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  • há 3 semanas
Salve Comunidade: sem creches, famílias da periferia recorrem à rede de apoio

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Transcrição
00:12Desafios, sonhos, garra, criatividade e belezas dentro da comunidade, mostradas por quem vive
00:21nela e conhece a fundo cada detalhe. John Colceit é poeta, nascido e criado na periferia. É ele
00:29quem leva a gente para um mergulho nessa vivência. Salve, comunidade!
00:44Mães que costumam ter mais de quatro filhos, não tem com quem deixar e muitas dessas crianças têm menos de
00:52quatro anos de idade.
00:57Eu me lembro, por exemplo, quando eu era moleque, eu tinha que cuidar dos meus irmãos para minha mãe trabalhar.
01:04Hoje, só pelo fato de seus filhos terem um lugar para ficar, já é muito...
01:07Nossa, já é muita... ajuda bastante.
01:13A periferia é uma unidade, meu parceiro. Temos fome de muita coisa. Para sonhar, precisamos de dignidade.
01:20Quando a escola dá um suporte, é até legal. Porém, esse suporte ainda não é o suficiente.
01:26O suficiente para várias mães de periferia. Exemplo esse, estamos aqui agora na casa da dona Linda.
01:33A dona Linda, aqui de Flechal, ela recebeu a gente aqui para falar um pouco dessa trajetória,
01:39de como é difícil você ter que trabalhar e... com quem deixar as suas crianças.
01:50Fala para a gente qual é a maior dificuldade hoje. Você tem quantos filhos?
01:54Eu tenho quatro.
01:55Todos estão estudando.
01:56Aham.
01:57O de cinco, ele está na creche?
01:58Sim.
01:58Da prefeitura?
02:00Sim.
02:01Mas qual é a dificuldade hoje, por exemplo, que você... já que eles estão estudando,
02:04por que a senhora tem dificuldade de arrumar um trabalho?
02:07Bom, a dificuldade é porque...
02:09Aqui em Cariacica tem a escola, que eles ficam meio período, mas e o outro meio período com que eles
02:15vão ficar?
02:16Para estar trabalhando, para pagar uma pessoa para olhar quatro crianças, fica difícil.
02:21E para poder pagar também uma van para estar levando na escola e trazendo, para pagar para quatro crianças, fica
02:28difícil.
02:32É na falta que as pessoas se transformam.
02:35Como Dona Dora, moradora antiga de um bairro da Serra, transformou e vem transformando a vida de muitas mulheres
02:42que não tinham com quem deixar seus filhos para poder trabalhar.
02:45E várias dessas mulheres passou a trabalhar dentro desse projeto também.
02:54Se não fosse a creche do vovô Chiquinho aqui na comunidade, como seria?
02:59Ah, é difícil. A gente não ia ter como deixar os filhos da gente. A gente não ia poder nem
03:03trabalhar.
03:04Então, você tem quantos filhos?
03:05Sete.
03:06Como é que foi esse processo de tentar vaga? Vaga de creches, prefeitura, tal?
03:12Muito difícil.
03:13Mas você chegou a tentar?
03:14Já tentei e não consegui.
03:16O que é que te pediu de conseguir? O que aconteceu nesse caminho?
03:20Fala que não tem vaga.
03:21Fala que a gente tem que ficar esperando.
03:23Ah, entendi. Aí aqui na creche comunitária aqui do...
03:26Comunitária do vovô Chiquinho, aí dá oportunidade de presente.
03:34Gracielia, estava me falando como foi difícil quando ela veio de Minas para cá com duas crianças, né?
03:39Essas duas crianças, foi bem difícil.
03:40Você chegou a tentar vaga em outro... em creches? Tenta algum tipo de ajuda?
03:47Sim, eu coloquei meus filhos na creche, só um que conseguiu a vaga.
03:52Você tem quantos filhos hoje?
03:53Hoje eu tenho quatro filhos.
03:55Como que é na sua casa hoje, você e os quatro filhos?
03:58Bom, hoje eu posso falar que tem alimento na minha casa.
04:01Hoje eu posso falar...
04:02Já chegou a faltar?
04:02Já chegou a faltar.
04:05Um levantamento feito em 2018 apontou que mais de 48% das crianças do estado precisavam de creche.
04:14Nas comunidades, cada família arruma um jeitinho para cuidar dos meninos e meninas.
04:20A Gracielia e a Sueli conseguiram ajuda no Instituto Vovô Chiquinho, em Central Carapina.
04:26O projeto atende mais de 130 crianças.
04:29Gente, a creche da vovó, a vovó adora, é igual a coração de mãe, né?
04:34Como que a senhora fazia antes de ser voluntária aqui?
04:37Porque a senhora estava desempregada, quatro filhos, como é que era?
04:39Eu tinha que me se virar nos 30 para dar comida para as crianças, água, luz.
04:44Então era muito complicado.
04:46Tem dias que eu passava fome.
04:48Quando cheguei aqui, meu filho tinha dois meses de idade e estava abaixo do peso,
04:53porque eu não tinha o que comer para dar para eles comida.
04:55Há falta, né? É muita demanda do município, é muita demanda do estado.
05:01Então acredito que não dá conta de abrir vagas em semês
05:06para poder abraçar toda a necessidade que essa comunidade tem no cuidado dessas crianças.
05:18Acolhimento e cuidado.
05:20O Instituto Vovô Chiquinho é mantido através de doações e atende crianças a partir de dois anos.
05:27Elas têm aulas de balé, muay thai, capoeira e jiu-jitsu.
05:32E também são servidas refeições.
05:34A gente tem uma parceria muito grande com os colégios aqui dentro, com a creche, o CMEI aqui dentro.
05:40Só que é só a metade do dia.
05:44Meio período.
05:45Meio período.
05:46E a mãe que trabalha, vai deixar o menino aonde?
05:49Exatamente.
05:50Então a porta é o Vovô Chiquinho.
05:53E hoje está melhor?
05:55Nossa, graças a Deus.
05:57Graças a Deus está bem melhor.
05:59Eu sempre falo gratidão.
06:00Tem coisa que não tem como pagar mesmo, não.
06:11Eu sempre falo gratidão.
06:16Eu sempre falo gratidão.
06:17Tchau.
06:18Tchau.
06:18Tchau.
06:19Tchau.

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