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  • há 3 semanas
Cada vez mais viciados em telas, muitos adolescentes se afastam do convívio familiar.

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Transcrição
00:00Agora vem cá, você, papai, mamãe, avó, vovô, vem cá.
00:04Você já ouviu falar na geração do quarto?
00:08É, geração do quarto.
00:10A gente está falando daqueles adolescentes que passam a maior parte do tempo presos no quarto,
00:16num mundo só deles, sem interagir com a família, eles não se abrem, não conversam sobre os problemas
00:22e essa geração vem crescendo e acaba que a gente não sabe lidar com ela.
00:27Essa que é a verdade, né?
00:28Então a gente vai bater um papo sobre esse assunto aqui no nosso estúdio.
00:32Vem cá, chega aqui, eu recebo a psicóloga Larissa Lobo.
00:35Obrigada mais uma vez pela sua participação.
00:37E a Marcela, a Marcela Oliveira, que vai contar pra gente.
00:41São três filhos, né?
00:42Quatro.
00:42Quatro, Marcela, toda vez eu erro, quatro filhos.
00:45É que tem um que mora fora, né?
00:47Isso, tem um que mora fora, de 19 anos.
00:49Isso, então são quatro.
00:50Quatro.
00:51Você já passou por isso com os seus filhos?
00:54Então, nas várias fases, né?
00:56Porque eu tenho um de 26, um de 19 e as gêmeas de 16.
01:00Então, cada um deles teve a sua fase de quarto.
01:04Agora, estou com as duas, que ainda estão nessa fase do quarto.
01:09É um momento muito difícil que a gente não sabe muito bem como lidar.
01:14Porque, às vezes, se você tira, se você obriga a sair, você está invadindo a privacidade.
01:19Mas, se você deixa lá, você está negligenciando, de repente, o momento de estar junto com eles, o momento de
01:26estar interagindo.
01:27Então, é uma situação bem preocupante e complicada pra gente, enquanto pais.
01:33E é pra isso que a gente trouxe a Larissa aqui.
01:36Larissa, nos ajude.
01:37Eu sei que a minha fase, a minha com os meus filhos ainda vai chegar.
01:41É normal que os filhos queiram se isolar nessa fase da vida?
01:45Ficar nesse mundo deles, trancados no quarto?
01:48E até que ponto, né?
01:49Se isso é considerado normal?
01:51Boa tarde.
01:51Boa tarde.
01:52Normal é uma palavra um pouco complicada da gente usar.
01:55A gente sabe que na fase da adolescência, é completamente normal que os filhos, eles tenham interesse maior
02:00em atividade de introspecção, que queiram direcionar mais a atenção pro próprio círculo social,
02:07que estejam numa fase de começar a descobrir seus ideais, seus valores, seus pensamentos, posicionamentos.
02:13Então, é natural nessa faixa etária que eles direcionem mais a atenção pros interesses deles.
02:18E, às vezes, coincide de juntar baixa maturidade emocional, às vezes conflito de geração, baixo manejo dos pais,
02:25faz com que isso acabe intensificando essa introspecção, esse retraimento dos adolescentes
02:30e afastando o adolescente da família.
02:33Normal eles se isolarem, ficarem dentro do quarto escuro?
02:36Não.
02:37Mas é natural que eles demonstrem mais interesse pelas próprias atividades deles.
02:40E a gente precisa equilibrar.
02:42E olha só, vou convidar aqui pro nosso bate-papo,
02:45a professor, o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Hugo Monteiro.
02:51Olha só, ele escreveu o livro A Geração do Quarto e ouviu mais de 3 mil crianças e adolescentes
02:58em cinco capitais brasileiras.
03:00Que honra recebê-lo aqui com a gente no Fala Espírito Santo.
03:04Obrigada pela sua participação.
03:06Professor, conta pra gente como é que começou a sua pesquisa, né?
03:09O que você ouviu desses adolescentes?
03:12Qual o motivo que eles se trancam no quarto?
03:16Bom, antes de mais nada, boa tarde a todos, a todas e a todes, a vocês que estão aí no
03:23estúdio.
03:24Eu ouvi muitos pais, muitas mães me perguntavam o que fazer
03:30porque os filhos estavam dentro dos quartos na maioria do tempo em que passavam em casa,
03:36os filhos, as filhas, e era um estar no quarto, mas não era saudável esse estar.
