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  • há 3 semanas
Caso de homem que matou enteado entra em debate.

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Transcrição
00:00Eu recebo Letícia Santana, ela é psicóloga, e também recebo a Andréia Maria, que ela vai contar pra gente a
00:08história dela.
00:09Você se livrou também de uma, né Andréia? Boa tarde.
00:11Boa tarde, Roberta. Eu também me livrei de um relacionamento assim.
00:16Com meu filho mais velho, eu tive um companheiro, que quando eu saía para trabalhar, ele cometia agressão ao meu
00:24filho.
00:24Eu só descobria quando eu chegava em casa, e a pessoa não admitia, só que, porém, eu não continuei, né,
00:33neste relacionamento.
00:35Por quê? Se a pessoa não faz bem ao meu filho, quem dirá a mim, eu decidi terminar, ele foi
00:41atrás de mim, para uma reconciliação, e eu não quis.
00:46Então, enfim, meu filho hoje, graças a Deus, hoje ele está com 18, mas ele sofreu esse tipo de abuso,
00:56porque eu não tinha um discernimento de colocar uma pessoa dentro da minha casa.
01:01E hoje, eu aconselho até algumas amigas e falo que a pessoa que não gostar de um filho, que é
01:07seu filho, né,
01:09que é uma parte de você, não continue. Qualquer sinal de violência, não continue, para não virar uma estatística.
01:17É isso mesmo, Letícia. O homem que é violento com a mulher, ele também tende a ser violento com os
01:24filhos?
01:24É uma violência que se repete? Boa tarde.
01:27Boa tarde. Sim, o que a Andréia falou é uma fala atravessada por muita propriedade, né, exatamente.
01:34O comportamento violento, ele é um comportamento que atravessa os relacionamentos dessa pessoa,
01:40indifere se seja com um enteado, um filho, ou com uma esposa, ou um vizinho.
01:45Por isso que é muito importante nós ficarmos atentos aos sinais, como a Andréia bem colocou,
01:50e existem sinais. Não existe essa história de que ele ficou violento do nada.
01:56Então, é importante, sim, que a gente aí ligue um alerta em relação a alguns sinais
02:02que essa pessoa, possivelmente, ela manifesta antes do ato da violência.
02:06E quais são esses sinais que a gente pode e deve já observar?
02:11Porque, assim, todo mundo tem direito a recomeçar uma vida, não deu certo um relacionamento,
02:15bora partir para frente, né, conhecer uma nova pessoa, seja um homem, seja uma mulher.
02:21Mas vamos observar essas características para saber se a gente não está entrando numa furada,
02:26também?
02:27Sim, existem alguns traços de personalidade, de temperamentos que são muito peculiares
02:32da pessoa que comete essa violência.
02:34Então, uma pessoa muito impaciente, inconstante no humor, um dia está bem, outro dia está mal,
02:41uma pessoa intolerante, uma pessoa impulsiva, compulsiva.
02:45Então, todas essas características, elas estão dentro desse viés de uma personalidade mais violenta.
02:51Então, antes mesmo que ele cometa esse ato, você vai perceber que a relação do dia a dia
02:56é uma relação atravessada por muita mediação, você sempre fica ali mediando as palavras que
03:01você vai colocar, porque senão ele pode ficar agressivo verbalmente, ele pode fazer você
03:05passar vergonha onde quer que você esteja.
03:08Então, normalmente, essas pessoas, elas são mais insensíveis ao outro.
03:12Então, esses são os sinais básicos que eu acho que são evidentes a todos, que você já
03:17consegue perceber aí um sinal de que possivelmente essa pessoa é uma pessoa violenta.
03:21Olha só, já já eu volto a falar com você, Andréia, porque agora a gente vai relembrar
03:25de um outro caso que teve uma grande repercussão aqui no Estado, que foi a morte da Angélica
03:31Otto Hammer, de 24 anos.
03:33Lembra desse caso, gente?
03:34Isso chocou todo o Estado.
03:36O caso aconteceu em Santa Maria de Getibá.
03:39Angélica tentou defender a mãe de uma briga com o padrasto, que tinha chegado bêbado em casa.
03:45E ela acabou sendo atingida por golpes de facão.
03:49A irmã mais nova e a mãe também ficaram feridas, elas ficaram internadas, mas sobreviveram
03:56ao ataque, né?
