado,
13:10a menina precisa de uma atenção especial
13:12e não pode ser lá no mês que vem, né?
13:18Exatamente,
13:18foi isso que eu questionei para ela,
13:20eu falei,
13:20nossa, mas por que que só mês que vem?
13:22Aí ela falou,
13:23eu também não sei,
13:24foi a data que me passaram,
13:25falaram que só tem essa data,
13:27então a gente questionou a prefeitura
13:29porque diante desse caso,
13:30é um caso que precisa de atendimento
13:32com certa urgência,
13:34sabe lá o que pode acontecer
13:35no próximo mês, né, Juliana?
13:37Durante todos esses dias,
13:39então dia 11 de dezembro
13:40é uma data muito distante,
13:42visto que essa criança
13:43já está mostrando,
13:45já tem vários indícios
13:46de que ela de fato já fugiu de casa,
13:49vocês falaram também ontem
13:50no Fala Espírito Santo aí,
13:52dessa criança,
13:54tentando
13:55atentar contra a própria vida,
13:57ela tem marquinhas na mão,
13:59e ela fez um outro vídeo
14:00falando que ela não gostaria
14:01de ter voltado para casa,
14:03e isso deixa a família
14:04muito preocupada,
14:05a avó falou que agora
14:06não consegue tirar o olho
14:08dessa criança,
14:08mas a avó trabalha,
14:10então está toda a família ali
14:12tentando buscar uma solução,
14:15porque são pessoas muito carentes,
14:17e não dá para parar de trabalhar
14:19para ficar com essa criança,
14:20e a tia me falou que ela,
14:22de 11 anos,
14:23junto com a outra amiguinha
14:25de 11 anos,
14:25que as duas apresentam sintomas
14:28já de depressão
14:29há bastante tempo,
14:31e que as outras duas
14:32de 8 anos de idade,
14:34que ela me corrigiu,
14:35não são 9 anos,
14:36são 8 anos,
14:37que elas são amiguinhas
14:38e foram de gaiato,
14:40Juliana,
14:40que elas não tinham nada
14:41a ver com a história,
14:42que elas estavam brincando
14:43ali no bairro,
14:44quando essa,
14:45a sobrinha dela,
14:47teve a ideia de fugir
14:48e chamou todas as amiguinhas
14:50para irem junto.
14:52Obrigada, viu, Thalita,
14:53pelas suas informações ao vivo,
14:55se tiver novidade,
14:56você chama a gente aqui no estúdio,
14:58viu,
14:58vamos continuar acompanhando
14:59essa história de perto, né?
15:05Beijo para você, Thalita.
15:07E ó, vamos voltar aqui
15:09a falar sobre a importunação sexual,
15:11estou recebendo no estúdio
15:13a advogada criminalista,
15:14criminalista doutora Laila Freitas
15:16e pela internet aqui
15:17batendo um papo com a gente,
15:19está a Laís também de casa
15:22batendo um papo aqui com a gente.
15:23A Laís está no ponto
15:24para falar com a gente também?
15:26Ela continua?
15:28Estou sim.
15:29Ah, está aí,
15:29está ouvindo a gente,
15:30é porque não mudou aqui
15:31para mim não na tela,
15:32mas você está aí aparecendo, né, Laís?
15:34Qual a situação
15:36que você enfrentou,
15:37você estava falando,
15:38que viveu esse assédio
15:41e que a sensação é qual, Laís?
15:45Me senti totalmente impotente,
15:48não sabia o que fazer,
15:52realmente foi uma situação
15:53muito triste e constrangedora,
15:56é inexplicável você passar
15:58por essa situação,
15:59quem as mulheres que já passaram
16:00você se sente totalmente vulnerável,
16:04é inexplicável,
16:05muito triste mesmo essa situação.
16:07E olha, a gente tem vários exemplos
16:10que eu vou mostrar
16:11que aconteceu com a Tatiane,
16:12e ela usa o transporte público
16:14na Grande Vitória com frequência,
16:16mas não tem boas lembranças
16:18do que já enfrentou
16:20dentro do ônibus, não.
16:21Vamos ouvir.
16:24Eu encostei a cabeça
16:27na janela do ônibus,
16:28acabei tendo aquele leve cochilo
16:30quando eu acordei
16:32com uma pessoa do meu lado
16:36tentando passar a mão em mim.