03:42Era um estar no quarto associado a sofrimento, não estar no quarto associado a angústia,
03:47a desespero, a isolamento excessivo, a uso excessivo de redes sociais digitais,
03:53a uma dificuldade muito grande de comunicação dentro de casa.
03:57Então, nesse movimento de ouvir tantos pais me perguntando, tantas mães me perguntando,
04:02eu decidi, então, ouvir crianças e adolescentes entre 11 e 18 anos
04:07em cinco capitais brasileiras, duas capitais do Sudeste, três capitais do Nordeste,
04:13alcancei 3.115 interlocutores e interlocutoras e fiquei impactado com o resultado
04:20porque o resultado me trouxe a certeza de que a saúde mental dessa galerinha não vai bem
04:25e que a gente precisa estar muito atento, muito atenta, como pai, como mãe, como escola,
04:31como mídia, como sociedade em geral.
04:32O que você ouviu de motivos dessa galera?
04:38Olha, os principais motivos têm a ver com violência, ou seja, na maioria dos casos,
04:44a geração do quarto é vítima de violência, seja violência na escola, seja violência em casa.
04:50Duas violências ficaram muito evidentes para mim, o bullying e o cyberbullying
04:54e também violências físicas, violências psicológicas e violências simbólicas
04:59que são realizadas dentro de casa.
05:01O clima da violência gera o adoecimento nesse caso.
05:05Então, eu vi muita gente relatando que essa experiência com a violência
05:09tinha levado a muito sofrimento e esse sofrimento se caracterizava de duas maneiras.
05:15Ou a autodestruição, ou seja, cortes, autolesão, sem intenção suicida,
05:20ideação suicida, tentativa de suicídio mais de uma vez, ou então, psicopatologias,
05:26como transtorno de ansiedade geral, transtorno de alimentação, transtorno alimentar,
05:31bulimia, anorexia, síndrome do pânico, distúrbio do sono,
05:39muitas questões que estavam relacionadas a uma desfuncionalidade no sentido de convivência social
05:46e também uma necessidade muito grande de usar as redes sociais digitais.
05:51Então, eu acho que o grande motivo que leva esse pessoal para o adoecimento é a violência.
05:55Quanto mais violência você tiver na sociedade, há uma propensão maior de você ter adoecimento
06:02nesse caso da mente, nesse caso da saúde socioemocional.
06:06Continua com a gente, professor.
06:07Eu já volto a falar com você que você trouxe um detalhe importante.
06:10Eu quero repercutir com a Larissa, que é psicóloga, está aqui no nosso estúdio.
06:14Larissa, ele trouxe a questão do bullying, né?
06:17Por exemplo, não só o bullying, mas a violência em si, tanto dentro de casa, na escola.
06:22Como que a violência, ela pode impactar a esse ponto, né?
06:26De ferir a autoestima desse jovem, desse adolescente, de não querer nem sair de dentro do quarto.
06:33A gente está falando de uma geração que é muito vulnerável emocionalmente.
06:38Nós, adultos, temos mais recurso emocional, temos mais repertório de comportamento,
06:43Então, é mais provável que, diante de alguns conflitos, a gente consiga se defender, se posicionar, pedir ajuda.
06:50A adolescente não tem isso tão bem desenvolvido.
06:52Então, quando a gente pega esse adolescente, coloca ele num contexto de briga, de bullying, de conflito,
06:57isso vai minando esse desenvolvimento psicológico, emocional, social, cognitivo também.
07:03Então, lembra que eu mencionei que, às vezes, eles não têm muita habilidade de lidar?
07:06Isso vai fazendo, vai juntando, vai fazendo uma panelinha de pressão,
07:10isso vai fazendo com que esse adolescente vá se retraindo, por ele não ter condição emocional,
07:15não ter recurso emocional de resolver, de pedir ajuda.
07:18Então, a forma como ele encontra pra lidar, às vezes, é se esquivando.
07:21Se esquiva do contato, se esquiva da escola, se esquiva do contato com os pais.
07:27Marcela, você, eu sei que você é uma super mãe, tenta ao máximo, né, assim, ser amiga,
07:33amiga que a gente fala, né, dentro do limite de relação de mãe e filhos, tenta ouvir.
