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Vamos falar sobre emagrecimento e cirurgia bariátrica.
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00:08Olá, sejam bem-vindos ao Checkup Saúde. Eu sou Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com os
00:14maiores especialistas em saúde do estado. Gente, o assunto de hoje eu tenho certeza que já foi tema
00:21de roda de conversa em família, na rua, de todo mundo. Não tem quem nunca tenha falado em emagrecimento.
00:28A gente vai falar também de cirurgia bariátrica e tem muita novidade. A gente sabe que tem remédio
00:34aí agora para diabetes prometendo emagrecer as pessoas. Será que isso é verdade? Será que a gente
00:39pode ir lá comprar na farmácia e isso pode ajudar? Tem muita dúvida. Eu quero saber qual que é a
00:44dieta
00:45para mim. A gente trouxe hoje dois grandes especialistas aqui. Sejam bem-vindos. Paula Henrique Souza,
00:52cirurgião bariátrico e Gisele Dazi, endocrinologista. Obrigada pela presença de vocês.
00:59Obrigada, Alice, pelo convite e principalmente por falar de um assunto que é tão comentado,
01:05realmente cheio de dúvidas, muitas coisas que escutam e não sabem se está certo, se está no caminho certo,
01:13tipo de dieta. Muito legal. Muito obrigada pelo convite.
01:17Obrigada pelo convite também. É a oportunidade de esclarecer vários pontos aí e a gente desmistificar
01:22alguns deles e trazer informação de qualidade para o público.
01:26Doutora Gisele, vamos começar esclarecendo assim. Eu acho que toda mulher que você pergunta,
01:32quase toda mulher, ela vai falar que quer emagrecer alguma coisa. Dois quilinhos a mais, cinco, dez,
01:39dez, vinte. Que parâmetro utilizar para saber se aquele emagrecimento é algo da minha vontade ou é algo que eu
01:47realmente preciso?
01:48A gente tem que seguir que parâmetro para saber que aquele quilo a mais, ele realmente está representando um risco
01:56para a minha saúde?
01:57Isso é muito importante, porque quando a gente fala de sobrepeso ou de obesidade, a nossa grande preocupação é exatamente
02:06essa.
02:07é o que isso pode trazer de malefício para a gente. Só que também existe aquele outro lado, aquelas outras
02:14pessoas que estão dentro do normal,
02:17tem um peso normal, mas querem perder um pouco de peso para se sentir melhor, que também não está errado.
02:23Mas quando a gente fala de saúde, existem alguns parâmetros que a gente deve levar em consideração.
02:30Um deles, mas hoje em dia já menos utilizado, é o IMC, que é um cálculo muito simples que a
02:36gente faz de peso em relação à altura,
02:39que você se coloca dentro de uma classificação de peso normal, sobrepeso e obesidade.
02:47E os graus de obesidade, também que a gente tem que levar em consideração até para poder determinar um tratamento.
02:54Então, quando essa pessoa se enquadra nesse, vamos pôr, um quadro de sobrepeso ou obesidade, isso já gera um dano
03:01à saúde.
03:02E aí a gente tem que se preocupar, não só com a estética, que muitos ainda se preocupam, mas principalmente
03:07o que isso pode trazer para a gente.
03:10Então, o IMC, mesmo estando um pouco ultrapassado, ele ainda pode ser utilizado?
03:15Se eu for na internet, como calcular meu IMC, ter esse cálculo com esse parâmetro, já é um indício para
03:22eu poder procurar um especialista?
03:24Sim, já é um indício, ainda é utilizado.
03:27Mas hoje, o que a gente utiliza mais é a composição corporal, que é saber o que a gente tem
03:33de gordura, o que a gente tem de músculo,
03:36porque essa variação também traz consequências.
03:40Se você pega, vamos supor, uma pessoa, que você faz o cálculo do IMC, e o IMC é normal, e
03:46você faz uma avaliação desse paciente,
03:49seja por bioimpedância ou seja por outras medidas antropométricas, a gente consegue determinar quanto que essa pessoa tem de gordura.
04:01E aí, se você está dentro do IMC normal, só com um percentual de gordura mais elevado, esse paciente, mesmo
04:09assim, tem um risco maior de desenvolver alguns tipos de doenças.
04:13Então, isso me faz pensar em duas questões, que a gente ouve desde cedo.
04:17Tem o osso pesado, eu estou pesada na balança porque meu osso é muito largo, é verdade?