03:56E hoje o homem está preso.
03:59E aí, o que a gente conseguiu?
04:01A gente vai conseguir agora conversar, bater um papo com o Gilson, porque vamos pensar na
04:05dor da família que a Angélica sente, na dor que a família da Angélica, que ela vem
04:11enfrentando essa dor, isso não vai passar nunca, gente.
04:14Então, a gente vai bater agora um papo com o Gilson, que é irmão da Angélica.
04:19Obrigada, Gilson, pela sua participação aqui no programa.
04:21Boa tarde.
04:23Primeiro conta, né?
04:23Como é que tem sido a vida da família de cinco meses pra cá, depois dessa tragédia
04:29que aconteceu?
04:31Antes de mais nada, boa tarde.
04:32A minha solidariedade é o rapaz de 34 anos, que infelizmente se foi também.
04:36Nossa.
04:38A gente está tentando sobreviver, né?
04:39Tentando passar.
04:40Nossa, eu não consigo nem falar, mas eu estava ouvindo o caso da outra mulher, que é a Guarinha,
04:44que conseguiu se livrar dos monstros e a psicóloga falando do Guarinha.
04:48Nossa, foi exatamente o que aconteceu na nossa família.
04:51E você, suas irmãs também, vocês tentavam conversar com a sua mãe sobre essa característica
04:58violenta do padrasto?
05:01É, nossa, eu estou muito mal aqui, meu Deus do céu.
05:04Isso chama tudo de volta.
05:09Desde os primeiros dois dias que minha mãe conheceu esse monstro, já começou a demonstrar
05:13essas coisas pra ela.
05:15Eu tomei tremendo, desculpa.
05:16Desde os primeiros dois dias a gente já começou a avisar a ela do que que ele era, do que
05:22que ele podia fazer.
05:23E, nossa, eu não consigo falar desculpa.
05:25Meu Deus do céu, eu estou tudo tremendo aqui, você fechou tudo de volta.
05:29Faz uma pergunta de novo, faz um favor.
05:31Ô Gilson, primeiramente, a gente se solidariza muito com você, né?
05:37Porque você perdeu a sua irmã diante de um momento, né?
05:41Uma tragédia que aconteceu, um fato terrível que chocou todo o Estado.
05:45E, então, a gente entende todo o seu sofrimento, todo o seu nervosismo, né?
05:51E eu perguntei exatamente isso.
05:53Quantas vezes vocês conversaram com sua mãe?
05:57Mãe, olha, presta atenção, ele tem características violentas.
06:01Houve esse bate-papo com sua mãe?
06:04Nossa, desde o começo já.
06:06Eu morava com meu pai e ele mostrava de tudo, ameaças dele, do começo.
06:11Nossa, eu estou muito mal aqui.
06:13Meu Deus do céu.
06:14Vamos fazer o seguinte?
06:16Fica tranquilo, se você tiver uma água por aí, toma uma água.
06:20Daqui a pouquinho, dentro de alguns minutinhos, a gente volta a falar com você.
06:23A gente tem todo o respeito ao seu sentimento, ao seu coração, tá?
06:29Pode respirar e daqui a pouquinho, se der, a gente volta a falar com você.
06:32Pode ficar tranquilo.
06:33Enquanto isso, a gente continua falando aqui no nosso estúdio com a Andréia.
06:37Andréia, quais foram os sinais que você começou a perceber que o relacionamento que você teve, você falou assim, opa,
06:44isso não vai fazer bem para a minha família.
06:47O que você começou a perceber?
06:48Então, Roberta, ele, no meu caso, ele pegava e tentava ocultar.
06:54Eu questionava ele, porque eu, na troca de uma fralda, via marcas de mão que ele agredia.
07:02No seu bebê?
07:02No meu pequeno, no meu bebê.
07:04E eu perguntava, ele não respondia, até que um dia eu fingi estar dormindo e ouvi ele dar uns tapas
07:12na bunda do meu filho, porque o meu menino chorava, chorava e chorava.
07:17Ele era uma criança, ele não tinha noção do que estava acontecendo.
07:22Aí, isso foi um basta para mim.
07:23Aí, eu peguei e me separei.