16:38Tinha a base de umas 10 a 15 pessoas
16:40dentro do ônibus,
16:41ninguém fez nada,
16:43e eu fiquei assim,
16:44tão chateada,
16:44tão triste,
16:45tão envergonhada,
16:46porque todo tempo,
16:48sempre eu ficava olhando para a minha cara,
16:49até o momento de desembarcar no ponto,
16:52toda hora um me olhava
16:55como se eu tivesse cometido algum crime,
16:59sendo que a vítima era eu.
17:01E eu acho que toda mulher
17:03que sofrer isso dentro de coletivo,
17:05na rua, no serviço,
17:06em qualquer lugar,
17:07ela tem que se autodefender, sim.
17:10Se precisar,
17:11chame a polícia,
17:13porque a gente merece ser respeitada
17:16do mesmo jeito que a gente respeita
17:18qualquer tipo de pessoa,
17:20respeita homem,
17:20os homens têm que nos respeitar também.
17:25Respeito, né?
17:25É o mínimo que se espera
17:27e é um direito também, né?
17:28A gente tem direito de andar tranquila
17:31dentro de um ônibus, né?
17:32Onde quer que seja, né, doutora Laila?
17:34Direito de ir e vir
17:35é um princípio constitucional, né?
17:37E está garantido dentro da nossa Carta Maior,
17:40que nós chamamos que é a Constituição Federal.
17:42Então, com certeza,
17:43isso é direito,
17:44tanto do homem quanto da mulher.
17:46E é o que a Laís,
17:47ela tentou nos dizer ali.
17:49É um sentimento de vulnerabilidade
17:51e de culpa,
17:52porque o que eu fiz
17:54para poder isso acontecer?
17:56É justamente isso.
17:57Acho que falta um pouco também
17:59de trabalho de política social,
18:02pública,
18:03tanto das empresas
18:04que são destinadas para os coletivos,
18:07quanto do próprio município e Estado,
18:08no sentido de que
18:09o que é importunação sexual?
18:10Homens, não façam isso.
18:12Isso daqui não é legal.
18:13Eu acho que falta um pouco disso, sabe?
18:15Eu mesma, na época da faculdade,
18:17já passei por isso.
18:18Eu acho que, gente,
18:1990% das mulheres,
18:21que eu ouso dizer,
18:22já passaram por isso,
18:24infelizmente,
18:25e é uma situação
18:25totalmente constrangedora,
18:27porque a nossa sociedade,
18:29só agora, em 2018,
18:30foi reconhecer isso
18:31enquanto uma prática errada,
18:32não só moralmente,
18:33eticamente,
18:34mas também legalmente,
18:35dizendo.
18:36Então, nós vamos demorar ainda
18:37uns anos
18:38para conseguir entender isso
18:39e trazer isso para a nossa realidade.
18:40Então, temos que expor.
18:42E olha,
18:42tenho dados,
18:43alguns números aqui
18:44para passar para vocês, tá?
18:45de acordo com a Secretaria Estadual
18:47de Segurança Pública,
18:48de janeiro a julho desse ano,
18:50foram 58 registros
18:52de importunação sexual
18:53aqui no nosso estado.
18:55No ano passado,
18:56foram 62 casos registrados.
18:58Em todo o país,
19:00foram mais de 8 mil denúncias
19:02de importunação sexual,
19:03de acordo com informações
19:05do Anuário Brasileiro
19:06de Segurança Pública.
19:07Mas o fato é que
19:09a maioria dos casos
19:11não são registrados.
19:13Laís,
19:14a situação que você viveu,
19:16você fez alguma denúncia
19:17na polícia?
19:18Você registrou um boletim?
19:21Não registrei,
19:22não fiz.
19:23Não sabia como fazer, né?
19:24Na verdade,
19:25se eu falasse para o povo
19:27que ele estava fazendo,
19:28para as pessoas do ônibus
19:29que ele estava fazendo aquilo comigo,
19:31eu pensei o quê?
19:31Vai que acontece o pior com ele.
19:34Se eu vou segurar ele
19:35para chamar a polícia,
19:36você estava, inclusive,
19:37estava passando na ponte.
19:38Como eu vou ficar aqui
19:39com esse cara perto de mim?
19:41Na hora,
19:42eu não tive como pensar.