04:22Tem gente que é mais pesado, não porque tem gordura, mas porque tem uma composição corporal fora a gordura que
04:29pesa mesmo?
04:30Sim, o músculo mesmo. O músculo é mais pesado do que a gordura.
04:33Então, muitas vezes você pega um paciente que tem um IMC que você coloca na classificação de obesidade grau 1,
04:41só que quando você vai avaliar esse paciente, é um paciente que é cheio de músculo, tem um percentual de
04:47gordura super baixo,
04:48e você não pode dizer que esse paciente é obeso.
04:51E o falso magro? Também tem, então, o contrário.
04:54Ele parece magrinho no IMC, parece estar dentro, mas ele pode estar com um excesso de gordura.
05:01Isso, isso é muito comum.
05:02Muitas vezes os pacientes chegam ao consultório, quando você vai fazer essa avaliação de composição corporal,
05:09é um paciente que tem uma massa muscular muito baixa, e aí, consequentemente, um percentual de gordura mais elevado.
05:16E a gente também tem algumas preocupações em relação a esse tipo de paciente,
05:21porque uma massa muscular baixa também vai trazer consequências, seja curto, médio ou a longo prazo.
05:29Então, esse paciente também tem que ser avaliado e tratado.
05:33Então, cada um tem que ser avaliado de forma individual.
05:36E aí, a partir daí, a gente montar um plano de tratamento.
05:40Então, o ideal é realmente, para ter o diagnóstico, se você está ou não com sobrepeso, ou faltando, né?
05:48Porque pode ser o excesso também, falta de músculo, né?
05:51Uma composição corporal errada, é só o especialista que consegue saber isso, né?
05:57Isso, consegue avaliar.
05:59Doutora, quando a gente olha as fotos do passado e as fotos recentes,
06:04a gente vê vídeos da década de 70 na praia e vê vídeos hoje,
06:08parece que a população realmente engordou.
06:11E a gente ouve que a obesidade hoje é uma epidemia mundial, né?
06:16Por que que isso aconteceu?
06:17O que que é o vilão da obesidade?
06:20A gente sabe que hoje, até para as crianças também.
06:22O que que está acontecendo com o mundo?
06:24É, a obesidade realmente, ela vem crescendo a cada ano
06:27e numa velocidade bem assustadora.
06:31Nesses últimos dois anos, a gente teve algumas consequências, né?
06:35Que, principalmente, para as crianças, muitas crianças em casa, sentadas, sentadas em frente de tela.
06:44Com a pandemia, né?
06:45Com a pandemia, então, nos últimos dois anos.
06:47E aí você acaba, estando dentro de casa, você come mais.
06:51As crianças, elas estão cada vez mais sedentárias e com hábitos alimentares ruins.
06:56Então, isso está realmente aumentando muito a quantidade de crianças obesas.
07:01A obesidade infantil vem aumentando de forma assustadora também.
07:05E para os adultos, da mesma forma.
07:08Adultos mais em casa, mais sedentários, sempre com aquele...
07:13Ah, eu não tenho tempo de fazer uma atividade física, eu não consigo fazer uma atividade física.
07:17Ou então, por falta de disposição ou preguiça de praticar algum tipo de atividade.
07:22Uma alimentação ruim.
07:24Está todo mundo sempre correndo, sempre estressado, come qualquer coisa.
07:28Por exemplo, se preocupa com a qualidade do alimento.
07:30Não só com a quantidade, mas a qualidade do alimento vem modificando muito.
07:34E com isso, vem aumentando cada vez mais as taxas de obesidade.
07:38Nos países ricos, nos países pobres, é realmente mundial.
07:42Isso é mundial.
07:43Gente, vamos nos inspirar.
07:45Esse programa aqui quer falar de emagrecimento, quer falar sobre saúde.
07:49A gente vai ouvir a Dani e ver um pouquinho da história dela para a gente aqui no Check Up
07:54Saúde.
07:55Eu nunca fui uma criança magra, né?
07:57Na adolescência, em busca do corpo ideal, eu sempre busquei por caminhos fáceis.
08:03Então, eu comecei a tomar medicação por conta própria, fazer dietas da moda.
08:07E aí, sempre que eu, não conseguindo manter uma dieta da moda, que é sempre muito restritiva,
08:15sempre que eu voltava a me alimentar da forma que eu me alimentava antes,
08:19não fazendo atividade física, eu sempre retornava ao meu peso,
08:24o meu sobrepeso, ou até mais pesada, né?
08:27E aí, eu voltava a me medicar por conta própria.
