00:00Atenção agora, porque nós vamos voltar a falar sobre a dor de famílias que têm pessoas desaparecidas.
00:06O que essas famílias enfrentam todos os dias?
00:09Porque, como eu adiantei, a Polícia Civil tem feito exames genéticos para tentar localizar e identificar pessoas desaparecidas.
00:18Por meio de um banco de dados, é possível localizar em qualquer lugar do país e até do mundo, tá?
00:25Confira a nossa reportagem especial.
00:28Balançar!
00:30Essa é Katiane Zava.
00:34A jovem desapareceu em 2017.
00:41Katiane, na época, tinha apenas 17 anos.
00:45Conversamos com a mãe da menina por videochamada.
00:49A família é do interior de Vila Pavão, município da região norte do Espírito Santo.
00:57Foi no dia 24 de julho de 2017.
01:02A última vez que eu vi ela foi às nove e meia, né?
01:08Ela saiu para a Vila Pavão.
01:10Ela saiu para a Vila Pavão.
01:12Ela ia comprar uma chave dentro do almoço, né?
01:16E daí não voltou mais.
01:19E deu uma notícia.
01:20Assim como essa mãe, tantas outras famílias sofrem pelo desaparecimento de pessoas próximas.
01:27Há cinco anos, a única forma de ver o seu Antônio Carlos é assim, por foto.
01:34É que ele sumiu depois de tentar pegar uma carona em Campo Grande, em Cariacica.
01:40A última informação que a gente teve é que ele estaria atrás do terminal de Campo Grande, tentando pegar uma
01:46carona.
01:47A gente chegou e ia atrás, mas não consegue informação.
01:50Chega lá, mostra a foto.
01:52Eu não sei se por ele ser um rosto bem conhecido, assim, parecido.
01:57Então a pessoa fala assim, ah, acho que já vi, mas nunca acha ele.
02:02Dos cinco anos de angústia, há pelo menos três.
02:06A família não tem nenhuma pista de onde ele possa estar.
02:09No começo, todo mundo ajuda, é novidade.
02:13E com o passar do tempo, é muito difícil.
02:16A gente chega a compartilhar em grupos, essas coisas, mas cada vez que vai passando o tempo é mais difícil.
02:23No caso de Vila Pavão, no interior do estado, a mãe, às vezes, recebe notícias.
02:30Eles mandam foto, mas quanto eu bebo, não é ela.
02:35Lá atrás, em 2017, quando a jovem desapareceu, os familiares procuraram a polícia.
02:43E até hoje, nada, nada do paradeiro de Catiane.
03:01Falamos com essa psicóloga sobre os traumas que um sumiço desse pode causar na vida de uma família.
03:09Ela orienta que, se possível, um acompanhamento, uma terapia, seria o ideal para colaborar com a família.
03:17A terapia aí, ela se torna mais do que necessária, até mesmo como um espaço de acolhimento, de reflexão, minimamente
03:25ali para tentar, se for possível, diminuir esse sofrimento.
03:31Se a gente parar para pensar, chega a ser inexplicável o sentimento de alguém que tem uma pessoa da família,
03:41ou alguém próximo, desaparecido.
03:44Sem ter notícias, sem saber se a pessoa tem onde dormir, se está se alimentando, qual a situação dessa família.
03:51Mas aqui no Espírito Santo, existe um departamento muito importante, que já trabalha há bastante tempo, por exemplo, na identificação
04:01de cadáveres, na identificação de pessoas que morreram carbonizadas, dentre outras possibilidades.
04:09E agora, para quem tem alguém desaparecido, existe uma esperança no fim do túnel, para que esse familiar seja localizado.
04:18Estamos no Departamento de Criminalística da Polícia Civil, e esse é o Laboratório de DNA do Estado.
04:27Aqui é o Laboratório de DNA Forense da Polícia Civil, então a gente faz os exames genéticos relacionados a crimes,
04:34né?
04:34Então a gente atende crimes sexuais, análise de vestígios de local de crime, e também identificações, exames de vínculo genético.
04:45No local, são analisados, por exemplo, cadáveres que foram carbonizados, ou de difícil identificação.
04:53Um trabalho criterioso.
04:56Então, o médico legista, ele coleta amostras, no caso de carbonizado, né?
05:01Dependendo do estado de preservação do cadáver, pode ser coletado sangue, ou pode ser coletado fragmentos ósseos.
05:07E aí, quando chega essa amostra, a gente faz a extração, né?