19:43Não me veio o que fazer,
19:45na verdade.
19:47Pois é.
19:47E por que?
19:48Porque geralmente é isso, né?
19:49Assim, você sofre
19:50aquela importunação,
19:52aquele...
19:52A gente pode chamar
19:53de assédio também,
19:54doutora Laila?
19:54São coisas um pouco diferentes,
19:56mas para a população
19:57poder entender.
19:57De uma forma conversada,
19:59sofre aquele assédio ali
20:01e aí, na hora,
20:02você reagiu,
20:03o cara saiu,
20:04não, não, pelo amor de Deus,
20:05foi-se embora
20:06e ficou por isso mesmo,
20:07que é o que acontece
20:08na maioria das vezes, né?
20:11O assédio sexual,
20:13a única diferença
20:14é no que ele acontece
20:15no ambiente de trabalho.
20:17E a questão da importunação
20:18já é em qualquer ambiente,
20:20no sentido de uma pessoa desconhecida
20:21realizar o ato libidinoso
20:23para a prática do próprio lazer
20:25e sem consentimento da vítima.
20:27E, ó, isso acontece...
20:29Teve um caso
20:29no terminal de ônibus,
20:31foi no final do mês passado,
20:32em Cariacica.
20:34O suspeito foi preso.
20:35Um jovem de 20 anos
20:36foi levado ao presídio
20:38depois de mostrar
20:39as partes íntimas
20:40e fazer gestos obscenos
20:42para uma mulher.
20:43O crime aconteceu
20:44no terminal de Campo Grande.
20:45Esse mesmo suspeito
20:46já tinha sido levado
20:48à delegacia
20:49por assediar
20:50uma outra mulher
20:51no terminal de Jardim América.
20:53De acordo com a Polícia Civil,
20:55na primeira vez
20:56que foi detido,
20:57o jovem assinou
20:57um termo circunstanciado
20:59por perturbação
21:00da tranquilidade
21:01e aí teria sido liberado.
21:03Mas, da segunda vez,
21:05ele foi autuado
21:06em flagrante
21:06por importunação sexual
21:07e, dessa vez,
21:08foi para o presídio.
21:10Vamos falar
21:10sobre essas punições
21:11que foi exatamente
21:12o questionamento
21:13da Ilda Pereira Alves
21:14aqui no nosso Facebook.
21:15Ilda falou o seguinte...
21:17Fico me perguntando
21:17se vale a pena denunciar
21:19porque o indivíduo
21:20paga fiança e sai.
21:22Não.
21:22Na verdade,
21:23no crime de importunação sexual
21:24não tem a possibilidade
21:25de fiança.
21:26Um ano
21:27a cinco meses
21:28de reclusão,
21:29ele pode,
21:31caso preso em flagrante,
21:32ir à audiência de custódia
21:34e, em caso de não ter
21:35nenhum tipo de
21:36outro histórico
21:38criminal,
21:38judicial,
21:39não ser um risco
21:40para a sociedade,
21:41eventualmente,
21:42responder ao processo
21:43em liberdade.
21:44Mas,
21:44não existe fiança.
21:46No caso
21:47que vocês narraram agora,
21:48me causa um pouco
21:49de estranheza
21:50porque não foi
21:50perturbação da tranquilidade.
21:52Foi importunação sexual
21:53no primeiro caso
21:54e, na segunda vez,
21:55ele cometeu novamente.
21:56E aí, sim,
21:57foi encaminhado
21:58para o presídio
21:58e, pelo que eu entendi,
21:59mesmo na audiência
22:00de custódia,
22:01ele não foi
22:03realmente direcionado
22:03para liberdade provisória.
22:06Então,
22:07eu sei que, às vezes,
22:08dá esse sentimento
22:09de nada acontecer
22:12judicialmente,
22:12conversou,
22:13nenhum tipo de penalização,
22:14mas, enquanto nós
22:15não tivermos
22:16realmente
22:16essa cultura
22:18de denúncia,
22:19isso vai continuar
22:20sendo
22:20uma naturalização
22:22para nós
22:23e nós precisamos
22:24expor esses casos.
22:26E, ó,
22:27tem,
22:27está chovendo aqui
22:28comentário
22:29no nosso
22:30Facebook,
22:31a Rosalina Dupe
22:32está falando
22:32isso vem há anos,
22:33eu e minha amiga
22:34e minha irmã
22:35já brigamos
22:36várias vezes
22:37no ônibus,
22:38justamente por conta
22:39dessa importunação.