07:39Você conseguiu já identificar o motivo que suas filhas, agora, às 16 anos, elas ficam mais tempo no quarto?
07:46Então, é uma dificuldade muito grande, porque, como você disse, a questão de tentar ser uma super mãe
07:55é no sentido de ser parceira e companheira, e não ser aquela mãe que sufoca, né?
08:01Então, assim, acaba ficando difícil.
08:03Por você ter esse tratamento, são quatro, e você tenta ter o mesmo tratamento com todos,
08:10e quando você vê que eles estão ainda, naquele mundinho deles, não querendo se abrir,
08:16aí você fala, o que eu fiz, o que está faltando, o que eu preciso fazer?
08:21Eu consigo detectar um pouco a questão da pandemia, infelizmente, é uma coisa recorrente,
08:28a gente fala disso o tempo todo, mas é fato.
08:31A pandemia tem sido um grande culpado, uma grande culpada, né?
08:38Estimulou muito, né?
08:39Muito, muito.
08:40E essa questão da violência, em geral, igual o que a gente vê nas reportagens,
08:46a gente assiste as reportagens de 5, 4, é falando sobre a violência que acontece externamente,
08:54mas que acaba repercutindo na gente, na vida da gente,
08:59porque a gente acaba ficando com medo, o filho com medo de sair, acontecer alguma coisa,
09:05e uma bala perdida, a falta de paciência das pessoas, a falta de empatia, que você está num lugar,
09:12e de repente, do nada, começa uma briga, uma discussão.
09:16Então, tudo isso aprisiona a gente dentro do nosso mundo.
09:20E como ela colocou, nós adultos, a gente tem os recursos para fugir disso, mas os adolescentes não, as crianças
09:27não têm isso.
09:28Como que a família pode ajudar? Porque a Marcela tocou num ponto interessante.
09:32A gente não sabe se a gente, não, vai todo mundo para a sala, desliga a televisão, todo mundo aqui.
09:37Ou não, será que a gente está sendo invasivo? Existe um tempo limite para a gente aceitar?
09:41Então, tá bom, daqui a meia hora, todo mundo aqui.
09:42O que a gente faz, Larissa?
09:45É muito complexo, porque realmente, esse vou tratar a todos de maneira totalmente igual, realmente não existe.
09:52Então, leva esse sofrimento para os pais de, meu Deus, o que eu estou fazendo de errado?
09:56E, na realidade, esse posicionamento do escritor é muito interessante, porque a gente faz pouco disso,
10:02de ouvir o adolescente, de perguntar para ele.
10:06Então, eu percebo na clínica mesmo, uma movimentação muito preocupada dos pais.
10:09O que eu posso fazer? O que o pai pode fazer? Perguntar.
10:12O que está acontecendo? Qual está sendo a sua dificuldade de se abrir comigo?
10:15Você acha que eu vou te julgar? Você acha que eu vou brigar?
10:17Você acha que eu não compreendo o que acontece com você?
10:20Porque eu percebo uma movimentação social muito de imposição, muito de vamos consertar nossos adolescentes.
10:27Tem até uma rotulação, o adolescente chama de aborrecente.
10:30Então, tem uma coisa isolando muito eles e falando sobre eles.
10:34Então, traz mais esse adolescente, pergunta o que atrapalha, o que ajuda, qual tem sido a dificuldade dele,
10:40oferecer um diálogo mais aberto, ele ter essa tranquilidade de que ele vai ser ouvido e respeitado.
10:46Não concordar, mas ser ouvido.
10:49E aí você vai entendendo qual é a maneira mais adequada para você ir se relacionando com aquele adolescente,
10:55com aquela personalidade.
10:57Deixa eu voltar a falar com o professor Hugo, que ele escreveu um livro, ele ouviu mais de 3 mil
11:02depoimentos desses adolescentes.
11:04Os pais, os pais também tiveram a ciência?
11:08Eles conseguiram detectar que os filhos estavam assim ou achavam que era um movimento natural?
11:16Ah, é adolescente. É assim mesmo?
11:20Olha só, a geração do quarto, ela tem uma característica que é muito específica de meninos que nasceram ao final
11:29do século XX
11:30e que cresceram numa onda digital.
