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  • há 3 semanas
Venezuelanos são abandonados na Rodoviária de Vitória

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Transcrição
00:01É, Roberta, boa tarde pra você, desculpa.
00:04Boa tarde pro pessoal de casa, é inaceitável, assim, são, como você disse, são idosos,
00:10tem pessoas aqui com um problema de saúde, a gente vê muita criança.
00:15E aí eu conversei com o Rubem, ele que é como se fosse um representante aqui dessas pessoas, né?
00:23A gente tá falando de ser humano.
00:25O Rubem, ele não fala português, Roberta, mas ele me contou que ele e outros venezuelanos
00:32chegaram aqui no Brasil no finalzinho de 2020, 2021, entraram primeiro pra Roraima
00:39e começaram a percorrer vários estados do Brasil, até que chegaram na Bahia.
00:46Em Teixeira de Freitas, município do sul do estado da Bahia, eles ficaram durante algum tempo,
00:51só que segundo o Rubem, a prefeitura colocou o Rubem, todas essas crianças, essas mulheres,
00:59essas pessoas dentro de um ônibus, e esse ônibus veio pro Espírito Santo, parou aqui em Vitória,
01:05nessa madrugada, e o Rubem junto com todas essas pessoas que estão aqui, eles desceram
01:11e não tem mais pra onde ir.
01:13É uma situação muito difícil, muito complicada, é impossível, né, você não ser tocado
01:20por esse tipo de situação, porque a gente tá falando de pessoas, de crianças, tem bebês
01:25recém-nascidos aqui.
01:27O que o Rubem tá pedindo é solidariedade das pessoas.
01:30O que eu vi também durante esse tempo, né, desde que nós chegamos aqui, Roberta, é que
01:34várias pessoas viram essa história, seja na televisão, nas redes sociais, viram tudo
01:39isso, essas pessoas se comoveram, e todos os venezuelanos que estão aqui, eles ganharam
01:46algum tipo de doação.
01:47A gente tem aqui também representante da prefeitura de Vitória, nesse momento a gente
01:51consegue perceber que são pessoas que estão com coletes, estão uniformizadas da abordagem
01:56social, pra também conversar com cada um e tentar descobrir o que vai ser feito, né,
02:02a gente também não sabe até agora.
02:04Desde quando essa história, ela foi noticiada, repercutida, muita gente tem se perguntado
02:10sobre a prefeitura de Teixeira de Freitas, se tem uma resposta, se tem uma justificativa
02:16pra algo que parece, no mínimo, desumano.
02:20Bom, a gente tem uma entrevista, né, a prefeitura de Teixeira de Freitas se pronunciou, tem uma
02:26entrevista com o secretário de assistência social do município, a gente vai ouvir agora
02:30com uma resposta, né, porque foi esse questionamento, o que que aconteceu pra que a prefeitura trouxesse
02:37cerca de 25 pessoas do estado da Bahia e colocasse aqui, nesse terreno que a gente tá mostrando
02:44agora, sem nenhuma estrutura, descoberto, a gente tá falando de adultos e de pelo menos
02:5013 crianças, Roberto, incluindo aí um recém-nascido de apenas 8 meses.
02:55Então, a prefeitura já se manifestou, tem aí essa resposta do secretário, dando ali
03:00a versão do estado da Bahia, da prefeitura, né, de Teixeira de Freitas, sobre o que
03:05aconteceu, a gente vai conferir agora.
03:07A prefeitura, na verdade, tomou conhecimento de que eles haviam sido desembarcados aqui
03:13em Teixeira de Freitas, vindos do município de Jequié, no dia 12, sexta-feira, e ao encontrá-los,
03:19a Secretaria de Assistência Social imediatamente providenciou um abrigo provisório aqui em Teixeira
03:22de Freitas, na escola, mais precisamente na escola infantil Tarsílio do Amaral, aonde
03:26nessa escola, visto que nós não temos abrigo em nossa cidade, nós não temos estrutura,
03:30nós não temos território indígena, nós não temos políticas de povos indígenas,
03:34porque nós não temos indígenas em nosso território, então nós acolhemos eles na
03:39escola Tarsílio do Amaral, ofertamos alimentação, ofertamos serviços médicos, ofertamos doações
03:44juntamente com a comunidade Teixeira de Freitas, eles foram bem acolhidos, foram feitas campanhas
03:48em nossa cidade, então dignidade a esse povo não faltou em nossa cidade, porém, vale
03:54destacar que eles são adultos, são livres, têm direito de ir e vir, e ao identificar
04:00que em nossa cidade eles não teriam as condições para viver, eles foram facultados a eles para
04:07onde eles quiserem ir, e eles têm direito de ir e vir, a nossa cidade mais uma vez, mais
04:12uma vez ofertou para eles o que eles queriam, que foi o transporte e para a cidade que eles
04:16escolheram, e eles não foram jogados, eles desembarcaram como pessoas adultas que são,
04:22e assim como em Teixeira de Freitas, eu acho que cabe ao município, à comunidade, aonde
04:27eles passarem, fazer como Teixeira de Freitas fez, acolher com amor.