08:31Foi aí que, em 2021, no início de 2021, eu me vi no maior tamanho que eu já tinha chegado.
08:38E até subir a escada da minha casa com as compras,
08:41me fazia chegar na minha casa sentindo falta de ar.
08:45E eu falei, eu preciso mudar a minha história.
08:48Só que eu sabia que até ali, o que eu tinha tentado, não era o correto e não tinha me
08:54levado a lugar nenhum.
08:55Foi aí que eu busquei ajuda profissional, de nutricionista e personal,
09:00pra me poder dar aí o pontapé que eu precisava no meu emagrecimento, né?
09:05E foi aí que eu comecei a ter resultados, né?
09:07Eu tenho hoje um ano e sete meses de acompanhamento com o personal
09:12e eu tô hoje, bato menos 32 quilos.
09:16Ganhei qualidade de vida, ganhei autoestima, a minha vida mudou.
09:25Obrigada, Dani.
09:27Doutora, conta pra gente, qual o segredo pra emagrecer?
09:30Posso seguir dieta da moda?
09:33Ela falou também de medicamento.
09:34medicamento, vamos entrar nessa parte agora?
09:36Por onde que a gente começa quando a gente fala em emagrecimento?
09:39A Dani falou uma coisa certa, ela procurou ajuda de profissionais
09:43que são adequados pra poder iniciar esse tipo de tratamento e dar continuidade.
09:49Não existe o melhor tipo de dieta.
09:51A melhor dieta é aquela que se adequa melhor a você.
09:55Hoje existem vários tipos de dieta e a cada dia a gente vê que aparecem novas, né?
10:01Então a gente tem que avaliar, na verdade, o que mais se adequa ao seu dia a dia,
10:06ao seu... o que você mais gosta de comer, enfim.
10:10E o que a gente se preocupa sempre, independentemente da dieta, é o consumo calórico.
10:15Então independente da dieta que você fizer, ela tem que ser uma dieta em que você tenha
10:20uma redução de caloria e aumento de gasto com atividade física.
10:25E aí você consegue ter um balanço negativo e você ter uma redução do peso.
10:30Mas não importa o tipo de dieta.
10:32E a questão medicamentosa, né?
10:35A gente sabe de medicamentos do passado que geravam dependência, que são até proibidos,
10:40não podem mais ser utilizados.
10:42E a gente tem aí uma nova geração de medicamentos até utilizados pro diabetes,
10:47agora sendo utilizados na questão da obesidade.
10:50Explica pra gente um pouquinho essa história dos medicamentos, esses mitos que existem em torno desse assunto.
10:57São medicamentos de forma recente, que chegaram em 2018, 2019 pra gente,
11:04que ajudam sim no controle do peso.
11:07São medicamentos com resultados excelentes no tratamento da obesidade.
11:12Esse Sproul Diabetes.
11:13Tem uma medicação que ela é específica para a perda de peso e tem uma outra medicação que ela é
11:20para diabéticos,
11:21tudo ali foi feito para diabéticos na época que se foi lançado e que ele é utilizado também,
11:28mas só que de uma forma que a gente chama de off-label, ou seja, aquilo que não está em
11:32bula da medicação,
11:33para perda de peso.
11:34E que essa mesma medicação para os diabéticos, que levam a uma perda de peso,
11:40foi feito um estudo com essa mesma medicação, em doses mais elevadas,
11:45para tratamento de obesidade, que ainda não chegou pra gente,
11:49mas espero que em breve ele esteja aí no mercado.
11:52Então são medicamentos que vieram realmente pra revolucionar,
11:55com resultados excelentes em relação à perda de peso,
11:58mas o que a gente não pode esquecer é que eles têm que estar sempre associados com controle alimentar
12:05e com prática de atividade física como qualquer outro tratamento para perda de peso,
12:10inclusive a cirurgia bariátrica que o Dr. Paulo vai falar mais adiante.
12:13Então independentemente do tratamento que faça,
12:16e são medicamentos que realmente funcionam muito bem,
12:19tem que sempre associar com redução de alimentação.
12:21Geralmente o médico, ele vai indicar essa medicação quando o paciente tem uma dificuldade em aderir à dieta?
12:27Por exemplo, ah, eu quero fazer dieta, mas eu chego à noite e como muito,
12:32eu não consigo controlar a minha vontade de comer.
12:34São pra esses casos a medicação que ajuda a emagrecer?