11:34Ela é atravessada pelas redes sociais digitais, mas elas não têm, de modo geral, problemas cognitivos.
11:42Então, o que acontece? O desempenho escolar delas é razoavelmente bom e, às vezes, é muito bom.
11:49O que leva pai e mãe, muitas vezes, a não prestar atenção, porque é mais ou menos o seguinte,
11:54se meu filho está bem na escola, se minha filha está bem na escola, então está tudo bem.
11:58Então, é muito comum que os pais só comecem a identificar a geração do quarto
12:04quando há uma tentativa de suicídio, quando há auto-lesão sem intenção suicida,
12:11quando começa alguma sintomatologia psicopatológica.
12:16Mas isso tudo não começou de uma hora para outra, né?
12:19Isso começou aos pouquinhos, isso foi crescendo, isso foi se desenvolvendo
12:23até gerar uma situação de adoecimento.
12:27Então, assim, os pais e as mães não conseguem detetar muito rapidamente
12:32porque não há uma frequência de diálogo dentro de casa, de modo geral.
12:37Eu escutei muito isso dos adolescentes e das crianças.
12:40Há uma dificuldade de diálogo entre mãe e pai, entre pai e pai, entre mãe e mãe.
12:45Então, assim, é uma dificuldade muito grande e essa dificuldade também na escola.
12:49Então, tem muito a ver com algo simples, mas que me parece bastante difícil de ser realizado,
12:57que é a tal da escuta acolhedora.
13:00Eu escuto você, eu tento compreender você, eu tento te acolher sem julgamento,
13:07julgamento que eu digo, julgamento sentenciador, julgamento preconceituoso.
13:12Eu tento conversar com você, respeitar as suas posições, te ensinar a respeitar também as posições alheias.
13:19Então, assim, é um processo muito difícil para pai e mãe,
13:22mas eu, pessoalmente, também não gosto muito de culpabilizar ninguém.
13:26Eu acho que isso é um construto social que todos nós, todas nós,
13:32devemos estar bastante atentos e atentas,
13:35porque a geração do quarto, ela tem uma característica.
13:40Ela é violenta com ela própria, mas ela também é violenta com o mundo de fora.
13:46Ela experienciou a violência e a violência dela está atravessada pelo sofrimento psíquico.
13:51Então, nos meus estudos, eu tenho relacionado muito o comportamento da geração do quarto
13:57com o comportamento desses adolescentes que invadem escolas e que matam.
14:03Eu faço uma relação de que você pega a biografia desses adolescentes que entraram nas escolas
14:14desde Columbine até Suzana em São Paulo e você vai ver que esses adolescentes têm o perfil da geração do
14:20quarto.
14:21Então, assim, eu não estou só falando de uma geração que é subjetivamente adoecida.
14:27Eu estou falando de uma geração que pode ter o discurso do ódio e a prática do ódio
14:33como um exercício quase que normal, um exercício quase que natural de vida.
14:39Então, eu sou vítima de violência, eu reproduzo a violência atravessada pelo adoecimento mental.
14:44Tem esse lado e por... Oi, desculpa.
14:46Não, eu queria agradecer muito a sua participação, contribuindo aqui para o nosso debate,
14:52aqui no nosso estúdio e a que ponto, né, que as coisas podem chegar quando, infelizmente,
14:58a gente negligencia aquela atitude rotineira dos nossos filhos em achar,
15:04ah, não, está tudo bem porque na escola a nota vai boa, então está tudo bem.
15:07E outra coisa, aqui dentro de casa está seguro, lá na rua é perigoso, deixa ele lá no quarto.
15:11Não é tão simples assim, né?
15:13Muito obrigada pela sua participação aqui no programa com a gente,
15:16trazendo a sua pesquisa ou compartilhando o seu estudo, viu? Obrigada.
15:21Por nada, por nada.
15:23Um abraço.
15:25E a gente vai continuar agora aqui com esse assunto, porque a gente vai ver o relato agora da Nanda
15:29Costa.
15:30Ela está passando por isso, gente, com um filho de 13 anos. Roda aí.
15:35Eu tenho um filho de 13 anos, está naquela pré-adolescência, né,
15:40naquela fase mais revoltada que fala, e assim, ele literalmente, realmente, se isolou do mundo.