07:26Eu falei imediatamente, eu falei, ó, eu flagrei, eu vi e não quero que você faça isso mais com o
07:33meu filho.
07:34E ele era uma criança pequena.
07:37Aí, eu peguei e me separei.
07:38Ele, ah, eu vou mudar.
07:40Eu, como eu tenho já um histórico de não acreditar em certos homens, eu optei, cada um para o seu
07:48canto.
07:48Falei, ó, não vou te dar queixa.
07:51É cada um possível, você não vem atrás de mim, eu não quero mais.
07:54E ele respeitou a sua decisão?
07:56De imediato, não, porque ele foi atrás de mim.
07:58Aí, eu peguei e falei com ele.
08:01Eu falei, ó, se você não respeita o meu filho, você não está me respeitando.
08:06Se você diz gostar mesmo de mim, você tem que gostar dos meus filhos.
08:10Porque é a parte de mim.
08:13Se a pessoa não respeita uma parte de mim, aí eu peguei.
08:17Aí, ele continuando a insistência, eu falei que eu ia dar queixa, foi onde que ele parou.
08:23Letícia, por que é tão difícil romper esse relacionamento?
08:26O André está falando aqui que ele ainda insistiu.
08:28Nesse caso que a gente mostrou hoje, essa mulher já tinha até mesmo uma medida protetiva contra ele.
08:34E ainda assim, ele insistiu também para voltar para ela.
08:38Tanto é que voltou e aconteceu o que, infelizmente, a gente noticiou.
08:42Por que é tão difícil romper esses relacionamentos?
08:44É difícil, porque o ciclo da violência, muitas vezes, ele é intermitente.
08:49Ele é mediado por um período de reconciliação, por um período de alívio, por um período de promessas,
08:56de transferência de responsabilidade.
08:59Então, no caso da André, poderia ser, ah, porque ele chorou, porque ele me deixou nervoso,
09:04eu não vou fazer isso de novo.
09:06Então, normalmente, essa intermitência, essa pausa entre o ato de agressão e uma reconciliação
09:13é que faz com que a mulher, vou colocar aqui, que é a principal vítima,
09:17ainda tente um pouco mais, muitas vezes em nome da família,
09:21muitas vezes em nome de um equilíbrio familiar e financeiro, ou uma dependência financeira.
09:27Enfim, quando é atravessado pelo álcool, no caso do exemplo que nós vemos aqui,
09:32tem também aquela variável, ah, porque ele estava alcoolizado, ele vai parar.
09:36Então, se ele não tivesse alcoolizado, ele não teria feito.
09:39Então, acaba que na rotina do dia a dia, começam a surgir muitas desculpas,
09:45até mesmo um desejo de que aquilo não aconteça mais, de que a família se perpetue.
09:52Muitas vezes a intenção é muito boa e muito positiva.
09:55Mas a gente tem visto nos inúmeros casos que um agressor, ele sempre será um agressor,
10:01via de regra, que ele se arrependa muito, que ele mude completamente a dinâmica da sua vida.
10:06Se ele não muda, ele vai perpetuar esse histórico.
10:10E muitas vezes, os relacionamentos anteriores, eles também são indicativos para quem está em um novo relacionamento.
10:17Então, você começou um relacionamento agora, você não conhece a pessoa,
10:21dá uma investigada nos relacionamentos anteriores, não é ficar ali atrás de ex,
10:25mas procura saber por que terminou, quais foram os conflitos da relação anterior.
10:30Porque eu vou te dizer uma coisa, via de regra se repete também com você.
10:34Não é porque aqui vai ser diferente, porque ele ama mais ou porque ele ama menos.
10:38A gente está falando de um comportamento, de uma forma de reagir ao estresse, enfim, a tantas outras coisas.
10:44Então, fique atento também a essa história pregressa desse indivíduo,
10:49porque ela também vai te contar muita coisa.
10:51E olha só, agora sim, a gente vai tentar restabelecer o contato com o Jusco.
10:54Está bem emocionado, é claro, um caso recente que aconteceu.
10:58Infelizmente, ele perdeu a irmã dele, que foi vítima de toda a tragédia que aconteceu em Santa Maria de Getibá.
11:04Quem não se recorda, né?
11:06Gilson, está um pouquinho mais calmo agora? Consegue conversar melhor com a gente?