12:40Essas medicações, elas são indicadas pra diversos tipos de pacientes,
12:44diversas queixas de pacientes,
12:45e às vezes não só essa medicação sozinha,
12:50ela vai ser capaz de fazer a redução do peso que a gente precisa pra aquele paciente.
12:55Então a gente tem que ver o padrão alimentar,
12:58a gente precisa avaliar se esse paciente tem um padrão de compulsão alimentar associado,
13:03porque muitas vezes a gente vai precisar de associação com outra medicação
13:07pra conseguir o resultado que a gente espera.
13:10Então eu não consigo te dizer se o tipo de paciente,
13:15o tipo de rotina alimentar...
13:17É algo que a pessoa pode simplesmente decidir sozinha.
13:21Estou com dificuldade em emagrecer, quero ir na farmácia,
13:24quero que o médico prescreva aquela medicação injetável e vou começar a usar.
13:29Não, de forma nenhuma.
13:30Essa medicação, por mais que ela tenha uma boa aceitação,
13:35poucos casos a gente contraindica esse tipo de medicação,
13:39pode levar a ter efeitos colaterais,
13:41e muitas vezes que levam a gente a descontinuar o tratamento.
13:45A gente tem que avaliar a dose da medicação,
13:48se essa medicação é realmente adequada pra esse tipo de paciente,
13:53se ela sozinha vai ajudar no que o paciente precisa,
13:56ou precisa de outra medicação associada.
13:58Então tem que ser avaliado individualmente.
14:01E não pode comprar por conta própria em farmácia,
14:04igual a gente vê muita gente fazendo.
14:07Gente, falando em emagrecimento, a gente tem um colega ilustre aqui,
14:11Michel Bermudes, ele até usa bastante a hashtag
14:14bariátrica espiritual nas suas redes sociais,
14:17eu morro de rir, me divirto muito com o Michel.
14:19Mas é interessante que ele traz esse tema sempre, né?
14:22Da questão da bariátrica, que é um tema que o Dr. Paulo vai esclarecer aqui pra gente,
14:27mas vamos ouvir um pouquinho o que o Michel conta da experiência dele com essa cirurgia.
14:31Olá, amigos, tudo bem?
14:33Ei, gente, ó, seguinte, fiz a bariátrica para garoto,
14:38deixa eu lembrar aqui, seis anos mais ou menos de bariátrica,
14:41e eu operei com 140 quilos,
14:45hoje eu tô com 80, 84 mais ou menos, né?
14:50E graças a Deus tô muito bem, o processo foi doloroso,
14:54não vou dizer que foi fácil,
14:55e não acho legal também quando dizem que é,
14:57porque banaliza, né, uma cirurgia que é importantíssima e séria.
15:01Eu fiz a preparação durante dois anos, cheguei a desistir da cirurgia três vezes,
15:06vocês acreditam? Três vezes.
15:08Na terceira eu falei, agora vai.
15:10Eu tinha muito medo, né?
15:12Desinformação também, apesar de ser jornalista,
15:14eu tinha alguns mitos, né, sobre a cirurgia.
15:18E, enfim, quando eu tomei a decisão, eu procurei ajuda psicológica,
15:22iniciei o processo da bariátrica espiritual,
15:24que é tentar se entender também, né?
15:26Conhecer teu corpo, teus gostos, teus fantasmas,
15:30porque a comida, meio que ela vem associada a dramas,
15:35a traumas, a conquistas também, e a fantasmas.
15:38Quando eu descobri isso, foi o puro do gato.
15:40E aí procurei um bom médico, uma boa nutricionista,
15:43o cirurgião que me operou, um cara fantástico, assim,
15:46muito experiente, me ajudou muito nesse processo todo.
15:51Também entrei na onda de me cuidar um pouco mais,
15:55respirar melhor, me exercitar um pouco mais.
15:59E é isso, a cirurgia pra mim foi libertadora.
16:01Hoje eu digo, por que eu não fiz antes, né?
16:03A bariátrica, ela é um processo que tem evoluído muito,
16:08a técnica evoluiu, então quem operou lá há 20, 30 anos,
16:11tem uma saúde completamente diferente da minha,
16:14que operou agora.
16:15Não que seja melhor ou pior, mas é diferente, né?
16:17Então as técnicas foram mudando, foram evoluindo,
16:21então também a bariátrica não é uma só, né?
16:23Cada bariátrico tem um desenvolvimento, tem uma história,
16:26cada um é cada um.