22:41A Zenilza aqui também,
22:42travesando e participando
22:44há muito tempo atrás,
22:45minha irmã reclamava
22:46que tinha um sujeito
22:47no ônibus
22:48que ficava se esfregando,
22:49principalmente nas meninas
22:50que vinham da escola.
22:52Afinei bastante
22:53o alfinete de fraldas
22:54e, ó,
22:55dei para ela,
22:55ela enfiou nele
22:57e até o último dia
22:58em que elas viajaram
22:59naquele ônibus,
23:00nunca mais o camarada
23:01apareceu,
23:02está parecendo com a sua mãe, né?
23:03A história da sua mãe, né?
23:05Exatamente, igualzinho,
23:06a minha mãe,
23:06e olha que isso foi na época
23:08de 80, 70,
23:10minha mãe geralmente
23:11contava essa história,
23:12quando acontecia com ela.
23:14Olha quanto tempo tem,
23:15mais de 40 anos.
23:16Então, assim,
23:17é surreal que isso
23:18ainda aconteça conosco
23:19e nós precisamos
23:21bater muito na tecla
23:22da educação
23:23e da ruptura
23:24da cultura,
23:25realmente fazendo
23:26os tipos de denúncias
23:28necessários.
23:28E lembrando também
23:29a Hilda,
23:31salvo engano,
23:31que respondeu,
23:32que a pessoa,
23:33pode ser que na primeira vez
23:35ela responda
23:36o processo de liberdade,
23:37mas a partir do momento
23:38que isso se torna
23:38uma prática reiterada,
23:40ele vai responder preso,
23:42você pode ter certeza disso,
23:43porque os casos relacionados
23:44à mulher,
23:45à violência contra a mulher,
23:47à importunação sexual,
23:48crimes sexuais,
23:49estão sendo bem realmente julgados.
23:51Ô, Patrícia Carla
23:52aqui também participando,
23:53falou assim,
23:54fez errado,
23:54devia ter entregado ele
23:56para ele aprender
23:56e não fazer mais.
23:58se os rapazes perguntaram,
23:59é porque iriam acreditar nela,
24:02é claro.
24:02E aí eu acredito
24:03que ela está falando
24:04do caso da Laís.
24:04Laís, na verdade,
24:05você ficou com medo
24:06dos rapazes baterem
24:08no senhor, né?
24:09E você ainda saiu culpada
24:11dele ter sido agredido.
24:13Exatamente.
24:14Porque eles estavam
24:15tipo justiceiros mesmo.
24:17Para a minha sorte,
24:18eu acho que entre aspas,
24:19enquanto lá na frente do ônibus
24:20não sabiam nada
24:20do que estava acontecendo,
24:22eles lá atrás
24:22já perceberam,
24:23porque eu acho que o senhor
24:25ficou tão apavorado
24:27com a situação
24:27e eu assim,
24:28o que você está fazendo?
24:30E eu fiquei,
24:31eu estava em quatro
24:32e o homem,
24:34o senhor sozinho,
24:35eu falei,
24:35pode acontecer o pior.
24:38Esse foi o medo, né?
24:40E olha, gente,
24:41recentemente,
24:41eu não sei se vocês
24:42aí de casa lembram,
24:43teve uma outra situação
24:44que foi um indiano
24:45de 46 anos,
24:47ele foi detido
24:48no aeroporto de Vitória
24:49por importunação sexual,
24:51isso aconteceu
24:51no finalzinho de agosto.
24:53De acordo com informações
24:54da polícia,
24:55a vítima era uma moça
24:56de 22 anos
24:57que trabalha
24:58numa loja de óculos
24:59lá no aeroporto.
25:00A jovem relatou
25:01que o homem entrou
25:02se passando por um cliente
25:03interessado nos produtos
25:05da loja.
25:06Num determinado momento,
25:07ele começou a se aproximar
25:09dela e, segundo a vítima,
25:11fazendo carícias.
25:12Ela contou que se esquivou
25:13das investidas,
25:15mas mesmo assim
25:16o homem continuou
25:17se aproximando
25:18e tocando no corpo dela.