15:48O mundo dele é muito celular, celular, celular, é 24 horas de celular.
15:52Mesmo eu estando ali em cima, mesmo eu estando monitorando, ele não gosta de brincar na rua,
16:00ele vai para a escola, ele volta, eu já se tranca dentro do quarto com o celular.
16:04Então, assim, é uma coisa que está bem preocupante aqui dentro de casa,
16:09essa situação com o meu filho.
16:11Então, assim, se tiver alguém aí que pode dar aquela dica para a gente,
16:16que é mãe, de como tirar nossos filhotinhos desse mundo fechadinho, a gente agradece.
16:23Obrigada, Nanda, pela sua participação aqui com a gente.
16:25Tem essa dica para deixar para os pais, para as mães, Larissa.
16:30Quantas vezes, né, a família já chamou o filho para ir ao shopping,
16:33vamos no shopping, vamos no restaurante.
16:35Quando vai, já vi filhos de amigas minhas que vão levando ainda o fone,
16:39o celular, ainda chega na mesa do restaurante, ainda fica preso.
16:44Ou seja, ele não saiu de casa, na verdade, né?
16:46Tem essa dica?
16:47Eu sempre oriento os familiares a entrarem mais no mundo dos adolescentes,
16:52porque eu percebo muito na clínica também,
16:54eu quero tirar meu adolescente de casa,
16:56eu quero levar ele para ir no shopping comigo,
16:58para fazer coisas que eu gosto,
16:59para fazer coisas que eu, como mãe, acredito que vai ser legal para ele.
17:02Mas, às vezes, falta dar uma olhada no que esse adolescente gosta de fazer.
17:06Se ele gosta de anime, ele gosta de um certo tipo de banda,
17:09então, às vezes, você entrando nesse mundo do adolescente,
17:12fica um pouquinho mais fácil de você trazer ele para você também.
17:15Entende? Não somente de impor aquilo que é interessante.
17:18E dar uma olhada no contexto familiar também,
17:20porque, às vezes, o contexto familiar, ele não tem uma dinâmica muito saudável,
17:23não tem um vínculo muito fortalecido.
17:25Às vezes, os próprios pais também passam o dia inteiro trabalhando
17:29e acabam não tendo muito tempo.
17:30Não que seja culpa deles, né?
17:32Mas essa dinâmica acaba facilitando com que esse adolescente,
17:35ele crie mais conexão com a rede social,
17:38mais conexão com os amigos que não estão ali,
17:40que estão por mensagem, que estão pelo WhatsApp.
17:43Às vezes, os próprios pais têm dificuldade de manejar esse tempo em tela,
17:46então, acabam não tendo tanto tempo para os filhos também.
17:49Então, é uma série de fatores que precisam ser olhados
17:53dependendo de cada familiar, de cada família.
17:56E sendo uma coisa que está sendo muito exagerada,
17:59que os pais percebam um momento da ansiedade, da irritabilidade,
18:03é um humor muito deprimido,
18:04é sempre interessante que se busque ajuda profissional
18:06para investigar a fundo o que está acontecendo.
18:08As outras fases já passaram, né?
18:10Então, a sua esperança é que a das meninas passe logo também, Marcela.
18:13É, e eu ouvindo a psicóloga falando,
18:16eu observo que, na verdade,
18:20a terapia, eu acredito que hoje ela tem que ser familiar.
18:24Porque nós somos de uma geração
18:27que não tínhamos esse acesso à tela.
18:30A gente brincava na rua, jogava queimada,
18:33ficava até tarde conversando do lado de fora.
18:35Então, com essa chegada explosiva da tecnologia, das telas,
18:42nós não sabemos lidar com isso,
18:45com o não permitir, o botar limite,
18:50até que ponto eu vou deixar.
18:51Então, assim, a terapia não é só para o adolescente,
18:55a terapia tem que ser para a família,
18:57para a família toda aprender a lidar com esse novo.
19:01Muito bem colocado, viu?
19:02Obrigada, Marcela, por abrir mais uma vez a vida real, né?
19:06A vida de uma mãe de verdade aqui no programa.
19:09Obrigada.
19:10Larissa, volte sempre, tá?
19:12Já está com o coraçãozinho aqui na nossa produção.
19:16Obrigada pela sua participação.
19:17Eu que agradeço.

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