11:09Está certo.
11:10Está certo.
11:11E aí, eu queria que você contasse, né?
11:13Você também já tinha, como enteado, percebido essas características agressivas dele?
11:20É, sim, desde os primeiros dias já demonstrou todos os sinais.
11:23A moça anterior falou perfeitamente o que ele era, entende?
11:27Não só eu, como o meu pai, nosso familiar, a gente percebeu o que ele era, o que ele fazia.
11:34Só que ele fazia exatamente o que a moça falou agora, hein?
11:37Havia momentos em que ele castigava muito da minha mãe e havia um curto período de momento em que ele
11:43era a melhor pessoa do mundo.
11:44E nesse curto período de tempo ele conseguia pegar a minha mãe de volta e tentar manter a relação para
11:49frente.
11:50E assim foi desde o início.
11:52Muitas vezes minha mãe voltou para ele por causa do financeiro.
11:55Muitas vezes ele fazia a maior tragédia, porque ela ameaçava, meus irmãos ameaçavam a nossa família.
12:00Mas quando ele voltava, ele era a pessoa melhor do mundo.
12:02Eu consegui conquistar o coração da minha mãe de novo e assim foi indo para frente sempre.
12:08O que ninguém imaginava é que ele tivesse nessa disposição, jamais...
12:14Vocês imaginariam que ele poderia fazer o que ele fez, né?
12:19Pior que a outra parte da família...
12:21Eu estou tentando colocar aqui, eu estava pensando agora sobre isso, entende?
12:25Infelizmente o que aconteceu muito no caso da minha mãe é que no começo ela se apaixonou por esse cara.
12:31E cada vez que ela foi, ela foi criando coisas, expectativas dentro da cabeça dela.
12:36Por exemplo, a primeira vez que ele bateu nela, ele foi punido na cadeia.
12:42E aí, para ela, ok, ele foi punido na cadeia, vou dar mais a chance para ele.
12:47A segunda vez que ele bateu nela, não, dessa vez eu só estava nervoso.
12:51Então, vou dar mais a chance para ele.
12:54Entende?
12:54Então, eu acho que eu não consigo falar direito, né?
12:57Eu acho que é melhor encerrar mesmo.
13:01Eu só queria passar a mensagem, mas não estou conseguindo.
13:04Mas a gente agradece imensamente e todo mundo se solidariza com você.
13:09Sabe que é um caso muito recente.
13:11Não tem cinco meses do que aconteceu que você consiga, toda a sua família, superar essa dor, viu?
13:20Sobre o que vocês falaram, que ele bebia e não bebia.
13:22Ele era só um monstro mesmo, no caso.
13:24Ele era pior ainda porque ele era só um monstro mesmo.
13:27Então, ou seja, pior ainda, era uma característica dele, né?
13:32Não é que ele se transformava, era uma característica dele.
13:35Obrigada, Gilson.
13:36Quando você vier aqui na região da Grande Vitória, se puder, passe aqui no nosso estúdio.
13:42Quero recebê-lo com todo o carinho do mundo, te dar um abraço, viu?
13:45Porque a gente se sensibilizou demais com tudo o que aconteceu com a sua família.
13:49Obrigada, tá?
13:50Eu só queria falar uma coisa.
13:51Alguma coisa rapidinho que eu posso falar ainda?
13:53Claro.
13:54Assim, o que eu queria basicamente dizer é o que a moça falou agora em entrada.
13:58Eu queria colocar a situação do que aconteceu com a minha mãe, mas as palavras que a moça anterior fez
14:02foi simplesmente perfeita, entende?
14:03Eu queria colocar isso, eu não consegui colocar essa palavra direito.
14:06Entende?
14:07Então, era só isso mesmo.
14:09Tá certo.
14:09A gente agradece imensamente, viu?
14:12Pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
14:15Bora continuar então com esse caso, gente?
14:17Assim, que a gente sabe, infelizmente, o que pode acabar levando um relacionamento violento.
14:24O que acho que é a maior dor que uma mãe pode enfrentar nessa vida é essa perda.
14:30Agora, hoje, diante de todos esses casos, André, que a gente noticiou, quando você olha para trás e vê a
14:36sua atitude diante desse relacionamento,
14:38você tem ainda mais convicção de que você agiu da forma correta?