25:19Até que ele pegou
25:21a mão da jovem
25:22e colocou nas partes
25:23íntimas dele.
25:24ela gritou
25:25e pediu socorro.
25:26A polícia federal
25:27que atua no aeroporto
25:28foi acionada
25:29e conseguiu deter
25:30o indiano.
25:31Por nota,
25:32a polícia civil
25:33informou que o suspeito
25:34foi autuado em flagrante
25:35por importunação sexual
25:36e conduzido
25:37para o centro
25:38de triagem de Viana
25:39e a gente procurou saber
25:41se ele ainda está detido,
25:42mas não recebemos ainda
25:43informações
25:44se ele continua preso.
25:45Então,
25:46a gente segue aqui
25:47aguardando a resposta
25:48da Sejus.
25:49Dando tempo,
25:50a gente vai divulgar
25:51aqui no Fala Espírito Santo.
25:53Está aí um caso
25:53que também chamou a atenção
25:54e foi falado
25:55na época dessa menina,
25:56uma vendedora ali
25:57no trabalho assediada, né?
25:59Chocante, né?
26:00Que ele ainda insistiu
26:01várias vezes
26:02até ele...
26:03Nossa Senhora,
26:03eu não sei nem o que dizer
26:05numa situação dessa
26:06porque ela ainda teve
26:07uma reação de tentar tirar
26:09e ele persistiu.
26:12Olha como que
26:12esses agressores
26:13eles entendem
26:14que podem realmente
26:15ficar ilesos
26:17em relação à situação.
26:18Mas a gente deixa
26:18eu dar uma pausa rápida aqui,
26:20olha, que estão me avisando
26:21que o Arlinson Schneider
26:22está me chamando
26:23nesse momento.
26:24O Arlinson foi
26:24para Jardim Camboria
26:25em Vitória
26:26porque tem a história
26:27de um homem
26:28que matou a mulher
26:29afacada
26:30na frente da filha
26:31e aí ele atentou
26:32o conta,
26:33tirou a própria vida também.
26:34Arlinson,
26:35conta essa história
26:36aí pra gente.
26:37Boa tarde.
26:38Boa tarde,
26:38não, que a gente já conversou.
26:39Atualiza esse caso aí.
26:40O que aconteceu?
26:44É, Juliana,
26:45a gente estava lá
26:45na Ilha de Santa Maria
26:46agora falando aí
26:47sobre o caso
26:47da importunação sexual.
26:48Quando chegou essa informação,
26:50o prédio desse daqui
26:51a gente vai ter muito cuidado
26:52porque aqui do lado
26:53aqui tem o corpo desse homem
26:54e as informações
26:55elas acabaram,
26:56elas estão chegando
26:57a todo momento.
26:58o que acontece?
26:59Vieram me falar agora,
27:00pelo menos a conversa
27:02que rolou,
27:03é que esse homem
27:05ele já estaria
27:06em depressão,
27:07estaria fazendo
27:07um tratamento de câncer,
27:08isso segundo
27:09as primeiras informações.
27:11E que ele,
27:11numa depressão profunda,
27:13acabou discutindo
27:14com a mulher,
27:14teria tido
27:15uma espécie de surto,
27:17partiu pra cima
27:18da companheira
27:18e acabou tirando
27:20a vida dela
27:20a facadas.
27:21A gente está vendo aqui
27:23que a área
27:24está isolada,
27:25um corpo aqui
27:26perto da gente,
27:27a polícia militar
27:28está aqui,
27:28o departamento
27:29de homicídios
27:30também está aqui.
27:31A gente acabou de chegar,
27:31eu estou querendo subir
27:32lá no prédio
27:32para poder tentar
27:33conversar com os moradores.
27:34Mas o fato,
27:35Juliana,
27:36é que ele matou
27:38a companheira
27:39na frente da filha
27:40de apenas
27:41três anos de idade,
27:42na frente da filha
27:43de três anos de idade
27:44e depois acabou
27:46tirando aí
27:47a própria vida.