16:28Mas é isso, gente, eu tô muito feliz e adoro falar sobre o assunto,
16:31pode me chamar sempre.
16:33Para, garoto!
16:35Obrigada, Michel, você é uma inspiração.
16:38Doutor Paulo, conta pra gente,
16:39quando que a questão de emagrecimento vira uma questão cirúrgica?
16:43Quando que surge a questão da bariátrica pro paciente?
16:48A gente tem critérios muito bem estabelecidos pra indicar a cirurgia.
16:52Como a Gisele comentou, nós temos, nós usamos o IMC,
16:56o índice de massa corporal, pra classificar a obesidade,
16:59e a partir dessa classificação determinar essa faixa de IMC,
17:03pra qual tratamento a gente vai indicar pra aquele paciente.
17:05Então, pra aqueles pacientes com IMC acima de 35,
17:09entre 35 e 40 de IMC, obesidade grau 2,
17:13a gente pode indicar a cirurgia desde que esse paciente também tenha
17:16uma doença que seja relacionada à obesidade em associação.
17:21Os pacientes com IMC acima de 40 também podem ser operados,
17:24independente dessa presença ou não das doenças.
17:28Importante dizer que é necessário que o paciente tenha tentado também
17:33emagrecer por métodos clínicos, seja como medicação, dieta, exercício físico,
17:37por um período de dois anos, pra gente poder determinar
17:40que essa tentativa de emagrecimento não foi bem sucedida
17:44e de que esse paciente realmente precisa da cirurgia.
17:47É verdade que tem gente que engorda para fazer a cirurgia,
17:50não tá ali dentro dos parâmetros,
17:52e isso é uma recomendação médica, é uma vontade pessoal,
17:56é uma tentativa de burlar essa questão da indicação,
18:00é uma indicação real, como que é isso, doutor?
18:02Não, de maneira nenhuma é indicado que o paciente engorde,
18:05ganhe peso pra atingir essa faixa de peso e ter a indicação pra cirurgia.
18:11A gente precisa que o paciente, como o Michel bem destacou,
18:15entenda todo o processo e esse processo, parte desse processo é perder peso.
18:22A gente, pelo contrário, indica que o paciente perca peso antes da cirurgia
18:26pra torná-la mais segura, ter menos complicações e o paciente ter um resultado melhor.
18:30A gente ouve falar em diferentes tipos de cirurgia, né?
18:35Então tem o balão, tem o anel, tem remoção de parte do estômago,
18:40explica pra gente a diferença entre essas indicações técnicas.
18:44Muito bem, então nós temos basicamente dois princípios pelos quais a cirurgia bariátrica
18:50atua pra fazer o paciente perder peso.
18:53A gente, por um mecanismo, a gente restringe, a gente limita a quantidade que o paciente
19:00consegue ingerir de alimento.
19:02Então, o mecanismo de restrição alimentar.
19:04O segundo mecanismo é o mecanismo de diminuir a absorção de nutrientes e calorias
19:10que aquele paciente vem a ingerir.
19:12A gente pode associar esses dois mecanismos com diferentes técnicas
19:16ou fazer uma técnica que inclua somente um deles.
19:20Basicamente, hoje em dia, nós fazemos duas técnicas.
19:23Claro que existem outras.
19:25Mas as mais realizadas no Brasil, no mundo, são duas técnicas.
19:29Sendo que uma a gente faz só um mecanismo restritivo,
19:32que é a cirurgia em que a gente retira boa parte do estômago.
19:36A gente deixa aí em torno de 100 ml de capacidade.
19:40Essa técnica é a gastrectomia vertical.
19:43Alguns pacientes vão conhecer como sleeve, que é o nome em inglês.
19:47E a outra cirurgia é o bypass, que significa desvio do estômago.
19:52Que a gente faz um desvio, propriamente dito, de boa parte do estômago
19:55e da porção inicial do intestino.
19:56Então, o paciente fica com o estômago menor, reduzido, em torno de 50 ml.
20:02Passa a comer menos.
20:03Além disso, o que ele come não passa por essa parte desviada do intestino.
20:08Então, ele não absorve também os nutrientes e calorias.
20:12Então, basicamente, ela atua por esses dois mecanismos.
20:15Você comentou sobre o balão.
20:17O balão não é um método cirúrgico, é um método endoscópico.
20:20O endoscopista coloca um balão que preenche o estômago
20:24e limita também a capacidade de ingestão alimentar do paciente.
20:29Esse balão, porém, ele é retirado após um ano.