05:10Faz um processamento nessas amostras que chegam, para extrair o DNA, e aí poder fazer essa comparação com os familiares.
05:17E o que isso tem a ver com pessoas desaparecidas?
05:21É que agora, existe a possibilidade de identificar e localizar pessoas que sumiram, por meio de materiais genéticos coletados para
05:31um banco de dados nacional,
05:33que facilitará o cruzamento de informações, caso alguém seja encontrado.
05:39E a ferramenta tem surtido o efeito.
05:41A primeira identificação humana, por meio do banco de perfis genéticos do Espírito Santo, aconteceu.
05:48Um homem de 57 anos, encontrado morto em Vila Velha, foi identificado como uma pessoa desaparecida de Minas Gerais.
05:58Essa amostra foi analisada pelo laboratório de DNA forense da Polícia Civil do Espírito Santo,
06:04e foi confrontada com uma amostra de uma familiar, de uma pessoa que tinha um ente desaparecido em Minas Gerais,
06:11e o laboratório de DNA de Minas Gerais inseriu esse perfil genético da familiar.
06:17No Espírito Santo, são 200 cadáveres de pessoas enterradas como indigentes, ou seja, após a morte não foram identificadas.
06:26Até agora, 85 familiares de desaparecidos já fizeram o registro no banco de dados.
06:34Então, o Banco Nacional, ele já existe, já foi implantado há um tempo, né, no Espírito Santo,
06:39e a gente vem inserindo, alimentando o banco de dados com as amostras de cadáveres não identificados, né.
06:49E agora, a gente está fazendo essa campanha para atrair, chamar as pessoas que têm entes desaparecidos,
06:55para doarem o seu material e serem inseridos no banco de perfis genéticos.
07:00E aí, na verdade, é mais uma possibilidade dessas famílias localizarem os seus parentes.
07:05Essa é a esperança para a dona Luciane, e também para a Leide, localizar e identificar o pai dela,
07:13que em 2021 teria 63 anos.
07:17A falta de notícias não apaga a esperança.
07:21Ainda tem a esperança de um dia encontrar ele com vida,
07:24que a gente vê histórias, né, de pessoas de 20, 30 anos desaparecidas e chega a ser encontrado.
07:30Ainda tem esperança.
07:32O maior foi na minha vida, porque a minha mãe já filha.
07:42A nossa produção entrou em contato com a Polícia Civil para saber mais detalhes da investigação
07:48sobre o caso de Catiane, que a mãe afirma ter sido arquivado e que ainda estamos esperando a resposta.
07:55Quem tiver com um parente desaparecido e quiser entrar em contato com o banco de dados
08:01para fazer o cruzamento genético, precisa registrar o boletim de ocorrências, tá,
08:06na delegacia de desaparecidos e aí sim realizar um agendamento para a coleta do material em um laboratório forense, tá.
08:13Esse agendamento pode ser feito pelo número de WhatsApp do Departamento Médico Legal,
08:20que aparece aí na tela.
08:21É o 3225-8260.
08:24Esse número aí, gente, é só o WhatsApp, tá.
08:28Eles não recebem ligações por esse número.
08:30A informação que eu recebi é de que é apenas o WhatsApp.
08:34Então você somente manda mensagem para fazer o seu agendamento.
08:39Agora, a gente, né, que graças a Deus tem quem a gente ama perto da gente,
08:45a gente não consegue imaginar a dor de uma família.
08:47Você imagina essa senhora, dona Luciane, né, lá de Vila Pavão,
08:51que desde 2017, né, não sabe onde a filha dela tá.
08:56Ela não sabe se a filha dela tá viva, se a filha dela tá morta, se perdeu a memória,
09:01se ela tá com alguém, se a filha dela simplesmente fugiu, foi embora,
09:04ela tá em algum outro lugar.
09:06Ela não sabe nada, né, e fica ali a mãe, é uma família simples do interior do Espírito Santo,
09:13moradores de zona rural, que às vezes até não tem, né, muito recurso para poder correr atrás,
09:19e vive ali, né, nessa angústia diária, nessa angústia de todos os dias,
09:24de um dia receber uma notícia.
09:27E veja que ela até recebe algumas notícias, mas quando ela vai ver, não é a filha dela.
09:32E agora você veja que por meio da tecnologia e por meio da ciência, né,
09:36porque a ciência é utilizada ali nesse trabalho da polícia civil,
09:40a gente ainda tem essa esperança, se Deus assim permitir.
09:44Minha gente, 1h36.