27:48A gente acabou
27:49de chegar aqui,
27:49a gente está apurando
27:50ainda os detalhes,
27:51Juliana,
27:52a gente está vendo
27:52aqui a movimentação
27:53de muitos moradores,
27:54tem muita gente
27:54que viu essa confusão,
27:56essa discussão,
27:57nós vamos tentar
27:58bater um papo
27:58com quem mora
28:00aqui no prédio,
28:01o condomínio
28:01Atlântica Ville,
28:02dá uma mostrada aí
28:03o Eisner,
28:04pra gente entender
28:05onde que a gente está,
28:06é um finalzinho
28:07de vitória,
28:07logo depois de a gente
28:08Camburi e um dos acessos
28:10aqui a Vale,
28:11você ganha a direita ali
28:12e acontece aqui
28:13uma das principais,
28:14na avenida
28:15dos Expedicionários
28:16aqui na Torre Estoril.
28:18Prédiozinho até reformado,
28:19prédiozinho até bacana,
28:21acabamos de chegar,
28:22Juliana,
28:22assim que a gente
28:23conseguir apurar
28:23mais algum detalhe,
28:25a gente volta
28:25com mais informações,
28:26Ju.
28:27Fechado então,
28:28Arlisson,
28:28já já a gente volta
28:30a conversar,
28:30notícia acontece,
28:31a gente entra aqui
28:32em primeira mão,
28:33até já, Arlisson.
28:35Vamos continuar
28:35falando,
28:36falar sobre a importunação
28:37sexual,
28:38assunto de hoje
28:39aqui no Fala Espírito Santo,
28:40nossa entrevista especial,
28:42porque duas mulheres
28:44foram importunadas
28:46durante uma viagem
28:47de Minas Gerais
28:48ao Espírito Santo,
28:49um homem,
28:49inclusive,
28:50entregou um bilhete
28:51bem do inconveniente,
28:53chamando uma das vítimas
28:54para ter relações com ela,
28:57né?
28:57Aí, ó,
28:57ó o bilhete,
28:58Oi, paixão,
29:00paixão da minha vida,
29:01a me poupe, né?
29:02A pessoa está ali sentada
29:03atrás de você no ônibus,
29:04começou a fazer carinho
29:05no cabelo dela,
29:06ela se esquivou,
29:07e aí ele foi e jogou
29:08esse bilhete.
29:09Tem a dó, né, Laila?
29:10Pelo amor de Deus, né?
29:11Lamentável,
29:12não saber o limite.
29:12E depois aí,
29:13ela mudou de poltrona,
29:14ele conseguiu,
29:15saiu a pessoa do lado
29:16da poltrona,
29:17que ela estava
29:17e sentou do lado dela.
29:19Lamentável não saber
29:20o limite da situação, né?
29:21Isso não é uma cantada,
29:23isso não é um elogio,
29:24isso realmente é um abuso,
29:25e é realmente
29:27uma importunação sexual,
29:28não é nó em qualquer situação.
29:30E, infelizmente,
29:31isso acontece muito também,
29:32como você acabou de dizer,
29:33em ônibus interestaduais
29:35e intermunicipais,
29:36e não apenas nos coletivos
29:37que rodam os nossos municípios.
29:40E, infelizmente,
29:41eu não vejo nenhuma prática
29:42realmente das empresas
29:43no sentido de buscar
29:45colocar propagandas,
29:47da educação mesmo
29:48dos passageiros
29:49e a forma de agir
29:50das vítimas.
29:52Desde 2018,
29:53a importunação sexual
29:55se trata de um crime
29:56previsto no Código Penal,
29:58assim como outros crimes sexuais.
30:00E esse tipo de crime
30:01corresponde a uma penalização
30:04de um ano
30:05a cinco anos
30:05de detenção.
30:07Então, ele provavelmente
30:08passa aí pela audiência
30:09de custódia,
30:10acho que foi hoje
30:11que aconteceu isso.
30:12Foi nessa noite, né?
30:13Ele foi preso, né?
30:14Então, se foi hoje à noite,
30:15ele foi...
30:16A audiência de custódia
30:16deve ter sido hoje, né?
30:17Exatamente.
30:18A partir de meio dia,
30:19ele passou aí
30:20pela audiência de custódia,
30:21onde provavelmente
30:22contou com advogada
30:23ou advogado
30:24ou defensoria pública
30:25e foram analisados
30:27os requisitos
30:28para a liberdade provisória
30:29ou para que ele seja
30:30mantido em prisão preventiva
30:32enquanto se discute
30:33o processo criminal.
30:35E, ó,
30:36está chegando muito
30:37o comentário aqui
30:38na nossa transmissão.