20:32Então, ele não entra na parte de bariátrica, né?
20:35É uma outra indicação para emagrecimento.
20:39E das técnicas, quem decide vai ser o médico.
20:43É, a gente tem que avaliar muitos fatores.
20:46Fatores idade, o IMC do paciente, o perfil metabólico e de doenças associadas àquele paciente,
20:53histórico familiar, uma série de fatores que o cirurgião, junto com toda a equipe,
20:58endocrinologista, nutricionista, nós vamos optar pela técnica que melhor se adequa àquele paciente,
21:05àquele perfil de paciente.
21:07Perfeito. Doutor Paulo, a gente tem aqui um compromisso com a saúde pública
21:11em explicar para o nosso ouvinte, para o nosso telespectador,
21:15como ter acesso aos tratamentos que a gente comenta aqui pelo SUS,
21:19pelo Sistema Único de Saúde.
21:20E a bariátrica está no hall dos serviços,
21:23que são ofertados gratuitamente no Brasil pelo SUS.
21:27Eu queria que o senhor explicasse para a gente como ter acesso
21:30a essa bariátrica pelo SUS, aonde que o senhor atua, como que isso funciona.
21:35A bariátrica é oferecida pelo SUS, infelizmente,
21:38a gente tem uma demanda muito grande no serviço público
21:41e o SUS oferece, infelizmente, uma quantidade menor do que a demanda exige.
21:50Mas ela é oferecida em três serviços públicos no Estado,
21:54o Hospital Evangelico de Vila Velha, o Hospital Evangelico de Cachoeiro
21:57e o Hospital das Clínicas aqui em Vitória.
21:59Os pacientes que têm indicação da cirurgia podem ser encaminhados
22:04pela unidade básica a um desses serviços
22:06e aí é feito o cadastro, a admissão do paciente nesses serviços,
22:11todo o pré-operatório, as avaliações, o esclarecimento daquele paciente
22:15e a preparação para a cirurgia quando bem indicada.
22:18Então a porta de entrada é a unidade básica de saúde.
22:21Lá, né, doutora, é que ele poderia fazer o seu IMC,
22:24ter as suas medidas corporais, como a senhora trouxe,
22:27e a partir daí partir para a indicação ou não do método cirúrgico.
22:33A primeira avaliação é feita pelos endocrinologistas
22:38para avaliar se esse paciente se encaixa realmente na indicação de cirurgia bariátrica.
22:43Porque muitos procuram o serviço, seja pelo SUS, seja no consultório particular,
22:49só que esse paciente não tem indicação de fazer a cirurgia.
22:52E aí a gente precisa orientar ou indicar algum outro tratamento clínico
22:56que vai ajudá-lo a perder peso e voltar para o IMC normal.
23:02Mas sempre pela gente antes para fazer essa indicação de forma correta.
23:07Gente, estamos chegando ao final do nosso check-up de saúde de hoje.
23:11Eu acho que o recado que fica para todo mundo é
23:13os médicos não estão aí só para ditarem a regra do emagrecimento,
23:17mas para ajudar a população a como chegar lá, a como conseguir saúde a partir desse emagrecimento.
23:24Então eu queria agradecer muito os esclarecimentos de vocês.
23:27Obrigada, doutora Gisele. Obrigada, doutor Paulo.
23:31Gostaria de agradecer mais uma vez a presença e falar para os ouvintes
23:35que existe sim uma forma saudável de você perder peso.
23:40A gente consegue, por mais que você veja dificuldade em todos os caminhos que você já percorreu,
23:45é procurar os profissionais corretos que vão te orientar,
23:50ainda mais no mundo de hoje, com tanta informação que a gente fica perdida.
23:53Mas tem solução, a gente consegue perder e consegue fazer uma boa manutenção do peso
23:58para ter uma vida saudável.
24:00Quanto à cirurgia bariátrica, é importante esse papel nosso aqui
24:04de trazer informação, de desmistificar, como falou o Michel,
24:07de esclarecer aos pacientes que existem indicações precisas para o procedimento.
24:14E é essencial que o paciente procure informação, uma equipe bem estruturada,
24:17bem capacitada para orientar e ajudar o paciente nesse processo até a cirurgia
24:23e principalmente depois da cirurgia, em que as medidas clínicas,
24:27uma mudança de estilo de vida necessária sempre.
24:32Perfeito, gente. Esse foi o nosso Check-Up Saúde de hoje.
24:35Até semana que vem.
24:40Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
24:44Legendas por Quintena Coelho