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  • há 1 semana
Abril já deve começar com aumento de quase 11% no preço dos medicamentos. O reajuste acompanhou a inflação.

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Transcrição
00:00O peso da saúde no orçamento da família da Romilda é grande.
00:05São 18 medicamentos diferentes para os tratamentos do pai com sequelas de um AVC e da mãe que sofre de
00:12depressão.
00:13De graça, pelo SUS, ela consegue só três. O restante tem que comprar.
00:19O gasto mensal é de 800 reais, um terço da renda familiar.
00:24Tudo na farmácia, todo mês. Se eu for faça só, eu tenho que estar lá com esses remédios para ele.
00:30É, Romilda, pode preparar o bolso, viu? Vem mais aumento de remédio por aí.
00:35É o reajuste anual, que acontece sempre no mês de abril.
00:39O presidente Jair Bolsonaro já anunciou e agora só falta publicar no Diário Oficial da União.
00:45O reajuste vai ser, em média, de quase 11%.
00:4910,9 para ser mais exato.
00:52E já que falamos em números, vale lembrar que os gastos com saúde das famílias brasileiras
00:58são de cerca de 10% do orçamento.
01:01Mas em 20% das famílias, essas que têm doentes crônicos, como a da Romilda,
01:07esse custo é bem mais elevado.
01:10Chega a 30% do orçamento.
01:13Membro de um comitê técnico que discute as políticas do setor,
01:17este gestor de saúde afirma que a inflação, que passou dos 10% no ano passado,
01:24é o principal fator para o reajuste.
01:27Esse é o maior reajuste da última década.
01:31No ano passado, já tivemos outro reajuste alto, de 10,6%.
01:35Esse aumento é previsto em lei.
01:38E o cálculo leva em consideração, além da inflação,
01:41questões como produtividade, ajuste de preço entre setores da indústria.
01:45Mas o que determinou mesmo foi a inflação.
01:49A saúde representa o terceiro maior gasto do brasileiro,
01:53só atrás de moradia e alimentação.
01:56Uma em cada 10 pessoas consome mais de 5 medicamentos por dia.
02:02Uma consequência da alta nos preços é o abandono do tratamento
02:06por uma parcela da população.
02:08Isso acontece com quase a metade dos hipertensos e diabéticos,
02:12e 53% dos que sofrem de insuficiência cardíaca.
02:17O maior perigo disso é que, quando eles decidem deixar de comprar o remédio,
02:24aí eles estão sujeitos a gravos, às complicações pelo abandono do tratamento.
02:29Em última análise, o custo da não adesão ao tratamento medicamentoso
02:33vai ser de quem financia o sistema.
02:35Ou seja, alguém que não toma medicamento vai acabar no hospital.
02:39A Romilda não quer que isso aconteça com a mãe e o pai.
02:43Mas, para sobrar dinheiro para os remédios,
02:46já começa a faltar para as demais despesas.
02:49A gente deixa, às vezes, de comprar certas coisas,
02:52perto daqui, perto dali,
02:54para poder ser o mais principal, que é o remédio,
02:58que a gente não pode deixar de comprar.

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