14:42Sim, sim, eu analiso mais, eu vejo que eu salvei meu filho de um mal maior, de evitar uma tragédia
14:51maior.
14:51E também aprendi a me amar mais, para me ser mais seletiva na escolha, entende?
14:59Entende?
15:00Porque abre muito.
15:01E, como você falou da dor, ficou uma dor inestimável, minhas lamentações para o moço que acabou de perder, né?
15:10A mãe e a família.
15:12A irmã.
15:12A irmã.
15:13Isso.
15:13A família.
15:16Porque causa um transtorno muito grande de dor, assim, que é incalculável.
15:22Entendeu?
15:22Ainda mais uma perda na família, igual a da mãe anterior, da reportagem anterior, vocês
15:28passaram que o menino morreu, né?
15:31Que estava querendo retornar ao lado da mãe e acabou perdendo a vida por causa do padrasto.
15:38Então, é muito cuidado, é muito cuidado com quem coloca dentro de casa, como você colocou.
15:45E você é seletiva?
15:46Você se tornou ainda mais?
15:47Me tornei mais seletiva, me tornei muito, muito minuciosa nesse caso, porque o lado da
15:55gente, a gente tem que ter muita atenção com quem a gente coloca dentro de casa, entende?
16:00Porque dois meses, três meses, você não conhece alguém verdadeiramente para estar
16:05morando com você.
16:08Então, é isso, é um sentimento, assim, muito triste, mas, no mesmo tempo, sensação de
16:14estar livre de ter salvado o meu filho de uma situação pior.
16:18Olha só, suas palavras vão de acordo com o pensamento da Letícia Pimenta, ela participa
16:23com a gente e fala, eu aprendi uma coisa na vida, a nossa casa é o nosso templo, não
16:28se pode entrar qualquer um.
16:30Mas a gente também não pode demonizar todos os relacionamentos, né?
16:36Quantas outras pessoas incríveis, novos casais que surgem, que pessoas que continuam a felicidade,
16:43né?
16:43Tem direito a seguir com a vida.
16:45E eu, então, queria que você ensinasse, ajudasse a gente, Letícia, a analisar o comportamento
16:51dessa pessoa.
16:52Quando que é a hora de apresentar para a família?
16:54Quando que é a hora de apresentar para os filhos?
16:57Qual é a certeza dessa segurança?
17:00É difícil se ter a certeza e é difícil também mensurar a hora, porque é muito
17:07subjetiva essa hora, né?
17:09Um mês, dois meses, um ano, não existe esse número.
17:14Mas a gente precisa ficar atento a algumas questões, assim.
17:17Se o casal, num relacionamento que antecede um casamento, vamos chamar de casamento, né?
17:22Esse ato de morar os dois juntos na mesma casa.
17:25Eles conseguem ter planos em comum, eles conseguem ter projetos, expectativas do futuro em comum,
17:33já dividir algumas coisas, nem que sejam idealizações, nem que sejam sonhos.
17:39Consegue ter uma conversa, manter um diálogo sem que haja discussão, mesmo que os dois discordem
17:46de determinado assunto.
17:48Então, são sinais que mostram para a gente que a rotina do dia pode vir a dar certo.
17:54Então, às vezes, assim, faz uma viagem um pouquinho mais prolongada, vê como é que
17:57vai ser a dinâmica do dia a dia nesse contexto de viagem.
18:00Deu certo?
18:02Vocês tiveram uma sintonia bacana nesse período?
18:05Opa, já é um sinal de que se morarmos juntos vai dar certo.
18:08Então, a gente consegue discutir e discordar sobre algo sem brigar?
18:13Poxa, já é um indicativo.
18:14A gente consegue falar de dinheiro e a gente tem expectativas semelhantes em relação a
18:20essa questão financeira?
18:22Isso também é muito bom.
18:23A gente divide ideias em relação à criação de filhos, à religião, à política.
18:30Então, são temas que envolvem a nossa rotina diária e que é bom numa relação a dois,
18:35não é que a gente concorde 100% um com o outro, mas que a gente consiga conviver na diversidade.
18:40Então, se isso minimamente já acontece, eu acho que é um sinalizador bacana de que
18:46a vida diária, que é uma vida muitas vezes exaustiva, a gente sabe disso, vai sobreviver,
18:53a relação vai sobreviver a todos os intempéries da rotina.