30:40A Nilce Lane,
30:41colombino,
30:41está falando assim,
30:42olha, já aconteceu comigo.
30:43Quando comecei a gritar
30:44no ônibus,
30:45o povo gritava,
30:46vambora,
30:46que eu estou atrasada.
30:48Aí ela ainda fala aqui,
30:49complicado,
30:50mas o cobrador
30:51tentou defender
30:52as mulheres assediadas.
30:54Está aí uma incompreensão
30:55também para o...
30:55Ah, não estou nem aí
30:56se você está sendo
30:57importunado ou não.
30:58Eu quero ir embora
30:58porque eu quero seguir
30:59meu caminho, né?
31:00Por isso que eu disse, Ju,
31:01que é uma questão
31:02de romper uma cultura.
31:03Porque, muitas vezes,
31:04a própria sociedade,
31:06as pessoas que estão
31:06dentro do coletivo,
31:07não se manifestam,
31:09não se posicionam.
31:11Que bom que o trocador
31:11teve esse papel, né?
31:13Porque, muitas vezes,
31:14a vítima, como a Laís,
31:15se sente constrangida,
31:17mas intimidada.
31:18Porque, se algo acontece
31:19também com a pessoa,
31:20qual vai ser a responsabilidade dela?
31:22Ou das próprias pessoas
31:23que buscaram defendê-la,
31:25especificamente,
31:26de um ônibus com 15 pessoas,
31:27só quatro se manifestaram.
31:29Então, é difícil mesmo
31:30você, a vítima,
31:31naquele momento,
31:32conseguir reagir
31:33e reagir de uma forma
31:35que ela consiga romper
31:36aquele padrão.
31:37Ao mesmo tempo,
31:37eu sei de casos
31:38aqui no nosso estado,
31:39na Grande Vitória,
31:41onde os motoristas
31:42tiraram...
31:43Os motoristas
31:43e os passageiros
31:45tiraram a pessoa,
31:46expulsaram dentro do ônibus mesmo.
31:48abre a porta
31:49que estão me tirando.
31:50E foi aí
31:50o que aconteceu
31:51com a Laís,
31:52que está conversando,
31:53batendo um papo
31:54com a gente
31:54pela internet.
31:55Laís,
31:56saiu, acabou
31:57e depois dessa situação,
31:59você já viveu
31:59algum outro problema
32:00dentro do transporte?
32:04Infelizmente, sim.
32:06Outras vezes
32:07de passarem,
32:09notavelmente,
32:10que a pessoa está
32:11se aproveitando,
32:12passando,
32:13e falar gracinhas
32:15e, enfim.
32:17E as pessoas,
32:18assim,
32:19tem pessoas na frente
32:20e nos outros casos
32:21viram o cara
32:22fazendo,
32:24importunando
32:24e fingem que nem
32:25é com eles.
32:26E eu,
32:27como mulher,
32:28o que eu vou fazer
32:29aqui nessa situação?
32:30Com medo também,
32:30né?
32:31De eu descer
32:33e me seguir.
32:34O que eu vou fazer
32:35nessa situação?
32:36E foram várias
32:37outras vezes
32:38de falar gracinha,
32:40assim como
32:41do bilhete
32:42da moça,
32:43de passar a esfregar
32:45em mim,
32:45de me seguir
32:47no terminal,
32:48de eu ter que
32:48tomar outras providências.
32:50Já passei
32:50muitas situações
32:51constrangedoras
32:52dentro desses
32:52transportes coletivos.
32:55Infelizmente,
32:56é uma realidade,
32:56né?
32:57Das mulheres
32:57que andam
32:58no transporte público.
32:59Laís,
32:59muito obrigada
33:00por bater um papo
33:01aqui hoje com a gente.
33:02Um beijo,
33:03uma ótima tarde,
33:03viu?
33:04Igualmente.
33:05Tchau, tchau.
33:06Doutora Laila,
33:07obrigada também
33:07pela sua presença.
33:08Mais uma vez,
33:09uma ótima tarde.
33:10O debate,
33:10a discussão continua
33:11aqui na nossa transmissão.
33:12E vai continuar,
33:13porque é polêmico.
33:15Boa tarde.
33:15Não podemos aceitar.
33:16Jamais, nunca.
33:17Obrigada, Ju.
33:18Obrigada.