04:34Está aí essa versão, eu já tinha ouvido essa fala antes e perguntei ao Rubem se isso
04:40procedia, ele disse que não, foi história, não tinha sido bem assim não, ele me contou
04:44que a prefeitura de Teixeira de Freitas, um representante da prefeitura, que ele não se
04:49recorda muito bem o nome, disse que o ideal seria uma cidade maior, então a prefeitura
04:55por conta própria, sem consultar os venezuelanos, nessa tribo indígena, a prefeitura decidiu
05:01colocar 25 pessoas, crianças, dentro desse ônibus, fazer todo o trajeto, porque não
05:06é perto, e nessa madrugada, essas pessoas foram deixadas ou abandonadas aqui.
05:12Essa senhora que a gente está conversando aqui, a Kátia, ela mora exatamente em frente
05:18à rodoviária, ela me contou que viu essa movimentação, a chegada, o desembarque dessas
05:23crianças, desses adultos, desses idosos aqui no local, isso acabou chamando a atenção
05:27e a senhora meio que sem entender o que estava acontecendo, né?
05:30É, porque eu acordei de manhã e de madrugada, né, e abri a janela, eu vi uma zoada, muita
05:35zoada de criança, aí eu abri a janela, olhei para a rodoviária e ele estava justamente
05:40onde que estavam os taxistas, eu falei assim, ah, deve ser um pessoal de fora que chegou,
05:45aí eu acordei hoje e deparei com essa cena aqui, é uma cena muito triste, é...
05:52como eu falo, né, o amor do próximo se acabou, né, e olhando essa situação assim,
05:59eu vi que o ser humano não é nada, né?
06:04Revolta e corta o coração, né?
06:05Isso, corta o coração e foi jogado como lixo, né?
06:08Agora vamos ver o que a nossa autoridade de Vitória e Espírito Santo vai fazer com
06:13eles, ou vai fazer a mesma coisa que Teixeira fez também, né?
06:16Dona Kátia, obrigada.
06:18Roberta, está todo mundo muito revoltado, né, com a situação.
06:20Claro que a Prefeitura de Vitória já enviou aqui pelo menos dois representantes,
06:24as pessoas estão desde cedo conversando com os venezuelanos, com os nossos amigos,
06:29irmãos, né, venezuelanos, para tentar ali tomar a providência mais adequada, necessária,
06:34a gente não tem desse posicionamento do que vai ser feito, mas, enquanto isso, as pessoas
06:38continuam aqui.
06:39Eu perguntei sobre esses colchões e o Rubem, ele me disse que esses colchões foram dados
06:45pela Prefeitura de Teixeira de Freitas.
06:47Essa estrutura que você está vendo que não existe, a Prefeitura deixou aqui de Teixeira
06:51de Freitas, essas pessoas, acho que abandonada é a palavra que mais se adequa a essa situação
06:55e a gente vai ficar por aqui, Roberta.
06:58São pelo menos 13 crianças e é uma situação que eu confesso, eu peço até desculpa pela emoção,
07:04nunca tinha visto algo parecido na minha vida.
07:05Se você chegar, se deparar com pessoas, seres humanos, jogados, crianças, ingênuas, correndo,
07:12sem parecer não, né, são crianças que realmente não estão entendendo o que de fato está
07:17acontecendo, a gravidade de situação, mas mesmo assim estão tentando aqui, de um jeito
07:21ou de outro, se divertir.
07:23A gente precisa falar também dessa solidariedade, eu vi pelo menos cinco veículos aqui com pessoas
07:29fazendo algum tipo de doação, tem água, tem comida, tem fralda, porque a gente está
07:34falando de crianças aqui, recém-nascido também, então eu vi muita solidariedade e
07:39claro, ao longo do dia a gente vai continuar falando sobre esse assunto que não tem outra
07:44palavra para definir, que não seja revolta, porque é isso que a gente acaba sentindo de
07:50um jeito ou do outro, Roberta.

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