18:57Então, eu acho que esses sinais podem ser bons indicadores.
19:00E sabe um outro caso também que ganhou uma repercussão nacional?
19:03Não sei se você vai se lembrar.
19:04Aconteceu recente, gente.
19:05Foi da madrasta acusada de envenenar os dois enteados.
19:09Lembra disso?
19:10Esse caso aconteceu em maio, revoltou todo mundo.
19:13Fernanda Cabral, de 22 anos, infelizmente não resistiu e morreu depois de ficar 13 dias internada.
19:19O irmão dela, Bruno Cabral, foi levado para o hospital, ficou em estado grave, mas sobreviveu.
19:25Cíntia Mariano Cabral teria colocado veneno na comida dos enteados.
19:29Ela foi denunciada pelo Ministério Público e deve ir a júri popular.
19:33E olha só o comentário que eu recebi aqui no nosso Facebook da Lúcia Nascimento.
19:38O rapaz que perdeu a vida pelo padrasto é meu vizinho, filho de uma amiga maravilhosa.
19:44E detalhe, toda essa tragédia, essa confusão familiar aconteceu na frente também dos filhos desse rapaz.
19:53Vamos parar para pensar, por exemplo, o seu filho bebezinho, o Gilson que a gente entrevistou agora, também as irmãs
20:01dele, vivendo, crescendo nesse contexto.
20:04E aí a gente noticia mais uma tragédia dessa criancinha que presenciou tudo.
20:11Qual o impacto que isso pode ter na vida dela?
20:13Ela viu o pai morrer pela mão do padrasto, Letícia.
20:18De novo, né? É muito subjetivo o impacto.
20:22Mas que existe o impacto? Existe, né?
20:25Uma sensação de vulnerabilidade, dependendo da faixa etária, já compreende a amplitude do ato.
20:30Seis anos a filha dele.
20:32Então, compreende o tamanho desse ato.
20:34Então, essa criança, na verdade, é a continuação dessa violência.
20:39Porque a violência nunca é com um membro.
20:41A gente viu a dor daquele irmão.
20:43Então, a violência, ela se perpetua.
20:44A gente está falando de um adulto que mal conseguiu dar a entrevista de tão emocionado, tão sensibilizado.
20:50Então, imagina com uma criança.
20:51Então, esse é o complexo da violência familiar, que é uma pessoa e o ato cometido com uma pessoa reverbera
20:59em todos os membros da família.
21:00Então, essa criança vai precisar, sim, de muito apoio, de muita assistência,
21:03porque os desdobramentos no desenvolvimento cognitivo e emocional possivelmente vão vir.
21:08E, Andréia, hoje, né, você está livre, desimpedida.
21:13Qual é a opinião, qual é o peso da palavra dos seus filhos quando você vai iniciar um novo relacionamento?
21:21Qual a idade deles hoje?
21:22Hoje, o meu mais velho está com 18, esse que eu relatei a história.
21:26E eu tenho um de 11 anos.
21:29Qual é o peso da opinião deles quando você vai iniciar um relacionamento?
21:34Olha, falar mais pelo meu filho mais velho, ele fica muito preocupado.
21:41Fala bem, sim, mãe.
21:43Hoje em dia, tem pessoas que a senhora tem que ver bem, entendeu?
21:51Para se envolver, porque a gente não conhece o coração de ninguém.
21:55E também, no momento, estou livre, desimpedida, mas não em busca de relacionamento.
22:02Então, eu quero correr atrás dos meus sonhos, estruturar meus projetos e também acabar de criar o meu filho de
22:1111 anos.
22:12E outra, deixo na vontade de Deus, Deus que vai selecionar.
22:18Mas eu vou continuar com a minha minúcia, buscando, assim, selecionar.
22:24Bem seletiva, né?
22:25Isso, bem seletiva.
22:26Afinal de contas, quando vem para somar é uma coisa, né?
22:30Para quando a gente começa a ter perdas na nossa vida, ainda mais tratando de filhos, nem pensar.
22:35Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
22:38Obrigada, Roberto.
22:39Obrigada pela oportunidade.
22:40Letícia, você também é super querida.
22:42Obrigada sempre pela sua presença, tá?
22:44Obrigada.

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